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O País – A verdade como notícia

A União Europeia (UE) quer injectar, este ano, cerca de 65 milhões de euros para projetos de desenvolvimento em Cabo Delgado. A informação foi avançada, ontem, pelo embaixador da Organização, António Sánchez-Benedito Gaspar, em Maputo.

Numa altura em que o país possuiu cerca de 800 mil deslocados, provocados pelo terrorismo em Cabo Delgado, a União Europeia (UE) continua firme no apoio financeiro para projectos de desenvolvimento da província.

“Só para este ano, temos de aplicar 65 milhões de euros para acções de desenvolvimento do norte, para assuntos ligados ao apoio à resiliência, infra-estruturas, água e outros programas que já estão a ser formulados”, referiu o embaixador da União Europeia, António Sánchez-Benedito Gaspar.

António Sánchez-Benedito Gaspar avançou, também, que os projectos visados ainda estão a ser preparados, junto ao Governo e à Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN).

Esta ajuda financeira faz parte de um pacote mais vasto de apoio ao desenvolvimento de Moçambique para o período 2021-2027.

Estão previstos 428 milhões de euros para os primeiros quatro anos e há três pilares: paz e estabilidade, apoio à emancipação dos jovens e estratégia crescendo verde, que visa impulsionar a transição energética e preservar o ambiente.

No caso da região sob ameaça terrorista, a ajuda financeira ao desenvolvimento será aplicada com base num estudo intitulado “Estratégia de Resiliência e Desenvolvimento Integrado do Norte (ERDIN)”, elaborado pela União Europeia (EU), Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Banco Mundial, Organização das Nações Unidas (ONU) e o Governo.

No final de 2021, a ADIN apresentou a ERDIN e referiu que seria remetida para aprovação pelo Conselho de Ministros.

Além das verbas para apoio ao desenvolvimento, a União Europeia tem outro dossiê financeiro em que está a apoiar o país com 89 milhões de euros em equipamento militar (não bélico) e a suportar as despesas de uma missão de treino militar durante dois anos (2021-2023) para fazer face à insurgência armada.

A província de Cabo Delgado é rica em gás natural, mas aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.

Desde julho de 2021, uma ofensiva das tropas governamentais com o apoio do Ruanda a que se juntou depois a SADC permitiu recuperar zonas onde havia presença de rebeldes, mas a fuga destes tem provocado novos ataques noutros distritos usados como passagem ou refúgio temporário.

A Associação dos Transportadores da Beira (ATABE) anunciou que, a partir do dia 30 deste mês, vai começar a aplicar uma nova tarifa, mesmo sem o aval das assembleias municipal e provincial. A ATABE alegou a subida constante do preço dos combustíveis e altos custos operacionais.

“A nossa actividade deixou de ser rentável. Ela é insustentável neste momento, por isso, a partir do dia 30 deste mês, a tarifa dos transportes públicos urbanos para uma distância de até 10 quilómetros passará a custar 15 Meticais e, para distâncias acima de 10 quilómetros, os preços vão variar de 18 a 25 Meticais. Para os transportes inter-distritais, o agravamento da tarifa é de 10 Meticais por cada 10 quilómetros contra cinco Meticais dentro da cidade”, explicou Américo Mussicuane, presidente da ATABE.

Mussicuane explicou, ainda, que a sua agremiação decidiu passar a aplicar a nova tarifa dentro de 15 dias. Mesmo sem o aval das assembleias municipal e provincial, porque “entendemos que o Governo tem estado a ignorar as nossas sugestões desde Janeiro deste ano e a última actualização da tarifa foi em 2018. Desde meados de 2021, temos estado a solicitar o reajuste da tarifa. Contudo, desde que as propostas foram submetidas pela última vez, no início deste ano, não tivemos resposta das autoridades. Portanto, ‘quem cala consente’, segundo um velho ditado”.

O Conselho Municipal da Beira, através da sua vereação dos transportes, já reagiu ao anúncio unilateral da subida da tarifa do “chapa”, no Chiveve, a partir do dia 30 deste mês, por mais cinco Meticais em todas as 26 rotas da urbe, por parte dos transportadores semi-colectivo de passageiros.

