Um mês depois da última revolta, cerca de 400 famílias de quatro comunidades de Chibuto voltaram a manifestar-se e ameaçam ocupar a área de exploração de areias pesadas, caso o Governo e a empresa chinesa Dingsheng Minerals não encontrem uma solução para as compensações e outras reivindicações que se arrastam desde 2016.Um mês depois da última revolta, a tensão voltou a tomar conta do distrito de Chibuto. Desde o fim da tarde de terça-feira, famílias de quatro comunidades desencadearam uma nova onda de protestos, que chegou à sede do Governo distrital, exigindo respostas concretas sobre o pagamento das compensações decorrentes da instalação do projecto de exploração de areias pesadas.
As famílias dizem que continuam sem receber, na totalidade, os valores referentes às árvores cortadas nas áreas ocupadas pelo projecto, além de denunciarem o incumprimento de responsabilidades sociais assumidas no processo de reassentamento.
“Queremos o nosso dinheiro, que foi cortado pela empresa chinesa, no valor de 6.800 meticais por árvore”, reclamam os manifestantes.
A administradora de Chibuto, Cacilda Banze, confirma ter recebido o novo caderno reivindicativo apresentado pelos reassentados, mas diz haver elementos estranhos ao movimento, o que, na sua leitura, dificulta a resolução do conflito.
“Confirmo ter recebido o documento, mas há infiltrados que apresentam novas reivindicações e, assim, fica difícil resolver o problema”, afirma Cacilda Banze, administradora de Chibuto.
A revolta, entretanto, já não se limita aos valores que as famílias dizem estar por receber. Os reassentados acusam o Governo de não pressionar a empresa de capitais chineses responsável pelo projecto a cumprir as responsabilidades sociais assumidas no âmbito do reassentamento.
“Não recebemos todo o dinheiro por cada árvore. Governo, pedimos o nosso dinheiro. Se a empresa chinesa recebeu, que seja orientada a pagar o que é nosso e a cuidar das populações”, exige Litosl, residente em Mutsikuane.
Nos locais de reassentamento, as famílias denunciam condições precárias de habitação e falta de infra-estruturas básicas. Dizem que, apesar das sucessivas reivindicações, continuam sem respostas concretas e, por isso, ameaçam regressar às antigas terras, actualmente ocupadas pela actividade mineira.
“Queremos que saiam. Queremos voltar para as nossas terras”, afirma Anal, representante do grupo de reassentados.
Perante a pressão das comunidades, a administradora diz que existem processos em curso para tentar resolver um problema que se arrasta há cerca de uma década. Segundo Cacilda Banze, seriam necessários três milhões de dólares para responder às reivindicações apresentadas.
“São necessários três milhões de dólares para resolver o problema todo. E exigimos o cumprimento da responsabilidade social”, explica Banze.
As organizações da sociedade civil consideram urgente corrigir as falhas no processo de reassentamento iniciado em 2016 e alertam que a tensão poderá agravar-se enquanto as obrigações sociais e as reivindicações das comunidades não forem efectivamente atendidas.
“É urgente resolver as falhas graves que existem no processo de reassentamento. Enquanto as comunidades continuarem sem respostas, a tensão vai continuar”, alerta Gisela Zunguze, da sociedade civil em Chibuto.
E, desta vez, as famílias dizem estar dispostas a prolongar os protestos. Ameaçam permanecer nas ruas durante os próximos 30 dias e admitem avançar para a ocupação da área de exploração mineira, caso não sejam encontradas soluções para o conflito.
A escritora e editora sul-africana Zukiswa Wanner lança, esta terça-feira, às 18h, no Cine-Teatro Sacala, em Maputo, o seu romance de consagração As Madames, uma edição da Ethale Publishing e da editora Kacimbo.
Segundo a Ethale, Zukiswa Wanner é das mais importantes escritoras da actualidade na África do Sul, publicada em vários países africanos, chegando em língua portuguesa em Moçambique, numa tradução feita pelo jornalista e tradutor José Sá.
Livro que marcou o início de carreira da escritora Zukiswa Wanner, As Madames (2006) foi indicado em 2007 para o prémio K.Sello Duiker Memorial, da África do Sul, a mais importante distinção literária na África do Sul, na categoria de autores com menos de 40 anos de idade.
