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O País – A verdade como notícia

Um  acidente de viação envolvendo três viaturas, sendo uma delas um transporte semi-colectivo de passageiros, fez vários feridos. O sinistro ocorreu hoje, em Zimpeto, nas proximidades da Universidade Joaquim Chissano, na cidade de Maputo. A polícia estima que quase 10 pessoas tenham sido feridas e aponta para corte de prioridade como uma das causas.

O Bairro Patrice Lumumba, viveu , ontem, momentos de tensão, com a polícia a disparar gás lacrimogêneo e os manifestantes a devolverem o gás e atirarem pedras contra os agentes e a vandalizarem estabelecimentos comerciais, como resposta.

Tudo começou por volta das sete horas, quando um grupo de manifestantes, decidiu se reuniu e fazer a sua marcha “pacífica habitual”, quando apareceu polícia, num “Mahindra e BTR” e os impediu de assim proceder.

Porque houve resistência, segundo testemunhas, dois jovens foram “metidos no Mahindra” mas os manifestantes fizeram confusão e a marcha avançou, só que adiante, a polícia começou a disparar gás lacrimogêneo. Já eram 14 horas.

“Ficamos tontos, por causa do gás e decidimos voltar para casa, mas do grupo alguns jovens ficaram revoltados e decidiram revidar, foi quando destruíram alguns estabelecimentos e levaram os produtos a venda e bloquearam a via”, relatou Isildo Chambisso, que acrescentou que “como organizadores da marcha condenamos a atitude desses jovens, pois a nossa marcha sempre foi pacífica e nunca destruímos nada de ninguém”.

Como consequência, cinco estabelecimentos comerciais foram vandalizados e os produtos saqueados. Num deles os manifestantes, partiram a parede, introduziram-se no interior e tiraram tudo.

Já no outro, uma mercearia, Perez Umbucha, o proprietário, lamentou e disse que agora só pode recomeçar do zero, pois tudo foi levado.

“Levaram arroz, cebola, batata, farinha, partiram o vidro do congelador e tiraram todas as carnes e peixe. Levaram tudo e aqui não sei como fazer, agora”, desabafou Umbucha.

Além disso, Isildo Chambisso, contou que um agente da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) foi levado e espancado pela população, mas depois liberto.

Entretanto, a polícia da província de Maputo, na voz de Carminha Leite, não confirma o espancamento do agente, e diz que teve de usar a força porque os manifestantes não estavam numa marcha pacífica.

Na manhã desta quinta-feira a situação no bairro já estava controlada, embora ainda queimavam-se alguns pneus. Mas no troço que liga Ferreira-Fios, Nkobe e Machava quilômetro 15 a via foi bloqueada com a queima de pneus.

Por conta da situação, a polícia lançou gás lacrimogêneo e uma idosa foi atingida.

“Eu estava a caminhar para estrada, e ainda aqui no quintal, um grupo de jovens veio a correr, deixaram-se cair e ao meu lado caiu gás lacrimogêneo, tiveram de me carregar e até agora estou a passar mal, mesmo depois de me jogarem com água”, contou, Vovó Maria.

No bairro do Jardim, os agentes da Unidade de Intervenção Rápida estiveram lá para impedir com que manifestantes continuassem com a sua marcha.

Viveu-se momentos de tensão, mas não houve confronto entre as partes, mas os manifestantes garantiram que a marcha continuaria, por outras vias.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, propõe a conversão da dívida do Estado dos países que menos poluem o ambiente em financiamento climático e capacidade de gestão e redução de risco de desastres. O Chefe de Estado participou, hoje, virtualmente, na cerimónia de lançamento do terceiro relatório bienal sobre a redução de risco de desastres em África.

O período 2021-2022 foi negativo para o continente africano, no que concerne ao impacto das mudanças climáticas.

Falando, nesta quinta-feira, virtualmente, na cerimônia de lançamento do terceiro relatório bienal sobre a redução de risco de desastres em África, na qualidade de campeão da união africana para a gestão de desastres naturais, o Presidente da República lamentou a situação do continente.

No evento, que acontece no âmbito da conferência das nações unidas sobre mudanças climáticas 2024, a COP29, Filipe Nyusi disse que apesar dos esforços, o continente continua em desvantagem. Por isso apela à união de esforços.

Sobre a participação de Moçambique na conferência, a Ministra da Terra e Ambiente, Ivete Maibasse, fala de avanços significativos na busca de financiamento para o projecto das florestas de miombo.

