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As fraudes nas telecomunicações em Moçambique reduziram 64% em 2025, passando para 195.045 ocorrências. Apesar da diminuição, as práticas fraudulentas tornaram-se mais sofisticadas e continuam a representar riscos para a segurança das redes e a protecção dos consumidores, segundo o Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM).

De acordo com o Relatório de Segurança e Resiliência das Telecomunicações 2025, os incidentes registados provocaram prejuízos financeiros estimados em 128,31 milhões de meticais.

O documento, apresentado esta terça-feira aos operadores do sector, analisa a segurança e a capacidade de resposta das empresas perante fraudes, ameaças, falhas técnicas e outros incidentes nos serviços de telefonia móvel, Internet e radiodifusão televisiva.

Entre as práticas mais frequentes estão a fraude denominada “Wangiri”, que consiste na realização de chamadas curtas para levar os destinatários a devolver a ligação, geralmente para números internacionais ou de valor acrescentado. O relatório identifica igualmente esquemas de SIMBOX, associados ao encaminhamento irregular de chamadas internacionais, e SMS Phishing, através do envio de mensagens falsas para obter dados pessoais, bancários e códigos de acesso.

A presidente do Conselho de Administração do INCM, Helena Fernandes, considera que a redução das ocorrências constitui um sinal positivo, mas alerta para a necessidade de reforçar os mecanismos de prevenção e controlo.

“Embora a redução registada constitua um sinal positivo, importa reconhecer que estas e outras modalidades de fraude continuam a representar um desafio significativo para a segurança do sector e para a protecção dos consumidores. Isso exige que continuemos atentos e a modernizar os nossos sistemas de prevenção, detecção e controlo”, afirmou a responsável.

O relatório destaca também os impactos dos fenómenos climáticos extremos sobre as infra-estruturas de telecomunicações. Os ciclones Dikeledi e Jude provocaram a inoperacionalidade de 174 estações, evidenciando vulnerabilidades na rede e a necessidade de reforçar os mecanismos de continuidade dos serviços.

Perante os desafios identificados, o INCM defende uma maior cooperação entre os operadores e as instituições do sector, através da partilha de informações, do reporte de incidentes, da promoção da literacia digital e do reforço dos mecanismos de denúncia e prevenção de fraudes.

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Por: Mbututu Kwezani

 

Dra. Inês – Este aqui é paracetamol, o senhor deve tomar três vezes ao dia (de manhã, à tarde e à noite). Faça o mesmo com estas cápsulas, está bem, Papá?

Sr. Muianga – Nada! Eu não vai levar, todos dia quando vem aqui vocês só me dá p’rastamol com cápsula… Não me faz anál’se nem não dá rede mosquite’ra, como que vai curar malária dele?

Dra. Inês – O senhor devia agradecer por esses comprimidos. Eu ganharia um bom refresco com eles, já que o salário que me pagam nem serve para um saco de arroz. O senhor ainda quer reclamar…. Haja paciência!

Sr. Muianga – Já não se faz médico como de muinto tempo, os bons médico que restou perde respeito por causa de vossos comportamento.

E foi aos murmúrios que o Sr. Muianga abandonou o centro de saúde. Mais uma vez não tinha gostado do atendimento, “muinto muinto daquelas doutora que só fica no telefone”, dizia o velho.

Já somavam meses e vezes que este visitava o centro de saúde, mas o caso de sua malária jamais fora resolvido. Naquela tarde, Muianga murmurou o caminho todo voltando para casa, “dessa vez é de vez”, dizia ele. Depois de duas horas de caminhada, Muianga chegou ao bairro.

Já mesmo à entrada de casa, ouviu as vizinhas falando do grande hospital no centro da cidade, que este era bom e o atendimento era dos melhores…. Posto isto, Muianga não aguardou o fim da conversa. Entrou logo em casa, todo eufórico. Era como se aquelas palavras abluíssem seu coração de toda a raiva que trazia do centro de saúde. Os termos e condições para o dito bom atendimento, são muito altos, diziam as vizinhas concluindo a conversa. Mal sabia o Sr. Muianga.