Em Maputo, o livro que já está disponível, terá a apresentação feita pelo filósofo José Castiano e pela escritora Virgília Ferrão, que aliás, já conhece o trabalho literário da autora. “Pelas linhas da sua escrita tão acessível quanto elegante, Zukiswa Wanner brinda-nos com narrativas que contemplam o nosso quotidiano, a nossa existência humana, com humor, beleza e profundidade incontornáveis. Com certeza uma das vozes mais vibrantes da literatura Africana”, afirma Virgília Ferrão, na nota de imprensa da Ethale.
Sobre a tradução do seu romance para língua portuguesa, Zukiswa, disse ter sido relevante o facto de ser traduzida por uma editora africana. “Muitas obras africanas são traduzidas fora do continente. E isso interfere na originalidade. O português de Moçambique caminha com
as expressões e os hábitos culturais locais. Não será o mesmo em Portugal. A minha preocupação tem que ver com a acessibilidade das minhas estórias pelo povo moçambicano. Sentirem o ambiente e os enredos de acordo com os seus hábitos culturais.”
Por sua vez, o editor Jessemusse Cacinda: “Esperamos que os moçambicanos, sobretudo as mulheres se inspirem com o livro, o conhecimento e o engajamento da Zukiswa Wanner que sem dúvidas, é um farol da literatura africana. As Madames é um livro que demonstra o poder das mulheres, a sua capacidade de transformar o mundo, mas denuncia a pretensão que algumas mulheres têm de explorar outras. Esperamos que Moçambique seja uma verdadeira capital da literatura africana e aumente a cobiça de vários autores africanos em ver seus livros traduzidos e publicados em Moçambique”.
As Madames conta uma história fora do comum numa África do Sul feita de diferenças extremadas, também uma herança da segregação racial do regime do Apartheid. As Madames, levanta um novo cenário de vida para as mulheres e na relação entre as suas ocupações ou representação social em função das raças.
A crítica considerou o livro como uma verdadeira demostração em como a literatura pode ser usada como uma ferramenta revolucionária para imaginar uma nova sociedade e propor a revisão de injustiças sociais do passado. “Wanner demonstra que a divisão de cores cruzou
uma nova ponte, resultando em novas oportunidades, novas relações e novos olhares para a figura feminina. Isso, portanto, fornece novos insights para entender o lugar da figura feminina na África do Sul do século 21 e na literatura africana em geral”, analisou a professora de literatura africana Colômbia Kaburi Muriungi, da Chuka University, no Quénia.
Esta é a quarta tradução de uma obra importante da literatura africana. A Ethale Publishing já trouxe para os leitores moçambicanos os clássicos do nigeriano Nobel de Literatura, Wole Soyinka, do queniano Ngũgĩ wa Thiong’o e da senegalesa minata Sow Fall.
“A Ethale foi pioneira na tradução literária em 2017. Quando começamos notamos que o intercâmbio entre africanos precisa de uma intermediação da Europa. O que de certa forma perpetuava a nova dependência criativa. Usando das tecnologias, rede de transporte e
capacidade logística que se desenvolve no continente para tirar dividendos culturais. O continente pode ser culturalmente dinâmico se nós os africanos nos emprenharmos”, considera o co-fundador da editora, Jessemusse Cacinda.
Zukiswa Wanner já se encontra desde dia 28 de Agosto em Maputo a participar de várias actividades. Entre elas, um encontro com artistas na Incubadora de Negócios Criativos, X-HUB e um encontro com estudantes da Escola de Comunicação e Artes da Universidade
Eduardo Mondlane. Em ambos encontros, a mensagem forte da escritora foi para a necessidade de uma acção conjunta entre os fazedores de arte para uma indústria criativa sustentável.
“Precisamos de ser criativos para encontrar formas de nos traduzir e nos lermos uns aos outros. E é preciso que os artistas independentemente da sua área de actuação participem nos trabalhos de todos, fazendo despertar a todos os públicos o interesse pelas artes.”
