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O País – A verdade como notícia

As avenidas Armando Tivane, Francisco Orlando Magumbwe e Mártires da Machava, na Cidade de Maputo, passarão a obedecer ao sentido único de trânsito de viaturas, a partir de meados deste mês de Agosto. A decisão foi aprovada pela Assembleia Municipal e visa melhorar a segurança rodoviária e o problema de estacionamento.

Cerca de 500 mil viaturas fazem-se às avenidas, da Cidade de Maputo, por dia. Para facilitar o escoamento do tráfego, a Assembleia Municipal aprovou, recentemente, a proposta que prevê que as avenidas Armando Tivane, Francisco Magumbwe e Mártires da Machava passem a ter sentido único.

A proposta é da vereação de Mobilidade, Transportes e Trânsito do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, que explicou se pretende reduzir o congestionamento e organizar o estacionamento.

“São avenidas que são bastante necessárias para a circulação do trânsito e isso causa muito congestionamento para a cidade. A perspectiva é melhorar a fluidez do trânsito, para que também se possa garantir que mesmo que, por alguma razão, uma viatura tenha que parar ao meio do caminho por avaria ou outras questões, permita que haja alguma ultrapassagem e que outros veículos continuem a circular normalmente”, explicou José Nichols, vereador para a área de Mobilidade, Transportes e Trânsito no Município de Maputo.

Os sentidos únicos não serão aplicados em todas as extensões das avenidas; na Avenida Armando Tivane, por exemplo, o trânsito rodoviário passará a desenvolver-se no sentido único, na direcção norte-sul, a partir do cruzamento com a Avenida Eduardo Mondlane até à avenida Mateus Sansão Muthemba.

Na Mártires da Machava, o sentido único será na direcção norte-sul; na avenida Mão-Tsé-Tung até à Eduardo Mondlane.

De igual modo, na Avenida Francisco Orlando Magumbwe, o trânsito rodoviário passará a desenvolver-se em sentido único na direcção sul-norte, a partir da avenida Mateus Sansão Muthemba até à avenida Eduardo Mondlane.

Para os automobilistas, a alteração dos sentidos das vias vai permitir melhorar a mobilidade e reduzir as filas longas de carros, sobretudo nas “horas de ponta”.

“O problema vai melhorar porque, no período do pico, é difícil andar. Por exemplo, para usar a Avenida Tomás Ndunda e sobressair na Avenida Eduardo Mondlane, é muito complicado”, disse Jorge Matavel.

Uma posição que é também partilhada por Guelhardo Manhique, outro automobilista que espera maior fluidez do trânsito.

“Se houver mudança, é porque alguém estudou e percebeu que, de facto, isso irá ajudar os automobilistas. Penso que, com o passar do tempo, iremos acostumar-nos e dará tudo certo”, referiu Manhique.

Além de alterar os sentidos das vias, a Assembleia Municipal decidiu que o estacionamento, nas referidas avenidas, só será permitido na berma da esquerda.

“Quando as viaturas são estacionadas nas duas bermas, é difícil que dois carros em circulação possam cruzar-se, porque não há o mínimo de largura necessária da via, que é de seis metros. Com isso, a meio do caminho, as viaturas são obrigadas a ter que recuar e isso não é bom para a fluidez do trânsito”, esclareceu José Nichols, vereador para a área de Mobilidade, Transportes e Trânsito.

Prevê-se que a implementação das alterações dos sentidos das vias comece em meados do mês de Agosto. Para esta semana, prevê-se a colocação de sinalização rodoviária nas avenidas.

Violência, discriminação e falta de oportunidades continuam a constituir barreiras, para que a mulher exerça efectivamente o seu papel na sociedade, diz a Primeira-dama da República. Isaura Nyusi falava hoje, em Maputo, durante as celebrações do Dia da Mulher Africana e dos 60 anos da Organização Pan-africana das Mulheres.

