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O País – A verdade como notícia

Muitas escolas estiveram a leccionar, nesta quarta-feira, apesar da convocação de manifestações. Os gestores garantem continuar a trabalhar até o fecho do ano lectivo, que será no dia 15 de Novembro, enquanto houver segurança.

Um dos principais sectores que é fortemente afectado, sempre que há manifestação ou paralisação de actividades é o da Educação, que se vê obrigado a alterar o calendário Escolar.

No entanto, nesta quarta-feira (13) o cenário foi diferente. Muitas escolas, primárias e secundárias, estiveram abertas para lecionar, na cidade de Maputo.
A Escola Primária Completa de Polana caniço A, por exemplo, localizada no coração do bairro com mesmo nome, que tem sido um dos principais focos de manifestações violentas, ignorou o receio e recebeu alunos que pretendiam realizar provas finais atrasadas.

“A gente estava aqui às 7 horas, os alunos estavam aqui, quase todos, para fazer as avaliações. Todos os professores estavam aqui, quase todos os professores, só havia três professores que não apareceram, mas porque vivem longe da escola. Os alunos, quase todos eles estavam aqui para fazer as últimas avaliações. Estamos a falar, no ensino secundário, de cerca de 420 alunos, aproximadamente, que estiveram aqui, submetidos às provas”, garantiu Absalao Munguambe, Director Pedagógico da Escola Primária Completa Polana Canico A.

A Direcção da escola reconhece o receio dos professores em ir à escola, face aos últimos acontecimentos, porém garante que não vai fechar as portas do estabelecimento.

“Amanhã estaremos aqui, toda semana estaremos aqui, para acompanhar essa situação. Todos os alunos serão avaliados, não haverá nenhum aluno que não será avaliado. Levando em consideração que o último dia de aula é dia 15, sexta-feira é nosso último dia, e nós estaremos aqui”, referiu o gestor, mas fez questão de recordar que tal só será possível caso haja condições.

“A menos que saibamos que aqui, em Polana Caniço, há uma situação que possa nos levar a não estar aqui. Mas, em condições normais, nós estaremos aqui”.

No ensino secundário também assistiu-se ao mesmo cenário, outra chance de avaliação para os alunos que faltaram na semana passada.

A nossa redacção passou pelas escolas secundárias de Laulane, Força do Povo e Eduardo Mondlane. Em todas elas o cenário era igual: salas ocupadas por alunos que pretendiam fazer as últimas avaliações.

Azarias Mangave é gestor pedagógico da Escola Secundária Eduardo Mondlane. diz que a avaliação decorreu até à última segunda-feira. Grande parte dos alunos foram avaliados.

“Numa disciplina podem ter faltado 50 alunos, num universo de 1.050 alunos. Então, praticamente, tivemos uma adesão total semana passada. Em uma ou outra disciplina, tivemos falta de 50 ou 30 alunos. Então, consideramos isso uma situação normal.”

 

Maputo e Matola estiveram calmas na manhã de quarta-feira

O que também foi normal, para um dia de paralisação, foi a circulação de pessoas e bens, nas cidades de Maputo e Matola.

Apesar de alguns comerciantes terem preferido manter as portas fechadas, outros tantos saíram à rua, para comprar, vender, sobretudo os do sector informal, um grupo bastante lesado sempre que há paralisações.

Mas houve quem não se alegrava com tanta circulação…

No período da manhã, os manifestantes, no bairro Malhazine, ao longo da avenida Lurdes Mutola, bloquearam a passagem de transporte de passageiros e mandaram descer as pessoas, e explicam a razão.

“Temos que parar um pouco, porque a manifestação é para todos, não é para um grupo pequeno, é para todos nós, moçambicanos. E quando circulam é como se não tivessem nada a ver com o que está acontecendo no país. Como somos todos moçambicanos, temos que nos manifestar de forma pacífica, certo? Mas quando os outros vão trabalhar é como se estivessem se dividindo.”

Questionamos aos manifestantes se é pacificidade obrigar pessoas a desembarcar antes do seu destino. A resposta foi peremptória.

“Quando mandamos eles descerem, eles estão desobedecendo a ordem. Temos que demonstrar. Por exemplo, eu venho do Benfica e quero ir ao Monumento de Malhazine. Vou a pé. Há chapas, mas como estou a manifestar, vou a pé. Eles também podem andar, não tem problema.”