Afirmou Zukiswa, que dirigindo-se directamente aos estudantes de licenciatura nos cursos de Teatro e Música especialmente aconselhou “Mergulhem na arte na sua plenitude, não fiquem numa ilha. Conheça outros fazedores de arte para criar conexões, saber como
funcionam as outras artes e acima de tudo criar laços”.
Autora, ensaísta, editora e curadora, Zukiswa Wanner nasceu em Lusaka, na Zâmbia, filha de um sul-africano exilado e de uma zimbabweana. Cresceu no Zimbabwe e formou-se em jornalismo na Hawai’i Pacific University no Havai, EUA.
Em 2018, fundou a editora Paivapo, que assina a antologia de contos infantis africanos Story Story, Story Come (2019) traduzida para isiXhosa, tshivenda, kiswahili e shona, de forma a chegar ao maior número de crianças.
Em 2020, fundou e fez a curadoria do primeiro festival virtual Afrolit Sans Frontieres, no qual entrevistou autores brasileiros e a levou a editar a sexta edição da revista Periferias “Raça, Racismo, Território e Instituições” (2021). Também em 2020, Wanner foi a primeira mulher africana a receber a Medalha Goethe, pela sua actividade e contribuição ao intercâmbio cultural internacional. No mesmo ano, foi considerada Pessoa Literária do Ano pelo blog literário Brittle Paper, além de ter sido nomeada uma das 100 personalidades africanas mais influentes pela revista pan-africana New African.
Sinopse de As Madames
Lauren, é uma académica branca, liberal e moderna. Siz, nascida em berço de ouro decorado com missangas, tem um coração generoso, assinado por roupas de designers. E Thandi, desempenha com excelência os seus papéis de mãe, filha, esposa, dona de casa e Directora
Executiva no Soweto. Mas chegou a hora de enfrentar a dura realidade: a sua capa de Super-Mulher está a pesar demais – ela precisa de ajuda. Ela precisa de contratar uma empregada.
A chegada de Marita, a nova empregada doméstica de Thandi, uma ex-reclusa branca, desencadeia um efeito dominó na vida das madames. Fazendo estremecer as fundações da sua amizade quando os seus papéis são confrontados pelas suas suposições sobre raça e classe social.
Afinal, os brancos também servem para ser empregados dos negros? Serão realmente as empregadas consideradas membros da família das patroas? E o que se sabe, realmente, sobre o que acontece entre quatro paredes na casa dos vizinhos? Quantos segredos caberão dentro dessa amizade? E quem são, realmente, os homens que dormem com as madames? As Madames, originalmente publicado em 2006, é o romance de estreia da autora sul-africana Zukiswa Wanner. Um livro que faz questionar o lugar das dinâmicas familiares, a nossa vulnerabilidade e a necessidade de (nem sempre) manter as aparências.
Este é um livro para se ler e reler em diferentes momentos da vida. Daqueles que desejamos partilhar com amigos ou familiares e com quem mais tarde se senta para debater as personagens e o enredo.
Um autocarro que transportava peregrinos para a cidade iraquiana de Karbala capotou no norte de Bagdade e matando 18 pessoas,
De acordo com as autoridades, as vítimas foram 15 homens e três mulheres, 10 dos quais eram iranianos, dois iraquianos e seis tinham nacionalidade desconhecida, disseram as autoridades, citadas pela imprensa internacional.
Milhões de crentes convergem para a cidade todos os anos para a peregrinação xiita de Arbaeen, considerada uma das maiores concentrações públicas anuais do mundo, acompanhadas por actos de autoflagelação dos crentes junto das mesquitas sagradas.
Os peregrinos são provenientes de várias partes do Iraque, bem como do Irão e dos países do Golfo, e muitos deles dirigem-se para Karbala a pé.
Arbaeen marca o aniversário do 40.º dia de luto após a morte, no século VII, do neto do profeta Maomé Hussein e do seu irmão Abbas, às mãos califado omíada na batalha de Karbala, durante o primeiro século da história do Islão.
O novo líder do Gabão prometeu esta sexta-feira reorganizar as instituições para torná-las mais democráticas. O general prometeu uma nova Constituição e um novo código eleitoral.
