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O País – A verdade como notícia

Há ruas intransitáveis no bairro Albazine, na Cidade de Maputo, por conta do lixo que não está a ser removido há mais de um mês. Os munícipes estão agastados com a situação e sentem-se abandonados pela edilidade.

Com os contentores de lixo cheios, os resíduos são depositados no chão. Este é o cenário que se vive em várias ruas que fazem cruzamento com a Avenida Dom Alexandre, no bairro Albazine, na Cidade de Maputo.

Automobilistas são obrigados a partilhar as ruas com o lixo. “As viaturas com suspensão baixa têm tido dificuldades para passar; mesmo o meu carro com suspensão alta tem que fazer malabarismo para poder passar”, disse Mandlate, morador do bairro Albazine.

“É uma preocupação para nós, porque as moscas vão às nossas casas, coisa que não existia antigamente, é preocupante. Os camiões vinham remover o lixo, mas do nada tudo ficou parado. Outra vez, veio um camião e deixou o contentor de lixo por cima do lixo, e os moradores, quando vêem que o contentor está cheio, deixam o lixo no chão”, acrescentou  Alex Mangule, um dos residentes.

Segundo os moradores, o camião do lixo apenas recolhe os resíduos que estão nos contentores e o que está no chão fica para sua sorte.

Marisa, uma das residentes no bairro Albazine, é obrigada a manobrar para e procurar outra via para ter acesso à sua casa. “A minha casa está nas proximidades de um contentor de lixo, para que eu possa entrar, é um problema, tenho que sempre dar a volta.”

No entanto, o problema não pára por aí, a lixeira de Hulene ameaça engolir a estrada com matope. A chuva dos últimos dias faz com que as montanhas de lixo venham abaixo, fechando a estrada e dificultando a transitabilidade da via.

A vila-sede de Machanga, no distrito de Buzi, província de Sofala, está quase toda inundada devido ao transbordo do Rio Save. Dos 21 bairros existentes na vila apenas dois é que não foram afectados pelas águas.

Segundo a administradora do distrito, Natália Chivambo, as águas começaram a inundar a vila por volta das duas horas da madrugada desta quarta-feira e, por volta das três horas, a pressão era tanta que em pouco tempo afectou grande parte dos bairros da vila.

Por conta da situação, várias casas ficaram inundadas e famílias tiveram de ser resgatadas para evitar que o pior acontecesse.

“Temos alguns centros criados, mas, neste momento (cerca das 12 horas), temos 17 famílias, compostas por 48 pessoas a ocupar apenas um centro, algumas famílias acataram antes os nossos apelos para se retirarem, e os que estamos a resgatar foram os renitentes que não aceitaram sair, porque não estavam a aceitar”, disse a administradora.

Para o resgate das vítimas, o distrito, segundo Chivambo, dispõe de duas embarcações e para melhor acolher as famílias no centro de acomodação e alguns produtos alimentares.

Segundo a administradora, a situação está controlada, mas o nível das águas tende a subir, apesar de nalguns pontos já ter reduzido.

“O nível de alerta na vila Franca é de 5,5 e, ontem, nós atingimos 7,17 o pico. A leitura feita hoje às 7 horas (quarta-feira) tinha 7,10 e às oito horas tinha 7.07, mas isto se explica porque a água está a ir para outros pontos e lá vai aumentar enquanto de onde vem está a reduzir”, explicou a governante.

A água já galgou várias vias e Machanga está na iminência de ficar isolada, com a intransitabilidade da R561.

“A nossa via já tem água nalgumas zonas, como Chigogoro; a água também passa por cima, já não é possível passar de carro, apenas de canoa”, avançou.

Entre as perdas causadas pelas inundações, estão as salinas em Machanga que estão inundadas e vários hectares de campos agrícolas submersos, mas ainda decorre o levantamento para saber quantos hectares e o tipo de culturas perdidas

O rio Gorongosa também está a contribuir para estas inundações.

O ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, diz que, em Moçambique, “90 por cento da população tem alimentação segura, ou seja, já consegue ter três refeições por dia”, o que coloca o país fora dos países em risco de fome.

Ainda segundo o ministro, no país, menos de 10 por cento da população é que está em situação de insegurança alimentar, o que coloca Moçambique fora da lista dos países em situação de fome.

“Este é um grande sucesso dos moçambicanos. Nós estamos a ter estes resultados, mas agora o nosso grande desafio é ter a certeza de que são sustentáveis e consolidar este princípio, continuando neste caminho”, disse o ministro, acrescentando que “agora temos, sim, que melhorar a sua dieta e ter mais estabilidade no acesso aos alimentos. Portanto, o trabalho ainda não está concluído, mas estamos no caminho certo”.

