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O País – A verdade como notícia

A Renamo diz que ainda não há data prevista para o encerramento da última base militar, no quadro do processo de DDR. Domingos Gundana, membro do Grupo Técnico do partido para o DDR, considera que a conclusão do processo depende do pagamento de pensões.

O processo de Desmobilização, Desmilitarização e Reintegração registou um dos seus mais recentes desenvolvimentos, há duas semanas, com a aprovação do decreto que fixa pensões para os ex-guerrilheiros da Renamo.

O pagamento de pensões é a condição imposta pelo partido para o encerramento da última base militar em Sofala. No entanto, o representante do partido no Grupo Técnico para o DDR avançou, no sábado, no programa Noite Informativa, da Stv Notícias, que a Renamo não tem conhecimento do conteúdo do decreto.

“Estamos à espera de ter o documento para que digamos aos guerrilheiros que aquilo que acordamos com o Governo já está em andamento. O decreto foi aprovado pelo Conselho de Ministros de um Governo que negoceia com a Renamo, mas nós não estávamos lá representados na hora da aprovação do instrumento. Por isso, esperamos que haja boa-fé, para que tenha rubricado taxativamente tudo quanto se tenha acordado”, disse Domingos Gundana.

No encontro entre o Presidente da República e o líder da Renamo, no dia 08 de Março passado, Filipe Nyusi tinha previsto o encerramento do processo ainda em Março, algo que não aconteceu. Domingos Gundana reitera que o início do pagamento de pensões é a condição para encerrar a última base.

Em Março passado, o Chefe de Estado pediu ao Tribunal Administrativo que desse celeridade ao visto para o início do pagamento de pensões. Já nas Nações Unidas, o enviado pessoal do secretário-geral, Mirko Manzoni, adiantou que a última base pode ser encerrada este mês de Abril.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, presidiu, esta quinta-feira, a mais uma sessão do Conselho de Segurança, que discutiu o tema “Paz e Segurança em África: o impacto das políticas de desenvolvimento na implementação do silenciamento de armas”. Na sua intervenção, recorreu à história para mostrar que Moçambique sempre recorreu ao diálogo para silenciar armas. A luta pela descolonização terminou com conversações em Lusaka, tal como as agressões do regime de Apartheid e a guerra de desestabilização que também terminaram com a assinatura de acordos negociados.

Por isso, quando assumiu o poder em Janeiro de 2015, a meio de mais um conflito de baixa intensidade com a Renamo no Centro do país, olhou para a história e viu no diálogo a melhor estratégia para poder silenciar armas e garantir que o país se concentre na sua agenda de desenvolvimento. Filipe Nyusi recordou as suas idas a Gorongosa para se encontrar com o então líder da Renamo, Afonso Dhlakama.

Filipe Nyusi disse que, nas conversações, propôs ao líder da Renamo que se deviam concentrar em duas agendas principais, sendo que cada um devia apresentar apenas um ponto. Foi nesta senda que a Renamo escolheu a descentralização, o que permitiu que se chegasse ao consenso de se passar a eleger os governadores provinciais e não a sua indicação pelo partido que vencesse as eleições gerais.

Ele, por sua vez, escolheu a desmilitarização da Renamo para que Moçambique deixasse de ter um partido que estava a fazer política no Parlamento, mas, ao mesmo tempo, com armas no mato.

Nesse aspecto, Nyusi recordou que Dhlakama pediu que apenas deviam ser indicados para posições de liderança das Forças de Defesa elementos idos da Renamo, o que foi aceite. Reconhece, no entanto, que não foi possível alcançar a paridade, porque as FDS nem são compostas por militares pertencentes à Frelimo.

Por outro lado, Nyusi atribui o sucesso do Acordo de Paz de Maputo ao facto de ser inovador e ter sido negociado por moçambicanos sem envolvimento de mediadores estrangeiros, pelo que houve apropriação nacional do mesmo pelas partes, mas também pelo facto de incentivar a tolerância e pelo facto de as lideranças das partes que estiveram beligerantes estarem a fazer a supervisão directa da sua implementação.

