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O País – A verdade como notícia

Detido homem  suspeito de matar a  esposa e ocultar cadáver numa “machamba” em Boane, onde um outro indivíduo, que comercializa leite com prazo de validade adulterado, foi neutralizado pelas autoridades.

Marcanjo é nome fictício de um homem de 32 anos de idade, pedreiro de profissão, residente em Boane, que se envolveu em rixas com a esposa de 42 anos de idade, com quem vivia já havia alguns anos.

Na última semana, o casal voltou a confrontar-se, aliás, segundo o próprio indiciado, viviam em brigas constantes, alegadamente causadas pela esposa. A origem da última contenda entre o casal teve a ver, segundo conta o indiciado, com a sua chegada tardia à casa, na última quarta-feira, facto que enfureceu a esposa.

“Eu voltei do ‘biscate’, cheguei à casa, a minha esposa serviu-me água para beber e questionou-me a razão que me levou a voltar tarde; expliquei que estava nas obra, ela partiu para agressão, eu empurrei-a, caiu no móvel e ficou inconsciente. De seguida, puxei o corpo para uma ‘machamba’ na esperança de que pudesse levantar-se depois. Mas, quando regressei à casa, vi que não tinha voltado e, quando fui novamente àquela ‘machamba’, não estava mais lá; os do Serviço Nacional de Investigação Criminal tinham removido o corpo. Quando vim à esquadra para me informar, fui logo detido”, contou Marcanjo.

Ainda em Boane, foram apresentadas 54 latas de leite de um total de 90, cuja validade ia até 28 de Fevereiro de 2023. Uma vez que não se queria deitar fora, optou-se por “estender” o prazo para 28 de Setembro de 2023.

“Não sou eu que alterei o prazo de validade, fui dado apenas o leite para vender. A dona da mercadoria, uma senhora, contactou-me, disse-me que podia vender e que ia ganhar a minha parte.”

A Polícia em Maputo diz que, depois do trabalho, que foi feito para neutralizar os indiciados, serão encaminhados a outras instituições da administração da justiça para a sua responsabilização.

Carminia Leite, porta-voz do Comando Provincial da PRM, disse que foi através de uma denúncia que se conseguiu neutralizar os indiciados.

“Logo que recebemos as denúncias, activámos todas as nossas linhas operativas e conseguimos estes resultados. Alguns destes indiciados são confessos e serão encaminhados para o tribunal. Queremos apelar aos cidadãos para não enveredar pelo caminho da justiça pelas próprias mãos nem se dedicarem ao crime”, apelou Carminia Leite, porta-voz do Comando Provincial da PRM.

Ainda em Boane, há adolescentes e jovens que estão implicados no crime de roubo de gado bovino.

Já não é possível recuperar quase nada das diversas culturas agrícolas que continuam debaixo da água nos mais de 17 mil hectares cultivados e semeados na presente época agrícola, no distrito de Marracuene, na Província de Maputo.

Debaixo da água, há ainda culturas agrícolas e já confirmadas como perdidas depois de quase duas semanas de inundações. Este cenário verifica-se no interior do distrito de Marracuene, onde as populações vivem da agricultura. Nunes Nanza, professor de profissão em Nanza, pratica a agricultura nos campos que agora foram tomados pela água e descreve a situação como difícil.

“Estas chuvas são um desastre para nós, perdemos tudo nas nossas ‘machambas’”, referiu Nunes Nanza.

Ana Nwayeca não conseguiu recuperar nada da sua “machamba”, onde cultivava batata-doce, mandioca, milho e algumas hortaliças. “Ah, aqui, na nossa região, há inundações. Na minha ‘machamba’, perdi cana-de-açúcar e bananeiras”, lamentou.

O Governo distrital actualizou os dados em relação às perdas no sector da agricultura. Shafi Sidat, administrador de Marracuene, diz que, para já, pouco se conseguiu salvar nos campos agrícolas.

“No total, perdemos 17 mil hectares – estamos a falar de áreas agrícolas e de pecuária – mas alguma produção não se pode salvar, e a agricultura é a principal actividade económica e o sustento das nossas populações. Temos só na área de Machubo, Macandza, Objana, Matsinina, Mussize. No total, podemos falar de 8 a 9 mil camponeses afectados”, avançou Shafi Sidat, administrador de Marracuene.

