O País – A verdade como notícia

A Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) prossegue com o ciclo de palestras “No gume da palavra”. Às 18h da próxima terça-feira, a palestra “Reinventar o humanismo Ubuntu para resistir ao COVID-19” será a proposta levada ao público. A sessão terá como orador o filósofo José Castiano e contará com a moderação do poeta Nelson Lineu, sempre através da plataforma ZOOM.

A AEMO encontrou na internet uma alternativa para manter as suas actividades no âmbito do ciclo de debates e palestras, neste Estado de Emergência, agora com a vantagem de ainda poder concentrar o público estrangeiro, pois as sessões se chegam a todo mundo através da ZOOM Cloud Meeting, segundo anota o comunicado de imprensa da instituição.

No actual modelo, a AEMO estreou-se no 15 de Abril, com o debate “Poéticas do caos – Entre a faticidade e o absurdo na literatura moçambicana”, conduzido pelo filósofo e crítico de arte Dionísio Bahule, seguido da palestra realizada no dia 24 de Abril, proferida pelo docente Aurélio Ginja, sobre a obra vencedora da 2.ª edição do prémio Literário Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM)/ Eugénio Lisboa, em 2019, “A Saga d’Ouro”, de Aurélio Furdela. .

 

 

 

O Ministério da Cultura e Turismo lançou, na manhã de hoje, a iniciativa Arte no Quintal, que consiste na realização de concertos e programas das mais variadas manifestações culturais, com transmissão online via Facebook, Youtube e Instagram.

De acordo com a nota de imprensa do Ministério da Cultura e Turismo, a iniciativa abrange todas as manifestações artísticas, e a transmissão irá realiza-se aos fins-de-semana.

Na conferência de imprensa de hoje, avança a nota de imprensa ministerial, a Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, afirmou que o lançamento do projecto é um contributo necessário às Indústrias Culturais e Criativas e aos criadores, cientes de que não é a solução para todos os problemas na área, mas parte das inquietações dos artistas terão resposta através da iniciativa.

Com Arte no Quintal, o Ministério da Cultura e Turismo pretende incentivar a produção, contribuir para a consciencialização da sociedade sobre as medidas preventivas da COVID-19 e dotar os fazedores das artes de meios alternativos para enfrentarem a pandemia. Assim, o projecto vai beneficiar directamente artistas que, devido à COVID-19, não podem continuar com o seu ritmo de produtividade, encontrando nesta iniciativa uma alternativa ao seu trabalho, com alguma remuneração.

O Ministério da Cultura e Turismo realça que Arte no Quintal está igualmente alinhada com o Programa Quinquenal do Governo (2020-2024), assim como com outras intervenções no âmbito do combate e resposta à COVID-19.

Arte no QUintal surge em resposta ao encontro que o Ministério da Cultura e Turismo manteve, em Março, com artistas e promotores de eventos.

A Associação Cultural Xitende reuniu textos de 11 autores numa antologia de poesia intitulada Fique em casa, amor!, publicada em formato PDF.

 

Segundo avança a nota de imprensa da associação sedeada na cidade de Xai-Xai, em Gaza, através da iniciativa pretende-se partilhar com os leitores o resultado de uma produção artístico-literária em solidariedade a todos os que estão assolados pela COVID-19. O propósito, segundo XItende, é que a literatura contribua, nesta altura, para que as famílias unam-se ainda mais, ficando em casa, como forma de reduzir os riscos de contaminação por Cornavírus.

Com efeito, de modo que ficar em casa não se transforme num tédio e nem resulte em depressão, a Associação Cultural Xitende leva ao público uma antologia edita pela Oleba Editores. A mesma pode ser adquirida através de um download.

Fique em casa, amor! conta com textos dos seguintes autores: Adolfo Matilde; Almeida Cumbane; Artista Moçambicano Qualquer; Deusa d'Africa; Dom Midó das Dores; Elísio Miambo; Lahissane; Imperador Luís Cezerilo; Mafavuka Khosa; Mbalapala; Mufana wa Xithokozelo; Mudjondzisse Bukwani; Otildo Justino; Poeta Militar e Wa Gune. O prefácio foi escritor por Absalão Cossa.