Estas declarações foram feitas durante um encontro que o chefe da pasta de Agricultura e Desenvolvimento Rural teve com o director-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Qu Dongyu, esta quarta-feira, em Roma, na Itália.

Além da segurança alimentar, no encontro, Correia falou do desenvolvimento da agricultura no país e dos desafios trazidos pelos eventos climáticos que afectam Moçambique e a região.

E uma das respostas para fazer face ao problema, principalmente nesta altura em que o país enfrenta cheias, é a distribuição gratuita de sementes à população.

“Estamos a fazer de tudo para que consigamos pôr o aprovisionamento das sementes em tempo útil, porque o ciclo da resposta é muito curto. Temos 30 dias para conseguirmos lançar as sementes de milho de ciclo curto e das hortícolas para poder mitigar o impacto das cheias”, garantiu Correia, que avançou que já decorre o mapeamento das zonas mais afectadas, para permitir que, logo que as águas baixarem, as famílias possam voltar a trabalhar nos seus campos agrícolas.

No encontro, o director-geral da FAO, Qo Dongyu, falou da situação das cheias e escassez de água não só em Moçambique, como noutros países, e disse que há necessidade de maior investimento em infra-estruturas, como barragens, para minimizar esses problemas.

Em Roma, Celso Correia terá encontros com o Fundo Internacional Desenvolvimento Agrícola (FIDA), com o Programa Alimentar Mundial (PMA) e o Ministério da Agricultura italiano.

De todos os 37 hospitais afectados em todo o país, alguns continuam sitiados, o que forçou o enceramento. Contudo, o Ministério da Saúde garante que há assistência médica para as populações.

As chuvas intensas que afectaram as zonas Sul e Centro do país, no período entre 07 e 27 de Fevereiro, agravadas pela passagem do ciclone Freddy, deixaram muitas infra-estruturas parcial ou totalmente destruídas e outras ainda sitiadas.

No sector da saúde, o mau tempo causou perturbações no funcionamento normal dos hospitais. Alguns tiveram de suspender actividades.

O último levantamento do Ministério da Saúde indica que 37 hospitais foram afectados de diversas formas pela água da chuva, em todo o país.

Apesar do ocorrido, o director nacional-adjunto de Planificação e Cooperação no Ministério da Saúde, Ivan Manhiça, garantiu que não falta assistência médica às pessoas: “Criámos alternativas, como a instalação de postos de saúde através de tendas ou outros meios móveis para garantir o atendimento nas zonas onde as unidades sanitárias foram afectadas”.

Em relação ao número de hospitais cujo impacto das águas forçou o encerramento, o Ministério da Saúde diz que decorre o processo de mapeamento.

“Continuamos a trabalhar para fazer um levantamento mais exaustivo para que tenhamos mais detalhes em relação ao nível de intervenções que deverá ser feito a posterior para que todas as unidades sanitárias voltem ao seu funcionamento normal”, avançou o director nacional-adjunto de Planificação e Cooperação no Ministério da Saúde.

Não há água potável, alimentos e cobertores suficientes para mais de 90 famílias que se encontram alojadas no centro de acolhimento de Guachene, em KaTembe. As famílias reassentadas falam de dias difíceis.

São, ao todo, 274 pessoas empurradas pela água da chuva para pavilhões do centro náutico de Guachene, em KaTembe.

As vítimas da chuva queixam-se da falta de quase tudo. Algumas pessoas chegam a contribuir com dinheiro para que os filhos tenham o que comer.

“Aqui, no centro, passamos por dificuldades. Não temos comida, nem pequeno-almoço; só jantamos. Como vê, fomos comprar isto para confeccionar para as crianças poderem ir à escola. Enquanto isso, a minha casa está toda alagada, não sabemos o que fazer”, lamentou Elina Dambo.

Alcina José diz ser uma incerteza o retorno à sua casa enquanto a chuva continuar: “Havia esperança de voltarmos para casa, mas aqui a chuva não pára e já não sabemos quando é que voltamos às nossas casas”.

Segundo Adelaide Joaquim, coordenadora do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, em Guachene, a maior preocupação é a falta de água.

“Nós não temos água, estamos a usar água da chuva para lavar e nos sanitários. A água acabou, não temos água”, referiu Adelaide Joaquim, que acrescentou que “Não temos pão, falta caril, estamos a passar mal com estas pessoas, pois a comida que temos, principalmente caril, não é suficiente para todos os reassentados”.

Os pavilhões acolhem, separadamente, os homens e as mulheres, mas as condições não são das melhores, faltam colchões, esteiras e cobertores.

