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O País – A verdade como notícia

Vão passar de 16 para 24 os projectos activos a serem financiados e implementados pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento (USAID) na província da Zambézia, nos próximos cinco anos. O destaque vai para as áreas da saúde, agricultura, água e saneamento, resiliência à fome crónica e educação primária. Serão aplicados pouco mais de 50 milhões de dólares.

Para o efeito, decorreu, hoje, um encontro de revisão da carteira de projectos financiados pela USAID na Zambézia. A directora do Departamento de Programas da USAID em Moçambique, Kristin Ray, fez saber que a entrada de novas iniciativas na província sai da estratégia quinquenal da organização, aprovada em 2020.

A referida estratégia visa fazer com que o país esteja preparado para o futuro, sendo que a USAID vai contribuir para um Moçambique pacífico, próspero e saudável, onde os cidadãos se beneficiam de maiores investimentos.

“Como podem ver, estes objectivos estão ligados com o programa quinquenal do Governo de Moçambique, o qual enfatiza a qualidade de vida dos moçambicanos, redução da pobreza, desigualdade, criação de emprego e um ambiente de paz e de tranquilidade”, disse a directora do Departamento de Programas, tendo apontado, de seguida, três objectivos da estratégia.

O primeiro é ter moçambicanos mais saudáveis e com melhor educação, com especial enfoque para os jovens vulneráveis. O segundo, que visa o crescimento económico diversificado e inclusivo, abrange a democracia e governação. O terceiro e último é melhor resiliência para as populações vulneráveis aos principais choques, desde desastres naturais, mudanças climáticas, conflitos, terrorismo, até pandemias.

Este terceiro objectivo abrange, ainda, as áreas de segurança alimentar, água e saneamento, recursos naturais, resistência ao conflito e violência extrema, bem como preparação para os desastres naturais.

“Não obstante a similaridade da estratégia com a dos anos anteriores, podemos notar algumas diferenças. A nova estratégia está centrada no Centro e Norte de Moçambique, com ênfase na construção de resiliência a choques e crises que, ao longo dos últimos anos, têm atacado, com mais frequência e severidade, a prosperidade do país. Esta estratégia também inclui maior empenho na igualdade do género e no desenvolvimento positivo da juventude”, referiu Kristian Ray, para quem, além disso, o crescimento económico diversificado e inclusivo baseado no sistema de gestão financeira pública, construído sobre princípios de transparência e responsabilidade, serve como eixo estratégico.

O encontro em referência serviu para o governador Pio Matos solicitar intervenção robusta na reconstrução da província pós-Gombe, para reduzir o sofrimento das famílias afectadas que ainda se ressentem dos efeitos daquela intempérie.

“Queremos manifestar o nosso sentimento de gratidão à USAID, que prontamente disponibilizou recursos e meios para socorrer a população e diminuir o impacto das calamidades. Queremos, ainda, continuar a contar com o apoio cada vez mais robusto das nossas parcerias e cooperação nesta fase de reconstrução pós-ciclone, juntado desafio de reconstrução com o do desenvolvimento”, afirmou o governador da Zambézia.

Sobre o assunto, a directora do Departamento de Programas diz que a USAID está a investir mais de dois  milhões de dólares nas províncias da Zambézia e Nampula, para assistência alimentar e recuperação agrícola. Segundo explicou, em função das necessidades, o financiamento em causa pode crescer.

No encontro de revisão de carteira de projectos financiados pela USAID, estão os quadros do Governo e vários parceiros de cooperação.

Será feito, em uma semana, um desvio provisório no rio Mutacaze, em Nampula, para permitir a travessia de pessoas e bens, enquanto decorrem os trabalhos de reposição da ponte metálica que vão durar cerca de dois meses. A garantia foi feita, terça-feira, pelo ministro das Obras Públicas que também anunciou, para finais deste semestre, a asfaltagem da estrada Nametil-Angoche.

Cerca de um mês depois da passagem do ciclone Gombe, na província de Nampula, a travessia pelo rio Mutacaze ainda está condicionada em resultado do desabamento da ponte metálica. A população é obrigada a atravessar o rio pelo seu leito, uma vez que o caudal está muito baixo, o que não possibilita a circulação de embarcações a motor e canoas. O ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Carlos Mesquita, viajou para a província de Nampula de modo a perceber de perto a situação e dar uma informação concreta do que está a ser feito para repor a transitabilidade.