Voltou a falar que a sua apropriação permitiu que, mesmo antes da assinatura do Acordo de Maputo, algumas decisões estivessem mesmo a ser implementadas, como é o caso da trégua militar. E isso foi possível porque os líderes deixaram os seus egos de lado, o que mostra que assim é possível alcançar grandes avanços no silenciamento de armas.

Revelou, ainda no seu discurso, que foi igualmente chave do sucesso o entendimento entre as partes de que deviam comunicar as suas decisões à comunidade, mas só comunicavam o que tinha sido consensualizado entre as partes, pelo que sempre coordenavam sobre o que dizer à comunidade para evitar ruídos e mal entendidos.

Em relação ao terrorismo, disse que os combates continuam, mas alertou que é preciso tocar as mentes e promover-se o desenvolvimento de capital humano, implementar programas de geração de rendimentos e autoemprego e garantir que ninguém seja deixado para trás, sobretudo os jovens que são a maioria e que querem ver a sua vida melhorar.

Portanto, agora, o desafio é o mundo adoptar a diplomacia para paz, porque, através do diálogo, se consegue resolver os problemas que levam à corrida para as armas. E ao adoptar a diplomacia para a paz, o mundo estaria a correr para o alcance dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, que preconizam o Desenvolvimento de Sociedades Pacíficas.

Em relação a África, o Chefe de Estado disse que “queremos paz no nosso continente”, pelo que apelou aos líderes africanos para que possam mobilizar as pessoas e recursos necessários para tornar o continente africano mais pacífico e desenvolvido. “Devemos deixar de aderir a agendas daqueles que querem dividir-nos e pilhar os nossos recursos”, disse Nyusi, tendo, a seguir, citado o antigo Secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Anan, que dizia que, sem paz e direitos humanos, não há desenvolvimento, pelo que a paz, o desenvolvimento e os direitos humanos são a agenda perseguida, hoje, pela União Africana.

 

MOÇAMBIQUE APLAUDIDO

A experiência moçambicana de silenciamento de armas através do Acordo de Maputo foi elogiada por quase todos os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que recomendam que seja adoptada por outros países que estejam a enfrentar situações de conflito.

Mirko Manzoni, enviado pessoal do Secretário-geral das Nações Unidas a Moçambique e que preside ao grupo de contacto, foi um dos convidados que teve direito à palavra na sessão do Conselho de Segurança. Na ocasião, considerou de histórico o decreto do Conselho de Ministros, que atribui pensões aos guerrilheiros da Renamo desmobilizados, no âmbito do DDR, porque tal, segundo suas palavras, vai conferir dignidade aos mesmos e resolver problemas do passado.

Elogia o Governo de Moçambique que o considera campeão da pacificação, por ter sabido ouvir as preocupações da Renamo e ganhar a sua confiança, o que permitiu que o partido da perdiz se abrisse e aceitasse as propostas que conduziram ao calar das armas no Centro de Moçambique.

Recorda que, a dada altura, ficou com receio dos esforços caírem por terra aquando da eclosão da pandemia da COVID-19, mas a firmeza da liderança do processo de paz reverteu a situação, até porque a estratégia de colocar as pessoas no centro da solução permitiu maior apropriação nacional da iniciativa.

“Temos, agora, 4800 ex-guerrilheiros a beneficiarem dos dividendos da paz e que foram recebidos pelas comunidades à sua escolha para residirem”, frisou Manzoni, para quem o humanismo da acção foi determinante para o sucesso.

Ainda hoje e falando na conferência de imprensa de balanço da sessão do Conselho de Segurança das Nações Unidas, Mirko Manzoni garantiu que a última base da Renamo será encerrada até finais de Abril próximo.

Quatro adidos militares da África do Sul, Zimbabwe, Portugal e Ucrânia apresentaram, hoje, cartas credenciais ao ministro da Defesa Nacional. Cristóvão Chume pediu partilha de conhecimento com as Forças de Defesa moçambicanas para a erradicação do terrorismo.

