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O País – A verdade como notícia

Produtores queixam-se da falta de apoio em sementes e equipamentos técnicos para alavancar a produção, após perda de culturas diversas no Limpopo e Xai-Xai, na província de Gaza. Com 62 mil hectares de culturas diversas destruídos, quase 133 mil pessoas estão em risco de fome na província.

“Entraram nas nossas casas para registarem as pessoas que perderam culturas nas machambas. Disseram que nos ajudariam com sementes para as nossas machambas, mas, até hoje, não disseram nada”, revelou uma agricultora do distrito do Limpopo ao jornal O País.

Visto que os efeitos combinados da seca severa, inundações e pragas não pouparam o sector agrário na província, agricultores dos distritos de Xai-Xai e Limpopo, por exemplo, registaram perdas entre 4 a 13 mil hectares de culturas diversas.

“Perdi muitas culturas, até perdi a contagem, mas passam 10 hectares”, disse uma das produtoras. Outrossim, disse outra que: “nas machambas não temos nada. Estamos a passar fome em casa com crianças”.

Os produtores expressam vontade de trabalhar a terra, mas, enfrentam barreiras e dizem que, se o governo não agir, a fome poderá agravar-se.

“Pedimos sementes. O trator para lavrar meio hectare custa 2500 meticais, está muito caro. Que nos dêem sementes”’

A governadora da província, Margarida Mapandzene, reconhece a magnitude dos estragos no sector agrícola e avança medidas para mitigar os efeitos das intempéries.

“Na assistência técnica passaremos dos 110 para 118 produtores assistidos nos próximos tempos”, garantiu a chefe do executivo provincial.

Em Gaza, escassez de chuvas, pragas e inundações destruíram cerca 62 mil hectares de culturas, elevando o risco de insegurança alimentar para mais de 133 mil pessoas

Dom Dinis Sengulane considera “fim da violência, diálogo e a tolerância”  pilares “inadiáveis para restauração da paz”, no contexto das manifestações pós-eleitorais, em curso no país, desde o anúncio dos resultados das eleições do dia 9 de Outubro. 

O país atravessa um momento crítico, marcado por mortes e destruição de infraestruturas socioeconómicas, decorrente das manifestações em curso, desde o anúncio dos resultados de 9 de Outubro. Sobre o contexto, Dom Dinis Sengulane alerta para a necessidade de uma reflexão de caráter “nacional e inadiável”, para a restauração da paz e concórdia entre os moçambicanos.

“Temos experiência e muita gente disposta a nos ajudar e aconselhar. Há condições para o diálogo e que não se espere para outro dia, não é para hoje, é para ontem”, disse.

O Bispo emérito da Diocese dos Libombos considera que a vida de cada moçambicano deve ser valorizada e protegida, nesse percurso, Dom Dinis Sengulane elenca três pilares, sendo prioritário o fim da violência.

“Todo tipo de violência seja verbal, pública ou privada deve acabar já”, avançou Dom Dinis Sengulane.

Com o fim da violência emerge espaço para diálogo, e com este a restauração da esperança.

“O nosso jovem precisa de ter uma orientação. Há muitos jovens a expressar uma atitude de desespero, entretanto, há condições para que haja esperança”, concluiu Sengulane. 

Dom Dinis Sengulane falava em Xai-Xai, durante uma palestra inserida na celebração do seu quinquagésimo ano de ordenação sacerdotal.

 

Um jovem de 29 anos de idade morreu, após ser baleado, na última quinta-feira, no bairro das Mahotas, alegadamente, pela polícia, quando se encontrava sentado e em frente à sua casa.

Segundo testemunhas, o jovem de nome Jonas Tembe foi alvejado por dois tiros, um na cintura e outro que entrou pelas costas e saiu pelo pescoço, tendo morrido no local.
“Veio um carro e desceram pessoas armadas, foram até ao Jonas e ele levantou-se e correu, mas foi atingido aqui (na cintura). Continuou a correr, saltou o muro, mas foi alvejado nas costas e a bala saiu pelo pescoço e ele caiu naquela casa”, contou, Sónia Sitoe, a mãe da vítima.

Conforme explicou Sónia, a polícia, que estava à paisana, não deu nenhuma explicação sobre os motivos, o que gerou revolta popular, e houve necessidade da intervenção de mais agentes, mas desta vez, fardados.

“Chegaram aqui, os colegas, num Mahindra e, vinham tirar eles, daqui, mas não deixamos, exigimos que tirassem o corpo e que os outros ficassem até explicarem porque mataram meu filho, só que eles entraram no carro a força e saíram em alta velocidade e atropelaram o meu outro filho”, relatou a Sónia.