Às 10 horas de segunda-feira, a Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, irá lançar, na Casa de Ferro, cidade de Maputo, “Arte no quintal”, uma iniciativa conjunta entre o Ministério da Cultura e Turismo, a UNESCO, o banco ABSA e a Galeria do Porto de Maputo.

Segundo o comunicado ministerial, “Arte no quintal” surge em resposta ao encontro que Eldevina Materula manteve com artistas e promotores de eventos no mês de Março, cuja agenda foi um debate sobre o “Impacto da COVID-19 na indústria cultural e acções a desenvolver”.

“Arte no quintal” pretende apoiar os artistas nesta fase de confinamento, através da realização de concertos e diálogo online, envolvendo todas as manifestações artísticas.

 

A música moçambicana não se encontra num estágio muito agradável, porque, de acordo com Stélio Mondlane, existe uma desvalorização generalizada dos valores culturais nacionais: “estamos a tornarmo-nos muito ocidentais e a deixar de tocar, por exemplo, a nossa música tradicional”. Logo, em geral, as coisas não estão bem. Além disso, na percepção do baterista, produtor e compositor, é necessário que a maioria dos músicos moçambicanos melhor a sua performance, aprofunde o conhecimento sobre música e pare de competir uns com os outros. Neste entrevista, Mondlane fala, igualmente, dos seus projectos musicais: The Stélio Mondlane’s Project e New chapter, a ser lançado ainda este ano.

 

Considera a música um meio viável para a transmissão de vários saberes. Que impacto pretende que a sua música tenha na vida das pessoas?

O meu grande projecto é dar a conhecer as raízes africanas através da música. Por isso, nos vários projectos que tenho, estou firme e constantemente valorizo as nossas culturas, mantendo os nossos ritmos sempre vivos. Sempre que faço uma composição, seja de jazz, pop ou afro/pop, deixo lá uma identidade moçambicana, que é para dar a entender que sou africano e, acima de tudo, moçambicano.

 

Como é isto de enaltecer a(s) identidade(s) de um território tão vasto como Moçambique numa música de três, quatro ou cinco minutos?  

Quando entramos para o meio da música, devemos começar a distinguir o que nos faz bem e o nosso horizonte. Assim torna-se mais fácil destacarmos a nossa identidade. Temos de saber definir como queremos ser ouvidos ou interpretados.

 

Esta identidade de que se refere é mais pessoal ou mais colectivo?

Eu acho que é mais individual, porque é uma coisa muito minha. De tal modo que, quem me conhece, ao ouvir a música sabe que é minha ou que tem um dedo meu. Agora, claramente, nunca faço música sozinho, a dimensão colectiva também é algo a ter em consideração, porque trabalho com outros músicos.

 

Para si, é importante considerar as emoções do destinatário da sua música?

É sempre bom ter uma opinião dos outros. Há uma coisa que nós chamamos de listen sessions, um momento que, depois de termos a música produzida, levámo-la a ser escutada por algumas pessoas que confiamos. Aí colhemos as sensibilidades e daí tomamos a nossa própria decisão. A decisão final é sempre nossa.

 

Em 2012 cria The Stélio Mondlane’s Project. Quais foram os seus motivos com esta iniciativa?

Apeteceu-me abordar a música jazz de forma diferente. Antes tivemos Jimmy Dludlu, Moreira Chonguiça, Ivan Mazuze e Orlando Venhereque… Eu decide, com o projecto, adicionar a minha abordagem do jazz, com continuidade, variações e tocando com vários músicos. Este é um projecto como se fosse um sindicato. Quero mostrar a minha forma de ver a música em Moçambique.

 

E como vê a música no país?

Actualmente, para ser sincero, a nossa música está no estágio não muito agradável, porque estamos a deixar morrer os nossos valores. Não tenho nada contra a tendência da música actual, mas é preciso não deixar morrer aquilo que é a essência da música moçambicana. Estamos a tornarmo-nos muito ocidentais e a deixar de tocar, por exemplo, a nossa música tradicional. Agora, estamos muito naquela de misturar marrabenta com qualquer outro estilo e, no final do dia, o ritmo não tem nada de Moçambique. Ou seja, fica sem ser nosso ritmo e nem se torna ritmo dos outros. Na verdade, estamos perdidos.

