Skip to main content

O País – A verdade como notícia

O projecto de construção das valas de drenagem na Baixa da Cidade de Maputo e nalguns bairros da capital do país arranca em Julho deste ano. Para estas obras, o Município de Maputo pediu ao Banco Mundial um acréscimo de 50 milhões de dólares ao valor total do projecto de requalificação da cidade, que é de 100 milhões de dólares.

Pode ser um fim à vista ou, pelo menos, minimização das inundações de alguns bairros da capital do país sempre que chove.

Sucede que está previsto, para dentro de dois meses, o início da construção de valas de drenagem na “Baixa” e nalguns bairros da Cidade de Maputo.

“Foi lançado o concurso público há duas semanas, o que significa que estamos agora a receber manifestação de interesse das empresas que irão ocupar-se desta obra, que se prevê que se inicie em Julho, tendo em conta o cronograma, mas isso dependerá também do processo que vier”, revelou Victor Mabeia, responsável pelo projecto no Município de Maputo, acrescentando que tal vai envolver Chamanculo e outros bairros arredores.

Para a execução destas obras, o Município de Maputo disse que os 100 milhões do projecto de requalificação da cidade não serão suficientes. “O Banco Mundial aprovou mais 50 milhões de dólares adicionais aos 100 para, sobretudo, cobrir as questões de drenagem na Cidade de Maputo. Não será apenas a área da Baixa como inicialmente estava na componente dessa actividade, como também outras áreas da cidade que requerem uma intervenção acelerada sobre a componente da drenagem”, justificou Victor Mabeia.

Ainda no âmbito do projecto financiado pelo Banco Mundial, prevê-se o início, dentro de três semanas, de instalação de iluminação pública em 20 bairros e limpeza das valas de drenagem.

Nini Satar diz que quem encomendou a sua morte é um cidadão de origem paquistanesa e outro de raça branca, ainda não identificados. A declaração foi feita, hoje, durante a sessão de audição ao declarante, no âmbito da tentativa de assassinato a que foi vítima, em Fevereiro do ano passado.

Cumpriu-se, esta segunda-feira, o terceiro dia do julgamento do caso da tentativa de assassinato de Nini Satar, que tem lugar na Cadeia de Máxima Segurança da Machava, na Província de Maputo.

Nesta sessão de produção de provas, foi ouvida a vítima, Momed Satar, como declarante. Nini usou o espaço para reafirmar a denúncia que fez na Procuradoria sobre a tentativa de assassinato.

“Os cinco réus presentes neste julgamento não há dúvidas de que tentaram matar-me. Existem réus confessos e outros que não querem confessar”, declarou.

Momeda Satar explica que recebeu informações sobre o plano, através de um recluso não identificado, que depois disso exigiu que apresentasse provas. Assim, através de um celular, orientou que o recluso Carlos Zavala, identificado como quem denunciou o plano, gravasse com todos os envolvidos áudios que comprovassem o envolvimento de todos.

Nini Satar reafirmou que houve tentativa de tirar a sua vida e tudo foi orquestrado por um grupo que envolve a Polícia e mais dois indivíduos ainda não identificados.

“Eu suspeito, mas não tenho provas, por isso não posso falar os nomes, mas há uma investigação da Polícia para neutralizar estes mandantes. Só precisamos de algumas provas. Os próprios (envolvidos) dizem, nos áudios e nas conversas que têm, que um cidadão é paquistanês e outro de raça branca.”

Segundo Nini, o paquistanês tem-se envolvido com os agentes da Polícia noutros crimes na Cidade de Maputo, ou seja, é uma rede criminosa, faltam apenas provas, mas não têm dúvidas de que existe esse mandante e não são os agentes da PRM.

Sobre a acusação de que Momed Satar teria orquestrado um teatro para que voltasse a ser assunto nos media, Nini rebate dizendo que “sou famoso há mais de 20 anos e não posso pagar pessoas para matar a mim”.