Seu filho atropelado é Jaime Tembe, que parou em frente ao carro para impedir que os agentes fossem embora. Ele teve ferimentos nas costas e nas pernas. Agora, locomove-se com dificuldades e fala de dores no peito, que dificultam a sua respiração.

A família agora pede justiça e diz que, por várias vezes, foi à polícia, mas nenhuma resposta em concreto teve. Jonas será enterrado esta quarta-feira.

Enquanto nas Mahotas acontecia isto, no bairro da Maxaquene, Avenida Milagre Mabote, Bruno, nome fictício, foi alvejado por cinco balas, nas pernas e na nádega. Contou ao “O País” que, durante a manifestação, houve um desentendimento com a polícia, tendo ele e algumas pessoas se refugiado no interior de um quintal, naquele bairro.

“A polícia entrou lá, lançou gás lacrimogêneo e começou a disparar, foram vários tiros, eu senti as balas perfuraram o meu corpo, pensei que não fosse sobreviver. Mas depois pedimos ajuda aos militares, que levaram-nos ao hospital”, recordou.

Bruno contou que, no carro em que foi transportado, havia mais de 10 feridos.

No Hospital Central de Maputo, naquele dia, houve 66 entradas, todas elas vítimas das manifestações. Dessas, segundo o director do Serviço de Urgências do Hospital Central de Maputo, Dino Lopes, 57 foram vítimas de baleamento.

Houve três óbitos, dois que chegaram já sem vida e um que, devido à gravidade, morreu enquanto era atendido.

Além dessas vítimas, quatro feridos estavam em estado grave e dois foram levados aos cuidados intensivos.

O Ministério Público já abriu 208 processos-crime no quadro das manifestações pós-eleitorais. A Procuradoria diz que busca responsabilizar os autores morais e materiais de crimes como homicídios, incitamento à desobediência colectiva e conspiração para a prática de crime contra a segurança do Estado. Além de responsabilização, o Ministério Público abriu processos cíveis para que o Estado seja ressarcido pelos danos causados.

É um dos primeiros pronunciamentos públicos do Ministério Público sobre as manifestações pós-eleitorais que se vivem no país desde o passado dia 21 de Outubro.

Através de um comunicado, começa por informar em termos numéricos quantos processos estão em curso no quadro das manifestações pós-eleitorais.

“O Ministério Público, no âmbito das suas competências constitucionais e legais, tem estado a instaurar processos judiciais, visando a responsabilização criminal dos autores (morais e materiais) e cúmplices destes actos, tendo sido desencadeados, até ao momento, 208 processos-crime, nos quais se investiga homicídios, ofensas corporais, danos, incitamento à desobediência colectiva, bem como a conjuração ou conspiração para prática de crime contra a segurança do Estado e alteração violenta do Estado de direito”.

Mas não se pretende apenas responsabilização criminal. A Procuradoria quer que o Estado seja ressarcido pelos danos causados. “A par dos procedimentos criminais e em defesa do interesse público foram instaurados processos cíveis, com vista ao ressarcimento do Estado pelos danos causados”.

Isto é em relação a tudo que já aconteceu. Sobre o futuro, a procuradoria deixa o aviso de que está atento a todos que praticarem violência. “Serão efectuadas todas as diligências cabíveis para identificar, responsabilizar e levar à justiça aqueles que se envolvem em actos de violência e divulgam mensagens de intimidação, assegurando que a lei seja cumprida, com imparcialidade e transparência.”

De forma geral, o Ministério Público considera ilegal convocar manifestações sem comunicar às autoridades sobre data, hora e cortejo. Fala ainda de instigação ao não cumprimento da lei. “Agrava, ainda, o facto de nessas convocações, expressamente, se incitar a mais violência, quando se refere que a fase seguinte deve ser mais violenta que a anterior, mesmo estando ciente das consequências que as mesmas tiveram e dos efeitos nefastos para a sociedade. É exemplo disso os apelos a tomada, bloqueio e destruição de infra-estruturas estratégicas do Estado, como é o caso de fronteiras, pontes, portos e caminhos-de-ferro, bem como a insurreição armada”.

Os gestores de transporte de passageiros e de carga dizem que só vão tirar as suas viaturas, entre quarta e sexta-feira, caso haja garantias de segurança e passageiros na via. Os transportadores apelam à paz, para que possam exercer, com tranquilidade, as suas actividades.

