Residentes dos bairros Patrice Lumumba e Praia, na cidade de Xai-Xai, denunciam o recrudescimento de esquemas de venda múltipla de terrenos, por valores que variam entre 20 e 50 mil meticais, e apontam o alegado envolvimento de algumas autoridades locais. Os moradores exigem medidas para travar o fenómeno. O presidente do município revela que há cerca de 20 casos em investigação e anuncia a prorrogação do prazo de regularização de terrenos até ao final de agosto.
Moradores dos bairros Patrice Lumumba e Praia, na cidade de Xai-Xai, voltam a denunciar alegados esquemas de venda ilegal de terrenos, envolvendo suspeitas de participação de algumas autoridades locais. Segundo os denunciantes, a mesma parcela chega a ser comercializada para duas ou três pessoas diferentes, com valores que variam entre 20 e 50 mil meticais.
Os residentes afirmam que a prática tem gerado conflitos entre compradores e disputas pela posse de terrenos, um problema que, segundo dizem, persiste há vários anos sem uma solução definitiva. Perante o cenário, exigem uma intervenção mais firme das autoridades para travar o fenómeno e responsabilizar os envolvidos.
“Há pessoas que compram um espaço, pagam o dinheiro, começam a construir e depois aparece outra pessoa com documentos a dizer que também comprou o mesmo terreno. Isso tem criado muitos problemas nos bairros”, denuncia um morador.
Confrontado com as acusações, o chefe do Posto Administrativo de Patrice Lumumba, Pedro Sitoe, reconhece que a venda ilegal de terrenos é uma preocupação das autoridades locais. Segundo explica, quatro indivíduos já foram neutralizados no âmbito das ações de combate a esta prática.
“Nós temos conhecimento dessas situações e estamos a trabalhar para travar este fenómeno. Já conseguimos neutralizar quatro indivíduos envolvidos na venda ilegal de terrenos. Em relação ao suposto envolvimento de líderes locais, até ao momento não temos elementos que confirmem essas acusações, mas qualquer denúncia será investigada”, esclarece Pedro Sitoe.
Também chamado a pronunciar-se sobre o assunto, o presidente do Conselho Municipal de Xai-Xai, Ossemane Adamo, revela que a autarquia acompanha cerca de 20 processos relacionados com conflitos de terrenos.
“Temos cerca de 20 casos em investigação e estamos a seguir os procedimentos administrativos e legais para responsabilizar quem estiver envolvido. A população deve continuar a denunciar situações de ocupação e comercialização ilegal de terrenos”, afirma o edil.
Face à persistência dos conflitos fundiários, o município decidiu prolongar por mais 30 dias o prazo para a regularização de cinco mil terrenos considerados ociosos. Segundo Ossemane Adamo, terminado o período, as parcelas que permanecerem sem regularização poderão reverter para o património municipal.
“Estamos a dar mais uma oportunidade aos titulares para regularizarem a situação. Depois deste prazo, os terrenos que continuarem sem qualquer procedimento de regularização serão tratados de acordo com a legislação em vigor”, explica.
Até ao momento, pelo menos 1.800 parcelas já foram regularizadas, de um universo de cinco mil abrangidas pelo processo. As autoridades municipais apelam aos titulares para concluírem a regularização até ao final de agosto, alertando que o incumprimento poderá resultar na perda do direito sobre os respetivos terrenos.
Dezanove pessoas com conjuntivite hemorrágica complicada estão internadas no Hospital Central da Beira. A complicação está directamente ligada a tratamentos caseiros, com base em mitos, como é o caso do uso da urina para lavar os olhos, água com espuma de sabão ou ainda líquido extraído da moringa e maçaniqueira.
“O uso destas substâncias cria maior irritação nos olhos que vão roendo a córnea gradualmente, provocando feridas, por perfuração aumentando a inflamação”, explica Abel Polazi, médico oftalmologista do Hospital Central da Beira.
A deficiente higiene individual e colectiva estão a contribuir, por outro lado, para o aumento de casos de conjuntivite na cidade da Beira, o que leva o sector a considerar preocupante estes casos pois, parte dos doentes terão sequelas para o resto da vida.
Face ao aumento dos casos de conjuntivite e de complicações, quais são as medidas que devem ser tomadas por todos?, perguntámos ao Médico.