“Nós não vamos permitir tal subida de preço, mas também não estamos a dizer que o diálogo pára por aqui. Já que chamaram os órgãos de comunicação para falar sobre este assunto, achamos que seja algo que os apoquenta. As portas do Município [da Beira] não estão vedadas à ATABE. Queremos advertir os transportadores para que não tomem este posicionamento. A existência dos semi-colectivos depende dos munícipes. Não podemos crucificar a já crucificada vida dos mesmos, devido ao elevado custo de vida com nova tarifa aplicada de forma unilateral”, disse Flora Impula, vereadora para a área dos transportes no Município da Beira, para depois acrescentar que “a Assembleia Municipal vai debater a proposta, dialogar com os munícipes e, no fim, encontrar a melhor tarifa a aplicar para o bem de todos”.

A edilidade explicou que, realmente, a ATABE submeteu um ofício, há cerca de três meses, com propostas das novas taxas e pediu aos seus associados para não pressionarem a edilidade e que, sobretudo, tivessem paciência.

“A proposta continha erros reconhecidos pelos mesmos que, felizmente, já foram corrigidos. Neste momento, a proposta já foi analisada ao nível do executivo e enviada à Assembleia Municipal. Dada a pertinência do assunto, acreditamos que será marcada, para breve, uma sessão extraordinária para debater e a ATABE, certamente, será convidada. O consenso que será alcançado na sessão ditará a nova tarifa na Beira e a sua entrada em vigo”, concluiu Flora Impula.

O prognóstico do Instituto Nacional de Meteorologia ( INAM), para esta quarta-feira , aponta para  ocorrência de tempo fresco. A cidade Tete poderá registar a temperatura mais elevada de hoje, de  32 graus.

Assim, as cidades de Maputo, Xai-xai, Inhambane e Vilankulo poderão registar máximas de 31, 28, 27 e 27 graus Celsius, e mínimas de 18,18,22 e 19, respectivamente.

Para as cidades da zona centro do país, Beira,Chimoio, Tete e Quelimane, a previsão é de máximas a atingirem 27, 25, 32 e 28 e mínimas de 20,14,19 e 19 graus, respectivamente.

Já para a cidades na região nortenha de Moçambique, prevêem-se máximas de  28,30 e 23 e mínimas de 18,22 e 9 graus Celsius, respectivamente.

Há passeios reabilitados a menos de cinco anos que já se apresentam em estado de degradação, na Cidade de Maputo. O facto é despoletado 24 horas depois de a Ordem dos Engenheiros ter apontado a má formação e corrupção, como parte das causas da baixa qualidade das obras públicas. No entanto, a Edilidade garante que os passeios em reabilitação, na Guerra Popular, vão durar mais tempo.

Embora os passeios das avenidas Mao Tsé Tung, Felipe Samuel Magaia e 24 de Julho, reabilitados há cerca de cinco anos, tendam a degradar-se, a edilidade está, neste momento, a restaurar vias como as avenidas Guerra Popular, do Trabalho e Julius Nyerere, que, durante vários anos, não eram intervencionadas de vulto.

O director para a Área de infra-estruturas no Conselho Municipal da Cidade de Maputo, Saturnino Chembezi, garante que, neste caso, o cenário será diferente.

“Nós esperamos que, nos próximos dez anos, havendo boa conservação, manutenção e bom uso por parte de todos, não tenhamos problemas nesta obra. Poderá haver uma e outra intervenção pontual”, referiu o gestor.

Ao longo da Avenida Guerra Popular, os comerciantes aplaudem a iniciativa, porém falam de redução de clientes devido ao bloqueio das entradas das lojas, o que prejudica os seus negócios, tal como José Matsinhe, que apresenta soluções.

“As obras deviam decorrer no período nocturno, pois há redução da circulação de pessoas e viaturas”, explicou o comerciante.

Enquanto a Guerra Popular ganha novo rosto, nas avenidas Mao Tsé Tung, Felipe Samuel Magaia e 24 de Julhos, há buracos e até formação de crateras, o que preocupa os munícipes desta autarquia.

Baptista José trabalha na Cidade de Maputo há mais de cinco anos e presenciou a reabilitação dos passeios em alguns pontos da urbe, por isso, ao ver as condições actuais, lamenta.

“Os passeios não levaram sequer um ano em bom estado. Imediatamente, começaram a degradar-se. Há buracos por toda a parte. Alguns de tão grandes que são, em dias de chuva, acumulam água e dificultam a circulação das pessoas”, disse José.