Falando aos jornalistas, Mesquita avançou que os trabalhos de reposição da ponte metálica vão durar cerca de 60 dias e, enquanto isso, será feito um desvio no rio para garantir a travessia provisória de pessoas e viaturas.

“Os trabalhos estão em curso e a descida das águas no rio Mutacaze leva-nos a acreditar que, dentro de uma semana, poderemos ter uma passagem alternativa”, garantiu, tendo justificado que os materiais para permitir a construção desse aterro estão a menos de três quilómetros do local dos acontecimentos.

Na Semana Santa que este ano coincide com o mês do Ramadão, Mesquita foi católico ao anunciar a boa nova há muito esperada – a asfaltagem da estrada Nametil-Angoche, numa extensão de 100 km.

“O trabalho está a ser feito para a reabilitação desta estrada Nametil-Angoche. Ainda no final do primeiro semestre deste ano, podemos lançar o concurso para garantir a continuação da estrada que foi alcatroada de Nampula até Nametil e, agora, temos o projecto Nametil-Angoche, que é uma iniciativa de que já vínhamos falando e também o financiamento já está assegurado”, garantiu.

Ainda esta terça-feira, o governante foi ao distrito de Malema onde decorrem trabalhos de asfaltagem do troço Malema-Cuamba, uma empreitada que, desde o mandato do Presidente Guebuza, nunca foi concluída. Inicialmente, esteve com um empreiteiro português que foi afastado da obra por incumprimento de prazos e foi adjudicado a um empreiteiro chinês.

“Está a decorrer, agora, a asfaltagem de cerca de 10 km a partir de Malema em direcção a Cuamba. Depois, vamos ter um troço de cerca de 35 km que vai ligar onde termina esta asfaltagem, até à ligação com outro troço que vai a Cuamba. Estamos em negociações com a União Europeia que é para ver se conseguimos buscar os fundos necessários para fazer a parte remanescente dos 35 km”, referiu Carlos Mesquita.

Depois de na semana passada Polim Nhapossa ter sido julgado por violação, ontem, o jovem de 19 anos, que confessou o crime, voltou a sentar-se no banco dos réus para ouvir o veredito final. David Foloco, juiz da causa, entendeu que o arguido agiu conscientemente e não sob efeito de álcool como se alegou durante o julgamento.

O jovem, lê-se na sentença, deverá cumprir 10 anos de prisão maior e ainda indemnizar a vítima no valor de 10 mil Meticais por danos não patrimoniais, além de ter de pagar todas as taxas e impostos referentes ao processo. Segundo referiu o juiz, pelo crime de que Polim Nhapossa é acusado, a moldura penal é de 16 a 20 anos de prisão maior, mas David Foloco decidiu pela redução extraordinária da pena, pois, segundo explicou o magistrado, a lei abre espaço para a redução extraordinária da pena, em casos cujos arguidos sejam menores de 21 anos de idade.

Recorde-se que o episódio ocorreu em Outubro do ano passado, quando Polim Nhapossa violou uma menina de 10 anos.

Em sede de julgamento, ele contou que tudo começou depois de sair de um bar onde estava a consumir bebidas alcoólicas. Por volta das 15 horas, quando saiu do local, cruzou-se com a menor e foi daí que teve a ideia de a violar.

Polim contou também ao Tribunal Judicial de Inhambane que conduziu a menina para uma casa abandonada perto do local em que estava, para, de seguida, mostrar à menor um vídeo através do seu celular.

Depois de verem o vídeo, o réu obrigou a vítima que fizesse o mesmo que acabavam de ver. “Eu mostrei o vídeo, depois baixei minhas calças e mandei a ela imitar o que aparecia no vídeo, ela não negou, mas depois colocou-se a chorar”, disse o arguido diante do tribunal.

Mesmo com a insistência do Ministério Público, o arguido disse que não usou a força para obrigar a menor, “ela imitou o que se fazia no vídeo e depois começou a chorar. Em seguida, eu mandei-a para casa. E, já a caminho da minha casa, cruzei-me com amigos, foi quando a menina apareceu com o pai e me apontou”, explicou.

A VERSÃO DA MENOR

A menina contou ao tribunal que estava a voltar da casa da amiga por volta das 18 horas quando tudo começou. Ela contou que o agressor também estava na referida casa. Sucede que, já a caminho de casa, o violador seguiu-a e levou-a à força para uma casa abandonada. Lá, segundo a vítima, o agressor ter-lhe-ia dito que queria manter relações íntimas e ela recusou. Segundo contou, foi agredida e até ameaçada de morte e o violador segurou-a pelo pescoço para forçá-la a manter relações íntimas.