“Qualquer infecção nos olhos, mesmo que não seja conjuntivite hemorrágica, qualquer doente deve recorrer imediatamente a uma unidade sanitária para serem avaliados”, respondeu Polazi.
Para os que passarem a serem atendidos de forma ambulatorial, devem remover com rigor as secreções nos olhos. “Pode ser num intervalo de uma ou de duas em duas horas, lavar os olhos com água limpa e de preferência gelada para quem puder, pois a água gelada ajuda a combater a inflamação.
Os doentes devem igualmente lavar os olhos e as mãos com água e sabão. Não estamos a dizer para meter a espuma do sabão dentro dos olhos. O doente deve fechar os olhos e lavar a parte externa”. Importa referir que nos últimos sete dias, mais 400 profissionais de saúde contraíram a conjuntivite hemorrágica, totalizando 630 desde 28 de Fevereiro.
Os dados oficiais indicam que, até esta segunda-feira, cerca de 3200 pessoas foram infectadas pela referida doença na cidade da Beira.
O Instituto Nacional de Estatística diz estar a travar dificuldades para ter acesso aos agregados familiares residentes em condomínios para a recolha de dados, o que pode comprometer o censo da população em 2027. Em Cabo Delgado, o INE diz estar a implementar o método representativo para com os deslocados.
As dificuldades de acesso aos agregados familiares se deve às restrições impostas por questões de segurança nos condomínios. A situação limitou a colecta de dados do inquérito demográfico de saúde, IDS 2022-2023, e o Instituto Nacional de Estatística teme o pior nos próximos censos.
“Nós enfrentamos dificuldades até em áreas nobres que achávamos que pudéssemos encontrar mais compreensão por parte dos fornecedores de informação, porque entendemos que são pessoas com certo nível de escolaridade e de compreensão, mas entendemos que não podemos desistir por causa de dificuldades”, disse Alexandre Marrupi, director nacional de Censos e Inquéritos no INE.
Para o Instituto Nacional de Estatística, a solução passa por criar grupos de contacto entre o INE e os condôminos.
“Estamos a pensar em fazer um pacto, um tipo de memorando, em conversa com eles, os chefes dos condomínios, no sentido de, por exemplo, indicar alguns condôminos idôneos, da confiança deles, para que sejam preparados pelo INE para poderem fazer a recolha de dados dentro dos seus condomínios”, sugere Marrupi.
A situação do terrorismo em Cabo Delgado também é uma preocupação para o INE, que diz preparar-se para a realização do quinto censo geral da população em 2027.
“Na questão de Cabo Delgado, nós temos uma população deslocada de forma massiva para as áreas mais seguras da zona sul da província, e considerando que transportam o seu estrato social e seu hábitos culturais consigo para onde se encontram actualmente e tendo respondido às questões que lhes foi colocado, então estes são representativos”, afirmou a nossa fonte.
Os dados do Inquérito Demográfico de Saúde 2022-2023 serão lançados dentro de duas semanas, após o último publicado em 2018.
Pelo menos 20 pessoas estão desaparecidas, depois de terem caído na água, na sequência do desabamento da ponte Francis Scott Key, em Baltimore, nos Estados Unidos da América. A ponte foi atingida por um navio cargueiro.
“Sabemos que há até 20 pessoas no rio Patapsco neste momento, bem como vários veículos”, disse Kevin Cartwright, do Corpo de Bombeiros de Baltimore, à televisão CNN.
As pessoas desaparecidas são supostamente passageiros de veículos que atravessavam a ponte Francis Scott Key quando o cargueiro colidiu com um dos pilares centrais, destruindo-o completamente.
As baixas temperaturas (na ordem dos 9 graus) estão a fazer as autoridades temerem pela vida das pessoas que caíram, devido ao risco de hipotermia.
Cerca da 1h30 (07h30 em Maputo), uma grande embarcação embateu na ponte, situada na cidade de Baltimore, no leste dos Estados Unidos, incendiou-se antes de se afundar, levando vários veículos que circulavam na ponte a cair na água, de acordo com um vídeo publicado nas redes sociais.
O presidente da Câmara, Brandon M. Scott, e o responsável da região de Baltimore, Johnny Olszewski Jr., disseram que o pessoal de emergência estava a responder e que os esforços de socorro estavam em curso.
