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O País – A verdade como notícia

O Hospital Central de Nampula garante estar a prestar serviços de saúde aos utentes, apesar da greve dos médicos em curso. Os médicos militares e estrangeiros asseguram o serviço público.

“O nosso banco de socorros para adultos está a funcionar. Ele funciona com três médicos que estão a realizar às suas actividades normalmente. E a nível de banco de socorros de pediatria e consultas externas também estamos a funcionar normalmente”, disse o director do HCN, Cachimo Mulina.

Nas unidades sanitárias de nível periférico os enfermeiros e técnicos de saúde constituem o grosso do pessoal que garante cuidados de saúde. É o caso do Centro de Saúde 1º de Maio, por isso o impacto da greve dos médicos não tem o mesmo peso.

Os pacientes relatam que o atendimento foi normal. “Por mim me atenderam bem, não tenho queixas. Cheguei e esperei um pouco só”, disse Atija António.

Os dois médicos dentistas do Centro de Saúde 1º de Maio estiveram em greve na primeira semana, mas depois retomaram ao trabalho.

Mais de mil alunos poderão deixar de estudar ao relento na Escola Primária de Malhampsene, na Província de Maputo, com a construção de 12 salas de aula. O lançamento da primeira pedra foi feito, hoje, pelo governador, Júlio Parruque.

A Escola Primária de Malhampsene é uma das que apresenta maior número de turmas ao relento na província de Maputo, totalizando cerca de 30.

Os alunos sujeitavam-se a distrações, poeiras e ao frio devido às aulas ao livre, o que compromete o processo de ensino e aprendizagem, segundo queixaram-se os professores daquela unidade de ensino.

“Ao estudar ao relento a atenção em si não é das melhores porque as turmas são muito próximas e por conta disso é difícil leccionar”, explicou Zulmira Alexandre, professora da  4a classe.

Para responder às preocupações, está em curso a construção de mais doze salas de aula, que poderão beneficiar mais de 1000 alunos.

“Obras desta natureza alimentam a nossa esperança rumo ao nosso grande propósito de eliminar as turmas ao ar livre. Só no município da Matola temos mais de 500 turmas que estudam ao relento, ou nas varandas, ou debaixo de árvores, nos diversos cantos que há nas escolas. E estão afectadas neste sentido mais de 30 mil alunos”, disse Júlio Parruque, governador da província de Maputo, no lançamento da primeira pedra para a construção das 12 salas de aula.

No local serão também construídos sanitários, muro de vedação e reabilitadas outras nove salas de aula.

As obras estão orçadas em 100 milhões de meticais financiadas pela MOZAL e poderão durar seis meses.

“O projecto respeita o preconizado pelo Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano no concernente a aspectos de qualidade da educação, resiliência e durabilidade do edifício. Constituem objectivos do projecto, aumentar a abrangência da população estudantil no bairro de Malhampsene, reduzir a distância casa-escola e reduzir o número de crianças e jovens que estudam ao ar livre”, explicou Samuel Gudo, presidente do Conselho de Administração da Mozal.

Na província de Maputo, pelo menos 900 turmas estudam ao relento devido a falta de salas de aula.

Os transportadores filiados à Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) ameaçam tirar de circulação mais de 100 veículos que fazem o transporte de passageiros na Cidade de Maputo, na Matola e em Boane. Os operadores acusam ainda a Agência Metropolitana de Transporte de Maputo (AMT) de os estar a enganar. Em causa está uma dívida de seis meses de compensação aos transportadores, que a AMT promete pagar na sexta-feira.

Mais de 100 transportadores semicolectivos de passageiros esperam pelo pagamento do valor prometido pelo Governo para compensar, por um lado, a subida das tarifas, e por outro, a alta dos preços dos combustíveis e os custos de operação.

Depois de reunidos, no fim-de-semana, decidiram, hoje, manifestar-se em frente ao pátio das instalações da Agência Metropolita de Transporte de Maputo, para exigir explicações à direcção da AMT, concretamente ao presidente da instituição, António Matos, pelo não pagamento, até esta parte, das compensações relativas aos meses de Dezembro, Janeiro, Fevereiro, Maio, Junho e Julho.

