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O País – A verdade como notícia

O balanço preliminar dos danos causados pela tempestade Filipo na província de Inhambane, Sul do país, aponta para um morto, sete feridos e 500 famílias desalojadas e várias infraestruturas destruídas.

Ouvido pela Rádio Moçambique, o delegado do Instituto Nacional de Gestão e Redução de Risco de Desastres, Gilberto Miguel, disse que, neste momento, decorre o trabalho de transferência das vítimas para zonas mais seguras.

“Temos um total de 510 infraestruturas das populações destruídas de forma parcial. É preciso recordar que a maior parte dessas infraestruturas são de construção precária, daí que temos que trabalhar mais na vulnerabilidade das nossas populações”, explicou Gilberto Miguel.

A tempestade Filipo também destruiu ainda 14 unidades sanitárias, seis  escolas e 30 salas de aula naquela província.

Um total de 98.756 pessoas estão sem energia elétrica devido à tempestade tropical severa “Filipo” que afecta o país. O anúncio foi feito pela Eletricidade de Moçambique (EDM).

“A tempestade está a criar danos no sistema eléctrico das regiões afectadas, com registo de situações de queda de postes, alagamento de equipamentos e rompimento de cabos elétricos”, refere a EDM, num comunicado.

Na região sul de Moçambique, em Inhambane, pelo menos 83.000 pessoas dos distritos de Mabote, Morrumbene, Mapinhane, Massinga, vila de Jangamo, Ligogo e cidades de Vilanculos e Inhambane estão sem corrente eléctrica.

No centro, a EDM contabiliza 11.500 pessoas sem energia em Tambara, Chemba, localidade de Savane e Muanza, bairros da Cerâmica, Inhamizua, Matadouro, Munhava, Matope, Ngangau, Six Miles, Ndunda e Zona Industrial.

Já no norte, a tempestade causou a interrupção do fornecimento de energia eléctrica a um total de 4.256 clientes do distrito de Eráti, acrescenta o documento da EDM.

A EDM garante que estão no terreno equipas técnicas para a reposição gradual do sistema, referindo, entretanto, que as condições atmosféricas e a dificuldade de acesso a algumas regiões têm sido os maiores obstáculos e concorrem para a demora na reposição do fornecimento da corrente elétrica, escreve a DW.

Um homem, que aparentava ter 40 anos de idade, e que se dedicava ao câmbio informal de moeda estrangeira, foi morto a tiros na noite de segunda-feira, na Cidade da Matola. Em conexão com o caso, está detida uma mulher de 27 anos de idade. Os presumíveis criminosos estão ainda a monte.

O bairro Bunhiça, no Município da Matola, viveu momentos de terror na noite da última segunda-feira, devido ao tiroteio ocorrido naquela área residencial.

Testemunhas contam que entraram em pânico quando indivíduos desconhecidos começaram a disparar contra um cidadão, que viria a perder a vida no local do crime.

Os moradores dizem que  até tentaram ajudar, mas  foram intimidados pelos supostos criminosos, ameaçando-os de morte.

“Os bandidos vieram primeiro e estacionaram um pouco distante do carro da vítima. Ele recebeu uma ligação e atendeu, não sabemos se era ligação dos bandidos. E, de repente,  começamos a ouvir tiros”, contou um morador que não quis ser identificado.
“Ele conseguiu escapar e entrou numa casa que estava perto do carro onde havia estacionado. A moça estava a gritar muito e ele teve medo. Achou que estivessem a bater nela e foi quando voltou e veio apanhar a morte.”

Quando o crime ocorreu, o homem estava na companhia de uma mulher que diz ser amiga íntima da vítima.

À imprensa, contou que estava no interior do carro a conversar com o seu amigo e,  de repente, foram surpreendidos por dois homens empunhando armas de fogo, que  exigiram chaves do carro, telefones e dinheiro. Perante a resistência do homem, os supostos criminosos acabaram por matá-lo, sem levar nenhum dos seus pertences.

“Quando saiu, com aquelas pessoas,  encontrámo-lo já estatelado no chão após levar  tiros. Quando chegámos,  ele ainda estava a respirar.  Daí,  quando saí do carro dele, eu tinha a sua pasta e a minha. Saí e fui à minha casa deixar as duas pastas que eu trazia, e, quando voltei, começámos a ligar para a Polícia para aparecer”, contou a indiciada que se encontra detida na quinta esquadra da PRM, na Machava.

