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O País – A verdade como notícia

Todas as máquinas de recolha de lixo na cidade de Nampula estão paradas. Fala-se, nos corredores, de falta de combustível. Paulo Vahanle, edil, está suspenso do exercício do cargo por quatro meses por decisão judicial, a pedido do Ministério Público.

É uma das zonas mais valorizadas. A Praça da Liberdade tem, no centro, a imponente estátua de bronze de Samora Machel. Da praça em direcção à Academia Militar Samora Machel, estende-se uma faixa ladeada de lojas e tem também um importante supermercado. Mas não é tudo isso que se destaca, mas sim o lixo que transbordou do contentor que existia no passeio, cujo muro que faz a barreira é do Hospital Central de Nampula.

Rajabo Cardoso segue com o seu amigo despreocupado. Mas, quando chega ao passeio em referência, cede à presença do lixo e disputa a estrada com os carros e motorizadas que fazem um movimento frenético. “Quando vemos esta situação, não entendemos qual é o problema. Não sabemos se é por causa da mudança do presidente do Município”, indaga-se o jovem.

Ivo Eduardo sabe que paga impostos e a taxa de limpeza, por isso entende que mais do que uma omissão de dever de limpar a cidade, há uma violação do contrato social existente entre os munícipes que elegeram o elenco ainda em exercício e os munícipes-votantes. “A situação de lixo está muito grave e, dentro da cidade, não pode acontecer o que está a acontecer aqui”.

A concentração de lixo não é apenas numa esquina. Próximo ao centro cultural da Universidade Rovuma, o lixo tomou parte da estrada, levando os carros a disputarem uma única faixa de rodagem. Se aos carros isso não é um grande problema, às pessoas é uma questão de saúde pública.

“O lixo é tóxico. Toda esta cidade está cheia de lixo. Toda a cidade está cheia de moscas e o lixo polui o meio ambiente. Então, pedimos ao nosso presidente para que tire o lixo”, suplica Stella Guerra, falando em entrevista ao nosso jornal.

Os apelos multiplicam-se na mesma medida que se multiplicam os pontos com lixo não removido. Uma situação que cria muito desconforto para quem passa ou para quem vive ou trabalho próximos dos locais que virara lixeiras a céu aberto em pleno centro da cidade.

“Desconforta na medida em que nós estamos aqui, trabalhamos aqui perto e temos que lidar com essa situação de mau cheiro. A situação de lixo, assim exposto, acaba complicando, cria uma insatisfação”, reclama Dulce Alberto, funcionária de uma instituição pública que fica nas proximidades da Sé Catedral – uma das imagens emblemáticas da cidade de Nampula.

Na periferia, o cenário repete-se.

Da parte do Município, não conseguimos uma reacção sequer. Contactámos o vereador da área de Salubridade que não atendeu às nossas chamadas telefónicas. No parque anexo ao edifício municipal, as máquinas usadas na remoção do lixo estão parqueadas, incluindo os triciclos usados para a recolha do lixo.

Num outro parque onde funciona a direcção de Salubridade, as máquinas também estão parqueadas há dias. Fala-se de falta de combustível para pôr o equipamento a circular.

Esta situação aconteceu numa altura em que o edil Paulo Vahanle cumpre quatro meses de suspensão do exercício de cargo ou função, por decisão do Tribunal, a pedido do Ministério Público, enquanto decorre a investigação no âmbito de um processo-crime de que é acusado por suposta instigação à desobediência colectiva.

Um homem matou, com recurso a lâminas, sua mulher e filho de um ano e seis meses. O crime ocorreu no posto administrativo de Amatongas, em Gondola, província de Manica.

O indiciado, que confessa o crime, disse que, para o efeito, usou duas lâminas com os quais efectuou.

Segundo o visado, a sua esposa vinha mantendo relação amorosa com o seu próprio irmão, daí suspeitar que o filho seja fruto deste relacionamento.

Apercebendo da referida relação, o suspeito disse que tentou conversar com a sua parceira, mas esta foi a primeira a partir para a agressão.

“Encontrei-a com o meu irmão e perdoei-a. No segundo dia, também. No sábado, estávamos a dormir, ela acordou e pegou uma lâmina e pegou nos meus órgãos genitais. Vi que o estado dela não estava bem e daí levou a criança e atirou debaixo da cama. Eu peguei a lâmina e comecei a cortá-la e a criança, daí todos perderam a vida”, contou o indiciado.

