O País – A verdade como notícia

Os espectáculos em directo através das redes sociais constituem mecanismo favoráveis para os músicos continuarem a chegar ao seu público em todo mundo. No país, a moda pegou e, por isso, sexta-feira, 17h, será a vez de Jimmy Dludlu proporcionar um concerto musical. No caso, com transmissão televisiva e via redes sociais (Facebook e Instagram) do  Standard Bank.

De acordo com uma nota de imprensa, o projecto que conta com o apoio do Standard Bank constitui uma forma de propagar mensagens de prevenção do coronavírus e entreter os moçambicanos, levando o melhor da música para o público assistir em directo nas suas casas.

O repertório do guitarrista vai incluir algumas das escolhas musicais dos seus fãs, seleccionadas previamente pelo músico, designadamente o tema “Ha deva”, e “Seja feita a vontade de Deus”.

Jimmy Dludlu promete, segundo a nota de imprensa: “Além do calor musical, vou aproveitar a ocasião para interagir com o público em casa sobre os cuidados que devemos ter para nos precaver do novo coronavírus, uma vez que se trata de um momento de grande reflexão”. Para o guitarrista, a iniciativa visa, igualmente, minimizar o vazio causado pelo isolamento social, através da música.

 

 

 

O Festival AZGO está integrado no Oslo World – Map The World, um circuito de festival virtual face à propagação da COVID-19. Segundo a nota daquela festival moçambicano, o circuito envolve mais  de 50 festivais de vários cantos do mundo. Cabe a cada um seleccionar vinte músicas de artistas que particimaram numa de suas edições. O AZGO seleccionou do seu vasto repertório construído ao longo das nove edições.

Com o alastramento da pandemia de COVID-19 e o consequente isolamento social ou quarentena, dependendo da circustâncias, a música tem sido o refúgio de muitas pessoas ao redor do mundo. Foi pensando nessa condição, num momento em que os maiores festivais a nível mundial estão cancelados, incuindo o AZGO, que o Oslo Word organiza um circuito de festival virtual.  “Face à pandemia do COVID-19, acreditamos que a música tem um efeito positivo em aprimorar o senso de união e nos acalmar em momentos de medo e / ou ansiedade. É por isso que a Oslo World está desenvolvendo um mapa mundial do festival online”, escreveu ao AZGO, Alexandra Archetti, representante da Oslo World.

A Oslo Word vê neste festival uma forma de solidarizar-se com a humanidade. “Para nós, agora é mais importante estarmos juntos com o restante da indústria para lutar por medidas e soluções eficazes para o sector – e mostrar solidariedade à nossa sociedade como um todo” acrescentou Archetti, citada na nota do AZGO.

 

Nesta quarta-feira celebra-se o Dia Internacional da Dança. A propósito da efeméride, Maria Helena Pinto, Edna Jaime, Ídio Chichava, Quito Tembe e Lindo Cuna contam como é fazer dança no país.  

 

A dança é uma manifestação artística que contribui para o desenvolvimento humano, afinal engloba vários aspectos da vida: o visual, o espaço, o ritmo, a percepção, a emoção e os sentimentos. Convicta disso, Maria Helena Pinto entende que Moçambique é um país abençoado, pois possui todas as variedades de dança que projectam o que acontece na sociedade. Aliado a esse factor, em termos de criação, a coreografa sublinha que os artistas contemporâneos moçambicanos, que há 10 anos estavam a iniciar-se, conseguiram afirmar-se com o desenvolvimento de perspectivas particulares.

Ainda assim, mesmo com vários factores favoráveis, os fazedores da dança no país entendem que não se está a tirar o maior proveito da arte. Imensas questões interferem para que, actualmente, seja difícil para os bailarinos e coreógrafos se profissionalizarem. Para começar, há o problema da formação artística de base a nível da dança em Moçambique, “o que a torna órfã, já que sem formação de base os aspirantes a artistas não têm onde buscar os diferentes conhecimentos que os permitam encontrar o caminho que pretendem seguir”.

O posicionamento de Maria Helena Pinto é sustentado por Ídio Chichava, que acrescenta que a dança, em particular a contemporânea, é marginalizada no país. Por isso, o reconhecimento dos bailarinos nacionais vem do estrangeiro. “Nós Produzimos e exportamos, mas, a nível local, assiste-se uma marginalização de quem devia aproximar-se da dança e de quem não a conhece”. Logo, segundo Chichava, o investimento na criatividade sem igual dos artistas nacionais é reduzido ao interesse individual, por não se vislumbrarem políticas concretas indispensáveis para a produção de talentos. É por isso que Edna Jaime considera que para se ser bailarina no país é preciso haver uma grande paixão. “Sem isso, sem o prazer e motivação que nos leva ao palco, fica impossível. A nossa realidade, desde o orçamento destinado à área, o reconhecimento do público em relação à profissão, não é favorável. Sem paixão, facilmente nos rendemos às dificuldades”.