Brice Oligui Nguema discursou esta sexta-feira perante o corpo diplomático e com transmissão na televisão pública.
No seu primeiro discurso como novo líder do Gabão, o general afirmou que a dissolução das instituições decretada na última quarta-feira durante o golpe é temporária.
“Trata-se de reorganizá-las, para torná-las ferramentas mais democráticas e mais alinhadas aos padrões internacionais em termos de respeito aos direitos humanos, às liberdades fundamentais, à democracia e ao Estado de Direito”, disse.
Dirigindo-se aos representantes da sociedade civil, Nguema prometeu uma nova Constituição e um novo código eleitoral. Também ameaçou os empresários envolvidos em casos de corrupção e pediu-lhes compromisso para desenvolver o país.
O ex-Presidente, Ali Bongo, foi deposto na última quarta-feira por membros do Exército, pouco depois de as autoridades eleitorais terem anunciado a sua reeleição para um terceiro mandato, após 14 anos no poder.
A Renamo acusa a Frelimo de instruir os chefes de quarteirão a recolher cartões de eleitores nos bairros do município de Maputo. O partido diz que a Frelimo quer manipular os resultados das eleições autárquicas. Esta é a segunda acusação, depois da que foi feita pelo MDM na Matola.
Falando em conferência de imprensa, esta sexta-feira, a Renamo acusou a Frelimo do que chamou de corrupção eleitoral, por alegadamente obrigar os chefes de quarteirão a recolher cartões de eleitores, na Cidade de Maputo.
“Os chefes dos quarteirões com base nos cadernos ilegais tem obrigação de fazer recolha de dados e dos cartões de eleitores dos cidadãos inscritos sob alegação de que não vão precisar se deslocar aos postos de recenseamento no dia da votação, visto que vão receber nas suas residências os boletins de voto para exercer o direito cívico antes dos demais e antes da data e hora legalmente normada na lei”, disse Paulo Chiburre, mandatário do partido Renamo na Cidade de Maputo.
Paulo Chiburre foi mais longe, ao afirmar que há secretários dos bairros na posse de cópias de cadernos eleitorais.
“A posse indevida e não autorizada de cópias autenticadas dos cadernos de recenseamento eleitoral pelos secretários dos bairros da Cidade de Maputo constitui uma clara afronta à lei eleitoral e aos princípios democráticos. Esta prática pode levar a distorções graves no processo de votação e na identificação dos eleitores, comprometendo a lisura do processo eleitoral como um todo. Além disso, esta conduta gera uma desvantagem injusta para as outras forças políticas, prejudicando a igualdade de oportunidades e ferindo os pilares essenciais de um processo eleitoral transparente e equitativo”.
Segundo Chiburre, as informações chegaram a Renamo através dos membros da Frelimo que se tinham reunido, para supostamente organizar fraude eleitoral.
A Renamo exige por isso uma investigação rigorosa e urgente pelos órgãos da justiça e da administração eleitoral.
Lembre-se que, na quarta-feira, o MDM na Matola também acusou a Frelimo de, por via de chefes de quarteirão, recolher cartões de eleitores para preparar fraude eleitoral.
A Primeira-dama e a sua homóloga da República do Gana, Rebeca Akufo-Addo, efectuam uma visita ao “Centro Mulher”, no distrito de Boane, província de Maputo.
As Primeiras-Damas de Moçambique e Gana irão visitar, o Mercado de Peixe, na cidade de Maputo- Refere um comunicado enviado ao O País.
As visitas serão realizadas no âmbito da visita de Estado que o presidente da República do Gana, Nana Addo Akufo-Addo efectua ao país, bem como nas iniciativas de responsabilidade social dirigidas pelos respectivos gabinetes.
74 pessoas na sala. Glória Hotel. Cidade de Maputo. Entre os convidados, 62 almas acompanham, sentadas, a cerimónia organizada pela Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) em parceria com a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB). As outras 12 esmeram-se nas filmagens, a reposicionar os microfones ou a afinar o som, sempre em constantes movimentos à busca da perfeição.