 

Em termos de qualidade e quantidade?

Nós ainda temos de trabalhar muito. É preciso melhorarmos a nossa orquestração, a nossa performance e aprofundarmos o nosso conhecimento. Acho que ainda não estamos a conseguir sair da caixa. São poucos os que já encontraram a visão.  

 

Há algum start que demos dar para as coisas acelerarem?

Acho que sim. Primeiro, temos de parar de competir uns com os outros. Segundo, temos de parar de fazer música para os músicos. Temos de fazer música para o povo, tocar e começarmos a inspirarmo-nos nos melhores músicos mundiais, até para vermos onde é que estamos a falhar.

 

Numa entrevista que concedeu ao jornal O País, Childo Tomás, com quem já tocou, disse que sentiu mais na Europa a necessidade de tocar as suas raízes. Acha que a viagem é fundamental para este tipo de posicionamento?

Definitivamente, a viagem é importante. Uma das várias viagens que fiz com artistas renomados, e que me marcou, foi a Bélgica, ano passado, num projecto maioritariamente constituído por moçambicanos. Mas também tinha uma sul-africana e um belga. Aí confirmei o quão importante é mantermos as nossas raízes firmes e sermos constantes naquilo que caracteriza a nossa identidade. No projecto, a sul-africana promoveu actuações chopes. Ela estava preocupada com os ritmos africanos e isso é uma coisa muito bonita. Isso mostrou-nos que a opção de valorizarmos as nossas culturas é a mais certa.

 

Um dos seus grandes objectivos é internacionalizar a sua música, estando esta enraizada nos ritmos moçambicanos. Como é que estamos nesse domínio?

Os poucos que se preocupam com isso, fazem bem. É de felicitar ao Jimmy Dludlu, Stewart Sukuma e Deltino Guerreiro. Esses são os músicos que entram na área do jazz preocupados com a internacionalização dos ritmos tradicionais (além deles, claro, Ghorwane e Kapa Dech também). Precisamos de mais, que é para valorizarmos a nossa cultura.

 

É baterista, produtor, compositor e arranjista. Destas áreas, existe alguma, para si, que se impõe às outras em termos de relevância?

Eu acho que não. Penso que consigo ter todas áreas no mesmo nível.

 

Em termos de instrumento musical, quanto vale para si a bateria?

Eu estou cheio de conceitos muito confusos dentro de mim. A bateria é um instrumento muito importante para mim, pois me fez chegar onde me encontro. Mas eu vejo-me mais como músico, sem a especificação baterista, tanto que criei The Stélio Mondlane’s Project, para quebrar essa coisa de ser baterista. Eu gosto que me vejam como baterista, mas eu quero quebrar essa coisa, de modo que as pessoas me olhem como músico completo: sou compositor, produtor, arranjista e, acima de tudo, tenho o meu projecto a solo. Vejo a bateria como qualquer outro instrumento musical.

 

Será? A bateria foi a sua porta de entrada para a música…

Foi a minha porta de entrada, mas nem tanto… Quando era criança, eu cantava e fiz, na altura, parte de vários concursos. Primeiro cantei, depois, veio a bateria. E quando achei que já não queria mais esse instrumento, fui a Escola de Música, onde aprendi a tocar um pouco de piano, guitarra e outras coisas. Nessa altura não queria saber nada de bateria. Depois vi que a bateria era o instrumento com o qual me destacava facilmente. Decidi então investir na bateria, e gosto desse instrumento, com certeza. 

 

Considera-se activista social…

Sou músico, mas, acima de tudo, considero-me activista social. Eu nasci no Bairro Polana Caniço, onde existem várias carências. Se consegui tornar-me um baterista foi graças a muito esforço. Agora, quando olho para trás, sinto a necessidade de pesquisar e encontrar formas para ajudar crianças que, nos subúrbios, não têm condição de se tornar músicos, tendo amor à arte e com talento. Penso que podemos usar a música para concretizar certos objectivos, como forma de rendimento para pagar a escola e etc. É assim que cada vez mais eu penso a música.

