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O País – A verdade como notícia

Mulheres de diferentes áreas, que tiveram que cortar a mama, uniram-se, ontem, para espalhar mensagens de esperança, em alusão ao “Outubro Rosa”. São mulheres que quebraram o preconceito e decidiram quebrar, também, o silêncio. Por isso, defendem, actualmente, a mesma causa: O rastreio do cancro da mama.

“Expor-me assim e mostrar a minha realidade não foi uma decisão fácil, primeiro porque receber a informação sobre a doença já é assustador”, disse Madalena Nhanomba, sobrevivente do cancro da mama.

O mês de Outubro é dedicado à sensibilização e alerta da população para os riscos da doença.

Juju Rombe, organizadora do evento, foi diagnosticada com cancro em 2019 e sabe que o apoio dos outros é um dos caminhos para quebrar o preconceito e fazer o tratamento do cancro da mama.

“Há muitas mulheres que já deviam ter retirado a mama, mas não o fazem porque têm medo e vergonha das pessoas. Depois a mama vai apodrecer, e o resultado será a sua morte. Por isso, com este evento, queremos incentivar as mulheres a fazerem o auto-exame”, apelou Juju Rombe.

Só em 2020, cerca de 25 mil pessoas foram diagnosticadas com cancro no país, das quais, 17 mil perderam a vida.

O Ministério da Saúde pretende vacinar 4,8 milhões de adolescentes, dos 12 aos 17 anos, até ao dia 11 de Outubro. A informação foi partilhada pelo ministro da Saúde, Armindo Tiago, que falava no lançamento da campanha de vacinação.

Moçambique pretende vacinar contra a COVID-19, até ao fim deste ano, cerca de 17 milhões de cidadãos elegíveis, em todo o país.

O processo de vacinação arrancou em Março de 2021 e já foram completamente imunizados cerca de 15 milhões de pessoas.

“Depois de várias vagas caracterizadas por dor, sofrimento e morte de entes-queridos, devemos continuar com os esforços para garantir que vacinamos e protegemos o maior número possível da população moçambicana”, disse o ministro da Saúde, Armindo Tiago.

O dirigente falava na última sexta-feira, no lançamento de mais uma campanha de vacinação, que, desta vez, vai abranger cerca de 4,8 milhões de adolescentes dos 12 aos 17 anos de idade.

“Queremos vacinar a totalidade do grupo-alvo a que nos propusemos. Devemos, com todos os sectores, incluindo os pais e encarregados de educação, garantir que, usando estratégias nas escolas, postos fixos de vacinação, unidades sanitárias e brigadas móveis, todos os adolescentes sejam vacinados”, referiu o ministro.

A vacinação iniciou-se na última terça-feira e estende-se até ao dia 11 de Outubro. O Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano é o principal parceiro neste processo.

“Tratando-se de uma vacinação nova no nosso país, nós sugerimos que todas as dúvidas sejam esclarecidas junto do pessoal da saúde, e não com qualquer pessoa que pode dar informações inadequadas”, disse Carmelita Namashulua, ministra da Educação.

A campanha de vacinação está orçada em cerca de 7 milhões de dólares norte-americanos.

Residentes do Distrito Municipal KaMubukwana, na Cidade de Maputo, relatam vários problemas que estão a atrasar o desenvolvimento, entre os quais as inundações, a precariedade das estradas e a falta de maternidade.

Moradores do Distrito Municipal KaMubukwana reuniram-se recentemente com o edil de Maputo, Eneas Comiche, para exporem as suas preocupações.

Daniel Moiane, residente no Bairro Magoanine, queixa-se de inundações: “A inquietação, em Magoanine “A”, tem a ver com as águas; o assunto é sério. Há casas que estão alagadas até hoje”.

Os munícipes questionam a qualidade de algumas reabilitações de estradas feitas na cidade. “A Avenida Julius Nyerere foi reabilitada, se a memória não me atraiçoa, entre Fevereiro e Março, mas aquela reabilitação não foi eficaz; a qualidade das obras e o processo de resselagem deixaram algumas covas a sorrirem”

Ainda há, no distrito, casos de partos que ocorrem na via pública, como explicou um dos munícipes: “Em Magoanine ‘C’, temos um posto de saúde, mas não temos maternidade; as nossas esposas dão parto a caminho do Centro de Saúde de Zimpeto”.

Os vereadores municipais responderam às inquietações levantadas. Alice de Abreu, vereadora de Saúde e Acção Social, explicou que será planificada a construção da maternidade.

“Em relação à maternidade que foi solicitada para o Centro de Saúde de Magoanine, nós vamos trabalhar internamente e vamos planificar a sua construção.”

