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O País – A verdade como notícia

A Ordem dos Engenheiros considera que há escolas e hospitais que constituem um perigo à vida, devido a irregularidades de construção. A ordem defende que a situação é facilitada pela proliferação de universidades de engenharia sem qualidade no país. Os posicionamentos foram deixados, hoje, durante um encontro com o Presidente da República.

Num ano em que a Ordem dos Engenheiros completa 20 anos de existência, o Presidente da República reuniu, na Ponta Vermelha, a classe para falar dos desafios das diversas áreas ligadas à engenharia. Para o vice-presidente da ordem, os problemas que se vivem hoje partem da academia. “Temos a universidade que o senhor Presidente bem conhece (UEM), se for lá visitar, verá que há equipamentos novos, mas não são usados por falta de uma pequena peça. O que acontece é que os estudantes estudam sem a componente prática e engenharia não se ensina com teorias e equações”, introduziu Alberto Tsamba, vice-presidente da ordem para quem o Estado não está a apostar na área da docência, o que está a influenciar na qualidade dos profissionais que saem da academia.

“Os docentes que existem nessas faculdades são pessoas que não tinham emprego. O Governo investe na formação de docentes no exterior e, quando eles voltam, já não servem à educação, porque o mesmo Executivo os nomeia PCA. Nós temos que ter a honestidade de dizer a certos indivíduos que não servem como formadores, sendo que devem procurar outro emprego”, precisou.

O Bastonário da Ordem dos Engenheiros foi mais profundo, criticando o que chamou de falsos engenheiros e exigiu do Estado maior regulamentação da área de engenharia para impedir que o país esteja a ser prejudicado pelos maus empreiteiros.

“TEMOS QUE EVITAR QUE O DINHEIRO PÚBLICO SEJA ATIRADO FORA”, BASTONÁRIO DA OEM

“Temos que regular esta área de engenharia, senhor Presidente, principalmente nesta componente de obras públicas. Temos que evitar que o dinheiro público seja atirado fora”, iniciou Feliciano Dias, para, em seguida, acusar as ONG de apadrinharem, no seu entender, a má qualidade de algumas obras.

“Muitas vezes, elas não querem saber sobre as matrizes de projectos de construção existentes no país nas áreas de educação e saúde e impõem um modelo de construção que não se adequa para o local. Há escolas primárias e centros de saúde que são extremamente perigosos, porque a sua construção não obedeceu a regras. Por isso, quando há ciclones, os tectos não suportam e destapam as casas. Temos também o problema do copy and past. O que construímos em Maputo, queremos copiar para a cidade da Beira e Quelimane. Mas os solos de Maputo são diferentes dos que existem nessas duas cidades. Os solos de Quelimane e Beira são argilosos e os lençóis freáticos muito altos precisamos de sapatas maiores e, se a sapata não responder a essa exigência desse tipo de solo, esse edifício irá sofrer”, defendeu.

“HÁ AQUI A PROLIFERAÇÃO DE VENDA DE DIPLOMAS”, DIZ DIAS

Para a ordem, há proliferação de universidades que têm cursos de engenharia, mas de qualidade não tem quase nada. “Temos 26 instituições que leccionam cursos de engenharia no país, atrevo-me a dizer que isto é muito para a população que temos. Temos que redimensionar o ensino de engenharia. A Austrália tem 13 universidades, a África do Sul tem também o mesmo número e nós temos 26. Há aqui a proliferação de venda de diplomas e precisamos de ter cuidado com isso, senhor Presidente”, terminou.

 

MESQUITA FICOU ASSUSTADO COM ANTIGUIDADE DE EQUIPAMENTOS NO LABORATÓRIO DE ENGENHARIA

Carlos Mesquita, ministro das Obras Públicas, interveio no encontro e lançou duras críticas, tendo avançado que o assunto de obras públicas é sensível, tendo apontado fragilidades até internas. “A minha primeira visita, como ministro das Obras Públicas, foi ao Laboratório de Engenharia de Moçambique. Falamos muito de qualidade e vemos esse componente como produto final, mas isso começa quando estamos a desenvolver projectos. Onde está o Laboratório de Engenharia? Confesso que fiquei por muito tempo esquecido. Na minha visita, encontrei 80% dos mesmos materiais que usei como estudante em 1983. Hoje em dia, os empreiteiros já têm laboratórios móveis. E se calhar o nosso laboratório nem sabe interpretar aquelas máquinas ou usar aquele equipamento”, iniciou o dirigente.

