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O País – A verdade como notícia

Em Maputo, dezenas de pessoas contraíram ferimentos ligeiros quando se punham em debandada depois que a Polícia da República de Moçambique (PRM), através da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), começou a disparar gás lacrimogéneo.

A confusão surgiu porque, supostamente, a caravana da Renamo desviou a rota previamente coordenada. Ao chegar à Praça da OMM, a marcha, que teve o seu início na Praça dos Combatentes, devia seguir pela Avenida Joaquim Chissano, mas a comitiva decidiu optar pela Avenida Vladimir Lenine, o que causou a confusão.

Na praça da OMM, muitas pessoas lacrimejavam e procuravam pelos seus utensílios perdidos, entre os quais telefones, sapatos ou chinelos.

O repúdio é colectivo perante a actuação da PRM. “Não precisavam de fazer isto, afinal isto não é democracia? Nós estamos a marchar pacificamente e não queremos problemas com ninguém”, questionou um dos participantes da marcha.

A marcha continuou com os membros da Renamo dispersos.

O Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural (MADER), através da Direcção Nacional de Desenvolvimento Pecuário (DNDP), suspendeu, no dia 06 de Outubro, a importação de aves vivas domésticas e selvagens, bem como produtos avícolas da África do Sul, determinou a restrição de movimento de aves e produtos avícolas do distrito de Morrumbene e reforçou as medidas de prevenção e vigilância no território nacional. 

Numa nota de imprensa, o Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural  avança que as medidas resultam da ocorrência de surtos de Influenza Aviária Altamente Patogénica, na República da África do Sul, reportados no dia 06 de Outubro. O facto levou à intensificação das acções de prevenção e vigilância, tendo, no passado dia 13 de Outubro, sido identificado uma suspeita de ocorrência de Influenza Aviaria no país, mais especificamente no distrito de Morrumbene, província de Inhambane, com registo de um aumento da mortalidade diária em poedeiras recentemente importadas da província de North West, África do Sul. 

Do trabalho de investigação e das análises laboratoriais das amostras colhidas e testadas, efectuadas no Laboratório Central de Veterinária e indicou serem negativas a influenza causada pela estirpe H5 em teste realizado no dia 13 de Outubro e positivas à influenza aviária, no diagnóstico realizado no dia 16 de Outubro, estando em curso a identificação da estirpe causadora da doença.

A Influenza Aviária (IA) é uma doença infecciosa das aves causada pelas estirpes do tipo A do vírus da Influenza Aviária, que afecta aves e diferentes espécies de mamíferos, incluindo o homem

Face a esta situação apela-se às comunidades a estarem vigilantes e reportarem, imediatamente quaisquer casos de doença e de mortalidade de galinhas ou outras aves doméstica e selvagens aos Serviços de Veterinária; cozer bem os produtos avícolas destinados ao consumo; melhorar os níveis de higiene pessoal e da comunidade (lavar as mãos antes e depois de manusear aves ou produtos avícolas); evitar manter pessoas junto com aves em espaços fechados; usar equipamento de protecção individual durante o manuseamento de aves e produtos avícolas nos locais de produção e divulgar junto das associações de avicultores, trabalhadores avícolas e avicultores do sector familiar, as medidas de prevenção e biossegurança a adoptarem para protecção das suas aves. 

O Ministério da Agricultura determinou ainda a restrição de movimento de aves e produtos avícolas do distrito de Morrumbene, sequestro, sacrifício e destruição de todas as aves do aviário afectado (aves doentes e saudáveis); destruição de rações, resíduos, cama de aviário e outro tipo de material utilizado ou gerado pela produção avícola; desinfecção das instalações e equipamentos; uso de equipamento de protecção individual para os trabalhadores do aviário; recolha e destruição de ovos comercializados naquela província a partir do dia 15 de Setembro.

Tratando-se de uma doença transmissível ao homem, os Ministérios responsáveis pela saúde animal e saúde humana designadamente Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural MADER e Ministério da Saúde (MISAU) estão a trabalhar em coordenação na implementação das acções de resposta e mitigação da doença.

Cerca de uma centena e meia de professores do ensino primário, contratados no ano passado, estão sem salários desde que começaram a trabalhar em Janeiro deste ano. Da Educação, eles recebem informações que o atraso salarial está relacionado com a Tabela Salarial Única (TSU).

No mês de Setembro de 2021, 156 professores do ensino primário foram admitidos para o Sistema Nacional de Educação, na base de um concurso público. Os referidos profissionais do ensino iniciaram as suas actividades em diversas escolas da cidade da Beira, na província de Sofala, só em Janeiro deste ano. “Até então, encontramo-nos sem os nossos respectivos ordenados”, disse o primeiro professor entrevistado.

“Colocaram-me numa escola muito longe de casa. Então, eu e a minha família temos passado por dficuldades”, por causa do atraso do salário”, disse uma das professoras.

“Alguns de nós vêm de outras províncias. Aqui, em Sofala, temos de pagar renda e transporte”, disse mais um professor. 