Em geral, na percepção de Edna Jaime, a sociedade não reconhece no artista alguém que também precisa de dinheiro para pagar as suas contas. A grande consequência disso nota-se nos momentos em que se negoceia o caché: “Quem nos deve pagar acha que o mínimo possível é suficiente para o bailarino porque a maior parte das pessoas ainda pensa que a arte é apenas entretenimento, a diversão dos que a praticam”. Assim, afirma a bailarina, se a arte não cria fundos dignos para os artistas reinvestirem na sua paixão fica muito complicado observar-se desenvolvimento da carreira artística.

O quadro negro que envolve a dança, para Edna Jaime, pode ser vencido se os moçambicanos aprenderem a amar o produto feito pelos seus artistas: “Temos de ter uma abertura para perceber o que está a ser feito a nível da dança no país, as abordagens e as lutas. Segundo, temos investir na dança porque a arte é uma arma indiscutível de comunicação, serve para passar mensagens sociais e é um meio privilegiado para expressarmos coisas que através das palavras pode ser difícil”. Com isso, Ídio Chichava recomenda que se aposte nas associações culturais, que, sem apoio nenhum, são responsáveis pelo aparecimento de valores. “Diante de tantas dificuldades, devemos pensar como podemos criar uma base forte de formação e ter profissionais mais competentes”. Além disso? “Temos de investir nos festivais, por serem das melhores formas de rentabilizar o artista. É dos festivais que o artista vive”.

Em termos de dança, o maior festival que o país tem é o KINANI, que se realiza uma vez em cada dois anos. Na verdade, o KINANI existe para contribuir na resolução dos problemas que afectam os bailarinos, coreógrafos, promotores e todos associados à arte. “Mas é impossível conseguirmos resolver todos os problemas de toda uma classe”, adianta Quito Tembe, apontando para um paradoxo institucionalizado: “No país, quando se pretende receber uma determinada personalidade, usa-se a dança. Ao mesmo tempo, esses mesmos bailarinos e dançarinos que dão graça aos eventos aparecem banalizados porque ninguém lhes dá o devido valor”.

A alternativa que Quito Tembe encontra para que as dificuldades passem no universo da dança é o apontado por Ídio Chichava, isto é, coordenação entre os profissionais do sector para serem eles mesmos a resolverem os seus próprios problemas. “Como KINANI, continuaremos a contribuir para dar respostas. Por exemplo, criamos o primeiro estúdio de dança do sector privado em parceria com o público para permitir a qualquer artista criar e elevar a sua qualidade técnica e profissional”. O grande propósito nisso é garantir condições para a profissionalização da dança, projecto que irá iniciar logo que a COVID-19 seja assunto ultrapassado.

 

“Temos uma percepção errada de dança contemporânea”, Lindo Cuna

Há 41 anos, foi fundada a Companhia Nacional de Canto e Dança (CNCD). Até aqui, por lá passaram vários artistas, e, um eles, é Lindo Cuna, quem refere que, neste momento, a CNCD tem dificuldades de apresentar os seus espectáculos porque o Cine África continua em reabilitação. Tal cenário impede que a CNCD tenha fundos para apresentar-se publicamente. “Com o Cine África activo, não precisávamos de nos preocupar em pagar a sala, o som e a luz. Agora, sem tudo isso, fica-nos muito difícil”.

Além das dificuldades apontadas, Lindo Cuna acrescenta que a acentuada avalanche de bailarinos que se deixa levar por um conceito errado de dança contemporânea em Moçambique tem contribuindo para ofuscar os praticantes de danças tradicionais, como é o caso da CNCD. “Com muita simplicidade de movimentos, acaba havendo uma banalização da dança tradicional por causa da contemporânea. Os bailarinos contemporâneos estão mais afastados das tradições do país. Neste contexto, para os que pensam que paramos no tempo, a CNCD quer continuar a preservar as nossas raízes”.

Com ou sem banalização do tradicional apontada por Lindo Cuna, esta quarta-feira celebra-se o Dia Internacional da Dança, num contexto em que em Moçambique os entraves a ultrapassar ainda são ilimitados.