Mulheres de culturas e religiões diferentes, mas com a mesma ideologia, reuniram-se, hoje, para olhar para a situação da emancipação da mulher em África.

Enquadrado nas celebrações dos 60 anos da criação da Organização Pan-africana das Mulheres, o evento serviu para chamar atenção da sociedade sobre os desafios que a mulher africana deve ultrapassar para exercer efectivamente o seu papel.

Isaura Nyusi apelou às autoridades para criarem melhores condições, com vista à mais valorização das competências das mulheres, dando-lhes mais oportunidades.

“Neste dia de celebração, o nosso apelo é para a contínua promoção das igualdades de oportunidades e direitos, entre homens e mulheres, emancipação da participação das mulheres em várias esferas da sociedade, eliminação da violência e discriminação, criando condições para que as mulheres possam usufruir dos mesmos direitos e oportunidades”, referiu a também presidente da Organização da Mulher Moçambicana (OMM).

Para Isaura Nyusi, eventos climáticos e terrorismo no Norte provocam deslocados, por isso urge criar, segundo defende a Primeira-dama, condições de acolhimento.

Apesar destes desafios, Isaura Nyusi diz que Moçambique é exemplo de valorização do papel da mulher na construção de uma sociedade mais coesa, tendo destacado o facto de o país ter alcançado a paridade de género no Governo.

“Nos órgãos de tomada de decisão, é inquestionável a presença da mulher. De igual modo, expressiva e brilhante é o contributo da mulher na produção, comércio, desporto, política, cultura e nas artes.”

A Organização Pan-africana da Mulher foi criada a 31 de Julho de 1962, como plataforma de partilha de experiências e conjugação de esforços para a emancipação da mulher, tendo em vista a integração e o futuro do continente africano.

A Secretaria de Estado da Juventude e Emprego diz que ainda persiste a falta de financiamento aos jovens no país. O facto condiciona o desenvolvimento de projectos submetidos àquela instituição.

Nos últimos dois anos, o fundo de apoio a iniciativas juvenis financiou 430 projectos em 40 distritos no país. Até ao fim deste ano serão financiados mais 200 projectos, totalizando 630 projectos em 62 distritos.

No entanto, a grande preocupação da Secretaria de Estado da Juventude e Emprego é a falta de financiamento.

“Preocupa-nos o acesso ao financiamento para jovens; a morosidade do processo, ou seja, o tempo que passa desde que um jovem toma conhecimento da janela de financiamento, submete o seu projecto até ao dia em que recebe os fundos para começar a implementá-lo; preocupa-nos, também, o nível de reembolso e o acompanhamento dos beneficiários”, detalhou o secretário de Estado da Juventude e Emprego, Oswaldo Petersburgo.

O secretário de Estado da Juventude defende, ainda, a necessidade de acreditar nos jovens, pelo que afirma que já estão em curso medidas para resolver os problemas da camada.

“Debatemos profundamente, neste nosso terceiro conselho coordenador, e, daqui, saíram propostas e caminhos para melhorarmos nestes aspectos. Acreditamos que os trabalhos em curso trarão resultados satisfatórios em breve”, salientou o secretário de Estado da Juventude e Emprego, Oswaldo Petersburgo.

Para a execução dos 630 projectos, o fundo de apoio a iniciativas juvenis disponibilizou cerca de 100 milhões de Meticais.

Petersburgo falava, esta quinta-feira, no encerramento do terceiro conselho coordenador da instituição que decorreu no distrito de Mossuril, na província de Nampula

O Centro de Saúde do Zimpeto, na Cidade de Maputo, está a funcionar sem água há dois dias. O problema obrigou a unidade sanitária a adiar exames médicos e fechar os sanitários dos utentes.

Quem vai ao Centro de Saúde do Zimpeto deve preparar-se para não ter de usar os sanitários nem fazer testes que envolvam exames de urina, que estão temporariamente encerrados devido ao roubo da bomba, mecanismo usado para canalizar a água naquela unidade sanitária.

