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Cerca de 1,3 milhões de pessoas foram forçadas a abandonar as suas zonas de origem em Moçambique desde 2017, devido à violência armada no norte do país. Deste total, 661.532 continuam deslocadas internamente, enquanto 721.691 regressaram aos seus distritos de origem, segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

No relatório operacional referente ao primeiro semestre de 2026, a agência indica que os ataques de grupos armados provocaram 26.184 novos deslocados entre Janeiro e Junho, em vários distritos da província de Cabo Delgado. Muitos dos afectados foram obrigados a deslocar-se mais de uma vez.

O ACNUR considera que a situação humanitária continua complexa, devido à persistência da violência em distritos como Ancuabe, Chiúre, Macomia, Mocímboa da Praia, Palma, Quissanga, Muidumbe e Nangade.

Para além dos ataques contra civis e infra-estruturas, a agência assinala que os grupos armados têm visado cada vez mais os meios de subsistência das populações, incluindo campos agrícolas, actividades pesqueiras e locais de exploração mineira, agravando a vulnerabilidade das comunidades.

O relatório indica ainda que Moçambique acolhe 24.217 refugiados e requerentes de asilo, provenientes sobretudo de países da África Central e Oriental.

Entre Janeiro e Junho deste ano, o ACNUR prestou assistência directa a 39.699 pessoas, incluindo deslocados internos, refugiados e famílias vulneráveis, através da distribuição de bens essenciais e apoio monetário. A agência apoiou igualmente 15.804 pessoas com assistência jurídica e 8.637 na obtenção de documentos de identificação.

No âmbito do reforço dos serviços de protecção, está em curso um projecto de 34 meses, lançado em Março, em parceria com os Governos de Moçambique e do Japão. A iniciativa prevê a construção ou reabilitação de 27 postos de atendimento em Cabo Delgado, com o objectivo de facilitar o acesso à documentação civil de mais de 100 mil pessoas e prestar assistência jurídica a outras 45 mil.

Para 2026, o ACNUR solicitou 61,3 milhões de dólares para financiar as suas operações em Moçambique e Angola. Contudo, até Junho, apenas 38% do montante tinha sido disponibilizado, deixando um défice de financiamento de 38,2 milhões de dólares.

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Os Mambas vão defrontar Mali, Guiné-Bissau e Eswatini, no grupo I de qualificação ao CAN de Marrocos, em 2025, segundo ditou o sorteio realizado esta quinta-feira pela CAF. A fase de qualificação arranca em Setembro próximo.

Moçambique fazia parte das 48 selecções que esperavam conhecer seus adversários nos doze grupos criados na caminhada rumo ao CAN-2025. O sorteio realizado esta quinta-feira em Joanesburgo ditou que o combinado nacional vai defrontar Mali, do pote 1, Guiné-Bissau, do pote 3, e Eswatini, que saiu do último pote.

Vai ser uma campanha que marca o reencontro entre irmãos da língua portuguesa, nomeadamemnte Moçambique e Guiné-Bissau, que estiveram juntos na campanha para o CAN-2019.

Para os Mambas vai ser uma oportunidade de vingança, depois dos Djurtus terem afastado a selecção de Moçambique da fase final do CAN de Egipto, com empate a dois golos em Bissau, quando uma vitória era suficiente para os moçambicanos.

Com a Guiné-Bissau, Moçambique já cruzou caminho em três ocasiões, onde soma dois empates a dois golos na qualificação ao CAN, e uma derrota, num particular realizado em Portugal.

Mali, outro adversário, cruzou caminho dos dos Mambas em 1995 na qualificação ao CAN da África do Sul, com as duas selecções a dividirem vitórias, nomeadamente 2-1 para Mali em Bamako, e 1-0 para Moçambique, em Maputo.

Já Eswatini é a selecção com a qual Moçambique tem mais jogos no grupo I, nomeadamente 20. Destes, os Mambas venceram 12 jogos, perderam dois e empataram seis.