Perante o caso, a Polícia apela aos cidadãos para não praticarem justiça pelas próprias mãos.

“Queremos aqui apelar a todos para que, sempre que tiverem problemas no seio familiar, optem pelo diálogo. Evitem recorrer a crime como solução para qualquer problema que seja”, disse Mateus Mindú, porta-voz da PRM em Manica.

A provar-se o envolvimento deste homem na prática do acto macabro, deverá ser condenado pelo crime de homicídio agravado cuja moldura penal é de 20 a 24 anos de cadeia.

 

Populares do distrito do Limpopo, na província de Gaza, barraram, ontem, a passagem de viaturas entre os postos administrativos de Chicumbane e Zongoene, exigindo que a estrada, de terra batida, seja alcatroada.

A população reuniu-se, no meio da estrada, em protesto contra as condições da via Zongoene-Chicumbane, que está esburacada e cheia de lama, devido às últimas chuvas. Nem carro ia, nem carro vinha.

“Esta estrada está assim há muitos anos. Já tinham prometido cobri-la com alcatrão, mas não o fizeram. Sequer conseguem pôr a estrada em condições. Mandámos uma delegação para reportar o caso ao chefe do posto, e ele levou o assunto aos órgãos competentes, mas nada aconteceu.

Então, hoje estamos aqui”, disse um dos manifestantes.

A população diz-se, por isso, agastada e acusa as autoridades de nada fazerem.

Há cerca de uma semana que os populares protestam na via que liga os postos administrativos de Chicumbane e Zongoene, em Gaza.

Durante mais de 10 horas, não deixaram o lugar. Alguns até levaram alimentos para comerem no local, enquanto manifestavam a sua indignação. A Polícia esteve a garantir a ordem. Entretanto, quando contactado, o porta-voz da Polícia na província de Gaza disse que ainda precisava de se inteirar do assunto.

O pesquisador defende a criação e melhoria de serviços básicos nas zonas afectadas pelo terrirismo antes que se avance com as negociações com os insurgentes. João Feijó diz que, antes das negociações, devem ser auscultadas as multinacionais e o Estado moçambicano.

Num contexto em que se prepara uma delegação para a criação de espaço de diálogo entre o Governo e os terroristas que assombram Cabo Delgado desde 2017, o pesquisador João Feijó defende a necessidade de auscultar, antes de tudo, a liderança do país e a TotalEnergies que opera na zona dos ataques.

O pesquisador entende que, na parte da multinacional, devem ser colhidas as exigências para a retoma das actividades de exploração do gás. Da parte do Estado, há reformas que devem ser feitas, segundo sugere Feijó.

“Uma descentralização administrativa, uma descentralização financeira seria uma solução para dar mais autonomia aos governos distritais e aos administradores dos distritos para depois terem as condições para implementar algumas reformas. Isso passa também pelo reforço do Estado de Direito. O acesso à justiça é muito limitado em grande parte deste pais”, disse Feijó.

Sobre os recentes ataques em Mocímboa da Praia, Feijó diz que pode ser por influência do Estado Islâmico, em repúdio aos ataques ao grupo Hamas, o que mostra a ligação que existe entre os grupos extremistas.

Cerca de três anos depois de relativa segurança e tranquilidade, Mocímboa da Praia voltou, desde Dezembro último, a ser alvo de ataques terroristas e, até ao momento, há registo de dezenas de mortos, centenas de casas incendiadas e várias aldeias parcialmente abandonadas.

Além de medo e terror, essa nova onda de ataques provocou um novo drama humanitário e, actualmente, as poucas famílias que regressaram às suas aldeias, logo após a retirada do grupo armado, vivem numa situação desumana, com falta de quase tudo, desde abrigo, comida, até vestuário.

“Eles queimaram a minha casa com todos os bens lá dentro. Perdi cama, motorizada e toda comida que tínhamos. Agora, a família vive numa barraca que construímos no quintal, e sobrevivemos graças à boa vontade dos familiares, amigos e pessoas de boa vontade que, às vezes, quando têm, partilham connosco”, contou Sebastião Ntimauke, um dos habitantes de Chibanga, uma aldeia que fica a cerca de 10 quilómetros da vila de Mocímboa da Praia.

Durante o ataque a Chibanga, segundo revelaram as autoridades comunitárias da aldeia, o grupo armado queimou vários bens da população e roubou produtos alimentares nos estabelecimentos comerciais.

