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O País – A verdade como notícia

O filme Nkwama, realizado por Gigliola Zacara, foi seleccionado para a nona edição do Festival Internacional de Cinema e Artes SOTAMBE, na Zâmbia. A curta-metragem será exibida na capital Lusaka, próximo mês.

A história de Alice, uma mulher que faz do plástico o seu meio de subsistência, já foi exibida em Moçambique, Cabo Verde, Portugal e Brasil. Agora, com efeito, chegou a vez da Zâmbia, onde a curta-metragem terá audiência no Festival Internacional de Cinema e Artes SOTAMBE.

Referindo-se à oportunidade, a actriz e realizadora do filme afirmou que decidiu participar no Festival SOTAMBE porque o evento zambiano se interessa pelo tema mudanças climáticas e meio ambiente. “Nesta senda, o filme Nkwama enquadra-se de todas as formas na temática deste festival”.

Por isso mesmo, Gigliola inscreveu o filme em várias categorias, designadamente, Melhor Direcção, Melhor Direcção Feminina, Melhor Curta-Metragem e Melhor Actor, ano passado. Já há dois dias, recebeu a confirmação de que o filme, afinal, tinha sido seleccionado entre vários para ser exibido no Festival Internacional de Cinema e Artes SOTAMBE.

Neste momento, Gigliola Zacara não esconde que está expectante em receber a mensagem de que Nkwama poderá concorrer a prémios nas categorias cinematográficas mencionadas, o que depende da comissão instituída para o efeito.

E Gigliola diz mais: “Ter o filme Nkwama em exibição em Lusaka é uma mais-valia para nós. É importante para mim e para a equipa que eu represento que o filme participe no SOTAMBE. Não só por representar Moçambique e os PALOP, mas porque é gratificante conseguir ser seleccionado para a fase de exibição”.

Com Nkwama, igualmente, Gigliola Zacara espera contribuir para promover a arte cinematográfica moçambicana e a cultura em geral.

A curta-metragem da realizadora é uma co-produção do Centro de Recriação Artística & 7 OFÍCIOS – Rede de Mulheres Artistas, com apoio do INICC, AMOCINE, Olhar Artístico, António Sendi, etc. e Maochas Filmes. Em Moçambique, Nkama foi considerado o segundo melhor filme no Concurso de Curtas-Metragens do Centro Cultural Moçambicano-Alemão.

A nona edição do Festival SOTAMBE irá decorrer em Lusaka, de 16 a 24 de Setembro.

A segunda edição da Feira do Livro da Beira (FLIB 2022) inicia dia 24 deste mês, na Livraria Fundza, na Cidade da Beira. A iniciativa da Associação Kulemba termina dia 27 de Agosto e conta com a participação de Paulina Chiziane. “Literatura, música e património” é o tema do evento.

Em 2021, a Feira do Livro da Beira (FLIB) concentrou-se nos debates inerentes à economia do livro e ainda debateu sobre o espaço urbano como elemento literário. Nesta segunda edição, a Associação Kulemba pretende estabelecer um diálogo entre literatura e música. Por isso mesmo, a figura de cartaz é o Prémio Camões 2021. “Não podíamos ter uma figura ideal como Paulina. A escritora navega nos dois mundos. Ela tem muito a dizer-nos sobre esta relação literatura e música”, afirmou Dany Wambire, o Director da Feira do Livro da Beira.

Realmente, além dos vários livros publicados, Paulina Chiziane também é autora de um álbum discográfico constituído por 12 faixas, Cantos de esperança, lançado em 2019. Assim, logo no dia da abertura, 24 de Agosto, entre 17 horas e 18 horas, a escritora irá ministrar uma palestra subordinada ao tema “O lugar da música na literatura”. A sessão irá acontecer na nova Livraria Fundza, na Baixa da Cidade da Beira, que será inaugurada pela Secretária de Estado de Sofala, Stela Zeca, antes da intervenção da escritora.

