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O Governo do distrito da Matola diz que o consumo de bebidas alcoólicas nos recintos escolares não é um caso isolado da Escola Secundária Bonifácio Gruveta. Para lidar com o fenómeno, a PRM na Província de Maputo vai passar a fiscalizar pastas dos alunos antes de entrarem na escola.

Na última sexta-feira, 07 de Agosto, em declarações ao “O País”,  pais e encarregados de Educação da Escola Secundário Bonifácio Gruveta Massamba, no bairro Khongolote, no município da Matola, denunciaram o “consumo de bebidas alcoólicos e comportamentos desviantes” de alguns alunos matriculados naquele estabelecimento de ensino, caracterizados por “sabotagens de aulas e roubos e pancadarias entre alunos”.

Nesta segunda-feira, o Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia, no distrito da Matola, reconheceu que as denúncias dos alunos são reais, e está a disciplinar os alunos sem medidas de expulsão.

De acordo com Danilo Ventura, director distrital, o sector que dirige já realizou “duas grandes reuniões multi sectoriais incluindo a Polícia e a procuradoria para encontrar soluções conjuntas uma vez os visados na sua maioria serem menores que entram em conflito com a lei”.

Os referidos encontros terminaram com planos de acção, e, em cumprimento dos mesmos, o Serviço Distrital acrescenta não serem poucas as vezes que sancionou alunos por embriaguez na escola.

“O que não podemos fazer, é tomar medida de expulsão, porque a escola é também centro de reabilitação. Nessa perspectiva, temos trabalhado com a saúde e outras organizações não-governamentais para a reabilitação desses jovens e adolescentes”, explicou, acrescentando terem sido reactivados em todos os estabelecimentos de ensino do distrito os núcleos antidroga.

A Polícia da República de Moçambique, que esteve, na última sexta-feira, na Escola Secundária Bonifácio Gruveta Massamba a sensibilizar os estudantes, assegurou já ter destacado equipas para “várias escolas para sensibilizar, conversar com alunos e fiscalizar as pastas para ver quem entra com substâncias estranhas”, explicou Carmínia Leite, porta-voz da PRM na Província de Maputo.

A polícia e o Serviço Distrital de Educação dizem que o consumo de álcool nas escolas não é um fenómeno novo e apelam à vigilância de toda sociedade.

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Por: Dany Wambire

 

A primeira letra deste texto saiu-me às 23h59 de 1 de Maio, o dia em que decidiste partir. Não quis deixar para o dia seguinte a celebração da tua partida, uma das mais serenas que eu já acompanhei.

Soube da tua partida às 14h43 minutos, através do Rogério. Sem lhe perguntar, assegurou-me que recebera a informação de fontes seguras. Em momento algum ocorrera-me fazer telefonemas ou cruzar fontes. Não queria sofrer demais com esta informação. Tu tinhas estado comigo há umas semanas. Trabalhamos de forma intensa para que o teu livro saísse antes de regressares a Portugal para tratamentos. Estavas debilitado e sentias muita dor, mas não querias regressar a Portugal sem realizares o teu lançamento na Beira e no Maputo.

Acho que, por alguma razão, o livro não saiu antes. Podia ter saído mais cedo, pois me tinhas enviado a primeira versão a 26 de Abril de 2022, umas duas semanas depois da Páscoa daquele ano, e quis o destino que os textos fossem lançados na Páscoa de 2023. A acompanhar o anexo dos textos, vinha o seguinte: “Proponho-te que os vás lendo. E se encontrares alguns, de que gostes, fica-te com esses e outros deita fora. Se vires que alguém pode aproveitar com a sua publicação, faz de contas que são teus, fazes deles o que bem entenderes”.

