Skip to main content

O País – A verdade como notícia

Eugénio Quintas, ou simplesmente Man Gena, pertenceu a uma rede de tráfico de drogas em Angola. Ficou preso durante nove anos. Depois se desvinculou da rede criminal e começou a colaborar com a Polícia Angolana. Hoje diz que sofre perseguição por parte das pessoas denunciadas.

Man Gena é um nome que, nos últimos dias, tem soado bastante na esfera pública, como um cidadão que está desde Fevereiro em Moçambique, em busca de asilo, estando a fugir de barões de droga que o querem assassinar. Mas afinal quem é Man Gena?

“Man Gena é um cidadão Angolano que, desde muito cedo, aderiu a um grupo angolano chamado HDA, que se inspira no grupo PCC (Primeiro Comando da Capital), um grupo brasileiro, onde fazia ou faz parte o famoso Fuminho, que esteve foragido em Moçambique, em 2020”.

O “O País” conversou com o jornalista angolano, José Gama, que tem acompanhado o caso de Man Gena desde o início e, inclusive, prestou asilo à família dele quando esteve na África do Sul, onde está radicado.

Segundo o jornalista angolano, que bem conhece o histórico, devido às suas actividades criminosas em Angola, como membro da “gang” HDA, Gena ficou preso durante nove anos. Depois disso, Eugénio Quintas passou a colaborar com a Polícia, mas foi por pouco tempo.

“A dada altura, Man Gena sofreu um atentado, teve um tiro no rosto e outro nas costas. Ele foi apresentar uma queixa ao seu amigo, que é o antigo director dos Serviços Criminais de Angola, que é uma espécie de SERNIC (para o caso de Moçambique). Apresentada a queixa, foi-lhe dado um indivíduo para investigar o crime, foi quando ele identificou o indivíduo posto para investigar o caso como o mesmo que tentará tirar-lhe a vida. Foi daí que ele deduziu que o chefe dos Serviços de Investigação de Luanda queria a sua cabeça.”

Porque tinha a sua cabeça a prémio, Gama conta que Man Gena decidiu deixar Angola, sem nenhuma identificação e a partir daí tornou-se um fugitivo da rede de tráfico de drogas.

“Man Gena viu que não podia contar com autoridades angolanas, tendo fugido para Namíbia, depois África do sul, onde me encontro e por fim foi pedir asilo em Moçambique”.

MAS QUEM SÃO ESTAS FIGURAS QUE QUEREM A CABEÇA DO ANGOLANO?

“Ele citou nomes concretos de alegados barões ligados ao tráfico de drogas em Angola, que estão ligados ao Director-adjunto dos serviços de investigação Criminal. Falou de um Navio angolano que foi recentemente aprendido em Espanha, com drogas diversas (toneladas de cocaína). Ele deu características que conferem com a realidade, uma vez que o navio quando esteve em Angola já esteve lá. Man Gena denunciou este Director como quem está envolvido no contrabando de combustível, falou ainda da morte de pessoas de grupos criminosos, com conivência deste director”.

José gama acredita ainda que mesmo em Moçambique, Eugénio Quintas ainda corre perigo e relembra o episódio em que circulou que há cidadãos Ruandeses a serem executados em Maputo, à mando do Governo Ruandês, se ter havido intervenção das autoridades moçambicanas, o que Gama chamou de “conivência das autoridades”.

Até a esta altura, Eugénio Quintas está sob custódia dos serviços de Migração de Moçambique, mas o seu o objectivo é seguir com a família para Inglaterra, onde será acolhido por um grupo de amigos.

Já foram desactivados na totalidade os oito centros de acomodação que tinham sido instalados em Boane, na Província de Maputo, para acolher vítimas de cheias e inundações. Mais de 60 mil alunos que ficaram duas semanas com aulas suspensas retomam as actividades lectivas esta segunda-feira.

A chuva deu tréguas, mas as marcas permanecem no chão ou nas paredes.

Hortência Chilundo, que vive há 16 anos no bairro Tedeko, na vila de Boane, contou ao “O País” que nunca tinha visto, no seu bairro, tanta água que a obrigasse a fugir de casa. Foram duas semanas acolhida em casa de familiares e, quando a água baixou, voltou à sua casa e encontrou alguns dos seus pertences estragados.