 

E fazer da música uma fonte de rendimento para concretizar outros objectivos é mais possível agora?

Sim. Se tivermos os objectivos bem traçados, é bem possível.

 

Oiço “Moya wanga”, “África”, “Inhamussoro”, “Sê ndza famba”, todas músicas do The Stélio Mondlane’s Project. E perguntou-me, como é que a música surge consigo?

Se dissesse que não é nada fácil, estaria a mentir. Eu acho que tudo isso é fruto do talento, e o talento é uma coisa que Deus dá. Para mim, o processo de criação é uma coisa que não tem igual. De repente encontro-me a bater numa mesa e surgem-me certos sons. Quando tenho uma ideia bem concebida, ligo para os meus colegas e vamos ao estúdio. É um processo único e eu gosto, porque naquele momento sou eu e a minha consciência. A partir daquele momento começo a imaginar como a música vai ficar. Para mim, é um momento muito bonito.

 

Tem tocado com vários autores. Quais são as vantagens e as desvantagens de trabalhar com tanta gente?

A vantagem é aprender mais, porque cada músico tem sua forma de estar e a sua bagagem. Por exemplo, ao trabalhar com o Stewart, aprendi muito dele como aprendo hoje ao trabalhar com Jimmy ou Moreira. Essa partilha é importante para mim porque cada um passa-me o seu testemunho.

 

Retornando ao The Stélio Mondlane’s project, qual é a história do seu CD/ DVD Mixed cultures ao vivo no CCFM?

Este DVD será sempre importante para mim, porque é o meu primeiro bebé. Foi com muito esforço que concretizei o sonho de ter esse DVD, numa altura em que toda a gente está a lançar CD. Tive muita ajuda do meu tio, Filipe Mondlane, uma das pessoas que muito me tem apoiado. Quis fazer algo diferente e, por isso, sou o único baterista em Moçambique com um DVD live no Franco. É algo que tenho orgulho e sempre vou procurar honrar.

 

E imagino que também vai querer sempre honrar a distinção Melhor Canção atribuída à sua música “Nilangue Wene”, em 2013, no Ngoma Moçambique…

Com certeza. Sempre que entro para o estúdio e vejo aquele prémio fico feliz. Vou trabalhar para que tenha mais prémios. Eu não esperava por aquele prémio, na altura, e achei que fosse impossível ganhar. Foi muito emocionante.

 

Tão emocionante como o prémio Melhor Voz conquistado no mesmo concurso três anos depois?

Também foi emocionante. E isso sempre impulsiona a carreira de um músico, contribuindo para que trabalhe e investigue mais.

 

Ainda este ano vai lançar o seu novo trabalho: New chapter. Que capítulo vem aí?

É um novo capítulo do Stélio Mondlane. Quis fazer uma coisa perfeita, mesmo porque sou muito perfecionista. O New chapter vem com géneros musicais diferentes. Não segui à risca a linha do jazz. As coisas ainda estão no forno.

 

Sugestões artísticas para os leitores do jornal O País?

Sugiro + Eu, de Assa Matusse, e Kwiri, de Roberto Chitsondzo.

 

PERFIL

Stélio Mondlane é baterista, compositor e produtor, com participações em vários festivais, como AZGO, More Jazz Series (Moçambique), Bushfire (eSwathini), MASA (Costa do Marfim), Lugano (Suíça), Sesco Series (Brasil), Quaresma (Eslovênia) e Mindelo Jazz Summer (Cabo Verde). Viveu por mais de 10 anos na África do Sul. É autor de um CD/DVD: Mixed cultures.

 

Actriz Sufaida Moyane irá contar histórias extraídas dos livros de Rafo Diaz e Lourenço do Rosário na manhã de sábado.