Mesquita queixou-se da desonestidade e falta de seriedade de alguns empreiteiros que os chamou de “lobistas”.

“Há duas semanas, fizemos uma amostra de 144 empreiteiros, aqui da Cidade de Maputo. Deste número, 77 decidiu-se que a solução era de fazer cassação da licença, pois não estavam devidamente documentados, nem tinham recursos humanos qualificados. Os restantes do universo serão sancionados por várias irregularidades. Se na capital estamos assim, como vamos pedir qualidade no centro e no norte. O que funciona aqui é ‘lobismo’. Temos consultores que não têm experiência nenhuma e trabalham em obras. Não têm biblioteca, nem cultura de leitura. Outrossim, temos que discutir sobre a qualidade dos materiais que entram no país. Como é que eles entram no nosso território, quem faz a aprovação, quem fiscaliza as características do projecto? Temos que trabalhar juntos para melhorar essa situação”, defendeu Mesquita.

MORENO DIZ HAVER FALTA DE RIGOR NA ATRIBUIÇÃO DE LICENÇAS

Para Silvino Moreno, ministro da Indústria e Comércio, que fez parte do primeiro elenco da Ordem dos Engenheiros, defendeu que o problema das obras públicas provém, em parte, da falta de rigor no licenciamento de empreiteiros.

“O problema dos empreiteiros parte do tipo de licença que nós concedemos. Não há rigor no processo de licenciamento dos empreiteiros. A escolha de empreiteiros que existe é derivada do nosso sistema de licenciamento para a constituição de empresas de construção civil. 80 por cento das empresas existentes em Nampula, onde trabalhei por muito tempo, não têm técnicos qualificados de construção civil, não falo de engenheiros, mas de técnicos que são os mesmos que são usados pelas ONG para a construção de infra-estruturas”.

NYUSI DEFENDE COMBATE À CORRUPÇÃO COMO UMA ARMA PARA ACABAR COM DESMANDOS NA ÁREA

Já no fim, o Presidente da República, que também é membro 521 da Ordem dos Engenheiros, reconheceu os problemas apontados e defendeu que a corrupção é um mal a combater na área.

“Temos que trabalhar na qualidade dos materiais. Não podemos negligenciar essa componente. Temos que aprimorar a questão da fiscalização, para saber melhor distribuir as tarefas. Esqueceram-se da componente corrupção, porque, mesmo que queiramos melhorar os procedimentos, enquanto houver corruptos, eles irão ganhar concursos através de esquemas. Entendemos que a corrupção reduz a questão da qualidade das nossas infra-estruturas”, finalizou o Chefe de Estado.

Os presentes defenderam, ainda, incentivos à investigação e uso das riquezas nacionais para impulsionar a industrialização do país.

Lembre-se que a Ordem dos Engenheiros tem 5 500 membros, entre nacionais e estrangeiros.

 

Quatro indivíduos, dos quais um membro das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FDAM) e um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM), encontram-se detidos, na Província de Maputo, acusados de burla e assalto à mão armada. 

Depois do trabalho, na noite da última sexta-feira, no Zimpeto, Wilson Maibasse e o seu amigo enfrentaram dificuldades para regressar à casa no bairro Boquisso. Devido à falta de transporte, os dois pediram boleia num “minibus”, no qual se faziam transportar um membro das FADM, um agente da PRM, afecto à Unidade de Protecção de Altas Individualidades e dois civis.