Silva Magaia, vereador de Ordenamento Territorial, diz que há solução para os problemas e enfatiza que é preciso descer ao terreno. “Para a solução dos assuntos que estão pendentes, há um trabalho intenso que está a ser feito em cada distrito, e é para lá que temos que ir para resolvermos estes problemas”.

No encontro, que se deu no Bairro Bagamoyo, estiveram presentes os vendedores do mercado grossista do Zimpeto, que anda com obras de construção de alpendre atrasadas há bastante tempo.

“Com o ritmo do trabalho que está a decorrer no terreno, esperamos que, até à primeira quinzena de Dezembro, tenhamos o galpão (referindo-se a alpendre) construído”, explicou Danúbio Lado, Vereador de Desenvolvimento Económico Local, no município de Maputo.

A escassez de transporte, a criminalidade e a falta de iluminação pública são outras preocupações que os munícipes querem ver resolvidas.

A Ministra da Justiça diz que é preciso continuar a buscar consensos entre os diferentes actores da sociedade, por forma a garantir a manutenção da paz. Helena Quida falava hoje, durante a abertura do simpósio sobre a construção e manutenção da paz em Moçambique.

Quase 30 anos depois da assinatura do acordo de paz, que dava fim à guerra dos 16 anos, Moçambique ainda enfrenta focos de desestabilização, que comprometem a paz.

São exemplos dos focos os actuais ataques terroristas que são assistidos, agora, em três províncias da zona norte, onde as populações são obrigadas a abandonar suas aldeias por ataques ou medo de acções consideradas “macabras” dos terroristas.

Contudo, a Ministra da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos diz que durante as três décadas da assinatura dos acordos de Roma, houve avanços inquestionáveis e que devem ser continuamente preservadas.

Para Helena Kida, a preservação deste ambiente de Paz passa pelo reconhecimento dos limites humanos e sociais de cada um e respeito mutuo.

A passagem de mais uma efeméride é pretexto suficiente para, em conjunto, haver reflexões em torno dos mecanismos para o alcance e manutenção da tão almejada paz efectiva.

“A paz não significa ausência de armas ou conflitos, por isso podemos afirmar que estamos em paz, apesar de alguns focos de violência”, afirmou a ministra.

Segundo Kida “as atitudes da paz configuram um processo que envolve, ao mesmo tempo, a aceitação e um saudável enfrentamento. Situações de conflitos são inevitáveis nos grupos humanos, mas podem ser mediadas quando as pessoas utilizam uma virtude: o respeito. É importante que aprendamos a respeitar as diferenças, como algo inerente a um mundo dinâmico, pluralista, multicultural, ou seja, um mundo cuja diferença deve ser encarada como algo absolutamente normal.

Kida, falando este sábado durante a abertura do simpósio sobre a construção e manutenção da paz em Moçambique, defendeu que a preservação da paz é responsabilidade de cada organismo da nossa sociedade.

“Este simpósio da paz constitui, igualmente, um mecanismo que nos ajuda a encontrar formas de atravessar a crise financeira que o país atravessa, embora as medidas de contenção económica, anunciadas pelo Governo, sejam formas de minimizar a crise. A paz é um património colectivo e interesse superior de todos. Por isso, exortamos a todos a repudiar e repugnar toda e qualquer acção atentatória à paz conseguida com enorme sacrifício”, defendeu Kida”.

O académico Guimarães Lucas diz que mais do que o terrorismo, os raptos, sequestros e outros crimes são os desafios actuais da paz.

“Estamos perante banditismo puro na nossa cidade. Estamos preocupados. É verdade que muitas vezes, analistas dizem que comparactivamente a outros países, nós estamos bem. Mas nós respondemos, dizendo que “temos raptos suficientes para nos preocuparmos. É muito. É demais. Queremos segurança”, explicou Lucas, durante a sua intervenção.

Por seu turno, a Comunidade Sant’Egídio apela o reforço ao diálogo.

“O díalogo é crucial para o consenso. No caso da Ucrânia, por exemplo, não há diálogo. É uma corrida para ter mais armas, para matar, mas ninguém procura uma mesa para conversar”, disse o representante da organização.

Este simpósio, sob lema roteiro da paz nos últimos 30 anos em Moçambique: avanços e desafios, juntou académicos, políticos e religiosos.

O dia da paz é celebrado a cada 4 de Outubro, por ocasião da assinatura dos acordos de paz, em Roma, Itália.

Celebra-se, hoje, o Dia Internacional da Pessoa Idosa. Numa mensagem alusiva ao dia, o Presidente da República, Felipe Nyusi, mostrou preocupação em relação ao aumento de casos de violência contra a pessoa idosa.