Como editor (imagino-te a sorrir ao ouvires isto), fiz o que bem entendi: coloquei os textos na fila de espera e li-os apenas quando soube que vinhas para Moçambique em Janeiro deste ano. Li o livro de poemas, li o livro com lições de Português que andavas a dar por aí (lembras-te deste “por aí”?) aos teus alunos e reli o livro de ensaios sobre os 56 romances africanos que já me tinhas enviado.

Entendi que, do conjunto de livros que me pediste para publicar, aquele era o mais urgente. A razão: naquele livro tu celebravas a vida que foi a tua: os momentos da tua infância entre a Mina e a Ribeira, no qual a Deus, através do poema: rip (p. 19), tu fizeste um pedido: “dá-me dois metros de paz”, que, com certeza, vais ter agora.

Em Fevereiro, confirmei-te que iria publicar o livro de poemas e começamos a trabalhar. Submetemo-lo a trabalhos editoriais: cortamos-lhe alguns poemas, retiramos-lhe o texto de apresentação e demos-lhe um título simpático.

Mas quando tudo corria normalmente, tu enviaste-me um e-mail, no qual, de forma suave, pedias-me urgência. De forma suave ou não, tu sabes que mandavas em mim. Mas fiquei mais sensibilizado com o teor da tua mensagem: “Olha, tenho andado a emagrecer muito e sinto-me cada vez debilitado. E então deixei-me ir completamente abaixo, quando soube que me foi diagnosticado um tumor na cabeça do pâncreas. Ainda não sabemos ainda se é benigno ou maligno. De Lisboa, tanto o médico como os superiores me serenam e inspiram confiança. E nenhum deles me diz que regresse logo-logo, mas é claro que não podemos perder tempo”.

Calhou-me passar por Maputo, alguns dias depois de me teres mandado a mensagem, e fui visitar-te a Kim Il Sung. Confirmei o que tinhas escrito na mensagem. Mas conversamos longamente. Apesar da dor da enfermidade, o teu bom humor estava ali e querias conversar. Mas eu precisava de partir (queira eu para te fazer companhia nesta viagem infinita que seguiste), tinha um evento a escassos minutos. Mais, tu foste a tempo de surpreender: equilibraste-te naquele chão de parqué, foste ao quarto e trouxeste-me um presente. “Trouxe-o de propósito de Portugal para to oferecer”, disseste-me quando eu ensaiava recusar o presente.

Acompanhaste-me até à porta e vi que estavas muito debilitado. Bem que me apeteceu dizer-te: “tenhas coragem, padre! Vai estar tudo bem”. Mas evitei, pois tu, com certeza, mesmo naquele estado, haverias de dar uma boa gargalhada, troçando-me: “então, queres ensinar a fé a um padre?!”

Os dias para a tua viagem a Portugal aproximavam-se. Estávamos a uns quatro dias. Nós queríamos fazer duas apresentações do teu livro, mas não tínhamos os exemplares ainda. Estavam numa gráfica, na África do Sul. Na fé, marcamos as datas de lançamento, para Beira e Maputo. Na Beira, só conseguimos ter os livros a 24 horas do evento. Graças a Deus, tudo correu bem. Tivemos o lançamento, que lembrava mais uma despedida do que um evento comum. Eu tinha esse pressentimento, muita gente, naquela sala, tinha esse pressentimento, mas ninguém queria assumir publicamente. Mesmo tu, padre, sereno, leste-nos os olhos e fizeste questão de nos acalmar, dizendo: “eu volto a Portugal e vou ficar bem.” Todos nos lembramos disso. Todos lembram-se disso e de várias coisas boas que fizeste a pessoas que cruzaram o teu caminho.

Tu disseste, com algum exagero, no dia do lançamento do teu livro, que eu era uma figura benemérita da Beira por estar a contribuir para a educação das pessoas, sobretudo de crianças e jovens, através dos projectos a que estou ligado ou ajudei a fundar. Sei que te enchias de júbilo quando ouvias gente desinteressada falar ou escrever sobre nossos projectos (mais teus do que meus), como foi o jornal Público, pela forma eufórica como tu me escreveste depois da publicada a matéria. Na mensagem, pensas tu, que celebravas a minha vitória. Mas celebravas mais era a tua vitória por teres sabido dar amor a quem mais precisava, por teres conseguido transmitir conhecimento a alguém, talvez, com pouca margem para progredir, por seres verdadeiro e por teres ajudado a sonhar a várias pessoas improváveis.

