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O País – A verdade como notícia

Duas pessoas morreram e oito ficaram feridas em resultado de um acidente ocorrido na noite de ontem, no distrito de Katembe, Cidade de Maputo.

Excesso de velocidade, aliado ao piso escorregadio por conta da chuva que caía durante a noite em Maputo, estiveram na origem do acidente, cuja viatura seguia no sentido Bela-vista-Cidade de Maputo.

Segundo Isildo Bule, porta-voz da Polícia de Trânsito na Cidade de Maputo, na viatura estavam 10 pessoas. Ao chegar numa curva, o condutor não conseguiu descrevê-la, tendo capotado.

Todos os ocupantes saíram feridos. Mas desses, um morreu no local, outro a caminho do hospital, segundo Simão Manhique, médico de Clínica Geral no Hospital Central de Maputo.

“Nos nossos serviços deram entrada sete pacientes do sexo masculino e um do sexo feminino, com idades compreendidas entre os nove aos 47 anos, destes cinco tiveram ferimentos ligeiros e receberam alta hospitalar e outros três ainda estão sob cuidados”, explicou o médico.

A paciente encontra-se em observação por trauma cervical que é um dano causado na região do pescoço à coluna. O outro paciente teve amputação da perna no local do acidente e o último encontra-se na sala de cuidados intensivos devido a um trauma craniano grave, conforme explicou Simião Manhique.

O jornal “O País” esteve no local do acidente, onde eram visíveis garrafas de bebida alcoólica.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê temperatura fresca  para este sábado. Entretanto, a instituição alerta para a concorrência de de chuvas e trovoadas em algumas urbes do país.

Em graus Celsius, as cidades da Beira, Chimoio, Tete e Quelimane  têm  temperaturas máximas de 31,28, 34 e 32 e mínimas de 26, 20, 25 e 20, respectivamente.

Para as cidades de Maputo,  Xai-Xai  e Inhambane e Vilankulo prevêem-se máximas de 26, 27, 29 e 29 e mínimas de 21, 23, 25 e 26 graus, respectivamente.

Em Pemba, Lichinga e Nampula esperam-se máximas de 31,30 e 25 e mínimas de 23, 25 e  14 graus, respectivamente.

Longas filas, foi o cenário vivido, hoje, na Estrada Nacional Número quatro, em direcção à Cidade de Maputo. O congestionamento chegou a atingir mais de sete quilómetros junto à fronteira de Ressano Garcia, facto que causou embaraço na transitabilidade.

A 30 de Março do ano em curso, o ministro dos Transportes e Comunicações, Janfar Abdulai, inaugurou, em Ressano Garcia, o terminal de minérios para reduzir o intenso tráfego de camiões de transporte de carga como o ferro crómio, que circulam pela Estrada Nacional Número quatro. Vale recordar o que disse o dirigente nessa altura. “Com esta inauguração o camião passará a manusear cerca de 2.1 milhões de toneladas de minérios por ano, o que corresponde a cerca de 180 mil toneladas por mês retirando cerca de 170 camiões da Estrada Nacional Número quatro, por dia”.

Verdade ou não, o facto é que estes camiões que transportam minérios, da África do Sul para o Porto de Maputo, hoje permaneceram durante muito tempo na EN4, em filas de mais de sete quilómetros.

Domingos Manhique é camionista e diz que a recém-inaugurada infra-estrutura está a quem de responder à demanda. “Essa fila é muito longa, estão a diminuir os camiões aos poucos. Outro assunto é que aquele porto que inauguraram recentemente e o mesmo cria mais congestionamento para nós. Aquela infra-estrutura é pequena para tantos camiões”.

Para dois camionistas sul-africanos, abordados pelo “O País” a burocracia e a aparente morosidade é que contribuem para esta situação quando se faz o desembaraço aduaneiro, como sustentou Xadreque.

“O tráfego nesta na EN4 não está tão mau. No entanto, eu penso que as autoridades sul-africanas e moçambicanas devem tentar melhorar a situação, porque assim não está bom. Devem, por isso, arranjar uma melhor solução”. As mesmas palavras foram apoiadas por Siyambonga dizendo que os automobilistas perdem muito tempo e dinheiro na estrada só à espera de tramitar documentos.

A situação melhorou por volta do  meio-dia, desta sexta-feira, com a intervenção da Polícia de Trânsito.

Na Fronteira de Ressano Garcia, as autoridades migratórias contabilizaram, até hoje, mais de três mil pessoas que entraram em Moçambique para passar a Páscoa junto de amigos e familiares.