Elisa Francisco, paciente, lamenta o facto: “É necessário haver água aqui no hospital, porque, sem o líquido, até os que estão internados vão sofrer. Não faz muito mal para nós, os que frequentamos o hospital e voltamos para casa. Os internados nem têm água para beber e estão a sofrer”.

“Esta situação é muito crítica para nós; nem todos saem de casa com água e, quando vão à casa de banho, não podem lavar as mãos”, explicou, Lirson Paiva, que também esteve na fila de espera naquela unidade sanitária.

Maria Atália, de nome fictício, teve de fazer as suas necessidades biológicas atrás da casa de banho, que permanece fechada. “Estamos a fazer necessidades lá fora, porque não há água, e isso pode trazer outras doenças, e nem há água para lavar as mãos”.

Atália vai ao longe ao afirmar que a situação tem sido recorrente. “Levanto os meus medicamentos aqui, de três em três meses. Desde que comecei a ser atendida neste centro, é assim mesmo”, acrescentou com voz tristonha.

Por sua vez, a directora do Centro de Saúde do Zimpeto, Rute Saiose, salienta que a unidade sanitária tem passado por diversos roubos nos últimos tempos. “Sofremos constantes vandalizações. Desta vez, foi o sistema de abastecimento de água, assim como outros bens da instituição”.

Para garantir a funcionalidade do centro de saúde, os funcionários do hospital tiveram de tirar água das redondezas para abastecer a unidade sanitária.

“Requer muito esforço da parte dos funcionários e existem alguns exames que não podem ser feitos por falta de água ou com água que não tenha uma fonte segura”, explicou a directora do Centro de Saúde do Zimpeto, Rute Saiose.

Mas a medida não agrada à directora do centro, uma vez que não compreende a proveniência da água. “O centro de saúde tem um sistema de abastecimento de água próprio e faz-se, regularmente, uma avaliação do conteúdo biológico desta água, porém não temos como fazer isso agora”.

Até à saída da equipa do reportagem do “O País”, na tarde desta sexta-feira, mais de 10 de dez pacientes tiveram seus exames médicos adiados devido a falta de água.

Moçambique já registou 11 casos de Poliomielite desde o ressurgimento da doença em Maio deste ano, e o Ministério da Saúde assume ter dificuldades para combater a doença. As dificuldades vão desde a colheita de amostras à falta de laboratórios com capacidade de fazer o diagnóstico da doença.

A Poliomielite é uma doença altamente infecciosa causada por um vírus que afecta principalmente às crianças com idade inferior a cinco anos.

O vírus que causa a poliomielite invade o sistema nervoso e pode causar paralisia irreversível em poucas horas. Não tem cura, mas a infecção pode ser prevenida pela vacinação. O país já tinha sido declarado livre da pólio em 2016, pela Organização Mundial da Saúde.

Seis anos depois, Moçambique detectou, em Maio passado, o primeiro caso de poliomielite. Em dois meses, mais 10 casos foram confirmados, totalizando 11, sendo a maioria na província de Nampula.

“Temos cerca de onze casos confirmados, desde que iniciou esta resposta a emergência da Pólio no país. Começamos com um caso em Nampula, outro em cabo delgado, em Chiúre, depois tivemos mais um em Tete, outro em Manica, três casos novamente em Nampula e mais recente, tivemos mais três casos em Tete”, explicou o chefe do Departamento de Vigilância e Saúde no Ministério da Saúde, Domingos Guihole.

O chefe do Departamento de Vigilância e Saúde fala ainda de um aumento de casos suspeitos no país. Entretanto, o Ministério da Saúde está a ter dificuldades para rastreiar e tratar a doença.

“O país percebeu que há lacunas, por exemplo, na colheita de amostras, na periodicidade de envio dessas amostras. Nós temos um país vasto, temos técnicos especializados, mas limitados pois não conseguem atender a dimanada em todo o país, e com toda a franqueza podemos afirmar que temos limites, não conseguimos alcançar todas as crianças deste país”, justificou o responsável pela vigilância e Saúde.