A Polícia, no entanto, rebate a versão da detida e considera que é uma das principais suspeitas. Aliás, as autoridades dizem ter recuperado o valor de 20 mil rands,  o equivalente a 60 mil Meticais e mais 20 mil em moeda nacional.

“Ela, no momento da execução do acto, apoderou-se dos bens da vítima e foi para a sua residência. Depois de a Polícia ter tomado conhecimento do crime,  fez  as diligências e, neste momento,  temos a cidadã de 27 anos de idade como a principal indiciada pela  autoria do crime”, avançou Juarce Marins, porta-voz do Comando Provincial da PRM em Maputo.

O homem, segundo apurou o “O País”, era casado e morava no bairro de Khongolote, deixando viúva e dois filhos.

A Comissão Nacional dos Direitos Humanos diz que ainda é preocupante a violação dos direitos humanos em algumas zonas de Cabo Delgado, devido à acção dos  terroristas.

A preocupação foi manifestada, há dias, pelo respectivo presidente da Comissão, Albachir Macassar, após ter mantido uma audiência conjunta com o secretário de Estado, Jaime Neto,  e o governador de Nampula, Manuel Rodrigues.

Albachir Macassar disse  ainda que, por conta das acções terroristas, muitos cidadãos daquelas regiões estão a ser privados dos seus direitos, principalmente de busca de meios de sobrevivência, pese embora o trabalho das Forças de Defesa e Segurança no terreno.

“O que nós vimos, em Cabo Delgado, é uma situação preocupante, realmente. Mas não se está a deixar de fazer a sua acção. Há uma natureza que é preciso ver deste conflito, que é um novo rumo. Aquilo que acontecia, antes de 2023, e se estiverem lembrados, foi um ano muito atípico em termos de ataques, quase até se pensou que tivesse parado. Isso deixou, de alguma forma, a própria força desarmada, o que propiciou este tipo de ataques que estão a acontecer neste momento. Então, as tropas estão a tentar refazer-se ao que, como eu disse, foram atacados de surpresa”, começou por dizer Albachir Macassar.

Albachir Macassar esclareceu, igualmente, que a Comissão Nacional dos Direitos Humanos não teve acesso a alguns distritos devido aos ataques havidos há dias.

“Em Cabo Delgado, nem conseguimos ir aos distritos, porque estavámos a pensar em ir a Metuge e foi exactamente no dia em que aconteceu. A informação que tivemos é que a situação não está nada boa, principalmente porque as pessoas estavam a regressar e voltam agora para os centros.”

Macassar abordou, depois, a questão da população ver-se privada de assistência e acesso e de se movimentar livremente.

“Relativamente a outro tipo de violência que está a acontecer, como dissemos em momentos anteriores, é que uma situação de conflito sempre propicia violação de direitos humanos de uma parte ou de outra. Violação de direitos humanos não é apenas matar pessoas, mas é não fornecer mantimentos e assistência necessária quando a população precisa. A violação de direitos humanos tem muito a ver com aquilo que é de determinados direitos das pessoas. E situações de conflito tem natureza própria desse conflito. E isso podemos dizer, mais uma vez, e claramente incluindo essas respostas, quando voltarmos de Eráti teremos mais respostas.”

Em Quissanga, há relatos de os terroristas permanecerem naquela vila há mais de uma semana, e   supostamente não haver uma acção das Forças de Defesa e Segurança.

“Eu não sei se não há uma acção. É como disse, nós não chegámos de ir aos distritos. Recebemos a informação de que, realmente, eles entraram em Quissanga e Quirimba. A informação que nós tivemos é que havia uma acção que estava a ser preparada esta acção. Neste momento, podemos dizer que há sim uma violação dos direitos humanos dessas pessoas que estão lá porque não conseguem movimentar-se. De certeza, já não há muita comida. O que nós podemos dizer é que, neste momento, pode consubstanciar em violação dos direitos humanos”, frisou.

