Skip to main content

O País – A verdade como notícia

A tempestade tropical moderada “Filipo” saiu, na manhã de ontem, do continente para o mar, na Baía de Maputo, e está a deslocar-se para sudeste, afastando-se gradualmente da terra firme. 

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, “Filipo” é agora uma tempestade tropical moderada e espera-se que se intensifique rapidamente para a fase de tempestade tropical severa ou mesmo de ciclone tropical e depois perca as suas características tropicais nas próximas 48 horas.

Contudo, espera-se a continuação da ocorrência de chuvas moderadas e ventos de 90 quilómetros por horas e rajadas de até 120 quilómetros por horas, para a zona costeira de Maputo e Gaza.

O INAM diz estar a monitorar a evolução deste sistema e “apela a população para que continue a acompanhar a informação meteorológica e os avisos difundidos pelas autoridades nacionais competentes”.

A direcção decidiu cortar os contratos com os médicos do Hospital Central de Nampula que davam aulas práticas, em 2021, e os estudantes de Medicina Geral estão sem aulas práticas desde Novembro do ano passado. O ministro do Ensino Superior está em Nampula e vai se inteirar dos problemas.

A Universidade Lúrio, abreviadamente conhecida por Unilúrio, está a braços com uma crise que coloca em rota de colisão, principalmente, os estudantes do curso de Medicina Geral, a direcção da Faculdade de Ciências de Saúde (FCS) e a reitoria.
Desde Novembro do ano passado os estudantes do curso de Medicina Geral não estão a ter aulas práticas inseridas no estágio parcial porque a direcção da universidade decidiu em 2021 cortar os contratos que vinha celebrando com médicos especialistas do Hospital Central de Nampula que assistiam os estudantes a partir do terceiro ano.

Nos dois anos seguintes foi havendo uma gestão da parte da FCS que ia pedindo compreensão e bom sendo da parte dos regentes de estágios no HCN onde decorre 80% da formação dos futuros médicos. No entanto, os mesmos acabaram decidindo, em Novembro do ano passado, abandonar definitivamente os estudantes e passaram a estar à deriva.

“É fundamental o estudante ter um estágio num local adequado porque vai lhe beneficiar no seu futuro profissional, que é o Hospital Central de Nampula. O que tem acontecido, há sensivelmente quatro anos, é que estamos a enfrentar problemas quanto ao campo de estágio. A Faculdade não tem disponibilizado o campo de estágio por falta de pagamento”, denunciou em anonimato uma estudante de Medicina Geral na Unilúrio.

A reitora da Unilúrio assumiu a direcção daquela instituição pública em 2020 e no seu entender, não faz sentido a celebração de contratos com os especialistas do Hospital Central de Nampula porque sendo este um hospital-escola faz parte da sua responsabilidade assistir os estudantes de medicina.

Por outro lado, os estudantes do sexto ano do curso de Medicina não estão a receber o subsídio de estágio.
“Imagina só, depois de terminarmos os nossos cursos todo o nosso stress vamos descarregar nos nossos alunos”, desabafou outro estudante de Medicina Geral/Unilúrio.

No último sábado, a reitora Leda Hugo posicionou-se nos seguintes termos: “neste momento a Unilúrio está a criar capacidade para averiguação, auditorias, consultas e até inquéritos para se apurar a verdade. Quando a verdade vier à tona, saberão”.
E esta quarta-feira foi a vez do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, que se encontra em Nampula, pronunciar-se sobre o assunto.

“Tomamos conhecimento deste assunto há mais ou menos uma semana e meia e o que temos estado a fazer é nos apercebermos melhor sobre o problema e as soluções que estão a ser empreendidas ao nível da Unilúrio e nesse sentido, esta oportunidade que temos de estar aqui na província de Nampula faremos questão de visitar a Unilúrio para podermos nos inteirar melhor do problema”, assegurou Daniel Nivagara que assegurou que vai se reunir igualmente com os estudantes afectados.

O Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários afirma que está a prestar apoio o Moçambique na resposta aos estragos provocados pela tempestade tropical Filipo, que atingiu as regioes centro e sul do país.

