O País – A verdade como notícia

A telenovela brasileira Pega pega estreia esta noite, depois do Jornal da Noite, na Stv. A produção brasileira é uma exaltação à moral e à decência.

 

Em primeiro lugar, a nova telenovela das 21 horas, na Stv, é uma história sobre o que é certo fazer em situações de aperto e de aflição. Diante de uma crise ou de um conflito individual ou familiar, certas personagens terão de escolher o que é certo fazer para, por exemplo, resolver um problema.

No enredo de Pega pega há um roubo inesperado de 40 milhões de dólares do cofre de um luxuoso Hotel, local importante para os acontecimentos, o que muda e condiciona a vida de várias personagens. Logo, Pega pega é uma história sobre a honestidade, a ambição, o bom senso, a lealdade aos sentimentos e às pessoas que justificam esses mesmos sentimentos. No enredo, fundamentalmente, a moral e a decência estão representadas através das escolhas das personagens, cruzando-se de forma recorrente.

Entre o crime que muitas vezes condiciona o destino e a sobrevivência dos que estão na trama, encontram-se personagens interpretadas por actores bem conhecidos pelos telespectadores moçambicanos que vêem telenovelas na Stv. Entre eles, Marcelo Serrado, Milton Gonçalves, Ângela Vieira, Vanessa Giacomo, Nanda Costa, Thiago Martins, Guilherme Weber, Nicete Bruno e Mateus Solano, que interpreta o papel de Eric Ribeiro. “Em Pega pega, Eric Ribeiro irá aprender a ser mais humano, a ser menos um homem de negócio e a ser um homem que deixa o coração falar”, disse Mateus Solano, um dos protagonistas da telenovela.

Pega pega é uma história engraçada, dramática e policial, que, igualmente, tem o amor no centro da narrativa. As personagens são muito bem-humoradas e divertidas. Ainda assim, conseguem tecer uma narrativa que coloca o telespectador a perguntar-se se vale a pena roubar para se resolver uma situação grave.

Os acontecimentos da telenovela Pega pega passam-se em dois universos. Primeiro, Copacabana, meio rico. Segundo, nas vilas da Tijuca, onde moram a maior parte do hotel luxuoso que funciona como local importante da trama.

 

ÀS 16 horas de terça-feira, na biblioteca do Centro Cultural Português de Maputo, realizar-se-á a Apresentação Oficial dos Projectos financiados pelo PROCULTURA, em curso no país.

Segundo a nota de imprensa do Centro Cultural Português de Maputo, a cerimónia contará com a presença de representante do Ministério da Cultura e Turismo; do Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação de Portugal; e dos Embaixadores de Portugal e da União Europeia em Moçambique.

Ao todo, são 24 projectos beneficiados pelo PROCULTURA nos cincos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e Timor Leste, nas áreas das Música, Artes Cénicas e da Literatura Infanto-juvenil, num total de 7.600.000€ (cerca de 500 mihões de meticais), que irão, ao longo dos próximos dois anos, contribuir para a criação de emprego adicional no sector cultural, e, simultaneamente, para a comercialização e internacionalização da produção artística, ao nível regional e internacional.

No país, estão em curso 10 projetos, implementados em Maputo, Inhambane, Niassa, Cabo Delgado e Nampula. Sete destes projectos, conforme a nota de imprensa,  são coordenados por entidades nacionais. Está ainda em curso o projecto de desenvolvimento de um pôlo de criação artística contemporânea, em Maputo.

As actividades enquadram-se no PROCULTURA PALOP-TL – Promoção do Emprego nas Actividades Geradoras de Rendimento no Sector Cultural nos PALOP e Timor-Leste, financiado pela União Europeia, co-financiado e gerido pelo Camões, I.P., e cofinanciado pela Fundação Calouste Gulbenkian.

 

Josefina Massango é a nova directora-artística do Cine Scala, na Cidade de Maputo. O grande desafio da actriz é explorar as potencialidades da infra-estrutura para promover diferentes manifestações artísticas.

 

Aos 14 anos de idade, Josefina Massango começou a frequentar o Cine Scala. Nessa altura, a adolescente fazia o que fosse possível para ver filmes. E, quando a regra do cinema a impedia de ver as longas-metragens destinadas a maiores de 18 anos, lá recorria ao guarda-facto das irmãs mais velhas para que, usando certas peças de roupas, umas biqueiras e uns ósculos escuros, parecesse mais crescida. Aliado a isso, o golpe de mestre: fazia-se acompanhar por uma pessoa adulta e, ao entregar o ingresso ao porteiro, evitar encara-lo nos olhos. Muitas vezes, esse truque deu certo e, assim, pôde acompanhar as várias produções cinematográficas do seu tempo.