As dificuldades são agravadas pelo facto do país não ter laboratórios com capacidade para fazer diagnóstico.

“Nós, da vigilância suspeitamos, colhemos amostras e enviamos para a africa do sul, que faz a confirmação, porque Moçambique não tem a capacidade laboratorial para fazer a confirmação desses casos [da poliomielite]”, detalhou Guihole.

Na passada sexta-feira, o Ministério da Saúde em parceria com o Centro Africano para Controlo de Doenças, formou técnicos sobre controlo de qualidade da água que serão responsáveis por formar outros profissionais nas províncias de origem. Tal visa essencialmente “ estamos reunidos com sete províncias, nomeadamente tete, cabo delgado, Nampula, Zambézia, Sofala, Maputo província e Maputo Cidade com vista a fortalecer a vigilância ambiental, ligadas as paralisias, ou seja, a poliomielite”, Explicou.

O vírus da pólio infecta apenas os seres humanos e a sua transmissão é frequentemente pela via fecal- oral, através da eliminação de fezes contaminadas que entrando em contacto directo com pessoas não vacinadas pode propagar-se rapidamente.

Moçambique já realizou três rondas de campanha de vacinação contra a poliomielite, sendo que neste momento caminha para a quarta ronda que se prevê que será mais abrangente. Ate ao momento já foram vacinadas cerca de 7,8 milhões crianças menores de cinco anos de idade, em campanhas realizadas em todos os hospitais a nível do país e ainda em campanhas porta-a-porta.

A fonte do MISAU relata falta de informação e negligência dos pais aliado a mitos e crenças religiosas são alguns factores que atrasam e comprometem a eficiência da vacinação contra a doença.

A União Nacional de Estudantes (UNE) exigiu, hoje, desconto de 50% na nova tarifa de transporte público. Os estudantes pedem sugerem criação de um cartão para os estudantes como forma de responder à subida do custo de vida.

Com a vida cada dia mais cara e algumas cidades do país a aprovarem o agravamento da tarifa do transporte público de passageiros, os estudantes vieram a público esta sexta-feira pedir medidas concretas de alívio ao grupo.

“Este desconto de 50% é um direito que nós temos desde, mas ao longo dos anos foi sonegado aos estudantes, e nós achamos que este momento em que temos um alto custo de vida e tarifas de transporte cada vez mais a subir, é, mais do que nunca, o momento para que este direito seja concretizado” disse o presidente da UNE, Gimésio Cândido.

A União Nacional de Estudantes entende que um cartão que identifique o grupo pode ser um dos caminhos para o efeito.

A União Nacional de Estudantes é composta por 53 associações, que representam estudantes dos níveis primario, secundário e superior.

Oito cornos de rinoceronte foram apreendidos pela polícia, na Cidade de Maputo. O produto estava na posse de dois indivíduos agora acusados de abate e tráfico de espécies protegidas. Os mesmos já eram procurados pela Polícia sul-africana.

Os indiciados, de idades entre 30 e 45 anos, são, segundo o Serviço Nacional de Investigação Criminal, membros de uma quadrilha que se dedica ao abate e tráfico de espécies protegidas.

“A direcção do SERNIC, ao nível da Cidade de Maputo, deteve dois indivíduos moçambicanos na posse de oito pontas de rinocerontes, o que equivale a 7,5 Kg”, disse Hilário Lole, porta-voz do SERNIC na Cidade de Maputo.

Entre os indiciados está o suposto chefe da quadrilha e, com trabalho de investigação criminal feito pelas autoridades, constatou-se que os cornos de rinocerontes seriam vendidos a cerca de 30 milhões de Meticais.

“Um dos dois indivíduos detidos é tido como o líder deste grupo de malfeitores. Ele fornecia armamento, identificava os caçadores furtivos, assim como outros equipamentos que eram usados para a caça dos animais protegidos, com enfoque para o rinoceronte” explicou Hilário Lole, porta-voz da SERNIC na Cidade de Maputo.