No dia seguinte, os passos de Muianga é que despertaram os galos, pois este tinha-se levantado muito antes do cantar destes. Apanhou o primeiro autocarro e, lá se foi em direcção ao grande hospital que, por sinal, era público. Quando lá chegou ficou babélico pois havia uma grande bicha de doentes. Um mais grave que o outro, entre os quais, mulheres grávidas, idosos e até crianças. Porém, este não foi o motivo que o deixou ababelado, o facto é que, enquanto uns permaneciam numa bicha que muito pouco andava, outros entravam e saíam com suas questões sanitárias resolvidas.

Ao longo das quatro horas seguintes, o ciclo foi-se refazendo, mais uma vez, mais uma e mais outra. Sr. Muianga e os outros doentes não eram atendidos. Continuavam ali, nos bancos de espera vendo outros passando à frente. Cansado daquela pouca-vergonha, Muianga dirigiu-se à sala que ficava no final do corredor, cuja escrita na porta anunciava “gabinete do director”, lá onde pairavam os sopros do ar condicionado a 18°. Sem pedir licença, Muianga entrou no gabinete, vociferando reclamações instantaneamente. Por sua vez, o director, Dr. Malini, convidou Muianga a sentar-se, mas este recusou o convite e continuou reclamando o mau atendimento. Momentos depois, ouviram-se batidas na porta e, de seguida, entrou o médico-cirurgião trazendo boas notícias ao director:

Dr. Sebastião – Doutor, o paciente 77 mandou confirmado e já aguarda na sala de cirurgia, podemos começar?

Dr. Malini – Apague a mensagem do confirmado e comecem imediatamente. Ligue os novos equipamentos. Deves ser tu a tratar deste paciente, ele é um dos melhores pacientes que temos.

Então, Sebastião pôs-se a limpar o campo de mensagens e logo que terminou disse:

Dr. Sebastião – Está feito, Doutor, o campo de mensagens assim como o campo de reciclagem estão totalmente limpos, como pediu, “um deserto sem viajantes, Doutor, em momento algum tem pegadas.”

Dr. Malini – Óptimo, agora vá, cuide do nosso paciente V.I.P.

Então, dr. Sebastião, o médico-cirurgião, retirou-se de imediato.

Muianga levou a mão à testa, acenou negativamente a cabeça e no seu íntimo, invocou os seus: “Vaka Muianga”, pois ficou pasmado com a conversa dos dois técnicos e, antes mesmo que proferisse palavra alguma, o Dr. Malini disse-lhe:

– Vês, meu senhor, nós fazemos de tudo para cuidar dos nossos melhores pacientes, porém, como o senhor viu “o nosso maior valor não é a vida”.

Sr. Muianga nada mais respondeu, a frieza de Fortunato Malini, director geral do grande hospital, lhe trouxera um nó na voz que reclamava bom atendimento e assim foi, de nó a nó que se calou continuamente a voz do “Madala Muianga”, como era vulgarmente conhecido Vicente Muianga.

Depois daquele dia, Muianga não mais voltara ao hospital, a sua malária tinha piorado de forma tão agravante que a pontuação colocou um ponto final em sua vida. A notícia da sua morte tanto assustou a vizinhança que de imediato chamou os serviços do grande hospital da cidade e, este por sua vez, mandou uma ambulância depois de quatro horas, então vi naquela viatura hospitalar uma escrita a cor de sangue, vermelho, levava embora para sempre “Madala Muianga”,

“O Nosso maior valor não é a vida”. Informava a escrita na viatura.

 

 

Nota do autor:

  O texto acima apresenta erros de concordância nas falas do personagem “Muianga”, isso deve-se ao facto de ser este o individuo com baixo nível de escolaridade.

 

O Conselho dos Serviços de Representação do Estado, na Cidade de Maputo, atribuiu, esta quarta-feira, o direito de uso do selo “Orgulho Moçambicano – Made in Mozambique” ao Atelier de Moda Nivaldo Thierry. A atribuição do selo visa promover a competitividade das empresas nacionais e motivar os consumidores nacionais para a preferência da produção local.

O Secretário de Estado na Cidade de Maputo, Vicente Joaquim, que dirigiu a cerimónia, disse que a atribuição do selo constitui o reconhecimento do Estado às empresas na perspectiva da valorização dos produtos e serviços nacionais. De igual modo, a atribuição do selo realça o compromisso das empresas no processo de melhoria contínua das suas práticas de negócio e, sobretudo, da qualidade dos seus produtos e serviços.