“Não preciso de fama para atentar contra a minha própria vida e fazendo este teatro, envolvendo milhares de dólares e milhões de Meticais, para fazer um atentado contra mim. Há uma particularidade aqui, e que todos os réus estão presos. Só havia de obter o dinheiro depois de consumarem a minha morte, então a pergunta é: E ia pagar alguém para matar a mim?”, questionou Nini.

Ainda nesta segunda-feira, foram ouvidos os declarantes Carlos Zavala, Maulana Hanza e Cremildo Muthemba.

Carlos Zavala é identificado como quem alertou Nini sobre a tentativa de assassinato. Maulana Hanza fora contactado para comprar uma substância tóxica para pôr na água, mas também diz que acabou por denunciar o plano.

Já Cremildo Muthemba, contactado para executar Nini, conta que não quis envolver-se no crime, por isso, quando foi interrogado, contou tudo à Polícia.

Na próxima quarta-feira, serão ouvidos mais dois declarantes, nomeadamente Armando Vilanculos, identificado como quem facilitou a entrada do celular usado para fazer gravações na B.O., e Franque, recluso tido como quem introduziu a faca que supostamente seria usada para executar Nini.

 

Três pessoas foram detidas no último fim-de-semana, na Beira, pelo Gabinete Provincial de Combate à Corrupção em Sofala, quando foram supostamente flagradas em subornos para facilitar o recenseamento.

Os detidos são um agente recenseador e duas mulheres. O recenseador cobrou dinheiro às duas mulheres que pretendiam ser recenseadas no bairro da Manga, na cidade da Beira, com objectivo de as inscrever imediatamente em detrimento dos outros eleitores que já estavam numa longa fila.

“Os nossos agentes operativos que se fizeram presentes ao local após denúncias populares presenciaram a entrega dos valores. Cada uma das indiciadas entregou ao recenseador em causa 100 Meticais e eles foram detidos em flagrante. Já foi elaborado um expediente que está a ser tramitado para depois ser remetido ao tribunal para julgamento na forma sumária”, explicou Marina Macamo, magistrada do Ministério Público na Beira.

De acordo com o Gabinete Provincial de Combate à Corrupção em Sofala, a conduta do recenseador consubstancia ao crime de corrupção passiva e de corrupção activa para as duas mulheres.

Para o recenseador eleitoral, a moldura penal varia de um anoa cinco anos de prisão e as outras indiciadas podem vir a cumprir penas de dois anos de prisão.

Ainda na Beira, subiu para cinco o número de eleitores detidos por ilícitos eleitorais, supostamente por tentarem recensear-se nesta urbe, enquanto reside noutras regiões. A Polícia diz que está a clarificar os casos e que oportunamente irá pronunciar-se.

Os 22 estudantes moçambicanos que reclamavam de abandono do Governo partem esta segunda-feira de Cartum, no Sudão, para Adis Abeba, capital da Etiópia. Informou, por telefone, Armando Muiuane, director do Instituto Nacional das Comunidades Moçambicanas no Exterior (INACE).

Apesar de ainda não haver data, o director do INACE assegura que, depois da Etiópia, os estudantes vão regressar ao solo pátrio e só voltarão ao Sudão quando houver condições de segurança para continuarem com os seus estudos.

Até à manhã de hoje, os estudantes estavam de malas prontas, aguardando apenas o transporte para iniciar a viagem. Junto deles vai um padre moçambicano, totalizando 23 nacionais que aguardavam ajuda do Governo naquele país do Norte de África.

Os estudantes faziam cursos como Engenharia, Arquitectura e Medicina na Universidade Internacional de África. Desde o início do conflito entre o exército e as forças paramilitares sudanesas, a 15 deste mês, reclamavam de dificuldades extremas para alimentação e outras necessidades básicas, bem como da incerteza criada pela insegurança que se instalou no país.