“Eu estava a dormir, quando um vizinho me ligou para saber se eu tinha escapado. Foi quando acordei e vi água aqui no quintal e saí com as minhas filhas para um lugar seguro, que foi uma família amiga que nos acolheu. A situação ficou feia. Ficámos fora de casa quase duas semanas, mas agora [a situação] já está a normalizar-se. [O que fazemos] agora é tentarmos retomar a vida aqui mesmo. Não equaciono sair, por enquanto”.

E com a água a minguar nos oito bairros afectados pelas inundações em Boane, as autoridades já desativaram os centros de acomodação temporários, e a vida tende a voltar à normalidade. Jacinto Loureiro, edil de Boane, disse, na última sexta-feira, que a desactivação dos centros é um indicador de que a situação está a ser controlada.

“Estes mesmos centros já foram desactivados e as pessoas já foram para as suas casas. Ficámos apenas com 47 famílias, que vão ficar num centro de acolhimento, mas não numa escola. Estamos a trabalhar com parceiros para identificarmos áreas seguras para estas populações.”

A Escola Secundária de Boane, com 22 salas, lecciona de 8ª à 12ª classe e é frequentada por 5700 alunos. O “O País” testemunhou, na última sexta-feira, a retirada dos últimos produtos que ainda estavam nas salas de aula. A directora da escola, Alzira Bucuna, garante que a escola já está em condições para voltar a leccionar.

“Segunda-feira, está tudo a postos para o reinício das aulas. A nossa escola funcionou como um centro transitório por quase duas semanas. Assim, com a saída da população já foi feita a limpeza e vamos já trabalhar.”

A Direcção Provincial de Educação diz que, das 90 escolas, 45 estão em Boane, que foi o epicentro das inundações na Província de Maputo, e o sector da educação já adoptou a estratégia de recuperação das aulas perdidas, segundo avançou José Luís, porta-voz da Direcção Provincial de Educação da Província de Maputo.

“Definimos estratégias para a recuperação deste período perdido, que passa pela utilização da semana de interrupção lectiva, entre o primeiro e o segundo trimestre. Estes alunos das 90 escolas não vão ter essa interrupção. Mas também, junto ao nosso departamento pedagógico, estamos a trabalhar com fichas de apoio e fichas de exercícios, de tal forma que os alunos possam recuperar as aulas que deviam ter sido leccionadas naquelas semanas perdidas.”

Com as últimas chuvas, o distrito de Marracuene tem 11 escolas inacessíveis devido às inundações.

O Serviço Nacional de Migração (SENAMI) ainda não tem confirmação da nacionalidade dos cidadãos que alegam ser angolanos. No entanto, a instituição garante que Man Gena e sua família não serão extraditados para Angola e se encontram, neste momento, num local seguro.

É a primeira vez em que as autoridades moçambicanas falam à imprensa sobre o caso dos cidadãos angolanos retidos em Moçambique, alegadamente por sofrerem perseguições de um suposto sindicato de tráfico de drogas que envolve altas patentes da Polícia angolana.

O director-geral do Serviço Nacional de Migração, Fulgêncio Seda confirmou, hoje, ter os cidadãos sob custódia da instituição que dirige.

“Os quatro cidadãos Angolanos, entre os quais dois menores, uma mãe gestante, estão no território moçambicano, sob custódia da Migração. Estão em segurança. Estamos a prestar todo o tipo de apoio, sobretudo a alimentação”, disse.

Segundo o gestor, a Migração fez o primeiro trabalho de auscultação depois de ter recebido os quatro cidadãos do Comando-Geral da PRM.

“Do trabalho de auscultação, constatámos que eles entraram através da Fronteira do Ressano Garcia, no mês de Fevereiro – não conseguiram dizer exatamente o dia – e não trazem nenhum documento de identificação. Por esta via, sob ponto de vista da legislação migratória, sobretudo o regime geral do cidadão estrangeiro em Moçambique, estão numa situação de infracção, por terem entrado de forma ilícita e por permanecerem no território nacional de forma ilegal”, explicou Seda.

Segundo o SENAMI, Man Gen e sua família, apesar da permanência ilegal no país, não serão extraditados para Angola, em respeito, entre outros, a instrumentos legais sobre cidadão imigrante, a que Moçambique é signatário.