Não há problema para eles, porque a polícia, que esteve no terreno, entendeu que tinha que intervir e evitar que munícipes fossem impedidos de viajar.
Porém, nem todos tiveram a mesma sorte. E só restou isso. carregar a sua trouxa.

Diante da realidade, os transportadores preferem parquear os carros.

“Foram quatro ou cinco pessoas que mandaram descarregar o carro em Malhazine. Preferi não colocar o carro lá, só porque tinha mandado os outros colegas descarregarem. Seria arriscado eu entrar. Assim é difícil para o patrão pagar o salário. O patrão também não paga o salário porque não conseguimos fechar a receita”, desabafou Lucas, motorista de transporte que faz a rota Museu-Malhazine.

O resultado foi a falta de transporte, obrigando os cidadãos a regressarem a casa a pé.

E foi assim com muitos outros munícipes de Maputo e Matola.

Voltou ao convívio familiar o empresário português raptado no passado dia 29 de outubro na cidade de Maputo. Durante a operação foi igualmente resgatado um cidadão nacional de origem asiática e mortos quatro supostos raptores. 

Depois de 13 dias em cativeiro, o empresário português, do ramo da construção civil, raptado no bairro da Polana, na Cidade de Maputo, voltou ao convívio familiar depois de uma operação desencadeada pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC). Também, voltou ao convívio familiar o cidadão nacional raptado a 05 de agosto, na cidade de Maputo.

No cativeiro localizado no bairro Djonasse, no Município da Matola, os agentes do SERNIC dizem que foram obrigados a responder devido à resistência dos “criminosos”,  ao que todos foram mortos.

“Depois da certeza e que de facto esta residência era um cativeiro de algumas vítimas de rapto, os agentes não tiveram outra opcao senao introduzir-se nesta residência e prontamente os agentes responderam também tendo alvejado mortalmente os quatro integrantes desta quadrilha que se encontravam a guarnecer as vítimas dos raptos dos raptos do dia 05 de agosto e de 29 de outubro do ano corrente, estamos a falar das vítimas dos raptos das proximidades do hotel Termo e o último do cidadaao de nacionalidade portuguesa que foram resgatados com vida e sem nenhuma lesão visível”, disse Hilário Lole, porta-voz do SERNIC na Matola.

O porta-voz insistiu que os  “raptores” só acabaram mortos devido a sua reacção armada. “Há sinais de outros que tentaram escapar que também acabaram sendo alvejados. Porque não restou nenhuma outra opção por parte dos agentes porque tiveram recepção de tiro e como podem vem portavam armas de guerra”, acrescentou.

Na operação nenhum agente do SERNIC foi ferido e mais detalhes serão avançados oportunamente pois ainda decorrem as investigações.

Pelo menos três pessoas foram baleadas mortalmente durante a actuação da Polícia na tarde de hoje no bairro de Namicopo, em Nampula. A actuação da Polícia aconteceu quando a população manifestava-se na rua.

A Polícia fez-se à rua a cada instante. A população fugia a cada aparição do carro da Polícia. No interior do bairro, chorava-se, esta tarde, por vítimas mortais. Dois corpos estatelados e um ferido em agonia.

A actuação da Polícia, esta quarta-feira, no bairro de Namicopo, na Província de Nampula, foi brutal. O corpo do jovem de 24 anos de idade esteve estendido no pequeno compartimento de uma casa precária.
Na casa vizinha, o ambiente também foi de consternação.

Tirou-se a vida de um jovem de 16 anos.

Um video-amador mostra uma jovem estatelada. Foi atingida por uma bala no interior de uma barraca na berma da estrada. Não resistiu e perdeu a vida a caminho do hospital. É a terceira vítima mortal que O País testemunhou, no mesmo dia e no mesmo bairro.

A tarde foi de sobressaltos nos Serviços de Urgência do Hospital Central de Nampula. A cada instante entravam pessoas com ferimentos por balas…todos do bairro de Namicopo.

O porta-voz dos serviços de urgência, Sulaimana Izidoro, fala apenas de feridos.

Revoltada, a população foi destruir a sede do posto administrativo de Namicopo.

 

O Presidente da República e Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança, Filipe  Nyusi, dirigiu, hoje, a Reunião Extraordinária do Conselho Nacional de Defesa e Segurança. No encontro, o CNDS condenou  o envolvimento de crianças nas manifestações, vandalização de bens públicos e privados, e limitação de circulação de pessoas e bens.