Segundo a Organização das Nações Unidas, o conflito armado no Sudão já provocou a morte de mais de 400 pessoas e fez pouco mais de três mil feridos.

Vários países evacuam os seus cidadãos desde a noite do último sábado. Segundo a imprensa internacional, os Estados Unidos da América e a Arábia Saudita já evacuaram todo o seu pessoal, entre civis e militares.

O conflito armado entre o exército e paramilitares no Sudão já está na sua segunda semana. Desde o último sábado, vários países, através de suas representações diplomáticas, estão a evacuar os seus cidadãos. Contudo, até ontem, o Governo moçambicano ainda não tinha data para o efeito. O Instituto Nacional para as Comunidades Moçambicanas no Exterior assegurou, no entanto, que não houve moçambicanos entre os mortos e feridos.

O Sudão vive desde o dia 15 deste mês um cenário de guerra. O exército e as forças paramilitares do Sudão defrontam-se militarmente, deixando mortes e cenário de destruição. Até ao fecho desta reportagem, dados da Organização Mundial da Saúde indicavam que havia mais de 400 mortes e 300 feridos.

Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, existem naquele país 23 moçambicanos, dos quais 22 são estudantes. Apesar de ninguém ter sido ferido ou morto, as condições em que se encontram não são das melhores e a incerteza criada pela situação deixa-os desesperados.

O “O País” teve acesso a um áudio gravado por um deles ao seu familiar. Apesar de garantir que estava bem, o estudante, chamado Assamo Francisco, dizia que alguns estudantes relatavam dificuldades no acesso a alimentos.

“Alunos estão a sofrer. Não têm comida, não estão a cozinhar como deve ser. Como presidente, visitei alguns deles. Contaram-me que os militares entraram numa residência e danificaram o quadro eléctrico, deixando-os sem energia e dependentes de um gerador, que não podem usar sempre, porque devem racionalizar o dinheiro para comprar o combustível”, afirmou.

Os confrontos tendem a agravar-se. Desde o último sábado, vários países estão a evacuar seus cidadãos.

Neste domingo, os Estados Unidos, a França, a Turquia, o Reino Unido, entre outros países, enceraram as suas embaixadas naquele país e retiraram todo o seu pessoal, tanto civil, quanto militar.

Toda a gente de malas prontas, menos os moçambicanos, que se sentiam abandonados pelo Governo. Moçambique não tem nenhuma representação diplomática no Sudão, o que deixou os estudantes, desesperados, tendo, sem sucesso, procurado ajuda de embaixadas de outros países.

“Falámos com o embaixador da Tanzânia para nos colocar no carro que transportava estudantes tanzanianos, mas ele disse que éramos muitos e que nos levaria se fôssemos pelo menos quatro ou cinco pessoas”, disse Assamo Francisco.

Em Maputo, o “O País” procurou o Instituto Nacional para as Comunidades Moçambicanas no Exterior (INACE), instituição tutelada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, que garantiu não existirem feridos nacionais. O director da instituição, Armando Muiuane, explicou que a demora na evacuação se deve, entre outros factores, a problemas burocráticos.

“São estudantes que foram para o Sudão por conta própria ou financiados por entidades que não são por nós controladas. Não são estudantes bolseiros do Instituto de Bolsas de Moçambique. Infelizmente, passamos a saber quantos é que lá estavam e que cursos estavam a fazer com esta crise. Teria sido de bom agrado que os estudantes se tivessem inscrito, feito o registo consular numa das missões diplomatas próximas de Sudão, como Cairo ou Adis Abeba e ficaríamos a saber que eles existem e nossa acção teria sido muito mais rápida em termos de preocupação com aquilo que devíamos fazer”, avançou.

Sobre a falta de apoio, o director do INACE diz que o Governo está, desde a última sexta-feira, a prestar ajuda aos estudantes, que se encontram numa universidade que oferece segurança.