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) apresentou, hoje, um indivíduo de 44 anos de idade, indiciado de ter participado na preparação do rapto de uma cidadã, no ano passado, na Cidade de Maputo.

Cerca de quatro meses depois de o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) ter registado um caso de rapto de uma cidadã de origem asiáica, no bairro da Sommerchield, na Cidade de Maputo, um indivíduo de 44 anos foi apresentado como um dos integrantes da quadrilha que praticou a acção criminosa.

O SERNIC diz que o detido foi encontrado na posse de chapas de matrículas gravadas numa viatura que teria sido usada para o rapto.

“Aquando da detenção de três indivíduos, indiciados no rapto ocorrido no dia 20 de Janeiro do ano em curso, esses três cidadãos foram surpreendidos e detidos na posse de duas chamas de matrícula, que tinham sido cravadas na viatura usada no rapto ocorrido no dia 01 de Novembro, de que foi vítima uma cidadã”, disse Hilário Lole, porta-voz do SERNIC.

No entanto, o detido acusado da prática deste crime que forçou vários empresários a abandonarem o país nega as acusações que pesam sobre si.

“Eu não estou envolvido em nenhum rapto. Não tenho passagem pela Polícia, nunca estive em situação de detido. Sou um cidadão normal, que trabalha. Procuro o meu pão no dia-a-dia”, disse.

Em relação ao rapto registado na semana passada, na rua Augusto Macamo, na capital do país, o Serviço Nacional de Investigação Criminal diz estar a efectuar diligências para o seu esclarecimento.

A tempestade tropical Filipo poderá afectar a província de Maputo a partir do final do dia de hoje, depois de na noite de ontem ter afectado os distritos das províncias de Sofala e Inhambane. O Instituto Nacional de Meteorologia garante a saída do sistema na quinta-feira.        

Depois de evoluir para uma tempestade tropical severa, Filipo já faz soar alarmes. Só para ter uma ideia, na província de Inhambane, ponto de entrada do fenómeno , houve destruição de casas, escolas, infraestruturas eléctricas e árvores. 

De acordo com o INAM, o sistema foi ocasionando muita precipitação, de tal modo que a precipitação chegou a ser superior a 150 milímetros nas últimas 12 a 18 horas. 

“O sistema vai continuar a evoluir, de tal modo que também irá deslocar-se progressivamente e  já está a influenciar o estado  de tempo na província de Gaza e esta influência vai continuar nas próximas 12 e 24 horas”, explicou Telmo Sumila, meteorologista. 

A província de Maputo será afectada a partir do final do dia de hoje com registo de chuvas fortes.  

“Não obstante, nós já temos alguns registos de chuva muito fraca por conta da aproximação do sistema. De maneira geral, o que nós esperamos, depois  que este sistema entre para a província de Maputo, é que ele se desloque para a região do mar saindo sobre o norte da província de Maputo e o sul da província de Gaza a partir do dia 14”, disse.         

O INAM recomenda  a tomada de medidas de precaução e segurança face a situações de ventos fortes e chuvas.

Passa, hoje, um ano após a entrada do ciclone tropical Freddy na província da Zambézia, que afectou centenas de pessoas, causando luto e dor, além da destruição de infraestruturas públicas e privadas.

Um evento que mexeu com o tecido socioeconómico da Zambézia em 2023. Por estas alturas, a província lutava para debelar o sofrimento causado por aquele evento climático, com destaque  para os distritos localizados ao longo da Costa. 

José Ferreira reside no bairro Incidua, em Quelimane, um dos mais vulneráveis a eventos ciclónicos, há mais de três décadas. Lembra como se fosse ontem a passagem do ciclone Freddy. “Presenciei a passagem do ciclone Freddy, estávamos todos aflitos e o cenário era de cada um por si, Deus para todos. Os efeitos do ciclone continuam e nós estamos aqui a sofrer por conta disso. Esperamos por dias melhores”, disse Ferreira.

Vasco Abacar é outro cidadão de Quelimane que também sofreu, junto com a sua família, com a passagem do ciclone em 2023. Conta que o ciclone criou uma condição de vida nômada e falta de alimentos. “Volvido um ano, só lembramos o sofrimento que vivemos. As nossas casas caíram e hoje muitos de nós não têm condições para reerguer outras”, lamentou. 