No comunicado enviado ao “O País”,  Conselho Nacional de Defesa e Segurança diz ter notado com “satisfação a evolução do combate ao terrorismo no Teatro Operacional Norte, facto que contribui para a consolidação da segurança e progressiva retoma da vida das populações.”

Sobre as manifestações, o órgão reconhece o direito consagrado na Constituição da República e nos demais instrumentos legais. 

Contudo, “deplora nos termos mais veementes o envolvimento de crianças e a tentativa velada de subversão da ordem democrática legitimamente instituída e de colocar entraves ao funcionamento das instituições, à livre circulação de pessoas e bens, com consequências desastrosas sobre a economia nacional.”

O órgão, lê-se no documento, “endereçou sentidas condolências às famílias que perderam os seus ente queridos, como resultado das manifestações e solidariza-se com os empresários cujos empreendimentos foram vandalizados e/ou saqueados. Neste contexto, as autoridades competentes foram instadas a identificar os responsáveis pelos actos em alusão para a devida responsabilização.”

O CNDS apreciou, ainda,  o relatório da Comissão de Inquérito que investigou o acidente de viação que vitimou  Bernardo Constantino Lidimba, Director-geral do Serviço de Informações e Segurança do Estado (SISE), ocorrido a 2 de Novembro de 2024, no distrito de Mapai, Província de Gaza e “lamentou a perda de um alto dirigente do Estado cuja vida foi dedicada ao serviço dos interesses supremos do povo moçambicano. Nestes termos, foram apresentadas condolências à família do malogrado e aos colegas da instituição que serviu com muito zelo e dedicação.”    

O CNDS saudou, ainda, as Forças de Defesa e Segurança pela postura e sentido de Estado demonstrados durante as manifestações, facto que concorreu para o restabelecimento de segurança e tranquilidade públicas. No entanto, apelou para que as Forças de Defesa e Segurança continuem a privilegiar o diálogo com a população e que a sua actuação priorize a protecção da vida e dos bens dos moçambicanos.

A província da Zambézia, no centro do país, registou onze óbitos por naufrágios nos meses de Setembro e Outubro. Dos casos registados, cinco pessoas perderam a vida na praia de Zalala, sendo que as restantes mortes foram nos distritos de Chinde, Luabo e Pebane. 

Os dados foram divulgados numa altura em que  Zambézia estava a registar redução de casos de naufrágios. No entanto, com a entrada da época quente e chuvosa, os números tendem a subir  e preocupam as autoridades. 

No distrito de Luabo, por exemplo, uma jovem de 19 anos foi atacada brutalmente por um crocodilo, no dia passado dia 4 de Novembro.

Já em Pebane e Chinde, foram registados cinco casos de  pescadores que  morreram por naufrágio. 

Uso de colete salva vidas e necessidade de cautela por parte da  população sempre que for ao rio para lavar e buscar água são, dentre vários,  os apelos que as autoridades têm estado a passar para as comunidades locais.

Na província de Nampula,  trabalhadores de algumas empresas estão a responder a processos disciplinares devido à ausência nos respectivos postos de trabalho, alegadamente por temer violência no âmbito das manifestações das últimas semanas.

É uma informação confirmada à Rádio Moçambique pelo secretário provincial interino da Organização dos Trabalhadores OTM-Central Sindical, em Nampula, Rodrigues Júnior, a propósito do anúncio para mais uma onda de manifestações, esta quarta-feira, pelo candidato presidencial, Venâncio Mondlane, supostamente em protesto contra os resultados eleitorais de Outubro passado.

Rodrigues Júnior diz que as manifestações no país são ilegais, daí que a ausência dos trabalhadores nas unidades de produção, está a afectar sobremaneira o ritmo produtivo das empresas e, consequentemente, retrai a economia do país.

Segundo o Secretário provincial interino da Organização dos Trabalhadores OTM-Central Sindical, em Nampula, os trabalhadores alegam que não vão aos postos de trabalho, porque as ruas ficam ameaçadas e ocupadas pelos manifestantes.

Na Cidade da Beira,  o ambiente foi calmo  e a vida está a decorrer dentro de um ambiente calmo. Contudo,  o movimento de camiões que saiam e entravam no porto da Beira foi quase nulo.

O primeiro dos três dias de manifestações pós-eleitorais, convocadas por Venâncio Mondlane, candidato presidencial do PODEMOS,  foi caracterizado pela tranquilidade, na cidade da Beira.