“Formámos um grupo, pelas redes sociais, para facilitar a comunicação. Acompanhamos de minuto a minuto toda a actividade desenvolvida e até agora não temos informação de nenhuma baixa de nenhum moçambicano”, esclareceu.

Mesmo sem datas e locais previstos, Armando Muiuane diz que o Governo está a tratar da evacuação dos nacionais.

“Nós já devíamos ter os moçambicanos fora daquele teatro de guerra. Há constrangimentos de vária ordem, ligados à circulação de pessoas e meios de transporte. É preciso garantir que há transporte, e os transportes são pagos. Claramente, a vida é mais valiosa. Está a ser equacionado garantir-se meios. Formámos um cordão diplomático com os países vizinhos do Sudão para ver o que estariam a fazer em termos de evacuação dos seus e também procurarmos evacuar os nossos. A ideia é serem evacuados a países onde possam estar salvos e de lá para Moçambique”, explicou.

Os confrontos no Sudão entraram, esta segunda-feira, na sua segunda semana, com previsões de analistas a apontarem que o seu fim está distante.

Residentes de Marracuene têm aderido aos postos de recenseamento eleitoral e dizem que esperam melhorias com a municipalização daquele distrito. Já na Cidade de Maputo, os munícipes reclamam de morosidade no atendimento.

É a primeira vez que as irmãs Kyara e Ayassa Buque se recenseiam para votar. Não só será a primeira vez que irão votar, como também será pela primeira vez que o distrito onde vivem ascende à categoria de município.

Kyara tem 22 anos de idade e Ayassa completa 18 anos exactamente no dia 11 de Outubro, por isso a sua satisfação pelo acto de recenseamento.

As irmãs demonstraram a sua emoção pelo acto e aproveitaram a ocasião para apelar aos jovens para se recensear o quanto antes, pois, segundo suas palavras, “é a juventude o futuro do país”.

Acompanhadas pelos pais, as meninas cumpriram o seu dever. E a motivação desta família para se recensear, ainda no início do processo, é contribuir, através do voto, para o crescimento do distrito de Marracuene.

“É a oportunidade que temos para contribuir, de alguma forma, para o desenvolvimento do nosso Marracuene. O distrito poderá registar crescimento em vários sectores, como energia eléctrica, vias de acesso, bem como na urbanização, uma vez que assistimos a uma tendência e aumento da população residente neste distrito”, disse Sansão Buque, pai das meninas.

O “O País” fez, este sábado, uma ronda por alguns postos de recenseamento em Marracuene, onde os cidadãos afluíram. A adesão, segundo explicaram, justifica-se pela necessidade de ver resolvidos problemas como a fraca gestão do lixo e o alto índice de criminalidade.
Santos Matavele, um dos residentes de Marracuene que encontrámos na fila, conta que a sua expectativa com a municipalização de Marracuene tem a ver com a resolução também da venda informal.

Lurdes Muianga vê a criação do município como solução para a existência de “contentores de lixo, pois aqui nós deitamos lixo em qualquer lugar, o que é um grande risco para a nossa saúde, principalmente das crianças que brincam à deriva”.

Já no Município de Maputo, que pela sexta vez vai realizar eleições autárquicas, um número considerável de munícipes também se fez aos postos de recenseamento, mas o processo foi marcado pela demora no atendimento.

“Eu cheguei às 7 horas e sigo outras 40. Não sei se vou ser atendido ainda hoje, uma vez que os que têm senhas, por não terem sido atendidas ontem, ainda estão aqui. Não sabemos o que se passa, mas a verdade é que estamos a ficar aborrecidos”, desabafou Eduardo Nandza, que aponta o facto de ser apenas uma máquina a operar, para toda a comunidade, como uma das possíveis causas da demora.

Igual a Nandza esteve Adérito Wetela. Este diz não perceber a razão da morosidade, enquanto não existem muitas pessoas na fila.

Na mesma fila, havia pessoas que voltavam ao posto pela segunda vez, por não terem conseguido recensear-se na sexta-feira (21).