“Quando chegaram aqui, mataram três pessoas e queimaram 26 casas, em seis delas só queimaram camas e roupas. E depois passaram das barracas e levaram todos os bens de que precisavam, e o que ficou queimaram junto às barracas”, confirmou José Saide, líder comunitário da aldeia Chibanga.
Além de Chibanga, o grupo armado assaltou a aldeia Ntotwe, que fica a 18 quilómetros da vila-sede do distrito de Mocímboa da Praia. Segundo relatam alguns sobreviventes, o ataque ocorreu em plena luz do dia.

Em Ntotwe, outra aldeia de Mocímboa da Praia, que fica a cerca de 10 quilómetros de Chibanga, também foi alvo de ataques terroristas e, segundo relatam alguns sobreviventes, o grupo armado roubou vários bens e deixou rastros de destruição.

Aqui, atacaram no dia 03 (de Janeiro de 2024). Os disparos começaram por volta das dezasseis horas sem parar e prolongaram-se até à noite. Foi aí que vimos que a situação era mesmo grave e não tínhamos alternativa senão pernoitar nas matas. De manhã, quando eles se foram embora, nós voltamos para a aldeia e encontrei a minha casa e a barraca destruídas e vazias. Levaram arroz, óleo sabão e outros produtos básicos que eu vendia e, quando saíram, atearam fogo com tudo o que havia restado”, descreveu Lucas Damásio, um dos habitantes da aldeia Ntotwe que sobreviveu pela terceira vez a um ataque terrorista.

No ataque terrorista a Ntotwe, segundo as autoridades locais, perderam a vida três pessoas e foram incendiadas quarenta e cinco casas, além de pilhagem de outros bens da população.

“Dos cerca de mil habitantes até ao momento, regressaram apenas cerca de seiscentos. Algumas famílias que perderam tudo que tinham foram acolhidas em casa de familiares ou de amigos, mas outros, cansados de fugir e de viver dependente da boa vontade das pessoas, optaram por improvisar barracas nos quintais, e sobrevivem graças à solidariedade da comunidade”, disse Amur Chilindo, chefe da aldeia Ntotwe.

Os poucos sobreviventes dos ataques terroristas que tiveram a coragem de regressar às suas aldeias estão a tentar voltar à normalidade, mas algumas pessoas, especialmente as que perderam quase tudo que tinham, estão a passar por uma situação humanitária considerada dramática.

“Nós já solicitamos a nível da província para ver se se consegue com parceiros um apoio humanitário, sobretudo numa primeira fase, comida e sementes de produção e kits de abrigo, sobretudo lonas e tendas, já que estamos numa época chuvosa, para ver se as famílias conseguem passar por esta fase até à altura que vão conseguir reconstruir as suas casas queimadas”, alertou Sérgio Cipriano, Administrador de Mocímboa da Praia.

Enquanto se aguarda pela resposta do Governo a nível provincial, o distrito lançou um movimento de solidariedade a nível local e tem recebido apoio de alguns parceiros, mas, devido à gravidade da situação, tudo que tem conseguido é insuficiente.

De acordo com o administrador de Mocímboa da Praia, “dos apelos que fizemos, recebemos quase 30 kits da Médicos Sem Fronteiras, composto por lonas, mantas, utensílios domésticos e produtos de higiene, mas, devido ao elevado número de necessitados, tivemos de priorizar as famílias que perderam casa, comida e roupa”.

O regresso do grupo armado a Mocímboa da Praia está a preocupar a população, uma vez que, desde 2021, quando Moçambique recebeu as Forças Armadas da República do Ruanda, o distrito estava livre de ataques terroristas, que recomeçaram em Dezembro de 2023.

O SERNIC diz que está a trabalhar para resgatar a vítima e neutralizar os raptores, mas não avança se há ou não pistas para a neutralização dos criminosos. Os empresários dizem que o Estado é impotente para lidar com os raptos.

Vários são os vídeos partilhados, nos quais é visível a actuação dos raptores que não temeram as câmaras de vigilância nem as filmagens feitas por populares, nem esconderam os seus rostos. Tudo aconteceu em fracções de segundos, homens empunhando armas de fogo de uso exclusivo das Forças de Defesa e Segurança efectuaram disparos e levaram o empresário.