 

 

 

 

 

E o debate continua no digital, sem deixar que a pandemia do novo coronavírus cause severas paragens, a Associação dos Escritores Moçambicanos realizou mais uma sessão de “No Gume da Palavra”, desta vez, para leitura crítica da obra do escritor Aurélio Furdela, “Saga d’Ouro”, pelo professor Aurélio Ginja.

Para dar um ar natural e de afectos, a voz e a guitarra de Aniceto Guibiça fizeram as honras da casa, um início do evento à medida da leitura de uma obra cuja estória se funde a História.

Ao se expor na janela aberta ao mundo, através da plataforma de comunicação ZOOM Cloud Meetings, Aniceto Guibiça, cuja música é por muitos conhecida e o qualifica como um dos expoente de intervenção social, vincando os males da ganância, o músico viu-se surpreendido no auditório, pela presença do filho e netos, a participar no evento a partir dos Estados Unidos de América, facto que Guibiça fez questão de destacar, visivelmente emocionado, no final da palestra, pois há bastante tempo que o músico decano não os via estando em acção num palco.

Depois, a música deu lugar a uma reflexão sobre o livro, profunda e interativa, a cargo de Aurélio Ginja como palestrante e Nelson Lineu na moderação, numa clara demonstração do poder das tecnologias, nestes tempos que exigem mais da imaginação e da criatividade do que meios materiais para continuar a manter vivas as nossas artes e cultura.

Alías, ao colhermos o sentimento do músico Aniceto Guibiça, este revelou sentir-se surpreendido com a nova forma de realizar eventos, adoptada pela AEMO, num exercicio de contornar o isolamento social imposto pela COVID-19. “Não imaginava que podia cantar e ter uma plateia através da internet, uma plateia que pudesse cantar e interagir com ela. Ver o meu filho e os meus netos de tão longe a acompanhar-me e aplaudir foi uma coisa emocionante.” Rematou o músico, sem deixar de lançar um repto às demais agremiações culturais, no sentido de seguir o exemplo dos escritores, que “estão de parabéns pela iniciativa e por se lembrarem dos músicos. Está de parabens o Secretário da AEMO, que me convidou para abrilhantar o evento”.

“Acho que a SOMAS e a Associação dos Músicos deviam abraçar estas plataformas para fazerem com que nós artistas não paremos e cheguemos mais longe. Isto é incrível. Estou muito feliz. Nunca me vou esquecer.” – Assim finalizou o autor do sucesso “Eh male”, música que na década de 90 liderou os tops da música ligeira moçambicana, e que até hoje ainda causa emoção e reflexão.

Iniciando a sua intervenção, na sessão de leitura de “Saga d’Ouro”, Aurelio Ginja começou por destacar que este é um livro recheado de traições, feitiçarias e disputas de poder. “E Furdela escreve com mãos gémeas. A sua mão direita escreve História com ciência e outra com, a esquerda, escreve estória com “E”. Começou por dizer Aurélio Ginja no princípio da leitura crítica à obra de Aurélio Furdela.

Ao dar sequência a conversa, no encontro on-line realizado na tarde da passada sexta-feira, Aurélio Ginja mergulhou numa exaustiva explanação, percorreu o livro vencedor de Prémio Eugénio Lisboa, 2019, na mesma medida que sublinhava a sua dimensão Histórica, como ponto de partida do autor escapelzado, o palestrante despertava o auditório para as marcas de uma narrativa ficcional. Para a primeira dimensão, destacou que “Saga d’Ouro” fundamenta-se no choque cultural que foi gerado entre África Ásia e Europa, procurando resgatar um conflito inerente a expedição militar de Francisco Barreto que em 1571 é enviado pelos portugueses a fim de vingar a morte do Padre Gonçalves Silvério, acusado de prática de feitiçaria e morto por decreto do Imperador de Mwenemutapa em tempos, Negomo, antecessor de Gatsi Lucere.

Ginja encontra aí a História na estória de Furdela, portanto, essa parte escrita pela mão direita do autor. Com a mão esquerda, prossegue o crítico, Furdela incorpora outros elementos na obra, percorre através da imaginação o Vale do Zambeze, leva o leitor a cenários de um imperador que quer manter-se perpetuamente no poder, que oprime e comete tremendas injustiças, em meio a expedição portuguesa, que inclui a coisificação do ser humano.

Nesse ponto o crítico estabelece uma ligação antes feita em uma resenha do poeta Japone Arijuane, em que conclui que fica-se com uma “dúbia sensação de se estar a repetir a História”, ao contrário do ideal que seria o conhecimento do passado para pespectivar o futuro e evitar os erros já cometidos, aprendendo com as experiências positivas.