A situação repete-se na Avenida 24 de Julho, onde a edilidade “mexeu”, igualmente, nos passeios centrais. Nesta via, encontramos Helder Macie que, para além de lamentar, questiona a qualidade dos empreiteiros.

“Vamos atirar a culpa aos empreiteiros que, ao receber os fundos, adquirem material de baixa qualidade”, disse.

Aliás, a questão dos empreiteiros foi levantada pelos ministros das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Carlos Mesquita, e da Indústria e Comércio, Silvino Moreno, que falavam, segunda-feira, num encontro entre os engenheiros e o Chefe de Estado, no âmbito da comemoração dos 20 anos da Ordem dos Engenheiros, tendo defendido que a falta do licenciamento dos empreiteiros e a existência de universidades com laboratórios antiquados estão na origem da má qualidade das obras públicas.

Por sua vez, a edilidade, através do director para a área de infra-estruturas no Conselho Municipal da Cidade de Maputo, Saturnino Chembezi, disse desconhecer as causas da degradação precoce dos passeios em alusão.

“Não tenho todo o conhecimento necessário para justificar a degradação das obras em dois ou três anos. Deve ter havido alguma coisa que, obviamente, correu mal e poderá ser investigada ou avaliada”, justificou Chembezi.

As obras de reabilitação dos passeios laterais e centrais, na Avenida Guerra Popular, em curso desde Janeiro do presente ano, estão orçadas em mais de 600 milhões de Meticais e incluem sistemas de drenagem e saneamento. A sua conclusão está prevista para o fim do corrente ano. 

O único matadouro da cidade de Inhambane, onde era processada a carne que alimenta boa parte das famílias, existe desde 1964. Mas, a imundície que se vivia ali denunciada pelo “O País” levou a Inspecção Nacional de Actividades Económicas a encerrar o estabelecimento.

Dias depois, o Conselho Municipal de Inhambane decidiu pela sua demolição, por entender que a infra-estrutura não tinha condições para operar.

Enquanto isso, já começa a faltar carne bovina na cidade de Inhambane. Em alguns talhos por onde “O País” passou, a realidade é notável. Aliás, num dos estabelecimentos, o que ficou são apenas os ossos que restaram do último animal que receberam há mais de uma semana.

Segundo contaram ao “O País”, desde que o matadouro foi encerrado, os talhos pararam de receber carne bovina e, com isso, o negócio parou.

O negócio parou, mas o que não param são as contas por pagar, contas de um negócio que há duas semanas não dá dinheiro.

Exemplo dessas contas por pagar são os salários dos trabalhadores, os encargos fiscais, o custo de energia e água. “Estamos a pagar tudo isso, mas não temos dinheiro, e isso já está a ficar pesado para nós, como operadores”, acrescentou Armando Dombas, proprietário de um dos talhos.

E porque não há produção, os operadores ainda tentaram buscar novas saídas para conseguir a carne, que não são, entretanto, seguras nem economicamente viáveis.

Uma dessas saídas é abater animais no distrito de Panda, onde existe um matadouro industrial em funcionamento, mas dista a cerca de 90 km da cidade de Inhambane, o que poderia encarecer ainda mais a carne, com os custos de combustível e também a falta de condições de transporte, devido às estradas precárias.

Recorde-se que há cerca de oito dias, o edil de Inhambane disse que estava na fase conclusiva a construção de um novo matadouro na cidade de Inhambane, que deveria entrar em funcionamento dentro de três semanas.

O novo matadouro de Inhambane custou cerca de 4,6 milhões de Meticais, dinheiro disponibilizado pelo Banco de Moçambique, no âmbito do reassentamento de famílias para a construção da Praça do Metical.

 

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê temperatura fresca, céu nublado, ocorrência de chuvas fracas e vento em algumas capitais provinciais do país.

Na região centro, as urbes da Beira, Chimoio, Tete e Quelimane poderão registar temperaturas máximas de 27, 21, 31 e 36 e mínimas e 20, 14, 20 e  19  graus Celsius, respectivamente.

As cidades de Nampula, Pemba e Lichinga, no norte do país, poderão atingir temperaturas máximas de 27, 30 e  21 e  mínimas de 19, 21 e 9 graus, respectivamente.

