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O País – A verdade como notícia

Uma jovem de 29 anos foi supostamente violada até à morte na madrugada do último sábado no bairro Sansão Muthemba, na cidade de Tete. O principal suspeito é o ex-namorado

De acordo com a Polícia, na data do crime, a vítima e o ex-namorado estavam a consumir bebidas alcoólicas no interior de uma barraca, próximo à casa da finada.
Entretanto, na manhã do dia seguinte, o corpo da jovem foi encontrado numa machamba com sinais de agressão e violação.

Uma das amigas com que a vítima esteve na mesma noite, antes do assassinato, disse estar surpreendida com a triste notícia e lamenta o facto de o caso ter sido consumado nas proximidades da casa da vítima.

Familiares da finada presumem que o caso tenha sido causado por motivos passionais, alegadamente porque o suposto autor do crime não aceitava o fim do relacionamento com a vítima, que deixa quatro filhos menores.

O ambientalista Rui Silva afirma que a suposta contaminação da água no bairro Trevo, que está a causar a morte de peixes, é uma ameaça à saúde pública. O especialista diz que o responsável deve ser punido por crime ambiental.

Ainda não são conhecidas as causas da morte de peixes no bairro Trevo, assim como a origem das águas supostamente contaminadas, que estão a ser drenadas no mar. Contudo, suspeita-se que a água de coloração castanha, que cai no canal ali existente, é que esteja contaminada.

Além de matar peixes, o líquido também exala um cheiro nauseabundo naquele bairro bem próximo da portagem da Matola, na Estrada Nacional Número Quatro. O ambientalista Rui Silva chama atenção para uma rápida intervenção das autoridades competentes para que o problema não se alastre nem se prolongue, causando mais danos.

“Tudo indica que esteja a haver uma descarga de alguma indústria, que causa a morte dos peixes e pode prejudicar, obviamente, a saúde dos moradores. Portanto, também é uma questão de saúde pública e, nesse sentido, tem de haver, obviamente, a intervenção das autoridades, uma vez que é um crime ambiental.”

A nossa fonte assegura que, para responder a esta preocupação, é necessária uma investigação apurada, “no sentido de, rapidamente, descobrir qual é a origem desses produtos tóxicos, que estão a provocar a morte desses peixes, e tomar medidas contra a instituição ou indivíduo que está a efectuar descarga ilegal”.

Equipas da Autoridade Nacional para o Controlo de Qualidade Ambiental e do Instituto Nacional do Mar estiveram, na manhã desta segunda-feira, a trabalhar no bairro Trevo, para aferir as causas da morte dos peixes e também descobrir a origem das águas supostamente contaminadas.

Em contacto com a equipa de reportagem do jornal O País, os técnicos disseram que é prematuro avançar dados e avançaram que tudo vai depender dos resultados do laboratório.

Uma pessoa foi decapitada pelos terroristas, no último sábado, no distrito de Metuge, em Cabo Delgado. A informação foi confirmada ao “O País” pelo administrador daquele distrito, Salésio Paulo.

Segundo a fonte, a vítima é um jovem que regressava de uma zona de produção agrícola denominada Pulo. “Na verdade, existe movimentação de terroristas no distrito”.

O grupo de malfeitores, de acordo com o administrador, deslocou-se de Quissanga para Metuge. “Neste momento, algumas aldeias de Metuge estão agitadas”, por causa dos terroristas. 

“Desde que eles entraram em Metuge, a única acção” que se pode considerar preocupante é a decapitação de um jovem.

A circulação de terroristas na zona foi notada também esta segunda-feira, segundo o administrador.

Devido à situação, a população não consegue ir aos seus campos agrícolas, porque “eles estão a movimentar-se com maior intensidade nas aldeias mais ao sul do distrito”.

Salésio Paulo garantiu que, apesar da presença dos terroristas, não há registo de população deslocada para outras regiões. Porém, algumas pessoas refugiam-se nas matas, à noite, e, no dia seguinte, regressam às suas comunidades.

Foram detidos dois indivíduos que estariam envolvidos no rapto de um empresário, ocorrido há duas semanas, na cidade de Maputo. 

O Serviço Nacional de Investigação Criminal apresentou, hoje, dois indiciados em crimes de rapto e diz que há evidências de que um deles esteja envolvido no rapto do empresário e também na tentativa de rapto a outro empresário ocorrido no início deste mês e que foi frustrada pela população.

 

Mateus Magala diz que o país precisa garantir informações climáticas fiáveis para melhor prevenção e redução dos danos causados pelos fenômenos naturais. O ministro dos Transportes e Comunicações falava hoje durante a abertura do fórum de perspectivas climáticas da África austral.