Outros destaques das selecções dos PALOP´s vão para Cabo Verde, inserido no grupo C, com Egipto, Mauritânia e Botswana, e Angola, no grupo F, juntamente com Gana, Sudao e Níger.

A fase de qualificação ao CAN de Marrocos arranca em Setembro com a disputa das primeiras duas jornadas. A fase final vai decorrer de 21 Dezembro de 2025 a 18 Janeiro de 2026.

Qualificam-se à fase final da prova os dois primeiros classificados de cada grupo, à excepção do grupo B, onde apenas uma qualifca-se, em virtude do Marrocos já estar qualificado automaticvamente, por ser o país anfitrião.

 

EIS O SORTEIO DO CAN-2024

GRUPO A
Tunísia
Madagáscar
Comores
Gâmbia

GRUPO B
Marrocos
Gabão
Rep. Centro Africana
Lesotho

GRUPO C
Egipto
Cabo Verde
Mauritânia
Botswana

GRUPO D
Nigéria
Benin
Líbia
Ruanda

GRUPO E
Argélia
Guiné-Equatorial
Togo
Libéria

GRUPO F
Gana
Angola
Sudão
Níger

GRUPO G
Costa do Marfim
Zâmbia
Serra Leoa
Chad

GRUPO H
RD Congo
Guiné-Conacri
Tanzania
Etiópia

GRUPO I
Mali
MOÇAMBIQUE
Guiné-Bissau
Eswatini

GRUPO J
Camarões
Namíbia
Quénia
Zimbabwe

GRUPO K
África do Sul
Uganda
República do Congo
Sudão do Sul

GRUPO L
Senegal
Burquina Faso
Malawi
Burundi

Afinal, o que inquieta os moradores de Boquisso, que se queixam de ameaça à segurança das suas casas, não é um areeiro, mas sim um projecto de construção de uma infra-estrutura militar. O esclarecimento foi feito pelo Ministério da Defesa Nacional (MDN), que garante que as famílias afectadas serão reassentadas.

O jornal O País noticiou, esta terça-feira, que moradores de Boquisso e Ngolhosa se queixavam de um areeiro, na área de servidão militar, que põe em risco as suas casas.
Entretanto, esta quinta-feira, o Ministério da Defesa Nacional levou a imprensa ao suposto areeiro para explicar a situação.

O primeiro ponto do esclarecimento é que não é um areeiro, mas sim o início de um projecto de construção de um campo de treinamento militar do Ministério da Defesa Nacional.

“Trata-se de um projecto, na área de servidão militar, onde o quartel contactou os Serviços Provinciais de Infra-estruturas de Maputo, e este serviço concedeu à unidade um parceiro que está a trabalhar connosco, porque não temos condições de fazer estas escavações de modo a implantar a infra-estrutura que pretendemos.”

O que não está claro é a razão de a população estar a reclamar da existência deste projecto, porque, segundo avança o Ministério da Defesa, os residentes nas proximidades foram informados.

“Antes de começarmos, tivemos um encontro com as populações nas proximidades para explicar que é um projecto de uma infra-estrutura militar.”

O quartel de Boquisso garante que já foram identificados terrenos para o reassentamento de algumas famílias que se encontram naquela área de servidão militar.
A empresa responsável por fazer as escavações tem como pagamento a areia que extrai do local.

Lembre-se que o governador da Província de Maputo tinha dito que o projecto seria suspenso, como forma de garantir que as casas dos residentes nas proximidades não sejam afectadas, o que não chegou a acontecer.

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) abortou uma tentativa de tráfico de pessoas, na Província de Manica. As vítimas são dois menores, que seriam vendidos por 10 milhões de meticais.

Dois menores que vivem de “biscates”, no Mercado Feira, em Chimoio foram contratados para, supostamente, trabalhar em uma machamba, no Distrito de Sussundega. Entretanto, a caminho do local, onde trabalhariam, perceberam que não havia nenhum emprego.

“Quando já estávamos a caminho de Sussundenga, descemos para comprar cana, mas uma das pessoas que estava connosco falou com o chefe, e disse que já tinha dois cabritos. Então, o tal chefe disse que estava tudo bem e que as cabeças podiam ser entregues”, conta uma das vítimas.