A participação de Paulina Chiziane na FLIB 2022 inclui a assinatura de autógrafos, marcada para a Universidade Zambeze, a partir das 9h do dia 26. Mas, mais do que isso, a palestra que irá ministrar deverá inspirar um debate mais amplo sobre as obras de autores moçambicanos de referência, na Província de Sofala. Entre eles David Mazembe, Madala ou Isaú Meneses. “Nós pretendemos mostrar que a literatura não está isolada das outras artes”, disse Dany Wambire, reforçando que a FLIB 2022 insere-se numa estratégia iniciada ano passado. Logo, ainda que o tema das mesas redondas tenha alterado, há actividades que prevalecem. Por exemplo, o Concurso de Crónicas aberto a estudantes que frequentam um curso universitário no país. Ano passado foi assim e o resultado está à vista. No dia 26, a partir das 18h, a Editorial Fundza irá lançar dois livros. O primeiro é O dicionário da sobrevivência, de Francisco Raposo. Já o segundo é Água, dos vencedores do Concurso Literário FLIB 2021. Portanto, os vencedores do concurso desta edição serão publicados em livro próximo ano. Para o efeito, terão de escrever uma crónica sobre o tema “Paz e reconciliação”, até porque a 6 deste mês o país celebrou o terceiro aniversário do Acordo de Paz de Maputo, assinado entre o Governo e a Renamo. O propósito do concurso? Estimular a produção literária nos estudantes universitários.

Outra actividade que continua nesta edição da FLIB é o Concurso de Fotografia Eu na Livraria. Esta quinta-feira, Dany Wambire explicou qual é a motivação dessa iniciativa. “Num contexto em que as pessoas tendem a fotografar tudo, através de um celular, ocorreu-nos criar uma oportunidade para que se fotografassem com os livros e, assim, aproxima-las à livraria. Gostamos imenso dos resultados alcançados no ano passado e, por isso, continuamos com o concurso”.

O principal objectivo da FLIB 2022 continua sendo o de sempre: formar leitores. Assim sendo, ao contrário do ano passado, em que a feira se realizou apenas na antiga Livraria Fundza, este mês o evento terá lugar em vários outros espaços: UniLicungo, UniZambeze, UNISCED e Universidade Alberto Chipande, sempre na Cidade da Beira.

Segundo Dany Wambire, a FLIB irá expor cinco mil títulos de livros, de todas editoras nacionais e algumas estrangeiras.

 

MESAS REDONDAS

No dia da abertura irão intervir, na Livraria Fundza, a Secretária de Estado da Província de Sofala, Stela Zeca, o Presidente do Município da Beira, Albano Carige, e a escritora Paulina Chiziane. No entanto, a FLIB 2022 conta com outros convidados, que vão partilhar ideias e leituras. Assim, Joaquim Tesoura, Nídia Chamussora e Julião Carlos predispuseram-se a reflectir sobre o tema “O retrato da mulher na música e na literatura”. O encontro está marcado para 17 horas do dia 25 de Agosto, na Livraria Fundza.

Já na segunda e última mesa redonda, a iniciar às 17h do dia 26 de Agosto, igualmente na Livraria Fundza, Urbano José, Domingos Brasso e Pedrito Cambrão tratarão do tema “Ndoita lenhi: a música como património imaterial”. Ndoita lenhi é o título do mais recente álbum discográfico de Isaú Meneses, lançado em 2021.

Por Matos Matosse*

 

UM POEMA

«… um poema

é a pedra duma escola

com palavra giz

para a gente apagar

ou guardar».

                                                                                                                                                                                       (Saúl Dias)

 

O COMBOIO QUE ANDAVA DE CHINELOS é título do livro de poesia escrito pelo escritor e poeta Pedro Pereira Lopes; é livro com o qual, Lopes ganhou o concurso literário prémio Maria Odete de Jesus, ano 2016, cujo tema foi a “Paz em Moçambique”. Este concurso tinha como objectivo: «contribuir para o incentivo à leitura, despertar o gosto pela poesia e incentivar e valorizar a produção literária infanto-juvenil». Tem ilustrações de Walter Zand.

[Lopes dedica este livro a duas mulheres – que têm [mantenho este tempo verbal por razões próprias] a afoiteza de escrever para crianças, jovens e adolescentes – Angelina Neves e Fátima Langa, esta última com obras – [de entre várias que escreveu] – como: O rapaz e a raposa, 2012; O coelho e a água, 2012, ambas em bilingue (português e cicopi). Publicou, ainda, a primeira obra em braille. Ao escrever em cicopi, sua língua materna, mostrava a preocupação em ver a sua obra lida, mesmo por aqueles que não falam português. E, em braille, para ter uma literatura inclusiva; leva a sua obra, também, para as crianças com deficiência visual. – terão sido estas e outras razões, creio, que fizeram que Lopes dedicasse este livro a esta escritora, por valiosa contribuição que deu à literatura moçambicana.]