As cheias em Boane, que resultaram em mortes e destruição de infra-estruturas, podem ser o exemplo da falta de informação clara sobre fenómenos climáticos. 

Em Fevereiro do ano passado, o INAM até informou sobre as chuvas, mas a sociedade civil e vários intervenientes disseram não ter sido difundida a informação na dimensão das cheias que houve.

É tomando estes e outros exemplos que o ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, apela para melhor provisão de informações climáticas no país.

De acordo com Mateus Magala, a prestação de informações fiáveis vai permitir também o melhor controlo das bacias hidrográficas nacionais.

Mateus Magala falava na abertura do vigésimo oitavo fórum regional da África Austral sobre antevisão do clima.

Além do Instituto Nacional de Meteorologia, a quem cabe a responsabilidade de divulgar previsões climáticas à sociedade, existe a comissão técnico-científica para as mudanças climáticas, que presta aconselhamentos ao Governo.    

Professores marcham na Cidade de Maputo a exigir melhores condições de trabalho
Professores exigem a redução de alunos por turma, a eliminação de turmas ao relento e o pagamento de dívidas do subsídio de horas extras. Os profissionais falavam, esta segunda-feira, durante uma marcha de reivindicação pela melhoria das condições de trabalho.

São professores do ensino primário, secundário e técnico-profissional que saíram à rua, esta segunda-feira, para mais uma marcha de reivindicação.

Com dísticos e panfletos, vestidos de batinas, os profissionais marcharam por algumas avenidas, entoando cânticos de contestação das condições de trabalho, que consideram “péssimas”.

A existência de turmas ao relento e a superlotação de salas de aula, um pouco por todo o país, são algumas das preocupações da Associação dos Professores Unidos (APU).

“Nós temos as nossas crianças a terem aulas embaixo de salas-sombras, o que não se justifica num país como o nosso. Os nossos filhos estão a estudar debaixo de árvores só porque são pobres. Tivemos um regulamento lançado no mês de Dezembro, em que fixa 50 alunos o número máximo por turma, então estamos a exigir ao Governo que cumpra esse número”, disse Avatar Cuamba, presidente da Associação dos Professores Unidos, que, de igual modo, avançou que “se nós tivermos salas acima de cinquenta alunos, vamos cortar a lista e o Governo vai ter de decidir onde vai deixar a outra parte”.

Os professores dizem que o pagamento do subsídio de horas extraordinárias em atraso, há mais de um ano, não passou de promessa do Governo, pois nada está a ser feito.

“Os professores ainda não receberam os subsídios das horas extraordinárias, estamos aqui para confirmar que, até agora, temos mais que a metade sem as suas horas extras pagas. Na cidade da Matola, apenas três escolas é que tiveram o valor este ano e as outras como é que ficam? Queremos que o Governo dê uma estimativa real de quando efectivamente serão pagas as horas extras”, exigiu.

Cuamba foi mais longe, acusando o Governo de obrigar a classe a promover passagens automáticas de alunos sem o aproveitamento necessário.

“Nós, professores, estamos a dizer que os resultados pedagógicos que estamos a fornecer não são reais, são resultados que somos forçados a fabricar, para que o Governo apresente dados bonitos à comunidade internacional. Mas estamos cansados de mutilar os nossos filhos, queremos que estes tenham uma educação condigna, queremos que os nossos filhos acreditem no país que têm e que não vivam dos famosos ‘ways’.”

Os professores querem melhorias das condições de trabalho, por isso deixam recomendações: “Membros da APU e professores em geral, assumam apenas a carga horária normal de aulas, até que sejam liquidadas as dívidas do subsídio das horas extraordinárias, pois, caso contrário, não iremos intervir na resolução da nova dívida. Sintam-se livres para exigir o número de alunos por turma, que vem estabelecido no regulamento e estamos abertos para qualquer denúncia ou reclamação que possa surgir”, apelou Xadreque Sitoe, membro da APU.

Os professores exigem, também, a valorização da sua profissão, pois, segundo dizem, é sempre colocada em último plano.
“O professor precisa de ser visto como um elemento importante para o desenvolvimento deste país. Estamos a fazer esta marcha para exigir que o sector da educação seja colocado em primeiro lugar”, esclareceu.

Esta foi a segunda marcha realizada pelos professores, em menos de um mês, na Cidade de Maputo.
As reivindicações foram feitas esta segunda-feira, faltando dois dias para o arranque do ano lectivo 2024.

