A Fundação Joaquim Chissano quer afirmar-se como uma plataforma de reflexão, diálogo e construção de consensos para contribuir na resposta aos principais desafios de Moçambique. A instituição pretende reunir Governo, sector privado, academia, sociedade civil, parceiros internacionais e cidadãos na procura de soluções para questões relacionadas com a paz, o desenvolvimento sustentável, a governação, a inclusão social e a produção de conhecimento, num contexto em que considera que os problemas actuais exigem respostas colectivas e não acções isoladas.
Esta visão está consagrada no Plano Estratégico 2026-2035, documento que orientará a actuação da Fundação durante os próximos dez anos e que parte da convicção de que Moçambique enfrenta uma nova realidade, marcada por profundas transformações políticas, económicas, tecnológicas e sociais. A instituição entende que os desafios nacionais estão cada vez mais ligados às mudanças que ocorrem no mundo, desde os efeitos das alterações climáticas até à rápida evolução da inteligência artificial, passando pelos conflitos armados, violência, criminalidade transnacional e crescentes exigências da juventude africana por oportunidades, participação e dignidade.
Perante este cenário, a Fundação considera que é necessário criar espaços permanentes de diálogo, reflexão e produção de conhecimento que permitam aproximar diferentes sensibilidades e construir soluções sustentáveis para o desenvolvimento do país.
“Nenhuma tarefa desta envergadura pertence, por exemplo, exclusivamente ao Governo, ao sector privado ou à sociedade civil em separado. Pelo contrário, as respostas a estes desafios são responsabilidades partilhadas”, defendeu o presidente do Conselho de Administração da Fundação, Joaquim Chissano, sublinhando que apenas uma actuação articulada permitirá alcançar resultados relevantes para o país.
A estratégia da Fundação assenta precisamente nessa lógica de complementaridade. A organização deixa claro que não pretende assumir funções que competem ao Estado, mas contribuir para fortalecer o ambiente de diálogo e cooperação entre os diferentes actores nacionais.
“Não procuramos substituir o Estado. Queremos complementá-lo. Não pretendemos falar em nome da sociedade. Queremos trabalhar com ela, para ela e por ela”, afirmou Joaquim Chissano, acrescentando que a ambição da instituição passa por criar condições para que os cidadãos participem activamente na construção de um ambiente pacífico e democrático.
O plano identifica igualmente o capital humano como o principal recurso estratégico de Moçambique. Para a Fundação, o futuro do país dependerá menos da abundância de recursos naturais e mais da capacidade de valorizar as pessoas e criar oportunidades para o seu desenvolvimento.
“O nosso maior activo estratégico não são os nossos recursos minerais, nem o gás, nem a posição geográfica, mas sim são as pessoas”, afirmou Joaquim Chissano, destacando o papel desempenhado pelos jovens, mulheres, professores, profissionais de saúde, agricultores, empreendedores, trabalhadores do sector informal, funcionários públicos e membros das forças de defesa e segurança na construção do país.
Segundo o antigo Chefe de Estado, será precisamente este capital humano que estará no centro da intervenção da Fundação ao longo da próxima década, procurando reforçar a paz, estimular o desenvolvimento e consolidar uma cultura de participação e inclusão.
A construção da paz constitui, aliás, um dos principais eixos estratégicos do documento. A Fundação manifesta preocupação com o crescimento da violência em diferentes dimensões da sociedade, com especial incidência sobre mulheres e raparigas, considerando que este fenómeno representa uma ameaça ao desenvolvimento e à democracia.
No seu discurso, Joaquim Chissano defendeu que a violência baseada no género deve deixar de ser encarada como um problema exclusivamente das vítimas, apelando a uma mobilização colectiva para a sua erradicação.
“Chega! Precisamos de sair do lugar do problema e ir para o lugar da solução”, afirmou, acrescentando que “a paz é o maior investimento para o desenvolvimento e o bem-estar de todas as cidadãs e de todos os cidadãos”.
O antigo Presidente fez igualmente questão de sublinhar que a instituição deve ser entendida como um património colectivo e não como um projecto pessoal.
“A Fundação Joaquim Chissano não é de Joaquim Chissano. É uma Fundação com o nome dele. A Fundação é vossa”, declarou perante os convidados, apelando para que todos assumam a organização como um espaço de participação e construção colectiva.
Estas posições foram apresentadas esta quinta-feira, em Maputo, durante a cerimónia de lançamento do Plano Estratégico 2026-2035 da Fundação Joaquim Chissano, realizada sob o lema “Congregar sinergias para um mundo de paz”, que reuniu representantes do Governo, corpo diplomático, sector privado, academia, organizações da sociedade civil e parceiros de cooperação.
