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O País – A verdade como notícia

O Engenheiro de construção civil e docente de engenharia na Universidade Eduardo Mondlane, Celso Nícolas, alerta para uma degradação acentuada das estradas no país, por conta da queima dos pneus e outros objectos durante as manifestações.

Os impactos das manifestações vão muito além das mortes e feridos durante os dias de marcha e agitação em todo o país, com maior impacto na cidade de Maputo.

O engenheiro de profissão, docente de Engenharia na Universidade Eduardo Mondlane, Celso Nícolas, fala de danos no asfalto devido à queima de pneus e outros objectos.
Feito os estragos, há necessidade urgente de avaliação dos impactos e posterior intervenção, que, de acordo com o especialista, custa muito dinheiro.

Caso não aconteça um trabalho de reposição do asfalto queimado, Celso Nicolas alerta para a ocorrência de um pior cenário.

De acordo com o engenheiro, boa parte das estradas do país tem uma espessura que varia de 4 a 9 centímetros, o que sugere que a sua manutenção vai exigir muito do tapamento de fissuras.

 

A polícia em Inhambane confirma a detenção de dois dos seus agentes surpreendidos a vender seis quilos de droga, na Cidade de Maputo. A droga foi desviada de um lote apreendido no distrito de Inhassoro, em Fevereiro deste ano.

Um vídeo amador enviado a um comprador de drogas foi feito por um agente da polícia, afecto ao comando distrital de Inhassoro, no qual mostrava que tinha droga para venda.

No vídeo, aparecem apenas dois quilos da droga, mas, na verdade, os agentes da polícia desviaram seis quilos de metanfetamina e pretendiam vendê-los por 170 mil Meticais, na Cidade de Maputo, mas o cliente final estava na África do Sul.

Foi durante um processo de venda da droga que os agentes acabaram detidos pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal.

Contactada sobre o assunto, a porta-voz do comando da polícia em Inhambane confirma a detenção, mas não dá detalhes.

O jornal O País sabe que os agentes já foram pronunciados pelo Tribunal Judicial de Inhambane e o julgamento deverá acontecer ainda este ano.

Há cada vez mais casos de cancro da mama em Moçambique e, apesar de haver mais consciência para o rastreio, a falta de serviços de quimioterapia e radioterapia acaba por levar algumas pacientes a desenvolverem casos complicados da doença.

Um dos exemplos de mulher afectada pelo cancro da mama é Nazalda Manuel Lassido, que, até 2014, era uma jovem saudável e alegre. Depois disso, foi diagnosticada com cancro da mama. Fez o tratamento hospital e foi-lhe sugerido pelo médico que, apesar do tratamento, devia dar atenção ao controlo. Devido a vários constrangimentos logísticos e de mobilidade, a jovem nem sempre conseguiu aproximar-se ao hospital.

Com o passar do tempo, o nódulo reapareceu na mama, em 2023, muito maior, o que levou à cirurgia.

A amputação da mama aconteceu no Hospital Geral de Lichinga, na província de Niassa. Nessa fase, a paciente teve informação de que se tratava do cancro da mama. Em casos do género, depois da cirurgia de retirada da mama, a paciente deve ter consultas de seguimento para fazer sessões de quimioterapia ou radioterapia para eliminar todas as células cancerígenas no organismo, mas não foi o que aconteceu com ela. Nazalda não teve quimioterapia em Niassa.

Um ano depois, em Outubro deste ano, foi transferida para a cidade de Nampula, com um estágio avançado de propagação do cancro no organismo.

O médico cirurgião-geral, António Carlos, foi quem recebeu a paciente no Hospital Central de Nampula e explicou que se a situação da paciente tivesse evoluído bastante, até ao nível 3.

A demora no início da quimioterapia por falta de condições, na cidade de Lichinga, foi determinante para o agravamento do cancro da mama de Nazalda Manuel Lassido.

Sérgio Ferrão é o médico oncologista que é responsável pela quimioterapia recomendada à paciente. A escolha desse tratamento, diz o médico, depende de vários factores.
Quando a entrevista com o médico Sérgio Ferrão foi gravada, Nazalda tinha feito a primeira sessão de quimioterapia. A jovem mãe sente-se mais optimista, apesar da agressividade do tratamento.

Porém, para o sucesso desta fase, ela precisa de ter um nível de sangue no organismo capaz de suportar as necessidades decorrentes da natureza do tratamento.

Nazalda luta pela cura através da quimioterapia, mas há tantas outras mulheres e homens com os diversos tipos de cancro que estão na incerteza se terão ou não a possibilidade de ter um tratamento através da radioterapia, outra forma de tratamento.

No entanto, neste momento, a única máquina de radioterapia que existe no país, em concreto no Hospital Central de Maputo, está, desde Março, avariada, ou seja, há quase nove meses. Os cerca de 50 pacientes com diferentes tipos de cancro que são atendidos, por dia, estão sem fazer esse tratamento que é essencial para a cura do paciente.

A referida máquina, que começou a operar em 2019, após a inauguração do serviço de radioterapia no Hospital Central de Maputo, é de vital importância para o tratamento da doença. No país, por exemplo, é a única existente, sendo que atende pacientes de todo Moçambique e de países vizinhos.