É um livro com 17 poemas e igual número de figuras. Todas a cor. A combinação destas figuras a cor com textos tem um impacto para a criança-leitora. Motiva-a a manusear o livro. Deste acto, nasce-lhe o gosto pelo livro, pela leitura; desde cedo, cultiva-se-lhe esta paixão. Nasce-se-lhe o amor pelo “verbo” – entenda-se como metáfora.

Os poemas que compõem este livro são de versos curtos, porém, profundos, isto é, com uma boa mensagem. Educativa. Posso dar o exemplo do poema CRUZAR A AVENIDA, pág. 33, em que o autor chama a atenção aos meninos ao atravessar a estrada, para evitarem acidentes: «Quem me oferece a mão/ para atravessar a avenida?// Quem me dá atenção/ para vigiar a esquerda?// Quem me abre o coração/ para espiar a direita?// Aqui não fico o dia inteiro/ não há sinal nem sinaleiro!// A avenida não pára parada/ e eu não quero ser atropelada!», e este DENTINHO, pág. 17: «Tenho um novo dente/ é pequeno e afiado// nasceu de noite/ de repente// para fechar a baliza/ que eu tinha à frente.//  É branco como leite/ e muito cometente/ que belo enfeite/ para se ter de repente»., em que se nota um ensinamento; uma transmissão de valor estético dental.

Lopes apresenta os seus versos em diferentes formas gráficas.  É um estilo que ele adopta. Uma criatividade pura. Por exemplo, o poema POEMINHA BRINQUEDO, «Um poema brinquedo/ nem é poema de verdade/ é poeminha poemeto/ coisa de criança sem idade»; cuja ilustração que o acompanha é um pião, xindiri, a arrumação dos versos deste poema é interessantíssima: parece-se com um traçado ou marcas desenhadas pelo pião em movimento, naquele seu gira-gira, ao ser “açoitado”. Belíssima arrumação.

Esta técnica de pôr os versos, dando-os a ideia de movimento, é, quanto a mim, para espevitar, à criança, o interesse pela leitura do livro.  É bem divertida. Os poemas POEMINHA DO ARCOS-ÍRIS, AS PALAVRAS, SONHO, O GATO ROMEU E O VÔ ABREU, [neste, as palavras dão-nos a impressão de estarem a se perseguir [entre aspas], talvez à mesma velocidade levada pelo gato(!) e, o signo onomatopeico: “PLOFT!”, a acompanhar os tracejados [= signos cinéticos] – propositadamente, colocados pelo ilustrador – que indicam o movimento e a queda. Outros signos onomatopeicos patentes no livro: MIAU! MIAU!]. e de admirar esta sincronia entre o poeta e o ilustrador Zand.

Vamos ver alguns poemas, claro, não na forma gráfica em que o autor os apresenta: POEMINHA, «O bolo da rã/ é branco como lã/ tem gosto de avelã/ e no meio uma vela.//  A vela é da irmã/ coaxa aqui e acolá/ e, então vejam lá/ pôs uma fita nela.// Cantaram aos anos da rã/ e falou a irmã tagarela/ sopraram todos a vela/ e comeram o bolo da lã». Pedro Pereira Lopes brinca com a anáfora, usa, ainda, o encadeamento, a metáfora e a comparação, neste poema. Lopes dispõe os versos – isto, já o tinha dito – numa forma que faz transparece um movimento. Aliás, o próprio título do livro, já nos dá essa ideia.

E, em POEMINHA BRINCADEIRA, pág. 27, «Maria brinca na areia/ enche o pote e sorri/ se passam por ela, ri// faz do quintal cozinha/ mistura água e areia/ e faz papas de aveia.// Faz também chá/ serve uma bolacha/ e come de mentirinha.// Brinca e o tempo foge/ suja o vestido bege/ e põe-se logo a chorar.// Tocada pela aflição/ aparece a sua avozinha/ e com água e sabão/ fica a Maria/ lim-pi-nha». Lopes traz-nos um sujeito poético do género feminino que brinca com areia e água… fica aflita por ter sujado o seu vestido. Chora. Várias lições tiram-se deste poema.