Rogério Samo Gudo defende a remoção de barreiras a nível de transacções comerciais e a desburocratização, para permitir que o ambiente de negócios melhore. Para Samo Gudo, a tecnologia é “a única esperança que nós temos”.
A História da MCNet é indissociável da Janela Única Electrónica. Quer falar do papel desta plataforma na economia?
A janela única electrónica é uma plataforma criada já em 2009 como um dos grandes objectivos do Estado de Moçambique para reformar a administração pública.
A visão nessa altura, obviamente, era desburocratizar, remover todas as barreiras que impedem ou que impediam os nossos empresários. Portanto, a visão sempre foi que a janela única seria o primeiro passo para aquilo que é o grande objectivo do nosso governo, de tornar o governo electrónico, um governo mais eficiente, mais moderno, que se ajuste àquilo que são as preocupações do momento, e também adoptando as melhores práticas, a transparência, a boa governação e por aí fora. A janela única surge num contexto em que deveria modernizar, criar uma transformação digital a nível do sector aduaneiro, das alfândegas e, nesse sentido, sim, foi um grande ganho para os moçambicanos, porque um dos grandes objectivos que nós conseguimos alcançar foi a redução do tempo de desembaraço aduaneiro.
E também, com a integração de várias instituições, temos mais de 25 instituições interconectadas à Janela Única Electrónica, entre instituições públicas e privadas como ministérios, bancos e várias outras entidades que também fazem parte da cadeia de comércio externo. E foi com essa base toda tecnológica que a Janela Única se tornou hoje um ecossistema em termos de transformação digital, porque ela vai fazendo de fonte para a integração das diferentes instituições que procuram a informação, que seja fidedigna, que seja de qualidade para os seus processos de planificação. Portanto, se nos perguntarem qual é a nossa visão, a visão é tornarmo-nos uma referência nacional em termos de transformação digital, adicionando valor aos nossos clientes, a todas as instituições públicas e privadas, usando as tecnologias de informação.
A MCNet é actualmente vista como umas das mais renomadas marcas no rol das que oferecem soluções tecnológicas para o desenvolvimento. Qual é o actual posicionamento da MCNet no mercado?
É preciso perceber aquilo que foi a base do surgimento da Janela Única Electrónica e da reforma pública, porque o Estado moçambicano tinha apostado no e-government. E hoje, com o desenvolvimento das tecnologias, o segundo nível que nós encontramos é o marketplace, que significa que todas as plataformas ficam integradas para oferecer uma melhor experiência a todos os utilizadores, tanto do sector público como do sector privado.
A janela única vem em terceiro plano. Portanto, a janela única electrónica, que é uma componente do marketplace, o que significa que na nossa perspectiva é crescer a janela única para integrá-la cada vez mais a novas plataformas que nós possamos não só operar a nível de comércio externo, mas também comércio interno, também em todas as outras áreas, sejam elas industrial, agrícola, porque o nosso papel é ser um unable, é habilitar a todas as instituições, tanto públicas como privadas, que possam ter o acesso à informação para tomar a decisão, portanto, nas transacções que ocorrem em cada minuto, em cada dia. E para tal, nós fizemos enormes investimentos na nossa capacidade técnica em termos de pessoas. Temos uma capacidade muito interessante, de moçambicanos, e também fizemos uma capacidade tecnológica, tanto a nível de infra-estrutura, em termos também de plataformas electrónicas. Mas nós perseguimos aquilo que é o grande milestone que nós temos em termos de preencher aquilo que são as necessidades e as dinâmicas do marketplace.
Com este investimento, o que temos hoje?
Temos, a nível da infra-estrutura, investimento a nível do data center, que é o cloud service e vai complementar aquilo que são as necessidades do mercado a nível de infra-estruturas e permitir com que os nossos clientes, tanto nacionais como estrangeiros, tenham acesso a um armazenamento ou cloud services de informação em infra-estruturas de classe mundial, portanto com alta qualidade, com disponibilidade, com escalabilidade, com preços competitivos, com segurança de informação, portanto, é aquilo que o mundo hoje em dia procura.
E a nossa perspectiva é que, para termos a escala necessária para manter a qualidade e eficiência dos serviços, precisamos também de actuar no mercado regional e internacional. E para isso nós já começamos, via parcerias, a trabalhar com algumas empresas internacionais que não vão poder partir lá muito em breve.
Que ganhos foram alcançados ao longo dos anos de implementação da Janela Única Electrónica?