“Assim continua a existir um Zumbidzai [personagem feiticeira ao serviço do imperador], feiticeiro ao qual as mãos do Poder procuram a todo custo meios para reprimr os seus opositores, um cenário que se repete e torna a História numa tremenda realidade.” – analisa o crítico, para quem Furdela ao resgatar o imperador Gatsi Rucere, conseguiu trazer a tona o diabólico que existe e acompanha uma outra dimensão do ser humano.

Nas leituras de Ginja, “Saga d’Ouro” é o retrato, ainda que sombrio e desagradável, bem conseguido da contemporaneidade do nosso contexto. A confluência do diabólico e simbólico no ser humano, isto é, do divergente e do convergente, sendo que nesse conflito de personalidade, o diabólico quando alimentado é gerador de intrigas, da violência, da guerra e a opressão que “infestam” a sociedade.

Nessa obra, Aurélio Furdela, que por sinal é formado em História pela Universidade Eduardo Mondlane, mostra-se signatário de uma tradição da literatura histórica em Moçambique, a exemplos de Mia Couto e, sobretudo, de Ungulani Ba Ka Khosa, até na técnica, ao recorrer à explicação dos termos bantus nas entrelinhas da narrativa, mas que este em “Saga d’Ouro acrescenta as notas de rodapé, nesse exercício de evitar os glossários que obrigariam o leitor a interrupções para ir em busca dos significados dos termos. Esse segmento da tradição literária está em aliança com o seu talento – completando os signos do fazer literário – que está por conta própria os recursos para construir um romance digno de apreciação positiva do professor Aurélio Ginja.

Evocando o talento do autor, que chamou de “artimanhas”, Ginja recorre à presença comungada e articulada de cenários e agoiros sombrios na narrativa, à mistura do cómico e o uso dos animais que, aliás, já é uma assinatura indelével de Furdela, como se verifica no livro anterior “As Hienas Também Sorriem”.

Neste último livro, “há heróis e vilões, o trágico e o cómico, as crenças, as assombrações e há todo um conjunto de mitos que não são só criações do autor, como premeiam o imaginário popular”, refere o crítico que acrescenta “verificam-se animais que nos fazem mergulhar para o lado oculto, como o corvo que na obra quase se assume um personagem, apontando o indício de tragédias que possam ocorrer; há o crocodilo, a serpente, as impertinentes moscas que aparecem em momentos perturbadores da narrativa.” – Um ponto de chegada de toda a experiência de vida de outrora, mas também um ponto de partida para levar a esperança do amanhã.

E em última análise, Ginja situa “Saga d’Ouro” como uma “continuidade de memórias e do sonho das vidas sonhadas e vividas antes de nós. Essa estória, intermeada por outras estórias que corporizam o romance, é como se fosse um apelo para construirmos no futuro uma sociedade mais humana”.

De referir que esta conversa sobre “Saga d’Ouro”, contou com uma plateia bastante atenta, composta por leitores e estudiosos de literaturas de Moçambique, quer a nivel nacional e do estrangeiro, aqui com destaque a presença da Professora de literaturas africanas de língua portuguesa, Carmen Tindo Secco, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A actriz Ana Magaia deu voz às palavras do narrador de “Saga d’Ouro”, ao fazer uma leitura de um excerto da obra. A poesia de Sangare Okapi foi outra presença do evento, com os poemas de “Os poros da concha”, declamados por Vânia Raquelina.

A próxima realização de “No Gume da Palavra”, ciclo de palestras e debates da AEMO patrocinado pela Austral Seguros, contará com o tema “Democracia, no Contexto da Diversidade Cultural Moçambicana”, tendo como oradores os professores José Castiano e Eduardo Sitoe, com moderação de Filimone Meigos.

 

    

 

Campanhas da Mr. Bow Foundation estarão voltadas para zonas suburbanas e rurais da Cidade e Província de Maputo, com o objectivo de despertar no povo Moçambicano a gravidade de Coronavírus.

 

Numa parceria com o Ministério da Saúde e o Conselho Municipal da Cidade de Maputo, a iniciativa Mr. Bow Foundation contempla, de acordo com um comunicado, um conjunto de acções que visam o uso de instrumentos de comunicação directa e de massas dirigidas às zonas suburbanas. A Mr. Bow Foundation acredita aquelas são as áreas onde é possível encontrar uma camada social mais resistente na adopção de medidas de prevenção, sendo umas pela falta de acesso à informação, outras pela necessidade natural de manterem o seu curso normal de actividades comerciais de subsistência como forma de sustento familiar, e outras ainda por não acreditarem nos reais impactos da doença.