O sinal de alerta soou quando apareceu um outro carro, que também ia buscar os dois menores, que, até o momento, estavam convictos de que se tratava de um trabalho. “Apareceu, depois, outro carro para subirmos. Disseram que já era para trocar de carro. Então, eu comecei a desconfiar e neguei de subir o carro, e disse meu amigo para também não subir, e começamos a correr”.

Os dois suspeitos, agora detidos, culpam um ao outro pelo ocorrido. “Ele veio à minha casa e disse que vão me pagar 10 milhões, cinco por cada pessoa”, disse um dos suspeitos.

O SERNIC diz que não há dúvidas de que se tratava de uma tentativa de tráfico de orgãos e de seres humanos. “Os dois indivíduos são imputados o crime de tráfico e de seres humanos e os mandantes do crime serão responsabilizados”.

Por: Domingos Mucambe

 

No cair do pano escuro, as trevas inundavam a Cidade de Maputo. Ao longo da Kim Il Sung, ouvia-se ainda orquestras de pássaros nas árvores. Os chilreios pressagiavam e (pré)prefaciavam a exposição inaugurada precisamente às 18 horas deste dia 3 de Julho, na Fundação Fernando Leite Couto.

“Jardins de sonhos”, afinal as árvores e aves ainda prenunciavam muito mais, foi um constante desafio e atracção para os apreciadores das artes: as cores vibrantes, as figuras de aves, de árvores, de seres humanos e outros delírios, que bailam entre si, entre os espectadores, confundiam-nos e abraçavam-nos forte. Entre caras e caretas, figuravam as certezas nos rostos, que iam desaparecendo a cada pintura apreciada ou confronto na aguarela de Languana.

Como adiantou a curadora, Yolanda Couto, “entro neles [os quadros] devagar, como se acordasse às primeiras horas, entre o consciente e o inconsciente […]”.
Aldino Languana (n. 1972) expõe-nos, entre aspas, muito mais do que os papéis pintados com aguarela. Acaba descortinando um pouco a sua pele e acabamos por espreitar a sua alma, “os seus espíritos nocturnos invisíveis”.

Com vasta experiência, o artista passou por vários ateliers de grandes mestres, como João Tinga. Efectuou também exposições colectivas, já são cinco só este ano entre núcleo das artes e Galeria do Porto de Maputo, e exposições individuais, que, com “Jardins de sonhos”, contamos sete.

A sessão de abertura da nova individual de Languana contou com a presença de várias figuras proeminentes das artes, entre poetas, pintores, críticos e filosófos. A introdução com o poema laudatório esteve na responsabilidade do poeta Alvin Cossa, que nos levou, em ronga, talvez, a uma volta à infância de Languana, afinal, “uma vez criança, para sempre criança”.

O poema declamado por Alvin Cossa, em ronga, foi de encontro com a camada mais velha, da terceira idade, e daqueles que só entendem a língua. Para os mais afro, que acederam, ao evento, foi uma ode… Para outros, foi uma contextualização do artista e da exposição. Situou-se tanto o artista como a obra em algum espaço, e, talvez, num certo tempo. Para outros outros ainda, Cossa revitalizou a língua bantu e difundiu a cultura. Contudo, em geral, a temática da poesia perdeu-se entre palavras complexas, metáforas e analogias que fugiam do entendimento dos jovens que lá se encontravam. Carregou-se o ronga e, com o que dava para captar e ouvir, criou-se um ambiente anímico que, posteriormente, descobrimos que não era genericamente propício para a exposição muito mais introspectiva. A elevação da voz, a entonação, o stress de algumas palavras, e os gestos bruscos incitavam-nos para euforias e marrabentas.

A seguir ao poema laudatório, interveio o docente e filósofo Severino Ngoenha. Com o que lhe caracteriza, levou-nos a viagens filopoéticas e aterramos em Berlim, e, depois, questionamos as imteligências artificiais (sistemas computacionais capazes de realizar tarefas que, normalmente, exigem inteligência humana) no mundo contemporâneo.