No sábado, uma caravana com produtos alimentares e de higiene escalou o distrito de Marracuene, para fazer chegar cestas básicas a famílias de Machubo, Thaula, Mussize e Macanza.

Depois da desactivação dos centros de acomodação transitórios, as aulas já foram retomadas nas escolas da Província de Maputo, sobretudo no distrito de Boane que foi um dos afectados com as cheias e inundações. Entretanto há alunos que não regressaram às aulas e há salas ainda com pertences das vítimas das cheias.

Na escola secundária Joaquim Chissano, funcionou  o maior centro de acolhimento transitório de Boane. Tem inscrito 2500 alunos, um deles é Shelton Massingue que ficou três semanas sem aulas e chegou a pensar que o ano lectivo estava perdido. “Como aconteceu na altura da COVID-19 que ficamos em casa e perdemos o ano lectivo esse era o meu receio, mas tomei conhecimento através da rádio e da televisão, assim como do grupo de whatsapp da escola que hoje iniciamos com as aulas, por isso estou aqui”.

Com o encerramento dos centros de acomodação, a actividade lectiva retomou e os alunos têm a difícil missão de recuperar o tempo perdido. Josefina Covane diz que vai aplicar-se mais resolvendo fichas, assim como dedicar-se muito à leitura para ganhar o ritmo.

Na escola secundária Joaquim Chissano nem todos retornaram às aulas neste que é o primeiro dia. O Director da Escola diz que possivelmente os alunos ausentes possam estar ainda a enfrentar condições difíceis onde se encontram.

Se na escola secundária Joaquim Chissano ainda não voltaram todos alunos, na escola primária completa de Boane ainda há três salas ocupadas com bens destinados a vítimas de inundações. A Professora Ana Portugal explicou que a Direção Distrital da Educação já foi informada da situação. “Uma das salas tem o nosso material deixado pela direção da educação, outras duas salas continuam com os materiais das vítimas das cheias, mas as autoridades já foram notificadas. Nós continuamos a trabalhar assim mesmo, claro que as salas fazem falta, mas estamos a trabalhar”.

Enquanto isso, os alunos da escola primária que durante três semanas ficaram em casa ou acolhidos nos centros transitórios ou em casas de familiares começam a ganhar o ritmo das aulas.

Recorda-se que o sector da educação informou que uma das estratégias para recuperar as aulas perdidas, estes alunos não vão ter férias do fim do terceiro trimestre.

Desconhecidos voltam a incendiar um carro com matrícula moçambicana, na vizinha África do Sul, que fazia a rota Durban-Maputo. Os transportadores do Terminal Internacional da Junta sentem-se abandonados e exigem respostas do Governo.

Sem gravar entrevista, o proprietário da viatura contou que foi interceptado por três indivíduos e obrigado a abandoná-la. Entretanto, avançou que não houve registo de vítimas humanas, pois transportava apenas mercadorias.

Com o aumento de casos de queimas de viaturas, o ambiente que se vive no Terminal Internacional da Junta é de pânico, segundo contou Ananias Madeira.

“É muito triste a situação. A pessoa sacrifica-se durante anos para comprar um carro e em fracções de segundos aparece alguém para queimar. Isso é bastante complicado”, disse o transportador.

Os ataques às viaturas moçambicanas na vizinha África do Sul condicionaram as viagens e os transportadores já nem contam os prejuízos.

“Não temos vias alternativas, porque por onde nós vamos, lá estão os malfeitores para nos atacar e queimar os nossos carros. Estamos com os carros parados nos parques e o negócio não é mais rentável”, lamentou Raimundo Muchanga.

E porque o negócio não vai bem, os transportadores nada podem fazer, senão esperar sentados por respostas do Governo.

“Nós até tentamos resolver indo fechar a fronteira da Ponta do Ouro, para que o Governo reagisse, mas mesmo assim, não ouvimos, nem vemos respostas e as nossas viaturas continuam a ser atacadas”, queixou-se Muchanga.

Segundo os transportadores, totalizam-se 14 viaturas com matrícula moçambicana queimadas na África do sul.