Um dos maiores benefícios da nossa economia foi a redução do tempo de desembaraço. Passamos de cerca de duas, três semanas para 24 horas. Hoje em dia, mais de 80% das nossas transacções, dos nossos negócios, são feitas em menos de 24 horas. Também um dos milestones em relação ao nosso cliente, o Estado, era a melhoria e aumento da receita. Por outro lado, a introdução da janela única permitiu a redução da necessidade do uso de dinheiro vivo. Este custo foi reduzido substancialmente. Outro dos grandes objectivos que perseguimos era a capacitação institucional, a modernização, a gestão de mudança, na maioria dos casos, ou quase todas as instituições usavam papel, hoje já é um Paper Less. São instituições que usam cada vez menos papel. Também vimos enormes benefícios em relação ao processo de bancarização. A integração de todos os bancos na janela única permitiu uma maior confiança, uma melhor gestão de grandes temas que nós conseguimos colaborar com o Estado para redução, como o caso da grande guerra da lavagem de dinheiro, que é um dos temas que preocupa o Banco Central. E através de termos de compromisso, nós conseguimos reduzir as transacções fraudulentas. E, para além disso, nós criamos um ambiente, colaboramos com várias instituições para melhorar ainda mais o ambiente de negócios. A remoção de todas as barreiras em nível de transação, a desburocratização, isso permitiu também que o ambiente de negócios melhorasse bastante. Tivemos o reconhecimento do Banco Mundial na nossa contribuição na melhoria do ambiente de negócios, através da Janela Única Electrónica.
Quanto a JUE já arrecadou para os cofres do Estado?
Como sabe, nós somos uma instituição provedora de serviços à Autoridade Tributária, portanto, por lei, nós não somos autorizados a partilhar essa informação a não ser a própria. Eu teria muito gosto, porque um dos grandes ganhos que nós temos na janela única é a estatística. Temos informação de quase todos os sectores económicos, sobretudo todos os que interagem dentro da Janela Única Electrónica. Aí já trago aquilo que é o potencial, que são as oportunidades que também se geram à volta da janela única. É que cada vez mais ministérios e instituições públicas vão sentindo a importância de estarem integrados dentro da janela única, não só pela necessidade de troca de informação, e simplificação de procedimentos naqueles que directa ou indiretamente também actuam dentro da cadeia aduaneira, mas também porque ajuda as próprias instituições a confirmarem-se. Temos compliance com as regras de boa gestão.
Que oportunidades hoje foram abertas no mercado interno, à luz dessas novas soluções tecnológicas?
Hoje em dia, as tecnologias de informação, a janela única, o framework da janela única, permitem com que todas as instituições, de facto, facilmente possam adoptar as boas práticas que já são usadas pela Autoridade Tributária e o Ministério das Finanças através da Janela Única e Electrónica.
Mas também vimos várias oportunidades, por exemplo, quando nós, hoje em dia, falamos de carteira móvel e até a nível de telecomunicações, há vários novos serviços financeiros que surgiram, que são resultado de todo o ambiente tecnológico e do ecossistema que a janela única trouxe. Se olharmos para 10 anos atrás, em 2014, havia muito cepticismo em relação às tecnologias de informação. O entendimento público é que elas vêm para tirar emprego. Hoje, as pessoas percebem que as tecnologias, pelo contrário, elas vêm para ajudar, para sermos mais eficientes, mais organizados, com mais informação, para tomarmos decisões assertivas, dados os desafios que nós todos enfrentamos a nível do sector público e privado no dia-a-dia. Todas as instituições querem ser mais eficientes, porque os processos de negócios são cada vez mais caros e o cliente final quer pagar cada vez menos.
E há necessidade também de nos adaptarmos aos processos de negócios, ou a novas agências tecnológicas. Há sempre investimentos necessários e, para isso, é preciso que haja um elemento de facilitação nesse processo todo, que é a tecnologia. E a tecnologia de informação permite-nos dispor de informação com qualidade, com integridade, com toda a segurança, para as análises necessárias para nós tomarmos as decisões da forma mais eficiente e efectiva.
Até que ponto essas ferramentas colocam em risco o recurso ao capital humano para viabilizar os negócios? Por exemplo, a JUE não impactou na redução de capital humano em contacto com as mercadorias?
Óbvio que a presença humana inadequada nos processos administrativos é burocrática e cria constrangimento e actos de corrupção e impede que o sector privado possa avançar. Portanto, a tecnologia é transparente, tem este elemento de transparência, permite que permite com que todos os processos possam ser monitorizados, quem quer que seja, se houver um conflito entre as instituições pode-se provar, porque há registos. Nesse sentido, sim, nós podemos dizer que há redução e, na verdade, nós, através da Janela Única, alocamos adequadamente recursos onde foram necessários.