Para as cidades de Maputo, Xai-Xai, Inhambane e Vilankulo, no sul do país, prevêem-se máximas de 26,27,26 e 28 e mínimas de 17, 19, 20 e 18 graus Celsius, respectivamente.

Cinco por cento dos medicamentos que entram no país são de baixa qualidade e falsificados, facto que pode causar diversas doenças e, em casos mais graves, levar à morte, principalmente de crianças.

Outros dados, apresentados esta segunda-feira pelo ministro da Saúde, Armindo Tiago, indicam que, em 2014, Moçambique ocupou a sexta posição, numa avaliação feita a 14 países africanos sobre a contrafação de fármacos.

Do universo de 550 milhões de medicamentos contrafeitos apreendidos, 3,3% eram de Moçambique.

“De acordo com os dados do Sistema de Monitoria e Vigilância Global, do qual Moçambique é membro, foram reportados, em todos os continentes, casos de medicamentos falsificados e África foi o mais afectado com 42% das notificações”, disse Tiago, acrescentando que, nos países em desenvolvimento, um em cada 10 medicamentos é de baixa qualidade.

No país, os antibióticos, estimulantes sexuais e fármacos usados no tratamento para COVID-19 são os mais falsificados e, conforme avançou Tiago, para além de causar danos à saúde, os medicamentos falsos e de baixa qualidade causam desperdício financeiro.

Isso porque “por se investir em produtos que não funcionam para o doente e que propiciam o rendimento de redes criminosas através do branqueamento de capitais e subsídio a actividades clandestinas, corruptas e criando um sistema de atentado público”, detalhou o governante.

A situação preocupa, não só as autoridades governamentais, como também outras. Como forma de evitar que medicamentos falsos entrem cada vez mais no país, o Governo, em parceria com a USAID e outros parceiros, disponibilizaram um total de oito dispositivos que vão permitir analisar a autenticidade dos fármacos, ou seja, saber se são ou não falsos e a sua qualidade.

Trata-se de um equipamento portátil e que, segundo a Presidente do Conselho Administrativo da Autoridade Nacional Reguladora do Medicamento (ANARME), Tânia Vuyeya, “vai oferecer à ANARME condições e mecanismos de triagem rápido, simples e económico, para identificar equipamentos de baixa qualidade e falsificados em circulação no território nacional”.

Os dispositivos doados estão orçados em cerca de 150 mil dólares e estarão nos pontos de entrada de medicamentos do país. Com o instrumento, a PCA da ANARME acredita que haverá garantia de que os produtos farmacêuticos em circulação no país serão de qualidade, seguros e eficazes.

A Ordem dos Engenheiros considera que há escolas e hospitais que constituem um perigo à vida, devido a irregularidades de construção. A ordem defende que a situação é facilitada pela proliferação de universidades de engenharia sem qualidade no país. Os posicionamentos foram deixados, hoje, durante um encontro com o Presidente da República.

Num ano em que a Ordem dos Engenheiros completa 20 anos de existência, o Presidente da República reuniu, na Ponta Vermelha, a classe para falar dos desafios das diversas áreas ligadas à engenharia. Para o vice-presidente da ordem, os problemas que se vivem hoje partem da academia. “Temos a universidade que o senhor Presidente bem conhece (UEM), se for lá visitar, verá que há equipamentos novos, mas não são usados por falta de uma pequena peça. O que acontece é que os estudantes estudam sem a componente prática e engenharia não se ensina com teorias e equações”, introduziu Alberto Tsamba, vice-presidente da ordem para quem o Estado não está a apostar na área da docência, o que está a influenciar na qualidade dos profissionais que saem da academia.

“Os docentes que existem nessas faculdades são pessoas que não tinham emprego. O Governo investe na formação de docentes no exterior e, quando eles voltam, já não servem à educação, porque o mesmo Executivo os nomeia PCA. Nós temos que ter a honestidade de dizer a certos indivíduos que não servem como formadores, sendo que devem procurar outro emprego”, precisou.

O Bastonário da Ordem dos Engenheiros foi mais profundo, criticando o que chamou de falsos engenheiros e exigiu do Estado maior regulamentação da área de engenharia para impedir que o país esteja a ser prejudicado pelos maus empreiteiros.