Os 146 têm estado a pedir explicações ao sector da educação e a justificação é que “o que nos é dito é que têm enfrentado dificuldades relacionados ao cadastro, por conta da situação da mudança de sistema, da tabela anterior para a Tabela Salarial Única (TSU)”.

Para os professores recorrerem à TSU para não pagar os seus ordenados há dez meses não faz sentido. “O que estamos a pedir é que as entidades que têm a prerrogativa de resolver a nossa situação nos escutem. Somos professores. Temos vontade de trabalhar, mas, para todo o trabalho, existe algum estímulo”.

Os professores mantiveram um encontro nesta segunda-feira com o administrador do distrito da Beira, gestores do sector de educação e o sector das Finanças para discutir os atrasos salariais.

“Do encontro que tivemos, temos ouvido sempre a mesma música, podemos dizer assim, que estão a trabalhar no assunto, mas não há congruência no que dizem. Parece que não nos estão a levar a sério.”

Os gestores da educação recusaram abordar o assunto à imprensa e os professores terminaram, afirmando que, apesar de estarem agastados, continuarão a dar aulas à espera dos seus ordenados, para não prejudicarem os alunos.

Algumas escolas da Cidade de Maputo não tiveram aulas, hoje, porque alguns pais e encarregados de educação não mandaram os seus filhos à escola por conta da ameaça de uma manifestação violenta de repúdio aos resultados das eleições de 11 de Outubro.

Numa das mensagens postas a circular nas redes sociais neste domingo, podia-se ler: “A partir do dia 16 de Outubro (segunda-feira) ao dia 20 do corrente mês (sexta-feira), são convidados todos os moçambicanos a uma reflexão semanal, obrigada (forçada). 

Sendo assim, ninguém deve fazer-se presente nas ruas nesta segunda-feira, não nos responsabilizamos pelos danos que serão causados”. 

O  jornal O País passou por algumas escolas, no centro da Cidade de Maputo e por onde passou, os corredores não tinham o habitual corre-corre dos alunos e as salas estavam vazias. Eram poucos, pouquíssimos, os alunos que foram à escola esta segunda-feira. 

Na Escola Primária Completa a Luta Continua, no turno da manhã, havia apenas 170 alunos contra os cerca de 400 que lá estudam, conforme explicou o professor Manuel Matavele.

“Para quarta – classe – tivemos, apenas, 14 alunos; temos duas turmas da terceira onde tivemos apenas 36 alunos, quinta classe, temos três turmas, tivemos só 46 e os da sexta-classe que conta com 188 alunos e estiveram presentes 98”, descreveu. 

Segundo o professor, grande parte das crianças vive fora da cidade, vão de carrinha escolar, e nesta segunda-feira, as carrinhas chegavam apenas com dois ou no máximo cinco alunos, os que mais aderiram são os que vivem nas proximidades da escola. 

Na Escola Primária do Alto Maé, o cenário é igual, estavam lá professores, que, sentados na sala de aulas, esperavam pelos alunos, que não se fizeram presentes.

“Todos os professores estão completos, vieram para trabalhar, mas, como vê, são poucos os alunos que cá estão, estamos a dar alguns trabalhos, mas, daqui a pouco, vamos dispensá-los, também por conta da temperatura”, disse a professora Madalena, da Escola Primária do Alto Maé. 

Na Escola Primária 3 de Fevereiro, os alunos também foram dispensados, numa das salas havia apenas três, que não chegaram a ter aulas.

Os pais que levaram os seus filhos à escola não esperaram nem cinco minutos; logo que constataram o cenário que lá se vivia, levaram os seus filhos de volta para casa.

André Saveca, motorista de carrinha escolar, também teve o dia perdido, segundo contou ao “O País”. “Muitos pais não deixaram seus filhos virem à escola, no primeiro turno; levei na carrinha cinco alunos, e esta tarde apenas quatro, porque estou a ver que não terão aulas, estou a levá-los de volta para casa, foi um dia perdido, praticamente”, referiu o motorista, que, em média, leva 15 alunos no seu carro, por viagem.

Não foram apenas as escolas primárias que enfrentaram esses problemas. Neste domingo, a Universidade São Tomás de Moçambique, através de um comunicado, anunciou o adiamento da II Conferência Dom Alexandre Maria dos Santos, que se teria realizado esta segunda-feira. Já a Universidade Politécnica decidiu paralisar as actividades para esta terça-feira, como forma de garantir a segurança dos estudantes, docentes e o corpo técnico.

O Instituto Nacional de Meteorologia avisa que vai chover de forma intensa a moderada, a partir da noite de hoje, nas quatro províncias da zona Centro do país, nomeadamente Manica, Tete, Zambézia e Sofala. 

De acordo com o INAM, as chuvas poderão ser acompanhadas de trovoadas e ventos com rajadas.

Eis os distritos a serem afectados pelas chuvas:

Província de Sofala: distritos de Marromeu, Muanza, Cheringoma, Caia, Maríngue, Chemba, Dondo, Nhamatanda, Chibabava, Búzi e cidade da Beira.