O Director e fundador do Atelier de Moda Nivaldo Thierry e Serviços, que falou em representação das cinco empresas beneficiárias, disse que o selo atribuído representa o reconhecimento do empenho e dedicação destas entidades na produção local.

“Este selo não valida apenas os nossos esforços, mas também nos impulsiona a continuar a inovar, superando desafios. Gostaria de expressar a nossa profunda gratidão ao Governo de Moçambique, em especial ao Ministério da Indústria e Comércio, por valorizar e apoiar os produtores locais, bem como ao Secretário do Estado por nos honrar com esta distinção. Este selo Made in Moçambique não é apenas um símbolo de qualidade, é a representação do talento, trabalho árduo e compromisso de cada indivíduo envolvido no processo produtivo”.

Nivaldo afirmou ainda que as empresas contempladas estão comprometidas em contribuir para o desenvolvimento económico e social de Moçambique com orgulho e determinação.

O atelier de moda Nivaldo Thierry é uma empresa especializada em confecções de roupas e acessórios e opera no mercado nacional e internacional há 15 anos.

Para além do atelier Nivaldo Thierry, outras quatro empresas também foram atribuídas o selo Mede in Mozambique, designadamente: Empresa Internacional Facilities Services Mozambique, Lda, Empresa MZ Express, S.A, Empresa Quatro Cores, Impressão e Distribuição Sociedade Unipessoal, e Empresa True North. Assim, no total, são 253 empresas que ostentam o selo na cidade capital.

 

 

O Tribunal Constitucional de angolano anulou esta quinta-feira a condenação de José Filomeno dos Santos decretada pelo Supremo Tribunal em Agosto de 2020, pela transferência de 500 milhões de dólares do Banco Nacional de Angola para um banco em Londres.

Em Agosto de 2020, José Filomeno dos Santos, filho do ex-Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, foi condenado pelo Tribunal Supremo de Angola a cinco anos de prisão, por crime de burla por defraudação e tráfico de influências. Zenu, como é publicamente conhecido, foi condenado por ter ordenado a transferência de 500 milhões de dólares do Banco Nacional de Angola para um banco em Londres, quando estava à frente do Fundo Soberano de Angola, cargo o qual tinha sido nomeado pelo pai em 2012.

Na quinta-feira, o filho do antigo presidente livrou-se da condenação de cinco anos de prisão que tinha sido decidida pelo Tribunal Supremo de Angola, depois de ter cumprido cerca de três anos de cadeia. O Tribunal Constitucional angolano considerou nula a condenação, por entender que foram violados os princípios constitucionais da legalidade, do contraditório, do julgamento justo e conforme e do direito à defesa.

Segundo o jornal Expresso de Portugal, a decisão não significa formalmente uma absolvição, mas a anulação da condenação. E o Tribunal Supremo ainda vai decidir se realizará um novo julgamento ou devolver o processo ao Ministério Público.

A decisão a favor do recurso extraordinário apresentado pela defesa de José Filomeno dos Santos inclui outros três arguidos que igualmente tinham sido condenados.

Israel decide permitir temporariamente o acesso à ajuda humanitária aos palestinianos na faixa de Gaza, após aviso emitido pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, esta quinta-feira.

Depois do Tribunal Internacional de Justiça das Nações Unidas em Haia ter ordenado a Israel a abrir passagem de ajuda humanitária para os palestinianos, o país decidiu permitir temporariamente a entrega de ajuda humanitária através do porto de Ashdod e do ponto de passagem de Erez. Para que os palestinianos na faixa de Gaza possam receber alimentos, água, combustível e material médico.

O gabinete do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, autorizou a tomada de medidas imediatas para aumentar a ajuda humanitária com a finalidade de evitar uma crise humanitária e também assegurar a continuação dos combates.

A autorização de Israel foi avançada, logo após o aviso do presidente dos EUA, Joe Biden, que disse na quinta-feira ao primeiro-ministro israelita, que o futuro norte-americano à guerra de Israel em Gaza depende da adoção de novas medidas para proteger civis e trabalhadores humanitários.