Durante o percurso, um dos quatro indivíduos que deram boleia aos jovens anunciou um assalto com recurso a uma arma de fogo do tipo pistola, supostamente da PRM. Wilson Maibasse conta que perdeu cerca de 130 mil Meticais e vários pertences, entre os quais telemóveis que usava para efectuar as transacções electrónicas de dinheiro.

“Um tirou arma e aquele que estava ao meu lado levou porrada e saiu do carro. Eu fiquei ali e um que tinha usado chapéu me pegou pelo pescoço e os outros levaram tudo o que estava nos meus bolsos, e foi quando me tiraram do carro”, contou Wilson Maibasse, uma das vítimas do referido assalto.

Os indiciados negam o seu envolvimento no crime, mas o agente da PRM alega que estava no “minibus” a convite do primo para um passeio que culminaria com uma visita a um familiar no bairro Boquisso. O cidadão admitiu que a pistola é sua, mas não soube explicar por que razão levou uma arma de serviço para o local do assalto.

“Resumindo, eu não vejo a necessidade de eles dizerem que tiramos arma, se nós éramos cinco e eles eram dois. Será que não podíamos conseguir assaltá-los sem arma?”, questionou o agente da PRM para depois negar a prática do crime: “Nós não os assaltamos, não assaltamos ninguém.”

O outro jovem é membro das FADM e está ainda em processo de formação numa das unidades militares do país. Ele é primo do agente da PRM implicado no mesmo caso e não consegue explicar o motivo pelo qual caiu no mundo do crime.

“Vocês, que dizem que roubamos dinheiro, viram-nos com o tal valor? Não roubei nenhum dinheiro. Estou sem palavras, porque não roubei nenhum dinheiro”, também refutou o membro das FADM.

Henrique Mendes, porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), na Província de Maputo, esclarece as circunstâncias em que os suspeitos foram detidos. “Uma das vítimas fez uma fotografia da viatura através de um dos telemóveis que estava ainda na posse de uma delas. A foto ilustrava as características laterais da viatura usada para o crime e foi possível identificá-la, no dia seguinte, estacionada algures nas bombas de abastecimento de combustível. O SERNIC posicionou-se no local à espera de um dos proprietários aproximar-se e foi a partir daí que se deu seguimento do caso até à identificação dos indivíduos (referindo-se aos supostos assaltantes).”

Ainda no SERNIC, na Província de Maputo, foram apresentadas duas viaturas, sendo uma camioneta roubada na Matola e outro veículo ligeiro roubado na África do Sul, encontrado numa residência abandonada em Boane, segundo as autoridades.

Seis anos depois de ter fracassado a implementação do Bus Rapid Transit (BRT), que prevê faixas exclusivas para autocarros de transportes públicos, a iniciativa volta a ser resgatada. Segundo a Agência Metropolitana de Transportes de Maputo, as obras poderão iniciar em 2023, sendo que, em 2024, o projecto poderá entrar em funcionamento.

Boa nova para os munícipes da Cidade e Província de Maputo. É que tudo indica que o velho projecto BRT será ressuscitado. Trata-se de uma iniciativa que prevê a criação de faixas exclusivas para autocarros articulados de transporte público, como forma de garantir maior mobilidade na região metropolitana de Maputo.

Mas, por agora, recuemos para onde tudo começou. Estávamos em 2014, quando pela primeira vez, os moçambicanos foram informados sobre o Bus Rapid Transit (BRT). No mesmo ano, até foi apresentado o Estudo de Viabilidade do projecto e apresentadas as rotas.

A primeira partiria da Praça dos Trabalhadores, na baixa da Cidade, usando a Avenida Guerra Popular, passando pela Acordos de Lusaka, até à Praça do Heróis, passando pela Avenida das FPLM até à Praça dos Combatentes, tomando a Julius Nyerere até à Praça de Magoanine.

Essa linha teria uma ramificação que partiria da baixa da Cidade, tomando a Eduardo Mondlane, até à zona do Museu. Nessas rotas, seriam alocados 78 autocarros articulados, veículos maiores aos que circulam normalmente na Cidade de Maputo, com 160 lugares cada.