António Macamo é cidadão moçambicano residente na África do Sul desde 1994, onde lidera uma congregação religiosa. Esta sexta-feira atravessou a fronteira de Ressano Garcia com a família para se juntarem a outros familiares no distrito de Moamba, onde passarão a Páscoa. “Está tudo em ordem, organizei tudo para este dia, não é como nos dias em que havia COVID-19, tínhamos dificuldades em viajar, mas hoje está tudo bem”.

António acenou e seguiu viagem, enquanto Rosália fazia o sentido contrário. Deixou Inharrime, na província de Inhambane, na quinta-feira, rumo à África do Sul, seu local de trabalho. Confessa ter partido e deixado saudades da família. “Sinto saudades da família, mas agora preciso ir trabalhar, para sustentar a família e a minha mãe”.

Atravessar a fronteira é parte do ganha-pão de António Nhone: é transportador. Encontrámo-lo no guichê do serviço de migração para carimbar o passaporte. Vem de Muxúngue, região centro de Moçambique e leva concidadãos cujo destino é a África do Sul. “Por enquanto está tudo bem, a viagem correu bem, dormimos em Madendere, viajamos bem até chegar aqui. Não houve nenhum problema e esperamos chegar à África do Sul sem problemas”.

São histórias de moçambicanos que cruzaram nesta Sexta-feira Santa a fronteira de Ressano Garcia, fazendo parte das estatísticas do serviço de migração, segundo avança Juca Bata, porta-voz da Direcção Provincial de Migração da Província de Maputo.

“Nas últimas vinte e quatro horas, nos quatro postos de fronteira entraram 4462 viajantes e saíram 1768 viajantes totalizando 6230, contra 5318 registados em igual período do ano passado. Representando um aumento em 12%. Portanto, só na fronteira de Ressano Garcia entraram 3696 pessoas e 1444 saíram totalizando 5140 viajantes”, esclareceu o Porta-voz da Direcção Provincial de Migração em Maputo.

E o aumento do movimento migratório é motivado, em parte, pelo levantamento das medidas restritivas contra COVID-19 pela África do Sul, bem como pelo facto de a fronteira funcionar 24 horas por dia. E o cenário a descrever na fronteira de Ressano Garcia é de total calma.

O Ministério da Saúde (MISAU) notificou, hoje, a infecção de mais dois cidadãos moçambicanos pelo Coronavírus. A instituição avançou, ainda, que outras 11 pessoas ficaram livres da doença. Assim, o país conta com um total de 225.316 contagiados e 223.071 recuperados da pandemia viral.

No período em referência, a nível nacional, a Taxa de Positividade e a Taxa de Positividade Acumulada, nas últimas 24 horas, situaram-se em 0.27% e 17.26%, respectivamente.

Com os recuperados hoje anunciados, o número de casos activos reduziu para 41.

“Entretanto, no período em referência, nenhum paciente teve alta hospitalar. Também, nenhum paciente foi hospitalizado (04 pacientes permanecem nos CICOV e em outras Unidades Sanitárias do Pais”, refere o MISAU.

Segundo a instituição, não houve, ainda, registo de mortes pela pandemia viral, mantendo-se o total de 2.200 óbitos pela doença viral.

Há fraco movimento nos mercados para a compra de produtos para o dia da páscoa e, este ano, alguns supermercados não estão a vender artigos relacionados com a efeméride. Já os clientes justificam o facto com elevado custo de vida.

A semana é santa, mas a sua santidade não se estende à procura por produtos para o dia da páscoa que é fraca nos mercados e lojas da Cidade de Maputo. “Não há muitas pessoas que vêm comprar. Eu acho que estão mais interessadas em ir à igreja, uma vez que hoje é Sexta-Feira Santa”, indicou Nora Tembe, vendedeira no mercado Malanga, na Cidade de Maputo, secundada por sua colega do Fajardo, Cristina: “O negócio não está a correr como devia ser. Não temos clientes e viemos aqui, apenas para sentar. Desde que arrumei a banca, não tive sequer uma quinhenta”.

No entanto, nem sempre foi assim. O ano de 2022, não obstante o relaxamento das medidas de prevenção, não deixa de ser atípico para o negócio. “Nos anos passados, nas sextas-feiras santas, o negócio andava e havia dinheiro, mas este ano não há dinheiro”, disse Regina Nhati, vendedeira na Malanga.

E não há dinheiro para um custo de vida que tende a subir a cada dia que passa. “No mês passado, por exemplo, um litro de óleo nacional vendia a 150 Meticais e, neste momento, está a 180, subiu em um mês, ou seja, um Metical por dia. As pessoas não podem aguentar. O salário não sobe, mas a vida está a tornar-se cara”, exemplificou Issufo, comerciante no Mercado Central de Maputo.

