A ligação entre a cidade da Beira e a zona de grande actividade agrícola e turística de Nhangau, essencial para o escoamento de produtos e circulação de pessoas, tornou-se num cenário de exclusão.
Para os residentes do bairro da Rondunda, o percurso de menos de dois quilómetros é, hoje, um desafio diário, marcado pela degradação profunda de uma via de terra batida que, sob a chuva, se transforma num intransitável lamaçal.
O facto é que as intervenções paliativas efectuadas pelo Conselho Municipal que se limitam, segundo os populares, à deposição pontual de terra ou pedra revelam-se ineficazes. Poucos meses após cada reparação, os buracos regressam com maior dimensão, frustrando a expectativa da comunidade. A degradação da via é acelerada pelo fluxo descontrolado de águas pluviais, que danifica a estrutura sem que haja um plano de drenagem ou pavimentação definitiva.
A situação atingiu o limite da paciência dos moradores este sábado, quando a população da zona de Jangal decidiu bloquear os quintais das habitações adjacentes. Esta medida drástica surgiu como resposta ao comportamento dos condutores de veículos e motorizadas que, para evitarem os obstáculos da estrada, invadem espaços privados, colocando em risco a segurança das crianças e dos transeuntes. “É uma prova de resistência diária”, desabafam os locais, denunciando a ausência de ambulâncias ou transportes públicos, que deixaram de circular na via por impossibilidade técnica.
Os mototaxistas, que utilizam o caminho como meio de sustento, não escondem a sua solidariedade para com a população. Reconhecem que, ao transitarem por quintais, estão a usurpar propriedades, mas argumentam que a alternativa é a destruição total das suas motorizadas.
Contactada pelo O PAÍS, a Administração Nacional de Estradas (ANE) admitiu a gravidade do objecto em causa. Sem avançar com declarações formais, a instituição limitou-se a informar que foram realizados estudos técnicos e que se encontra actualmente numa fase de angariação de fundos para a reabilitação da via. Até que esse projecto saia do papel e se concretize uma acção definitiva por parte do Estado, a população de Rondunda e Lunda continuará a ver os seus espaços privados transformados em rotas de fuga, num ciclo de desespero e insegurança que parece não ter fim à vista.