Um agente da PRM e um membro da Polícia Municipal na Ilha de Moçambique estão detidos por terem fornecido droga para a comercialização. Os mesmos terão se apoderado de droga apreendida e decidiram fazer negócio.

São cerca de cinquenta quilogradas de dois tipos de droga apreendida das mãos de agentes que têm por missão manter a ordem e tranquilidade públicas.

“Recebemos informasções a partir do dia 27 dando conta que no distrito da Ilha de Moçambique, concretamente no Lumbo, havia uma casa cm suspeita de ter um produto que se suspeitava que fosse droga. Formamos nossa equipa dos nossos agentes que foi ao terreno e culminou com a recuperação de 37 embalagens contendo droga diversa, neste caso, a metanfentamina e heroína. Em termos de peso estamos a falar de 48.5 kg”, explicou Enina Tsinine, porta-voz do SERNIC na província de Nampula.

O SENIC deteve primeiro um jovem que foi encontrado com uma tijela contend a droga. Ele terá sido confiado a missão de vender a referida droga. Através do mesmo, os investigadores criminais chegaram aos fornecedores que são membros da Polícia.

“As informações que nos deu levaram à detenção de um chefe das operações da Polícia Municipal [do Município da Ilha de Moçambique], bem como o chefe do posto policial de Lumbo que eram tidos como as pessoas que entregaram para a sua comercialização”.

Trata-se de droga que terá sido apreendida numa residência e no lugar de entregar às autoridas competentes para a conservação como prova e posterior destruição, os mesmos viram uma oportunidade de negócio.

“Não são só estes elementos que foram arrolados. Existem outros: um é agente da PRM e outros cidadãos que terão compactuado com a prática do mesmo crime”, concluiu Tsinine.

Os indiciados contam a sua versão dos factos.

“Estive a perseguir populares que possivelmente tinham invadido uma casa e retiraram lá droga. Na perseguição, deixaram cair uma tijela e apanhei. Foi isso só”, disse um dos indiciados e o outros acrescentou: “por causa de uma tijela de droga que encontrei durante a fiscalização e perseguição de uns miúdos. Peguei na droga e vendi”.

Por serem agentes da Polícia, a sua pena, caso sejam condenados, poderá ser agravada.

Os dados preliminares da Balança de Pagamentos mostram que de Janeiro a Setembro de 2023, as transacções entre Moçambique e o resto do mundo resultaram num défice de 1,144 milhões de dólares, contra 5,778 milhões do período homólogo de 2022.

“A melhoria do défice da conta corrente resulta, essencialmente, da redução significativa (USD 4,281 milhões) do valor das importações de bens por parte dos grandes projectos, reflectindo o efeito base associado ao registo do valor da importação da plataforma flutuante da Coral Sul (USD 4,200 milhões), no I trimestre de 2022”, lê-se no balanço do Plano Económico e Social e Orçamento de Estado de 2023.

No período em referência, o valor das exportações de bens situou-se em 5,936 milhões de dólares, dos quais USD 4,484 milhões, dos grandes projectos. O sector que mais contribuiu no total das exportações foi o extractivo, com destaque para o gás.

O projecto de destaque na indústria de gás natural está instalado na Bacia do Rovuma e é operado por um consórcio liderado pela petrolífera italiana Eni, que já está a exportar gás natural desde finais do ano de 2022.

De acordo com o balanço do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) do ano de 2023, as exportações no III Trimestre de 2023, alcançaram 5,935.6 milhões de dólares, contra 6,107.6 milhões no III Trimestre de 2022, correspondendo a um decréscimo de 2.8%.

Por sua vez, as importações no III Trimestre de 2023, por seu turno, atingiram 6,569.9 milhões de dólares, contra 10,885.3 milhões alcançados no III Trimestre de 2022, representando um decréscimo de 39.6%.

Manter empregos ou aumentar salários? Os trabalhadores e os “patrões” procuram responder a essa questão através de um equilíbrio que nega a acontecer.

Mais uma vez, representantes dos trabalhadores e “patrões” já debatem qual deve ser a nova tabela de salários mínimos a aplicar no país. De princípio, a resposta será conhecida nas próximas semanas quando forem anunciados os novos salários mínimos por sectores.