A segunda linha partiria também da baixa, seguindo pela Avenida de Moçambique, até Zimpeto. Para esta linha, estavam previstos 120 autocarros, igualmente com 160 lugares cada.

 

PROJECTO APRESENTADO AOS MOÇAMBICANOS EM 2014

Na altura, João Matlombe, então vereador dos Transportes no Município de Maputo, detalhou que o projecto estava orçado em 100 milhões de dólares, valor que incluía as melhorias nas infra-estruturas de estrada e outras complementares e a compra dos autocarros. “Teríamos depósitos para recolha dos autocarros, uma área de manutenção. Também inclui três terminais na baixa, uma na Missão e outra na zona do Zimpeto. O projecto tem cerca de 29 estações e inclui todo o sistema de bilhética electrónica”, detalhou Matlombe.

A ideia, na altura, era que o projecto iniciasse em Dezembro de 2014 e fosse concluído em 2016. Em Setembro de 2014, os técnicos da brasileira Odebrecht até fizeram estudos geotécnicos das estradas abrangidas.

Todo o trabalho de engenharia, construção e compra dos autocarros seriam financiados pelo Governo brasileiro. Mas essa promessa não foi cumprida, naquele ano. Em 2016, aquela que havia sido transformada numa das maiores bandeiras do segundo mandato de David Simango voltou à ribalta. Em Fevereiro daquele ano, a edilidade até se reuniu com os moradores do distrito municipal KaMavota, onde mais de 300 famílias seriam reassentadas para permitir o arranque dos trabalhos.

 

OPERAÇÃO LAVA JATO TRAVOU ARRANQUE DO PROJECTO EM 2016

Esperava-se que, em 2016, finalmente as obras começassem. Entretanto, no dia 11 de Outubro do mesmo ano, o Brasil anunciou a suspensão de financiamento de 4.7 biliões de dólares para 25 projectos de obras públicas em países da América e África, inclusive Moçambique, depois de irregularidades desvendadas pela mega-operação Lava Jato. A investigação apurou que a Odebrecht pagou subornos a moçambicanos, na altura não identificados, avaliados em 900 mil dólares, entre 2011 e 2014, para supostamente ganhar concursos públicos.

Face a esse cenário de incertezas, o financiamento brasileiro caiu por terra. Sucede que, deste 2016 a esta parte, o projecto desandou e volta, agora, a ser ressuscitado, seis anos depois, não pelas mãos do Município de Maputo, mas pela Agência Metropolitana de Transportes de Maputo.

 

AMT CONVIDA EMPRESÁRIOS A CONHECEREM PROJECTO

A nossa reportagem teve a primeira informação, através de um anúncio publicado na passada quinta-feira, em que a Agência Metropolitana de Transportes (AMT) convida empresas licitantes, isto é, interessadas em fornecer serviços ao projecto para que possam participar de uma reunião virtual.

No referido documento, lê-se: “A Agência Metropolitana de Transportes de Maputo, os Municípios de Maputo e da Matola estão a preparar o Projecto de Mobilidade Urbana da Área Metropolitana de Maputo a ser financiado pela Agência Internacional de Desenvolvimento (IDA) do Banco Mundial. O objectivo do projecto é melhorar a mobilidade e a acessibilidade ao longo do corredor seleccionado na área metropolitana de Maputo.”

O documento detalha as áreas onde há oportunidades para as empresas nacionais.