O acidente foi classificado como um “evento de vítimas em massa em desenvolvimento”
A ponte Francis Scott Key foi inaugurada em 1977.
Trata-se de um professor da Escola Secundaria 25 de Setembro, na Vila de Homoíne, província de Inhambane, que no passado dia 2 de Dezembro, terá forçado uma adolescente de 16 anos de idade a manter relações sexuais como condição para passar de classe.
A adolescente e a família não aceitaram falar à imprensa, mas contaram ao Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) que aquela não foi a primeira tentativa de se aproveitar sexualmente da vítima.
A rapariga não cedeu à “chantagem” e reprovou de classe. Em Dezembro passado, enganada pelo mesmo, a rapariga foi ao encontro do professor para alegadamente ter aulas de explicação, mas o que aconteceu foi outra coisa.
Na noite do mesmo dia, os pais da rapariga acabaram descobrindo o que aconteceu e foram apresentar o caso à Polícia. As autoridades confirmaram o crime, depois de um diagnóstico médico.
Depois de confirmada a violação, o professor acabou detido, mas solto, no dia seguinte. O professor não só foi solto 72 horas depois de sua detenção, como também continua a trabalhar na mesma escola onde a rapariga violada está a estudar.
A Procuradoria Provincial da República de Inhambane publicou um comunicado de impressa no qual faz saber que registou um caso de assédio sexual na Escolas Secundária 25 de Setembro de Homoine, ocorrido no dia 2 de Dezembro de 2023, no qual um professor de 32 anos de idade teria convidado uma menor de 16 anos de idade, por sinal sua aluna, para um encontro alegadamente para tratar assunto relacionados com ensino e aprendizagem.
No referido documento, o Ministério Público diz que, após a denúncia, foi aberto processo-crime e tendo sido instruído com arguido em liberdade, mediante Termo de Identidade e Residência.
O referido professor foi constituído arguido, indiciado pela prática dos crimes de actos sexuais com menores, previsto e punível pelo nrº 1 do artigo 203, e assédio sexual, previsto e punido pelo nrº 1 do artigo 205, ambos do Código Penal.
Terminada a instrução, o professor foi acusado pela prática dos crimes acima mencionados.
“Nos termos das alíneas a) e b) do número 1 do artigo 333 conjugado com nr. 5 do artigo 331, ambos do Código de Processo Penal, o arguido e o assistente foram notificados da acusação e findo o prazo legal os mesmos não apresentaram requerimento para abertura da audiência preliminar. O processo foi remetido ao Tribunal Judicial do Distrito de Homoine para trâmites subsequentes”, lê-se no documento.
E mais: “O Ministério Público, no cumprimento do seu dever plasmado na alínea g) do nrº 2 do artigo 126 da Lei nr 1/2022 de 12 de Janeiro (Lei Orgânica do Ministério Público), informou aos superiores hierárquicos dos arguidos de que contra eles foi instaurado processo crime de modo a prevenir a continuação da actividade criminosa, tendo descrito e diz que continuará de forma intransigente a defender os interesses dos menores, e intensificar as medidas de prevenção nas escolas”.
Os ataques aéreos de Israel e os confrontos com militantes do grupo islamita palestiniano Hamas continuam hoje na Faixa de Gaza, apesar de o Conselho de Segurança da ONU ter exigido um cessar-fogo imediato.
O Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, disse ter registado 70 mortos esta madrugada, incluindo 13 em ataques aéreos perto da cidade de Rafah, no extremo sul do enclave, onde 1,5 milhões de palestinianos procuraram refúgio dos confrontos.
Citadas pela Lusa, as Forças de Defesa de Israel disseram que vários alertas foram emitidos perto de Gaza devido ao lançamento de foguetes por parte de militantes palestinianos.
O Conselho de Segurança da ONU adoptou, na segunda-feira, uma resolução proposta pelos 10 Estados-membros eleitos que exige um cessar-fogo imediato em Gaza durante o período do Ramadão. O texto recebeu 14 votos a favor e uma abstenção dos Estados Unidos.
Depois de mais cinco meses de guerra entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, esta foi a primeira vez que o Conselho de Segurança conseguiu aprovar uma resolução relativamente a um cessar-fogo no enclave, dado que vários projectos foram consecutivamente vetados.