Em algum lugar da sala, autores, editores e jornalistas sussurram palavras quase ininteligíveis: Quem será? Escutamos ao mesmo tempo que reparamos nos eventuais candidatos ao Prémio José Craveirinha. A resposta vem de um repórter que, depois de um raio x a cada autor presente, conclui que adivinhar não é assim tão difícil, quando a palavra mérito faz todo sentido…
Marcelo Panguana. Sentando mais ou menos na quinta fila, do lado esquerdo da sala, do lado esquerdo também tem a sua esposa Helena Cumbe.
Enquanto o evento acontece, com a competente mestre-de-cerimónia que é Julieta Mussanhane, os convidados vão-se cumprimentando como podem. Geralmente à distância, entre olhares e sorrisos. Detrás da sala, vimos tudo e ainda mergulhamos na expectativa das pessoas. De vez em quando, os celulares saem do bolso ou da bolsa para a carga ser avaliada, afinal, no derradeiro instante, ninguém quer ficar para trás.
Enquanto a cerimónia avança, com os habituais discursos protocolares, que, nesses casos, parecem truques para prolongar a ansiedade, de vez em quando as pessoas vão mudando de lugar como quem pretende o melhor ângulo para a fotografia. Claro, nas primeiras filas é que não há nada disso, pois a família Craveirinha (bem representada pelo filho do poeta), o representante da HCB e a presidente do júri cumprem o protocolo de estarem serenos e quietos.
Avaliamos então o suspeito da noite. No mesmo lugar, com a perna direita cruzada sobre a esquerda, está ali um maronga gingão fino, bem a lembrar-nos o Cabaço. Aparentemente, Marcelo fingi que não sabe o que vai acontecer dentro de instantes. Sereno e com ar de boa gente como marca, vai acompanhando a cerimónia feito um sujeito da reconciliação, conforme diria Castiano. Às vezes, apreciando a esposa num de gesto de amor manifesto em silêncio. Helena Cumbe não é ingénua. Aquela mulher, com quem se conversa facilmente, compreende o que o esposo pretende transmitir e ela retribui com a mesma intensidade no olhar. Até aí, entretanto, ambos evitam contactos físicos e, talvez, assim conseguem ficar invisíveis à maioria (mas não ao jornalista que escreve esta crónica).
Palavreados à parte. Perto das 18 horas deste 31 de Agosto, o dia em que a AEMO celebrou 41 anos de existência, finalmente, Julieta Mussanhane convida a presidente do júri do Prémio José Craveirinha para anunciar o autor laureado nesta edição. Os operadores de câmara precipitam-se a encontrar o melhor lugar para filmar e as conversas, de repetente, cessam em toda a sala. É obviamente o momento mais aguardado…
Sara Jona Laisse, uma 7 de Abril gira e que transborda elegância, levanta-se e dá uns 10 passos até ao pódio. No entanto, mal começa a falar, tem de esquecer a acta por alguns minutinhos, pois o Governo de Moçambique não quer perder o momento. A ensaísta anuncia a entrada de Sua Excelência Eldevina Materula, que, naquele passo acelerado típico dos governantes, entra pela sala sorridente e ainda pisca-nos um olho a cumprimentar com simpatia. – Remédios, como estás? Os ajudantes de campo não cedem muitos espaços e só conseguimos retribuir com o mesmo afecto estampado no rosto. – Estamos bem! Isso já não foi possível dizer.
A Ministra chega à zona nobre da sala, onde também se encontra o Secretário-Geral da AEMO, Carlos Paradona. Senta-se e, com todo o protocolo observado, os convidados também imitam o gesto. Por isso, Sara Jona Laisse começa a ler a acta do júri, em alguns momentos, meio em jeito de defesa, quiçá porque a coisa dos prémios em Moçambique é complexa:
– A atribuição de um prémio literário acarreta sempre um elevado grau de subjectividade e a esperança de recolha de unanimidade é uma utopia.
Disse Sara Jona Laisse, acrescentando que, entretanto, o júri teve o privilégio de sair do primeiro encontro de trabalho com uma espécie de consenso em relação ao autor a ser laureado. Assim, no dia 24 de Agosto, o júri decidiu atribuir, por unanimidade, o Prémio Carreira José Craveirinha de Literatura a… (Sara Jona Laisse ainda provoca uma pausa de suspense): Marcelo Panguana.