Peixe morre por razões até aqui desconhecidas no canal de drenagem de águas ao mar na zona do bairro Trevo, na Matola. Os moradores suspeitam da presença de químicos na água.

Missalene Pedro levou a equipa de reportagem do jornal O País até ao ponto onde considera que foi canalizada tubagem subterrânea que leva água supostamente contaminada até ao mar. O peixe em quantidade não especificada morreu no local.

“O peixe morre aqui desde 2023 e piora tudo quando chove. O peixe é arrastado e passa aqui, mas também há mau cheiro. A água é tão suja que já não dá para banho ou mesmo para  lavagem de roupa”, lamentou Missalene Pedro.

A chefe de quarteirão do bairro Trevo diz que a situação é crítica, já que, além da morte de peixes, há doenças supostamente causadas pelo cheiro tóxico exalado a partir desta vala.

“Andamos doentes aqui, mas não temos certeza se a causa de doenças é mesmo aquilo, porque, quando chove, aqui enche de água e, quando se junta àquela sujidade, só aumenta doenças, tanto que estamos todo o momento com tosse, seja adulto seja criança; há febres, malária. Há problemas aqui.”

Por isso, pede a intervenção das autoridades, mas também exige que os responsáveis pela poluição da água intervenham para pôr fim a esta situação.

“Podem fazer atravessar a tubagem por baixo da estrada onde há uma vala por baixo até ao mar, não sabemos se no mar o peixe não vai morrer. Havendo outra saída, que seja feita, porque aqui a situação é crítica.” 

Esta situação está a ocorrer próximo à Portagem de Maputo, numa área que as autoridades municipais, seja da Matola seja de Maputo, consideram de assentamento informal.

A ligação entre Macomia e Auasse, na  província de Cabo Delgado, está novamente interrompida devido ao desabamento do aqueduto. A intensidade das chuvas que se registaram este sábado estarão por detrás da queda e interrupção do trânsito.   

A Administração Nacional de Estradas confirma a ocorrência e diz estar no terreno para se inteirar sobre as causas e o impacto dos estragos.

O facto ocorre depois de, na última terça-feira, ter sido reposta a transitabilidade no mesmo troço, depois da queda do aqueduto no sábado.

A Universidade Licungo, na cidade de Quelimane, na Zambézia, ainda se ressente dos efeitos causados pelo Ciclone Freddy em Março do ano passado. A Faculdade de Educação e o sector administrativo foram os mais afectados. São necessários cerca de 26 milhões de Meticais para reconstrução.

No terreno, os rastos de destruição deixados pelo “Freddy”, no ano passado, ainda são visíveis.

Luck Injage, porta-voz da Universidade Licungo, fez saber que a vida laboral e estudantil decorre de forma condicionada.
“Por conta disso, todos os dois blocos de campus de Coalane foram afectados, onde funcionam a Faculdade de Educação e o sector administrativo. Na altura, quando fizemos o levantamento, ficámos com todo o primeiro semestre condicionado e, por conta disso, fomos trabalhando a meio gás”, disse Luck Injage, apontando grandes prejuízos nos sectores de laboratório de informática e biblioteca.

Na Zambézia, à semelhança do que aconteceu com outras infra-estruturas públicas, as da Universidade Licungo foram mapeadas, com o objectivo de se fazer intervenção por parte do Governo da província, na base do Fundo de Reabilitação de Emergência pós-ciclone Freddy, mas, até aqui, nem água vai e nem água vem. Aliás, a universidade não recebeu nenhuma comunicação referente aos custos por parte do executivo provincial.

“Está a existir uma demora deste desembolso. Nós, como instituição, fomos encontrando alternativas locais, através de receitas próprias, para intervenções pontuais nas salas de aula e gabinetes da área da Faculdade de Educação. Enquanto isso, a biblioteca, laboratório, o auditório e todo o sector administrativo carecem de intervenção.”

Do levantamento feito para intervenção nas infra-estruturas danificadas na Universidade Licungo, os custos rondavam os 26 milhões de Meticais.

E porque o Governo provincial não está a canalizar os fundos para repor as infraestruturas danificadas, a universidade está a utilizar os parcos recursos de receitas próprias provenientes de pagamentos propinas, para fazer algumas intervenções.
Neste sentido, a reabilitação centra-se nas salas de aula, para permitir o decurso das aulas enquanto se aguardam melhores dias para a conclusão do laboratório, biblioteca e blocos administrativos.

A Universidade Licungo funciona com receitas próprias e está há sensivelmente cinco sem receber investimento. Isto torna difícil a execução de projectos, sobretudo de construção.

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