Na semana passada, delegações dos dois países estiveram reunidas para resolver o problema, mas ainda não foram apresentadas soluções.

A Tempestade Tropical Moderada “FREDDY” está a regressar para o Canal de Moçambique, alerta o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM). Zambézia e Sofala podem ser os alvos, segundo as projecções.

O sistema, segundo os meteorologistas, move-se à uma velocidade de 13 km/h em direcção ao sudoeste da costa de Madagáscar, podendo atingir o estágio de Tempestade Tropical Severa na segunda-feira.

O INAM prevê a continuação chuvas intensas (mais de 200 milímetros em 24 horas) sobre o oceano e ventos de até 110 quilómetros por hora, acompanhados de rajadas de até 150 quilómetros por hora, que poderão agitar o estado do mar e gerar ondas com 10 metros de altura.

Neste sentido, recomenda-se a tomada de medidas de precaução e segurança.

O Serviço Nacional de Salvação de Salvação Pública (SENSAP) está preocupado com o aumento de pontos de venda de gás de cozinha em condições impróprias. O SENSAP alerta para o risco de explosões devido à má conservação.

Nos contentores, nas bermas das estradas, até mesmo nas residências, há venda de gás de cozinha, que dantes era apenas comprado nas bombas de combustíveis.

“Existem algumas formas de comercialização de botijas de gás que não são as mais apropriadas em função da natureza e da perigosidade que o material tem. Portanto, na maioria das vezes, estas são colocadas em frente aos contentores, em locais com algum revestimento, como uma pequena grade, por exemplo, mas não é de segurança o suficiente para garantir que não haja nenhuma acção externa que possa criar alguma explosão”, explicou Leonildo Pelembe, porta-voz do Serviço Nacional de Salvação Pública.

Com o alastramento dos pontos de revenda, cresce a preocupação das autoridades com o surgimento de estabelecimentos que não observam as medidas de segurança, segundo o porta-voz do SENSAP.

Por sua vez, o Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME), entidade responsável pelas distribuidoras, recorda as condições de segurança obrigatórias: “Comercializar o gás em condições inapropriadas não é legal. Uma das condições é que se deve ter um espaço devidamente preparado onde as botijas são armazenadas correctamente, e no mesmo local, deve haver material de combate a incêndios, na perspectiva de que, se acontecer alguma coisa, haverá condições de controlar”.

Na ronda feita pelo “O País” em alguns pontos de revenda, constatou-se que há deficiências, desde a exposição das botijas de gás ao sol até à falta de extintores de combate a incêndios.

“O embate violento de uma botija de gás e uma viatura que vem a uma alta velocidade, desgovernada, pode constituir um grande perigo. Pode haver uma explosão no local”, referiu Leonildo Pelembe.

A Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários diz que ainda não recebeu uma comunicação oficial sobre a nova medida. Já a Agência Metropolitana dos Transportes diz que não sabe quando a medida vai entrar em vigor. Por sua vez, o Ministério dos Transportes e Comunicação diz estar em conversações com os transportadores municipais.

A 14 de Fevereiro deste ano, aquando da sua comunicação à nação sobre a situação de cheias e inundações na Cidade e Província de Maputo, o Presidente da República, Filipe Nyusi, anunciou a redução, em 50%, da tarifa de transporte para as vítimas de inundações no distrito de Boane, na Província de Maputo.

Passadas quase três semanas, os passageiros continuam a pagar a totalidade do valor da tarifa do transporte.

A Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) diz que ainda não recebeu qualquer informação oficial, por isso continua a cobrar a tarifa normal.

“Ainda não temos um dado avançado, mas creio que o teremos a qualquer momento, e quando o tivermos vamos cumprir. Mas só se tivermos um comunicado oficial que dá uma informação clara sobre como identificar o grupo-alvo, vítima das intempéries”, disse Jorge Manhiça, porta-voz da FEMATRO.

Segundo Manhiça, a FEMATRO ainda não está esclarecida sobre os termos para a redução da tarifa, o que pode complicar a realização do processo.

“Tem que haver alguém que reembolse estes 50% que estejam em falta. A nossa situação é diferente da dos transportadores municipais, que têm a forma de identificar estas pessoas. Nós vamos vender o bilhete completo, disse.