Sabido isso, vamos às comparações. Entre mim e tu, quem é a figura benemérita da Beira? És tu, obviamente. És tu o princípio e o fim dos projectos que ando a sonhar. Tudo quanto faço é o prolongamento do que contigo aprendi nas inúmeras lições no pátio da Paróquia de Matacuane, na biblioteca do Centro Cultural Padre Cirilo, onde, inicialmente, ficou hospedada a Associação Kulemba, que muito te orgulha, e centenas de correspondências que trocamos no âmbito da edição e revisão da revista Soletras.

Antes de terminar, uma confissão. Sabes como me enchi de alegria quando te vi entrar, pela primeira e última vez, na Livraria Fundza, para lançares o teu livro? Gostei de te ver sentado com pose de rei numa das poltronas do pódio da livraria. Aquilo, confessaste depois, dava-te imensa consolação. O que tinhas semeado, dava frutos. Naquela poltrona, tu te sentias o dono daquilo tudo. Com todo mérito.

Fecho estas sentidas palavras agradecendo à literatura por me ter apresentado a ti. Eras padre, eu sei disso. Mas contigo conversei mais sobre literatura e sobre como essa arte podia ser um instrumento para tornar este mundo mais humano. Deixaste-me nesta batalha.

Espero que estejas a ter um descanso merecido e com sentimento de missão cumprida.

Até já, amigo e mestre, Pe. Manuel Ferreira!

 

 

 

A maior prova de combates no ringue, o boxe, já arrancou. Moçambique já se estreou no Mundial que decorre em Tashkent, na Uzbequistão, e venceu. O feito inicial foi alcançado, hoje, por Albino Gabriel, na categoria dos 80-86 KG, diante do pugilista de Turcomenistão, Taganmyrat Gurbanov.

Gabriel conseguiu somar a pontuação de todo jurado, vencendo por unanimidade, depois de um primeiro assalto menos conseguido e os restantes dois de grande qualidade, a prometer mais vitórias nos próximos combates.

No primeiro assalto, o pugilista moçambicano esteve em desvantagem, ao somar nove pontos de cada um dos membros do júri. Aliás, nesse assalto, Gabriel teve que ser assistido pela equipa médica da competição depois de ter sofrido um golpe, o que contribuiu para a pontuação que teve.

No segundo assalto, e já conhecendo as fragilidades do seu adversário, Albino Gabriel foi mais impiedoso e, com golpes duros, fez sangrar o pugilista de Turcomenistão e terminou a somar a pontuação máxima de todos jurados, ou seja, 10 de cada um, enquanto Gurbanov somava 9-8-9-8-9.

O terceiro assalto era decisivo e de desempate. Albino Gabriel mostrava-se mais fresco que o turcominês e continuava a dar golpes penosos no adversário.

No fim, os cinco membros do júri – da Estónia, Argentina, Marrocos, Mongólia e Irlanda – deram a pontuação máxima ao moçambicano, tendo alcançado, no somatório dos três assaltos, 29 pontos de cada um, enquanto Taganmyrat Gurbanov somou 26-25-27-26-25 pontos.

Para já, o próximo pugilista moçambicano a entrar em acção será Tiago Muxanga, esta quarta-feira, quando defrontar o anfitrião Saidjamshid Jafarov, ainda a contar para as primeiras eliminatórias, na categoria dos 67-71KG.

Este combate terá início no grupo que sobe ao ringue a partir das 18h de Uzbequistão, 15h de Maputo.