Severino Ngoenha conduziu-nos para longe: geograficamente e temporalmente. Viajamos pela Europa e Ásia e pelos tempos antigos e medievais para chegar até Languana, até à FFLC, até o dia 3, até às 18 horas.

Ngoenha deu-nos um cheirinho do seu faro aguçado e implantou em nós, o público, a curiosidade em ver de perto os quadros “Cão de guia” e “Apocalipse”, questionando-se: “Será que o cão guia nos leva ao Apocalipse ou a saltar o Apocalipse?” [paráfrase]. Sem respostas categóricas, o filósofo finalizou a sua intervenção de forma magistral, quando aguçou ainda mais a nossa curiosidade e levou-nos a apreciar além cores das aguarelas: “O estético é o formal (nas artes), as cores, as formas […]. Mas o estético traz o que é ainda mais relevante […], a mensagem que se esconde atrás dela, e atrás da mensagem [escondida], esconde-se também a verdadeira face do artista”.
A paleta de cores de Languana é um arco-íris, um hino à vibração da vida dinâmica, movimentada e cheia de cores: rosa, vermelho, branco, preto, muito azul e verde. Trata-se de uma longa odisseia entre cores, uma aventura entre achados e perdidos. Nós fomos achados e perdidos por nós mesmos quando mergulhamos nas águas profundas de Languana. Há borboletas dentro do pintor, há vidas, há aves.

Falando de aves, o lado escuro e as penumbras são habitados por pássaros. Talvez, os ‘espíritos invisíveis’ do artista, em conversas, não falam, piam.
Por se tratar da aguarela sobre papel, as obras estão em quadros e com vidros. O que não impede uma boa apreciação. Pelo contrário, as molduras ajudam na conservação das obras, num bater de palmas, minúncias e cuidado acrescido.

Na curadoria da mostra, vê-se que a iluminação não é unânime. Na sala principal, onde estão expostas mais obras, a iluminação é abrangente. As luzes dessa sala iluminam as peças e a imaginação. Todos, até os que já andam com problemas de vistas, conseguiram apreciar muito bem as aguarelas. Contudo, na sala mista, onde outras vezes usa-se para outros fins, apresenta-se ora focos de maior luz ora de menor incidência da luz. A obra “Dhuna”, por exemplo, encontra-se bem iluminada, o que valeu elogios de vários visitantes. Mas as obras “Xipamanine” e “Marrabenta” estão expostas em paredes que a luz não alcança, o que resultou em abandono total das mesmas. Ficaram invisíveis.

O ambiente mergulhado nas vozes das conversas paralelas das pessoas deram uma outra vida à exposição. O silêncio que, provavelmente, era para introspecção, acabou sendo invadido e interrompido pelas vozes dos visitantes. Talvez, uma música no fundo, condizente com a exposição, daria um outro ar e aprofundaria ainda mais a atenção dos espectadores.

Em suma, o ambiente nocturno deu mais serenidade à exposição. A mistura de cores faz da exposição envolvente. “Jardins de sonhos” é uma caminhada entre distintos mundos: o consciente e o inconsciente, o material e o transcendente, entre o humano e animal (talvez, as figuras de animais sejam um lembrete do quão somos animais) ou entre o real e o abstrato.

Apenas 17 por cento da população moçambicana tem acesso aos serviços de seguros. O facto deve-se à existência de pacotes de seguros que não correspondem ao interesse das pessoas. O facto foi apresentado, esta quarta-feira, durante a segunda conferência anual de seguros.

Cerca de 83 por cento dos moçambicanos não usam os serviços de seguros, e isso desafia o sector a adoptar pacotes que respondam às reais necessidades das pessoas. A informação foi avançada pelo o representante do Standard Fundo de Pensões.