Ivete Maibasse disse ainda que, em Baku, capital do Azerbaijão, o país assinou um memorando de entendimento para viabilizar a busca de financiamento para projectos de reflorestamento, implementação da declaração de Maputo e também de mercados de carbono.

O Ministro do Interior, Pascoal Ronda, diz que os tumultos pós-eleitorais que o país assiste já se configuram em actos de terrorismo e, por isso, as medidas de contensão dos ânimos é supostamente feita na mesma porporção que a força aplicada pelos manifestantes.

Pascoal Ronda diz, ainda, que há quem usa jovens “drogados” para desestabilizar o país e lograr os seus intentos, mas garante que não será possível porque o crime será combatido.

“Eu já não chamo de manifestações, chamo estes actos subversão e terrorismo, porque aterrorizam as pessoas e as crianças. Aquela mamana que vende bananas já não pode vender. A pessoa não pode ir ao serviço, isso é terror”, disse Ronda, à margem da cerimónia de inauguração dos novos portões electrónicos (e-Gate).

Ronda diz que que há acções anti-democráticas, e que as Forças de Defesa e Segurança só respondem na mesma medida que os manifestantes para garantir a restauração da ordem e segurança públicas.

O Ministro do Interior explicou que as acções são protagonizadas por jovens instrumentalizados, mas que depois se arrependem.

“Há muitos apelos para que as pessoas não adiram a estas manifestações, há pessoas instrumentalizadas, miúdos de 7 anos de idade que tenho muita pena deles, jovens que de manhã estão a dormir, acordam estão a beber álcool que lhes deixa fora de si, estão a fumar ou injectar-se, a consumir cannabis sativa (soruma) para serem usados, eu chamo isso de instrumentalização “, disse o ministro.

Face às constatações, Pascoal Ronda diz que as manifestações estão proibidas.

O dirigente terminou apelando aos moçambicanos para que cooperem com as autoridades para travar estas acções que chama de crime.

Houve registo, hoje, de fraco movimento de camiões na fronteira de Machipanda, em Manica, devido ao receio de manifestações convocadas pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane. O mesmo sucede com o movimento migratório que reduziu drasticamente

O ambiente na Fronteira de Machipanda, posto de travesssia para Zimbabwe, foi marcado por um cenário atípico com o registo de um movimento significativamente reduzido de camiões e pessoas, em comparação com os dias habituais.

A principal razão para este fraco fluxo de veículos pessoas foi o receio da repercussão de uma manifestação de três dias que tem as fronteiras como um dos palcos.

Mas, pelo menos no trajecto do Porto da Beira a Fronteira de Machipanda, a situação esteve calma, segundo os automobilistas.

O fraco movimento que se regista na Fronteira de Machipanda prejudica quem vive de negócios naquele posto fronteiriço. Mototaxistas e vendedores de produtos diversos dizem estar a somar prejuizos por falta de clientes.

Enquanto isso, as autoridades migratórias dizem que foi reforçada a segurança na fronteira e que a mesma funciona com normalidade.

Nas últimas 48 horas, a fronteira de Machipanda registou um movimento de 1746 pessoas referente à entrada e saída de cidadãos nacionais e estrangeiros.

Um adolescente de 16 anos foi baleado mortalmente pela polícia, na zona do mercado Brandão, esta quarta-feira, no decurso da manifestação. Consta que o finado estava apenas a fazer o seu negócio de venda de roupa, quando foi baleado. Já em Inhassunge, foi assassinado, hoje, o primeiro vice-presidente da comissão distrital de eleições e destruídas infraestruturas públicas. 

O jovem ora baleado pela polícia residia no bairro Manhaua, arredores da cidade de  Quelimane. Os familiares dizem que o mesmo estava no mercado Brandão onde comprava roupa para revender, mas foi atingido mortalmente por bala disparada pela polícia. Familiares e vizinhos trabalhavam na produção de caixão para o funeral. 

A polícia diz que, esta quarta-feira, baleou 3 pessoas, dentre os quais um mortalmente e deteve 18 pessoas. 

Manuel De Araújo marchou, na manhã desta quinta-feira, com alguns membros desde o mercado central até ao conselho municipal e disse que vai continuar a repudiar os resultados eleitorais através da marcha e vai responsabilizar, na justiça, o comandante provincial  pela morte do adolescente de 16 anos. 