“Componente 1 – Assistência técnica através do reforço institucional e regulamentar dos transportes urbanos e profissionalização do sector dos transportes públicos. Componente 2 – Melhoria abrangente dos transportes públicos, sendo que esta componente financiará o primeiro Corredor de Autocarro de Trânsito Rápido (BRT), que integra melhorias nas infra-estruturas, gestão de tráfego, tecnologias digitais e gestão de operações. O corredor principal (BRT) compreende um núcleo segregado de 19 km que se estende desde a baixa, no centro da Cidade de Maputo, via Praça da Juventude em Magoanine, até à rotunda de Missão Roque em Zimpeto. Sendo que inclui: a) Construção e supervisão da infra-estrutura BRT e instalações associadas nos corredores seleccionados BRT e alimentadores; b) Meios circulantes BRT, sendo que o projecto financiará a aquisição dos primeiros 120 autocarros; c) Sistemas digitais BRT através do apoio à digitalização dos principais processos no sector do transporte público. Este subcomponente financiará, nomeadamente, o sistema de informação sobre passageiros; e o sistema de gestão de autocarros. Componente 3 – Esta componente financiará obras, bens e serviços nas seguintes áreas: a) Melhorias das ruas, tendo em vista a melhorar o acesso dos bairros de baixo rendimento; b) Transportes não motorizados (TNM) na Agência Metropolitana de Maputo, sendo que esta actividade financiará a elaboração dos planos e obras de infra-estruturas para promover o uso da bicicleta e infra-estrutura para peões; c) Combater as barreiras na mobilidade que as mulheres e grupos em situação de vulnerabilidade sofrem. A actividade visa estudar e implementar soluções que combatam as barreiras na mobilidade de mulheres e grupos em vulnerabilidade em bairros de baixo rendimento”, detalha o documento.

 

AMT DIZ QUE ACÇÃO RESPONDE A CRÍTICOS DO PROJECTO

Foi com optimismo que fomos recebidos pela direcção da AMT para quem o anúncio ora publicado “É para toda a gente ter certeza, porque muita gente duvidava que o projecto não iria andar”, iniciou Armando Bembele, administrador técnico da Agência Metropolitana de Transportes, para, em seguida, explicar a essência do anúncio.

“Isso é para que todos os interessados, inclusive os empresários, possam preparar-se e não se sintam surpreendidos quando chegar o momento do arranque do projecto”, clarificou.

O novo projecto tem algumas alterações, sendo que o corredor principal irá sair da baixa da Cidade de Maputo, passando pela Praça dos Heróis, atravessando a FPLM até à Praça dos Combatentes, seguindo pela Avenida Julius Nyerere até Magoanine, sendo que terminará na rotunda da Missão Roque.

Uma das grandes novidades é que este projecto deixará de ser apenas para a Cidade de Maputo, sendo que irá beneficiar o Município da Matola. “Uma das linhas passará pela EN1, seguirá pela Circular até Matola Gare. No âmbito do mesmo projecto, as ruelas existentes ao longo do traçado serão melhoradas para que os alimentadores possam trazer passageiros para a linha”, precisou.

Da Agência Metropolitana de Transportes de Maputo, veio uma promessa para todos os munícipes abrangidos. “Teremos uma faixa exclusiva para os autocarros, o que significa que, para todos os moradores daquela zona abrangida, o problema de transporte deixará de existir”, prometeu.

 

BANCO MUNDIAL DISPONIBILIZOU USD 250 MILHÕES

A Agência Metropolitana de Transportes garante haver fundos para execução do mega-projecto de mobilidade urbana, sendo que se trata de uma doação do Banco Mundial, num valor de 250 milhões de dólares.

Questionado para quando os munícipes das duas cidades vão usufruir desse projecto, Bembele confiou que as obras irão iniciar em 2023, sendo que “provavelmente irão desfrutar do BRT em 2024”.

Segundo a agência, para a área do projecto BRT, há um potencial de cerca de 10 mil passageiros por hora em períodos de pico, sendo que se espera que o projecto vá suprir essa necessidade.

O prognóstico do Instituto Nacional de Meteorologia ( INAM) aponta para  ocorrência de chuvas nas três regiões do país, podendo haver me registo de trovoadas no centro e sul do país.

As cidades de Nampula, Pemba e Lichinga, na região norte do país, poderão registar ceu nublado, chuvas fracas, nevoeiros  matinais e vento a soprar de  sueste a sudoeste fraco a moderado.

Assim, para Nampula, Pemba e Lichinga prevêem-se máximas de 26, 29 e 21 e mínimas de 18, 22 e 11 graus, respectivamente.