A vítima contou ainda que, não satisfeito com a acção, a exigiu que tirasse roupa íntima. O pior só não aconteceu porque a menor teria gritado e os gritos foram ouvidos por uma senhora que passava pelas proximidades. Vendo a movimentação, o implicado pôs-se em fuga.

Como forma de escapar da Justiça, a mãe da vítima contou que Polim quis oferecer dois mil Meticais e um celular para que o caso não fosse levado à Polícia.

Já a advogada de defesa entende que a Justiça não significa aplicar penas pesadas. Isva Victorino realçou o argumento de que, à data dos factos, o arguido estava muito embriagado, e por isso, não gostava das suas plenas faculdades mentais.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê temperatura fresca  para esta quarta-feira. Entretanto, a instituição alerta para a concorrência de de chuvas, trovoadas e neblinas em algumas urbes do país.

Em graus Celsius, as cidades da Beira, Chimoio, Tete e Quelimane  têm  temperaturas máximas de 30,29, 33 e 24 e mínimas de 22, 19, 24 e 24, respectivamente.

Para as cidades de Maputo,  Xai-Xai  e Inhambane e Vilankulo prevêem-se máximas de 34, 36, 33 e 31 e mínimas de 20, 23, 24 e 23 graus, respectivamente.

Em Pemba, Lichinga e Nampula esperam-se máximas de 32,29 e 25 e mínimas de 23, 23 e  14 graus, respectivamente.

A antiga directora do Trabalho Migratório disse, hoje, em Tribunal, que a instituição usou de forma indevida 45 milhões de Meticais das contribuições dos mineiros para o pagamento de bens e serviços, depois de o Ministério das Finanças ter retido 91 milhões de Meticais de que a DTM precisava para as suas actividades.

É a última ré do caso de desvio de mais de 113 milhões de Meticais da Direcção do Trabalho Migratório. Chama-se Anastácia Zita e, à altura dos factos, era directora do pelouro. Das várias contas que aquela instituição detém, a arguida está na extensa lista dos assinantes e foi daí que a juíza Evandra Uamusse quis saber a quem competia solicitar a abertura de contas.

“As unidades orgânicas, na qualidade de operadoras, havendo necessidade, podem solicitar a autorização da ministra para a abertura de contas”, respondeu Anastácia Zita. A juíza prosseguiu: “quem propõe os assinantes de contas bancárias na DTM?” E a antiga directora do Trabalho Migratório esclareceu: “A entidade superior indica as pessoas que possam ser assinantes das contas em função das ocupações que desempenham e a direcção formaliza a proposta para autorização do ministro”, disse para em seguida acrescentar que a sua assinatura como directora era obrigatória, mas tinha, também, a dos co-réus José Monjane, Pedro Taimo, Sidónio dos Anjos e outros.

Sucede que, entre 2012 e 2014, a DTM não canalizava, na totalidade, à Recebedoria da Fazenda do 1º bairro fiscal a receita resultante da colecta de taxas de contratação da mão-de-obra estrangeira, sendo que tal valor foi usado para atender às necessidades da própria direcção, o que suscitou mais questionamentos.

“A DTM comunicou a Recebedoria da Fazenda sobre a não canalização na totalidade da receita nalguns meses?”, indagou a juíza da causa e, de imediato, teve a resposta da ré Anastácia Zita: “Houve uma comunicação por ofício assinado por sua excelência ministra (ré Helena Taipo) dirigida ao ministro das Finanças na altura dos factos”.

Das várias contas, prosseguiu a juíza com a contextualização, “consta dos autos que foi retirada da conta 53956348 um valor global de 45 milhões de Meticais e dado um destino alheio à sua finalidade” e culminou com mais uma pergunta: “Por que utilizaram os fundos provenientes desta conta para aquisição de bens e prestação de serviços?”

“As necessidades pelas quais esta conta foi usada são derivadas de dois factores. O primeiro é que foi usada em forma de adiantamento para responder a uma situação de crise que se verificava no âmbito do pagamento deferido, cujos valores adiantados foram reembolsados, integrados e enviados à Conta Única do Tesouro”, expôs Anastácia Zita, antiga directora do Trabalho Migratório.