É um debate que tem como mediador o Governo moçambicano. Para já, uma posição existe, da OTM-Central Sindical que disse ao O País Económico que não vai aceitar aumentos irrisórios este ano, tudo por causa do custo de vida que continua alto.

O debate dos novos salários mínimos em curso, cujo desfecho é quase sempre marcado pelo descontentamento dos trabalhadores, deverá culminar com a aprovação de uma nova tabela para o sector privado que poderá vigorar a partir de Maio próximo.

Este ano, o cenário das negociações não foge ao do ano passado. Há uma posição rígida por parte do sector privado que pede que seja relevado o facto de as empresas estarem ainda em recuperação de crises provenientes de aspectos conjunturais dos últimos anos.
Falando ontem ao O País Económico sobre o curso das negociações, o secretário-geral da OTM-Central Sindical, Alexandre Munguambe, disse que o argumento dos “patrões” não é novo e que a situação conjuntural em alusão não pode impedir aumentos necessários nos salários mínimos até porque o custo de vida não para de subir.

“Sempre dizem isso. Todos os anos ameaçam cortar os postos de trabalho, mas o custo de vida está muito alto. Deve-se ter em conta a inflação que se verificou no ano passado. Há que ver que com ou sem aumento, há cortes de postos de trabalho”, referiu Munguambe.

Os aumentos aprovados no ano passado variaram de 200 a 1500 meticais, sendo ainda um dos mais baixos o do sector da Agricultura que passou para 5800 meticais, o que a se repetir este ano, segundo Munguambe, muito abaixo da cesta básica e a OTM vai rejeitar.

“Quem está a negociar os salários são os sindicatos nacionais dos diversos ramos de actividade. Estes sindicatos estão a se posicionar, mas mesmo os empregadores sabem que esses valores não nos ajudam em nada. Eles vivem aqui e conhecem o custo de vida. Se avançarem com esses níveis só pode ser por má fé.”, disse Alexandre Munguambe.

O secretário-geral da OTM alerta que a aprovação de quantitativos abaixo dos tetos desejados e a quem da cesta básica não prejudica só os trabalhadores, mas também a produtividade das empresas que poderá não atingir o seu máxiomo, pela insatisfação.

O facto é que a posição do sector privado é pelo pragmatismo na hora de interpretação dos dados macroeconómicos apresentados pelo Governo e a actual situação das empresas. E apesar de reconhecer que o Governo aponta para uma melhoria da taxa de crescimento económico e uma relativa estabilidade de preços em 2023, o Presidente da CTA, que falava na abertura das negociações, há dias, disse que há necessidade de haver cautela.

O presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique, Agostinho Vuma, apontava para um fraco desempenho dos sectores tradicionais, como a indústria transformadora e o sector de construção, a apresentarem taxas de crescimento negativas.

“A melhoria global verificada no período em análise é sustentada pelo sector extractivo, com uma contribuição nas contas nacionais de aproximadamente, 36″”, esclareceu Vuma.

Chamado para analisar as posições das partes, no Programa O País Económico da STV Notícias, o economista Elcidio Bachita considerou razoável a posição do sector privado, por considerar que o contexto continua desafiador para as empresas.

Bachita explica que para fazer o reajuste do salário é preciso fazer o acompanhamento da economia e uma previsão do que poderá acontecer nos próximos tempos. “Sabemos que a economia foi dilaserada pelos conflitos geopolíticos, calamidades naturais que destruiram infra-estruturas socioeconómicas e o terrorismo. Estes factores combinados acabam por afectar sobremaneira o desempenho da economia”, explicou.

Mas, nestes tempos, a economia tem vindo a registar um crescimento típico de recuperação. Será este o sinal necessário para um ajuste favorável aos trabalhadores? Elcidio Bachita diz que é preciso olhar para os setores que têm peso nessa recuperação, porque pode estar a ser influenciada pela indústria extractiva, com exploração em alta do gás natural, pelo que julga que a recuperação de outros sectores é gradual.