O Ministro da Defesa Nacional dirigiu-se aos novos adidos militares da República da África do Sul, Zimbabwe, Portugal e Ucrânia e fê-los saber que o país é alvo do terrorismo, em Cabo Delgado, desde 2017.

“O nosso país tem sido alvo de ataques terroristas desde Setembro de 2017, concretamente na província de Cabo Delgado. Para o seu combate o estado privilegia uma abordagem multidimensional que consiste na resposta militar e na implementação de programas de desenvolvimento local nas zonas afectadas. Na resposta militar, o Governo da República de Moçambique conta com o apoio das Forças de Defesa do Ruanda, da Missão da SADC. Igualmente, o país está a beneficiar-se do apoio no âmbito da formação prestado pelos Estados Unidos da América e pela União Europeia que têm elevado a capacidade combativa das Forças de Defesa e Segurança do nosso país”.

Para o combate ao mal, Cristóvão Chume pediu partilha de conhecimentos.

“Queremos solicitar aos novos adidos de defesa que partilhem os seus ricos conhecimentos com as Forças Armadas de Defesa de Moçambique, com vista ao alcance do grande desiderato na erradicação do terrorismo e de outras ameaças que enfermam o estado moçambicano e não só, o resto da humanidade. Encorajamos aos novos adidos a trabalharem arduamente com vista a dinamizarem as acções de cooperação em curso, bem como para descortinar as oportunidades que sejam de interesse comum dos nossos respectivos estados”.

Participaram da recepção das cartas credenciais dos novos adidos militares, chefes das missões diplomáticas e quadros do Ministério da Defesa Nacional.

As bancadas da oposição boicotaram, hoje, a sessão plenária da Assembleia da República. O MDM abandonou a chamada Casa do Povo e a Renamo levantou dísticos, como forma de protestar contra a discussão da proposta de revisão da Lei Eleitoral. No entanto, a Frelimo diz que a oposição não está preparada para o debate democrático, por isso aprovou os instrumentos mesmo na ausência das outras duas bancadas.

Com cânticos e dísticos, os deputados da Renamo na Assembleia da República gritavam, na manhã desta quarta-feira, na Assembleia da República, segundo disseram, pela democracia e justiça.

Um cenário atípico, no qual os deputados da Renamo transformaram o Parlamento num lugar de manifestações, gritando frases como “Abaixo à ditadura”; “Não aceitamos a violação da Constituição” e “Tiranos, fora”.

Entre outras matérias, o objectivo da sessão desta quarta-feira era discutir a revisão pontual de leis sobre a eleição do Presidente da República, dos deputados do Parlamento, dos membros das Assembleias Provinciais e dos governadores provinciais.

Mas a Renamo, que se diz excluída do processo, decidiu boicotar a sessão, uma manifestação que durou cerca de 30 minutos.

“Estamos a manifestar-nos para permitir que os direitos fundamentais, os direitos civis e políticos sejam exercidos em Moçambique sem nenhum embargo. A violação da Constituição (da República), na calada do dia e não da noite, é uma vergonha”, disse Arnaldo Chalaua, porta-voz da bancada da Renamo.

Sem alternativa, a presidente da Assembleia da República interrompeu, por uma hora e meia, as actividades do dia.

A bancada da Renamo acredita que a revisão da lei eleitoral é uma manobra para se chegar à revisão da Constituição da República, para acomodar os interesses da Frelimo.

“A Lei Eleitoral tem de ser aprovada por consenso, porque é um instrumento para eleger quer os deputados, quer o Presidente da República, ou seja, todos os órgãos electivos. Por isso, essa lei deve ser consensual. A Frelimo, ao livre arbítrio, não deve alterar e, por consequência, chamar a assunção de poderes extraordinários para a revisão da Constituição da República”, desabafou, num ambiente de muitos gritos.

A planária ficou irreconhecível. Os deputados da Frelimo ficaram estáticos como se questionassem “como entraram todos aqueles materiais de manifestação (dísticos, apitos, cornetas).