Os artistas da Bawito Music e outros nacionais irão abraçar a causa, produzindo anúncios de TV e Rádios em línguas locais com mensagens claras de sensibilização sobre os impactos da pandemia e com as medidas a adoptar. A par dos spots, informa o comunicado da fundação, a campanha contemplará mobilização através de megafones, oferta de máscaras para a população, desinfectação, limpeza e higienização de paragens, mercados, orfanatos, lares de idosos e zonas residenciais de grande densidade.

A iniciativa de Mr. Bow, Presidente e Patrono da Mr. Bow Foundation, surge numa altura em que se regista um crescimento acentuado da COVID-19 pelo mundo e no país. A organização é sem fins lucrativos, e pretende contribuir para o desenvolvimento sócio-económico da população moçambicana.  

 

Crossed Paths – Life just Happens é o título do roteiro para longa-metragem de Sérgio dos Céus Nelson, seleccionado para a final do New York Cinematography Awards (NYCA). A novidade foi anunciada terça-feira e surge depois de aquele roteiro ter tido destaque no Rome Independent Prisma Awards.

Em termos de história, o roteiro de Sérgio dos Céus Nelson é um drama que retrata a vida de um jornalista e uma enfermeira que precisam passar por situações complexas para que possam fazer valer a oportunidade que têm de ser feliz.

Para o roteirista de 26 anos de idade, ser selccionado para a final do New York Cinematography Awards é um privilégio, pois, assim, pode competir com colegas de outros cantos do mundo, alguns dos quais que passaram por melhores escolas de cinema. “É um enorme privilegio destacar-me numa final de concurso de Nova Iorque. Isso significa que existe alguma qualidade nos meus escritos, o que me mantém confiante na ideia de que é possível atingir a meta de ver meus trabalhos produzidos”.

De igual modo, segundo considera Sérgio dos Céus Nelson, estar na final daquele concurso nova-iorquino é uma oportunidade ímpar de poder fazer parte de clubes, grupos de roteiristas ao nível da cidade norte-americana. “Felizmente tenho estado a interagir com alguns actores renomados, como é o caso de Chris Chalk, que tem actuado ao lado de Chris Evans, Brad Pitt, Lupita Nyong'o Chiwetel Ejiofor, Michael Fassbender, entre outros. Tenho estado também a interagir com outros profissionais ligados ao mundo de cinema, desde produtores, realizadores, etc.”

Os vencedores do concurso deverão ser anunciados no dia 29 de Maio, sendo que o evento da consagração está agendando para 29 de Junho. Portanto, Sérgio dos Céus Nelson está a concorrer para a posição de Melhor Roteiro.

Sérgio dos Céus Nelson é natural de Inhambane e, actualmente vive e trabalha em Nampula, onde desempenha a função de Oficial de Comunicação na Universidade Lúrio (UniLúrio). O roiterista é licenciado em Jornalismo, pela Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade Eduardo Mondlane. Tem trabalhado com roteiros desde 2014, o que resulta de uma capacitação que teve nessa altura. No entanto, muito do que hoje sabe é resultado de vídeos-aulas e interacção em grupo com roteiristas estrangeiros. Entre os seus roteiros, Dos Céus destaca Vermont – The Last Land, que foi semi-finalista em Hollywood Casting and Film – Screenplay Competition e no Cinema Lab, tendo sido ainda seleccionado no First Time Filmmaker Sessions, MoziMotion e Inshort Film Festival de Lagos, na Nigéria.

Sérgio dos Céus Nelson é fundador da Associação de Jornalistas Ambientais e de Direitos Humanos (AJADH), na qual actua como pesquisador. No seu percurso, tem uma Menção Honrosa no Prémio Internacional sobre Jornalismo em Direitos Humanos, pela Associação de Defensores Públicos do Estado do Rio Grande do Sul, no Brasil. Por estar na final do concuro de Nova Iorque dá-se como vencedor porque tal feito conseguiu estar à frente de muitos outros concorrentes.

 

Editores da Ethale Publishing, TPC e Fundação Fernando Leite Couto consideram que o Coronavírus está a comprometer a sustentabilidade das novas editoras. Entretanto, todos olham para crise como uma oportunidade de superação. Jessemuce Cacinda, Dionísio Bahule e Celso Muianga falaram do mercado livreiro nacional na véspera do Dia Mundial do Livro, que se assinala esta quinta-feira.