A vereadora de Saúde e Acção Social no Município de Maputo, Alice de Abreu, diz que os problemas arrolados serão resolvidos. “É uma situação que vamos resolver, vamos prover água. Vamos fazer a reposição da alimentação para que as populações possam ter as condições melhoradas.”

Para uma refeição, o centro precisa de 50kg de arroz e, noutra, 50kg de farinha de milho. Para o pequeno-almoço, são necessários 5kg de açúcar e 200 pães e a comida está a escassear.

A unidade sanitária de KaTembe foi certificada para implementar a Estratégia de Atendimento Integrado às Doenças de Infância. A certificação resulta do facto de o centro de saúde em causa ter cumprido os requisitos propostos para o efeito, como a disponibilidade de pessoal e de medicamentos para o tratamento das doenças comuns em crianças.

O Ministério da Saúde certificou, esta quarta-feira, o Centro de Saúde de KaTembe para implementar a Estratégia de Atendimento Integrado às Doenças de Infância (AIDI), por ter cumprido requisitos para o efeito.

“O processo de acreditação implica que esta unidade sanitária [de KaTembe] tenha cumprido os requisitos para a implementação da Estratégia de Atendimento Integrado às Doenças de Infância. Os padrões definidos são a disponibilidade de pessoal treinado para atender a crianças, principalmente menores de cinco anos; disponibilidade de medicamentos definidos para o tratamento das doenças mais comuns em crianças; disponibilidade de equipamento específico para implementar a AIDI e que tenha tido apoio técnico e supervisão nos últimos seis meses”, explicou Gizela Zambujo, representante do Ministério da Saúde.

Segundo Alice de Abreu, vereadora de Saúde e Accão Social no Município de Maputo, as doenças que causaram preocupações às crianças menores de cinco anos de idade, durante o ano de 2022, são a pneumonia, que afectou 15 247 crianças; as doenças diarreicas, que resultaram em 8753 casos; a malária que causou 1398 casos e a disenteria com 740 casos.

“Registámos, em 2022, um total de 200 mortes e esta certificação visa reduzir a mortalidade infantil em menores de cinco anos de idade. Esta unidade sanitária de KaTembe foi acreditada e esperamos que responda aos anseios da nossa população”, disse Alice de Abreu, vereadora de Saúde e Accão Social no Município de Maputo.

Assim, passam para três as unidades sanitárias certificadas para o atendimento de menores sendo o Centro de Saúde de Chamanculo, Polana Cimento e, agora, o Centro de Saúde de KaTembe.

O Primeiro-Ministro, Adriano Maleiane, quer celeridade na criação de evidências científicas para responder a doenças endémicas e pandemias. O desafio foi lançado, hoje, ao novo director-geral do Instituto Nacional de Saúde (INS), Eduardo Samo Gudo, que assume o cargo em sucessão a Ilesh Jane, que agora é vice-ministro da Saúde.

O surto de cólera que se alastrou para seis províncias e a COVID-19 no país são algumas das emergências de saúde pública e de maior preocupação, que o Primeiro-Ministro quer ver combatidas.

“O nosso país sofre actualmente o triplo fardo de doenças, caracterizado pela persistência das doenças infecciosas endémicas, surgimento de infecções emergentes e aumento de doenças não transmissíveis, incluindo o trauma”, explicou Maleiane.

Para o Primeiro-Ministro, é preciso criar antecipadamente evidências científicas para responder a quaisquer ameaças de saúde pública, pois “num contexto sanitário e epidemiológico complexo, a evidência científica é indispensável para a formulação de políticas a nível do Governo, assim como a tomada e implementação de acções pelo sector de saúde junto da sociedade em geral”.

O desafio foi lançado a Eduardo Samo Gudo, que passou a assumir, desde esta quarta-feira, o cargo de director-geral do Instituto Nacional de Nacional de Saúde.

O empossado assume o cargo em sucessão ao actual vice-ministro da Saúde, Ilesh Jane, e disse que está ciente dos desafios.

“As recomendações foram claras – devemos garantir que o INS mantenha um papel chave.” O Primeiro-Ministro quer uma instituição inovadora, mais criativa em relação às suas competências, nomeadamente, a geração de evidências científicas e para a vigilância epidemiológica”, disse o novo director-geral do INS.

Na ocasião, foi também empossada a antiga directora nacional para a Área de Laboratórios de Saúde Pública, Sofia Viegas, para o cargo de directora-geral-adjunta do Instituto Nacional de Saúde.

A chuva tornou mais difícil a circulação em alguns bairros na cidade de Chimoio, em Manica. A degradação das vias acentuou-se com a água estagnada. Os munícipes estão indignados e exigem solução. A edilidade pede paciência.