Ao público, nenhuma informação em concreto foi dada e, pelo que apurámos, não há previsões de quando voltará a funcionar, por se tratar de uma avaria grossa, o que obriga os pacientes a recorrerem a países como Malawi e África do Sul para o tratamento, e aqueles que não têm condições para o efeito ficam largados à sua própria sorte.

Além desse problema da avaria da máquina, sabe-se que há outros, relacionados com a falta de material, como o caso de máscaras que são usadas durante o tratamento para pacientes com cancro de pescoço e de cabeça, obrigando os mesmos a comprarem fora do hospital a valores que rondam entre os 10 e os 15 mil Meticais, uma vez que sem elas, não tem como fazer o tratamento.

Este jornal está há mais de dois meses em contacto com o gabinete de comunicação e imagem do Hospital Central de Maputo e nunca teve sucesso para a gravação de uma entrevista de esclarecimento do que pode estar a acontecer, de que avaria se trata e qual é a dificuldade para resolver o problema.

De Janeiro a Setembro deste ano, a província de Nampula diagnosticou 1475 mulheres com nódulos mamários. Grande número incide em mulheres jovens.

Zambézia não fica atrás, por isso a secretária de Estado, Cristina Mafumo, pede que as mulheres sejam mais atentas aos sintomas.

De acordo com dados oficiais, são diagnosticados por ano cerca de cinco mil cancros da mama no país, sendo três mil deles letais.

Os residentes da cidade de Xai-Xai estão preocupados com a recente onda de assaltos, que ocorrem a qualquer hora do dia, em residências e na via pública. Entretanto, a polícia diz que a situação está controlada.

Na capital da província de Gaza, o aumento acentuado da criminalidade tem sido uma constante preocupação para os moradores de dia e de noite, sobretudo nos bairros 4, 5, 6 e 10.

Nos bairros 5 e 6, os moradores associam a subida de casos com o aumento da venda e consumo de drogas.

Nos bairros 4 e 10, ainda na cidade de Xai-Xai, segundo os moradores, os crimes acontecem, principalmente, à calada da noite, devido ao fraco patrulhamento.

O secretário do Bairro 6 criticou a morosidade no esclarecimento de diversos casos, facto que levanta questionamentos sobre a actuação da polícia.

Entretanto, a polícia, através do seu porta-voz, Júlio Nhamussua, garante que a criminalidade na cidade de Xai-Xai está controlada. Avança igualmente que há trabalhos em curso para acabar com os focos de venda e consumo de drogas.

Em Gaza, de Janeiro a esta parte, foram detidos 13 indivíduos indiciados por consumo e venda de drogas.

Os Bancos Mundial e KFW da Alemanha rejeitaram o empreiteiro seleccionado pelo Governo para a execução de obras de reabilitação da protecção costeira na Beira, na província de Sofala. A reprovação deve-se ao facto de o empreiteiro não reunir requisitos básicos exigidos no concurso internacional.

As obras de reabilitação da protecção costeira da Beira já não arrancam este ano e, no próximo mês, será lançado um outro concurso.

A falta de consenso entre os financiadores e o Governo central em relação ao empreiteiro seleccionado foi determinante para o cancelamento do concurso.

É que o concurso da obra em referência foi internacional e uma das principais exigências é que o empreiteiro tenha profundos conhecimentos e experiência na execução de obras marítimas.

No entanto, o empreiteiro seleccionado pelo Governo central, através da Administração de Infra-Estruturas de Água e Saneamento, não reúne estas condições, segundo o edil da Beira.

“Foi uma empresa que não tem experiência naquilo que são as obras marítimas. É verdade que tem experiência na área de vegetação das dunas, mas naquilo que é a parte mais consistente, mais técnica, a parte que tem mais trabalhos, não tinha”, disse Albano Carige.

O segundo critério, não menos importante, é a inclusão, nas obras, da participação das comunidades beneficiárias, principalmente no local onde elas serão executadas, para garantir que os munícipes se apropriem do projecto.

“Para que esses munícipes não sirvam de constrangimento naquilo que será a operação e manutenção das infra-estruturas, depois de terminadas. À própria empresa também foram dados 10 a 15 dias para trazer o desenho todo. Infelizmente, não conseguiu apresentar. Significa que não tinha incorporado este factor da participação da população localizada dentro deste projecto e, assim, acabou por cair”, explicou o edil.

Carige garantiu que este facto não significa que o projecto deixará de ser executado, mas, certamente, as obras já não arrancam este ano.

“Ainda este ano, em Dezembro, próximo mês, voltará a lançar-se um concurso para que as obras tenham lugar em Fevereiro do próximo ano”, avançou.

As obras, avaliadas em cerca de 60 milhões de euros, disponibilizados pelo Banco Mundial e pelo Banco Alemão KFW, têm uma extensão de 40 quilómetros e visam fazer face à crescente erosão na costa, que já danificou várias infra-estruturas, entre as quais estrada e edifícios públicos e privados.