35 anos depois de começar a frequentar aquele cinema localizado na Baixa da Cidade de Maputo, Josefina Massango recebe o convite para dirigir a componente artística do Scala. Por isso mesmo, a actriz confessa: “É uma honra estar nesta casa onde conheci as maiores alegrias em termos de cinema”.

Ao longo dos anos, de facto, o Scala foi sobretudo um espaço de promoção e divulgação da sétima arte. Desde os filmes cowboys americanos aos romances indianos, o Scala afirmou-se como um dos locais de referência na geografia da capital moçambicana, funcionando, inclusive, como uma janela aberta para o mundo.

Não obstante o foco no cinema, a gestão do Scala pretende, actualmente, aproveitar o espaço para promover as mais diversas manifestações artísticas. Por exemplo, dança, música, artes plásticas e, inclusive, teatro. “O teatro foi pouco explorado aqui, mas a intenção é, agora, explorar ainda mais essa arte, porque o espaço permite. Portanto, o projecto é convidarmos todos os artistas que queiram fazer alguma coisa no Scala”.

O Cine Scala foi construído em 1931, lá vão 91 anos. Actualmente, é gerido pela Associação Cultural Scala. A directora-artística anterior a Josefina Massango foi Chimene Costa.

Monólogos com a história é o título do novo filme de Sol de Carvalho, projectado em ante-estreia no Cine Scala, em Maputo. A ficção tem no elenco Horácio Guiamba e Abdil Juma.

Antes da COVID-19, Sol de Carvalho resolveu realizar um filme curto, mas que já considera o mais pessoal da sua carreira. Rodado em nove dias, em Inhambane, Monólogos com a história foi inspirado no texto “Diálogo à beira de uma sepultura”, do livro Mitos (histórias de espiritualidade), de Aldino Muianga.

Em geral, o novo filme de Sol de Carvalho é a história de um jovem que, depois de se formar no estrangeiro, recebe a notícia da morte do pai e sobre a herança de um grande espaço. Quando vai visitar o espaço, percebe que está tudo em ruínas. É nessa visita que se dá um diálogo com o pai falecido e com a sua própria consciência. “É um filme sobre o pensamento, que me deu enorme prazer de rodar num sítio espectacular, em Inhambane”, revelou Sol de Carvalho, esta quarta-feira à noite, no Cine Scala.

Rodado entre 2018 e 2019, Monólogos com a história tem no elenco apenas dois actores: Horácio Guiamba e Abdil Juma. Para ambos, foi especial estar num filme que também é sobre uma relação conflituosa entre um pai e um filho. “Eu fiquei muito feliz em interpretar esta personagem [Camilo, o filho], que é guiada pela voz do pai. Foi muito interessante visualizar, criar e construir a personagem”, disse Guiamba.

A história transversal ao cinema, com efeito, foi exigente para Horácio Guiamba porque teve de fazer muitos monólogos. Portanto, teve de sair da sua zona de conforto.

Já para Abdil Juma, que interpreta o papel de pai de Camilo (Horácio Guiamba), o filme representa a dignidade e a integridade de homens que são cada vez mais escassos no país, que não abusam das suas regalias. Segundo o actor, o filme é uma espécie de um ensinamento, que realça a importância de as pessoas servirem ao seu país sem tirarem proveitos pessoais disso.

Monólogos com a história tem 20 minutos de duração e deverá estrear em dois meses, no Cine Scala, em Maputo. Só depois irá entrar no circuito comercial.

Será inaugurada, próxima terça-feira, às 18h, no Camões – Centro Cultural Português em Maputo, a exposição O apetrechar do tempo, do artista Gonçalo Mabunda, com a participação especial do artista Francisco Vidal.

Depois da exposição Os Mabundas, de 2019, Gonçalo Mabunda volta a ocupar as salas do Camões com criações mais recentes, produzidas a partir do seu novo espaço de trabalho. Para projecto, segundo a nota de imprensa, foi convidado Francisco Vidal, um artista reconhecido pelas suas instalações de pintura traçando poderosas linhas caligráficas sobre telas de serigrafia, em cores vivas e variados esquemas cromáticos. Francisco Vidal deslocou-se propositadamente a Moçambique para participar neste projeto e criar também, em conjunto com Mabunda, uma obra/instalação reflexiva.