A vida torna-se cara, os produtos seguem a mesma tendência e as lojas vão abandonando o negócio dos artigos de páscoa. “Nesta época da páscoa, eu vendia artigos relacionados com a páscoa, nomeadamente, ovos da páscoa, amêndoas e outras coisas, mas este ano nem me preocupei em ter essas coisas, porque, no ano passado, não se vendeu e jogamos fora”, contou Issufo.

Ainda que o custo de vida esteja elevado, páscoa é páscoa e há que celebrar o momento que significa “perdão, compreensão. Sem perdão, não estaremos a fazer nada. A páscoa é perdão, paciência. A vida está cara, mas temos que viver”, declarou Mariana Mondlane, munícipe.

Ângela, confeiteira, foi ao mercado para comprar de que vai precisar para satisfazer os pedidos de clientes, mas não é só isso. “As pessoas encomendaram os bolos e esses dias são de muito negócio. Por coincidência, sou madrinha, então estarei na festa de baptismo”, revelou Ângela.

Com este fraco movimento, os mercados vão funcionar no horário normal. “O mercado vai funcionar normalmente. Vai fechar na hora habitual que é das 17h e aos sábados vai dar continuidade, domingo e até lá. Desde ontem, estamos a receber muitos produtos no mercado, porque a África do Sul vai fechar as fronteiras e, provavelmente, os carros podem voltar a entrar na quinta-feira. Então, quem quiser pode vir comprar e os produtos estão disponíveis a bom preço”, avançou Efraim Manhique, chefe do Mercado Fajardo, na Cidade de Maputo.

 

O prognóstico do Instituto Nacional de Meteorologia ( INAM), para esta sexta-feira santa, aponta para  ocorrência de calor intenso, com temperaturas máximas  a variarem de 25 a 36 graus, e possibilidade de queda de chuvas em alguns pontos do país.

Assim, as cidades de Maputo, Xai-xai, Inhambane e Vilankulo poderão registar máximas de 35, 33, 32 e 30 graus Celsius, e mínimas de 22,24,25 e 25, respectivamente.

Para as cidades da zona centro do país, Beira,Chimoio, Tete e Quelimane, a previsão é de máximas a atingirem 32, 31,36 e 33 e mínimas de 25,20,23 e 26 graus, respectivamente.

Já para a cidades na região nortenha de Moçambique, prevêem-se máximas de  33,21 e 25 e mínimas de 20,24 e 14 graus Celsius, respectivamente.

Amanhã é sexta-feira santa. E para os Cristãos é o dia em que Jesus Cristo será crucificado. Há dois anos que os crentes vivem esta data fora da igreja, mas este ano voltam a juntar-se, mas com restrições. E as igrejas preparam-se para receber seus crentes.

Na igreja Assembleia de Deus da Baixa, o grupo coral encontrava-se na tarde desta quinta-feira nos últimos acertos, para garantir que tudo saia perfeito, naquele que é considerado um dos maiores eventos religiosos: a morte e ressurreição de Cristo.

Segundo o pastor da igreja, Ricardo Maro a semana Santa não pode ser vista como um momento de tristeza, pelo contrário, deve ser celebrada a vitória, pois Cristo ressuscitou e hoje se encontra à direita do Pai, como já previam as escrituras.

“Nesta semana nós lembramos do sofrimento, mas celebrando a Vitória de Cristo porque ele venceu a morte, ele venceu na cruz do calvário, então é uma semana que celebramos a morte e ressurreição de Cristo”, explicou o pastor.

Depois de dois anos, os crentes poderão juntar-se nas igrejas, mas num contexto em que as restrições impostas pela pandemia da COVID-19 continuam, e para a igreja Assembleia de Deus da Baixa, que antes recebia 800 crentes por culto, desta vez espera-se receber entre 250 a 300 fiéis, por cada missa.

Já na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, Sé Catedral, da Igreja Católica a solenidade da morte de Cristo, terá lugar às 15 horas, no sábado viver-se-á a Vigília Pascal e os baptismos e no domingo será o dia de Páscoa, que é o dia da ressurreição de cristo, como explicou Amâncio Nguluve, Secretário do Conselho Pastoral daquela igreja.

E a euforia dos crentes, conforme partilhou, este ano é maior “porque muitos fiéis estão ávidos por passar este momento com outros irmãos, nos anos passados cada um passava em sua casa, mas com esta abertura que tivemos há espaço para estarmos todos em comunhão, mas respeitando as medidas restritivas”.