Conclusão: este livro de Lopes educa. Tem uma linguagem simples. Poemas lindos, cujas ilustrações estão, sob ponto de vista temático e artístico, bem ajustadas aos textos. É um livro que, mesmo um leitor-adulto poderá lê-o com volúpia. Bom livro para a iniciação à leitura de textos poéticos. Cativa, finalmente! Recomenda-se!

Parte das obras do autor: O homem dos 7 cabelos (2012, prémio Lusofonia 2010), Kanova e o segredo da caveira (2013), Viagem pelo mundo num grão de pólen e outros poemas (2014), A história do João Gala-Gala (2017), em co-autoria com o Chico António (músico), O comboio que andava de chinelos (2019). Organizou várias antologias.

                  * professor, escritor, poeta e ensaísta literário         

A exposição Um urbanista da memória, de Jorge Dias, será inaugurada às 19 horas desta quinta-feira, no AT|AL|609 – Lugar de Investigações artística, na Cidade de Campinas, no Brasil.

Com curadoria do artista brasileiro Genivaldo Amorim, a exposição de artes plásticas reúne obras inéditas, feitas com capulana. Fundamentalmente, a mostra trata das memórias individuais e colectivas que se transformam nas sociedades.

Para Genivaldo Amorim, a exposição descreve Jorge Dias como um artista que há muito tempo trava uma luta diária para escapar das armadilhas dos que tentam estabelecer aspectos consolidados do que deve ser, parecer e comportar. “Do seu lugar de origem, Jorge busca um diálogo que fala das memórias, dos valores culturais que fazem parte do processo de construção de identidade comum em permanente construção. Não ancora no óbvio, nem nos contornos da clareza, optando por privilegiar as perguntas em vez da busca por respostas definitivas”, lê-se na nota de imprensa da exposição.

A sua individual, igualmente, permite que Jorge Dias “transite em territórios fronteiriços entre o mundo real e da arte, entre as formas existentes e seus limites, naquilo que é tangente e que flui num hibridismo cultural. Consequentemente, os questionamentos feitos por Dias são sempre presentes, trazendo reflexões a partir da experiência pessoal e do grupo”.

Durante a visita da mostra, Jorge Dias espera que os brasileiros encontrem outras formas de olhar para as identidades. Até porque, conforme entende, as  preocupações dos artistas em Moçambique, noutras partes do mundo e no Brasil, têm vários pontos de encontro. “Esta exposição foi pensada especialmente para ser apresentada no Brasil e vai ficar no AT|AL 609 – Centro de Investigação Artista durante três semanas”, disse o artista plástico.

Jorge Dias começou a preparar Um urbanista da memória ano passado, em Moçambique, sendo que parte da exposição foi “terminada” no Brasil.

A Fundação Fernando Leite Couto inaugurou, esta quarta-feira, a individual de pintura Êxodos, da autoria de Vito Ferrinho. O valor da venda das telas será canalizado ao apoio das vítimas do terrorismo em Cabo Delgado.

 

Mesmo na ausência de Vito Ferrinho, que se encontra na Suécia, a sua individual de pintura foi inaugurada na Fundação Fernando Leite Couto, na Cidade de Maputo. Constituída por 18 telas, Êxodos reconfigura os movimentos, os rostos, as emoções e a expectativa dos moçambicanos que, no Norte do país, perderam praticamente tudo, por causa do terrorismo.

Recorrendo a acrílico sobre tela, Vito Ferrinho retrata, essencialmente, o ser feminino, ora como sujeito maternal, ora no campo de trabalho. As imagens, com efeito, são cheias de cor vibrante e pretendem demonstrar que a arte participa na vida quotidiana da sociedade moçambicana.

A ideia da exposição conta com o envolvimento da Associação Acácia, que, ao sentir a dor das populações descolocadas no Norte do país, contactou a Associação Pantera, e, através desse contacto, conseguiu sensibilizar uma voz moçambicana que se encontra na Suécia: Vito Ferrinho. Assim, explicou Carlos Macuo, da Associação Acácia, Ferrinho transformou a dor das populações em obras de arte.

Com a excepção de três peças, cujo valor irá cobrir as despesas de viagem do artista para Moçambique, o valor de todas as outras 15 obras será canalizado ao Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, para apoiar as vítimas do terrorismo em Cabo Delgado.