 

Sufaida Moyane tem um compromisso com as crianças de várias idades. Às 9 horas de sábado, a actriz estará em casa de todos os pequenos que a abrirão a porta para uma sessão de histórias apresentada online através do Facebook e do Instagram da Fundação Fernando Leite Couto.

Em 30 minutos, Sufaida Moyane vai contar às crianças histórias de três livros por si seleccionados: O mar de Maputo e O coração do embondeiro, de Rafo Diaz, e Contos tradicionais do vale do Zambeze, de Lourenço do Rosário. E porque a sessão foi pensada para ser algo descontraído e alegre, a contadora de histórias pretende, igualmente, levar às crianças algumas brincadeiras e cantigas tradicionais do país.

O convite da Fundação Fernando Leite Couto foi recebido com muito agrado pela actriz, pois, assim, numa altura com pouquíssimas oportunidades de expor trabalhos em público, a sessão infantil permiti-a sentir que a arte não se vergou ao Coronavírus. “Esta sessão de histórias revela que todos nós estamos a tentar sobreviver, não no sentido financeiro, mas no de continuarmos a fazer o que nos dá prazer. E para as crianças também é positivo. É um desafio muito grande fazer isto via online, mas tenho de me adaptar às tecnologias”.

Sufaida Moyane é uma das artistas que acredita que na crise as pessoas devem sempre procurar soluções para os seus problemas, com criatividade. Simultaneamente, evidencia, “num período como este, temos de aprender a fazer coisas que antes não conseguíamos por falta de tempo. Eu, por exemplo, passei a fazer uma horta em casa, porque isso poupa dinheiro e estimula a actividade”.

A sessão de histórias protagonizada por Sufaida Moyane, antes deste distanciamento social, foi ensaiado de outra forma. Há alguns meses a actriz quis teatralizar O mar de Maputo com crianças. Porque o tempo mudou, aí vem a artista com um novo formato.

 

“100 papas na língua” é um livro escrito por Lurdes Breda e ilustrado por Tânia Clímaco. Editado pela Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa, o livro será lançado via online no site do Camões, esta terça-feira, 9h, no âmbito do Dia Mundial da Língua Portuguesa.

De acordo com a nota sobre o lançamento, “100 papas na língua é um livro que projecta a riqueza deste património comum a vários povos espalhados pelos vários cantos do mundo, a Língua Portuguesa”. Assim, “num momento em que os desafios da globalização exigem respostas concertadas, solidárias, e o reconhecimento de que os destinos dos povos se juntam num desígnio comum, a Língua pode e deve ser um instrumento vivo que nos desperta e aviva a consciência de que constitui, per si, um património partilhado, que deve ser preservado e cultivado”.

O livro reúne 100 narrativas breves em torno de 100 expressões idiomáticas portuguesas, com subsídios de um imaginário popular a que se associam imagens que fazem jus ao humor e à sátira presentes nas diferentes histórias. “Tânia Clímaco teve a mestria de representar graficamente, numa interpretação muito feliz e bem conseguida, as diferentes leituras e significados ocultos existentes nos textos com as ilustrações que os complementam. O livro conta ainda com o prefácio do escritor Afonso Reis Cabral”. E tem uma pretensão: “Pretendemos que o livro leve os leitores e os nossos alunos a desfrutar a língua, a perceber-lhe as deliciosas nuances da expressividade e não apenas a suportar estoicamente a sua estrutura pragmática e funcional, e desta forma intentamos alimentar-lhes a imaginação. Gostaríamos que o mesmo fosse também ponto de partida à replicação para outros contextos onde as expressões, sendo outras, enxertam na língua portuguesa a riqueza de espaços diferentes, de povos diferentes, de histórias diferentes, dentro de uma vivência linguística que, tendo mais pontes que fraturas, se enriquece com a diferença”.

A nota da Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa adianta ainda que o livro reúne um conjunto de contos cheios de humor, sátira, duplos sentidos, personagens caricaturadas e cenários picarescos.