“Da auscultação também foi possível ouvir deles que estão a sofrer perseguição no seu país, Angola. Para nós, estes elementos são bastantes para que não possamos tomar medidas administrativas de expulsão. Ou seja, apesar de estar no país de forma ilegal, a lei de regime jurídico de cidadão estrangeiro, prevê no seu artigo 49, uma limitação à expulsão administrativa quando houver suspeita de que ao se devolver a pessoa ao seu país de origem, possa sofrer perseguições políticas, religiosas, sociais ou éticas, daí que temos que respeitar esta situação”, esclareceu o director-geral do SENAMI.

O Serviço Nacional de Migração diz que aguarda a resposta a uma carta enviada à Embaixada da República de Angola, para obter confirmação ou não da nacionalidade dos cidadãos que alegam ser angolanos, apesar de não apresentarem identificação, e só depois disso é que serão tomados os próximos passos.

Na manhã desta sexta-feira, o “O País” contactou a embaixada para alguma reacção, tendo sido igualmente solicitado que enviasse uma carta, com o teor da entrevista. Assim foi feito e aguarda-se resposta por parte da representação angolana em Moçambique.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, inaugurou ontem, no distrito de Morrumbala, província da Zambézia, o Centro de Formação Profissional de Morrumbala, avaliado em perto de um milhão de dólares, fundos do Orçamento de Estado. A infra-estrutura é moderna e tem capacidade para 150 formandos.

Entrou em funcionamento, esta quinta-feira, no distrito de Morrumabala, província da Zambézia, o Centro de Formação Profissional do Instituto e Estudos Laborais Alberto Cassimo (IFPELAC). A infra-estrutura, que está localizada no bairro Zaone num espaço de três hectares, conta com dois pavilhões com equipamentos modernos e tem capacidade para 150 formandos.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, inaugurou o empreendimento avaliado em cerca de um milhão de dólares, fundo do Estado moçambicano. Recebeu explicação de como funciona e depois visitou as infra-estruturas. Interagiu com os estudantes do IFPELAC e, depois, dirigiu-se aos presentes na cerimónia.

O Presidente da República destacou o investimento feito pelo Estado para a construção de um empreendimento e com equipamentos modernos. Nyusi disse que a juventude e a população no geral devem valorizar a infra-estrutura, para que não seja vandalizada.

“Este centro é um grande contributo para a transformação da Zambézia. Num país como o nosso, que tem desafios por enfrentar, a formação profissional é uma ferramenta para resolução destes desafios ao nível do indivíduo, da família e da comunidade. Quem tem emprego ou uma fonte segura e honesta de rendimento, dificilmente pode ser aliciado para o mundo do crime, como o terrorismo. É pela importância que damos à formação profissional, que decidimos deslocar-nos a este ponto do país, para, junto da população de Morrumabala, regozijarmos do trabalho que estamos a realizar em prol da educação profissional dos moçambicanos”, disse Filipe Nyusi.

Serralharia civil, canalização e electricidade são cursos que serão ministrados no instituto de Morrumbala. O Presidente da República destacou o saber fazer como competência que cada estudante terá de obter depois da formação.

“Por isso, estamos confiantes porquanto daqui podem sair jovens preparados para construir e reparar estruturas metálicas especializadas, capazes de reparar e instalar sistemas de electricidade e de canalização quer de residências, quer de instalações residenciais a industriais, para dar resposta às demandas do distrito, província e país, em termos de obras qualificadas destas áreas”, precisou o Presidente da República.

A entrada em funcionamento daquele instituto coincide com a abertura solene do início das aulas de formação profissional 2022/2023 à escala nacional, que, este ano, poderá contar com cerca de 16 mil formandos em diversos cursos.

Para este ano, o Chefe de Estado fez anúncio de 187 bolsas de estudo para pessoas com deficiência, carenciadas e raparigas. Na ocasião, Filipe Nyusi fez saber que o país já formou mais de 15 300 jovens moçambicanos em diversos cursos profissionais.

O país conta com uma rede de 25 centros de formação profissional, que já graduaram mais de 15 mil moçambicanos.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, inaugurou hoje, no distrito de Morrumbala, província da Zambézia, o Centro de Formação Profissional de Morrumbala, avaliado em perto de um milhão de dólares, fundos do Orçamento de Estado. A infra-estrutura é moderna e tem capacidade para 150 formandos.