“Se outrora era possível nós, enquanto operadores, operarmos de forma isolada, hoje em dia, para darmos vazão ao mercado, temos de criar um novo sistema.

ombinamos o seguro tradicional, a falha de seguro de vida, plano funeral, seguro de saúde, por aí em diante. Então, é dessa forma que nós, enquanto operadores de pensões, também olhamos de forma holística e oferecemos, não um produto ao nosso cliente, mas oferecemos uma solução. Olhamos para o perfil do cliente e dizemos algo que vá ao alcance das suas necessidades”, explicou o representante do Standard Fundo de Pensões, Agnaldo Mavera.

Foi falando durante o painel de debate, nesta quarta-feira, sobre o papel da transformação digital e microsseguros na aceleração do acesso aos serviços de seguros, que o administrador-executivo do Instituto de Supervisão de Seguros disse que a educação financeira é crucial para incluir aquelas pessoas que vivem em zonas distantes ou que têm pouco entendimento sobre o que é, como funciona e quais são as vantagens de estar assegurado.

“No contexto da educação financeira em seguros, desenvolvemos várias acções com o objectivo fundamental de poder massificar o conhecimento dos produtos de seguros, de conceitos relacionados à actividade de segurador e inspirado numa base de alargar para as populações que vivem em zonas rurais e, sobretudo, pessoas que normalmente não são alcançadas com canais tradicionais de distribuição de informação.”

Mércio Sitoe explicou, ainda, que o projecto em curso de literacia financeira em seguros é feito nas línguas locais, e buscam-se formas de incluir estes conteúdos no currículo nacional.

Do Brasil, através do conselheiro da Resseguradora do Brasil, António dos Santos, a experiência diz que o seguro deve ser direcionado às populações carenciadas.

“Se você perder a sua bolsa, não vai acontecer nada com a sua vida. Você vai ficar um pouco chateado. Se você perder o seu carro, não vai acontecer nada com a sua vida.

ocê vai ficar um pouco chateado. Mas para aquela pessoa que esperou a vida toda para ter um carrinho de pipoca, ou para ter a sua banquinha, ou para ter o seu carrinho para poder fazer um serviço, para trabalhar, perder aquele trem, e voltar para a classe social anterior. Então, de facto, quem precisa de seguros é o vulnerável.”

O preço do seguro, apontado como um dos desafios para o acesso, principalmente ao seguro de saúde, foi debatido no segundo painel, subordinado ao tema “Serviços privados de saúde e a sustentabilidade das seguradoras”.

Na sua intervenção, Jacques Massingue, que foi orador principal, abordou o facto de as seguradoras e as clínicas privadas estarem numa luta em que um quer sair a ganhar, independente de prejudicar ou não o outro. E nesta operação há alguém que é esquecido, o cliente, ou seja, o paciente, num processo que nomeou como fraudes e uso abusivo dos recursos, e explica.

“Por uso abusivo, estou a falar da atitude oportunista de olhar para um paciente em seguro de saúde como um cheque em branco. Chego ali, eu pergunto: tem seguro ou não? Se a resposta é tem seguro, aí já temos o cheque em branco. Vamos ver o que é que nós podemos facturar. Por que é que não fica mais um dia? Por que é que tem de voltar hoje? Há internamentos desnecessários, há exames médicos desnecessários, há intervenções clínicas e estadias em hospital. Uma pessoa fica no hospital 24/48 horas, não viu o médico”, disse Massingue, CEO da Momentum, apontando esta como uma operação para reduzir os custos administrativos das seguradoras, apesar de lesar o paciente que passará a pagar por um seguro mais caro ou estará retido no hospital porque a seguradora irá recusar-se a pagar o valor das consultas.

No entanto, as opiniões eram divergentes, no que concernia ao facto de afinal quem está a roubar a quem.

E foi o Presidente da Associação dos Hospitais Privados que, embora não tenha conseguido explicar a razão de as facturas tramitadas através das seguradoras serem mais caras em relação a um individual, acusou as seguradoras de se aproveitarem do dinheiro das pessoas.