Entretanto, Washington defende que a resolução “não é vinculativa”, apesar de vários diplomatas garantirem o contrário.
Ainda assim, o gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que a abstenção norte-americana, que permitiu a aprovação da resolução, “prejudica os esforços de guerra e para a libertação dos reféns” detidos pelo Hamas, organização que vários países, incluindo Israel, EUA e União Europeia, consideram terroristas.
A Administração Regional das águas do Sul, (ARA-Sul), apela a retirada urgente da população que reside exerce suas actividades nas zonas baixas do Rio Umbelúzi, no distrito de Boane, província de Maputo.
Trata-se de um alerta que surge na sequência da previsão da ocorrência de inundações, devido ao incremento das descargas na barragem dos Pequenos Libombos.
Ontem a Administração Regional das águas do Sul, incrementou os níveis de descargas na barragem dos Pequenos lLibombos, de 50 para 100 metros cúbicos de água por segundo, visando criar capacidade de encaixe na albufeira.
O facto é que neste momento a barragem dos Pequenos Libombos, está com cerca de 96 por cento do nível de armazenamento, numa altura em que há registo de fortes precipitações na zona de afluência do rio Umbelúzi.
Com as descargas que estão a ser feitas desde ontem na Barragem dos Pequenos Libombos, espera-se que para além das inundações nas zonas baixas do Rio Umbelúzi, haja registo de condicionamento na travessia dos drifts de Umpala e Mazambanine, tal como explicou a chefe do Departamento de Recursos Hidricos, na Ara-Sul, Lizete Dias.
Nas últimas 24h00, a província de Maputo registou fortes precipitações em quase todos os distritos, o que está a provocar situações de inundações e intransitabilidade.
Município da Matola apoia vítimas das indundações
Na cidade da Matola, província de Maputo, o Conselho Municipal acaba de disponibilizar centros de acolhimento em três postos administrativos, para acolher famílias fortemente afectadas pelas chuvas intensas que continuam a cair.
Trata-se de centros localizados no Instituto Industrial da Matola no posto administrativos Matola-Sede, Igreja Assembleia de Deus, Escola Primária Muchisso e Escola Primária Completa 8 de Marco, na Machava, Comité de Círculo de Nkobe e Escola Primária Completa do Intaka no posto administrativo de Infulene.
Naquela manhã, Geremias Mendoso chegou ao estúdio da Stv meio tímido. Mal nos conhecíamos, mas tínhamos a mínima ideia um do outro. A primeira vez que li os seus textos foi na quarta edição do Prémio Literário Fernando Leite Couto, no qual tive o privilégio de ser um dos membros do júri. Apaixonei-me pela sua escrita trágica e hilariante, simples e densa, sensível e acutilante. Também por isso, foi difícil encontrar apenas um vencedor do concurso. Para se desembaraçar da situação, o júri escolheu dois vencedores: Maya Ângela Macuácua e Geremias Mendoso, um jovem simpático, mas sereno, com alma de escritor, mas humilde. Quando chegou ao estúdio, naquele nosso último encontro, mal acreditava que tinha vencido mais um prémio literário. Pelo contrário, caminhava como se pedisse autorização para pisar o chão. Parece que foi ontem, mas, de repente, eis que uma mensagem do seu editor, Celso Muianga, chega a informar-me: “Cumpre-me o doloroso dever de anunciar a morte do escritor Geremias Mendoso, vítima de acidente de viação”. Nunca mais nos encontraremos com Geremias Mendoso, nunca mais falaremos de literatura e destas coisas que escolhemos fazer com ele. A mim cabe lembrá-lo com a seguinte entrevista, feita nos estúdios do programa Artes e Letras, a propósito do livro laureado no Prémio Literário Fernando Leite Couto, em 2022.
Como é que se explica que os seus primeiros dois livros tenham logo conquistado prémios literários?
Foi uma surpresa, para mim, não esperava… Eu escrevi esses dois livros da mesma maneira. Ambos têm umas sequências entre o trágico e o hilariante. A ideia de escrever Quando os mochos piam está ligada a outro livro, O gato que chora como pessoa. Em África, esses dois animais, o mocho e o gato, anunciam tragédias. Por exemplo, a morte de um parente ou de alguém que conhecemos. Neste livro, Quando os mochos piam, uso o mocho como narrador dessas histórias.