Para a Fundação Fernando Leite Couto, a parceria com a Associação Acácia em prol da exposição é oportuna porque, assim, pode-se celebrar a arte ao mesmo tempo que se apoia a quem precisa. “Poderemos gerar renda e, com essa renda, ajudar as gentes de Cabo Delgado em função dos deslocamentos que têm havido. O título da exposição é Êxodos e representa esses deslocamentos tanto de ida, tanto de regresso”, afirmou Sara Jona Laisse, Directora-Executiva da Fundação Fernando Leite Couto.

A individual de pintura Êxodos estará patente na Fundação Fernando Leite Couto até 3 de Setembro.

A longa-metragem O poeta da ilha, da autoria de Júlio Silva, será exibida nos dias 26 e 28 deste mês de Agosto, nas cidades de Roterdão e de Zaandam, sempre nos Países Baixos.

 

A mais recente produção cinematográfica de Júlio Silva será exibida nos Países Baixos, num evento da TV Letra das Ilhas. A primeira sessão está agendada para dia 26 de Agosto, a partir das 20 horas, na sala de Pelgrimsstraat de Roterdão. Já a segunda sessão irá acontecer às 14 horas do dia 28 de Agosto, em Zaandam.

Com 85 minutos de duração, a longa-metragem O poeta da ilha, de Júlio Silva, foi rodada em Cabo Verde, tendo sido estreada em Luxemburgo. Em geral, é um filme adaptado de factos reais, que retrata a história sobre a luta que os cabo-verdianos fizeram na clandestinidade durante a época colonial.

Desde a estreia até aqui, o cineasta revela que o feedback do público que viu a longa-metragem tem sido fantástico. E lembra que: “Através da Rádio Televisão de Cabo Verde, em comemoração do aniversário da agência do Sal, fizemos uma tournée por quatro ilhas de Cabo Verde (Ilha do Sal nos Espargos e em Santa Maria, na Ilha  de São Vicente fizemos duas sessões no Centro Cultural do Mindelo e na Sala do Alaim, fizemos quatro sessões em três conselhos da Ilha de S. Antão – Porto Novo, Ribeira Grande, Ponta do Sol e Paul”.

Ainda em Cabo Verde, a longa-metragem O poeta da ilha, de Júlio Silva, também foi levada à capital Cidade da Praia, onde foi projectada no Palácio da Cultura Ildo Lobo e na Sala de Conferências do Hotel Trópico. Em todas as sessões, realça o cineasta, teve sala cheia.

Tendo sido um sucesso em Cabo Verde, Júlio Silva afirma que o filme falado em crioulo cabo-verdiano e português, com legendas em francês e inglês, começa a ser exibido em vários países onde vivem cabo-verdianos. “Depois desta etapa de promoção e divulgação do filme, vejo o meu nome a ser falado como realizador moçambicano”.

O filme O poeta da ilha foi premiado no Festival Internacional das Migrações em Luxemburgo, inclusive, com várias distinções aos actores.

 Há muitos anos que o saxofonista Ivan Mazuze vive na Noruega. Naquele país europeu, Mazuze desempenha a função de Conselheiro Nacional para o Fórum de Jazz Norueguês, uma organização de cariz artístico-cultural que reúne a comunidade de jazz local e que trabalha na promoção do género musical e das acções inerentes.

Na Noruega, entre 17 e 22 do mês passado, decorreu o Molde Jazz Festival. Na sua vasta programação, o evento integrou a iniciativa Jazzintro, que teve como um dos membros de júri Ivan Mazuze.

Segundo uma nota de imprensa, o saxofonista moçambicano trabalhou com alguns dos principais músicos de jazz da Naruega, nomeadamente, Ellen Brekken (baixista), Dag Magnus Narvesen (baterista) e Sanskriti Shrestha (tablaista).

A nota de imprensa acrescenta que Jazzintro é um programa de lançamento de talentos destinado a jovens músicos de jazz noruegueses. Os vencedores deste ano irão exibir-se, além dos principais clubes de jazz locais, nos maiores festivais de jazz noruegueses, tais como Vossa Jazz Festival, Molde Jazz Festival, NattJazz Festival, Kongsberg Jazz Festival e Mai Jazz Festival.

Entre 55 inscrições ao programa Jazzintro, avança a nota de imprensa, oito bandas foram seleccionadas para participar, designadamente, Bento Box, Munch Trio, Peders Hode, Ototoi, Joakin Rainer Trio, Firvel, Ask Morris Quartet e Stenøien/Hjemmen/Heide Bø. O júri refere que “No processo de selecção, gostamos de ouvir as demos enviadas, onde não foi fácil escolher apenas oito bandas”.