Segundo avança o Camões, a instalação referida interseta e promove o encontro entre linguagens e expressões distintas, que transitam da escultura para a pintura, e justapõem criações que se cruzam em vivências e inspirações cubistas de certa forma comuns, mas que se distinguem pela singularidade de percursos artísticos naturalmente distintos. A exposição, acredita o Camões, é uma oportunidade única para o público poder usufruir da colaboração entre os dois artistas estabelecidos e reconhecidos internacionalmente no mundo da arte contemporânea.

Para o Embaixador de Portugal em Moçambique, António Costa Moura, “A exposição é, sem dúvida, uma excelente oportunidade para podermos dar a conhecer ao público os novos trabalhos de Gonçalo Mabunda e observar o resultado deste feliz e inédito encontro que acontece em Moçambique entre estes dois magníficos artistas”, lê-se na nota de imprensa.

A iniciativa é organizada pelo Camões – Centro Cultural Português e conta com o patrocínio do Absa Bank. E, para Rui Barros, Administrador Delegado do Absa Bank Moçambique, “Apoiarmos a promoção da arte e da cultura tem sido um dos nossos compromissos e é com orgulho que nos juntamos ao Camões – Centro Cultural Português em Maputo na promoção desta exposição com dois artistas singulares que através da sua arte nos mostram como juntos podemos ir mais longe e que a criação do futuro que desejamos, para as gerações vindouras, são o reflexo das nossas acções hoje.”

O apetrechar do tempo ficará patente ao público até ao próximo dia 31 de Agosto na Galeria do Camões – Centro Cultural Português em Maputo, de segunda a sábado, entre as 10h00 e as 17h00.

Monólogos com a história é o título do novo filme de Sol de Carvalho. Projectado em ante-estreia no Cine Scala, em Maputo. A ficção tem no elenco Horácio Guiamba e Abdil Juma.

 

Antes da COVID-19, Sol de Carvalho resolveu realizar um filme curto, mas que já considera o mais pessoal da sua carreira. Rodado em nove dias, em Inhambane, Monólogos com a história foi inspirado no texto “Diálogo à beira de uma sepultura”, do livro Mitos (histórias de espiritualidade), de Aldino Muianga.

Em geral, o novo filme de Sol de Carvalho é a história de um jovem que, depois de se formar no estrangeiro, recebe a notícia da morte do pai e sobre a herança de um grande espaço. Quando vai visitar o espaço, percebe que está tudo em ruinas. É nessa visita que se dá um diálogo com o pai falecido e com a sua própria consciência. “É um filme sobre o pensamento, que me deu enorme prazer de rodar num sítio espectacular, em Inhambane”, revelou Sol de Carvalho, esta quarta-feira à noite, no Cine Scala.

Rodado entre 2018 e 2019, Monólogos com a história tem no elenco apenas dois actores: Horácio Guiamba e Abdil Juma. Para ambos, foi especial estar num filme que também é sobre uma relação conflituosa entre um pai e um filho. “Eu fiquei muito feliz em interpretar esta personagem [Camilo, o filho], que é guiada pela voz do pai. Foi muito interessante visualizar, criar e construir a personagem”, disse Guiamba.

A história transversal ao cinema, com efeito, foi exigente para Horácio Guiamba porque teve de fazer muitos monólogos. Portanto, teve de sair da sua zona de conforto.

Já para Abdil Juma, que interpreta o papel de pai de Camilo (Horácio Guiamba), o filme representa a dignidade e a integridade de homens que são cada vez mais escassos no país, que não abusam das suas regalias. Segundo o actor, o filme é uma espécie de um ensinamento, que realça a importância de as pessoas servirem ao seu país sem tirarem proveitos pessoais disso.

Monólogos com a história tem 20 minutos de duração e devera estrear em dois meses, no Cine Scala, em Maputo. Só depois irá entrar no circuito comercial.

 

 

 

 

 

 

 

Antes escritos e publicados no jornal, os textos são a compilação de pensamentos e análises feitas sobre a conjuntura criada pela pandemia da COVID-19 na vida das pessoas. Severino Ngoenha não embarcou sozinho nessa aventura… “aproveitou-se” dos saberes emprestados pelos seus companheiros que trabalham em diversas áreas para criar a obra lançada, ontem, em Maputo.