Os restantes dois pugilistas moçambicanos só entram em cena mais tarde, com Armando Sigaúque a defrontar o pugilista de Tajiquistão, Asror Vohidov, esta sexta-feira, para os oitavos-de-final.

Sigaúque esteve isento da primeira eliminatória, enquanto o tajiquistão teve que superar o correano Yechan Lee.

Já Yassine Nordine fica à espera do vencedor do combate entre o cubano Claro Alejandro e o arménio Harutyunyan Baregham. O vencedor deste combate defronta o pugilista moçambicano no dia 8 de Maio, para os oitavos-de-final.

O Campeonato do Mundo de Boxe de Uzbequistão, que vai durar 14 dias, conta com um total de 538 pugilistas de 107 países e termina a 14 de Maio corrente.

A 5 de Maio de cada ano, celebra-se o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Para assinalar a data, a Associação Kulemba vai realizar, próxima sexta-feira, 5 de Maio, às 18 horas, na Livraria Fundza, Cidade da Beira, uma conversa subordinada ao tema “Diálogo entre as variantes do Português de Moçambique, Brasil e Portugal”.

De acordo com a nota de imprensa da Associação Kulemba, na sessão aberta gratuitamente ao público, o escritor e jornalista freelancer Daniel da Costa (Moçambique) e a actriz e escritora Nayara Homem (Brasil) vão recorrer a experiências vivenciadas nos seus locais de trabalho e nas suas viagens para juntos reflectirem sobre as variantes do português falado em Moçambique, Brasil e Portugal, ressaltando as semelhanças e diferenças dessas mesmas variantes.

Na Livraria Fundza, localizada na baixa da Cidade da Beira, o evento deverá durar cerca de 90 minutos e a moderação será feita pelo docente universitário Jane Mutsuque.

Daniel da Costa nasceu em Tete, em 1964, e ingressou no jornalismo em 1987. Trabalhou na então Televisão Experimental de Moçambique como repórter, e na Rádio Moçambique como produtor de programas. Exerceu a crítica de teatro e literatura. Tem colaboração dispersa pelos principais semanários de Moçambique. Foi coordenador da Gazeta de Artes e Letras, suplemento literário da prestigiada revista Tempo. Foi membro de vários júris, incluindo o dos Prémios Gazeta, da revista Tempo, e o Prémio Nacional de Literatura, instituído pela Associação dos Escritores Moçambicanos. É autor dos seguintes títulos de ficção narrativa, editados pela Ndjira: Xingondo (2003), A ciência de Deus e o sexo das borboletas (2007) e A flauta do Oriente (2008).

Nayara Homem é especialista em comunicação, arte e cultura, e nos quase 20 anos de percurso pelo mundo das artes desempenha papéis como produtora cultural, investigadora, escritora, maquiadora, actriz, palhaça, performer e apresentadora. Transita entre circo, teatro, tv, cinema, literatura e fotografia. Os seus caminhos artísticos e as pesquisas incluem passagem por vários países (Espanha, França, Suíça, Peru, México, Estados Unidos, Alemanha, Portugal, Argentina, Moçambique – chegou em Maio de 2021).

É autora dos livros As tintas do riso (2018), fruto de pesquisa independente, com abordagem filosófica, de tema inédito, cujo foco é a relação entre maquiagem e a arte da palhaçaria, e Cinemaquia (2022), que traz ferramentas e reflexões para maquiadores de cinema e interessados no tema. Em 2020, inicia a sua pesquisa de doutoramento em Estudos Africanos (ISCTE-IUL- Lisboa) para se debruçar sobre a produção de humor e riso em culturas africanas e, a partir de 2021, inicia o seu mergulho na cultura nyau, pesquisando a dança-religião Gule Wamkulu, Património Imaterial da Humanidade.