“TEMOS QUE EVITAR QUE O DINHEIRO PÚBLICO SEJA ATIRADO FORA”, BASTONÁRIO DA OEM

“Temos que regular esta área de engenharia, senhor Presidente, principalmente nesta componente de obras públicas. Temos que evitar que o dinheiro público seja atirado fora”, iniciou Feliciano Dias, para, em seguida, acusar as ONG de apadrinharem, no seu entender, a má qualidade de algumas obras.

“Muitas vezes, elas não querem saber sobre as matrizes de projectos de construção existentes no país nas áreas de educação e saúde e impõem um modelo de construção que não se adequa para o local. Há escolas primárias e centros de saúde que são extremamente perigosos, porque a sua construção não obedeceu a regras. Por isso, quando há ciclones, os tectos não suportam e destapam as casas. Temos também o problema do copy and past. O que construímos em Maputo, queremos copiar para a cidade da Beira e Quelimane. Mas os solos de Maputo são diferentes dos que existem nessas duas cidades. Os solos de Quelimane e Beira são argilosos e os lençóis freáticos muito altos precisamos de sapatas maiores e, se a sapata não responder a essa exigência desse tipo de solo, esse edifício irá sofrer”, defendeu.

“HÁ AQUI A PROLIFERAÇÃO DE VENDA DE DIPLOMAS”, DIZ DIAS

Para a ordem, há proliferação de universidades que têm cursos de engenharia, mas de qualidade não tem quase nada. “Temos 26 instituições que leccionam cursos de engenharia no país, atrevo-me a dizer que isto é muito para a população que temos. Temos que redimensionar o ensino de engenharia. A Austrália tem 13 universidades, a África do Sul tem também o mesmo número e nós temos 26. Há aqui a proliferação de venda de diplomas e precisamos de ter cuidado com isso, senhor Presidente”, terminou.

 

MESQUITA FICOU ASSUSTADO COM ANTIGUIDADE DE EQUIPAMENTOS NO LABORATÓRIO DE ENGENHARIA

Carlos Mesquita, ministro das Obras Públicas, interveio no encontro e lançou duras críticas, tendo avançado que o assunto de obras públicas é sensível, tendo apontado fragilidades até internas. “A minha primeira visita, como ministro das Obras Públicas, foi ao Laboratório de Engenharia de Moçambique. Falamos muito de qualidade e vemos esse componente como produto final, mas isso começa quando estamos a desenvolver projectos. Onde está o Laboratório de Engenharia? Confesso que fiquei por muito tempo esquecido. Na minha visita, encontrei 80% dos mesmos materiais que usei como estudante em 1983. Hoje em dia, os empreiteiros já têm laboratórios móveis. E se calhar o nosso laboratório nem sabe interpretar aquelas máquinas ou usar aquele equipamento”, iniciou o dirigente.

Mesquita queixou-se da desonestidade e falta de seriedade de alguns empreiteiros que os chamou de “lobistas”.

“Há duas semanas, fizemos uma amostra de 144 empreiteiros, aqui da Cidade de Maputo. Deste número, 77 decidiu-se que a solução era de fazer cassação da licença, pois não estavam devidamente documentados, nem tinham recursos humanos qualificados. Os restantes do universo serão sancionados por várias irregularidades. Se na capital estamos assim, como vamos pedir qualidade no centro e no norte. O que funciona aqui é ‘lobismo’. Temos consultores que não têm experiência nenhuma e trabalham em obras. Não têm biblioteca, nem cultura de leitura. Outrossim, temos que discutir sobre a qualidade dos materiais que entram no país. Como é que eles entram no nosso território, quem faz a aprovação, quem fiscaliza as características do projecto? Temos que trabalhar juntos para melhorar essa situação”, defendeu Mesquita.

MORENO DIZ HAVER FALTA DE RIGOR NA ATRIBUIÇÃO DE LICENÇAS

Para Silvino Moreno, ministro da Indústria e Comércio, que fez parte do primeiro elenco da Ordem dos Engenheiros, defendeu que o problema das obras públicas provém, em parte, da falta de rigor no licenciamento de empreiteiros.

“O problema dos empreiteiros parte do tipo de licença que nós concedemos. Não há rigor no processo de licenciamento dos empreiteiros. A escolha de empreiteiros que existe é derivada do nosso sistema de licenciamento para a constituição de empresas de construção civil. 80 por cento das empresas existentes em Nampula, onde trabalhei por muito tempo, não têm técnicos qualificados de construção civil, não falo de engenheiros, mas de técnicos que são os mesmos que são usados pelas ONG para a construção de infra-estruturas”.