Segundo o presidente da FEMATRO, Castigo Nhamane, a AMT tinha prometido que o dinheiro estaria nas contas bancárias dos operadores logo nas primeiras horas desta segunda-feira, depois de a promessa de pagamento ter sido feita, inicialmente, para 29 de Junho.

Se não houver uma resposta satisfatória, os transportadores ameaçam paralisar as actividades, porque, segundo alegam, até aos quatro mil Meticais, a serem pagos na sexta-feira, de acordo com a promessa feita por António Matos, não é suficiente perante as despesas que têm.

“Se ao houver uma resposta, nós, amanhã (esta terça-feira), havemos de parar e não há-de haver nem My Love para circular. O país tem de parar, para resolverem os nossos problemas”, disse, enfurecido, um transportador semicolectivo.

Perante mais uma promessa, Castigo Nhamane lamenta a falta de palavra da Agência Metropolita de Transporte de Maputo. “A AMT não pode evocar uma razão hoje e amanhã evocar outra. Os operadores não acreditam nas últimas promessas que a FEMATRO partilhou; a FEMATRO não inventa, partilha aquilo que ouve da AMT, para transmitir aos transportadores. É por isso que estes transportadores deixaram os seus afazeres, porque têm carros avariados e outras preocupações”, lamentou.

A Agência Metropolita de Transporte de Maputo reconhece o seu incumprimento, mas assegura que os pagamentos serão feitos na sexta-feira.

“Logo que o dinheiro chegar, como temos listas, vamos fazer o pagamento imediato. Eu falo de sexta-feira, mas se calhar vai ser antes”, realçou António Matos.

Os transportadores, por sua vez, dizem que já não há confiança nas palavras de António Matos, presidente da Agência Metropolitana de Transporte.

“Da forma como estão a acontecer as coisas, não são viáveis. As contas feitas para compensar com quatro mil Meticais, vêm donde?”, questionou o operador Ranito Matsinhe, que foi secundado por Cecília Xinavane. “Nestas condições, não temos como operar, não estamos satisfeitos, o valor da compensação não cobre nem 10 por cento do que gastamos para manter o autocarro na estrada.”

Para a transportadora Aida Lázaro, operadora na área desde a década de 1990, a solução passa por transmitir a gestão das compensações para a FEMATRO.

“Nem reparar as viaturas conseguimos, andamos sempre endividados nos bancos. Ele diz ao Governo que nos paga as compensações, mas ele não paga, porque paga quando quer e no dia em que entende. Por isso, para nós, a agência não nos está a ser útil. Nós sentimo-nos enganados. Vamos dar um ultimato, se o senhor António Matos quiser trabalhar connosco, que mude, caso não, que deixe a FEMATRO funcionar como vinha a funcionar.”

O jornal O País soube que o dinheiro da compensação, no valor de quatro mil Meticais, praticado actualmente, está abaixo dos custos funcionais para os operadores desempenharem a sua actividade, pois, segundo dizem, só o combustível para pôr um carro a circular, representa 60 por cento dos gastos para o transporte de passageiros.

A empresa Linhas Aéreas de Moçambique reintroduziu o serviço de assistência aos passageiros em terra, que numa primeira fase, está disponivel no Aeroporto Internacional de Maputo. O vice-ministro dos Transportes diz que esta iniciativa enquadra-se nos esforços do Governo para a recuperação da sustentabilidade da companhia.

“A LAM está num processo de reformas e há um entendimento de que os seus serviços têm tendência a melhorar. Por aquilo que pudemos constatar durante a interacção com os passageiros, o serviço (Care Team) está a facilitar sobremaneira a sua movimentação dentro do aeroporto”, disse o vice-ministro.

A visita do vice-ministro dos Transportes e Comunicações, Amilton Alissone, tinha como objectivo inteirar-se  do conjunto das reformas em curso depois da intervenção da Fly Modern Ark na gestão da empresa Linhas Aéreas de Moçambique.

“Vamos todos abraçar esta causa, a reforma da nossa companhia de bandeira é um objectivo do Governo e um desejo de todos os moçambicanos para que tenhamos uma companhia mais fiável, segura e que ofereça serviços de qualidade e a custos actrativos”, acrescentou.

