O País – A verdade como notícia

Ndzuthini – A arte de escrever na sombra

“Escrevo em changana porque é uma língua muito rica, uma língua muito bela. Escrevo em changana porque acredito que o plurilinguismo nacional é uma realidade que não nos deve assustar com fantasmas de um tribalismo morribundo”.                                   Bento Sitoe   Não sei se entre nós se atribui alguma importância a uma crónica literária sobre um […]

Porquê e para quê? Só a FMF sabe!

É uma daquelas narrativas cujos actores secundários assumem o protagonismo no lugar dos que realmente deveriam dar a vida à mesma. Deixaram a gota do seu suor em campo, elevaram a bandeira nacional no concerto das nações, ao mesmo tempo que fizeram ecoar o hino nacional. É, sem dúvidas, um símbolo de patriotismo inalienável e […]

SIA-VUMA!

“Ínfimo gajo desajoelhado no que valho. Olhado de esguelha pelos desiguais a mim. Ladino na consciência de saber porquê. Maningue longe da bíblia imagem de Deus.   Engravatado velho dândi antítese de santo. Várias paixões puras aquém de um simples amor. Quinquagenário magano de bicho-homem. Até exímio futebolista quando quis.   Demo de muitas progenitoras […]

As verdades da mentira em Quelimane

Ao arrepio do regulamento de prova por si aprovado, e numa aceleração em contramão capaz de provocar estragos bem maiores que rinocerontes numa loja de porcelanas, a Federação Moçambicana de Basquetebol (FMB) ignorou as irregularidades cometidas pelo Desportivo de Tete ao utilizar sete reforços (da Liga de Chimoio) contra os dois da mesma associação permitidos […]

A Metamorfose e Outros Contos: a confusão moral e mortal dos homens[1]

Uma síntese amorosa e (in)suspeita A narrativa a que Aldino Muianga nos tem habituado inscreve-se no que considero uma tendência estética do idealismo da literatura moçambicana. Se procurássemos um autor que sintetizasse esta tendência, encontraríamos em José Craveirinha, cujo centenário de nascimento celebramos este ano, o seu exemplo acabado. Trata-se de uma tendência que concebe […]

FERNANDO MANUEL, 70 ANOS

Diluídos no escuro os coqueiros, elegantes silhuetas projectam-se contra o profundo azul do céu O macúti balança sufocando o riso num sussurro amigo sob o peso da leve, levíssima brisa do mar Ao longe filtrada pelo silêncio a voz de Brenda Fassie dando vida ao Galaxi, lembrança do John Colados ao caniço os homens eternizam […]

FERNANDO COUTO

“Elegância devia ser o teu nome ou mesmo graça e harmonia ou ainda leveza, etérea leveza.” Fernando Couto     Convivi inicialmente com o poeta Fernando Couto quando entrei para a Escola de Jornalismo em 1987, que ele dirigia, com a ajuda da mulher, Maria de Jesus, ambos de grata memória, pela excepcional e afetuosa […]

Do passeio nocturno da dona Mariana pelas ruas da capital…

Depois de desembarcar do “Chaimite” a dona Mariana  ficou atarantada, ofuscada pela intensidade das luzes da cidade. Os candeeiros públicos jorravam uma luminosidade branco-leitosa que conferia aos objectos o colorido do arco-íris.  Viaturas de todos os tamanhos cruzavam-se nas ruas e buzinavam sinfonias que jamais escutara. Os semáforos alternavam-se em cores e dialogavam em silêncio. […]

Lipondo – O buraco

Terapia surda Doroteia, nome grego, que significa dádiva de Deus, decidiu quebrar os seus silêncios e se libertar de suas amarras, curando as suas próprias feridas e traumas. Ela escreve o seu primeiro livro e, com base em factos reiais, pretende dizer à sociedade e ao mundo que, muitas vezes, as famílias se enchem de […]

NOÉMIA DE SOUSA

Num belíssimo, raro e derradeiro poema, Noémia de Sousa, que escrevera o essencial da sua obra poética entre os finais da década de 40 e os inícios da subsequente, terminava com uma premonição: “os espíritos ancestrais me esperam”. O epílogo da sua vida dar-se-ia a 4 de Dezembro de 2002, aos 76 anos, passam hoje […]