Trata-se de um livro que reflecte o pensamento de cada um deles (colaboradores) sobre a conjuntura criada pela pandemia da COVID-19: as transformações, as incertezas e os medos. Na verdade, tudo partiu de uma ideia que surgiu durante uma viagem feita pelos autores a Bilene, província de Gaza. Já lá entre “comes e bebes”, surgiu a primeira crónica de Severino que depois foi “cair” num jornal, um meio que não era habitual para o filósofo rotinado a publicar seus escritos em artigos científicos. E a experiência? Foi boa e, por isso, replicada através de outros textos.

No seu discurso, por ocasião do lançamento da obra, Ngoenha disse que o livro deveria chamar-se “Pensar em comum”, porque é fruto de evidências e pensamentos de todos que dele participaram.

“Fomos trabalhando de forma diversificada, mas sempre juntos. Partimos do princípio de que a gente sabe algumas coisas, mas há muita coisa que a gente não sabe. E, quanto mais aprendemos, mais sabemos que precisamos de aprender mais. E os colegas com os quais fui trabalhando, cada um deles com a sua especialidade, na sua sensibilidade, deu a cor e sabor ao livro que produzimos e que apresentamos hoje”, disse o filósofo.

Os textos foram, primeiro, publicados no jornal e, devido à pressão dos leitores, os textos deram corpo ao livro. “Esta oportunidade foi o acender de uma chama de esperança para sair do marasmo em que eu estava, por conta do desânimo criado pela pandemia. Espero que leiam o livro, comprem o livro e haja necessidade de impressão de novas edições”, revelou Carlos Carvalho que colaborou no livro.

Por seu turno, Eva Trindade, jurista que também participou na elaboração do livro, considerou que a pandemia veio a despertar fragilidades na sociedade global. “Antes da pandemia, falava-se de desigualdades que o mundo não assumia, não encarava, mas eram vividas por nós, pelos africanos. O vírus veio impor ao mundo que vivesse os mesmos problemas, veio mostrar que somos todos iguais. Por isso, foi uma experiência ímpar colaborar com o professor Severino Ngoenha”.

Para Giverage Amaral, a experiência de partilha foi enriquecedora para si. “Quando a pandemia chegou, éramos obrigados todos a ficar isolados, sem poder partilhar pensamentos, o calor humano. E esse convite para pensarmos juntos, fez com que pudéssemos partilhar, viver juntos e ignorar as nossas diferenças para a materialização deste objectivo. Este não é apenas um livro. Não nos sentamos e escrevemos palavras, houve discórdia, houve zanga, mas soubemos juntos construir algo – este livro – que é também fruto da generosidade”, defendeu.

Ao todo, participaram na obra Alcido Cumaio, Carlos Carvalho, Eva Trindade, Filomeno Lopes, Giverage Amaral, José Maria Langa, Luca Bussotti e Thomas Kesselring. O livro foi produzido com o apoio da Fundação Fernando Leite Couto. No final, houve assinatura de autógrafos para as mais de umas dezenas de pessoas que estiveram na Fundação para testemunhar o momento.

O jornalista e comentador residente da STV, Tomás Vieira Mário, lançou, hoje, um livro intitulado “Comentários na STV”. A obra contém 60 crónicas e é dividida em seis capítulos que compõem grandes temáticas da actualidade, como ética, política, sociedade, comunicação social, Estado de Direito e Democrático.

O livro de Tomás Vieira Mário, lançado terça-feira, na Cidade de Maputo, é fruto dos cerca de 10 anos em que o jornalista é comentador residente da SOICO Televisão (STV).

Entretanto, para a compilação da obra, Tomás Vieira Mário recorreu, também, a alguns marcos dos seus 45 anos de carreira no jornalismo, que se iniciou em 1977, na Rádio Moçambique, um percurso inspirado por Albino Muianga.

“No início da carreira, leio a revista Tempo, para a qual já mandava algumas histórias, e vejo uma história bonita e bem-feita sobre Niassa, com uma assinatura estranhíssima: Nelson Capure. O texto falava sobre agricultura em Niassa, campanhas agrícolas, beleza da província e das montanhas, e eu indagava-me: quem é este Nelson Capure, que chega a um meio tão pequeno e escreve coisas extraordinárias?”, contou Tomás Vieira Mário.

Da pergunta que tanto o inquietava, Tomás Vieira Mário não descansou, até descobrir quem é o homem que escrevia histórias “extraordinárias num meio tão pequeno”. Tomás descobriu que, afinal, Nelson Capure era Albino Magaia, que “estava em Niassa a cumprir uma missão do partido – a reintegração social dos presos políticos coloniais, que deviam ser reintegrados nas aldeias comunais”.