“Estes trabalhadores, quando entram nas nossas clínicas, na verdade, nós, antes de atendermos, estou falando do plano de saúde (não estou falando do seguro de saúde, eu não entendo nada de seguro de saúde), nós temos uma linha do outro lado, nós temos de entrar em contacto, pedir autorização. Pois, embora ele já tenha cobrado aquele dinheiro, já está com ele no bolso. Nós já atendemos, mas, às vezes, o próprio paciente quer um check-up. E nós apresentamos as facturas, as empresas de plano de saúde simplesmente dizem que não. Porque é que você fez o check-up? Mas, meu caro amigo, aquele dinheiro é do dono, você já recebeu”, disse.
E surgiu um apelo, vindo da plateia.

“Quando nós reconhecemos o facto que nós estarmos a tratar saúde, estamos a tentar, especialmente no sector privado, estamos a tentar dar saúde num nível alto, os custos também são proporcionalmente altos.

E não é culpa de um ou outro que quer defraudar outro. Não, não é isso. Certamente, não é o técnico de saúde que quer fazer isso. O técnico de saúde quer prestar o melhor serviço possível. Não é só no sector privado, mas também no sector público. E sector público, não podemos esquecer por um momento que 99,5% da população moçambicana não tem capacidade de receber nenhum ou todo esse circuito de saúde que nós estamos aqui a falar. Por isso, temos de investir, também, no sistema público”, disse um médico fisioterapeuta.

O bastonário da Ordem dos Médicos também deixou a sua opinião, exigindo respeito e consideração à pessoa, ao paciente, o actor central deste debate, pois, sem ele, nem as clínicas, muito menos as seguradoras teriam razão de existir.

“Este problema da fraude afecta directamente aquele princípio que é de seguros, que é o de mutualismo, não é? Acaba afectando todos aqueles que não cometem a fraude, mas, por conta disso, também vêm os seus prémios depois agravados, porque as empresas seguradoras acabam perdendo, de certa forma, a sua capacidade financeira de atender os vários sinistros que eventualmente depois possa haver dos clientes honestos.”

Ultrapassada a questão dos preços, iniciou-se um outro debate sobre as estratégias de prevenção e detecção de fraudes, e foi ouvido um especialista, Philip Thorne, da Sedwick, que disse que o país está na posição 19 ou 11, dependendo do tipo de pesquisador, a nível de índice de criminalidade na África Austral.

Porém, apesar de o estudo colocar o país distante deste crime, quem opera na área diz que não é bem assim.

“Nós sabemos, na verdade, quem são os membros do Sindicato de Fraude de Moçambique. Nós sabemos. Sabemos. Os autores, Morais, os mandantes, as oficinas, os colaboradores das corredoras, os correctores que andam envolvidos também em fraude. Acho que talvez nos falte uma espécie de coragem de desactivarmos este núcleo e expormos o suficiente para desencorajar-se”, disse Ruben Chivale, presidente do Conselho Directivo da Associação Moçambicana de Seguradoras de Moçambique.
Por isso, apela-se ao envolvimento das seguradoras, dos prestadoras de serviços, do Governo, bem como dos clientes, os principais visados.

Os produtores pecuários reclamam de excessiva burocracia no processo de obtenção de DUAT para os projectos de criação de gado. A falta de indústria de processamento e a crescente onda de contrabando de carnes, segundo estes,  têm minado o desenvolvimento do sector.

O Fórum Nacional de Pecuária é um dos  eventos que os promotores foram forçados a interromper devido à  pandemia da  COVID-19. E, de lá para a esta parte, o sector foi acumulando vários problemas que, segundo os produtores, condicionaram o seu desempenho.

Os processos burocráticos para a obtenção de DUAT  têm sido, nos últimos anos, um grande entrave  para os produtores de gado, que dizem estar a enfrentar desafios para apascentar o seu gado.

“Desde 2001, não temos  DUAT e, quando vamos para a Matola, dizem que ainda não assinaram.  Quando voltamos para a  comunidade, esta,  por sua vez, não nos deixa desenvolver as nossas actividades pois não acreditam sermos detentores daquelas terras de pastagem”,  reclamou Boavida Muthombene, produtor de gado.