Sobre o distrito de Inhassunge a polícia explicou que, na manhã desta quinta-feira, foi assassinado o primeiro vice-presidente da comissão distrital de eleições e foram destruídas infraestruturas públicas e privadas. Não se conhece ainda a origem dos malfeitores que protagonizaram os acto. 

O jornalista Borges Nhamire e o pesquisador Jorge Matine dizem que a resposta da polícia às manifestações é errada e pode não trazer os resultados esperados. Defendem, por isso, que o Governo assuma a responsabilidade de buscar soluções para a crise. Borges Nhamire diz ainda que o Governo está a dar uma resposta errada às manifestações, quando usa a Polícia, armada, para dissuadir as marchas.

“No caso do que nós temos em Maputo, nós não temos grupo de criminosos. Temos um grupo de cidadãos insatisfeitos com o conjunto de políticas públicas. Então não se pode responder exclusivamente com meios securitários para um problema que não é exclusivamente securitário. É preciso combinar as respostas”, disse o jornalista Borges Nhamire. 

Para Nhamire é um erro colocar a polícia na linha da frente nas manifestações, quando não se trata de criminosos, mas de um grupo de pessoas insatisfeitas. “É preciso que a polícia esteja no terreno, sim. Na linha de frente, não. Se só cidadãos zangados que vão incendiar pneus na rua, talvez seja melhor colocar na linha de frente bombeiros para apagar os incêndios e não colocar militares para disparar balas, balas reais para matar pessoas”, explicou.

Além dos bombeiros, Borges Nhamire acredita que seja necessária a intervenção de médicos para prestarem pronto socorro. “Se há uma manifestação que vão mobilizar mil, duas mil pessoas, é melhor colocar lá equipa de saúde móveis, como ambulância, para, na eventualidade alguém cair, ter tensão, ser pisoteada, ser socorrida imediatamente, em vez de colocar lá a polícia para balear as pessoas ou para disparar granos de gás lacrimogêneos”.    

O pesquisador Jorge Matine acrescenta que o problema é mais grave, porque as manifestações são reprimidas por uma polícia despreparada. Para Matine é de direito posicionar-se para pôr fim às manifestações, mas a polícia não é a entidade própria para o fazer.  

“Isto é um problema político, não é? O governo é que organizou as eleições. É responsabilidade do governo do dia criar condições para, segund constituição e a lei moçambicana, organizar as eleições. Então, se essas eleições, desde a fase de recenseamento até a fase da eleitoral, são problemáticas, é o Governo que deve colocar todos os meios possíveis para garantir que sejam feitas dentro da lei, com a segurança e com a credibilidade  necessária. Esta é a primeira responsabilidade”, explicou. 

Jorge Matine atribui ainda responsabilidade aos partidos políticos. “ Então, é também responsabilidade dos partidos políticos e dos órgãos eleitorais , dentro da lei, criar condições para que essas eleições ou este processo político seja feito dentro da lei e seja o mais transparente e o menos violento possível. Então, há aqui, eu penso, ainda um espaço para que o Conselho de Ministros, neste caso o Governo, os partidos políticos que estiveram envolvidos na contenda eleitoral e os órgãos eleitorais encontrem plataformas de diálogo sobre porque é que estamos a ter essa violência”, acrescentou. 

 

O Hospital Central de Maputo (HCM) recebeu cinco vítimas das manifestações, ocorridas no dia de ontem. O director do serviço de urgências do HCM, Dino Lopes, avançou que quatro dos pacientes já tiveram alta. 

Refiro que no dia de ontem, 13 de novembro, recebemos um cumulativo de 203 pacientes, incluindo doenças gerais. Desses, 55 foram vítimas de trauma. Dos 55, 5 foram vítimas vindas das manifestações”, disse. 

Lopes avançou ainda que quatro, dos cinco pacientes das manifestações já tiveram alta e vão continuar o tratamento no domicílio. “Os pacientes tiveram lesões. Dois com arma de fogo na perna esquerda e dois tiveram feridas e lacerações na face”. 

O paciente que ainda está em observação foi vítima de trauma ocular no olho esquerdo. “Quando foi a dirigir na sua viatura, arremessaram pedras, quebrou o vidro, que atingiu o olho, esse, sim, vai precisar de uma intervenção cirúrgica com os colegas da oftalmologia”. 

O Director do serviço de urgências do HCM disse que o dia de ontem foi mais calmo em relação aos dias anteriores, pois foram recebidos “mais pacientes de clínica médica e doenças gerais, em relação ao trauma. Foi calmo”. 

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