Conforme entende Ivan Mazuze, citado na mesma, esta é uma experiência enriquecedora pela responsabilidade de poder fazer parte do júri que escolhe os futuros executores do jazz – sendo um artista moçambicano – e por poder contribuir para o crescimento do estilo musical na Noruega e no mundo.

Desde a sua criação, em 1998, Jazzintro tem sido muito importante para destacar talentos do jazz norueguês. Muitos dos grandes nomes do jazz de hoje participaram do Jazzintro no início das suas carreiras, como Mathias Eick, Stian Westerhus, Anja Lauvdal, Gard Nilssen, Marius Neset, Hanna Paulsberg e Morten Qvenild. Os vencedores anteriores incluem Monkey Plot, Albatrosh, Puma, In the Country, Urban Connection, Megalodon Collective e Kongle Trio.

 


 

Aos 16 anos de idade, Jimmy Dludlu emigrou clandestinamente de Moçambique. Destino? Swazilândia. Objectivo? Ser guitarrista, tendo como fonte de inspiração o bairro Chamanculo e o guitarrista norte-americano Jimi Hendrix. Ainda imberbe, passou por muitas privações: na Swazilândia, no Botswana, na África do Sul e na Namíbia. Mas nunca largou a música. Pelo contrário, formou-se em música quase a vida toda. Neste 2022, comemora 37 anos de percurso como profissional. Tem 56 de idade. Olhando para trás, lembra-se de tudo um pouco: do trabalho nos bares, nas machambas ou a cuidar de animais, o que lhe permitiu comprar a sua primeira viola; lembra-se da relevância e dos sucessos na banda Loading Zone, na qual esteve com Frank Paco ou John Assan. O pretexto da conversa, na verdade, é o prémio carreira que irá receber no South African Music Awards, no dia 28. Por isso mesmo, aproveita a oportunidade para lamentar por esse reconhecimento do seu próprio país, que tarda chegar. Mas Jimmy também fala da nomeação ao cargo de Embaixador Africano a Representar a América na Diáspora, do espectáculo no Centro Cultural Franco-Moçambicano, no dia 19 deste mês, e, claro, do infinito amor pelo Bairro do Chamanculo.

 

O South African Music Awards (SAMAs) irá distinguir-lhe com o Lifetime Achievement Award, Prémio Carreira. O que esse reconhecimento significa para si?

Em primeiro lugar, eu quero agradecer a Deus pelo talento que possuo. Sem Deus, eu não chegaria onde hoje me encontro. Em segundo lugar, agradeço à minha família e a todos os que me apoiaram, de modo a conseguir inspiração: a minha falecida mãe, aos meus irmãos Imaculado e Tina, aos meus sobrinhos e à minha esposa Sandra, machope da minha vida, porque ela é que me inspirou a fazer o In the Groove e o History in a frame. Por fim, agradeço a estes meus irmãos que se encontram aqui comigo [Nelton Miranda, Stélio Mondlane, Taphelo e Pimenta]. Estes discos eu fiz com eles. Na verdade, a lista de agradecimentos é enorme. Inclui ainda George Lee, da Swazilândia, que me ajudou a saber ler música, Nanando, Chica, primo Benjamim e primo Eurico, todos do Chamanculo que me apoiaram ainda menino, Hugh Masekela, Miriam Makeba, os meus irmãos Frank Paco e John Assan, que estivemos juntos nesta batalha. Para a África do Sul, hoje, reconhecer Jimmy Dludlu, eles fizeram parte desta caminhada. Quanto ao prémio, dos 10 discos que já gravei, sempre acompanhei o Prémio Carreira dos SAMAs como que para pessoas que já não estão connosco. Foi uma surpresa. Até agora não acredito que eu irei recebê-lo. Só posso agradecer a Deus.

Como é que reagiu, quando soube na notícia?

Ajoelhei, agradeci à minha mãe e a Deus e brindei com a minha esposa. Também liguei à minha filha mais velha, em Botswana, para que ela apurasse a veracidade da informação. Mas a minha boss disse que o prémio era realmente para mim, que não havia enganos. Eu disse que não acreditava porque o prémio não é atribuído a pessoas vivas. Aí ela disse-me que as coisas mudaram. Então eu disse khanimambo! Xikwembu xini nhlamulile [do rhonga, obrigado! Deus abençoou-me].