De acordo com Filipe Nyusi, a superstição tem sido uma das causas da violência contra os idosos. “O idoso é confrontado com discriminação, exclusão, abuso e violência de todo tipo na sua própria família e na comunidade e muitas vezes por aqueles que deviam protegê-lo”, acrescentou.

O chefe de Estado apelou à sociedade para que mude a maneira como pensa e age em relação aos idosos e trabalhar para a defesa dos seus direitos.

“Porque queremos que Moçambique seja um lugar onde a pessoa idosa se desenvolva, vive e trabalha a vontade, brinca e envelhece sem medo, aproveito esta ocasião para exortar a todos os moçambicanos a pautarem por uma atitude que dignifica as Pessoas Idosas, assegurando-lhes o gozo de direitos iguais, sem discriminação, violência ou exclusão de qualquer tipo”, lese na mensagem de Filipe Nyusi.

O presidente da República pediu, ainda, para que nas famílias prevaleça o espirito de diálogo permanente entre as gerações visando a valorização e maximização das experiências de todos os seus membros e para o benefício de todos.

Município de Maputo diz que o financiamento aprovado recentemente pelo Banco Mundial vai permitir melhorar a mobilidade urbana na região do Grande Maputo.

O presidente do município de Maputo visitou, esta sexta-feira, o distrito municipal KaMubukwana, com o objectivo de avaliar o plano de desenvolvimento urbano.

Eneas Comiche começou pelo Mercado Luís Cabral, que tem grande parte de bancas abandonadas. Depois foi ver de perto as condições em que funciona o centro de saúde de Inhagoia “A”, que atende, em média diária, 300 utentes e funciona num espaço bastante exíguo. As pessoas que são atendidas naquele hospital residem nos bairros Aeroporto, Inhagoia, Bagamoyo e 25 de Junho.

O edil visitou também as obras de reabilitação da Rua São Pedro e a vala de drenagem de águas pluviais. Na ocasião, houve espaço para falar à imprensa sobre o financiamento do Banco Mundial. Comiche esclarece que o dinheiro não é apenas para o município de Maputo, mas para a Região Metropolitana do Grande Maputo e será investido na construção e reabilitação de infra-estruturas de mobilidade. O edil de Maputo diz que os resultados dos trabalhos não serão visíveis de imediato.

“Este é um grande investimento que estará para além do meu mandato. Certamente que há vias que vão ser ampliadas porque nas condições actuais não há estrada dedicada a meios de transportes colectivos, mas temos que ter. Temos que ter paragens apropriadas para o efeito, portanto não pode interferir com a circulação dos outros meios de transportes.” Éneas Comiche apontou que as vias a serem intervencionadas são as que ligam o Município de Maputo e Matola, incluindo toda a Avenida Julyus Nyerere a Avenida Lurdes Mutola e, aliado a isso, a aquisição de mais meios de transporte.

E em relação à época chuvosa que se avizinha, o Conselho Municipal da Cidade de Maputo diz estar preparado para assistir as potenciais vítimas de inundações.

A Hidroelétrica de Cahora Bassa começa, a partir deste sábado, a fazer descarga de água nas barragens do rio Zambeze. O Objectivo é diminuir o elevado nível de água para evitar inundações nas zonas circunvizinhas.

Trata-se de uma medida que vai minimizar os efeitos das inundações previstas para a época chuvosa 2022-2023.

“Vamos abrir de 1 a 3 de Outubro em cerca de 50 por cento, e de 3 a 4, 80 por cento e no dia 6 de Outubro vamos abrir a 100 por cento um descarregador de fundo dos oito que nós temos. Isso vai permitir que não tenhamos picos de onda de tal forma que a população tenha tempo para acções” detalhou o administrador do pelouro de Hidrologia da HCB, Nilton Trindade, em uma conferência de imprensa concedida a jornalistas.

Na ocasião, o administrador do pelouro de Hidrologia explica que o processo de descarga também depende de uma acção coordenada dos operadores das barragens da bacia do rio Zambeze em Moçambique, Zâmbia e Zimbabwe.

Os operadores de barragens do rio Zambeze estiveram reunidos esta sexta-feira em Maputo, no fórum designado comité técnico de operações conjuntas, que junta Moçambique, Zâmbia e Zimbabwe.

Arranca, esta segunda-feira, em Maputo, o censo da pesca artesanal e aquacultura, que visa garantir uma boa gestão dos recursos aquáticos. O censo decorre de 3 de Outubro a 12 de Novembro de 2022 em todo o país.

Através de entrevistas directas feitas por recenseadores aos pescadores, comerciantes de pescado, carpinteiros navais e autoridades navais será feito o censo por noventa dias.

Desta forma, os pescadores irão receber os recenseadores para recolher dados sobre a pesca artesanal e aquacultura.