Ferroviário da Beira defronta amanhã, às 20h30, o Cape Town Tigers da África do Sul, em jogo inserido na 4ª jornada da Conferência Nilo da Basketball Africa League (BAL). É um jogo para vencer ou vencer, porquanto está em causa a luta acesa pela qualificação para a fase final da prova em Kigali, no Ruanda.

Dois conjuntos que se conhecem, dois conjuntos com foco na vitória para não perderem a corrida à fase final da Liga Africana de Basquetebol (BAL). No “Dr Hassan Moustafa Sports Hall”, amanhã, somente uma equipa pode vencer, pelo que a batalha na quadra se advinha renhida.

Manter acesa a chama de qualificação para a Elite 8 da BAL é “mister” para o conjunto orientado pelo espanhol Luis Lopes Hernandez.

Mas é preciso que, na quadra, a equipa moçambicana se apresente com elevados níveis de concentração, esclarecimento ofensivo e agressividade defensiva. Os campeões nacionais devem condicionar o seu adversário na acção ofensiva, tal como o Petro de Luanda fez forçando-o a marcar apenas 48 pontos.

Ademais, ao Ferroviário da Beira recomenda-se uma boa percentagem de tiros exteriores e curtos. É outrossim fundamental que a sua média seja positiva na linha de lances livres e, na luta das tabelas, consigam fazer a diferença.

O adversário dos “locomotivas” do Chiveve entra nas contas de qualificação na sequência da vitória alcançada sobre o SLAC da Guiné-Conacri, por 75-68. Evans Ganap e Joshua Hall combinaram 30 pontos (com 15 pontos cada um), tendo sido determinantes para a vitória. O jogo exterior, recorrendo a “boxe score”, dá indicações de ter sido fraco com 5 tiros concretizados em 20 tentados (média de 25,0%).

Na segunda partida, porém, os sul-africanos estiveram muito fracos ao contabilizarem apenas 24 pontos nos dois primeiros quartos. Muito pouco para um conjunto com ambições de chegar longe nesta prova organizada pela FIBA e NBA. Joshua Hall voltou a ser o melhor cestinha da equipa com 14 pontos contabilizados em 32:04 minutos na quadra.

Olhando para os dados estatísticos desta formação, neste jogo, há a assinalar o facto de, mais uma vez, a equipa sul-africana se ter apresentado com fraco aproveitamento nos lançamentos exteriores (22,2%) ao concretizar 4 em 18 tentados. Na linha de lances livres, destaque-se a média de 42,3% (12 lançamentos concretizados em 26 tentados).

Esta não é a primeira vez em que Ferroviário da Beira e Cape Town Tigers duelam na Liga Africana de Basquetebol. A 10 de Dezembro de 2021, em Joanesburgo, o Ferroviário da Beira venceu os sul-africanos por 77-75 nas meias-finais da Divisão Este de acesso à BAL.

Este resultado colocou a equipa moçambicana na fase final da Liga Africana de Basquetebol. Ismael “Timo” Nurmamad foi decisivo com 24 pontos e três assistências em 28:04 minutos na quadra, tendo sido secundado por Jermel Michele Kennedy, que contabilizou 17 pontos e 7 ressaltos (dois ressaltos ofensivos e cinco defensivos).

Antes, precisamente em Outubro do mesmo ano, os campeões nacionais perderam com os sul-africanos, 85-86, no jogo da 3ª jornada da fase de apuramento da zona VI da Basketball Africa League (BAL), em UJ Soweto Campus, em Joanesburgo. Os 22 pontos de Jermel Michele Kennedy, e 18 de William Perry, foram insuficientes para o conjunto moçambicano sair vitorioso.

O internacional moçambicano Edmilson Dove lesionou-se nas vésperas do jogo entre a sua equipa, o Kaiser Chiefs, diante do Chippa United, a contar para a 27ª jornada da liga sul-africana.

O internacional moçambicano acabou por não ser chamado para esse jogo pelo seu técnico, já que, na avaliação feita pela equipa médica, se apercebeu de que a lesão era grave e vai fazer-lhe parar algumas semanas.