Como é que se constrói um percurso, de modo a merecer um prémio carreira na África do Sul?

Com muito trabalho. Eu estou na música profissionalmente desde 1982. Comecei acompanhando músicos, até que um dia quis ser e meti-me numa escola [Cape Town]. Ser bom aluno e viver em família sempre ajuda. O que acho mau, é um músico que não sabe se posicionar. Eu sempre trabalhei para levantar a bandeira das culturas africanas. A África do Sul reconhece isso. É pena que aqui no meu próprio país isso ainda não aconteceu. Mas mais tarde ou cedo irão perceber que, de facto, o Jimmy está a fazer alguma coisa. Países como Estados Unidos, Gana e, agora, África do Sul, já reconheceram a minha contribuição para cultura e para indústria musical.

Faz falta um reconhecimento em casa?

Em casa seria mais especial. É um pouco triste não ser reconhecido na sua própria casa, mas eu deixo tudo nas mãos de Deus.

São 37 anos de percurso musical, 56 de idade. Quais são os momentos mais altos e os mais baixos?

O momento mais complicado, para mim, foi sair de Moçambique no tempo da guerra. Saí com um amigo-vizinho, o Manito. Ele queria ser futebolista e eu músico. Eu gostava muito do Jimi Hendrix… E… imagina, miúdos de 16 anos largarem a escola, caminharem a pé uma semana, até chegarem a Manzine [eSwatini, a aproximadamente 200km de Maputo], naquelas montanhas, um deles a sonhar ser músico, um guitarrista e, com isso representar uma nação… Chegamos lá e fomos tratados como machanganas, com aquela toda xenofobia. Emigramos para Botswana e lá fomos tratados como membros da juventude do ANC. Ou seja, apanhamos racistas em todo lado. Foi muito difícil. Lembro-me muito bem da minha saída do Botswana, sem documentos para ir a África do Sul. Eu e os meus amigos viajamos num comboio de cimento. Quando o comboio passou a fronteira e conseguimos saltar, a pessoa que estava à nossa espera ficou extremamente assustada. Pensou que fôssemos svipokus [fantasmas]. E fugiu. Tivemos de ir à cabine para lhe dizer que eramos nós. Depois, ir à universidade, em Cape Town, onde não se admitia pessoas negras… Eu e o meu irmão Frank [Paco] lutamos e fizemos de tudo para conquistar o que hoje são frutos do nosso trabalho. Foi um desafio muito grande. Tive de deixar de tocar nos bares e ir à universidade para aprender a criar e a tocar o meu estilo de música. Foi uma loucura, mas foi a visão que Deus me deu.

A propósito de Frank Paco, o seu primeiro grande momento foi com os Loading Zone?

Foi com Loading Zone. À primeira vez que subi ao palco, eu tive medo. Eu falava muito baixo. Lembro-me que até uma senhora disse-me para falar como homem. Foi um desafio tocar a música pela primeira vez para o público. Tinha muita vergonha, mas aqueles que estavam a trabalhar comigo deram-me força, dizendo que eu era capaz. Ganhei confiança e estamos aqui, hoje.

Falou de Swazilândia, África do Sul e Botswana. E aquele momento em Namíbia, com Loading Zone?

É verdade. Um dia desses nós saímos da África do Sul, muito cedo, e partimos para uma digressão a Namíbia. Oito pessoas na mini-bus: eu, Paco, John Assan, entre outros. A única coisa que tínhamos ali era Coca-Cola e Fanta. Aquilo já nem era refresco de tão quente que estava. Nem sei o que era. Mas tivemos de tomar aquilo até chegar a Namíbia para tocar num bar. Ficamos por lá dois anos. Certo dia chegou Papa Wemba. Ele viu-nos e gostou de nós. Acompanhamos Papa Wemba. Depois, decidimos ir à Cape Town. Para sair de Cape Town foi muito difícil. Aquelas banda de Cape Town tocam muito bem. Para mim, Cape Town foi a universidade da minha vida, musicalmente. Foi ensaio a sério. Lembro-me que, quando estava na Swazilândia, eu começava a ensaiar às 17h. Às 5h, quando as pessoas se levantavam para ir trabalhar, eu ia dormir. E ainda trabalhei como servente, soldador, já cuidei de machambas e de animais. Tudo isso para comprar a minha primeira viola. Hoje, Deus diz-me que todo aquele esforço não foi em vão.

