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O País – A verdade como notícia

Pouco mais de mil e duzentas empresas foram pré-seleccionadas pelo Gabinete de Reconstrução Pós-Ciclone para a segunda janela de subvenções equivalente ao sector privado. Os resultados foram apresentados na tarde desta segunda-feira pelo GREPOC, na cidade de Chimoio, província de Manica.

Trata-se da iniciativa que se enquadra na implementação do Programa de Reconstrução Pós-Ciclone, em resposta aos danos causados pelos ciclones Idai e Kenneth, que, em Março de 2019, devastaram as províncias das regiões Centro e Norte do país.

O director-executivo do GREPOC, Luís Paulo Mandlate, explicou que a pré-selecção das cerca de mil e duzentas empresas, entre as quais as  micro, pequenas, médias e associações, seguiu todos os critérios exigidos.

O programa visa a recuperação abrangente e sustentável do sector privado afectado pelos ciclones Idai e Kenneth e fortalecer as empresas para que, no futuro, tenham maior capacidade de responder aos desastres naturais, bem como recuperar activos essenciais à capacidade produtiva das mesmas.

O projecto tem o montante de financiamento orçado em cerca de 15 milhões de dólares americanos, e, na  província de Manica, o programa vai abranger agentes económicos de quase todos os distritos fustigados pelo ciclone Idai.

Os serviços de ortopedia estão suspensos no Hospital Central da Beira desde domingo passado, na sequência do incêndio que destruiu grande parte do Centro Ortopédico. Entretanto, poderão ser montadas tendas para garantir serviços mínimos. Os danos preliminares estão avaliados em mais de cinco milhões de Meticais.

O Centro Ortopédico do Hospital Central da Beira ficou num mau estado depois do incêndio. Todo o material usado para a produção de próteses ficou visivelmente danificado, e a infra-estrutura está com fissuras e outras paredes caíram, facto que condiciona o atendimento dos utentes.

A direcção do hospital já recorreu aos técnicos dos serviços provinciais de infra-estruturas para receber aconselhamento sobre como agir perante estes danos.

O impacto do incêndio no meio dos doentes é muito grande, tendo em conta que há doentes que necessitam de atenções especiais, outros de controlo regular e outros ainda à procura de meios de compensação. Armando Machute, um dos utentes do centro ortopédico, viu a sua consulta de rotina ser alterada para a próxima semana, por conta do incêndio.

O levantamento preliminar indica danos avaliados em mais de cinco milhões de Meticais, resultantes da destruição dos equipamentos usados para a produção de próteses.

Até esta terça-feira, a direcção do Hospital Central da Beira ainda não tinha as causas definitivas do incêndio. O director do Hospital Central da Beira referiu que está à espera de especialistas da área de incêndio, contudo tudo leva a crer que o fogo foi causado por um curto-circuito no quadro eléctrico.

O Provedor de Justiça diz que é necessário que se criem novas formas para combater o terrorismo e branqueamento de capitais no país. Isaque Chande defende que deve haver continuação do debate sobre a possibilidade do uso de meios invasivos para a obtenção de provas, mas deve-se ter em conta a Constituição da República.

Moçambique continua a procurar saídas para se livrar do terrorismo e branqueamento de capitais. Uma das formas propostas pelo Presidente do Tribunal Supremo, Adelino Muchanga, para combater estes crimes, foi o uso de meios invasivos para obtenção de provas.

Esta terça-feira, o Provedor de Justiça apontou para a necessidade de haver mais debate sobre o assunto.

“A questão de branqueamento de capitais é preocupante, a questão dos raptos é, também, preocupante. Por isso, é importante pensarmos em novas formas de actuação que possam ser mais adequadas no momento, mas sem fugir daquilo que são as linhas mestras da nossa Constituição da República”, disse Isaque Chande.

Sobre a privacidade das pessoas, que poderia ser colocada em causa com esse modus operandi, Chande diz que o problema pode ser contornado.

“A questão da privacidade das pessoas também está acautelada na Constituição da República, nas leis ordinárias, e não vejo que seja um problema. O mais importante é que, ao fazermos esses debates, temos que ter sempre, como orientação, a nossa Constituição da República, o que diz em relação à privacidade das pessoas, o que as leis ordinárias dizem em relação a isso e actuarmos dentro do ordenamento jurídico”, acrescentou Chande.