Volvidas mais de 24 horas após a ocorrência de mais um rapto na Cidade de Maputo, não se sabe do paradeiro da vítima nem dos raptores.
O SERNIC, na Cidade de Maputo, diz que está a trabalhar para esclarecer o crime e, neste momento, qualquer informação a partilhar pode prejudicar a investigação.

O jurista e criminalista Elísio de Sousa defende a necessidade de fortalecimento, articulação  e capacitação das instituições  da administração da justiça para serem capazes de prevenir e combater os raptos.

“Penso que o combate aos raptos tem a ver com uma série de instituições que devem estar coordenadas; tem a ver com uma série de acções que devem ser feitas por várias instituições e tem a ver com a potencialização do Ministério Público. Temos um Ministério Público ainda meio tímido, que nem sequer sabe quais são as suas competências. Temos um Ministério Público que parece mais um gabinete de expedientes”, lamentou Elísio de Sousa, jurista que, depois, avança soluções.

“É preciso termos uma instituição que possa dar-nos segurança da sua actuação; temos de ter tribunais fortes, que consigam não só julgar aqueles criminosos que estão na barra da justiça, mas também que tenham poder de investigação. Nós temos de reformar a Lei da Organização Judiciária, ter juízes de instrução criminal que vão ao terreno, juízes que trabalham porque este tipo de situações são crimes movidos por máfias”, sugeriu o criminalista.

Através da sua página do Facebook, o antigo bastonário da Ordem dos Advogados, Gilberto Correia, criticou a CTA por não estar a pressionar as autoridades  para pôr  fim aos raptos.

“Virão seguramente em mais um comunicado inócuo, mais uns encontros ministeriais, mais umas aparições na TV, sem nenhuma acção mais enérgica, sem nenhuma forma de protesto que pressione a resultados concretos para que, ao menos, a indústria de raptos não destrua mais o tal ambiente de negócios de que tanto falam”, deplorou Gilberto Correia.

E a CTA criou o pelouro de Segurança e Protecção que diz que não compete a si combater o crime, empurrando a responsabilidade às autoridades moçambicanas. Pedro Baltazar, presidente do pelouro em referência, quem devia combater o crime dos raptos não está a fazer.

“Há uma impotência em Moçambique em lidar com o fenómeno dos raptos, depois há certeza de que a acção deles, certeza absoluta de que a acção deles vai ser coroada de êxitos e depois a sensação de impunidade. É necessário que comecemos com acções enérgicas para combater os raptos”, referiu Pedro Baltazar.

Devido ao recrudescimento dos raptos, a CTA diz que aumenta o número de empresários que abandonam o país.
“Nós temos um grupo de empresários que vinham investindo no país, mas viram-se obrigados a retirar-se por causa da insegurança perante o fenómeno dos raptos.”

Maputo é uma das cidades mais bem policiadas do país, há agentes da PRM em todos os cantos. O que não se compreende é como é que crimes violentos ocorrem nas barbas da Polícia sem que aconteça nada. As autoridades não conseguem identificar ou neutralizar os criminosos, tal como aconteceu no último sábado.

Elísio de Sousa diz ser inconcebível esse cenário: “Não se justifica que, à luz do dia, numa situação em que as pessoas estão ainda a preparar-se para o dia, estejam bandidos já arquitectados para cometer crimes. Não se justifica que, à luz do dia, nós não tenhamos polícia por perto para impedir um crime que acontece duas a três esquinas de uma esquadra”.

A CTA questiona o estágio da criação da força especial para combater os raptos anunciada pelo Governo. Os empresários dizem que já avançaram com várias sugestões ao executivo para combater raptos, sendo uma delas o uso das câmaras de vigilância instaladas na via pública para ajudar na identificação de criminosos.

Há indícios de crime de corrupção no caso dos erros nos livros escolares da quinta e sexta classes despoletados em 2022. A conclusão é do Gabinete Central de Combate à Corrupção, que fala de 10 arguidos entre editoras e funcionários que, à data dos factos, ocupavam cargos de chefia de direcção no Ministério da Educação.

O escândalo dos erros graves nos livros escolares foi despoletado pela imprensa em Maio de 2022. Os manuais em causa eram da sexta e sétima classes, disciplina de Ciências Sociais.

Depois de o caso vir à tona, o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano anunciou a criação de uma comissão de inquérito para apurar o que teria acontecido. O prazo era de 15 dias para a apresentação dos resultados, mas só foi possível 20 dias depois. A conclusão da comissão de a de que a Porto Editora foi negligente na produção dos manuais.