Por sua vez, a gestora do Projecto Care Team explicou que a LAM quer orientar melhor os utentes dos vários serviços nos aeroportos.

“Temos, por exemplo, passageiros que nunca tiveram a experiência de voar e precisam saber como fazer o check-in ou distinguir a classe económica da executiva, ter noções de prioridades no atendimento, no caso de idosos, gestantes, deficientes, entre outras situações. Os membros da Care Team estão aqui justamente para prestar este tipo de assistência e apoio”, explicou.

O Professor Celestino Joanguete foi distinguido como Doutor Académico pelo Colégio Oficial Internacional de Doutores.

A distinção é baseada na produção científica e profissional do académico moçambicano na área de comunicação.

Joanguete foi também convidado a fazer parte do Colégio Internacional de Doutores.

A entrega do título académico vai acontecer nos dias 5 e 6 de Outubro, em Lima, capital do Peru.

O edil de Maputo, Eneas Comiche, diz que muito feito nos últimos cinco anos na Cidade de Maputo, entretanto, não conseguiu cumprir com todas as promessas feitas durante a sua campanha eleitoral devido a COVID-19, a crise económica, os eventos climáticos extremos e o terrorismo em Cabo Delgado que afectaram grandemente o desenvolvimento “saudável” da Cidade de Maputo.

Comiche falava este sábado a centenas de munícipes do distrito KaMubukwana, durante o balanço da sua governação que está prestes a terminar. Apesar dos impedimentos que destacou logo no início do seu discurso, não deixou de falar dos avanços feitos nos últimos anos, a começar pela melhoria das vias de acesso, naquele distrito.

“Temos a destacar a pavimentação da Rua São Paulo e melhoramento do sistema de drenagem das Ruas transversais a esta, no bairro municipal 25 de Junho” B”, fizemos a requalificação e asfaltagem da Rua São Pedro e revestimento as valas de drenagem nas Ruas 13 e 15, no bairro municipal 25 de Junho “A”, mencionou Comiche.

Para além disso, falou de avanços na área da saúde e destacou a construção do bloco de Urgência Pediátrica no Centro de Saúde do Bairro do Zimpeto, e a reabilitação da maternidade do Centro de Saúde de Bagamoyo.

A melhoria da rede de abastecimento de água foi também mencionada pelo presidente do município, onde mencionou os bairros de Inhagóia “A”, Bagamoio, George Dimitrov, Mahlazine, 25 de Junho “A”, Inhagóia “B” e Luís Cabral, como também falou da reparação de 3.679 fugas de água em diversos bairros do distritos.

“Foi melhorada a qualidade de energia e iluminação Pública através da instalação de 12 novos Postos de Transformação de energia “PT’s” e colocação dos seguintes materiais: Lâmpadas, Balastros, Contactores, Luminárias, foto Células e acessórios como também a realização de mais de 2000 novas ligações a rede”.

A celeridade na atribuição dos títulos de Direito e Uso de Aproveitamento de Terra  (DUAT’s), neste período, foram entregues mais de cinco mil DUAT’s, aos munícipes dos Luís Cabral, Magoanine “C”, Magoanine “A”, Magoanine “B”, Zimpeto e George Dimitrov.

 

MUNÍCIPES DIZEM QUE HÁ AINDA VÁRIOS PROBLEMAS POR RESOLVER

Balanço feito, chegou a vez de os munícipes que acompanhavam o balanço de Eneas Comiche abrirem o seu coração, estes falaram do transporte, focando-se no encurtamento de rotas, maus tratos por parte dos transportadores e as chamadas “entrevistas”, perante o olhar impávido e sereno das autoridades municipais.

Falaram, também, das inundações, que sempre que chove, afectam vários bairros daquele distrito.

“Quando chove, há famílias que nem podem sair de casa, porque fica tudo alagado, outras devem ficar nos centros de acolhimento, já sabemos que esse é um problema anual, mas há outro, há estradas que ficam intransitáveis, uma delas é a avenida Sebastião Marcos Mabote, ficamos sem saber se é uma estrada ou uma vala de drenagem, sempre que chove, por isso, pedimos respostas”, queixou-se Augusto Cumbe, um dos munícipes, residente no bairro Magoanine A.