Para as cidades da zona centro do país, Chimoio, Beira, Tete e Quelimane, a previsão meteorológica aponta que poderão, igualmente, registar céu nublado, nevoeiros, queda de chuvas fracas a moderadas, acompanhadas vento a soprar de sueste a sudoeste fraco a moderado.

Em graus Celsius, Chimoio, Beira, Tete e Quelimane apontam para máximas de 27, 22, 28 e 28 e mínimas de 19 13, 21 e 20, respectivamente.

Já para as cidades de Maputo, Xai-Xai, Inhambane e Vilankulo, na zona sul do país, o prognóstico indica que poderão registar céu nublado,  neblinas ou nevoeiros matinais, aguaceiros ou queda de chuvas fracas, trovoadas e vento a soprar de sueste a sudoeste fraco a moderado.

Para as quatro urbes, Maputo, Xai-Xai, Inhambane e Vilankulo, as máximas previstas são de 25, 26, 28 e 27 e mínimas de 18, 18

, 21 e 18  graus Celsius, respectivamente.

Cerca de cinco mil peregrinos foram ao santuário de Namaacha, na Província de Maputo, este fim-de-semana. São fiéis da Arquidiocese de Maputo em representação das três províncias eclesiásticas de Maputo, Gaza e Inhambane, que foram celebrar os 105 anos da aparição da Nossa Senhora de Fátima. A ocasião serviu para orar pela paz, amor e reconciliação no país.

Dom Francisco Chimoio, Arcebispo de Maputo, destaca a união dos fiéis depois de dois anos de interrupção de actividades religiosas devido à pandemia da COVID-19. Nos dois últimos anos, os peregrinos iam ao santuário em número reduzido que não estava acima de 50, segundo dados disponibilizados pela Diocese de Maputo. Em Namaacha, houve apelos para o fim das hostilidades na província de Cabo Delgado, assim como amor e harmonia entre os moçambicanos.

Dom Francisco Chimoio, Arcebispo de Maputo, congratulou-se com o levantamento das medidas restritivas no contexto da COVID-19, facto que permitiu a junção dos peregrinos. Na oração proferida, pediu-se paz em Moçambique e no mundo.

“Também pedimos a paz, sabemos que a província de Cabo Delgado continua ainda a ter dificuldades por causa do terrorismo. Sabemos que não se consegue erradicar esta situação sem união com o Senhor. Com Deus, podemos fazer face a este grande desafio, pedir que a nossa mãe interceda por nós”, disse Francisco Chimoio.

No santuário da Nossa Senhora de Fátima, os crentes dobravam o joelho e oravam pedindo bênçãos. Carlota Fumo, uma das crentes que esteve no culto na tarde do último sábado, esteve também a orar, tal como os outros. “Eu pedi o fim da guerra, o fim das intrigas, que a nossa comunidade consiga viver na santidade, que a Nossa Senhora de Fátima continue a orar por nós.”

Filimone Javane é outro católico que, de corpo curvado, acendia a vela e orava. “Com amor de Deus, o nosso país vai crescer, a nossa arquidiocese vai crescer, também vai ter mais missionários, mais religiosos, vai ter mais famílias sólidas e que crescem na paz.”

Para Crescência Monjane, foi importante pedir ao poder divino mais protecção e saúde. “À Nossa Senhora de Fátima, eu estava a pedir mais bênçãos, mais graças que me fortaleça nesta minha vida, que me faça crescer espiritualmente.”

As condições climatéricas interferiram nas celebrações de mais um aniversário da aparição da Nossa Senhora de Fátima. A vila de Namaacha esteve debaixo de chuva desde a noite de sábado e, na manhã deste domingo, houve um forte nevoeiro.

O número de quantos moçambicanos estão naquele país não é preciso, mas estima-se perto de 2.500 famílias neste momento. Em Bangula, onde está localizado o maior centro de refugiados com cerca de 850 famílias, há registo de 146 casos de desnutrição em crianças que estiveram internadas, além da malária e tosse.