As cidades de Maputo e Matola registaram um movimento atípico , desde o princípio da tarde desta terça-feira até ao anoitecer, tanto de pessoas, como de viaturas…

Os transportadores de passageiros e de carga têm uma explicação para isso.

“Você pode ver como está a estrada hoje.Está muito movimentado porque todos estão tentando antecipar o que seria feito nos próximos três dias neste espaço.  Eventualmente, no próximo fim de semana, teremos a continuação desta agitação, para cobrir o que não será feito nestes três dias”, disse Zuneid Calumias, Vice-presidente da Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários. 

Porque esta não é a primeira vez que sofrem prejuízos, os gestores dizem estar a trabalhar com cautela.

“Porque na verdade não dá para colocar os carros na rua por causa da vandalização que pode acontecer com os carros.  Já sofremos vários danos. Carros queimados, bens roubados, carros e motoristas, até sofreram alguns ferimentos por causa das manifestações”, completou.

Para os transportadores, os próximos dias são uma incógnita. 

“Não podemos dizer que não vamos sair na rua. Vai depender da situação de segurança. Se não houver segurança, não podemos colocar as pessoas em risco. Porque não é só uma questão de transporte em si. Os trabalhadores não podem vir trabalhar. Não há como forçar as pessoas a virem trabalhar, porque então não há como voltar para casa. Pode até ter transporte no início da manhã, mas no final do dia ele não existe. Então, é uma situação de segurança à qual temos que estar sensíveis”.

Quem também se sente ameaçado com o anúncio de mais três dias de paralisação, são os gestores de transporte de passageiros. 

“Nós só vamos tirar as viaturas, quando tivermos certeza da segurança para a circulação dos meios,  porque já tivemos prejuízos, não só de não ter o negócio a fluir, mas também tivemos carros que sofreram, nas primeiras paralisações e não gostamos de continuar a somar prejuízos. O que a FEMATRO pretende é trabalhar na tranquilidade. Para nós trabalharmos é preciso ter passageiros, também, para viajarem do ponto A para B, precisam de ter segurança”.

A FEMATRO, através do seu porta-voz, diz que o negócio está a ser bastante afectado. 

“É negócio que já não era rentável. Com estas paralisações e com a situação das dívidas nos bancos, está a ser muito complicado”.

O edil Abdul Gani Satar, diz Pemba já se ressente do terrorismo e uma paralisação do porto de Pemba pode trazer prejuízos incalculáveis, e apela que as manifestações sejam pacíficas.

“Nós convidamos a todo o munícipe e a todas as estruturas legais a sermos vigilantes. Por quê? Porque entendemos que, dentro desse sofrimento vivido na província de Cabo Delgado, não podemos estender até na capital da própria província, que é, nesse caso, a cidade de Pemba.  Se isso acontecer, nós colapsarmos toda aquela província.

É a razão pela qual nós percebemos que os insurgentes, por serem pessoas não identificadas, infiltram-se na comunidade, infiltram-se na população e eles podem usar ainda essa oportunidade das marchas para poderem vandalizar ou atacar ou tirar vida.”

O “O País” sabe, através de uma fonte próxima, que o MPDC, gestor do porto de Maputo, manteve, esta terça-feira, encontros com transportadores, gestores e outros actores do sector do transporte. 

 

A maior agência de viagens do país, a Cotur, diz que as manifestações já estão a causar cancelamentos de reservas para o natal e de fim de ano. Além dos actuais prejuízos, a Cotur antevê que a continuidade das manifestações vai retrair os turistas e, por consequencia, será difícil recuperar a boa imagem do país.

A apenas um dia para o começo da referida “quarta fase das manifestações nacionais” e depois de, praticamente duas semanas em que foram realizadas as outras três primeiras fases, o sector do turismo diz que já está a registar uma redução das reservas nos hotéis, uma vez que tem sido frequente a paralisação de quase todas as actividades de produção e produtividade no país.

“Infelizmente temos já registado muitos pedidos de cancelamento, temos, também, registado muitos pedidos de informação naquilo que é a situação do país e naquilo que poderá ser um futuro breve, se esta situação vai se manter ou se será rapidamente resolvida, portanto, há este tipo de pergunta por parte das operadoras internacionais que, efectivamente, emitem turistas para o nosso país e isso é preocupante”, diz Muhammed Abdullah, director executivo da Cotur.

Os cancelamentos não são apenas de reservas para esta época como também o futuro começa a ser hipotecado.