A bancada do MDM, que abandonou a plenária, diz que solicitou um encontro com as chefias das bancadas, por forma a discutirem os aspectos desta revisão, mas sem efeito, sendo surpreendidos pelo tema agendado para a sessão. Isso revela, para MDM, prepotência por parte da bancada maioritária.

“Este é um protesto e alerta para os perigos que a democracia corre. Esta ditadura do voto, esta arrogância da bancada parlamentar da Frelimo e nós não concordamos com isso. Esta é uma sinalização à comunidade nacional e internacional de que a nossa democracia está em perigo com esta bancada maioritária”, disse Fernando Bismarque, porta-voz da bancada do MDM.

Fernando Bismarque diz que há ditadura na chamada Casa do Povo: “A bancada da Frelimo quer dirigir o país a todo o custo; à força adiar as eleições distritais e viabilizar o terceiro mandato do Presidente da República; nós não concordamos”, referiu Bismarque.

A Frelimo diz que a Renamo e o MDM não estão preparados para o debate democrático.

“Nós, como Frelimo, temos que disponibilizar a legislação competente para que o Governo continue a funcionar democraticamente e nós vamos avançar. Estas são manobras dilatórias da Renamo. Eles pediram adiamento, nós aceitamos e hoje tínhamos mesmo que aprovar, porque nós não podemos continuar com um Estado a funcionar sem as leis devidamente aprovadas, porque uma bancada, como sempre o fez, tenta inviabilizar a governação do país”, explicou Feliz Sílvia, porta-voz da bancada da Frelimo.

Sílvia desmentiu ainda a informação de que a Frelimo faltou a um encontro marcado para discutir assuntos ligados à revisão da Lei Eleitoral.

Depois de uma interrupção de uma hora e meia, a bancada da Renamo voltou a manifestar-se, porém, desta vez, Esperança Bias deu ordem para, mesmo no meio a cânticos, avançar-se com a sessão.

Telmina Pereira, deputada da Frelimo e membro da Comissão Permanente, foi quem apresentou os fundamentos da proposta: “A experiência de realização de eleições que Moçambique vem acumulando desde 1994 mostra ser possível que todos os actos eleitorais, desde a convocação das eleições, o recenseamento eleitoral, votação, apuramento dos resultados da votação, até à sua proclamação, podem acontecer no prazo de 14 meses”.

Segundo a Frelimo, com a redução do prazo estarão criadas as condições para alargar o debate sobre a realização ou não das eleições distritais, marcadas para 2024.

Com esta aprovação, reduziu de 18 para 14 meses o prazo para o Presidente da República convocar a realização das eleições e, assim, Filipe Nyusi tem cerca de 100 dias para marcar a data das eleições, incluindo as distritais.

Os dois instrumentos foram apresentados, apreciados, debatidos e aprovados em definitivo por 164 deputados da bancada da Frelimo, depois que as bancadas da Renamo e MDM abandonaram a Assembleia da República.

Refira-se que os desentendimentos entre a Frelimo e a oposição vêm desde as sessões nas comissões de trabalho. A primeira comissão da Assembleia da República, por exemplo, analisou as propostas legais só com a presença de membros da Frelimo, tendo os da Renamo e MDM boicotado. E estes justificaram que a Frelimo também tinha faltado a um encontro marcado para o fim-de-semana passado.

Os Presidentes do Gana, Gabão e Suíça defendem maior cooperação internacional no combate aos grupos terroristas e consideram que os membros dessas células aproveitam-se de Estados africanos com défice de recursos.

Na sessão sobre o terrorismo, dirigida, esta terça-feira, pelo Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, o Chefe do Estado ganês defendeu ser urgente encontrar uma resposta colectiva ao mal.

“É necessário uma aliança em todos os níveis, desde a escala local, regional, até global, com o apoio das Nações Unidas. O combate ao terrorismo não só requer uma cooperação regional, como também a união de todos os países. Eu digo isso por causa de dois aspectos: primeiro, porque, a rede do terrorismo e do extremismo violento precisa de uma resposta robusta e colectiva”, reiterou o presidente do Gana, Nana Akufo-Addo.