Dos Estados Unidos também chegou uma boa notícia. Foi nomeado para desempenhar a função de embaixador africano na promoção da música do continente fora de África…

Quando recebi a carta da América, a dizer que eu seria o primeiro Embaixador Africano a Representar América na Diáspora, para fazer promoção da música africana, eu julguei que fosse mentira. Agora tenho um desafio enorme, porque os meus alunos da Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane terão de seguir essa viagem. Para o ano, irei ao Senegal e a Gana para identificar outros artistas, de modo a irem a América também.

É uma responsabilidade acrescida?

Muito. Sabe, cada passo que damos, é uma fase nova da nossa vida e aquilo que pensamos que estávamos a fazer, ontem, torna-se diferente, hoje.

Que resultados espera alcançar com essa função de embaixador?

Espero conseguir identificar pessoas que algum dia irão dar uma boa imagem do continente. Os americanos estão à procura de grandes talentos africanos.

Jimmy nasceu em Inharime, Inhambane. Viveu na Swazilândia, Bostwana, África do Sul e Namídia. Mas Chamanculo, esse bairro suburbano de Maputo, é o seu local de eleição. Porquê?

Chamanculo sou eu. Eu sou molwene de Chamanculo. Toda gente sabe disso. Mas do Chamanculo saem figuras proeminentes. Não sei o que se passou com esse bairro, que consegue produzir todo o tipo de pessoas importantes. Não estou a dizer que não há coisas negativas, como em todos os bairros. Mas Chamanculo é a minha fonte. Sem esse bairro não sou nada. Chamanculo é tudo para mim. Inspira-me.

E é por isso que, com Carlos Gove, irá tocar Chamanculo no Franco-Moçambicano?

Quando eu era miúdo, o Carlitos já acompanhava muitos artistas. Para eu e ele chegarmos a este nível, tivemos o incentivo de Fanuel Paúnde e outros da zona, como do grupo dinamizador. Então decidimos que tinha chegado o momento de fazer alguma coisa pelo bairro. Então trouxemos este concerto “Celebrando, Chamanculo”. Será uma grande festa. Iremos tocar muita coisa, começando do Echoes from the past, para homenagear Nanando e outros músicos. O nosso espectáculo deverá durar três horas, 90 minutos para mim, e outros 90 minutos para o Carlitos.

Dois navios saíram, esta segunda-feira, da Ucrânia carregados de milho e soja. O anúncio foi feito pelo Governo da Turquia, citado pelo Notícias ao Minuto.

Desde o acordo assinado com a Rússia, segundo a fonte, estas saídas elevam para 10 os navios de exportação de cereais que já deixaram os portos ucranianos em direcção ao mar Negro.

Segundo o ministro da Defesa turco, o “Sacura” saiu de Yuzni com 11 toneladas de soja e dirige-se a Itália, O segundo navio, o “Arizona”, deixou Chornomorsk com 48.458 toneladas de milho e navega em direcção a Iskenderun, no sul da Turquia.

Este domingo, tinham saído mais quatro navios que deverão chegar a Istambul na noite desta segunda-feira. A inspeção da carga está agendada para terça-feira.

O acordo foi assinado com as Nações Unidas e a Turquia no mês passado, mas o primeiro barco só deixou o porto na semana passada. O objectivo deste acordo é evitar uma grande escassez de alimentos e surtos de fome em várias partes do mundo.

A exportação dos cereais ucranianos está a ser controlada pelo Joint Coordination Centre (JCC), em Istambul, que conta com representantes russos, ucranianos, turcos e das Nações Unidas.

Também à Ucrânia começam a chegar os primeiros navios estrangeiros, desde o início do conflito. Segundo o ministro das Infraestruturas ucraniano, Oleksandr Kubrakv, a primeira embarcação a ancorar no porto de Chornomorsk está já pronto para receber a carga. Um segundo navio está também a caminho da Ucrânia, depois de ter sido inspecionado em Istambul.

O Governo ucraniano pretende também começar a exportar cereais a partir do porto de Pivdennyi, estimando que sejam expedidos pelo menos três milhões de toneladas por mês.

A Rússia e a Ucrânia produziam, antes do início da guerra, um terço da exportação mundial de trigo, sendo também importantes mercados para outros cereais.

 

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