A Associação dos Avicultores quer mais do que a aceleração dos processos burocráticos. A implantação da indústria de processamento e o combate ao contrabando são, para já,  pontos urgentes.

“A falta de uma  indústria de processamento, o fraco funcionamento de fiscalização e o controlo de qualidade dos insumos e das aves, falta de pavilhões adequados e o contrabando são os grandes problemas que minam o nosso sector”, lamentou  Maria Henriqueta Damas,  presidente da Associação dos Avicultores.

Entretanto, o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, prometeu soluções, mas, ao mesmo tempo, desafiou os  produtores  a reinventarem-se de modo a ultrapassarem algumas adversidades.

“O contrabando é um fenómeno que a gente combate hoje e,  amanhã,  eles se reinventam. Isto significa que o contrabando deve ser um fenómeno de combate contínuo, mas temos de intensificar e  mudar de abordagem. Agora, usando um termo  mais radical,  temos que cortar o mal pela raiz”, sugeriu Celso Correia.

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) vai desembolsar 33 milhões de dólares para apoiar o sector avícola no país. O valor foi anunciado ontem pelo representante da instituição em Moçambique, durante o III Fórum Nacional de Pecuária, que decorreu no distrito de Moamba, Província de Maputo.

Moçambique é o maior país produtor de carnes vermelhas ao nível da SADC, apresentando uma cifra anual de produção de 29 mil toneladas. O Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural diz que o sector cresceu 41 por cento nos últimos cinco anos.

E, para impulsionar o desenvolvimento pecuário nos próximos cinco anos, o Banco Africano de Desenvolvimento decidiu investir 33 milhões de dólares.

“O banco decidiu desembolsar 33 milhões de dólares para o financiamento do PROCAVA, um projecto recentemente aprovado com ênfase para a criação de frangos. O financiamento é um trabalho conjunto com o Fundo Internacional de Financiamento de projectos agrícolas e, neste caso, será implementado pelo Governo de Moçambique, através do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural”, disse Flávio Soares da Gama, representante do BAD em Moçambique.

Como parceiro de cooperação de Moçambique em vários projectos, o Banco Africano de Desenvolvimento prontifica-se, para além de financiamentos, a alavancar toda a cadeia de valores do sector pecuário. “No âmbito do pilar de financiamento a projectos africanos, o BAD impulsiona o desenvolvimento do sector privado e é o mesmo que pretendemos fazer ao abraçar este projecto”, frisou.

Presente no evento, o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, disse, na ocasião, que o fundo será aplicado para o impulsionamento dos projectos públicos e privados, com destaque para o sector privado.

O chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, diz estar disponível para encontro com outros candidatos às presidenciais moçambicanas de Outubro próximo, após ter sido criticado pela Renamo por ter tirado uma fotografia com Daniel Chapo, candidato presidencial da Frelimo.

Marcelo Rebelo de Sousa foi criticado pela Renamo por ter tirado fotografia, na semana passada, com o secretário-geral interino da Frelimo e candidato à Presidência da República nas eleições de 9 de Outubro próximo em Moçambique, Daniel Chapo.

A Renamo acusou, esta terça-feira, o Presidente português de “envolvimento” na pré-campanha da Frelimo, por se ter encontrado com o candidato presidencial do partido no poder em Moçambique.

“A Renamo, surpreendida, manifesta o seu desagrado sobre este acontecimento e lamenta o envolvimento do Presidente de Portugal na pré-campanha, na esperança de melhor ponderação”, lê-se num comunicado da “Perdiz”.

O partido Renamo diz que “viu com estranheza o encontro entre o Presidente da República Portuguesa (…) e o candidato da Frelimo às eleições presidenciais de Outubro próximo, Daniel Francisco Chapo”.

O encontro, em momento de pré-campanha eleitoral, pode ser interpretado como “apoio” do chefe de Estado português, em plenas funções, ao candidato presidencial do partido Frelimo e igualmente secretário-geral interino da Frelimo, diz a Renamo. Refere ainda que é fiel ao princípio universal da não ingerência nos assuntos internos de outros países, estando comprometido com o estreitamente das relações de cooperação e de amizade com o “país irmão”, Portugal.