Com os cânticos, os munícipes da cidade de Chimoio, em Manica, manifestaram-se por conta da precariedade das vias de acesso.

O problema acentuou-se com a chuva dos últimos dias, o que, além de buracos, condiciona a transitabilidade.

De acordo com os munícipes, a circulação em alguns bairros da urbe está cada vez mais difícil. “As pessoas passam, mas a água chega até à cintura. Estamos a pedir ao nosso presidente Ferreira para arranjar essa estrada; não existem ruas na cidade de Chimoio, todas estão degradadas, estamos a pedir quem de direito para reverter a situação”, pediu Nico Luís, munícipe de Chimoio.

Das zonas em estado precário, os bairros cinco e 25 de Setembro são os mais críticos. “Aqui, quando chove, a água pode até chegar ao joelho e, para passar, é difícil”, acrescentou Lázaro Salomão, munícipe de Chimoio.

O presidente do Município de Chimoio, João Ferreira, disse que há um trabalho em curso para resolver o problema e pediu paciência “aos nossos queridos munícipes porque não é possível fazer tudo no mesmo dia. Vamos trabalhar, o que interessa é que estamos aqui para trabalhar. Como podem ver, as máquinas já fizeram 10km de estrada na nossa cidade com boa qualidade que até agora não tem buracos”.

Ferreira falava, esta terça-feira, no lançamento da primeira pedra para resselagem de uma via de mais 10 quilómetros, no bairro da Vila Nova.

A selecção nacional de basquetebol sénior masculino assegurou, ontem, a qualificação para o Afrocan 2023 ao derrotar a sua similar do Zimbabwe, por 71-59, em jogo da finalíssima do torneio de apuramento da zona VI para a competição reservada aos atletas que evoluem nas respetivas competições internas.

Foi uma vitória de raça, do querer e de superação depois dos problemas que o conjunto orientado por Milagre “Mila” Macome enfrentou desde à preparação até a deslocação ao Zimbabwe. Nas vésperas do decisivo jogo, a delegação moçambicana passou por momentos conturbados com uma ordem para deixar o hotel em que estava hospedada por falta de pagamento de taxa de participação orçada em USD 13 mil. Os jogadores e treinadores superaram tudo. Convocaram o patriotismo e colocaram o país pela segunda vez no Afrocan, depois da qualificação para a prova arranca em 2019 após vitória sobre a Zâmbia por 71-60.

Terça-feira, o combinado nacional condicionou os zimbabweanos, controlando o primeiro quarto, etapa na qual liderou com o parcial de 26-19. No segundo quarto, a selecção nacional de basquetebol procurou fugir no marcador, mantendo uma diferença de oito pontos: 17-9 ao cabo desta etapa.

A pontuação baixou, no terceiro quarto, com os orientados pelo “coach” “Mila” a contabilizarem 13 pontos contra 18 do Zimbabwe.

Com o jogo controlado, Moçambique liderou o derradeiro quarto com um parcial de 15-13. Em termos individuais, destaque para Elves “Stam” Honwana que foi o melhor cestinha com 18 pontos em 34:11 minutos na quadra. “Stam” concretizou 7 em 15 lançamentos de campo (46.7%) e 4 em 8 tiros exteriores (50% de aproveitamento).

Pio “Lingras” Matos, com 13 pontos em 23:39 minutos na quadra, e Ismael “Timo” Nurmamad, com a mesma pontuação durante os 26:43 em que permaneceu em campo, estiveram também em destaque.

A “folha do jogo” aponta para 25 em 56 lançamentos de campo concretizados pela equipa, perfazendo uma média de 44.6%, contra 22 em 58 do Zimbabwe (37.9%). Nos tiros exteriores, a selecção nacional converteu 10 em 23 (43.5%), enquanto os anfitriões concretizaram 5 em 20 (média de 25%).

Com 11 lançamentos livres convertidos em 40 tentados, uma média de 45.8%, Moçambique não esteve melhor neste capítulo em relação ao seu adversário que teve registo de 10 em 19 (média de 52.6% de aproveitamento).

O Zimbabwe foi mais forte na luta das tabelas com 42 ressaltos dos quais 29 defensivos e 13 ofensivos, contra 37 do nosso país sendo 26 defensivos e 11 ofensivos.

A selecção nacional marcou 20 pontos em situações de bolas perdidas, enquanto o Zimbabwe contabilizou 15. Outrossim, Moçambique fez melhor aproveitamento de situações de contra ataques com 9 pontos marcados contra dois do Zimbabwe. Nas segundas bolas houve equilíbrio: sete pontos concretizados por Moçambique e seis pelo Zimbabwe.

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