O Provedor de Justiça falava, esta terça-feira, à margem do lançamento de um livro de Luís Filipe Sacramento, a título póstumo.

O Conselho de Ministro destacou uma equipa para apoiar a província de Nampula a preparar-se para possíveis efeitos da tempestade Freddy e manteve a que tinha sido destacada para a província da Zambézia.

O ciclone tropical Freddy está a movimentar-se em direcção à costa moçambicana, prevendo-se que atinja algumas províncias do centro e norte do país a partir do dia 10 do mês em curso.

O Governo ainda não sabe o nível dos estragos que o mau tempo poderá causar e muito menos revelou a estratégia para lidar com possíveis impactos.

“Nós anunciámos, nas sessões anteriores, a constituição das equipas do Governo ao mais alto nível para fazerem a monitoria ao trabalho que é desenvolvido pelas autoridades locais, desta feita acresceu-se, justamente por causa desta tendência de retorno do Freddy que não se pode dizer ainda se virá de forma moderada ou agressiva”, contextualizou o porta-voz do Conselho de Ministros.

Em meio a esta incerteza, o Executivo preferiu ser mais cauteloso: “Portanto, acresceu-se, nessas equipas que anunciámos noutra reunião, que a província de Nampula vai ser, também, assistida pela sua excelência ministra da Administração e Função Pública e também o vice-ministro dos Recursos Minerais e Energia. Já nos tínhamos pronunciado sobre outras equipas que vão fazendo monitoria ao longo das províncias”.

Mais, o porta-voz do Governo afirma que outro trabalho que será feito “é o reiterar daquilo que vínhamos fazendo. O trabalho que tem sido feito pelo INGD, governos locais, distritais, bem como a contribuição que tem sido feita não só por órgãos não-governamentais, sociedade civil, como também por particulares, [continua], pelo que vamos replicar o sucesso que tivemos nas situações anteriores similares e vamos corrigir o que, eventualmente, não terá sido feito de forma correcta”.

O Governo disse, ainda, que não tem os resultados da equipa mista que investiga as causas da queima de viaturas moçambicanas na África do Sul e acrescenta que não se pode considerar o último incidente ocorrido na província de Maputo como retaliação.

“Portanto, o trabalho está em curso. Não me refiro especificamente ao incidente que aconteceu agora na Província de Maputo e não podemos de forma leviana chamar de retaliação. Há um trabalho que está a ser feito. Não se pode dizer por agora que tenham sido moçambicanos ou sul-africanos que procederam àquele acto criminoso, mas há um trabalho que está a ser feito e, quando o material for pronto e em condições de ser partilhado, vai ser partilhado. Comunico-lhe que é uma preocupação que o Governo tem e não começa agora”, detalhou Filimão Suazi.

Na oitava sessão do Conselho de Ministros, foram aprovadas as propostas de revisão da Lei de Trabalho 23/2007 de 01 de Agosto e de Investimento Privado a serem submetidas à Assembleia da República.

Vamos por partes: “A revisão da Lei de Trabalho abre espaço para que as agências privadas de emprego, por exemplo, à semelhança do que se passa com entidades similares, possam contratar cidadãos de nacionalidade estrangeira. Vamos, nesta proposta, estender o período de licença de maternidade para 90 dias, vamos harmonizar os tipos de empregador, com a forma como definidos no Código Comercial, teremos a introdução da figura de micro-empregador”, indicou alguns pontos que poderão mudar.

Já na Lei de Investimento Privado muda, não só a designação, como também outros aspectos, como “a ideia de mudar de nome é tipificá-la para que fique claro a que tipo de investimento ela procura lançar mão do que se quer ocupar. Dizemos é que, também, muito recentemente, foram anunciadas as medidas que constam do Pacote de Aceleração Económica e parte destas medidas mexem com áreas que têm a ver com a área de investimento, pelo que havia que encontrar, nesta revisão, espaço para trazer elementos que consubstanciam o processo de facilitação do investimento, como mecanismo do processo de aceleração económica”, explicou o porta-voz do Conselho de Ministros.

O Governo apreciou, ainda, as informações relacionadas ao processo de desenvolvimento do Compacto II do Millennium Challenge Account e o balanço da Campanha Agrícola 2022, bem como o lançamento da campanha 2023.