Numa nota publicada esta quarta-feira na sua página, a organização afirma ter enviado equipas de coordenação às províncias de Sofala e Inhambane para o exercício de levantamento das necessidades de ajuda humanitária, após a passagem da tempestade tropical aFilipo.

Através do programa de coordenação de ações humanitárias, a Organização das Nações Unidas está a apoiar os esforços de preparação e resposta aos efeitos da tempestade que desalojou mais de quinhentas mil pessoas.

A tempestade está a trazer fortes chuvas para o centro e sul do país, que também têm sido afetadas por uma seca induzida pelo El Niño desde o mês de outubro passado.

Em zonas onde a tempestade tenha criado situações de inundações, a ONU diz ter posicionado equipamento de salvamento de vidas, incluindo barcos e drones, mas reconhece haver outras mais urgentes, tais como, acesso a água e assistência educativa.

O Plano de Resposta Humanitária da ONU para Moçambique é de pouco mais de 5% do orçamento destinado, com cerca de 22 milhões de dólares recebidos dos 413 milhões de dólares necessários.

Cidade da Matola na sua totalidade está alagada, com maior parte das vias de acesso com transitabilidade condicionada, escolas encerradas, sem transporte público. E há também 50 famílias que precisam de assistência.

As ruas do bairro da liberdade transformaram-se em riachos e é assim sempre que chove nos últimos anos. E, se para muitos há danos a reportar com a passagem da depressão tropical Filipo, para outros jovens é uma oportunidade para ganhar dinheiro, dois homens cobram 15 meticais a cada pessoa que sobe o “tchova” que é carinha de atracção manual, para sair ou entrar à sua casa, uma vez que as ruas encontram-se intransitáveis.

Também Alexandre Manhiça com o seu “txova” enfrenta a fúria da água que quase o derruba no meio do leito, mas ele diz que assim o faz para garantir a renda. Alexandre é transportador de mercadorias e a meio da manhã desta quarta-feira debaixo da chuva levava ração que serviria para alimentar pintos. Para ele, há riscos sim, mas é preciso trabalhar. “Fazer o quê? Tenho que passar daqui porque não tem outro sítio para passar, passei daqui carregado de sacos, estava cheio. Assim que voltar, escorreguei um pouco ali porque bate numa pedra”.

Mas a chuva resultante da passagem da depressão tropical Filipo fez estragos, alagou casas, algumas foram abandonadas pelos seus donos e as vias de acesso na Matola estão quase todas inundadas, o testemunho é de Bicaire Moreira que com seu carro ligeiro entrou para sua residência para depois sair para falar à reportagem do Jornal O País. “Pedimos à edilidade que nos volte a abrir a vala antiga para que essa água possa passar, porque esta água vive conosco desde o ano 2000 e sempre que chove tende a ficar pior”.
Os bairros da Machava e Nkobe também não escaparam. A estrada regional número 807 ficou com a transitabilidade condicionada devido a chuva, o cruzamento de Machava quilometro 15 e Nkobe estava igual um lago.

Os serviços sociais como Escolas ficaram encerradas por precaução. Do lado do bairro Tsalala a Reportagem do Jornal O País escalou a Escola Básica 8 de Março onde frequentam 4500 alunos, com salas convencionais e sem nenhuma turma ao relento, mas não havia aulas.

“Mesmo por questões de precaução preferimos preferimos dispensar os alunos por duas razões. Porque primeiro a caminhada de casa para escola não é fácil e tomando em conta que a previsão é que o pico seja ainda hoje aqui na Matola preferimos dispensar os alunos” explicou Lourenço Matusse Director da Escola.

O Serviço público de transporte ficou seriamente afectado, aliás os autocarros ficaram estacionados durante todo o dia, não circularam e as paragens estiveram diga-se inundadas de gente. Muitas das pessoas atrasaram ao serviço, outras andaram a pé como o caso da Arlete Alexandre que como última esperança tinha de apanhar na paragem de 15 e mesmo assim não havia lá autocarros.