Aliás, Bachita cita a demora no reembolso do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) e as altas taxas de juro no serviço de crédito na banca comercial como factores que ainda minam a reanimação das empresas. “As duas reduções da taxa MIMO não têm um efeito imediato na economia, ou no custo de crédito, até porque não são superiores a 75pp”.

Além das reduções da Taxa de Juro de Política Monetária para 15.75%, está em curso a implementação do pacote de medidas de aceleração económica, duas medidas tidas como cruciais para a revitalização da economia que para o economista não são suficientes.

“O que determina o desenvolvimento da economia ou da capacidade do sector privado é a acessibilidade ao crédito e isto ainda é um Calcanhar de Aquiles… só se aumenta salário com o aumento da produtividade das empresas”, disse Elcídio Bachita a finalizar.

A necessidade de um equilíbrio entre aumento e a manutenção de postos de trabalho foi também defendida pela ministra do Trabalho e Segurança Social, Margarida Talapa, há semanas, na abertura da Sessão Plenária da Comissão Consultiva do Trabalho (CCT).

“Pretendemos com este processo encontrar um justo equilíbrio entre a necessidade de ajustamento salarial, a manutenção e criação de novos postos de trabalho”, disse Talapa para a seguir apelar ao “não extremar de posições e nem radicalização” nas negociações.

Talapa apelou ainda aos empregadores a promoverem o trabalho digno, o diálogo permanente com os trabalhadores e a negociação. Apelou também ao uso do mecanismo extrajudicial de resolução de conflitos laborais, para um bom ambiente de trabalho.

Os preços dos produtos essenciais poderão subir ao longo dos próximos meses, por conta dos choques climáticos e uma possível subida de combustíveis e serviços de telecomunicações.

A vida poderá estar ligeiramente mais cara nos próximos meses. É o que indica o Relatório de Conjuntura Económica e Perspectivas de Inflação lançado esta semana pelo Banco de Moçambique que prevê uma ligeira subida na inflação nos próximos meses, isto é, haverá agravamento dos preços dos produtos essenciais.

Segundo o banco central, esta previsão decorre do impacto dos efeitos dos choques climáticos e do aumento dos preços dos combustíveis e da tarifa de portagem na África do Sul, um dos principais abastecedores de produtos de primeira necessidade ao país. 

“Constituem ainda factores de riscos às projecções o eventual agravamento da pressão fiscal, a possível maior severidade dos choques climáticos e os eventuais ajustamentos dos preços das telecomunicações e combustívei”, escreve o regulador.

Em Janeiro a inflação esteve situada em 4,2% e 4,0% em Fevereiro. Mas, até Dezembro deste ano, poderá atingir 5,37%.

“As expectativas macroeconômicas dos agentes econômicos apontam para uma aceleração da inflação no curto prazo, acreditando-se que a mesma poderá fixar-se em 5,37% em Dezembro de 2024”, aponta o relatório.

Recorde-se que os dados da última avaliação do índice de preço ao consumidor do Instituto Nacional de Estatísticas, que quando comparados com os de igual período de 2023 apontam que o país registou uma subida do nível geral de preços na ordem de 4,0%, indicam que as divisões de Educação, Alimentação e bebidas não alcoólicas, foram as que tiveram maior subida de preços ao variam com 8,61% e 6,89%, respectivamente.

A cidade de Quelimane, capital provincial da Zambézia, é a que tem registado maiores níveis de subida. “Analisando a variação acumulada, todos os locais registaram uma subida do nível geral de preços. A Cidade de Quelimane registou a maior subida do nível geral de preços com cerca de 3,11%, seguida das Cidades da Beira com 1,82%”

Do lado das alterações mais brandas estão as cidades de Maputo com 0,96% e de Tete com 0,80%.

Já para o médio prazo, isto é, para os próximos três a quatro anos, mantém-se as perspectivas de uma inflação de um dígito, ou seja, abaixo de 10%, refletindo, sobretudo, a estabilidade do metical e o impacto das medidas tomadas pelo banco central nas suas projecções baseados em pressupostos internos e externos.

A nível interno, o regulador destaca a manutenção da elevada pressão sobre o orçamento do Estado; Ocorrência de choques climáticos e Prevalência da instabilidade militar em Cabo Delgado.