E continuou, “o segundo factor é que, no âmbito da contratação da mão-de-obra estrangeira, temos direito a 40% das receitas colectadas. Esse valor deve ser consignado à DTM e foi comunicado pelas Finanças que correspondia a um montante de 91 milhões de Meticais. É um valor que é da DTM por direito”, mas nisto tudo havia um problema. O Ministério das Finanças reteve o valor “e não mais foi consignado, deixando a DTM com actividades iniciadas e em curso sem a necessária cobertura orçamental. Foi então que a saída encontrada para suportar as despesas foi o recurso à conta das taxas de mão-de-obra estrangeira”.

À luz da lei de 1964, os ex-mineiros e/ou seus dependentes não receberam, entre 2013 e 2014, mais de 68 milhões de Meticais, e tal não aconteceu porque o dinheiro foi alocado às outras actividades do Ministério do Trabalho para a realização, segundo as palavras da ré, de algumas despesas do próprio mineiro lideradas pela própria DTM.

Outro dinheiro dos mineiros foi usado para suportar a delegação da MWFP (Empresa sul-africana que gere os mineiros), que esteve no país, para uma série de eventos em 2013. Além de custear a estadia da delegação em Moçambique, houve assinatura de contratos para prestação de serviços.

Juíza Evandra Uamusse contextualizou e questionou: “Consta dos autos que foi celebrado um contrato de fornecimento de serviços, de mais de seis milhões de Meticais, entre o Ministério do Trabalho e Bela Eventos, cujo objecto consistia no fornecimento de serviços de cobertura de evento da previdência social dos trabalhadores das minas e/ou seus dependentes. Qual foi a modalidade de contratação para estes serviços?”

Ré Anastácia Zita reagiu: “A modalidade aplicada foi de ajuste directo”. E a juíza insistiu: O Ministério do Trabalho chegou a celebrar o contrato com a Bela Eventos?” E a ré negou este facto: “Não! O contrato surge depois, no âmbito da regularização do processo inicial, porque os serviços haviam sido prestados sem contrato”, mas também reconheceu que a foi ela quem assinou o contrato e que a proposta do mesmo foi elaborado pelo co-réu José Monjane.    

Mas este não é o único contrato que passou sem visto do Tribunal Administrativo. Há uma suposta casa de Helena Taipo construída com o dinheiro da Direcção do Trabalho Migratório, mas, antes, há que contextualizar.

“Consta dos autos que entre a ré Anastácia e a empresa Construções Ku Yaka foi celebrado um contrato, no valor de cinco milhões de Meticais, cujo objecto é a construção de um centro de formação profissional em Malema, província de Nampula, bloco oficinal. Este contrato existe?”

Ré Anastácia Zita respondeu: “O contrato existe como um meio de justificação do valor pago à empresa no âmbito da comparticipação da DTM na reabilitação do centro, uma vez que o contrato principal foi celebrado com o INEFP”, clarificou Anastácia Zita e sublinhou que o contrato era de cinco milhões de Meticais.

Juíza Evandra Uamusse perguntou: “Consta dos autos das declarações dos co-réus Sheng e Dalila Lalgy que o valor de cinco milhões de Meticais era para o pagamento de uma dependência de dois quartos no bairro Muhavire, província de Nampula. O que tem a dizer?”

Ré Anastácia Zita respondeu: “Eu desconheço, por completo. É uma realidade diferente da que consta dos documentos na posse da DTM.”

E esta quarta-feira, continua a audição a Anastácia Zita, antiga directora do Trabalho Migratório. A juíza é quem vai continuar a interrogar e seguir-se-ão outros agentes processuais.

O Tribunal Judicial da Cidade de Maputo ouviu, hoje, três dos 11 arguidos do caso “dívidas ocultas” que terão adquirido bens com dinheiro de subornos. Entretanto, os advogados dizem que a discussão sobre o arresto é ilegal por ser extemporâneo.

A audição acontece depois de vários adiamentos motivados por incompreensões nos processos e, muito recentemente, foi travado por um processo de suspensão contra o Juiz Efigénio Baptista, levantado por dois advogados, nomeadamente Jaime Sunda e Salvador Nkamate, o qual o Tribunal Supremo chumbou, permitindo, assim, a continuidade do processo de arresto de bens.

Nesta terça-feira (12), o Juiz do processo querela 18/2019-C, Efigénio Baptista, ouviu os réus António Carlos do Rosário, Ângela Leão e Maria Inês Moiane.

O processo é movido pelo Ministério Público que pretende que o Tribunal cative todos os bens dos réus supostamente adquiridos com dinheiro de subornos, para que revertam a favor do Estado, em caso de condenação.