O presidente do Município da Matola, Júlio Paruque, visitou os vários pontos afectados na autarquia onde estavam a ser feitas intervenções pontuais e fazendo o ponto de situação diz haver para já 50 famílias afectadas.

“Números preliminares ainda, até este momento posso falar de 50 famílias afectadas e que precisam de assistência. A Matola toda ela está bastante afectada temos impactos sobre a transitabilidade, vias de acesso bastante alagadas, vias de acesso com transitabilidade condicionada, temos famílias que foram forçadas a abandonarem suas habitações, temos serviços sociais, equipamentos sociais, nomeadamente de educação e saúde também afectados estamos a aprimorar os danos sobre a Matola, estamos no terreno para minimizar o sofrimento das famílias”.

No vale do Infulene, na zona limítrofe entre as Cidades de Maputo e Matola os canteiros onde se produz hortícolas estavam submersos.

“Abílio Cuna, de 40 anos, cidadão moçambicano, foi considerado culpado e condenado pelo Tribunal de Crimes Comerciais de Mbombela na segunda-feira, 11 de Março de 2024, depois de ter sido preso pela polícia de fronteira de Lebombo”, refere-se em comunicado divulgado ontem pela Polícia Sul-Africana (SAPS).

O comunicado da unidade de investigação policial de crimes prioritários (HAWKS, na sigla em inglês) de Nelspruit, na província sul-africana de Mpumalanga, que faz fronteira com Moçambique, salientou que o tribunal condenou o cidadão moçambicano a dois anos de pena de prisão ou multa de 200 mil rands.

O motorista moçambicano foi detido às 03h20, do dia 04 de Novembro de 2023, no lado sul-africano (Lebombo) da fronteira de Ressano Garcia, a mais movimentada com o vizinho Moçambique, quando transportava, num veículo longo pesado com dois reboques basculantes, mercadoria de contrafacção estimada em 5 973 200 de rands, adiantou a nota a que a Lusa teve acesso.

“O acusado foi detido, a mercadoria falsificada, o camião e os reboques, foram confiscados e apreendidos no entreposto aduaneiro”, disse uma porta-voz provincial do Hawks.

De acordo com as autoridades sul-africanas, a empresa moçambicana Transporte Mussa Mussa (TMM), proprietária do veículo pesado e dos dois reboques, foi condenada a pagar uma multa e taxas de armazenamento na alfândega da Autoridade Tributária da África do Sul (SARS) no valor de 135 mil rands.

Há duas semanas, um motorista moçambicano foi detido na mesma fronteira da África do Sul com Moçambique, por contrabando de calçado de contrafacção no valor de 1,8 milhões de rands, anunciou a polícia sul-africana.

A tempestade tropical “Filipo” que está a fustigar algumas províncias da região Centro e Sul do país continua a causar danos no sistema eléctrico, interrompendo o fornecimento de energia eléctrica em vários pontos do país. Contudo, a empresa Electricidade de Moçambique garante que a corrente eléctrica está a ser reposta gradualmente.

“No balanço das actividades de reposição realizadas pelo Comité Operativo da EDM, até ao meio dia de hoje, constatou-se a redução do número de clientes sem corrente eléctrica, que passou de 98.756 clientes anunciados até as 13:00 horas de ontem, 12 de Março, para os actuais 11.256 clientes afectados”, refere a EDM, em comunicado enviado à nossa redacção.

Na Região Sul cerca de 5.000 pessoas dos distritos de Machanga e Mambone continuam sem energia eléctrica, enquanto que, no Centro, cerca de 2.000 pessoas das localidades de Savane e Muanza continuam desprovidas da corrente eléctrica.

Na Cidade de Maputo, estão desprovidos da corrente eléctrica os bairros Chamanculo, parte do bairro Triunfo, Mapulene, Ferroviário, Magoanine, Bagamoyo, 25 de Junho e Hulene. 

Já na província de Maputo, registam-se perturbações do sistema eléctrico na vila de Ressano Garcia, Ilha de Inhaca, bem como nos Municípios da Matola, Matola Rio, Boane e Manhiça.