Em particular, Akufo-Addo, observou que no Sahel, grupos afiliados ao Estado islâmico estão a aumentar a sua presença, enquanto na Somália, os Shabab estão sob pressão, mas não derrotados. Referiu, também, a situação em Cabo Delgado, Moçambique, e no leste da República Democrática do Congo (RDC), onde as Forças Democráticas Aliadas (FAD) filiadas ao Estado Islâmico, continuam a desestabilizar a população.

Na busca de soluções para fazer face ao mal, a vice-presidente do Gabão apelou ao corte das fontes de financiamento aos grupos terroristas e instou a ONU a apoiar as operações da União Africana.

Raponda acrescentou que os governos estão sob pressão crescente das suas populações devido à insegurança e que a guerra contra o terrorismo desafia os Estados com recursos limitados.

“É necessário acabar com as redes de financiamento ao terrorismo, através da sofisticação e consolidação das matérias de informação monetária e combate cerrado às plataformas ilícitas da exploração dos recursos naturais. É urgente que envidemos esforços de luta, aumentando a acção para actuar e reforçar prontamente as iniciativas de financiamento de apoio à paz, em particular no continente africano”, avançou Rose Christiane Raponda, vice-Presidente do Gabão.

Quem também não se ficou indiferente à necessidade de eliminar o terrorismo é o Presidente da Confederação Suíça, tendo alertado sobre a ameaça que o mal representa e as suas constantes mutações.

Alain Berset apelou, ainda, ao pleno respeito pelo direito internacional, em particular o direito humanitário internacional, o direito dos direitos humanos e o direito dos refugiados.

“O terrorismo e o extremismo violento encontram terreno fértil para se propagarem nos conflitos actuais e em todos os tipos de instabilidades. É demasiado fácil para os grupos terroristas recrutarem membros, espalharem o discurso do ódio e incitarem à violência. Constatamos, ainda, que há um risco de existir em todo o lugar, mas há tendência de se manifestar, com maior incidência, no continente africano”, disse Alain Berset, Presidente da Confederação Suíça.

Os três chefes de Estado falavam numa sessão do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a convite de Filipe Nyusi.

“A experiência de Moçambique na construção da paz: lições aprendidas e desafios” foi o tema de uma reunião do Conselho das Nações Unidas para a Construção da Paz e que contou com a presença da presidente do Conselho Económico e Social das Nações Unidas. Durante o evento, o Presidente da República, Filipe Nyusi, apresentou a sua experiência de negociação e implementação do acordo de paz e reconciliação nacional, que foi assinado em 2019 pelo Governo e pela Renamo em Maputo.

Filipe Nyusi disse que tudo foi possível graças à construção da confiança entre si e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, com contactos telefónicos permanentes e a dada altura semanais, mesmo que fosse apenas para saber sobre a situação das respectivas famílias. Uma vez construída a confiança, Filipe Nyusi disse que isso permitiu que as partes passassem a levar com seriedade o que cada um dizia sobre o processo. As chamadas telefónicas levaram, depois, a encontros pessoais com a ida à serra da Gorongosa.

O Chefe de Estado recordou-se, por exemplo, do que se pode ganhar com a construção da confiança, a declaração unilateral das tréguas militares por parte da Renamo durante a quadra festiva sem ter havido necessidade de assinar algum acordo.

Durante o processo de negociações, Filipe Nyusi recordou que também houve momentos difíceis marcados pela morte do líder da Renamo Afonso Dhlakama, pela ocorrência de ciclones e a pandemia da COVID-19, o que colocou o processo à prova, mas, com o envolvimento de todos, foi possível fazer avançar o processo para o sucesso. Falou ainda da persistência e saber lidar com revés causados por ruídos causados por pessoas à volta dos líderes.