 

As editoras mais novas do país ressentem-se das imposições causadas pela crise sanitária que afecta o mundo, pois, em geral, não podem lançar ou comercializar os livros como faziam. Tal é o caso da Ethale Publishing, TPC e Fundação Fernando Leite Couto, a editarem há três, um e cinco anos, respectivamente.

Falando na véspera do Dia Mundial do Livro que se assinala esta quinta-feira, o editor da Ethale Publishing considerou que se a COVID-19 continuar a impor o distanciamento social no país e no mundo, não só o negócio do livro fica afectado como também as pequenas editoras poderão parar de funcionar. Ainda assim, realça Jessemuce Cacinda, é preciso olhar-se para actual situação com optimismo. “Não há dúvidas de que editoras como Ethale estão a registar enormes prejuízos com esta crise sanitária. No entanto, se conseguirmos investir a longo prazo, num futuro breve teremos enormes oportunidades”. E Cacinda argumenta: “Por mais difícil que seja, temos de aceitar que este ano dificilmente iremos continuar a lançar livros publicamente, mas há uma coisa positiva que está a acontecer. Embora não se esteja a vender bem o livro, as pessoas, devido ao isolamento social, estão a ler cada vez mais. Quando esta crise passar, teremos um mercado fértil por explorar porque as pessoas estarão mais habituadas à ler”.

De acordo com Jessemuce Cacinda, dois dos factores que favorece as pequenas editoras, nesta altura, é empregarem pouca gente e funcionarem num modelo de cooperativa. Assim, ainda que o livro circule menos e algumas livrarias estejam encerradas, não têm de se preocupar com despedimentos ou com dívidas acumuladas.

Além da situação financeira, a COVID-19 está a prejudicar a Ethale Publishing porque, tendo criado o aplicativo Ethale Books, que concentra livros de várias editoras no formato electrónico, o mesmo não pode ser disponibilizado ao público por questões de natureza burocrática. “Para obtermos a licença, há um valor que devemos pagar e as transições internacionais não estão muito facilidades por causa do Coronavírus”.

Com a Ethale Books, Jessemuce Cacinda pretende que o livro passe a custar menos, já que não vai passar pela impressão. Paralelamente, mesmo a pensar numa nova geração de jovens que nasceu com o digital, a Ethale quer proporcionar livros aos que agora lêem através do celular ou do computador. “Boa parte dos livros nacionais não chega às outras províncias do país. A Ethale Books vai permite-nos chegar a todo lado com maior rapidez e precisão”, reforçou Cacinda.

Ainda que as dificuldades sejam óbvias, a editora TPC não pensa nesta crise como um fim. De casa, os colaboradores têm trabalhado para que o livro continue a chegar às pessoas como um elemento de terapia. “Temos de ter sempre a esperança de que isto vai passar. Nós trabalhamos como editora e como tipografia e já tínhamos um conjunto de trabalhos que nos permite aguentar esta fase. Por exemplo, estamos a trabalhar na reedição de O sétimo juramento, de Paulina Chiziane. Não teremos lançamentos, mas os livros continuarão a ser produzidos num ritmo mais pausado”, afirmou Dionísio Bahule, que pretende mudar a forma de lidar com as livrarias.

Segundo o editor da TPC, certas livrarias moçambicanas não são profissionais na relação com as editoras. “Depois de vender os nosso livros, chegam a levar três meses para nos pagar. Queremos mudar de estratégia. Agora, vamos passar a ceder os livros às livrarias com a mesma percentagem que negocial, mas com a diferença de que as mesmas deverão nos pagar no momento que recebem os livros.

Para Bahule, como defende Jessemuce Cacinda, o futuro do livro dependerá da união dos formatos físicos e electrónicos. Por isso, a TPC está a trabalhar com designers, criativos e a estabelecer contactos com a Amazon, plataforma que já contempla as obras da Ethale.

Há cinco anos a editar livros, a Fundação Fernando Leite Couto adianta que o risco de as jovens editoras fecharem sempre existiu. Agora, por causa da COVID-19, chegou o momento de as editoras reinventarem-se em termos de abordagem e estratégia comercial. Este posicionamento é partilhado por Celso Muianga: “O que vai ditar o sucesso das nossas editoras é a fórmula que cada uma vai adoptar para atravessar a crise”.

Mesmo optimista, o editor da Fundação Fernando Leite Couto assume que os efeitos da pandemia são negativos porque alteraram o modelo de trabalho. “Estamos a trabalhar a partir de casa, e, para quem tem filhos menores, há interferência na produtividade. Depois, ao nível comercial, não estamos a fazer vendas directas habituais nesta altura. A Fundação tem um certo número de visitantes frequentes que, quando lá vão, aproveitam comprar alguns livros. Agora não temos isso”.