Coube a Alice de Abreu, vereadora para área de saúde e acção social do município responder a esta inquietação, falando, por exemplo, do plano de reassentamento de algumas famílias.

“Foram identificadas para a nossa cidade aproximadamente 700 munícipes, que de certa forma foram afectados por estas chuvas, foi elaborado um plano de reassentamento destas famílias, avaliado em cerca de 100 milhões de meticais”, disse.

Alice de Abreu acrescentou que neste momento o município trabalha com a província de Maputo, os distritos de Marracuene, Manhiça, Boane e Matutuine para identificação de espaço para o reassentamento das famílias.

Outro problema é a falta de sinalização rodoviária em algumas vias de acesso, como o caso da avenida 4 de Outubro que liga os bairros Malhazine, Benfica e Bagamoyo, segundo os munícipes têm acontecido vários acidentes d e viação onde as maiores vítimas são as crianças, mas que podem ser reduzidas com a sinalização.

“A estrada tem-nos ajudado muito, mas pedimos lombas, bandas sonoras e sinalização, a sinalização nem devíamos pedir é vosso dever colocar sempre que uma estrada é construída, porque assim iremos reduzir o mau comportamento dos condutores que usam a estrada para fazer rallys e andam em alta velocidade”, apontou Jossias Munguambe.

Sobre o assunto, o vereador de Ordenamento Territorial, Ambiente e Urbanização, Silva Magaia, prometeu para os próximos meses a colocação desses sinais não só nessa estrada mas em outras que não tenham.

Já sobre a colocação de valas de drenagem nas vias de acesso, para escoar água, Magaia disse que só poderá ser feito no próximo mandato, uma vez que já não há tempo e meios financeiros para o efeito.

Outra preocupação é o abastecimento de água no bairro Inhagoia, onde o representante disse que há famílias cujas torneiras não jorram água há muito tempo.

O Mando de Eneas Comiche como edil de Maputo iniciou em Fevereiro de 2019 e termina no início de 2024, ainda esta semana visitou o distrito Municipal KaTembe, para fazer o balanço da sua governação naquele distrito.

As obras do aterro sanitário da Katembe não mais irão arrancar este ano, como tinha prometido a edilidade da Cidade de Maputo. As obras só iniciam em 2024. Enquanto isso, ainda não há data para o encerramento definitivo da lixeira de Hulene.

O encerramento da lixeira de Hulene, na Cidade de Maputo, continua refém da construção de um aterro sanitário no distrito municipal Katembe, depois de sucessivas promessas desde 2018.

Entretanto, ainda não há datas previstas.

“O encerramento definitivo da lixeira está condicionado. Quando tivermos o projecto executivo do aterro e a possibilidade clara da contratação do empreiteiro aí poderemos ter um calendário claro que nos permita dizer o ano e o mês em que iremos encerrar”, disse Silva Magaia,

O vereador explicou que as obras de construção do aterro sanitário da Katembe, inicialmente previstas para 2023, só poderão arrancar no próximo ano. Para já, existe apenas o espaço identificado.

“Estamos com a expectativa de que as obras do aterro arranquem em 2024 e a sua conclusão depende também do que será o projecto executivo e só assim nos comprometemos em avançar a data”.

Encerrada, a lixeira de Hulene servirá de estação de transição de lixo, segundo explicou o presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, Eneas Comiche.

“Iremos depositar resíduos sólidos na Katembe depois de terem passado por um processo de separação, porque alguns destes são recicláveis”.

Os pronunciamentos foram feitos esta sexta-feira, à margem de um seminário para partilha de experiências sobre gestão de resíduos sólidos.

Embora casos de desmaios na escola continuem preocupantes na Escola Secundária Geral 4 de Outubro, em Morrumbala, a Direcção da escola diz que os casos tendem a abrandar. Nos últimos dois dias, não houve registo de nenhum caso, depois de semanas conturbadas. De acordo com o director pedagógico do primeiro ciclo, curso diurno, Sidónio Ferrão, algumas alunas com histórico de desmaios estão em acompanhamento familiar.