Entrou em funcionamento, esta quinta-feira, no distrito de Morrumabala, província da Zambézia, o Centro de Formação Profissional do Instituto e Estudos Laborais Alberto Cassimo (IFPELAC). A infra-estrutura, que está localizada no bairro Zaone num espaço de três hectares, conta com dois pavilhões com equipamentos modernos e tem capacidade para 150 formandos.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, inaugurou o empreendimento avaliado em cerca de um milhão de dólares, fundo do Estado moçambicano. Recebeu explicação de como funciona e depois visitou as infra-estruturas. Interagiu com os estudantes do IFPELAC e, depois, dirigiu-se aos presentes na cerimónia.

O Presidente da República destacou o investimento feito pelo Estado para a construção de um empreendimento e com equipamentos modernos. Nyusi disse que a juventude e a população no geral devem valorizar a infra-estrutura, para que não seja vandalizada.

“Este centro é um grande contributo para a transformação da Zambézia. Num país como o nosso, que tem desafios por enfrentar, a formação profissional é uma ferramenta para resolução destes desafios ao nível do indivíduo, da família e da comunidade. Quem tem emprego ou uma fonte segura e honesta de rendimento, dificilmente pode ser aliciado para o mundo do crime, como o terrorismo. É pela importância que damos à formação profissional, que decidimos deslocar-nos a este ponto do país, para, junto da população de Morrumabala, regozijarmos do trabalho que estamos a realizar em prol da educação profissional dos moçambicanos”, disse Filipe Nyusi.

Serralharia civil, canalização e electricidade são cursos que serão ministrados no instituto de Morrumbala. O Presidente da República destacou o saber fazer como competência que cada estudante terá de obter depois da formação.

“Por isso, estamos confiantes porquanto daqui podem sair jovens preparados para construir e reparar estruturas metálicas especializadas, capazes de reparar e instalar sistemas de electricidade e de canalização quer de residências, quer de instalações residenciais a industriais, para dar resposta às demandas do distrito, província e país, em termos de obras qualificadas destas áreas”, precisou o Presidente da República.

A entrada em funcionamento daquele instituto coincide com a abertura solene do início das aulas de formação profissional 2022/2023 à escala nacional, que, este ano, poderá contar com cerca de 16 mil formandos em diversos cursos.

Para este ano, o Chefe de Estado fez anúncio de 187 bolsas de estudo para pessoas com deficiência, carenciadas e raparigas. Na ocasião, Filipe Nyusi fez saber que o país já formou mais de 15 300 jovens moçambicanos em diversos cursos profissionais.

O país conta com uma rede de 25 centros de formação profissional, que já graduaram mais de 15 mil moçambicanos.

 

Um centro de acolhimento de crianças e idosos com necessidades especiais está encerrado por estar inundado no bairro de Hulene, na Cidade de Maputo. Ainda em Hulene, há um centro de saúde também encerrado devido a inundações.

As águas da chuva tomaram conta de tudo na Casa das Missionárias da Caridade no bairro de Hulene, na Cidade de Maputo.

Segundo os gestores da instituição, é difícil calcular os danos causados pelo fenómeno natural que deixou ainda mais vulneráveis as pessoas acolhidas naquele centro.

São crianças, jovens e idosos, alguns com deficiências físicas, mental ou que sofreram abandono. A chuva tirou o pouco que tinham e deixou a “Casa da Alegria” em desespero.

“A água entrou na casa das crianças, na medicina dos homens e mulheres. Todos os armazéns ficaram alagados, perdemos quase todas as geleiras”, disse uma das cozinheiras do centro.

Por isso, a vida ficou mais difícil para estas pessoas que já não têm água para o consumo. “Todas as casas de banho estão inundadas e não temos onde tomar banho”, disse Cândida, uma das jovens acolhidas no orfanato.

Enquanto isso, todos foram evacuados para uma escola e alguns idosos doentes ficam nas suas camas ou cadeiras dentro das salas de aula, esperando o nível das águas baixar.

Ainda no bairro de Hulene, o Centro de Saúde de Hulene ficou cheio de água que tomou o pátio e todos os compartimentos da unidade sanitária, o que obrigou o seu encerramento.

Sem gravar a entrevista, a vereadora de Saúde e Acção Social do Município de Maputo, Alice de Abreu, disse que os doentes são encaminhados para o Centro de Saúde 1 de Junho, no bairro das Mahotas.