Quando a crise sanitária passar, Celso Muianga espera que o Ministério da Cultura e Turismo revisite o que considera maior legado deixado por Armando Artur para o país, enquanto ministro: a política do livro aprovada em 2011, que poderá garantir o funcionamento das editoras e a formação de novos leitores. “Essa política prevê alocação de fundos do Governo às escolas e instituições do ensino superior para apetrecharem as suas bibliotecas. Isso seria uma grande alavanca para subsistência das editoras”.

Editores da Ethale Publishing, TPC e Fundação Fernando Leite Couto consideram que o Coronavírus está a comprometer a sustentabilidade das novas editoras. Entretanto, todos olham para crise como uma oportunidade de superação. Jessemuce Cacinda, Dionísio Bahule e Celso Muianga falaram do mercado livreiro nacional na véspera do Dia Mundial do Livro, que se assinala esta quinta-feira.

 

As editoras mais novas do país ressentem-se das imposições causadas pela crise sanitária que afecta o mundo, pois, em geral, não podem lançar ou comercializar os livros como faziam. Tal é o caso da Ethale Publishing, TPC e Fundação Fernando Leite Couto, a editarem há três, um e cinco anos, respectivamente.

Falando na véspera do Dia Mundial do Livro que se assinala esta quinta-feira, o editor da Ethale Publishing considerou que se a COVID-19 continuar a impor o distanciamento social no país e no mundo, não só o negócio do livro fica afectado como também as pequenas editoras poderão parar de funcionar. Ainda assim, realça Jessemuce Cacinda, é preciso olhar-se para actual situação com optimismo. “Não há dúvidas de que editoras como Ethale estão a registar enormes prejuízos com esta crise sanitária. No entanto, se conseguirmos investir a longo prazo, num futuro breve teremos enormes oportunidades”. E Cacinda argumenta: “Por mais difícil que seja, temos de aceitar que este ano dificilmente iremos continuar a lançar livros publicamente, mas há uma coisa positiva que está a acontecer. Embora não se esteja a vender bem o livro, as pessoas, devido ao isolamento social, estão a ler cada vez mais. Quando esta crise passar, teremos um mercado fértil por explorar porque as pessoas estarão mais habituadas à ler”.

De acordo com Jessemuce Cacinda, dois dos factores que favorece as pequenas editoras, nesta altura, é empregarem pouca gente e funcionarem num modelo de cooperativa. Assim, ainda que o livro circule menos e algumas livrarias estejam encerradas, não têm de se preocupar com despedimentos ou com dívidas acumuladas.

Além da situação financeira, a COVID-19 está a prejudicar a Ethale Publishing porque, tendo criado o aplicativo Ethale Books, que concentra livros de várias editoras no formato electrónico, o mesmo não pode ser disponibilizado ao público por questões de natureza burocrática. “Para obtermos a licença, há um valor que devemos pagar e as transições internacionais não estão muito facilidades por causa do Coronavírus”.

Com a Ethale Books, Jessemuce Cacinda pretende que o livro passe a custar menos, já que não vai passar pela impressão. Paralelamente, mesmo a pensar numa nova geração de jovens que nasceu com o digital, a Ethale quer proporcionar livros aos que agora lêem através do celular ou do computador. “Boa parte dos livros nacionais não chega às outras províncias do país. A Ethale Books vai permite-nos chegar a todo lado com maior rapidez e precisão”, reforçou Cacinda.  

Ainda que as dificuldades sejam óbvias, a editora TPC não pensa nesta crise como um fim. De casa, os colaboradores têm trabalhado para que o livro continue a chegar às pessoas como um elemento de terapia. “Temos de ter sempre a esperança de que isto vai passar. Nós trabalhamos como editora e como tipografia e já tínhamos um conjunto de trabalhos que nos permite aguentar esta fase. Por exemplo, estamos a trabalhar na reedição de O sétimo juramento, de Paulina Chiziane. Não teremos lançamentos, mas os livros continuarão a ser produzidos num ritmo mais pausado”, afirmou Dionísio Bahule, que pretende mudar a forma de lidar com as livrarias.

Segundo o editor da TPC, certas livrarias moçambicanas não são profissionais na relação com as editoras. “Depois de vender os nosso livros, chegam a levar três meses para nos pagar. Queremos mudar de estratégia. Agora, vamos passar a ceder os livros às livrarias com a mesma percentagem que negocial, mas com a diferença de que as mesmas deverão nos pagar no momento que recebem os livros.