 Por sua vez, os indiciados negam o seu envolvimento no crime e dizem que foram vítimas de armadilha.

“Esteve outro senhor chamado Pedro, que telefonou ao meu familiar, que está na África do sul, Beneth, e disse-lhe que quer o produto.

Beneth enviou o produto até Chókwè, depois me mandou entregar o produto ao seu patrão, Pedro. Fui entregar-lho e, chegado lá, ele recebeu-o. Eu não o conhecia antes, Beneth é que o conhecia. Quando ele saiu do local, a Polícia logo chegou e fomos presos”, afirmou o suposto chefe da quadrilha.

De acordo com as autoridades, as espécies protegidas têm sido abatidas, na sua maioria, na província de Gaza e na fronteira com a vizinha África do Sul.

Ragendra de Sousa está de volta às análises económica públicas, cerca de dois anos após deixar de ser ministro da Indústria e Comércio. Como sempre, sereno e sem reservas, o economista critica a falta de profissionalismo no comércio externo e a falta de clareza sobre os produtos a vender para o mundo.

“Nós temos que expor o país de forma mais profissional. Actualmente, [a exposição] tem características de amadorismo. Só para ter uma noção, quando eu fui à China, percebi que tínhamos levado para lá como produto de exportação, ‘hambúrguer de badjia’, ah meu Deus”, espantou-se Ragendra de Sousa.

Na ocasião, o então ministro da Indústria e Comércio descobriu que a delegação que liderava no país asiático tinha o tal ‘hambúrguer’, que se quer movimenta somas elevadas de dinheiro dentro do país, como uma das suas bandeiras do comércio externo, ou seja, o que melhor sabe fazer para vender.

“Fomos à China para expor a nossa capacidade, no entanto voltamos a levar caju, madeira, etc. Para isto, é preciso dar a volta e mostrar, profissionalmente, qual é o potencial, quais são as reservas e como se faz”, entende o antigo ministro da Indústria e Comércio e economista.

Ragendra diz que as direcções do Ministério da Indústria e Comércio deviam estar mais capacitadas para vender melhor as potencialidades do país. “As pessoas estão lá e têm formação. Não é preciso o ministro ir à televisão dizer isso. É trabalho dele saber que ‘hambúrguer’ de badjia não é produto de exportação”.

Para mudar a situação, Ragendra de Sousa, acabado de sair da direcção máxima do Ministério da Indústria e Comércio, aponta saídas, entre as quais a formação das pessoas, porque, para o caso em apreço da China, explica que as reuniões de preparação da visita foram feitas.

“Isto quer dizer que a profissionalização e a necessidade de qualidade dos quadros para servir o Estado têm de ser a mais alta prioridade, porque, se não, vamos ter aquela situação em que o ministro tem de saber tudo e fazer tudo, o que não é possível”, concluiu o antigo governante.

Dados do Banco de Moçambique que constam do mais recente relatório de Conjuntura Económica e Perspectiva de Inflação indicam que a melhoria da procura externa impulsionou o aumento das exportações no primeiro trimestre do presente ano.

“Com efeito, no período em referência, o valor das exportações de bens incrementou face ao período homólogo do ano anterior, em USD 724 milhões, dos quais USD 575 milhões são atribuídos aos grandes projectos, a reflectir o efeito combinado do aumento do volume e de preços das mercadorias no mercado internacional”, lê-se no documento.

De acordo com o relatório, os sectores que mais contribuíram no total das exportações foram o extractivo e o industrial, com destaque para o carvão mineral e o alumínio.

Ragendra de Sousa falava numa entrevista exclusiva que concedeu ao programa televisivo “O País Económico” exibido, ontem, na STV, onde assumiu que o papel do Governo em relação ao sector privado nacional deve ser de facilitador.