Na Região Norte, a interrupção do fornecimento de energia afecta 4.256 pessoas do distrito de Eráti (Postos Administrativos de Namapa e Alua).

A EDM avisa que equipas técnicas estão no terreno, intervindo na rede para a reposição gradual do sistema. “Entretanto, as condições atmosféricas e a inacessibilidade de alguns locais têm sido os maiores obstáculos e concorrem para a demora na reposição do fornecimento da corrente eléctrica”, lamenta.

O Governo diz que a revisão das leis da Polícia da República de Moçambique e do Serviço Nacional de Investigação Criminal é um dos caminhos para o combate aos crimes organizados e transnacionais. 

Sem apontar os aspectos a serem revistos nas referidas leis, o primeiro-ministro, que respondia a perguntas dos deputados na Assembleia da República, disse que a revisão vai reforçar os órgãos no combate aos crimes de raptos, sequestros, terrorismo e outros.

Chamado a intervir, o ministro do Interior reforçou o discurso do chefe do Governo e acrescentou que é necessário aumentar a capacidade da PRM e do SERNIC, para que possa fazer face à tipologia do crime. 

Pascoal Ronda diz que os  praticantes dos crimes de raptos usam métodos sofisticados, por isso urge que a Polícia se actualize. De acordo com o governante, apesar das dificuldades, sobretudo tecnológicas, a Polícia tem andado ao encalço dos criminosos e já tem resultados.

“De Janeiro de 2023 a Março de 2024, foram registados 9 casos de raptos consumados e 6 frustrados. Dos consumados, 7 foram esclarecidos, tendo três vítimas sido resgatadas dos cativeiros. Em conexão com os crimes, foram detidas 42 pessoas, sendo 3 sul africanas e 39 moçambicanas”, avançou.

Ronda disse, ainda, que foram apreendidas 4 armas de fogo, 4 viaturas e desmantelados dois cativeiros.

O ministro do Interior avançou ainda a necessidade de criação de uma lei especial contra o crime de rapto e sequestros, para que haja uma punição exemplar.

Respondendo à preocupação da bancada da Frelimo sobre o nível de reabilitação da estrada Nacional número quatro (EN4), o ministro das Obras Públicas e Recursos Hídricos, explicou que as obras acontecem em duas fases, sendo a primeira, de alargamento, que vai terminar em março.

 A segunda, que compreende a construção de duas serventias, sendo uma em cada lado da estrada, cujas obras serão concluídas até Novembro deste ano.

De acordo com Carlos Mesquita, a fase de alargamento, em curso na EN4, está a trazer melhorias significativas na transitabilidade. 

Já sobre a Estrada Nacional Número Um , Mesquita diz que a reabilitação já iniciou, vai durar dois anos e tem um contrato de manutenção de oito anos.

O chefe do pelouro das Obras Públicas explicou que as empresas responsáveis pelas obras já se encontram no terreno, a  realizar estudos de viabilidade, para depois iniciar as obras.

O ministro diz que o “sector de estradas exige uma planificação cuidadosa”, por isso  a necessidade de se trabalhar com todo rigor nesta fase inicial.

Contudo, Mesquita diz que há troços com reabilitação em curso, com destaque a estrada Nicoadala-Namacurra, na província da Zambézia.

As Linhas Aéreas de Moçambique cancelaram todos os voos programados para a manhã desta quarta-feira, devido à passagem da tempestade Filipo que está a afectar algumas províncias do Sul e Centro do país.

“Os mesmos serão realizados, provavelmente, no período da tarde, logo que as condições meteorológicas mostrarem melhorias assinaláveis”, explica a companhia aérea, garantindo que irá “permanentemente manter informados os passageiros afectados por esta situação sobre as remarcações dos voos”.

Ainda devido às condições climáticas, a LAM cancelou alguns voos desta Terça-feira.

A tempestade Filipo forçou uma aeronave da companhia a aterrar num destino alternativo. 

+ LIDAS

Siga nos