Para Bahule, como defende Jessemuce Cacinda, o futuro do livro dependerá da união dos formatos físicos e electrónicos. Por isso, a TPC está a trabalhar com designers, criativos e a estabelecer contactos com a Amazon, plataforma que já contempla as obras da Ethale.

Há cinco anos a editar livros, a Fundação Fernando Leite Couto adianta que o risco de as jovens editoras fecharem sempre existiu. Agora, por causa da COVID-19, chegou o momento de as editoras reinventarem-se em termos de abordagem e estratégia comercial. Este posicionamento é partilhado por Celso Muianga: “O que vai ditar o sucesso das nossas editoras é a fórmula que cada uma vai adoptar para atravessar a crise”.  

Mesmo optimista, o editor da Fundação Fernando Leite Couto assume que os efeitos da pandemia são negativos porque alteraram o modelo de trabalho. “Estamos a trabalhar a partir de casa, e, para quem tem filhos menores, há interferência na produtividade. Depois, ao nível comercial, não estamos a fazer vendas directas habituais nesta altura. A Fundação tem um certo número de visitantes frequentes que, quando lá vão, aproveitam comprar alguns livros. Agora não temos isso”.

Quando a crise sanitária passar, Celso Muianga espera que o Ministério da Cultura e Turismo revisite o que considera maior legado deixado por Armando Artur para o país, enquanto ministro: a política do livro aprovada em 2011, que poderá garantir o funcionamento das editoras e a formação de novos leitores. “Essa política prevê alocação de fundos do Governo às escolas e instituições do ensino superior para apetrecharem as suas bibliotecas. Isso seria uma grande alavanca para subsistência das editoras”.

 

 

O humorista Chaguatika Nzero perdeu a vida, esta manhã, no Hospital Central de Maputo, vítima de doença.

 

Hoje calou-se uma importante voz do humor moçambicano. Baptizado Nelson Coutinho de Sousa, o humorista perdeu a vida no Hospital Central de Maputo, vítima de doença que o afligiu durante mais ou menos cinco anos. Na verdade, Chaguatika Nzero deixou de se dedicar ao humor justamente por causa da enfermidade que nesta terça-feira custou-lhe a vida.

Os que trabalharam com Chaguatika Nzero lembram-se do humorista como uma pessoa distinta e irreverente. É o caso de Luísa Menezes, amiga que com ele fez humor na cidade de Chimoio já nos finais dos anos 80, depois de se terem conhecido em Tete. “Ele nunca estava satisfeito com nada. Queria sempre fazer mais e melhor, com aquela irreverência que, às vezes, magoava algumas pessoas que não recebiam bem as piadas dele. Penso que foi essa característica irreverente que lhe manteve no humor por tantos anos”.

Depois de juntos colaborarem no Chimoio, Chaguatika Nzero e Luísa Menezes trabalharam em dois projectos de humor com o mesmo título, intitulado A viagem do riso, gravados em cassete na altura. Foi mais ou menos nessa altura que o humorista se conhece com Izidine Faquirá. Ao locutor, a morte de Chaguatika faz lembrar os momentos mais altos que o humor moçambicano viveu através da Rádio Moçambique. “Eu conheci-o depois do A viagem do riso. Convidamo-lo para trabalhar connosco no programa Em cima da hora, todas as manhãs, e a sua versatilidade era fantástica”.

Nos seus projectos de humor, Chaguatika Nzero abordava diversos temas que mexiam com as pessoas, tendo-se (também) popularizado com o programa O riso não paga imposto. Para Búfalo, que com ele trabalhou nesse projecto, Chaguatika Nzero “é um dos grandes mestres do humor e da cultura de Moçambique. “Ele esteve em frente de grandes batalhas pela cultura e deixa um buraco difícil de cobrir”.

Além do humor, outra paixão de Chaguatika Nzero era a música. Inclusive, gravou o disco musical Haja amor (1994), com Célio Figueiredo, que sublinha: “tivemos uma amizade da qual eu estou muito grato. Aprendi muito dele e deu-me muita força nos momentos que eu achava que iria falhar. Pode-se fazer muito para que a obra dele não fique esquecida. Cabe-nos a nós continuar a divulgar as obras dele”.

Nelson Coutinho de Sousa, filho de Alberto e Ana de Sousa, nasceu no 21 de Janeiro de 1961, em Ribaué, Nampula, e perde a vida aos 59 anos de idade. O seu funeral irá realizar-se sexta-feira, às 10 horas, no Cemitério de Lhanguene, cidade de Maputo.  

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