Perante a reacção da Renamo, a Presidência portuguesa nega favorecimento e garante que, “se o Presidente for convidado para um jantar por outros candidatos às Presidenciais moçambicanos, terá a mesma disponibilidade”.

É de recordar que Daniel Chapo efectuou visita de trabalho a Portugal de 28 a 30 de Junho, no quadro do fortalecimento das tradicionais e históricas relações de “amizade e cooperação” existentes entre a Frelimo, o PSD (Partido Social-Democrata), actualmente integrado na Aliança Democrática (AD), no poder, e o Partido Socialista (PS), o principal da oposição.

Nas cidades de Lisboa, a capital, e Porto, no Norte do país, Chapo e a sua comitiva mantiveram igualmente contactos com as bases do partido Frelimo. A comitiva de Chapo era integrada por Amélia Muendane, membro da Comissão Política da Frelimo, Maria Benvinda Levy, assessora do Presidente Filipe Nyusi, João Machatine, coordenador do gabinete eleitoral do candidato às presidenciais, entre outros nomes.

 

Jornal “Observador” diz que Marcelo ficou desagradado

O Presidente da República ficou desagradado com o uso feito da sua imagem por parte do candidato da Frelimo, que colocou o logo do partido numa fotografia que Daniel Chapo tirou com Marcelo Rebelo de Sousa em Portugal, num jantar, segundo o jornal luso “Observador”.

De acordo com o “Observador”, Marcelo Rebelo de Sousa foi convidado por um privado português a marcar presença no jantar e, como era um evento público, aceitou estar com o candidato da Frelimo. O Presidente da República terá tirado fotografias com várias figuras presentes no jantar, inclusive uma fotografia de grupo, mas depois acabou por tirar a sós com Daniel Chapo, candidato à sucessão do actual presidente moçambicano, Filipe Nyusi.

O País está longe de ter eleições transparentes, considera Vitano Singano, presidente do partido RD. O político diz que tal será difícil enquanto a Comissão Nacional de Eleições “estiver a serviço de partidos”.

O partido Revolução Democrática (RD) falhou a submissão da sua candidatura à Comissão Nacional de Eleições a 10 de Junho, o último dia para o efeito.

Diante da situação, submeteu um ofício ao Conselho Constitucional a explicar que a falha não foi sua, mas da CNE.

Depois de analisar os factos, o Conselho Constitucional, através de um acórdão, autorizou a submissão dos documentos noutra data.

Por isso, esta quarta-feira, o partido inscreveu-se e, na ocasião, acusou a CNE de tentar sabotar a sua participação na corrida eleitoral.

“No dia 10, a equipa chegou à CNE às 10 horas e já estavam lá outros partidos na fila de atendimento. Foi dada uma senha de atendimento e era número quatro. Passado um tempo, a equipa que recebe os expedientes na Comissão Nacional de Eleições disse que estava cansada e pediu que voltássemos com o expediente no dia seguinte e que seria protocolado com a data do dia anterior. Por questões de humanismo, nós aceitamos”,  explicou Vitanol Singano, presidente do partido Revolução Democrática.

Singano diz ainda que, “enquanto a Comissão Nacional de Eleições não for um contribuinte para o crescimento da democracia e continuar a defender interesses dos seus partidos, o país continuará a ter eleições injustas desde o processo de recenseamento a votação”.

O político acrescenta ainda que vai à corrida eleitoral para cumprir a vontade do povo, mas adianta que já é um perdedor.

“Cremos e estamos confiantes em meter deputados na Assembleia da República, refiro-me à realidade do terreno porque respeitamos o processo multipartidário, apesar de termos sequelas. Entretanto, o ponto mais focal disto tudo é que, nos processos eleitorais moçambicanos, os resultados são fabricados na Comissão Nacional de Eleições e no Secretariado Técnico de Eleições”, concluiu.

Sinagano acusou, ainda,  a Renamo de tentar extinguir o seu partido, por supostamente ser um forte adversário para a “Perdiz”.

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