Mais de 900 mil pessoas poderão ser afectadas no país pelo ciclone tropical Freddy na sua segunda passagem. Na primeira, mais de 170 mil pessoas foram atingidas e houve registo de dez mortes. O balanço foi apresentado, esta terça-feira, pelo Centro Nacional Operativo de Emergência.

A tempestade tropical moderada Freddy passou pelo continente e deixou estragos, desde a destruição de infra-estruturas até feridos e perdas de vidas humanas.

Segundo o Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE), nas províncias de Gaza, Inhambane e Sofala, os impactos dos ventos fortes, chuvas e inundações foram mais sonantes, tendo sido afactadas mais de 170 mil pessoas.

“A tempestade tropical ainda não se dissipou. Temos, até este momento, 10 feridos, outros 10 óbitos, mais de 14 mil casas parcialmente destruídas, outras mais de 1900 totalmente destruídas e 13 516 encontram-se inundadas”, explicou Ana Cristina.

A tempestade tropical seguiu em direcção a Zimbabwe, mas o alerta continua vermelho para o país, porque o ciclone Freddy tende a mover-se de volta para o continente.

“O ciclone Freddy terá a província da Zambézia como o seu ponto de entrada. Os seus efeitos poderão fazer-se sentir também na zona norte da província de Sofala, sul de Nampula, Manica e Tete”, disse Luísa Meque, presidente do Instituto Nacional de Gestão de Riscos de Desastres (INGD).

A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia, segundo revelou Acácio Tembe, é que “Freddy” atinja o país entre os dias 10 e 11 do corrente mês.

“Esse sistema vai evoluir nas próximas horas para o ciclone tropical de categoria 3, um ciclone com ventos de cerca de 160 km/hora e rajadas de 189 a 190 km/hora. A previsão é entrar pela província da Zambézia e estamos a mapear Pebane e Maganja da Costa.”

Nestes pontos, a previsão é que sejam afectadas pelo menos 900 mil pessoas. Para as bacias de Licungo e Zambeze, com nível de enchimento de água elevado, o alerta é máximo.

“Estamos a prever situações não boas. Prevemos caudais acima de 14 mil m3. Vamos ter dois dias consecutivos de chuva acima dos 200 milímetros; isso é muito para as bacias pequenas”, explicou Agostinho Vilanculos, director nacional dos Recursos Hídricos.

Para as populações, o apelo é que se retirem das zonas de risco para lugares seguros com urgência.

As informações foram partilhadas, esta terça-feira, no Conselho Técnico de Gestão de Riscos de Desastres.

Mais de 100 casas continuam alagadas em Khongolote, no Município da Matola. Dessas residências, mais de 50 foram abandonadas pelos proprietários. A água das chuvas ameaça a saúde dos moradores.

Há muitas casas que ainda estão alagadas e ruas intransitáveis devido às inundações em Khongolote, no Município da Matola. Mesmo assim, os munícipes não equacionam sair do bairro e exigem solução ao problema.

“Sentimo-nos abandonados, não temos ajuda de ninguém, mesmo o presidente do Município da Matola não está aqui e nunca veio. Já estiveram aqui os da saúde, chefe do posto e outros que não nos ajudaram em nada, prometeram e nada. Mesmo as redes mosquiteiras para a nossa protecção nada”, lamentou José Macuácua, residente de Kongolote.

Eduardo Matsinhe diz que a solução é a abertura de valas: “Nós tentamos com a nossa força abrir valas, mas não conseguimos; as autoridades podem conseguir colocar valas de drenagem para escoar estas águas”.

A chefe de quarteirão relata situação de roubo nas casas que já foram abandonadas. Teresa Macitela, chefe do quarteirão 85, diz que já fez chegar a informação a outras estruturas da administração municipal e espera, neste momento, pela intervenção.

“Todas as ocorrências já foram reportadas às estruturas, ao círculo, ao chefe do posto, incluindo a Polícia. Estamos a passar mal aqui; é preciso tomar acção porque a população está a sofrer aqui”, disse Teresa Macitela.

Os moradores conhecem o ponto de saída da água e, para provarem isso, levaram a equipa de reportagem do jornal “O País” para mostrar.

Mais de 200 caixas de diferentes bebidas alcoólicas foram apreendidas, esta segunda-feira, na Cidade de Maputo. A Autoridade Tributária de Moçambique diz que se trata de produto contrabandeado, encontrado numa casa que servia de armazém no bairro Chamanculo.

Continua a venda de bebidas alcoólicas ilícitas na capital do país, apesar da campanha de combate ao fenómeno.