Aí os celulares saem da cartola. Num gesto de mágica, poetas, escritores, editores, leitores, incluindo os velhotes que até antes de ontem não sabiam atender uma chamada num smartphone, poem-se a filmar, atrapalhados porque também batem palmas. Portanto, as filmagens e as fotografias não devem ter sido grande coisa. Claro, Sara Jona Laisse interrompe a leitura da acta por uns três minutos. A sala está muito alegre. O júri tinha feito justamente o que os presentes, aparentemente, queriam.
Calor humano. Marcelo Panguana imita o gesto e também bate palmas com algum fervor. Sentado. Com a perna cruzada de um maronga gingão. Depois, a cereja em cima do bolo. Vira-se para a esposa e beija-a várias vezes. Contagiante. Só falta kulungwanas, mas os escritores parece que são péssimos quanto aos exercícios com a língua. Tudo resume-se às mãos. Então aumenta a intensidade das palmas, deixando Marcelo Panguana constrangido. Tenta disfarçar, todavia não consegue. A presidente do júri, com efeito, salva o autor de Como um louco ao fim da tarde porque volta a ler a acta, apontando para os argumentos da escolha:
– Na escolha do júri e, para além dos critérios regulamentados, indicadores como humanismo, activismo e associativismo, produção jornalística e editorial, apadrinhamento de escritores, participação em causas e projectos sociais e respeito pelo ser humano, foram tidos em conta e com igual peso dos critérios do regulamento.
E o júri (Sara Jona Laisse, Jorge Ferrão, Manuel Tomé, Aíssa Mithá e Frederico Jamisse) ainda acrescenta:
– Marcelo Panguana constitui, para o júri do Prémio Carreira José Craveirinha, edição 2023, um dos maiores e completos e complexos expoentes da literatura moçambicana tendo já publicado nos géneros e formas como poesia, conto, crónica, romance, literatura infantil, entrevista e ensaio.
Dito isso, Marcelo Panguana é chamado ao palco. Levanta-se. Beija novamente a esposa. Caminha vagarosamente. Passa por vários amigos que filmam… Entre eles, Juvenal Bucuane e Ídasse. Chega ao pódio atrapalhado. Já está diante do microfone, mas não sabe o que dizer. Atrapalha-se ainda mais. Agora está a transpirar. Pensa tirar o casaco preto, mas lembra-se que ali se encontra a Ministra da Cultura e Turismo. Então o jornalista é o único que sabe dessa precaução.
Fala. Não diz nada de concreto. Mas a voz é boa de se ouvir. Mesmo quando não diz nada de grandioso, Marcelo é um homem fino, fácil de amar e respeitar. Algumas jovens bonitas apreciam o escritor com um olhar feroz! Se não for pela elegância e inteligência que transparece, o que não fazem 25 mil dólares, minhas senhoras e meus senhores?
Marcelo, entretanto, não pensa no dinheiro. Agradece a Deus pelo dom da vida e pelas bênçãos; agradece à AEMO e à HCB; agradece aos seus confrades e, sobretudo, à sua esposa, “a mais bela entre todas as coisas!”. Ela não é distraída. Marca presença na sala, agora, levantando a mão direita, como quem diz: Se ainda não perceberam, sou eu a esposa dele.
Palmas. Fotos. Filmagens. Neste instante, Marcelo Panguana deve estar a ouvir Stairway to heaven, dos Led Zeppelin. O Olimpo é seu. Improvisa e acerta. Depois, tenta ir sentar-se. Qual sentar qual quê… Os amigos e confrades de sempre abraçam o homem com entusiamos e etc. De ciúmes não estamos a tratar. Poderiam ter dito.
Celebração total.
A Ministra da Cultura e Turismo começa a intervir. Percebe que tem de esperar. É atenta. Um político aparvalhado continuaria a falar ou a ler mesmo sem condições para isso. Eldevina Materula, habituada ao meio artístico, ajuda a colorir a festa mantendo os holofotes em Marcelo Panguana.