Os erros nos manuais não só criaram uma revolta na sociedade, mas levantaram suspeitas sobre a produção do livro escolar, o cumprimento de procedimentos de contratação pública e fortes indícios de pagamento de subornos.

Por haver indícios criminais, o Gabinete Central de Combate à Corrupção abriu o processo número 51/11/P/GCCC/2022 para investigar o caso.

Foram alvo da investigação do GCCC funcionários do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, dentre os quais, os afectos ao Instituto de Desenvolvimento da Educação, Direcção Nacional do Ensino Primário, Direcção da Administração e Finanças, Departamento do Livro Escolar e Materiais Didácticos, Departamento de Aquisições e três editoras envolvidas na produção de livros acima referidos.

Com base no relatório do inquérito realizado pela Inspecção Geral da Administração Pública e nos contratos celebrados entre o Ministério da Educação e as empresas editoras, bem como nas declarações de sujeitos processuais, o Gabinete Central de Combate à Corrupção concluiu haver fortes indícios criminais por trás dos erros graves nos manuais, a saber:

Informações falsas que se traduziram no favorecimento de pessoas que não reuniam requisitos de coordenadores e contratação de avaliadores dos livros com violação dos procedimentos de contratação pública;

Inobservância das normas de Contratação de Empreitada de Obras Públicas, Fornecimento de Bens e Prestação de Serviços ao Estado;
Incumprimento das fases de avaliação dos livros escolares;

Solicitação de pagamento ou patrocínio indevido de valores às empresas editoras por funcionários do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano;

Oferta de presentes a funcionários do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano pelas empresas editoras durante a vigência dos contratos;
Pagamento de remunerações indevidas, consubstanciadas em atribuições de senhas de presença e honorários, sem realização das correspondentes actividades pelo Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano a favor de alguns funcionários públicos e pessoas contratadas no âmbito da produção e avaliação dos livros escolares.

Os factos acima referidos, conclui o Gabinete Central de Combate à Corrupção, dizem respeito a crimes de corrupção, fraude, abuso de cargo ou função e de pagamento de remunerações indevidas, que recaem sobre 10 arguidos.

“O processo-crime com 10 arguidos em liberdade, mediante termo de identidade e residência, dos quais nove funcionários do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, e uma empresa editora foram acusados, tendo o processo sido remetido para o Tribunal Judicial da Cidade de Maputo para os ulteriores termos processuais. Os arguidos em alusão, à data dos factos, exerciam cargos de direcção e chefia, a vários níveis”, lê-se no comunicado do Gabinete Central de Combate à Corrupção.

O Gabinete Central de Combate à Corrupção faz ainda saber que foram extraídas cópias para a instauração de um processo autónomo com vista a prosseguir com as investigações dentro e fora do país para chegar a outros possíveis envolvidos.

Recorde-se que, dias depois do escândalo, foram exonerados gestores de sectores, directamente, ligados à produção do livro, nomeadamente: o director-geral do Instituto Nacional de Educação, Ismael Nheze; a directora nacional do Ensino Primário, Gina Guibunda e o chefe do Departamento do Livro Escolar e Materiais Didáticos, Fabião Nhabique.

Condutores e residentes de KaTembe dizem-se traídos pelo município, depois de não ter sido concluída a estrada que liga a zona da Rotunda ao bairro Incassane. Entretanto, a edilidade diz que as obras estão parcialmente interrompidas porque há questões técnicas em discussão.

Agosto de 2023 foi a última garantia de entrega da estrada que parte da Rotunda até ao bairro Incassane, no distrito municipal KaTembe, na Cidade de Maputo, depois de ter falhado em Dezembro de 2022.

“As obras estão a 78 por cento, e nós acreditamos que no mês de Agosto vamos conseguir concluí-las, porque estamos a bom ritmo”, disse o vereador de KaTembe, Celso Fulano, quando entrevistado pelo “O País”, no mês de Junho do ano passado.

Mesmo com a promessa, o Município de Maputo voltou a falhar a entrega da estrada e, no terreno, não se vêem trabalhos em curso.

“Mentiram-nos sobre a estrada. Disseram que seria construída até esta zona, mas não chega”, desabafou um dos residentes no bairro Incassane. 

Com a paralisação das obras, os residentes dizem-se  traídos pela edilidade e falam de retrocessos no desenvolvimento do distrito municipal.