Esta segunda-feira, a Autoridade Tributária de Moçambique apreendeu mais de 200 caixas de bebidas alcoólicas contrabandeadas numa residência que servia de armazém, no bairro Chamanculo.

No local, foram apreendidas bebidas espirituosas, vinhos e cervejas. Ao “O País” as alfândegas não revelam a proveniência, o certo é que entraram de forma ilegal no país.

“A apreensão resulta do facto de não haver documentos que atestam a legalidade da importação da mercadoria. Ou seja, presume-se que a bebida tenha chegado ao país cortando a fronteira. Isto é, parte ínfima de um conjunto de outras apreensões que foram realizadas nas últimas semanas”, disse Fernando Tinga, porta-voz da Autoridade Tributária.

Segundo explicou o porta-voz da AT, a situação está a causar perdas avultadas aos cofres do Estado.

“Só durante os meses de Janeiro e Fevereiro deste ano, registamos 177 apreensões de bebidas alcoólicas e que resultaram numa receita recuperada em mais de 18 milhões de Meticais”, acrescentou Fernando Tinga.

As apreensões resultam de denúncias populares.

Há casas em risco de cair na Cidade de Maputo, devido a crateras abertas em resultado da chuva das últimas duas semanas. Em outros pontos, a fúria das águas arrastou areia e entupiu as valas de drenagem. Os moradores pedem a intervenção da edilidade.

A Avenida Cardeal Alexandre dos Santos é uma das vias com as valas de drenagem cheias de areia, na Cidade de Maputo.

Em vez de escoar a água da chuva, servem de passagem para peões que, interpelados pela nossa equipa de reportagem, expressaram preocupação, devido à época chuvosa em curso.

“As valas não estão funcionais nesta via. Está tudo entupido. Quando chove, isso tem sempre acontecido, a areia vem de cima e concentra-se aqui”, lamentou João Sitoe.

A vala tem mais de um metro de profundidade, mas a areia ocupou grande parte, e em alguns pontos já nem é visível.

“Temos tirado a areia para facilitar a passagem da água assim que chover. Queremos também evitar congestionamento, porque a água que acaba por invadir a estrada, por não ter onde circular, condiciona o trânsito”, disse Caudêncio Sousa, automobilista.

O cenário é descrito, pelos munícipes, como uma parte dos estragos em resultado da chuva das últimas duas semanas e que poderão piorar se a chuva continuar nos próximos dias; ou até causar mais mortes em zonas como Polana Caniço “A”, por exemplo, na Avenida Julius Nyerere, onde as paredes das casas têm rachas e algumas delas estão prestes a cair.

Na origem do problema, estão enormes crateras que se formaram e que constituem um perigo para os moradores.

“Vivemos com medo e, sempre que chove, saímos para espreitar, porque sabemos que há essa cova aqui”, contou Gina José, uma das moradoras.

Não tendo uma solução em vista para o problema, os moradores pedem a intervenção da edilidade. O Conselho Municipal de Maputo prometeu pronunciar-se oportunamente.

É difícil circular na Estrada Nacional Número Um, no troço entre a rotunda da Missão Roque e a ponte do Zimpeto. Chega-se a levar pelo menos duas horas para fazer o mesmo percurso. Nos dias de chuva, o problema agrava-se.

Buracos, poças de água e montes de areia são visíveis ao longo da EN1, sobretudo nos dias de chuva.

Da rotunda de Missão Roque ao posto de Controlo da Polícia do Zimpeto, levam-se duas horas, seja de dia, seja de noite.

A Polícia de Trânsito fica, vezes sem conta, de mãos atadas por falta de soluções ao problema que deixa os condutores com nervos à flor da pele.

No período nocturno, verifica-se congestionamento, e os automobilistas queixam-se de prejuízos. “Estou aqui na fila já faz duas horas de tempo. Todos os meus passageiros tiveram que descer do carro porque não estamos a conseguir andar”, lamentou Alfredo João, transportador de passageiros.

As chuvas agravam ainda mais o problema. “Há congestionamento a qualquer hora.”

Moisés Tseca, automobilista, contou que chegou ao bairro Jardim por volta das 20 horas e só às 22 horas chegou a Zimpeto.

“O País” contactou a Administração Nacional de Estradas e prometeu pronunciar-se sobre o assunto nos próximos dias.

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