A ministra do Mar, Águas Interiores e Pescas, Lídia Cardoso, afirmou que o censo vai permitir que se tenha noção dos recursos existentes e, desta forma, garantir uma boa gestão. “Trata-se de um movimento nacional, necessário e de extrema importância, cujo desiderato é produzir estatísticas actualizadas sobre a estrutura da pesca artesanal e aquacultura e, consequentemente, garantir o ordenamento, a boa gestão e, sobretudo, o exercício da pesca e aquacultura de forma sustentável.” Afirmou Lídia Cardoso.

Lídia Cardoso pede aos pescadores para que mostrem maior abertura para o censo. “Exortamos para que, a partir da próxima segunda-feira, dia 3 de Outubro, e até ao dia 12 de Novembro, adiram ao censo da pesca artesanal e aquacultura, mostrando que, como cidadão moçambicano, realmente estão comprometidos com a pesca e aquacultura exercidas de forma sustentável”, disse.

O censo será feito por 164 jovens inquiridores. A actividade vai contar com cerca de 400 mil intervenientes, entre pescadores, processadores, comerciantes, mecânicos navais entre outros.

Dom Germano Grachane defende que o papel de manutenção da paz não cabe apenas às igrejas, já que todos os moçambicanos devem tomar dianteira no processo de reconciliação nacional.

“Trinta anos da assinatura dos acordos de paz em Moçambique” é o lema da conferência internacional que decorre, entre quinta e esta sexta-feira, em Quelimane. O evento, que está a ser promovido pela Universidade Católica de Moçambique, conta com oradores nacionais e internacionais, entre os quais os protagonistas do Acordo Geral de Paz.

Na sessão de abertura da conferência, os políticos Raul Domingos, embaixador extraordinário e plenipotenciário junto da Santa Sé, Lutero Simango, presidente do MDM, Herminio Morais, que representa Ossufo Momade, académicos, religiosos, estudantes e outros convidados marcaram a presença na conferência.

O reitor da UCM defendeu, na abertura, que a guerra propicia falta de partilha solidária entre os povos, sendo que o diálogo deve continuar a ser uma prioridade. O bispo da Diocese de Quelimane defendeu, na ocasião, que os 30 anos de paz revelam que Moçambique já não é país adolescente, por isso os políticos devem trabalhar para o bem dos moçambicanos.

Feita a abertura da cerimónia, seguiu-se ao primeiro painel da conferência com o tema “ideologias no processo de construção da paz”. Dom Germano Grachane falou sobre “a igreja local moçambicana, instrumento eficaz para edificar a comunhão, a unidade e a paz: 30 anos do Acordo Geral de Paz”.

Dom Grachane foi vigoroso na sua abordagem ao afirmar que o papel da manutenção da paz não cabe apenas aos bispos, mas a todos os moçambicanos enquanto cristãos e defensores de várias seitas religiosas.

“A reconciliação não veio de cima para baixo, mas sim da base através da intervenção da igreja local e da comissão de justiça e paz. Tal como no princípio da guerra dos 16 anos, alguém tomou dianteira ao ir pessoalmente às matas iniciar o processo de busca de paz, tornando este processo mais tarde ecuménico. Hoje, com o avanço da instabilidade no Norte, chama-se a responsabilidade à igreja. A igreja não somos só os bispos, a igreja somos todos nós, o povo de Deus. Por isso, todos temos esta responsabilidade”, defendeu o orador.

O académico angolano Raul Tati, que interveio, na ocasião, com o tema “ideologias políticas no processo de construção da paz”, defendeu que não se pode evocar a paz sem se buscar alicerces de estabilidade, nomeadamente inclusão, justiça social, harmonia de grupos de etnias, entre outros.

Diz que a paz deve ser defendida por actores locais e não externos. “Não podemos esperar por uma paz trazida por contingentes externos, a paz deve ser construída a partir da nossa própria realidade nas nossas comunidades, bairros e aldeias. Deve haver sementes de paz que germinam em cada cidadão”, disse o académico, para quem “o caso de Cabo Delgado representa outras tantas situações por que passa o continente africano, onde o Estado perdeu o monopólio da violência, estando nas mãos de forças anti-sistemas, que reclamam alguma legitimidade ou pura e simplesmente alguma razão nem sempre de fácil identificação”.

No mesmo painel, Adriano Nuvunga, académico, falou sobre os desafios de Moçambique na inclusão democrática. Defendeu que o que se vive no país é uma tentativa de pegar algumas pessoas para justificar inclusão, o que faz com que tenhamos mais dois acordos de paz e nos coloca numa situação de conflitualidade que vivemos hoje. A nação precisa de sentar para começarmos a discutir o bem do país”, apelou Nuvunga.

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