Tomás descobriu quem era Nelson Capure, conheceu-o pessoalmente e, a partir desse momento, ganhou uma referência profissional para toda a sua carreira. “Ele é o meu modelo de jornalista; a minha referência intelectual, fortemente patriótico, engajado, mas com pensamento independente. Foi esta pessoa que segui durante todos estes anos. Aprendi dele sobre como é que se pode estar nesta profissão”, elogiou Tomás Vieira Mário.

E não faltaram exemplos concretos das características de Albino Magaia supracitadas, que o consolidaram, ainda mais, como referência para o jornalista Tomás Vieira Mário.

“Em 1983, no contexto da operação-produção, chegaram relatos de pessoas abandonadas, e até devoradas por ferras, histórias medonhas. Magaia mandou uma equipa de reportagem para investigar a história, que era quase um tabu. A história voltou e foi veiculada na Tempo. Foi uma bomba incrível. Como é que isto sai na Tempo? Histórias de dramas humanos. Fomos chamados para o sindicato, de modo a abordar o assunto, porque era politicamente complicado”, contou Tomás Vieira Mário.

Já no sindicato, continua a contar Tomás, Albino Magaia confirmou que mandou um repórter para investigar e publicar a história. Não se fez de covarde e disse “sou eu o autor final da história”, num contexto em que podia ser exonerado, “mas não foi”, e o “jovem que fez a reportagem foi, depois, encontrado morto nas Mahotas”.

O outro episódio marcante foi quando albino Muianga, sendo membro sénior da Frelimo, acolheu, em sua casa, um debate em 1990. Os jornalistas queriam que da Constituição da República constasse a Liberdade de imprensa. “No fim, o Presidente Chissano foi ter connosco e disse que tinham ouvido o nosso debate e que iam acolher a nossa ideia, e, de facto, foi acolhida”, concluiu Tomás Vieira Mário.

Com isso tudo, Tomás Vieira Mário reivindica ser discípulo de Albino Magaia e diz ter tido referência na profissão. Aliás, Magaia deixou algumas palavras que ainda iluminam o trajecto de Tomás – trechos do seu livro intitulado “Informação: a força da palavra”.

“Até ao fim do mundo, os jornalistas de todo o lado, de todas as tendências, interessar-se-ão pelo homem que mordeu um cão e não pelo cão que mordeu um homem”, continuamos a citar: “interessar-se-ão sempre pela forma como um partido no poder cumpre o programa que prometeu ao eleitorado e não apenas pela beleza do enunciado desse programa; interessar-se-ão pelo número de vítimas civis de uma guerra e não pela propaganda que sustenta essa guerra; interessar-se-ão pelo anúncio de um ciclone iminente e não pelo anúncio antecipado de um céu azul e um mar bonançoso”, fim da citação.

Na STV, Tomás Vieira Mário partilhou o espaço de comentário com Salomão Moiane e, segundo o jornalista, ambos colocaram as suas opiniões de forma livre e imparcial. “Alguns dos nossos comentários foram bem recebidos e outros nem tanto, mas, pronto, fizemos o nosso papel. O mais importante é que fizemos isso com a mais ampla liberdade de palavra, de expressão e informação e isso tem caracterizado Tomás Vieira Mário”, disse o jornalista Salomão Moiane.

O apresentador do livro e então moderador do programa Pontos de Vista, no qual Tomás participou como comentador, Jeremias Langa, disse que a obra é uma contribuição de cidadania e cívica, pois as suas aparições na STV, mais do que meros comentários, são uma chamada de atenção do nosso comportamento ético enquanto sociedade, perante áreas públicas, o crucial papel das instituições como pilares da construção da democracia, dos cidadãos e da cidadania perante o nosso próprio dever.

“Sim, com esta obra, Tomás lembra-nos de que mais do que um mero membro de um Estado e de uma comunidade política, ser cidadão é uma responsabilidade física, porque, enquanto tal, somos detentores de direitos e deveres perante o Estado e a comunidade de que somos parte”, afirmou Jeremias Langa, apresentador do livro de Tomás Vieira Mário.