No fim da audição, a defesa de Ângela Leão rebateu os argumentos do Ministério Público, alegando que houve vários vícios ao longo do processo, pelo que pede que o mesmo seja revogado.

“Este pedido de arresto apresentado pelo Ministério Público é, de certa forma, extemporâneo, porque o julgamento estava previsto para terminar em Dezembro de 2021, mas o pedido só foi feito no mês de Fevereiro de 2022. A questão que se coloca é: se não tivesse havida a recalendarização do julgamento, quando é que o Ministério Público poderia apresentar este pedido?”, questionou Damião Cumbana, advogado da ré Ângela Leão, tendo acrescentado que “veja que até a semana passada, vimos recebendo documentos de prova, que procuram sustentar um pedido que já foi decretado faz tempo”.

Apesar do questionamento, o advogado diz que o facto não veda que o seu constituinte seja responsabilizado.

“Quando se levanta a providência, não significa extinção do direito que assiste o Ministério Público de requerer a responsabilização cível dos réus ou ir atrás dos bens ou recursos que possam levar os bens a ressarcir o Estado”, realça Cumbana.

“Nós insistimos que todo este processo tenha de observar aquilo que a lei preconiza e com agravante de a entidade que está a requerer estas diligências seja exactamente o fiscal da legalidade. O Ministério Público deve ser o exemplo”, reiterou Damião Cumbana.

Os mesmos argumentos foram apresentados pela defesa dos réus António Carlos de Rosário e Maria Inês Moiane. Isálcio Mahanjane falou de manobras do Tribunal para dar continuidade a um processo ilegal.

“Sendo uma acção dependente de acção cível, que foi proposta fora do prazo, esta providência não devia ter mérito. Vimos aqui o Tribunal tentando ver se desviava, porque, pelo pedido cível, está claro que a providência não pode ter uma sorte adversa do levantamento e vamos percebendo algumas aparentes manobras para tentar mudar o curso das coisas”, explicou Isálcio Mahanjane.

A audição aos 11 réus vai continuar no Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, e prevê-se que sejam ouvidos, esta quarta-feira (13), os réus Gregório Leão, Renato Matusse, Bruno Langa e Teófilo Nhangumele. Na quinta-feira, serão ouvidos os réus Ndambe Guebuza, Cipriano Mutota, Salvador Mabunda e Zulficar Ahmad.

Da lista dos bens a serem arrestados constam 59 imóveis, algumas parcelas de terra, viaturas e outros bens, dos quais a maior parte pertence ao antigo director de Inteligência Económica do SISE, António Carlos do Rosário.

As organizações da sociedade civil temem que a Lei de Conteúdo Local beneficie apenas as multinacionais em detrimento do empresariado nacional. Num debate sobre a indústria extractiva, que contou com intervenientes do sector público e privado, a sociedade civil defendeu que os empresários moçambicanos devem ter prioridade no acesso a oportunidades de prestação de serviços.

Desde 2014 que está em debate a proposta de Lei de Conteúdo Local, um instrumento que visa assegurar que o empresariado e mão-de-obra nacional tirem benefícios da exploração de recursos naturais no país.

Refira-se que a indústria extractiva é, actualmente, um dos sectores bem-sucedidos da economia moçambicana, destacando-se pelo seu contributo para o Produto Interno Bruto nacional.

Passados quase oito anos, mantém-se a preocupação pela fraca participação dos empresários moçambicanos nos projectos, por isso o Centro de Integridade Pública (CIP) volta a alertar que o mercado só é favorável às multinacionais.

“Esta lei, que está há muito tempo à espera de ser aprovada, pode servir para viabilizar os empresários que só querem ganhar rendas sem fazer nada. Esta lei deve criar mecanismos para forçar que os empresários sejam produtivos e criem produtos locais em benefício dos moçambicanos”, afirmou o director do CIP, Edson Cortez.

Segundo Cortez, os dirigentes devem evitar constrangimentos com possível implementação da Lei de Conteúdo Local. “Não podemos entrar numa lógica de empresários que levem esta lei para se aliar a estrangeiros que vão obter os ganhos sobre a capa de que são estrangeiros”, acrescentou.

O que se sabe até ao momento é que o empresariado nacional depende de financiamentos para se impor nos investimentos visados, o que constitui um desafio para o Instituto Nacional do Petróleo (INP).

“Isso tem a ver com aquilo que é a estrutura das próprias empresas referente ao conhecimento do próprio sector, ao ciclo do procurement. O sector de petróleo e gás é de capital intensivo e a participação de qualquer empresa envolve altos custos”, avançou Natália Camba, do INP.