Sobre o assunto, o porta-voz da Agência Metropolitana de Transportes Maputo, Armando Mbebele, diz que não sabe quando o desconto vai entrar em vigor.

“Não sei quando é que se vai iniciar. Preciso de receber primeiro as listas, que podem não ser definitivas, porque pode haver mais gente nessa situação”, explicou.

Os termos da redução da tarifa e o modelo para a identificação das vítimas também são uma incógnita. Mbebele diz que serão conhecidos em momento oportuno.

“Em momento oportuno, vamos informar. Neste momento, o que nos compete é receber as listas e fazer uma nota com os cálculos para as instituições e, logo que o valor estiver disponível, julgo que se vai fazer o processamento e nós vamos dar instruções aos operadores em função daquilo que for o modelo a usar, seja o adiamento ou qualquer outro”, explicou.

Segundo o director nacional dos Transportes e Segurança, Fernando Ouana, o Ministério dos Transportes e Comunicações diz que está a trabalhar com as empresas municipais de modo a viabilizar o processo.

Os transportadores privados dizem não estar clara a origem e a forma para o seu reembolso.

Enquanto isso, os transportadores dizem que vão continuar a cobrar a tarifa normal até que o Governo anuncie alguma alteração, com as devidas regras de funcionamento.

O indivíduo faz parte de um grupo que envolve alguns funcionários seniores das Alfândegas de Moçambique, despachantes aduaneiros e empresários, implicados no caso de isenções aduaneiras fraudulentas orçadas em mais de 1,2 biliões de Meticais.

O esquema de isenções aduaneiras fraudulentas envolvia alguns funcionários seniores das Alfândegas de Moçambique, despachantes aduaneiros e empresários, que importavam diversos bens e mercadorias sem pagar os devidos encargos aduaneiros.

O indivíduo estava detido na terra do rand havia mais de um ano. O empresário fugiu do país para a África do sul, no ano passado, mas acabou por ser detido pela Polícia sul-africana, em coordenação com a Polícia Internacional (INTERPOL) no aeroporto de Joanesburgo, quando tentava embarcar num voo com destino à Costa do Marfim.

“Consequentemente a esta detenção, as autoridades moçambicanas requereram à África do Sul a extradição deste indivíduo, que culminou com o deferimento do nosso pedido a 13 de Janeiro do ano em curso, através de um despacho exarado pelo ministro da Justiça sul-africano”, explicou Hilário Lole, porta-voz do SERNIC ao nível da Cidade de Maputo.

No caso, denunciado no ano passado pela Procuradoria-Geral da República de Moçambique, além do empresário, mais 28 pessoas são acusadas de mais de 10 crimes, incluindo branqueamento de capitais e associação criminosa.

“Neste momento, seguem-se os processos para a sua responsabilização criminal, assim como a neutralização dos demais indivíduos identificados com autores destes crimes”, acrescentou Lole.

A isenção de encargos aduaneiros esteve orçada em 18,6 milhões de dólares, correspondentes a 1,2 biliões de Meticais e, de acordo com o SERNIC, grande parte dos indiciados já foi detida.

Um cidadão de origem asiática foi sequestrado, na noite desta sexta-feira, na cidade de Maputo, por indivíduos ainda desconhecidos. O facto ocorreu por volta das 20h, na Avenida Karl Marx, esquina com a Josina Machel. A polícia confirma a ocorrência, mas não avança detalhes.

É mais um caso de sequestro na cidade de Maputo.

Um vídeo amador, posto a circular nas redes sociais, mostra o momento em que indivíduos não identificados, fazendo-se transportar numa viatura branca, com matrícula não identificada, levavam à força um cidadão que supostamente é proprietário de uma sapataria, localizada na avenida Karl Marx, na cidade de Maputo.

Sem gravar entrevista, o Porta-voz da PRM na cidade de Maputo confirmou a ocorrência, mas não revelou detalhes do caso. Contudo, circulam informações de que a vítima chama-se Firoz Judge e na altura do ocorrido descia pela Karl Marx nesta viatura, acompanhado por um jovem identificado por Ibrahim, que supostamente foi baleado.

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