Lurdes Breda nasceu no concelho de Montemor-o-Velho, Portugal. É autora de 26 obras e co-autora de outras 11, editadas em Portugal, no Brasil e em Moçambique. É conhecida, sobretudo, como escritora de livros para crianças e jovens. O seu livro O alfabeto trapalhão é um dos aconselhados pela “Casa da Leitura” da Fundação Calouste Gulbenkian. Foi um dos livros selecionados pela Direção Geral do Livro e das Bibliotecas para estar no Pavilhão de Portugal, país convidado em 2012, na Feira do Livro Infantil de Bolonha, em Itália. É, ainda, um dos livros recomendados pelo Plano Nacional de Leitura, 1º ano, leitura orientada. Também o livro A árvore mágica, editado pela Escola Portuguesa de Moçambique, foi um dos livros de leitura integral da disciplina de Português escolhido para 5º ano no referido estabelecimento de ensino. Foi premiada em vários certames literários nacionais e internacionais. Em 2005 foi distinguida com o Prémio “Mulheres de Valor” e em 2014 recebeu a Medalha de Mérito Municipal Cultural.

Tânia Clímaco nasceu em 1982.
Em 2007 aprendeu a arrumar ilustrações em livros, licenciando-se em Design de Comunicação. Suas ilustrações são publicadas pela primeira vez em 2009. Paralelamente à ilustração é professora de Expressão Artística e dinamiza oficinas de ilustração em várias instituições".

O livro físico estará disponível assim que puder ser transportado para Moçambique, porque o tráfego aéreo está limitado.

 

O cantor e saxofonista irá apresentar-se em concerto às 18 horas de quinta-feira, na Fundação Fernando Leite Couto, na Cidade de Maputo. Muzila será acompanhado por Válter Mabas e Hélder Gonzaga no concerto designado Celebrating life.

 

Na verdade, Celebrating life é o título do disco de Muzila, que, não fossem as restrições impostas pela COVID-19, seria lançado ainda este ano. Com a incerteza causada pela pandemia, o cantor e saxofonista decidiu então aceitar o convite de actuar ao vivo na Fundação Fernando Leite Couto, às 18 horas de quinta-feira, como forma de promover os temas que farão parte do disco.

Durante meia hora, claro, o que não é suficiente para o artista interpretar todos os temas do projecto de disco, Muzila levará ao público, que acompanhará a actuação através do Facebook e Instagram da Fundação Fernando Leite Couto, músicas como “O pescador”, “Moçambique” e “Life so amazing”. E é pela vida ser tão incrível que o saxofonista far-se-á acompanhar por dois instrumentistas: Válter Mabas (guitarra) e Hélder Gonzaga (baixo).

Referindo-se ao concerto, Muzila considera que esta oportunidade de actuar num contexto adverso funciona como uma salvação, porque, em geral, os artistas não têm trabalho, já que tudo, quer dizer, quase tudo está encerrado.

A maior parte do repertório a ser apresentado pelo cantor é composto por músicas cantadas. Entretanto, para quem o prefere ouvir a soprar, o saxofone não andará longe. Pelo contrário, esse leal amigo do artista libertará os sons que o definem ao longo de vários anos na música.

Ora, e além do show na Fundação Fernando Leite Couto, o que é feito de Muzila? “Neste momento de isolamento social, o que tenho feito é praticar e seguir algumas rotinas domésticas, para não ficar deprimido. O momento que enfrentamos é um pouco stressante e temos de saber gerir a ansiedade”.

O momento actual também é difícil para Válter Mabas. Ainda assim, o guitarrista sublinha: o show revela que, apesar das novas circunstâncias, é possível levar alegria e esperança às pessoas, porque a arte faz e sempre fará parte da vida do povo. “A música, para nós, é como se fosse alimento. Então, ficar um tempo sem tocar é algo que nos dá ansiedade, por questões financeiras e afectivas. Não tocar para o público mexe com a nossa disposição”, afirmou Mabas, para quem acompanhar Muzila é um prazer, por aquele ser um cantor e saxofonista muito dotado. Por isso mesmo, garante o guitarrista, o público pode esperar muita “boa onda”.