A última vez em que as cerca de 2.500 famílias receberam apoio alimentar por parte do Governo malawiano foi a 15 de Março corrente. A fome é severa nas famílias localizadas em todos os nove centros de acolhimento de refugiados estabelecidos no mês de Janeiro, aquando da ocorrência da depressão tropical Ana que assolou e arrasou as famílias moçambicanas e malawianas.

Do lado de Moçambique, os compatriotas provenientes do distrito de Morrumbala perderam quase tudo que tinham. Os campos de produção agrícolas foram completamente perdidos, o que retirou, por completo, o poder de se auto-alimentar. Nesta fase, o Governo malawiano, concretamente do distrito de Nsanje, iniciou o processo de apoio às famílias.

Dado a demanda das inúmeras pessoas, organizações foram activadas para juntos poderem apoiar as famílias, mas foi por pouco tempo. Muito mais tarde, o Governo de Moçambique enviou 43 toneladas de produtos alimentares diversos, incluindo sabão. Só chegou a três dos nove centros disponíveis, ou seja, para a tristeza dos refugiados, o apoio alimentar de Moçambique só foi possível apenas uma vez.

Nos centros visitados pelo jornal “O País” nos últimos quatro dias no Malawi, foi possível constatar as mesmas preocupações no seio das famílias refugiadas, quer em termos de situação da fome quer de doenças. A ocorrência da cólera não foi confirmada em nenhum dos campos de refugiados por onde passamos, apesar de o aglomerado populacional ser propício para a chamada doença de mãos sujas.

Devido à fome, há casos de desnutrição crónica em crianças em todos os nove centros de refugiados, com destaque para Bangula, Pokera, Sanje-sede, Kairedze entre outros.

“A última vez em que recebemos apoio alimentar foi a 15 de Março, quando o Governo de Moçambique enviou dois camiões com produtos alimentares e sabão. Para sermos mais precisos, o apoio do Governo chegou a 24 de Fevereiro, mas não foi de longe suficiente para pelo menos a metade dos centros. Como vocês podem ver, há pessoas que passam cinco dias sem poder ter pelo menos uma refeição, o que está a provocar desnutrição crónica em crianças, com 146 casos. As mesmas crianças estiveram internadas no hospital e, graças aos médicos malawianos, tiveram alta, mas não estão completamente livres do problema, porque não temos alimentos”, disse Micheque Lampião, um líder comunitário proveniente de Chilomo, distrito de Morrumbala, e está no campo de refugiado de Bangula junto à comunidade do seu povoado.

Para as pessoas poderem alimentar-se, desenvolvem trabalhos nas casas e machambas dos malawianos ou procuram lenha nas matas para vender nas comunidades. É uma situação dura, cada dia é uma incerteza. Quando amanhece, não sabem o que vão comer. A única certeza que têm é recorrer às matas para procurar folhas nativas.

Tudo o que as famílias refugiadas construíram ficou em Moçambique, onde até tinham campos de produção agrícola. No Malawi, onde estão hoje, não têm sementes, enxadas, nem outros materiais necessários para agricultura em caso de retoma ao país.

“A segunda época agrícola vai iniciar, nós não temos nada para retomar a produção de comida. Não estamos a dizer que queremos viver de mão estendida para sempre, queremos produzir comida assim que voltarmos a Moçambique”, disse Isabel Motocala, uma das mulheres activas no centro de Kairedze.

Do centro de refugiados de Bangula para a localidade Chilomo no distrito de Morrrumbala, a população percorre, em média, 15 quilómetros e atravessam de canoas os rios Chire e Rúo.

A Direcção Provincial de Educação em Sofala garantiu que os trabalhos que estavam em curso há cerca de cinco meses, nomeadamente reformas no processo de pagamento de ordenados dos seus funcionários, cujas falhas derivadas do sistema contribuíram para que 1423 professores de quatro distritos da província de Sofala ficassem apenas sem os seus salários do mês de Novembro do ano passado, já terminaram e a qualquer momento os valores estarão disponíveis.