Assim, na obra Comentário na STV, de acordo com Langa, “Tomás Vieira Mário alia a inteligência crítica com a sensualidade verbal. No lugar do silencia cúmplice, por que envereda a maioria dos moçambicanos, perante esta tendência quase autofágica, o bem comum ou a ominosa realidade da corrupção, corrosão da máquina do Estado, no enfraquecimento deliberado das instituições, o desprezo pela Constituição da República e demais leis, da apologia do ódio e da desqualificação do outro perante as diferenças, Tomás assumiu o compromisso de intervir no espaço público, descortinando, ferozmente, os poderes instituídos”.

Tomás Vieira Mário chega à STV a convite de Daniel David, PCA do Grupo SOICO, mas a sua relação de amizade vem desde quando trabalhavam juntos na Televisão de Moçambique, onde ambos ocuparam cargos de administração.

“Mesmo com alguma resistência inicial de Tomás, ele acabou por assumir o cargo de comentador da STV. Hoje, Tomás é um colaborador e uma referência do nosso Grupo em várias áreas e eventos de grande dimensão e com grande realce e impacto, como é o caso do Mozefo”, revelou Daniel David, PCA do Grupo SOICO.

Para Daniel David, “o lançamento do livro ‘Comentários de Tomás Vieira Mário na STV’ mostra que o Grupo SOICO é mais do que uma televisão e que a relevância da STV não se mede só por audiências. Somos uma empresa global de comunicação social, um grupo que presta muitos serviços, muitos deles públicos e cada vez mais diversificados. Fazemos televisão, promovendo a arte e a cultura, informamos, contribuímos para educação e apoiamos várias iniciativas na nossa sociedade. Olhamos para o país como um todo e assumimos o papel fundamental para a consolidação da nossa democracia”.

E a ligação entre o jornalista Tomás Vieira Mário e a STV, de acordo com Daniel David, traduz a forma de ser e estar da televisão que também dá o seu contributo para a consolidação da jovem democracia em Moçambique.

“Este novo olhar, agora em livro, que reúne o conjunto dos comentários e temas que foram debatidos na antena da STV, remete-nos à importância pedagógica da STV e permite-nos, com grande satisfação, assistir a esta evolução e transformação do comentário televisivo para uma análise diferenciadora, sabendo que fomos a base para esta extraordinária obra do jornalista Tomás Vieira Mário. Enche-nos de orgulho perceber que, de alguma forma, contribuímos para o nascimento de uma obra que nos chama atenção para muitos temas e desafios da construção de um Estado de Direito Democrático em Moçambique”, avançou Daniel David.

A STV vai continuar a trilhar o mesmo caminho para nunca perder de vista o seu foco na rota do crescimento, até porque, como aponta o PCA do Grupo SOICO, “ela (a STV) está cada vez mais presente na vida dos moçambicanos e no seu dia-a-dia. Inovamos, tentamos ser um operador de qualidade, de referência que faz algumas coisas que os outros não fazem ou que não estão dispostos a fazer. A nossa vontade de prestar um serviço público diferenciador também se mede pelo apoio às diferentes áreas do nosso país”.

O livro de Tomás Vieira Mário foi editado pela Alcance Editores e, no seu lançamento, foi feita uma homenagem a título póstumo a Albino Magaia, o mestre de Tomás Vieira Mário.

O distrito de Vilankulo, na província de Inhambane, vai acolher a 18ª edição do festival Mozambique Fashion Week, sob o lema “Conservação da Biodiversidade Marinha e Costeira”. Para o efeito, foi assinado, hoje, um memorando de entendimento.

O Mozambique Fashion Week começou, há cerca de 20 anos, exactamente na terra de boa gente, aonde volta este ano, concretamente em Vilankulo, com a realização da 18ª edição. O administrador do distrito de Vilankulo, Eduardo Galiza Matos, disse que a província de Inhambane pretende mostrar o seu potencial turístico.

“Hoje, regressa a Inhambane, concretamente no distrito de Vilankulo”, refere Galiza Matos para depois realçar: “As pessoas poderão visitar Vilankulo e ver o potencial marinho”.

Tendo em conta as diversas potencialidades que o distrito possui, foi escolhida a conservação da biodiversidade marinha e costeira como o espelho da moda.

“Temos, em Vilankulo, diversas potencialidades, por exemplo, o mar, os pescadores, as ilhas e o turismo, isso tudo é arte e tem que ser transmitido”, explicou o director-executivo da DDB, Vasco Rocha.

A informação foi avançada, esta segunda-feira, durante a assinatura de memorando entre o Governo do distrito de Vilankulo e o presidente da DDB Moçambique.

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