Filipe Nyusi apresentou ainda como sucesso a forma como os guerrilheiros da Renamo estão a ser recebidos nas suas comunidades, tendo ele próprio, como Presidente da República, falado com as lideranças comunitárias para ajudar a integrar os recém-regressados nas respectivas comunidades. Falou ainda da inclusão, citando o exemplo da nomeação de Raúl Domingos como embaixador de Moçambique no Vaticano, sendo ele um antigo membro da Renamo e presidente de um partido da oposição.

Quanto às pensões para os antigos guerrilheiros da Renamo, o Presidente da República anunciou que a sua tramitação vai iniciar logo que tiver sido encerrada a última base da Renamo, algo que vai acontecer nos próximos dias. Nesta altura, foram encerradas 15 das 16 bases militares e mais de 94% dos mais de cinco mil militares foram desmobilizados e reintegrados nas suas comunidades.

Falou, ainda, do desafio em Cabo Delgado, causado pelo terrorismo e da solução multilateral e bilateral que permitiu o envolvimento de forças militares de alguns países da SADC e do Ruanda, que estão a ajudar as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas a garantir e a manter a paz nos distritos assolados pela violência, e o resultado tem sido o regresso da população às suas zonas de origem.

No capítulo sobre o terrorismo, Nyusi solicitou das nações apoio financeiro para “erradicar bolsas terroristas” em Moçambique.

Ademais, o enviado especial do Secretário-Geral das Nações Unidas, Mirko Manzoni, também falou da sua experiência como mediador do conflito, tendo ressaltado o estabelecimento de um grupo de mediadores de três personalidades. Na sua intervenção, ressaltou que a confiança construída, que permitiu que, quando o acordo de Maputo foi assinado, o processo de DDR já estava a ser implementado.

Ressaltou a facilidade com que foram implementadas as reformas legislativas necessárias para acomodar algumas disposições acordadas, principalmente na questão da descentralização, o que permitiu que fosse introduzida uma nova forma de eleição de governadores provinciais.

Saudou a forma aberta e comprometida com o país manifestada pelo Presidente da República e pela liderança da Renamo e que foi essencial para garantir o sucesso do processo. Mas também saudou a participação da sociedade civil, a comunidade religiosa e vários outros intervenientes que têm garantido que a sociedade moçambicana esteja a acarinhar este processo de paz.

O ponto de vista académico do processo foi apresentado na reunião pelo professor Chaloka Beyani, da London School of Economic, que também foi relator Especial das Nações Unidas sobre os Direitos Humanos dos Deslocados Internos. Apontou as reformas legislativas efectuadas para acomodar os consensos alcançados nas mesas de negociações entre o Governo e a Renamo como algo a ter em conta como exemplo na construção da paz. Saudou o Governo por ter aprovado há semanas um decreto que viabiliza o pagamento de pensões aos antigos guerrilheiros da Renamo.

A representar a sociedade civil, João Pereira, presidente da Fundação MASC, falou dos esforços para aproximar o Governo à Renamo, feitos pela sociedade civil. Mas também estas organizações têm tido um papel importante através da realização de estudos para entender as motivações que podiam levar os guerrilheiros da Renamo já integrados a retornarem às matas como informação essencial para a tomada de medidas que facilitem a manutenção da paz no país.

Falou do envolvimento da sociedade civil para o estabelecimento de clubes de paz em Palma e Mocímboa da Praia em Cabo Delgado, inspirado no clube que existe na zona Centro do país, assim como na criação de condições de trabalho e melhoria das condições de vida das comunidades.

Várias personalidades, entre governantes e antigos governantes, renderam, homenagem a Pascoal Mocumbi e destacaram as qualidades profissionais e o lado humano do antigo primeiro-ministro.

Pascoal Mocumbi será recordado pelo envolvimento em várias frentes em prol do país, na administração do Estado, na política, na investigação científica, entre outras áreas onde se notabilizou.

O ministro da Saúde, Armindo Tiago, e o antigo vice-ministro do mesmo sector, Leopoldo da Costa, falam de um homem que deu de si nesta área.