“Todos os ofícios já estão devidamente organizados desde as escolas onde leccionam os professores afectados, nos distritos de Nhamatanda, Dondo, Búzi e Marromeu, assim como a nível do sector provincial da Educação e Desenvolvimento Humano e a Direcção Provincial das Finanças. Neste momento, aguardamos apenas a disponibilidade financeira para os valores serem transferidos às contas dos professores”, garantiu Rotafina Wilson, directora substituta da Educação e Desenvolvimento Humano em Sofala.

Questionada insistentemente em relação às datas para o pagamento dos salários em referência, a directora substituta da Educação e Desenvolvimento Humano em Sofala foi cautelosa na resposta.

“Podemos garantir que a disponibilidade financeira pode ser hoje ou amanhã, ou então na próxima semana Seguramente que haverá dinheiro a breve trecho e imediatamente os salários dos referidos professores serão transferidos através do SISTAFE para cada um dos professores”, disse Rotafina Wilson.

Rotafina Wilson falava a jornalistas no final de uma reunião provincial de supervisão integrada aos distritos, em Dondo, que tinha como objectivo fazer uma reflexão mais profícua das questões candentes do nosso sector, “pois se exige deste sector uma profunda organização e dinâmica constante para que possa compreender as expectativas da população e a vontade política do nosso Governo”.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê temperatura fresca  para esta sexta-feira . Entretanto, a instituição alerta para a concorrência de de chuvas em algumas urbes do país.

Em graus Celsius, as cidades da Beira, Chimoio, Tete e Quelimane  têm  temperaturas máximas de  27,23, 31 e 28 e mínimas de 18, 12, 10 e 18, respectivamente.

Para as cidades de Maputo,  Xai-Xai  e Inhambane e Vilankulo prevêem-se máximas de 26, 25, 27 e 28 e mínimas de 16, 19, 18 e 17 graus, respectivamente.

Em Pemba, Lichinga e Nampula esperam-se máximas de 27,27 e 25 e mínimas de 17, 19 e  10 graus, respectivamente.

Sofrem estigma de uma condição social da qual pouco se sabe. Em muitos casos, não têm acompanhamento médico e a falta de informação condiciona a inserção social deste grupo. Referimo-nos a pessoas com autismo.

Hipólito e Alenane contam a história dos seus dois filhos, um menino e uma menina que se fecharam ao seu mundo particular aos três anos, o que foi estranho para o casal que decidiu fazer diagnóstico. Veio a surpresa. “Foi um choque, nós nem se quer sabíamos o que era autismo”.

Sem muito que fazer, os país, tiveram que buscar mais informações sobre a condição do filho e dar um tratamento especial, um momento, que não foi fácil para a família. “Complicou-se mais quando depois de um ano a nossa menina também nasceu com autismo”, contou.

Com dois filhos autistas, a vida da família mudou radicalmente. “Os nossos filhos não falam, facilmente esquecem o caminho de voltar a casa, esquecem o seus próprios nomes, o roncar dos motores de carro, por exemplo, é perturbador”. São estes os desafios que várias pessoas com autismo ainda enfrentam, entre eles o estigma na sociedade. “Porque ter essa condição, as pessoas olham com preconceito e consideradas estranhas pela sociedade devido a falta de informação”.

Katia Aida é terapeuta e diz que o autismo nunca foi doença, pois entende que é apenas uma predisposição genética, “eles estão no mundo deles, fecham-se e não socializam”, explicou. A terapeuta reconhece a falta de técnicos especializados para atender este grupo.

Brincar isolados e sozinhos é a realidade de várias pessoas autistas cujos dados, seu próprio país desconhece. “Em Moçambique não existe estatística da população autista”. Segundo Nélia Macondzo, presidente da Associação Moçambicana dos Autistas, é uma das ambições das associação fazer o trabalho junto do Ministério da Saúde e de educação com vista a mudar o cenário.

São estes e vários problemas que levaram a Associação Moçambicana de Autistas a juntar seus membros na manhã deste sábado para apelar pela consciencialização.

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