Escrveu Quando os mochos piam para concorrer ao Prémio Fernando Leite Couto?
Não, não fiz isso. Não costumo escrever para concorrer a um prémio. É o que sempre digo. Os prémios são acidentes de percurso.
Mas no seu caso não parece um acidente de percurso, mas uma regra, já que venceu dois prémios com os seus dois primeiros livros…
Eu escrevi Quando os mochos piam em 2020, depois de ter publicado O gato que chora como pessoa, o que aconteceu em pouco tempo. Depois guardei, como tenho feito. Este livro, praticamente, estava em baixo da almofada.
Porquê?
As possibilidades de publicação, muitas vezes, são difícies e, em Nampula, até onde sei, não há uma editora a funcionar. Então, escrevi esse livro e guardei, mas sempre que pudesse, fazia a revisão ortográfica e gramatical, eliminando as inconsistências e algumas coisas que eu achava pertinente. Só depois é que soube, pela internet, que havia o concurso literário. Aí a primeira coisa que fiz foi revisitar o livro, e vi que reunia os requesitos exigidos pelo concurso. E submeti o livro.
Como é que o livro acontece?
Quando os mochos piam acontece de uma forma triste e alegre ao mesmo tempo. Escrevi este livro na margem da mágoa.
Como se estivesse a rir das nossas próprias desgraças?
Exactamente! Temos a parte da diversão e da tristeza. Mas o que eu pretendo é dar a conhecer aos moçambicanos e ao mundo a nossa tradição e aquilo que as pessoas não sabem sobre Moçambique. Gostaria que este livro viajasse pelo mundo e fosse lido por aqueles que não sabem que Moçambique existe.
Tal como no seu primeiro livro, neste Quando os mochos piam também temos um conto com um gato na origem da personificação…
Dá-me muito prazer fazer isso e acho que é uma forma de dizer que os animais estão muito presentes na minha criação.
E Quando os mochos piam é uma forma de mergulhar na alma humana, de modo a retirar de lá algumas virtudes e algumas imperfeições. Como é trabalhar o espírito humano nesse sentido e o que isso exige de si?
Eu quis fazer com que, nos que lêem, a maldade deixasse de fazer sentido. Essa minha pretensão se evidencia, sobretudo, no conto “O vizinho”, que retrata um homem pobre e que, de repente, enriquece. A certa altura, há uma personagem que diz: “Não se pode combater a riqueza absoluta isolando os pobres”.
Isso faz-me lembrar o texto “Sapatos do outro homem”, sobre desconfianças entre casais e coisas assim. Temos um homem que encontra sapatos masculinos no quarto e conclui que a mulher o traiu. Não se conforma com isso, mas nada pergunta à mulher. Mais tarde, a personagem experimenta grandes reviravoltas por causa da sua desconfiança. O que quis fazer desse conto?
Quis retratar essa mania que temos de não gostarmos de perguntar certas coisas. A dúvida é importante e, como dizia um certo filósofo, a dúvida é o princípio da sabedoria. Então, sempre que tivermos uma dúvida, é importante perguntarmos àqueles que estão perto de nós. É muito importante saber.
Este livro também tem uma componente comunitária. Conseguimos sentir as pessoas, os casais, os vizinhos e etc. Isto exige muita capacidade na activação dos seus sentidos?
Exacto. Eu escrevo histórias e gosto de tratar dos factos dessas histórias com sensibilidade. É isso que me caracteriza. Sobre os vizinhos, acabo por me aperceber de alguns acontecimentos que marcam a minha vida e que os registo em forma de histórias. As histórias já existem, o que importa é o que vem depois disso. Afinal a ficção é feita com base na realidade e a realidade também pode existir com base na ficção.
No dia em que foi anunciado como um dos vencedores do Prémio Fernando Leite Couto, esteve na fundação que organiza o concurso. O que lhe ocorreu minutos antes e depois que o presidente do júri, Francisco Noa, pronunciou o seu nome?
Foi uma surpresa, porque eu não esperava. Às vezes, fazemos as coisas e não esperamos pelo resultado. Quando a organização me ligou para comparacer na cerimónia, na altura, disse-me que eu era um dos finalistas. Então, julguei que iria participar na cerimónia nessa condição de finalista.
E ter sido pago uma passagem de Nampula para Maputo não lhe sugeriu nada?