Uma família angolana está sob custódia das autoridades moçambicanas após fugir do seu país, na sequência das perseguições e atentados contra a sua vida, supostamente perpetrados por um sindicato de tráfico de drogas. A perseguição acontece depois da denúncia sobre o alegado envolvimento de altas patentes da Polícia angolana no tráfico de drogas. A família pede protecção do Estado moçambicano.

Chama-se Eugénio Quintas, mais conhecido por “Man Gena”, cidadão angolano que está sob custódia das autoridades moçambicanas, depois de ter supostamente escapado de um sequestro num centro comercial em Maputo. “Man Gena”, sua esposa grávida e dois filhos menores entraram ilegalmente em Moçambique, sem documentos de viagem, após fugirem das perseguições de um suposto sindicato de tráfico de drogas que envolve altas patentes da Polícia angolana e que terá os denunciado às autoridades angolanas.

Eugénio Quintas revelou que estava prestes a ser deportado para Angola. “Tenho que voltar a Angola para me matarem, as Nações Unidas já sabem de tudo, estamos numa esquadra onde está cheio de polícias por ter denunciado”, disse, desesperado, Eugénio Quintas, cidadão angolano.

“Man Gena” ficou três dias na 1ª esquadra da PRM, na Cidade de Maputo, de onde foi transferido para as instalações do Serviço Nacional da Migração. A esposa da vítima denuncia casos de violação dos direitos humanos. “Irmãos moçambicanos, protestam, têm que haver protesto porque isso é contra os direitos humanos. Estamos nessa situação, não temos saída e o Governo quer deportar-nos, sabendo que estamos a sair de Angola por causa dos assassinatos; quase o meu marido perdeu a vida, e eu fui violada”, acrescentou a esposa do Man Gena, Clemência Vumi.

O casal conta que Moçambique foi o último refúgio da família, depois de passar por Namíbia e África do Sul. A fuga foi decidida depois de Man Gena ter sido notificado a depor na Polícia de Investigação Criminal angolana e, no local, descobriu que o inquiridor terá sido a mesma pessoa que, meses antes, o baleara numa tentativa de assassinato, da qual escapou ferido.

“Ele identifica que o indivíduo que tentou puxá-lo tinha um sotaque de um angolano, provavelmente há aqui suspeitas de que grupos de angolanos terão tentado sequestrar ‘Man Gena’ em Moçambique e, no dia em que aconteceu, a mulher andou aos gritos no Shopping Comercial até a Polícia aparecer e teve de o levar à 1ª esquadra da Cidade de Maputo para ficar sob custódia”, disse a fonte.

Diante da situação, várias vozes angolanas e moçambicanas pronunciaram-se em volta do assunto, pressionando as autoridades moçambicanas a não procederem à extradição do casal para Angola.

O jornal O País contactou o Serviço Nacional de Migração para ter mais informações; a entidade prometeu pronunciar-se oportunamente.

Entretanto, a Comissão dos Direitos Humanos, o SENAMI e o SERNIC reuniram-se na tarde desta quinta-feira para discutir o caso.

O Ministério da Terra e Ambiente quer melhor articulação com diferentes forças da sociedade no uso dos recursos naturais para a garantia da resiliência climática no país. O posicionamento foi defendido, esta quinta-feira, num encontro com académicos, sector privado e organizações da sociedade civil.

Moçambique é cada vez mais assolado por fenómenos relacionados às mudanças climáticas, o que contribui para a ocorrência de desastres naturais e perda de vidas humanas.

Para reduzir o impacto do problema no meio ambiente, o ministro da Terra e Ambiente, Fernando de Sousa, defende mais interacção com as instituições académicas, sector privado e sociedade civil.

“Estes fenómenos naturais que o país regista de forma cíclica e intensa estão associados às mudanças climáticas, que não conhecem fronteiras. Moçambique é reconhecido pelas potencialidades dos recursos naturais, florestais, faunísticos, minerais, hídricos, marinhos e hidrocarbonetos. Contudo, a pressão que sobre estes se exerce constitui um desafio que exige de nós responsabilidades distintas para a sua preservação”, disse Fernando de Sousa.

Com vista a garantir melhor articulação entre sectores, o dirigente lançou, esta quinta-feira, uma Plataforma de Diálogo sobre o Ambiente, em parceria com a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

“Acreditamos que será um fórum privilegiado para abordagem e discussão de matérias importantes que poderão influenciar o desenho de políticas, melhoria de acção e colaboração de todos os actores da sociedade”, disse Maurício Xerinda, representante da instituição.