“Aqui, é preciso salientar que estamos à porta da época alta do turismo em Moçambique, que é a passagem do ano e a época festiva. Tínhamos hotéis já reservados, com um overbooking, com bastante procura e agora registam-se cancelamentos”, referiu.

A considerar as consequências em razão das manifestações, Muhammed Abdullah concorda com o direito à manifestação mas adverte que tem de ser dentro dos limites constitucionais.

“As manifestações, são sim senhora, um direito constitucional, mas, quando são praticadas dentro das suas regras e dentro daquilo que é a sua essência e efectivamente aquilo que a Constituição prevê. A partir do momento em que começam a acontecer actos de vandalismo, violência, crimes associados a este tipo de situação, e muitas vezes, fora daquilo que é o âmbito das manifestações”, apelou.

Neste sentido, o director diz que é preciso evitar a continuidade das manifestações e, de forma violenta, como está a ser noticiado internacionalmente, porque, “a partir do momento que o turista internacional começa a interiorizar que Moçambique está a passar por esta situação de violência, de instabilidade política, de actos que acontecem fora do controlo das autoridades e daquilo que é normal acontecer num país seguro, depois deixa sequelas e será difícil recuperar e ter-se-á de se fazer um trabalho muito grande para recuperar a imagem do país”.

Recordando que o país viveu ressentemente várias situações que impactaram negativamente o turismo, apelou para que “nao prejudiquemos o país e sabemso que o turismo vem de uma situacao do Covid, depois a situação da insurgencia, da guerra e do terrorismo em Cabo Delgado, e agora, se temos a esta situacao pode se tornar complicado voltar a crescer e a recuperar o índice de confianca no turista internacional”, apelou.

As únicas zonas que, por enquanto, estão com o ambiente normal são as ilhas, pois ainda não foram registadas manifestações violentas.

Faltam depósitos de lixo nos pontos de recolha da Cidade da Maxixe e, sem alternativas, os munícipes chegam a usar trelas de viaturas. Além deste problema, o edil revelou igualmente, que faltam meios circulantes e pessoal para gestão de resíduos sólidos.

A fragilidade na recolha do lixo, é uma realidade em vários pontos de recolha na Cidade da Maxixe. O problema é que faltam depósitos e, sem alternativas, os munícipes passaram a descartar o lixo no chão ou até usam-se trelas de viaturas.

Issufo Francisco, edil da Maxixe, reconhece o problema e diz que a edilidade tem, também, défice de meios circulantes e pessoal para gestão dos resíduos sólidos.

Enquanto a edilidade não compra os depósitos para os pontos de recolha de resíduos sólidos, tem recebido apoio de alguns munícipes da Maxixe para o tratamento de lixo.

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Uma idosa de 82 anos foi brutalmente assassinada com golpes de um pau de pilar, no bairro Matundo, província de Tete. O crime foi cometido pelo próprio neto, sob acusação de feitiçaria.

Confesso, o neto de trinta e dois anos, desferiu cinco golpes na cabeça da sua avó com um pau-de-pilar, para segundo ele, pôr fim ao impedimento de prosperar, que teria sido causado pela vítima.

Uma das netas da vítima disse estar chocada com a crueldade do primo. Explica, por outro lado,  o que viu e alega que o primo  nunca demonstrou comportamento desviante perante familiares e amigos.

O indiciado é agente de uma empresa de segurança privada.

O crime ocorreu no passado dia 19 de Outubro, e, no momento, o Serviço Nacional de Investigação Criminal em Tete confirma diz que foi aberto um processo crime contra o indiciado.

Este é o primeiro caso do género,  este ano, reportado pelas autoridades em Tete.

A Administração de Infra-Estruturas de Água e Saneamento (AIAS) diz que não seleccionou nenhum empreiteiro para a execução de obras de reabilitação da protecção costeira na Beira por falta dos requisitos exigidos. A instituição garante que até Dezembro deste ano será lançado um novo concurso.

A falta de requisitos básicos exigidos para a execução de obras de reabilitação da protecção costeira na Beira foi a razão que levou a Administração de Infra-estruturas de Águas e Saneamento, AIAS, a chumbar todos os empreiteiros concorrentes para reabilitar a protecção costeira da Beira.  

E já há uma nova data prevista para relançar o concurso internacional. Sobre a não participação das comunidades no processo de reabilitação, a instituição lança a responsabilidade ao empreiteiro  que poderá vencer o novo concurso.

O projecto de reabilitação da protecção costeira na Beira, avaliado em 60 milhões de dólares, é financiado pelo Banco Mundial, Banco de Desenvolvimento Alemão e a Invest Internacional da Holanda.

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