Nada. Foi mesmo uma surpresa e gostei ainda do facto de sermos dois vencedores. A Maya [Ângela Macuácua] me salvou dessa turbulência e gosto do romance dela. Ela escrve muito bem!
O livro foi mais escrito a chorar ou a sorrir?
Escrevi a sorrir e a chorar ao mesmo tempo. Nada pesou amais. O que faço é, sempre que escrevo um livro, depois encontro um momento para rever. E quando falo de revisão, não é algo apenas linguístico, pois não devemos fazer com o texto aquilo que não é bom. Então, temos que retirar ou incluir alguma coisa.
O que espera de Quando os mochos piam?
Espero que, como todos os livros, que seja lido e viaje para todo o país e as pessoas conheçam a cultura através do livro.
A cultura pode continuar a ser essa ponte que nos leva a algum horizonte?
Pois, porque o autor pode não estar em algum lugar, mas o livro lá chegar.
Neste livro temos Nampula muito presente. Como é que a sua cidade tem contribuído para a sua escrita?
É uma agrande referência porque foi de lá que comcei tudo. Em Nampula há muita coisa que não é conhecida. A Ilha de Moçambique é mais conhecida do que Nampula. A cidade, na verdade, passa a ser conhecida, um bocado, porque as pessoas têm de passar de lá quando vão a Ilha. Nampula me construiu, como pessoa, e deu-me uma visão diferente de Moçambique e de África. Sempre será um lugar de referência e é por isso que a cidade está na minha escrita, mas com uma preocupação universal.
Quer construir-se como contista?
O conto não é o primeiro género literário que explorei, mas a poesia. Eu tenho um livro de poesia que ainda não foi lançado. Comecei a escrever poesia e, depois, migrei para outros géneros, incluindo romance e crónica. Então, não quero fazer apenas uma coisa. É preciso fazer muitas coisas para não fazer nada.
É esse o seu lugar, a literatura na sua pluralidade?
Exactamente! A literatura na sua pluralidade.
Sugestões artísticas para os leitores do jornal O País?
Sugiro Terra sonâmbula, de Mia Couto, Orgia dos loucos, de Ungulani ba ka Khosa, Novos contos da montanha, de Miguel Torga, O meu pé de laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos.
Perfil
Geremias José Mendoso nasceu no dia 22 de Agosto de 1996, na Cidade de Nampula. É enfermeiro licenciado pela Faculdade de Ciências de Saúde da Universidade Lúrio. Tem também uma formação em Primeiros Socorros e em Epidemiologia de parasitas oportunistas. Publicou O gato que chora como pessoa e Quando os mochos piam.
O Presidente da República, Filipe Nyusi, felicitou, hoje, o primeiro-ministro da República Portuguesa, Luís Filipe Montenegro Cardoso de Morais Esteves, pela indigitação para o cargo de Primeiro-Ministro da República Portuguesa.
Na sua mensagem, o Chefe do Estado afirma que a indigitação de Luís Montenegro para a nobre função de primeiro-ministro daquele país, evidencia a confiança que o povo e a direcção máxima da República Portuguesa depositou nele para conduzir os destinos da nação portuguesa nos esforços visando a prossecução da agenda de desenvolvimento.
“Estou certo, que durante o vosso mandato continuaremos a consolidar as nossas relações de amizade e cooperação, abrindo novas perspectivas e prioridades em áreas de interesse mútuo para o bem-estar dos nossos povos”, diz a mensagem do estadista moçambicano.
O Presidente Nyusi demonstra, na sua carta, a sua disponibilidade para trabalhar com Portugal e, particularmente, com o seu governo, quer no aprofundamento das relações bilaterais, quer das relações multilaterais no âmbito das organizações internacionais.
Com Carla Covane (12 pontos e 10 ressaltos) e Odélia “Mafa” Mafanela (10 pontos e 11 ressaltos) a fazerem sociedade, na área restritiva, o Ferroviário de Maputo voltou a vencer o Costa do Sol (50-46), em jogo da jornada 1 do Torneio de Abertura. Sem operador de 24 segundos, e jogar-se 12 minutos por cada quarto, houve resultado apertado por conta de um Costa do Sol que deu luta mesmo limitado.