Mulheres da Associação Agrícola do Vale do Mandruze recebem 20 mil alevinos de qualidade para o povoamento das suas gaiolas que tinham sido destruídas pelo ciclone Idai. A iniciativa visa, essencialmente, alavancar a aquacultura e melhorar a dieta alimentar das famílias.

O impacto catastrófico do ciclone Idai não poupou quarenta gaiolas de uma associação agrícola de mulheres que residem no distrito de Dondo, na província de Sofala. Passados cinco anos, as mesmas não conseguiram repor os danos provocados pelo fenómeno natural.

No âmbito de projecto de desenvolvimento e aquacultura de pequena escala, com vista à reposição do que foi destruído pelo ciclone Idai, em 2019, e reforçar a dieta alimentar das famílias camponesas, as mulheres receberam 20 mil alevinos para povoamento das suas gaiolas e duas toneladas de ração. A entrega foi feita pela ministra das Pescas, Lídia Cardoso.

Depois da primeira produção, cabe agora à associação consumir uma parte e vender a outra para, a partir dos lucros, fazer a reconstituição da nova remessa.
Para a administradora de Dondo, Maria Bernadete Roque, esta iniciativa vai alavancar a aquacultura.

A iniciativa vai abranger quatro distritos de Sofala, com enfoque em associações que trabalham na aquacultura.

A cidade de Xai-Xai procura recuperar-se dos prejuízos acumulados durante uma semana de paralisação de actividades, devido às manifestações convocadas por Venâncio Mondlane para contestar os resultados eleitorais divulgados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE).

Alguns cidadão falam de prejuízos e o sector da indústria e comércio alerta para o risco de ruptura de produtos de primeira necessidade por conta da falta de abastecimento.

No sábado, a vida voltou completamente ao normal, na cidade de Xai-Xai, província de Gaza, depois das manifestações da última quinta-feira.
A paralisação por uma semana agudizou os prejuízos que os comerciantes já registavam.

O sector hoteleiro também não foi poupado pela paralisação, havendo casos de pessoas que foram despedidas do trabalho. Uma cidadã entrevistada pelo “O País”, por exemplo, queixa-se de não ter recebido o salário Outubro.

Por sua vez, um vendedor abordado pelo “O País” fala de incertezas e diz que, se nada for feito para reverter a situação, a sua família poderá passar fome.

A directora da Indústria e Comércio em Gaza, Lúcia Matimele, alerta para a ruptura de produtos de primeira necessidade na província, e diz que só existe “stock” para uma semana.

Outro sector que se queixa de estar a acumular prejuízos é o de transporte. Com a falta de passageiros, aliada ao receio de insegurança na via pública, alguns transportadores que operam na rota Xai-Xai/Maputo dizem que não têm receitas há três semanas.

O país precisa de definir caminhos para a contínua pacificação em momentos eleitorais, defende o reitor da Universidade Católica de Moçambique, Filipe Sungo.
O académico diz, ainda, que o diálogo e a ética devem ser chamados para este processo.

Sungo critica o facto de se estarem a registar mortes, quer do lado dos manifestantes, quer do lado da polícia.

Por sua vez, a secretária de Estado na Zambézia, Cristina Mafumo, criticou as mortes e o vandalismo durante as manifestações.

O reitor da Universidade Católica e a secretária de Estado da Zambézia falavam à margem da cerimónia de graduação de estudantes, no sábado, em Quelimane.

Há enchentes de camiões na fronteira de Machipanda, na província de Manica. O facto deve-se ao encerramento da fronteira de Ressano-Garcia, em Maputo, que foi originado pelas recentes manifestações violentas na maior fronteira do país.

Depois do nos dias seis e sete do corrente mês, o maior posto fronteiriço ter sido encerrado devido a vandalização,  a fronteira de Ressano-Garcia muitos automobilistas, sobretudo, de veículos de  transporte de cargas, que pretendem entrar ou sair do país, pela fronteira de Ressano Garcia, foram obrigados a mudar de rota e o caminho foi a fronteira de Machipanda, na província de Sofala, tal como refere Carlos Sete. 

“Até mesmo ontem  “vejo que por causa da fronteira da África do Sul, muitos já não usam aquela via, estão a vir nesta aqui, Carlos Sete”, disse.

É uma saída que não tem sido nem tão pouco fácil para os camionistas que chegam a permanecer por mais de 24 horas para atravessar para o vizinho zimbabwe.

“A afluência de camiões, hoje, é maior,  porque todos os motoristas estão a andar de um lado para o outro”, referiu Tawanda Gwara.

Machipanda é o principal ponto de travessia terrestre de diversos produtos que saem do porto da Beira para os países do interland, que hoje, para aliviar o congestionamento anormal, alguns automobilistas tiveram de fazer-se em contra-mão, tal como fez a equipa do “O País”.

“Eu vou a Zimbabwe, cheguei de manhã. Estava muito longa a fila, mas agora já tende a ser rápida, acredito que daqui há pouco irei atravessar”, disse Simba Dube, que já devia estar no Zimbabwe.

Os automobilistas pedem com urgência o alívio do tráfego da fronteira.

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