Por seu turno, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) diz que a indústria extractiva não funciona apenas com fundos locais, pelo que há necessidade de valorizar o empresariado nacional.

“Não podemos pensar que o sector extractivo pode avançar só com fundos que o país detém, mas sim de financiamento estrangeiro e devemos valorizar muito o que é produzido por empresas nacionais. Há necessidade de alcançarmos os níveis ideais de participação nos grandes investimentos”, defendeu Simoni Santi, do pelouro dos Recursos Naturais e Energia da CTA.

Os intervenientes falavam, esta terça-feira, à margem de um debate que o CIP organizou sobre o conteúdo local nos projectos de gás em Moçambique.

A Lei de Conteúdo Local impõe que 5 a 20% do capital social da empresa concessionária deve ser reservado para a participação de pessoas públicas e privadas nacionais, incluindo uma componente free carry e outra de alienação, através da Bolsa de Valores de Moçambique para pessoas singulares.

Quatro cidadãos foram detidos esta segunda-feira, na Cidade de Maputo, quando, disfarçados de agentes de uma empresa de segurança privada, tentavam levantar mais de três milhões de Meticais numa firma de produção de sabão e óleo.

Dos quatro cidadãos detidos, três são antigos agentes de uma empresa de segurança, que presta serviços à firma na qual pretendiam levantar o valor, e o outro é motorista de outra empresa de segurança privada.

O plano era fazerem-se passar por agentes de segurança no activo, irem à empresa levantar o valor e saírem como se de uma acção legítima se tratasse.

“Para isso, falamos com esse colega que é motorista de uma empresa de segurança privada, ele ia conduzir e emprestar-nos o carro, e como o carro não era da empresa que costuma levantar dinheiro lá, arranjamos autocolantes com o timbre e imprimimos para colar no carro e fechar as descrições da outra empresa, para fazer-lhes pensar que a actividade era como de costume”, explicou um dos indiciados.

Além de sobreporem autocolantes por cima da identificação da viatura, os indiciados procuraram uniformes e falsificaram documentos, fazendo-se passar por agentes no activo, para enganar a empresa de sabão e óleo.

“Como já trabalhamos lá, sabíamos a hora e como fazer o levantamento do valor. Para nós, isso era fácil, por isso achamos que fôssemos conseguir, mas, infelizmente, deu no que deu e estamos aqui”, lamentou outro detido.

Segundo o porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM), na Cidade de Maputo, Leonel Muchina, quando os proprietários da empresa descobriram a farsa no momento da entrega dos valores, chamaram imediatamente às autoridades policiais.

“Pesam sobre estes indivíduos os crimes de associação para delinquir e falsificação de documentos. É uma situação que consideramos gravosa, há uma premeditação que se pode ver e valeu mesmo a atenção dos gestores dessa empresa”, explicou o porta-voz.

A PRM diz estar a levar a cabo uma investigação para saber se há ou não envolvimento de agentes de segurança no activo, que tenham facilitado a operação.

Refira-se que os agentes ora detidos foram expulsos há mais de seis anos por terem desviado, durante o trabalho, dinheiro de empresas em que prestavam serviço.

Mais cinco pessoas, entre os quais um cidadão estrangeiro, testaram positivo para a COVID-19 nas últimas 24 horas, segundo dados divulgados esta terça-feira pelo Ministério da Saúde (MISAU).

Os resultados, segundo o MISAU, foram extraídos de um universo de 934 amostras suspeitas testadas no referido período. “Três casos são indivíduos do sexo feminino (60%) e dois, do sexo masculino (40%)”, esclarece. Trata-se de indivíduos com idades entre 21 e 44 anos.

Em Moçambique existe um cumulativo de 225.301 casos positivos, dos quais 224.932 resultantes de transmissão local e 369 importados. Actualmente existem 39 casos activos da COVID-19.

Há, também, registo de 11 recuperados da COVID-19, sendo oito na cidade de Maputo e três na província com o mesmo nome. Entretanto, no mesmo período, não houve alta, nem novo internamento, permanecendo quatro pacientes em leito hospitalar.

“Desde o anúncio do primeiro caso de COVID-19, em Moçambique, em Março de 2020, já foram hospitalizadas, no nosso país, 8.511 pessoas, em resultado desta doença”, refere a Saúde.

O país continua sem notificar óbitos causados pela COVID-19. Deste modo, mantém-se em 2.200 o cumulativo de mortes causadas pelo vírus.

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