Pessoas circularam normalmente, sem registo de qualquer que fosse o incidente. Um número muito reduzido de comerciantes não abriu os seus estabelecimentos por  temer que fossem vandalizados. 

“A nossa cidade está calma. Não temos razões de queixa. A nossa cidade está sem turbulência e problemas”, descreveu Inácio Mostiço, munícipe beirense. 

Uma opinião compartilhada por Elias Paulino, automobilista, que considerou o ambiente calmo e favorável para o trabalho. 

Disse ainda, quando abordado pelo “O País”,  que não temia que a sua viatura fosse vandalizada porque “este é o meu trabalho e não tenho como ficar em casa.”

O movimento de camiões que saíam e entravam no Porto da Beira foi quase nulo. Aliás, em dias normais, há registo de uma fila de camiões numa das vias que dá acesso  ao Porto da Beira. 

Dado o ambiente normal que se vive na cidade da Beira,  a polícia não teve a necessidade de se fazer à rua para garantir a ordem e segurança públicas.

“É uma situação muito diferente da habitual. Em condições normais, estaríamos aqui a assistir a um certo congestionamento na entrada do Porto da Beira. Refiro-me a EN6. Estamos a trabalhar, praticamente, a meio gás”, disse Elcídio Madeira,  Secretário Executivo da Associação dos Transportes Rodoviários.  

Contudo,  um camião foi incendiado e outro vandalizado no para-brisa, em Tete,  por indivíduos até agora desconhecidos. A Associação dos Transportes Rodoviários acredita não que não sejam manifestantes a protagonizar este acto,  mas sim um grupo de malfeitores que se pretendia aproveitar da situação para roubar. 

 

Manifestantes formaram uma barreira humana para impedir o trânsito de veículos na Fronteira de Ressano Garcia. Vários camiões, que tentam fazer o sentido Moçambique-África do Sul estão estacionados ao longo da EN4. 

Logo nas primeiras horas, a via foi bloqueada por dois camiões, pois os manifestantes retiraram as chaves aos motoristas, porque não queriam  que nenhum carro entrasse ou saísse. Depois que a via foi desbloqueada os manifestantes fizeram uma barreira humana, para impedir o trânsito de veículos. 

Os manifestantes dizem que a fronteira deve-se manter encerrada, pois eles estão a manifestar e nenhum carro deve passar. No local, é notável a presença de agentes das Forças de Defesa e Segurança.

A terceira Secção criminal do Tribunal Judicial do Distrito Municipal de Kamubukwana na cidade de Maputo, condenou o cidadão Enoque André Mondlane a uma pena efectiva de quatro anos de prisão e pagamento de uma multa correspondente a dezasseis meses, a uma taxa de 5% do salário mínimo.

A informação foi publicada na página oficial do Hospital Central de Maputo (HCM), dando conta que o arguido vai ser condenado a pagar as custas judiciais e uma indemnização fixada em duzentos mil meticais, a favor da vítima de nome Chabane Branquinho Rafael, pelo agravamento do seu estado de saúde.

O Tribunal acusou Enoque André Mondlane  pelo tipo legal de crime de exercício ilícito de funções públicas, corrupção passiva, uso de nomes falsos e falsificação de documentos, todos previstos no código penal. 

O indivíduo em causa foi neutralizado no dia nove de Abril do corrente ano, nas Urgências de Adultos (SUR) (Banco de Socorros) do Hospital Central de Maputo – HCM, quando se pretendia fazer passar por Médico.

 “As falhas de comunicação, movimentação estranha e deficiente articulação com a equipa de saúde local levantaram fortes suspeitas por parte de outros funcionários”, segundo a informação avançada pelo HCM, através das suas redes sociais, que imediatamente averiguaram a real identidade do indivíduo, o que culminou com a detenção do indivíduo,  pela força policial anexa ao hospital.

Quando neutralizado, o falso médico encontrava-se uniformizado e trazia consigo carimbo, livro de receitas e um estetoscópio, instrumento utilizado por alguns profissionais de saúde.

Na ocasião, fazia-se acompanhar por uma das suas vítimas, que segundo se apurou, prometeu-lhe uma consulta de urologia, após o atender numa unidade sanitária da periferia, onde de forma insistente vinha operando.

Perante as autoridades, disse ser um sonho de infância exercer a profissão médica e que todos os equipamentos que trazia foram produzidos no mercado local. 

 

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