“Neste momento, a família da saúde perdeu uma referência, um ícone, uma referência em todos os elementos. Portanto, a única coisa que devemos fazer e garantir que continuamos com o seu legado, continuamos com a sua obra, mas sobretudo continuar com a bondade de médico que ele era”, disse Armindo Tiago, para de seguida, Leopoldo Costa afirmar que “Como ministro da Saúde, foi uma pessoa que nos transmitiu lições, sobretudo de interacções com a comunidade, humildade, para além do conhecimento científico. Investiu na formação de muito de nós”.

Mocumbi é igualmente referenciado como humanista e mestre de muitos governantes. Hermenegildo Gamito, antigo presidente do Conselho Constitucional destaca a abertura do ex-Primeiro-ministro. “Dedicou a marca de abertura e disponibilidade para com os cidadãos, deixou a marca de um trabalho feito em profundidade, sempre preocupado com o seu próximo e esta imagem que nos queremos guardar e o país agradecer por ter tido um homem como Mocumbi”, disse.

Henrique Banze, antigo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, fala do papel de Mocumbi na diplomacia. “Claramente que ele contribuiu demasiado para poder colocar o nosso pais na arena internacional numa altura em que, nós acabávamos de sair da guerra. Era preciso construir o país, e a imagem do país era muito importante para que fosse aceite e pudesse beneficiar-se de todo o apoio da comunidade internacional”.

Para os académicos, e outros actores políticos e sociais, é preciso estudar e divulgar o pensamento e percurso de Mocumbi, pensamento que é partilhado pelo antigo vice-ministro da educação, Luís Covane. “Eu acredito que a trajetória de Pascoal Mocumbi merece um estudo e uma preservação para ajudar as novas e futuras gerações para compreender que esta Pátria produziu filhos com competência, capacidade e entrega na busca de soluções para os problemas dos moçambicanos”.

O Reitor da Universidade Pedagógica de Maputo, Jorge Ferrão, também comunga da ideia de se estudar o pensamento e figura de Pascoal Mocumbi. “Agora precisaremos de entender e estudar melhor o pensamento de Pascoal Mocumbi”.

O escritor Nelson Saúte também partilhou o seu pensamento com relação ao malogrado. “Com a sua abertura como homem público, tive o privilégio de trabalhar com ele, por isso sei do quanto era aberto e sabia valorizar os quadros moçambicanos”.

Eduardo Nihia, veterano da luta de libertação nacional, conta suas memórias com o antigo Primeiro-ministro. “Eu tive encontro com ele pela primeira vez em Argélia em 1963. Encontramo-nos lá quando ele vinha representar a Frelimo e nós em treino e não só. Depois daí, voltamos a encontrarmo-nos em Tanzânia, nos anos 1964 ou 65”.

Refira-se que Pascoal Mocumbi foi um dos fundadores da Frelimo e fez parte dos que lutaram pela independência de Moçambique.

A Ordem dos Médicos de Moçambique diz que Pascoal Mocumbi foi um génio na área da saúde. Por sua vez, o partido Frelimo entende que é preciso manter vivos os seus ideais. Já a Associação dos Combatentes da Luta Libertação Nacional diz que era um exemplo de lutador pela liberdade.

Bom médico, génio e exemplo de liderança. É assim que a Ordem dos Médicos de Moçambique descreve as qualidades de Pascoal Mocumbi.
Para o bastonário da classe, Gilberto Manhiça, o antigo Primeiro ministro de Moçambique era praticante, pragmático, da liderança e os seus impactos no Ministério da Saúde até hoje duram.

“Ficámos órfãos de um pai e do modelo de ser um bom médico, dirigente e funcionário público. Neste momento de luto, a Ordem dos Médicos de Moçambique e a Associação Medica de Moçambique querem expressar a sua gratidão por ter compartilhado a sua vida com a nossa classe”, disse Gilberto Manhiça.

A Frelimo assume o compromisso de manter os valores e princípios defendidos por Mocumbi. “Queremos assegurar que manteremos sempre vivos os valores e princípios que sempre defendeste”, disse Roque Silva, secretário-geral da Frelimo.