Significa isso que Edmilson Dove não mais voltará a jogar nesta época futebolística pela sua colectividade, quando faltam ainda por disputar três jornadas.

Assim, além do embate diante do Chippa United, em que o Kaiser Chiefs venceu por uma bola sem resposta, Edmilson Dove falhou ainda o jogo frente ao Swallows, para a 28ª jornada, esta segunda-feira, que terminou com a derrota da sua equipa, por 2-1.

A informação da lesão do lateral esquerdo moçambicano foi avançada pelo próprio treinador do Kaiser Chiefs, Arthur Zwane, que falou ainda de outros jogadores que não deram o seu contributo no jogo desta segunda-feira por várias razões.

“Depois de jogar contra o Chippa United, tivemos apenas um dia para preparar a equipa. Sentimos falta de Brandon (Petersen) por causa de suspensão e de outros jogadores por causa de lesões, como (Edmilson) Dove, e Keagan (Dolly), que vão ficar de fora pelo resto da temporada. Temos outros jogadores lutando para voltar à forma física”, disse Zwane, citado pelo clube na sua página de internet.

Nas próximas jornadas, o Kaiser Chiefs vai ainda defrontar o Supersport United, no dia 13 de Maio, fechando a época em casa, recebendo o Cape Town City, a 20 do mesmo mês.

Entretanto, Dove vai falhar ainda o jogo das meias-finais da Taça da África do Sul, sábado, diante do Orlando Pirates, depois de ter ajudado a equipa a ultrapassar a equipa de Domingues nos quartos-de-final, por 2-1, resultado alcançado no prolongamento, depois do empate a um golo no tempo regulamentar.

Recorde-se que Edmilson Dove se juntou ao Kaiser Chiefs em Agosto do ano passado, na altura a representar a União Desportiva do Songo, depois de uma boa prestação no torneio Cosafa 2022 e na primeira eliminatória de acesso à fase final do CHAN 2022. Dove, contratado por 350 mil Euros (pouco mais de 24 milhões de Meticais), permanece no Chiefs até 30 de Junho de 2024.

Ao serviço do Kaiser Chiefs, Edmilson Dove realizou 23 jogos, todos a titular e totalista, dos quais 18 para o campeonato, 3 para a Taça Nedbank, e dois para a Liga MTN8, tendo marcado um golo.

O Ministro da Indústria e Comércio convidou, hoje, ao Japão a investir em Moçambique na indústria de fertilizantes. Silvino Moreno quer ainda que o país nipónico volte a fazer parte da lista dos principais investidores em Moçambique.

Com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia ficou mais nítida a necessidade de Moçambique investir nos fertilizantes para reduzir a sua dependência externa.

Nesta terça-feira, no fórum de investimentos Moçambique-Japão, o Governo não quis perder a oportunidade e pediu investimento para colmatar o défice.

“Moçambique e o Japão podem e devem criar sinergias para minimizar as adversidades ambientais e incertezas da actual situação económica mundial através de investimentos do Japão com maior enfoque para os sectores da agricultura, infra-estruturas, energia, transformação de recursos minerais, indústria, turismo e hotelaria”, disse o ministro da Indústria e Comércio.

Silvino Moreno, que falava durante a abertura do fórum de negócios entre os dois países, disse querer ainda que o país asiático redirecione os seus investimentos para projectos localizados em Moçambique.

“Dada à capacidade competitiva do Japão no domínio tecnológico, temos uma expectativa de regresso do Japão à lista dos maiores investidores em Moçambique”, considerou o Ministro da Indústria e Comércio, Silvino Moreno.

Diante das preocupações, o ministro de Estado dos Negócios Estrangeiros nipónico mostrou o interesse do seu país em investir em Moçambique em diversas áreas.

Do Japão, o sector privado nacional, representado pela Câmara de Comércio de Moçambique, quer tanto financiamento como novas parcerias.