“Estive aqui ontem, das 7h às 16h. Deram-se senha para voltar hoje. Estou aqui desde 11 horas. Até agora, não fui atendida.”

Contudo, desistir está fora de hipótese, pois os cidadãos bem conhecem a importância do acto.

Os postos de recenseamento estão abertos todos os dias, mesmo aos feriados, das 08h00 às 16horas, até ao dia 03 de Junho próximo.

A província de Manica conta, a partir deste sábado, com um novo comandante da Polícia. Trata-se de Sérgio Faustino Age que sucede a Moisés Gueve, transferido para o Comando-Geral da Polícia, onde vai desempenhar novas funções na área social.

Age é desafiado a agir numa província onde ocorrem crimes transfronteiriços devido à sua localização, em que faz fronteira com o vizinho Zimbabwe.

O novo homem forte da Polícia em Manica disse que, para combater esse tipo de crime, passa por criar condições de cortar a imigração ilegal em todas as linhas que atravessam a fronteira.

“Vamos trabalhar de forma incansável para combater os crimes transfronteiriços. Temos que cortar essas linhas que facilitam a imigração ilegal”, disse Age.

Manica é também uma das províncias onde já foram reportados casos de raptos.

Oito empresários foram vítimas nos últimos quatro anos e, depois, libertados dos cativeiros mediante pagamento de um valor de resgate.
Sérgio Age diz que, pela complexidade deste tipo de crime, precisa de estudar o terreno.

Moisés Gueve, que vai assumir novas funções no Comando-Geral da Polícia, diz sair de Manica de cabeça erguida.

O novo comandante da Polícia em Manica já esteve a assumir as mesmas funções nas províncias da Zambézia e Tete. Chega a Manica vindo de Cabo Delgado, onde estava a coordenar operações policiais no Teatro Operacional Norte.

Decorreu hoje o segundo dia do Julgamento do caso da tentativa de assassinato de Nini Satar, despoletado em Novembro do ano passado. Os arguido ouvidos acusam Nini Satar de simular o próprio assassinato para agitar a cadeia e voltar a ser falado nos media.

Arrancou, nesta quarta-feira o Julgamento do caso da tentativa de assassinato de Momad Satar, também conhecido por Nini Satar, que cumpre pena na Cadeia de Máxima segurança, pelo assassinato do Jornalista Carlos Cardoso.

Segundo o Ministério Público, o caso deu-se em Fevereiro do ano passado e teve o envolvimento de reclusos e agentes da Polícia da República de Moçambique.

Ao todo são seis arguidos implicados na tentativa de assassinato de Nini Satar, dos quais três são agentes da Polícia das República de Moçambique (PRM), afectos à Unidade de Intervenção Rápida (UIR), e os outros três são reclusos que cumprem pena naquela unidade.

Trata-se de Lenine Macamo, José Ngulela e Edson Muyanga, membros da Unidade de Intervenção rápida e os reclusos Leão Wilson, Damião Mula e António Chicuamba, que até a data dos factos cumpriam penas pelos crimes de rapto e porte de armas proibidas.

No despacho de pronúncia, o Ministério Público acusou os membros da PRM de ter contactado o Réu Leão Wilson, detido na BO, para junto dos outros, assassinar Nini Satar, através da água.

A Assistente do Ministério Público disse que “nos autos consta que Nini seria morto por uma substância a ser adquirida em Nampula, mas vendo a demora foram acionados outros mecanismos e cogitou-se a possibilidade de uso de arma de fogo. Porém uma arma de fogo faria muito barrulho e chamaria atenção dos demais”.

Mas, o plano foi descoberto pelo recluso Carlos Zavala, depois que foi contactado para executar Nini, sem saber que Zavala era íntimo de Nini.