A antiga directora do Trabalho Migratório desconhece o contrato de 9.2 milhões de Meticais assinado entre o INEFP e a empresa Construções Ku Yaka. Anastácia Zita diz que só conhece o acordo para a construção de um centro de formação profissional em Malema, província de Nampula, avaliado em cinco milhões de Meticais pagos pela Direcção do Trabalho Migratório (DTM).

Ontem, foi o terceiro e último dia da semana a ser ouvida a ré Anastácia Zita, antiga directora do Trabalho Migratório. A sessão da produção de provas estava reservada aos questionamentos do Ministério Público e da defesa, mas acabou sendo de perguntas de insistência por parte da juíza do caso Evandra Uamusse para esclarecer algumas pontas soltas.

Por exemplo, a meritíssima quis saber, ao detalhe, do tipo de contrato que a DTM celebrou com empresa Construções Ku Yaka, no valor de cinco milhões de Meticais e pergunta por si colocada, foi esta:

“Consta dos autos que entre a DTM, representada pela ré Anastácia Zita, e a empresa Construções Ku Yaka, representada pelo réu Sheng Zhang, foi celebrado um contrato datado de 06 de Maio de 2014, cujo objecto era a construção do centro de formação profissional de Malema-Nampula (bloco oficinal). Reconhece o contrato e a assinatura?”, questionou Evandra Uamusse.

A ré escutou, ajeitou-se na cadeira e confirmou os factos a si imputados. “Sim, meritíssima, reconheço o contrato e a assinatura. O mesmo foi elaborado como conforto para DTM e serviu como justificativa do valor de cinco milhões de Meticais que havia sido desembolsado pela DTM como comparticipação na obra de construção do bloco oficinal de Malema, cujo contrato principal foi celebrado com o INEFP. A DTM comparticipou no âmbito da promoção do emprego, uma vez que o INEFP tem uma percentagem dos valores da contratação da mão-de-obra estrageira”, esclareceu a ré Anastácia Zita, antiga directora do Trabalho Migratório.

Só que além dos cinco milhões de Meticais transferidos das contas da DTM para pagar a dívida do INEFP com a Construções Ku Yaka, houve mais transferências para a última empresa e sobre este assunto a ré não tem muitos detalhes.

A propósito deste facto, consta dos autos, como contextualizou a juíza do caso, que no dia 22 de Agosto de 2014, foi celebrado um contrato entre o INEFP e a Ku Yaka cujo preço foi fixado em nove 9.9 milhões de Meticais para o pagamento da dívida com esta última empresa.

E eis a pergunta que se seguiu: “Que dívida o INEFP tinha à data em que foram transferidos para a conta da empresa Construções Ku Yaka quando esta celebrou o contrato passados três meses após pagamento?”, interrogou, Evandra Uamusse.

Sobre esta questão, a ré não deu muitos detalhes. “Meritíssima, não posso precisar por ser uma matéria exclusiva do INEFP e não me recordo quando é que iniciou a construção de Malema, muito menos quantos contratos foram celebrados pelo INEFP com a Ku Yaka. Porque a DTM cumpriu e pagou nos termos solicitados pela Direcção Provincial de Nampula, entidade que tutela e fiscaliza todas as actividades do Ministério do Trabalho em Nampula”, justificou, Anastácia Zita.

De resto, na sessão de produção da prova desta quinta-feira, o Tribunal voltou a confrontar a ré com vários contratos assinados entre si e empresas de prestação de serviços sem visto do Tribunal Administrativo. Aliás, grande parte dos acordos nunca chegaram a existir.

Juíza: Consta dos autos que entre Ministério do Trabalho, representado pela ré Anastácia Zita e Vetagris Agropecuária e Serviços, representado pelo réu Hermenegildo Nhatave, foram celebrados contratos de fornecimento de bens e serviços, cujo preço fixado é de 7.9 milhões de Meticais. A DTM celebrou contrato com a empresa Vetagris Agro-pecuária e Serviços?

Ré: Não celebrou, meritíssima. Este contrato surgiu no âmbito da regularização de processos à semelhança do caso da empresa Bela Eventos, cujo contrato foi de 6.2 milhões de Meticais.

A ré não recorda, ainda, se o pedido de dois milhões de Meticais feito à ministra do Trabalho para aquisição de bens e materiais que compõem dois projectos não contemplados em termos orçamentais nos seleccionados para financiamento foram tiveram o aval do Ministério das Finanças.

A audição retoma na próxima terça-feira com o Ministério Público e os advogados a colocarem as questões à ré Anastácia Zita.

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