“Em Moçambique, as empresas têm carência de financiamento para viabilizar os seus projectos. Existem projectos na área da agricultura, indústria, sobretudo no programa que o ministro acabou de referenciar – Industrializar Moçambique. Neste momento, existem vários projectos na área da indústria para serem visibilizados e é momento de os empresários nacionais aproveitarem a presença dos empresários japoneses para apresentarem aqueles que são os seus projectos”, defendeu Álvaro Massingue, presidente da Câmara de Comércio de Moçambique.

Participaram do fórum empresarial realizado na cidade de Maputo tanto empresários moçambicanos como japoneses, entre outras personalidades.

A União Africana alerta que as alterações climáticas estão a agravar os índices de pobreza e a ameaçar a segurança e o bem-estar das populações, sobretudo em África. Para reduzir o seu impacto, está em curso um Plano de Acção para a Recuperação Verde.

A responsável da União Africana para a Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Ambiente Sustentável frisou que a elaboração de um plano estratégico é um passo fundamental para se alcançar um futuro próspero em particular para o povo do continente africano.

A Comissão da União Africana informou que está a prosseguir com a implementação do Plano de Acção para a Recuperação Verde e da Estratégia de Acção para as Alterações Climáticas e o Desenvolvimento Resiliente, que garanta que os territórios sejam resilientes.

O projecto coloca uma grande ênfase nas necessidades dos países insulares em desenvolvimento, criando resiliência em sectores-chave como o turismo, que é fortemente dependente do clima, e promovendo a segurança alimentar através da promoção de uma agricultura inteligente.

A União Africana reconhece, por outro lado, que os Pequenos Estados Insulares, como Cabo Verde, por exemplo, estão na linha da frente das catástrofes provocadas pelas alterações climáticas, pelo que o organismo está empenhado em alargar o seu apoio à redução do risco de catástrofes, através de um sistema de alerta e acção rápida.

O ensaísta e poeta padre Manuel Ferreira perdeu a vida na manhã desta segunda-feira, em Portugal. O autor de Um presente do futuro – os jovens da literatura moçambicana por volta de 2015 e de Serenidade morreu vítima de doença.

No dia 11 de Abril, o padre Manuel Ferreira lançou, no Camões – Centro Cultural Português em Maputo, o seu mais recente livro. Com o título Serenidade, a proposta poética constitui um itinerário criativo que, às vezes, parece sugerir algumas questões inerentes à biografia do autor. No livro, em alguns momentos, o padre Manuel Ferreira explora imagens relacionadas à sua aldeia natal, versifica diferentes espaços e o trajecto que o levou a Moçambique, país que amou até às últimas consequências.

Depois de lançar o seu livro, numa cerimónia que contou com a presença de irmãos na fé, de amigos, escritores, poetas, ensaístas e admiradores, no dia seguinte, o autor de Serenidade viajou para Portugal com o objectivo de tratar da doença que o deixou visivelmente debilitado. Mesmo nesse instante, o coração do padre Manuel Ferreira estava em Moçambique, onde chegou em Outubro de 1964.

E, quando viajou, deixou promessas de voltar logo que possível, pois tinha a confiança de que tudo iria correr bem. Mas o padre não conseguiu cumprir a promessa nem o desejo de regressar a Moçambique. Nos últimos dias de Abril, já internado no hospital, a saúde do padre que soube pensar e servir a literatura moçambicana deteriorou-se consideravelmente.

Neste domingo, de Portugal chegaram mensagens de que o pior poderia acontecer a qualquer momento. Por isso mesmo, aos irmãos na fé, amigos, escritores, poetas e admiradores, os que lhe acompanhavam pediram orações. De algum modo, as mensagens funcionaram como um alerta, pois, por volta das 11 horas desta segunda-feira, Dia dos Trabalhadores, o corpo cedeu à doença e o padre Manuel Ferreira partiu para infinita viagem.