Para a Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional, com a morte de Pascoal Mocumbi, Moçambique perdeu um combatente fiel.

“Queremos afirmar que seguiremos o teu exemplo de lutador persistente, junto do povo. O teu exemplo de dirigente consequente, patriota, militante presente, vamos transmitir aos jovens de hoje e de amanhã para saberem e terem uma consciência que a pátria não se vende”, disse Carlos Siliya, representante da Associação dos Combatentes da Luta Armada de Libertação Nacional.

Médico de formação e ministro da Saúde e dos Negócios Estrangeiros na década de 1980, Mocumbi juntou-se à Frelimo ainda jovem.

Várias personalidades, entre actuais e antigos governantes, renderam homenagem a Pascoal Mocumbi e destacaram as qualidades profissionais e o lado humano do antigo Primeiro-ministro. Defenderam, ainda, que a sua grandiosa obra seja estudada pela academia.

Pascoal Mocumbi será recordado pelo envolvimento em várias frentes em prol do país, na administração do Estado, na política, na investigação científica, entre outras áreas em que se notabilizou.

O ministro da Saúde, Armindo Tiago, e o antigo vice-ministro do mesmo sector, Leopoldo da Costa, falam de um homem que deu tudo de si nesta área.

“Neste momento, a família da saúde perdeu uma referência, um ícone, uma referência em todos os elementos. Portanto, a única coisa que devemos fazer é garantir que continuemos com o seu legado e com a sua obra, mas, sobretudo, continuar com a bondade de médico que ele era”, disse Armindo Tiago, para, de seguida, Leopoldo Costa afirmar que “Como ministro da Saúde, foi uma pessoa que nos transmitiu lições, sobretudo de interacções com a comunidade, humildade, para além do conhecimento científico. Investiu na formação de muitos de nós”.

Mocumbi é igualmente referenciado como humanista e mestre de muitos governantes. Hermenegildo Gamito, antigo presidente do Conselho Constitucional, destaca a abertura do antigo Primeiro-ministro: “Dedicou a marca de abertura e disponibilidade para com os cidadãos, deixou a marca de um trabalho feito em profundidade, sempre preocupado com o seu próximo e esta imagem que queremos guardar”.

Henrique Banze, antigo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, fala do papel de Mocumbi na diplomacia: “Claramente que ele contribuiu para poder colocar o nosso país na arena internacional, numa altura em que acabávamos de sair da guerra. Era preciso construir o país, e a imagem do país era muito importante para que fosse aceite e pudesse beneficiar-se de todo o apoio da comunidade internacional”.

Para os académicos e outros actores políticos e sociais, é preciso estudar e divulgar o pensamento de Mocumbi: “Eu acredito que a trajectória de Pascoal Mocumbi merece um estudo e uma preservação para ajudar as novas e futuras gerações a compreender que esta pátria produziu filhos com competência, capacidade e entrega na busca de soluções para os problemas dos moçambicanos”, defendeu o antigo vice-ministro da Educação, Luís Covane.

O Reitor da Universidade Pedagógica de Maputo, Jorge Ferrão, também comunga da ideia de se estudar o pensamento e figura de Pascoal Mocumbi: “Agora, precisaremos de entender e estudar melhor o pensamento de Pascoal Mocumbi”.

O escritor Nelson Saúte também partilhou o seu pensamento em relação ao malogrado: “Com a sua abertura como homem público, tive o privilégio de trabalhar com ele, por isso sei do quanto era aberto e sabia valorizar os quadros moçambicanos”.

Eduardo Nihia, veterano da Luta de Libertação Nacional, conta as suas memórias com o antigo Primeiro-ministro: “Eu tive um encontro com ele pela primeira vez na Argélia em 1963. Encontramo-nos lá quando ele vinha representar a Frelimo e nós em treino. Depois daí, voltamos a encontrar-nos em Tanzânia, nos anos 1964 ou 65”.

Refira-se que Pascoal Mocumbi foi um dos fundadores da Frelimo e fez parte dos que lutaram pela independência de Moçambique.

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