As famílias procuram todos os dias reparar os danos causados. Reforçam chapas de zinco sempre que há anúncio de mau tempo. 

O delegado do INGD na província da Zambézia, Nelson Ludovico, fez saber que ficaram afectas pelo ciclone perto de 800 mil pessoas. Mais de 25% destes necessitaram de ajuda humanitária e 157 pessoas perderam a vida. 

“É por isso que, consciente desta realidade, o Governo elaborou um relatório de avaliação das necessidades pós ciclone. Foi com base neste documento que estamos a trabalhar junto de parceiros internacionais para ver se conseguimos captar recursos para uma reconstrução mais resiliente a nível da província”, disse Ludovico adiantando que “neste momento fizemos a reconstrução de algumas infraestruturas sociais ao nível da província com recursos anunciados e disponibilizadas pelo Presidente da República. Contudo, temos ainda mais esforços para assegurar o processo de reconstrução em curso e apoio das famílias”. 

Actualmente, chove na zona Norte da província, o que reanima a produção das famílias. A preocupação tem sido na zona sul, onde a chuva ainda é escassa, mas espera-se por dias melhores. 

O Governo da província ainda não tem registo de bolsas de fome. 

Seis pessoas morrem e três estão desaparecidas na sequência de dois naufrágios e igual número de afogamentos na província do Niassa. O uso de embarcações inadequadas e navegação marítima com caudal em níveis altos são apontados como as causas.

Os dados são resultados de duas situações ocorridas durante a semana passada, nos distritos de Mandimba, Sanga, Marupa e Mavago,  na província do Niassa, na região Norte do país. 

Segundo a porta-voz provincial da Polícia da República de Moçambique em Niassa, Mirza Maguanda, dentre os motivos que terão causado os naufrágios estão, o destaque vai para a predominância de uso de embarcações inadequadas e navegação marítima com caudal em níveis altos.

“Em Mandimba, tivemos o caso de naufrágio devido a más condições da canoa em que esses ocupantes navegavam. Para o caso de Sanga, foi devido ao aumento do nível de água, ou melhor a subida do caudal do rio”,  apontou.

Em coordenação com o regimento da Polícia de Fronteira, as autoridades em Niassa desdobram-se para a minimização dos casos de afogamento e naufrágios.

Numa outra abordagem, Maguanda disse que Niassa mantém-se ainda “firme e inabalável” perante a iminência da tempestade tropical Filipo, que já se faz sentir  no Centro e Sul do país, não obstante as últimas chuvas torrenciais na semana passada.

“Tivemos, na semana passada, o registo de chuvas que originaram a subida de caudais dos rios, nesta semana em particular ainda não temos registos dessas ocorrências”, assegurou a porta-voz da PRM em Niassa, ao mesmo tempo que assegura que, até então, a situação continua estável.

A tempestade tropical moderada Filipo entrou no país através da província de Inhambane, pelo distrito de Inhassoro, às 5 horas de hoje. O fenómeno evoluiu para tempestade tropical severa.

O Instituto Nacional de Meteorologia alerta que nas prόximas 24 horas, o sistema continuará a deslocar-se progressivamente na direcção sudoeste, o que vai afectar as temperaturas com chuvas muito fortes, vento máximo de 90 Km/h e rajadas até 120 Km/h nas províncias de Inhambane, Gaza e Maputo.

Em Inhambane, o alerta vai para os distritos de Homoine, Funhalouro, Inharrine,Jangamo, Mabote, Massinga, Zavala, Morrumbene, Massinga, Vilankulo, Inhassoro, Govuro, Panda e Cidades de Maxixe e Inhambane.

Já em Gaza, serão afectados os distritos de Massingir, Chókwe, Chongoene, Bilene, Limpopo, Mandlakazi, Chicualacuala, Mapai, Mabalane, Chigubo, Chibuto, Guijá, Chongoene e cidade de Xai-Xai.

Manhiça, Marracuene, Boane, Magude, Matutuine, Moamba, Namaacha, Cidades da Matola e Maputo serão os fustigados pela intempérie. 

Face à  ocorrência de ventos fortes, trovoadas e chuvas muito fortes, recomenda-se a tomada de medidas de precaução e segurança.

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