O primeiro debate sobre o uso sustentável dos recursos naturais para a garantia da resiliência climática no país decorreu sob o lema “Valorizar a Natureza é Garantir o Futuro”.

O Centro de Saúde da Matola-Gare, na cidade da Matola, está encerrado há cerca de uma semana, devido à água da chuva que inundou o centro. Em alternativa, foi montada uma clínica móvel no pátio da estação ferroviária da Matola-gare.

O pátio completamente inundado, com o risco de a água invadir alguns Gabinetes médicos, agentes de saúde carregando caixas de um lado para outro e trapos lançados nos corredores do edifício, retrata o ambiente visível naquele centro, que fechou as portas na última sexta-feira (24).

O facto deveu-se à chuva que caiu na última segunda-feira e foi caindo de forma intermitente, mas suficiente para tornar indisponível o centro de saúde, que sem alternativa, tratou de evacuar os serviços, bem como os doentes outrora internados (com destaque para serviços de maternidade).

Imediatamente, em alternativa, foi montado na estação Ferroviária da Matola-gare, há poucos metros da unidade hospitalar, uma clínica móvel.

Naquele local são atendidos utentes provenientes de bairros como Tsalala, Nkobe, Machava II, entre outros.

Três tendas foram preparadas para servir como gabinetes e é lá onde todos devem passar. Os utentes reclamam de morosidade no atendimento.

“Estou desde às 7 horas aqui. As enfermeiras até tentam, mas numa tenda são atendidos todos, crianças mulheres grávidas, sendo quatro pessoas de cada vez. Isso atrasa o processo”, desabafou Avelina Feliz, uma utente gestante, que aguardava a sua vez de ser atendida.

Uma preocupação semelhante é partilhada por Aníbal, um idoso que reclama da demora devido ao facto de se ter poucos agentes de saúde.

Nas tendas prestam-se serviços mínimos. Banco de socorros, Maternidade e outros mais complexos só em centros mais distantes.

“Nós estamos a garantir serviços mínimos de triagem de pediatria e adultos, saúde materno-infantil, excluindo maternidade, estamos a falar de consulta de criança em risco, e sadia”, explicou Filimone ZibiaChefe do departamento provincial de Saúde pública.

Segundo o Chefe do Departamento Provincial de Saúde Pública, diariamente são atendidos naquele local perto de 500 pessoas, contra 700 outrora atendidas no centro de saúde.

O sector apela às populações para que, no caso de situações de saúde complexas, busquem atendimento em centros como Nkobe, Tsalala e Matola 2.

 

 FAMÍLIAS COM CASAS INUNDADAS NA MATOLA

Centenas de famílias estão com casas inundadas no bairro Machava, quilômetro 15, posto administrativo da Machava na província de Maputo. As vítimas apontam a falta de valas de drenagem como a principal causa.

As pessoas bloquearam a entrada das suas residências para evitar que a água, que já invadiu os quintais, entre para o interior. Mas isso para quem tem a situação minimamente controlada, pois há quem já soma prejuízos.

Os moradores deste bairro falam de perda de eletrodomésticos, mobílias, roupas e outros bens e apontam a estrada (que está relativamente acima do nível dos bairros) como a causadora das inundações, uma vez que não apresenta nenhum sistema de drenagem das águas.

Conversamos com Eleonor Ricardo, uma anciã que fixou residência em 2006. Ela conta que a pouco menos de dez anos, o seu quintal estava repleto de plantas diversas, incluindo frutíferas. Ela se “divertia” varrendo o seu quintal, mas isso virou apenas uma lembrança.

Por diversas vezes tentou livrar-se da situação, usando entulhos, mas já não tem forças e implora.

“Se o Governo viesse aqui e mandasse abrir as falas ou ainda ajudar-nos com entulhos, minimizaria a situação”, desabafa.

Alguns moradores reclamam da eclosão de doenças como a diarreia e malária devido a água suja que “habita” nos seus quintais.

Apesar da abundância da água da chuva nos quintais, há famílias que água potável não jorra há dias. O operador, por sua vez, diz que nada pode fazer enquanto as ruas permanecem alagadas.

Esta é uma das fotografias da situação vivida por algumas famílias na província da Matola, mas que pode piorar se a chuva continuar a cair na mesma proporção.

+ LIDAS

Siga nos