Muito novo, Hélder Gonzaga decide tornar-se instrumentista. Primeiro aprendeu a tocar guitarra. Depois, apaixonou-se pelo baixo, deixando para trás o seu interesse pela bateria. Quando se apercebeu que o caminho por si escolhido não tinha volta, viajou para África do Sul, e lá se formou em Música. Hoje, o baixista que encarra a música como um equilíbrio entre o talento e a ciência, é dos mais solicitados em Moçambique. Nesta entrevista, Gonzaga fala do seu percurso artístico e do que lhe prende na música.

 

Descobre a guitarra aos 16 anos de idade, graças a um amigo seu. Quase um ano depois, já com alguma convicção, inicia a sua carreira musical. Qual foi a importância de Jaime Macucule nesse princípio?

Devo muito ao Jaime Macucule porque foi ele que me meteu nesta área. Na altura ele era meu vizinho e eu sempre o via a tocar no muro. Curioso, eu e muitos meninos íamos ter com ele. Aí apaixonei-me pela guitarra e pedi-lhe que me ensinasse a tocar. Ele tocava, depois passava para mim, explicando como é que eu tinha de fazer. Assim foi durante meses. Ficávamos a tocar até às 3 da manhã. Lembro-me que a minha mãe sempre gritava. Um dia alguém passou pela minha rua com uma guitarra. Perguntei-lhe se estava à venda. O moço disse-me que não, mas eu pedi-lhe que me vendesse e ele aceitou. Fui ter com a minha mãe. Na dúvida, ela acabou comprando e aí tudo continuou. Passei a praticar mais com o Jaime ou sozinho. Estava sempre com a guitarra. Em menos de seis meses, estava a fazer o meu primeiro show ao vivo, numa banda de rock. Toquei com Paulo Chibanga e Dino Miranda. Nós formávamos um trio e juntos fazíamos shows ao vivo.

 

Sem o episódio com o Jaime, acha que teria se tornado baixista?

É difícil saber. Talvez não, talvez sim. Na verdade, eu nem queria me tornar baixista. Comecei tocando guitarra, mas o que eu queria mesmo é ser baterista. Mas bateria é aquele instrumento que nos obriga a carregar muita coisa. Então o Jaime me disse que o baixo era o instrumento mais próximo à bateria. Não me pareceu boa coisa no princípio. Ele mostrou-me, porque também toca baixo, eu experimentei e foi amor à primeira vista. Daí não parei mais.

 

Foi esse amor ao primeiro toque que o leva a estudar música em Cape Town?

Sim, e isso calhou numa altura em que muitos dos meus amigos estavam a sair para estudar fora. Fiz o exame de admissão, que correu bem, e decidi seguir essa aventura.

 

O que o conhecimento científico adicionou à sua arte?

O conhecimento é sempre muito bom. Como diz um amigo meu, só de talento o artista fica lento. É sempre bom termos as duas vertentes: talento e ciência. Portanto, para mim, fazer música é uma espécie de equilíbrio entre o talento e a ciência. Casos há em que vêm músicos de fora e querem trabalhar connosco. Se não temos o mínimo de conhecimento, não conseguimos interpretar uma partitura. Há músicas que não devemos tocar apenas com o coração, devido à sua complexidade.

 

Como descreve a oportunidade que tem de tocar com vários músicos, de diferentes géneros?

É uma experiência muito positiva, porque aprendo sempre. E acho que a minha simplicidade me favorece.

 

Existe um género musical que o excita mais?

Os artistas não se devem fechar a um único estilo, sobretudo os músicos de sessão. Temos de estar abertos e ouvir muita variedade de música. Temos de ser ecléticos, mas confesso que gosto mais da fusão de ritmos, o world music. Eu identifico-me mais com esse género.

 

Tem tocado com diversos artistas. Por exemplo, Jimmy Dludlu, Moreira Chonguiça, Stewart Sukuma, Paulo Flores, e etc.. Quem foi o mais difícil de acompanhar?

Tocar com Stewart Sukuma continua a ser um grande desafio porque o estilo dele é muito moçambicano, com mistura de ritmos nacionais. Além dele, também é um desafio acompanhar Moreira Chonguiça, que é uma pessoa um pouco maluquinha. Temos de entender o que ele quer e tem sido um desafio que vale a pena.