Segundo o Ministério Público o recluso em questão denunciou a pretensão ao amigo (Nini), tendo este o encarregado de produzir provas desta pretensão. É daí que surgem os áudios supostamente feitos pelos agentes José Ngulela e Edson Muyanga, com conteúdos de ameaças de morte e referenciando o envolvimento de altas figuras do Estado (Presidente da República, Procuradora-geral da República e o comandante-geral da República).

Esta quinta-feira, os arguidos José Ngulela e Edson Muyanga, agentes da PRM apontados nos autos como os cabecilhas, foram ouvidos mas negaram tudo e acusaram Nini Satar de ser quem montou todo o esquema.

“José Ngulela disse que, segundo Lenine Macamo, o senhor Momed Satar orientou para que se fizesse a tal simulação de assassinato porque ele já não era falado, sobretudo porque queria criar uma agitação a fim de transmitir a ideia de que na cadeia onde ele se encontrava não estava seguro”, disse Lucílio Nhanombe, ditando para a redacção da acta da audição.

Os arguidos acusam Lenine Macamo, agente da UIR foragido, de ter orquestrado a encenação, junto de Nini Satar.

“Questionado (José Ngulela) sobre como entra nesta novela, respondeu que o Lenine é que procurou-lhe dizendo que tinha uma bolada. Tratava-se de uma novela para assassinar o senhor Nini Satar”, disse.

As audições aos arguidos terminaram nesta sexta-feira. O que se segue, a partir da próxima segunda-feira (24) ouvir os declarantes e entre eles está o queixoso (ofendido) Momad Satar, para, segundo o Juiz do caso, ajudar a esclarecer o caso, o qual é acusado de orquestrar.

O país conta a partir de hoje com mais trinta e cinco enfermeiros especialistas em cuidados intensivos e instrumentistas. Os profissionais foram graduados esta sexta-feira pelo Instituto de Ciências de Saúde de Maputo.

A cerimónia foi dirigida pelo Ministro da Saúde, Armindo Tiago, que admitiu, na ocasião, que o país tem falta de mais de 500 instrumentistas e que o sector da saúde percebeu, durante a época de COVID-19, que faltam profissionais em áreas específicas.

Foi por essa razão que a formação surgiu e esta é a primeira graduação de cursos especializados.

“Deveremos formar, nos próximos meses, mais de dois mil enfermeiros especializados, para garantir assistência especializada ao nosso povo. O país tem falta de instrumentistas, portanto queremos ver mais cursos, mais instrumentistas, mais enfermeiros de cuidados intensivos, mais enfermeiros que fazem anestesia do nível médio e superior e queremos técnicos superiores de cirurgia para trabalharem nos hospitais distritais que vão ser construídos no âmbito da iniciativa presidencial “Um distrito, um hospital”, referiu Armindo Tiago.

Os graduados foram formados pelo Instituto de Ciências de Saúde de Maputo.

O chefe da pasta da Saúde exigiu dos 35 enfermeiros especialistas profissionalismo e humanismo ao tratar os doentes.

“Queremos cuidados de saúde com competência, mas sobretudo que sejam humanizados”, exigiu, destacando que as mulheres devem tratar o doente com o amor de mãe, sobretudo, nas maternidades, de onde recebem muitas queixas.

“Nas nossas maternidades, a única dor que queremos que as mulheres sintam é a dor do parto, e a única dor que o doente deve sentir depois de ser tratado nos cuidados intensivos é a dor da pós-anestesia, que deve ser normal, para dizer que vai recuperar-se”, impôs o governante.

Tiago deixou recomendações, também, ao Instituto de Ciências de Saúde, que deve providenciar soluções para suprir a falta de equipamentos de formação, que a instituição tem enfrentado.

“A Direcção Nacional de Formação de Profissional de Saúde deve resolver na próxima semana toda a situação e falta de equipamento de formação. O que queremos é uma formação de qualidade”, concluiu.

Os graduados prometem cuidar do doente com humildade, ética e deontologia.

+ LIDAS

Siga nos