NYUSI DEFENDE COMBATE À CORRUPÇÃO COMO UMA ARMA PARA ACABAR COM DESMANDOS NA ÁREA

Já no fim, o Presidente da República, que também é membro 521 da Ordem dos Engenheiros, reconheceu os problemas apontados e defendeu que a corrupção é um mal a combater na área.

“Temos que trabalhar na qualidade dos materiais. Não podemos negligenciar essa componente. Temos que aprimorar a questão da fiscalização, para saber melhor distribuir as tarefas. Esqueceram-se da componente corrupção, porque, mesmo que queiramos melhorar os procedimentos, enquanto houver corruptos, eles irão ganhar concursos através de esquemas. Entendemos que a corrupção reduz a questão da qualidade das nossas infra-estruturas”, finalizou o Chefe de Estado.

Os presentes defenderam, ainda, incentivos à investigação e uso das riquezas nacionais para impulsionar a industrialização do país.

Lembre-se que a Ordem dos Engenheiros tem 5 500 membros, entre nacionais e estrangeiros.

 

Quatro indivíduos, dos quais um membro das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FDAM) e um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM), encontram-se detidos, na Província de Maputo, acusados de burla e assalto à mão armada. 

Depois do trabalho, na noite da última sexta-feira, no Zimpeto, Wilson Maibasse e o seu amigo enfrentaram dificuldades para regressar à casa no bairro Boquisso. Devido à falta de transporte, os dois pediram boleia num “minibus”, no qual se faziam transportar um membro das FADM, um agente da PRM, afecto à Unidade de Protecção de Altas Individualidades e dois civis.

Durante o percurso, um dos quatro indivíduos que deram boleia aos jovens anunciou um assalto com recurso a uma arma de fogo do tipo pistola, supostamente da PRM. Wilson Maibasse conta que perdeu cerca de 130 mil Meticais e vários pertences, entre os quais telemóveis que usava para efectuar as transacções electrónicas de dinheiro.

“Um tirou arma e aquele que estava ao meu lado levou porrada e saiu do carro. Eu fiquei ali e um que tinha usado chapéu me pegou pelo pescoço e os outros levaram tudo o que estava nos meus bolsos, e foi quando me tiraram do carro”, contou Wilson Maibasse, uma das vítimas do referido assalto.

Os indiciados negam o seu envolvimento no crime, mas o agente da PRM alega que estava no “minibus” a convite do primo para um passeio que culminaria com uma visita a um familiar no bairro Boquisso. O cidadão admitiu que a pistola é sua, mas não soube explicar por que razão levou uma arma de serviço para o local do assalto.

“Resumindo, eu não vejo a necessidade de eles dizerem que tiramos arma, se nós éramos cinco e eles eram dois. Será que não podíamos conseguir assaltá-los sem arma?”, questionou o agente da PRM para depois negar a prática do crime: “Nós não os assaltamos, não assaltamos ninguém.”

O outro jovem é membro das FADM e está ainda em processo de formação numa das unidades militares do país. Ele é primo do agente da PRM implicado no mesmo caso e não consegue explicar o motivo pelo qual caiu no mundo do crime.

“Vocês, que dizem que roubamos dinheiro, viram-nos com o tal valor? Não roubei nenhum dinheiro. Estou sem palavras, porque não roubei nenhum dinheiro”, também refutou o membro das FADM.

Henrique Mendes, porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), na Província de Maputo, esclarece as circunstâncias em que os suspeitos foram detidos. “Uma das vítimas fez uma fotografia da viatura através de um dos telemóveis que estava ainda na posse de uma delas. A foto ilustrava as características laterais da viatura usada para o crime e foi possível identificá-la, no dia seguinte, estacionada algures nas bombas de abastecimento de combustível. O SERNIC posicionou-se no local à espera de um dos proprietários aproximar-se e foi a partir daí que se deu seguimento do caso até à identificação dos indivíduos (referindo-se aos supostos assaltantes).”

Ainda no SERNIC, na Província de Maputo, foram apresentadas duas viaturas, sendo uma camioneta roubada na Matola e outro veículo ligeiro roubado na África do Sul, encontrado numa residência abandonada em Boane, segundo as autoridades.

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