“As pessoas até podem querer investir aqui, neste distrito, mas quando vêem a estrada, que está um caos, um problema muito sério, desistem”, contou Nuno Fonseca.

No troço cuja construção está em falta, os problemas tornam-se mais visíveis sempre que chove.

“Quando chove, a situação fica caótica e nem sequer dá para passar. Isto é que faz com que haja problemas de transporte aqui, em KaTembe, porque os carros estão sempre em manutenção”, disse um transportador.

Sem avançar novas datas de término e entrega da estrada, o vereador de Infra-estruturas Urbanas no Município de Maputo diz que os trabalhos foram feitos a 80 por cento e que decorrem agora discussões sobre questões técnicas.

“As obras estão em curso. Temos ainda algumas questões técnicas em discussão. Não estão completamente paralisadas. O que as pessoas notam é um trabalho de pavimento, mas há trabalhos complementares, como de valas de drenagem, e há outras questões internas ainda em discussão”, disse Saturnino Chembeze, vereador de Infra-estruturas Urbanas. 

Recorde-se que as obras de construção da estrada que dá acesso ao bairro Incassane estão orçadas em 65 milhões de Meticais.

A província da Zambézia está a registar exploração de areias pesadas em várias concessões. Um dos grandes questionamentos tem a ver com a reposição de solos para evitar a erosão. O destaque vai para o distrito de Pebane e Chinde. Em Pebane, a nossa equipa constatou trabalhos com vista a compactar os solos para evitar cenários de erosão no futuro, evitando perigo para o ecossistema marinho.

O processo de exploração de areias pesadas implica abertura de enormes crateras e, se não for feita a reposição, pode perturbar o ecossistema marinho. A empresa Tazetta Resources, no distrito de Pebane, a norte da Zambézia, teve de fazer abertura dos solos em zonas próximas ao mar para explorar as areias pesadas.

José Martinho, ambientalista afecto à empresa Tazetta Resources, diz que os aspectos ambientais estão a ser observados para permitir o desenvolvimento do ecossistema do mar, com destaque para os pontos de onde já foram retiradas areias pesadas pela empresa.

Martinho garante que, observado todos os procedimentos do projecto de gestão ambiental, não haverá problemas no futuro. “A abertura de crateras no processo de exploração de areias pesadas é normal, mas a reposição dos solos é fundamental, por isso estamos dedicados neste processo”, disse o ambientalista.

O jornal O País esteve nas áreas onde o recurso foi extraído, para verificar aquilo que está a ser feito no cumprimento do plano ambiental. Os números apontam que foram plantadas cerca de 1500 mudas entre espécies de Casuarina, rava, massala, coqueiro e relva nativa, numa área de 32,6 hectares.

Foram igualmente produzidas duas mil mudas e, destas, plantadas 440 nas três concessões da empresa. Actualmente, estão disponíveis 1560 mudas no viveiro. A plantação ocorre em função das dinâmicas de exploração. Ou seja, cada vez que as frentes de exploração avançam, avança igualmente o processo de tapamento das crateras e plantação dos viveiros.

No trabalho de repovoamento de hectares, a empresa vem trabalhando com uma associação local, denominada associação revolução verde de Pebane. No trabalho, estão envolvidos oito membros da Associação acima mencionada, sendo que cinco são mulheres e três são homens, e todos são naturais do distrito.

Amissy Magide, um dos responsáveis do grupo que trabalha no plantio das espécies nos pontos onde já se extraíram as areias pesadas, explica que o processo de plantio implica algum procedimento para o seu desenvolvimento.

Segundo Lurdes Messias, envolvida no processo de repovoamento das plantas, é fundamental a reposição dos solos e replantio das espécies nativas, pois “garantem que, no futuro, nós, que vivemos aqui, não soframos com problemas de erosão ou então a danificação do ecossistema.”

No terreno, a nossa reportagem constatou que, no processo de extração de areias pesadas, são abertas lagoas artificiais para se obter água utilizada no processo de exploração. As mesmas lagoas, no futuro, terão de ser fechadas.

Faquir Anifo, líder religioso influente na vila sede distrital de Pebane, diz que tem acompanhado  com satisfação o processo de exploração de areias pesadas, bem como o trabalho de reposição de solos e das plantas nativas.

O administrador de Pebane, Eduardo Vida, faz uma avaliação positiva do processo de reposição de solos nas zonas em que já foram extraídas areias pesadas e diz que a empresa deve continuar a cumprir com o plano ambiental de exploração.

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