Mas, quando questionado se cumpriu essa missão, respondeu: “O papel de facilitador, eu penso que fiz bem, mas sempre com limitações. Para que as pessoas percebam, a taxa de juro é um custo de produção, passa para o produto. Foi um calcanhar de Aquiles para mim e será para outros. A taxa de juro passa para o preço e reduz o poder de compra”, explicou Ragendra.

Em relação ao tema da taxa de juro, Ragendra de Sousa diz que o Estado deve pensar bem se quer competir com o sector privado. E há um contexto para isso. É que, a cada ano que passa, os níveis de endividamento do Estado na banca nacional tendem a manter-se altos, facto que tem afectado as empresas.

Segundo o Banco de Moçambique, a dívida pública interna continua elevada. O endividamento público interno, excluindo os contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, situa-se em 248,2 mil milhões de Meticais, um aumento de 29,4 mil milhões em relação a Dezembro de 2021.

Até 2030, Moçambique quer alcançar 43% da população jovem no planeamento familiar. O acordo foi assumido hoje, na Cidade de Maputo, durante o lançamento do compromisso de Moçambique, no âmbito da parceria global de planeamento familiar 2030.

Em Moçambique, apenas 25% das mulheres usam os métodos contraceptivos, sendo que o número de adolescentes e jovens em idade reprodutiva que usam algum método de planeamento familiar baixou de 14,3%, em 2011, para 14,1%, em 2015.

Segundo a vice-ministra da Saúde, Farida Urci, os dados são preocupantes, por isso há necessidade de um esforço conjuntural.

“Estes dados mostram a necessidade de que precisamos de intensificar as nossas acções, para que mais adolescentes, jovens e mulheres em idade fértil adiram aos serviços de saúde sexual e reprodutiva e planeamento familiar, por isso vale a pena investir na saúde destes grupos populacionais, em especial na saúde reprodutiva”, referiu a governante.

Para tal, mostra-se igualmente necessário disponibilizar informação necessária e importante, como forma de contribuir para aumentar o acesso aos serviços de planeamento familiar e para melhorar o bem-estar daquele grupo-alvo.

Para o efeito, o Governo assumiu compromisso de 10 anos, no âmbito da parceria global de planeamento familiar 2030, em que se projecta passar dos actuais 25 para 43% de adesão ao planeamento familiar.

As autoridades identificaram os jovens como principais alvos e reconhecem a necessidade de inovação nos métodos, como o caminho para contribuir para a retenção das meninas e adolescentes nas escolas, e reduzir as altas taxas de gravidez precoce e indesejada nas comunidades.

“NUNCA MANDAMOS SUSPENDER O USO DO BAFÓMETRO”

O controlo de álcool em automobilistas retomou na última sexta-feira (22). A medida foi anunciada pelo comandante-geral da PRM com o objectivo de reduzir os casos de acidentes de viação.

Reagindo ao assunto, a vice-ministra da Saúde entende que a retoma deste instrumento não constitui nenhum risco para a saúde pública.

“Em nenhum momento nós mandamos suspender o uso do bafómetro no tempo da COVID-19. Mas, como tivemos a situação de emergência e pela proximidade que existia entre o possível portador do vírus e o agente, acho que o Ministério do Interior decidiu mandar suspender, mas a retoma, acho que não tem problema nenhum, desde que se acautelem as medidas de prevenção”, defendeu.

Das medidas previstas, a governante avança a necessidade de desinfecção, na parte reutilizável, e descartar a parte que é de uso individual.

Sobre a situação da Varíola dos Macacos no país, Farida Urci diz que “Tivemos três casos suspeitos da Varíola dos Macacos, mas não passou de suspeitas. Um deles é sobre um jovem de 24 anos, de Nampula, que chega ao hospital com lesões tipo bolhas em todo o corpo. Na história clínica, ele referiu que tinha tido contacto com crianças com varicela”.

Segundo Urci, as amostras já foram enviadas ao laboratório, mas, pelos sintomas, tudo indica tratar-se de varicela e não Varíola.

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