Foi, feitas as contas, a segunda vitória do conjunto de Nasir “Nelito” Salé diante das “canarinhas”, num espaço de uma semana. É verdade, até porque o Ferroviário conquistara semana passada a Supertaça Jogabets, superiorindo-se às vice-campeãs nacionais.
Sem Ingvild “Inga” Mucauro, com contratado expirado e as duas partes a não se entederem para a sua renovação (ndr: a atleta esteve a assistir ao jogo) e Eleutéria “Formiga” Lhavanguane, o Costa do Sol esteve condicionado nos instantes iniciais do primeiro quarto tanto ofensiva como defensivamente.
E o resultado? Com um jogo interior mais forte, onde se destacou Carla Covane a jogar bem de caras e costas para o cesto e ganhar as segundas bolas, as campeãs nacionais fizeram um parcial de 8-0. Desconto de tempo solicitado por Loenel Manhique para fazer os ajustes. Reagiu, depois, o Costa do Sol com Nilza Chiziane e Deonilde Cuamba a desequilibrarem na área restritiva. O parcial de 15-11, no final do primeiro quarto, era um claro indicativo de que o jogo não seria tão fácil para o Ferroviário de Maputo, que se apresentou com maior clarividência ofensiva no primeiro quarto.
Com o segundo quarto, veio um Costa do Sol que tinha, para não variar, no seu jogo interior a grande arma. Pois, com tiros curtos (jump shot), Nilza Chiziane revelava-se mortífera. Com dificuldades, em alguns ataques para fazer os bloqueios, o Ferroviário de Maputo permtiu que o Costa do Sol ganhasse as sgundas bolas. Mas, em stuações de ataques posicionais e contra-ataques, a equipa de Nelito manteve o resultado sempre favorável. No final do segundo quarto, o parcial era de 17-16, e o marcador indicava 32-27 ao intervalo.
Antevia-se, tal como veio a acontecer, um terceiro quarto equilibrado com o Costa do Sol a procurar ir buscar cinco pontos de desvantagem. Mau grado o facto do seu “coach” Leonel Manhique (Mabê) ter sido sancionado com uma segunda falta técnica por reclamação ao trabalho de António Engless (que foi coadjuvado por Edmilson Lopes).
Clede Machava (jogadora que se transferiu da A Politécnica para o Costa do Sol) destacou-se, nesta etapa, com algumas penetrações pelo corredor central. Bom período do Costa do Sol que continuou a ter em Nilza Chiziane, igualmente, a sua jogadora desequilibradora. Nasir “Nelito” Salé fez a rotação da equipa, lançando Bruna Argélio para refresacar a posição 1, para além de Dulce Mabjaia, Rosa Cossa e Ornília Mulhui, mas a equipa verde-e-branca teve a pior pontuação do jogo: 8 pontos contra nove do Costa do Sol ao cabo desta etapa. À entrada do último quarto, o Ferroviário de Maputo vencia por 40-3. Havia jogo, no pavilhão do Desportivo, a avaliar pelos três pontos de diferença e reacç ão do Costa do Sol.
Mas foi mesmo expectativa, porquanto a pontuação do jogo baixou. O Costa do Sol viu Nilza Chiziane ser desqualificada com cinco faltas. Os dois conjuntos, com algum desgaste físico, não conseguiram fazer um quarto período intenso.
OUTROS RESULTADOS
Com uma equipa rejuvenscida, o Desportivo de Maputo entrou com o pé direito no Torneio de Abertura de Basquetebol em seniores femininos. O conjunto de Lourenço Buque derrotou, sábado, no seu pavilhão, as Águias Especiais por cinco pontos: 55-50. Bem ao lado, no pavilhão do Maxaquene, a equipa da casa perdeu com a A Politécnica por 60-39. Lázio ficou de fora devido ao número ímpar de equipas.
COSTA DO SOL INICIA DEFESA DO TÍTULO COM VITÓRIA
O Costa do Sol, detentor do título, arrancou a sua participação na prova com uma vitória diante das Águias Especiais, por 72-54. Por sua vez, o Ferroviário de Maputo bateu a New Vision (que está a ganhar rodagem para atacar à fase de acesso à Liga Moçambicana de Basquetebol) pela marca de 105-68.
Há ainda a assinalar as vitórias do Maxaquene “A” sobre a A Politécnica (58-46) e Universidade Pedagógica diante do Maxaquene “B” (73-60).