Província de Manica: distritos de Guro, Tambara, Macossa, Bárue, Manica,

Gondola, Sussundenga, Macate e cidade de Chimoio;

Província de Tete: distritos de Magoé, Cahora Bassa, Mutarara, Changara, Doa, Chifunde, Marara, Tsangano, Angónia, Macanga, Chiuta e cidade de Tete.

Província da Zambézia: distritos de Chinde, Mopeia, Morrumbala, Milange,

Inhassunge, Nicoadala, Derre, Maquival e cidade de Quelimane.

Para as províncias de Maputo, Gaza e Inhambane, prevê-se a continuação das chuvas fracas a moderadas.

Para avançar na luta contra a fome, o mundo precisa tornar as comunidades em situação de risco menos vulneráveis aos choques climáticos e outras emergências, afirma o Programa Mundial para a Alimentação das Nações Unidas (PMA), numa mensagem alusiva ao Dia Mundial da Alimentação, que hoje se assinala.

“Se quisermos romper o ciclo interminável de crise e resposta, precisamos abordar as causas da fome por meio de projectos de longo prazo que protejam as comunidades dos impactos da crise climática”, disse Volli Carucci, Chefe de Resiliência e Sistemas Alimentares do PMA.

Neste Dia Mundial da Alimentação, cerca de 345 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda no mundo, e a comunidade humanitária se esforça para responder às necessidades, de acordo com a nota do PMA.

“Precisamos de mais investimentos em programas que criem meios de sustento resilientes para que as pessoas resistam aos impactos da crise climática e de outros choques que enfrentamos de forma cíclica. Ao mesmo tempo, nossos programas devem proteger e regenerar o ambiente para criarmos um futuro mais sustentável e reduzir as emergências humanitárias a longo prazo”, afirma Antonella D’Aprile, Directora Nacional e Representante do PMA em Moçambique.

Moçambique tem mais de 3,14 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar severa, de acordo com dados publicados pela Classificação Integrada de Fase de Segurança Alimentar (IPC), válidos até Março deste ano.

O Ministério da Saúde quer reforçar a implementação de programas de vacinação nos distritos. Esta segunda-feira, recebeu do Banco Mundial 33 viaturas  de um universo de 75, para acelerar o processo. 

A entrega das viaturas acontece num contexto em que ainda decorrem negociações entre o Governo e os profissionais da saúde, incluindo a Associação Médica, grupos que, entre várias reclamações, se queixam da falta de meios nos hospitais para o seu trabalho.

As 33 viaturas serão alocadas em todas as províncias do país e têm em vista reforçar os programas alargados de vacinação, segundo explicou o ministro da Saúde, Armindo Tiago.

Ao todo, espera-se receber 75 viaturas. 

As viaturas estão avaliadas em 1.3 milhões de dólares, o equivalente a mais de 82.1 milhões de meticais. 

A Polícia da República de Moçambique (PRM) na província de Nampula diz que avançou com uma queixa-crime contra a delegada provincial da Renamo em Nampula, Abiba Aba, por alegadamente ter instigado os membros e simpatizantes do partido para agredirem, ontem, um agente da corporação que estava armado, à paisana, no comício que Abiba Aba estava a orientar no centro da cidade de Nampula, na sequência da contestação dos resultados eleitorais.

Segundo Zacarias Nacute, a visada é acusada do crime de instigação para a violência e de roubo agravado da arma de fogo que viria a ser recuperada no seu gabinete.

Nacute disse ainda, em conferência de imprensa, que o agente da Polícia foi escalado para trabalhar à paisana na marcha que a Renamo comunicou às autoridades policiais. O polícia estava devidamente identificado e estava, justamente com outros agentes fardados, para garantir segurança.

“Ele foi retirado do local inconsciente”, abreviou Nacute, tendo feito saber que, pela gravidade dos ferimentos que sofreu durante a agressão popular, o agente está a lutar pela vida. 

Contactámos o Hospital Central de Nampula, que disse estar em processo de consulta das entradas de ontem, para identificar a enfermaria em que possivelmente está internado o agente da Polícia em causa.

A Polícia da República de Moçambique (PRM) diz que a ordem e segurança no país estão controladas, apesar das mensagens que circulam nas redes sociais a convocar manifestações por conta dos resultados das eleições autárquicas.

 Segundo o porta-voz do Comando-geral da PRM, Orlando Mudumane, citado pela Rádio Moçambique, a polícia está a desencadear uma investigação para identificar os autores das mensagens que têm sido divulgadas nas redes sociais.

 “ A Polícia da República de Moçambique trabalha em função de todas as informações que recebe, todas as informações são valorizadas pela PRM. A esta altura, para além do desdobramento ostensivo da Polícia, em função dessas informações, decorre, concomitantemente, um trabalho de investigação no sentido de identificar os autores dessas mensagens que circulam nas redes sociais e como disse, a Polícia da República de Moçambique está no estado de prontidão de primeiro grau para quaisquer acções que possam pôr em causa a ordem pública e decurso normal do andamento do trabalho, sobretudo aqui na cidade de Maputo e noutras regiões do nosso país”, disse Mudumane.

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