Ao fim de uns quatro minutos depois de abandonar o pódio, o escritor abraça com paixão a esposa. A Ministra logo remata: Fotógrafos, não percam esse momento. Não perdem. Registam o abraço até que o laureado volta a sentar-se. É então que a Ministra defende a necessidade de se celebrar Marcelo Panguana. Os convidados concordam. Tanto que, no final da cerimónia, já em voz audível, repetem: Fez-se justiça! Parece que as coisas estão a mudar!
Ivane Urrubal, guarda-redes da selecção nacional de futebol, vai falhar o jogo decisivo entre Moçambique e Benin, a 9 de Setembro, no Estádio Nacional, devido a um problema físico.
Dono da baliza dos Mambas nos duelos com o Senegal (0-1, vitória dos senegaleses) e Ruanda (0-2, vitória dos Mambas ), o guarda-redes da Black Bulls esteve a um bom nível pelo que é uma baixa a ter em conta.
Ivane Urrubal junta-se às ausências de Renildo Mandava ( a recuperar ainda de uma lesão), Lau King e Isac de Carvalho (lesionados).
Para o seu lugar, o seleccionador nacional de futebol, Chiquinho Conde, chamou o jovem guarda-redes Fazito, que evolui no Ferroviário de Nampula.
Fazito, curiosamente estreou-se nos Mambas no CHAN diante da Argélia, num cenário em que os colegas Ivan e Victor Guambe lesionaram-se.
Diante dos argelinos, lembre-se, Victor Guambe, titular, lesionou-se num joelho e cedeu o lugar a Ivan, antes do início do encontro, e depois foi o guarda-redes da Black Bulls que chocou com um jogador da Argélia.
O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump pediu esta quinta-feira ao tribunal da Georgia que separe o seu processo, onde é acusado de tentar anular ilegalmente os resultados das eleições de 2020, dos outros 18 arguidos.
Este pedido surge depois de a procuradora responsável pelo caso ter pedido que todos fossem julgados ao mesmo tempo.
Os advogados do antigo presidente apresentaram um documento no tribunal distrital de Fulton (Georgia) no qual pedem que o caso de Trump seja separado dos restantes réus, que solicitaram um julgamento rápido.
Este pedido surge depois de, na terça-feira, a procuradora responsável pelo caso, Fani Willis, ter pedido que todos fossem julgados ao mesmo tempo.
O tribunal ainda não decidiu se aprova ou não a proposta de Willis, o que significaria que o julgamento teria início em 23 de Outubro, uma vez que o juiz Scott McAfee já decidiu que essa será a data do arranque do processo contra um dos arguidos, o advogado Kenneth Chesebro.
Na opinião dos advogados de Trump, esta data não dá ao ex-presidente tempo suficiente para preparar a sua defesa.
“Exigir menos de dois meses de preparação para defender uma acusação de 98 páginas, com 19 réus, com 41 acusações diversas, incluindo uma de conspiração, violaria os direitos constitucionais federais e estaduais do presidente Trump a um julgamento justo e ao devido cumprimento legal do processo”, salientam os advogados num documento divulgado pelo jornal The Hill, citados pelo Notícias ao Minuto.
Trump declarou-se esta quinta-feira inocente das 13 acusações contra si na Georgia por tentativa de manipulação dos resultados das eleições de 2020 naquele Estado, nas quais perdeu por uma estreita margem para o democrata e atual Presidente Joe Biden.
O ex-presidente também renunciou “livre e voluntariamente” ao seu direito de estar presente numa acusação formal em tribunal, marcada para 06 de setembro.
O egípcio Mohamad Abel Elsaid Hussien foi o designado pela Confederação Africana de Futebol (CAF) como árbitro principal do jogo Moçambique vs Benin, inserido na 6ª jornada do grupo L de qualificação ao ao CAN. Hussien terá como auxiliares os compatriotas Sami Mohamed Malhal e Yousser Wahid Elbosaty.
Já Mohamoud Albana será o quarto árbitro deste duelo decisivo nas contas de qualificação ao Campeonato Africano das Nações.
O árbitro principal, de 37 anos, dirigiu, no passado dia 27 de Março, o duelo Angola – Gana que terminou empatado a uma bola.