“A avaliação dos riscos e incertezas associados às projeções da inflação mantém-se favorável no médio prazo. Destacam-se como possíveis fatores de contenção da inflação o esforço da consolidação fiscal e o impacto menos gravoso dos conflitos geopolíticos, sobre a cadeia logística e sobre os preços das mercadorias no mercado internacional”, escreve o BM.

O Relatório da Conjuntura Económica, perspectiva também que a actividade económica continue a expandir-se em níveis moderados, impulsionada pelo desempenho da indústria extrativa cuja produção aumentou significativamente com a produção de gás natural na plataforma Coral Sul FLNG, na bacia do Rovuma. 

Entretanto, excluindo os projectos de GNL, o relatório prevê que a actividade económica mantenha a trajectória de recuperação, não obstante as incertezas quanto aos impactos dos choques climáticos na produção agrícola e infra-estruturas diversas.

Nesta senda, prevê-se uma ligeira aceleração do crescimento do PIB, excluindo a produção de GNL. “Esta previsão é sustentada pelas perspectivas de melhoria do desempenho da indústria extrativa e do setor terciário, não obstante a ocorrência de eventos extremos… a evolução recente do Índice de Produção Industrial corrobora a melhoria gradual da actividade económica no curto prazo, ao apontar para um aumento da confiança das empresas quanto à actividade futura, em face do incremento do volume de vendas e de novas encomendas.” 

Quanto às reservas Internacionais, mantêm-se níveis confortáveis, tendo até o dia 22 de Março de 2024, registado um saldo acumulado de cerca de USD 3.614 milhões, o suficiente para garantir a cobertura de cerca de cinco (5) meses de importações de bens e serviços, excluindo os grandes projectos.

O banco central avança também que houve redução das taxas de juro de bilhetes do tesouro. “As taxas de juro de BT registaram uma redução entre 69 e 94 pd, passando para 17,62%, 18,96% e 18,30% respectivamente, para as várias maturidades de referência (91, 182 e 364 dias)”, avançou o BM.

Vindo de um Estado alemão, Colônia, essencialmente protestante e, por isso, iconoclasta, as cores do Egipto despertaram em Navid Kermani um interesse pela forma como através da cor e imagens constroem ou reabilitam narrativas religiosas.

A consequência desse evento é o livro “Maravilhas para além da crença”, que o autor descendente de iranianos redigiu após profunda investigação artística repleta de pedaços espiritualmente edificantes.

Esta obra que críticos ocidentais indicam ser particular pelo olhar externo ao catolicismo de Kermani – ele é muçulmano -, será o mote da Conversa com o título da publicação na Fundação Fernando Leite Couto ás 18.00 horas deste 05 de Abril, organizado pelo Centro Cultural Moçambicano-Alemão (CCMA).

Sob moderação do filósofo que estudou teologia, Dionísio Bahule, e a presença do filósofo e docente universitário José Castiano, o evento que junta ainda artistas e intelectuais das ciências sociais moçambicanas será uma oportunidade para perceber como o alemão abordou grandes obras de arte cristã e meditou sobre os fundamentos do Cristianismo.

Considerando a interseção da arte, poesia, arquitectura e da liturgia da Missa Solene, a media alemã descreve “Maravilhas para além da crença” como uma espécie de “um adorável encontro de fés”.

Kermani pinta imagens evocativas de suas próprias crenças através de reflexões filosóficas e espirituais. Sendo que neste exercício ainda há espaço para eventos contemporâneos como, por exemplo, o capítulo sobre o Padre Paolo Dall’Oglio, um líder cristão na Síria que dedicou a sua vida a tentar unir cristãos e muçulmanos. Acabou sequestrado pelo Estado Islãmico em 2013.

A opção por este livro, por parte do CCMA, se deve à temática que nos parece urgente no país neste momento em que se apontam fundamentos religiosos para o terrorrismo em Cabo Delgado.

Navid Kermani é um escritor e orientalista alemão. É autor de vários romances, livros e ensaios sobre o Islã, o Oriente Médio e o diálogo cristão-muçulmano. Ganhou vários prémios por seu trabalho literário e académico, incluindo o Prémio da Paz da Associação Alemã de Editores em 18 de Junho de 2015.

 

 

 

 

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