Casos de desmaios na Escola Secundária Geral 4 de Outubro, em Morrumbala, na província da Zambézia, ocorrem desde o início deste ano com alguma preocupação. Até aqui, são contabilizados pelo menos 96 casos envolvendo apenas raparigas. A situação preocupa não só a Direcção da escola, como as comunidades ao nível do distrito, tendo já sido criada uma comissão técnico-científica para esclarecer as principais causas da situação.

No entanto, nos últimos dias a Direcção da escola diz que o cenário tende a abrandar. Sidónio Ferrão, director pedagógico do primeiro ciclo, fez saber que “o problema dos desmaios tem vindo a ocorrer há bastante tempo, e envolve algumas alunas. As mesmas alunas quando estão em casa, em acompanhamento familiar. O problema na escola tende a abrandar. A título de exemplo, esta terça-feira, as alunas que sempre se notabilizam com este problema estão em acompanhamento familiar e o ambiente que se viveu na escola foi de tranquilidade. Segunda-feira também não tivemos casos e estamos expectantes que a situação prevaleça neste ritmo”.

Contudo, o que a nossa reportagem acompanhou no terreno é o surgimento de um novo fenómeno. Ou seja, quando as meninas desmaiam, elas apresentam comportamentos típicos de manifestações espirituais, tal como explicou Marta José, aluna do ensino médio.

“Estamos muito mal, pois as moças têm vindo a cair de forma assustadora. Agora são manifestações em que elas caem e começam a comportar-se como pessoas com problemas mentais. Outras até chegam a correr pelo recinto escolar”, disse a estudante pedindo o fim da situação através de intervenção de todos.

Reis Tungadza, funcionário público afecto ao Hospital Distrital de Morrumbala, formado em saúde pública, diz tratar-se de histeria colectiva um fenómeno contagioso nas meninas. Chama atenção sobre a necessidade de se controlar, para evitar o seu alastramento, porque traz consequências negativas, com destaque para a esterilidade no futuro.

“As consequências da histeria colectiva são graves e são, às vezes, a longo prazo, podendo levar à irregularidade do ciclo menstrual da menina, infertilidade em casos futuros.”

Os médicos em serviço nos hospitais da Cidade de Maputo dizem-se sobrecarregados devido à greve em curso há 12 dias. Já os pacientes pedem que os médicos voltem a trabalhar.

A greve dos médicos continua no seu décimo segundo dia, e a prestação dos cuidados de saúde a quem necessita está cada vez mais condicionada nas unidades sanitárias da Cidade de Maputo.

No Hospital Central de Maputo, por exemplo, os bancos dos serviços de urgências estiveram preenchidos, esta quinta-feira. São pacientes que por horas aguardavam atendimento.

“O hospital esteve mais cheio hoje e o atendimento está muito lento, mas nada podemos fazer senão aguardar pacientes, sentados nestes bancos”, lamentou Horpa Henriqueta.

Há quatro dias, Flávio Luís aguardava um atestado médico após uma mordedura canina, mas sem sucesso.

“Eu apenas preciso de um atestado médico, mas só me dizem que devo aguardar sentado aqui neste canto. Estou preocupado, porque nem sei se irei conseguir ter acesso ao documento”, queixou-se o paciente.

No Hospital Geral José Macamo, o atendimento é também a meio-gás, mesmo com a alocação de cinco médicos militares.

A unidade sanitária conta com 50 médicos, entre especialistas e de clínica geral. Destes, mais de 30 não se fazem aos seus postos desde o primeiro dia da greve e o trabalho redobrou.

“Todos os serviços do hospital estão a ressentir-se da falta de médicos. A Maternidade está a trabalhar muito apertada. Há um médico por turno, e assim é muito difícil. No Banco de Socorros, o apoio de médicos militares não é suficiente para dar vazão a todos a tempo e hora”, explicou Luís Walle, acrescentando que as consultas externas praticamente não existem, desde o início da segunda fase da terceira greve nacional dos médicos.

Já os pacientes, que antes mesmo da greve já se queixavam de demora no atendimento e consideram agora a situação crítica, pedem aos médicos grevistas que voltem a trabalhar.

Em todo o país, mais de dois mil médicos aderiram à terceira greve nacional.

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