 

O que é determinante para que entre num projecto com outros músicos?

Eu gosto muito de saber com quem vou tocar, para saber como me vou comportar musicalmente. Até porque já tive dissabores com alguns músicos. Segundo, não gosto que me condicionem, porque isso me tira a autenticidade, a minha identidade.

 

Estúdio ou palco?

Sou mais de palco. Até porque eu estudei performance. No estúdio tens mais pressão e não podes te espalhar muito. O palco é onde nos expressamos e sentimo-nos mais à vontade. Eu gosto de sentir as pessoas. Por isso, sem as pessoas, é difícil ter motivação. Mas estou habituado às duas realidades.

 

No seu caso, como é fazer música em Moçambique?

É um desafio. Na altura em que saí para estudar fora era ainda mais complicado. Por isso saí. Agora está muito melhor.

 

O que melhorou?

Temos mais opções de estúdio, festivais e estamos a crescer.

 

Fez parte do Tucan Tucan. Que lembranças guarda desse período?

Foi um grande aprendizado, com Frank Paco como líder da banda. Aprendi muito com ele e um pouco do que eu sou hoje é graças a ele. Tocar com Tucan Tucan foi dos grandes desafios da minha carreira. Foi uma grande experiência.

 

 Além de tocar, tem interesse na área da pesquisa, concretamente no que diz respeito à preservação do património cultural. Quer argumentar?

Sem dúvidas. Creio que, em 2009, em Copenhaga, na Dinamarca, apresentei um estudo sobre a marrabenta, a convite de Deodato Siquir. Na altura tivemos que apresentar as particularidades do ritmo. Os dinamarqueses não faziam ideia do que é marrabenta e perceberam que é um ritmo difícil, ate para nós, músicos moçambicanos.

 

Como está a ser este período de isolamento para si?

Está a ser difícil porque não podemos expor os nossos trabalhos. Por isso tenho optado em fazer trabalhos de estúdio a partir de casa. É em momentos como este que sentimos que não somos valorizados. Quem está em casa tem entretenimento, escuta-nos e etc., mas nós não ganhamos nada com isso. É um cenário triste para nós que vivemos da música.

 

Em que aspectos gostaria de sentir a valorização dos músicos pelos moçambicanos?

Não devemos sempre arranjar culpados. Nós, os músicos, também devemos lutar por essa valorização. Temos a Associação dos Músicos, por exemplo, que eu acho que precisa de ser reestruturada. Há muita coisa que não está bem lá dentro.  

 

Há dias, numa reportagem exibida na Stv, António Marcos disse que, sem concertos, está a ponderar abrir uma sapataria. O que isto significa?

É muito complicado. Para quem vive apenas de música, é um momento catastrófico.

 

O que lhe prende na música?

A paixão que tenho por esta arte.

 

Se dependesse de si, o que adicionava ao universo artístico em Moçambique?

A primeira coisa que iria adicionar seria a educação musical. Aqui temos muito talento. Se nós tivéssemos o mínimo do que África do Sul possui, estaríamos num grande patamar.

 

Sugestões artísticas para os leitores do jornal O País?

Sugiro o álbum Echoes from the past, de Jimmy Dludlu, e o filme Resgate, da Mahla Filmes.

 

PERFIL

Hélder Luís Gonzaga nasceu a 25 de Outubro de 1979, em Maputo. Em 2006, licenciou-se em Música pela Universidade de Cape Town, na África do Sul. Foi um dos membros da banda Tucan Tucan e actualmente faz parte das bandas The Moreira Project e Stewart Sukuma & Banda Nkhuvu, tendo actuado com vários músicos, como de Jimmy Dludlu, Manu Dibango, Lura, Nancy Vieira, Ivan Mazuze, Deodato Siquir, TP50, Tito Paris, Paulo Flores, Ghorwane e Isabel Novella. Também é professor particular de música: guitarra, baixo e piano.

 

 

 

 

 

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