Para os que conviveram com o autor nos últimos dias, o padre Manuel Ferreira partiu em paz, muito sereno e bem acompanhado pela equipa médica portuguesa que minimizou a sua dor.

Manuel Serra Ferreira é um padre jesuíta português de 76 anos. Em 1963 licenciou-se em Filosofia, em Milão. Em Outubro de 1964, chegou a Moçambique. De 1964 a 1996 leccionou Português, História, Desenho e Música, na Escola Normal de Boroma, Tete.

Em 1973, doutorou-se em Teologia, na Universidade Gregoriana de Roma. Regressado a Moçambique, em Fevereiro de 1974, leccionou Francês e Português, na Escola Secundária, Português e Técnicas de Expressão na Comercial, Português no Instituto Industrial e no pré-universitário.

De 1990 a 2000, em Maputo, leccionou Teologia no Seminário Maior e no Instituto Superior Maria Mãe de África. Regressado à Beira, a partir de 2003, leccionou Latim, no seminário propedêutico, e Ética, Mundividência Cristã e Latim, na Universidade Católica. Ao longo da sua longa formação, sempre se dedicou à Literatura. Publicou quatro livros de teor religioso, um deles a tese de doutoramento.

Num duelo em que o internacional moçambicano Mexer voltou a não sair do banco, a sua formação Estoril distanciou-se, este domingo, dos lugares de despromoção da I Liga, com um triunfo por 3-0 diante do lanterna-vermelha Santa Clara, na 30.ª jornada.

Rezam as crónicas do jogo que bastou uma primeira parte de alta intensidade, velocidade e eficácia para o Estoril resolver cedo um duelo importantíssimo na sua luta pela manutenção, perante um Santa Clara que ainda esboçou reacção interessante no segundo tempo, porém insuficiente para evitar a derrota.

Com um meio-campo a mostrar cada vez mais maior entendimento — João Gamboa a controlar, João Carvalho e Guitane a criar — os canarinhos sentiram o apoio dos quase cinco mil adeptos na Amoreira e foram  ao fundo da sua alma para entrarem com tudo no jogo e para buscarem a inspiração para o 1-0: Guitane recuperou, foi contra tudo e todos e isolou Marqués. Pouco depois, seria Carlos Eduardo, de penálti, a alargar a vantagem.

Que se manteria até à beira do fim, quando Rodrigo Martins deu cor ao passe fantástico de Tiago Santos.

Contas feitas, o conjunto de Mexer volta a sonhar com a permanência, ao passo que o Santa Clara, com apenas dois pontos na segunda volta, se aproxima da despromoção.

Na próxima jornada, agendada para sábado, 6 de Maio, o Estoril desloca-se ao terreno do Boavista, 12º classificado com 37 pontos.

 

WITI EMPATA COM FC PORTO “B” NA LIGA 2

Witiness Quembo foi titular, domingo, no duelo em que o Nacional da Madeira – clube que representa – empatou com o FC Porto (1-1), em desafio inserido na 30.ª jornada da Liga 2.

Foi, de resto, um jogo bem disputado com ambas as equipas a procurarem desde cedo o golo. Começou melhor a formação madeirense que construiu as primeiras oportunidades de golo. O FC Porto B foi crescendo com o avançar dos minutos e também teve possibilidades de marcar durante a primeira parte.

Na etapa complementar, o figurino da partida manteve-se, mas com os golos. Marcou primeiro o Nacional por Pipe Gómez aos 61 minutos. Responderam os portistas aos 72 minutos com o golo de empate apontado por Gonçalo Borges. Nos últimos minutos, as duas equipas tiveram mais oportunidades para chegar ao triunfo.

Com este empate, o Nacional mantém o 15.º lugar, mas agora com 30 pontos e respira um pouco melhor na luta pela manutenção. O FC Porto B mantém o sétimo lugar, com 42 pontos.

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