Isto significa que este capital humano não foi dispensado?
Não foram dispensados, porque crescemos. Estávamos em poucas fronteiras. A Autoridade Tributária estava em poucas fronteiras, hoje em dia nós cobrimos todas as fronteiras. E nós temos mais problemas ainda, porque há problemas de recursos para cobrir todas as necessidades da própria JUE. A consistência de que nós precisamos, devido ao nível de rotatividade… Porque a autoridade tributária tem necessidade de criar cada vez mais postos, porque a economia está a crescer, a população está a crescer, os problemas estão a crescer, a porosidade das fronteiras é maior, portanto os desafios da Administração Pública são cada vez maiores. Então, há necessidade de alocar da melhor forma os recursos necessários. Para isso, é preciso que haja informação, haja estatística. E é com base na JUE que nós atraímos essas informações para que a AT e todas as outras instituições dentro da cadeia possam tomar as decisões assertivas e permitirmos com que o nosso Estado não gaste recursos de uma forma desproporcional.
Todos os processos de reformas no país são acompanhados de desafios. No quadro da JUE, que desafios se podem apontar, sem deixar de lado a porosidade das fronteiras?
Sim, mas permita-me, primeiro, olhar de uma forma macroeconómica, para nós percebermos que os desafios que nós temos também são globais. Enfrentamos diferentes dimensões, a primeira a nível macroeconómico, os conflitos armados que têm um impacto enorme nas nossas economias, a escassez da moeda em todo o mundo, sobretudo em África, onde depende muito de apoio, e também as mudanças climáticas, os três factores juntos, sobrepostos, eles criam enormissimos desafios para qualquer administração, seja pública, seja privada. Portanto, aquele movimento de transacções que nós vimos no passado, antes de COVID-19, jamais veremos. Estamos a viver num novo mundo. Veja que acelerou a conectividade no mundo. As pessoas tinham necessidade de continuar a comunicar e a tecnologia ajudou a manter essa conectividade. A tecnologia de informação tem um papel crucial para a sobrevivência da espécie humana. E hoje quando falamos dessas três dimensões, a tecnologia é a única esperança que nós temos, ela. Ela vai nos permitir que, nos próximos anos, nós sejamos mais eficientes como seres humanos.
Hoje em dia, falamos da inteligência artificial. São extremamente necessários para que, nessas três dimensões, que são desafios globais, nós possamos manter o nosso desenvolvimento.
Como é que os provedores da tecnologia têm estado a posicionar-se para fazer face a estes desafios?
Vamos ter cada vez menos recursos, tanto financeiros como materiais, vamos ter cada vez mais eventos climáticos mais severos, e é preciso planearmos, alocarmos os recursos da melhor forma possível. Isso é possível se nós tivermos a informação íntegra muito bem organizada. Isso é o que nós temos estado a fazer através da transformação digital. Todos os investimentos que nós fizemos a nível da infra-estrutura, o nosso data center, o Cloud Service, é para responder a esta necessidade, para que todas as instituições tenham repositório de qualidade, em termos de informação, não só a nível local como internacional. Nós já temos um cliente internacional, que é o Alibaba, que demonstra a confiança naquilo que é a infra-estrutura moçambicana e o conhecimento moçambicano, aquilo que é são as técnicas ou as boas práticas internacionais.
Soou como uma polémica a retirada da obrigatoriedade da figura do despachante aduaneiro. Como reage a isso? Gera realmente algum impacto negativo?
Não temos como segurar o vento pelas mãos. Este resultado de transformação digital no mundo, como me referi, nas tecnologias de informação, permite com que os utilizadores, os últimos users, possam, com facilidade e comodidade, onde ele esteja, usando os appliances que ele tem, seja celular ou iPad, poder fazer a transacção, poder fazer o despacho aduaneiro.
Mas não impede que as grandes instituições, sejam privadas, sejam públicas, possam ter essa figura dentro da instituição. O que a lei diz é que deixa de ser obrigatório, mas não significa que eles deixaram de ter oportunidade. Tem de poder encontrar-se, adaptar-se às novas circunstâncias que são próprias da evolução tecnológica. A tecnologia vem para facilitar, colocar o cliente mais próximo.
Como está a relação com outros actores da cadeia do desembaraço aduaneiro?
Em relação ao Ministério da Economia e Finanças e à Autoridade Tributária, nós temos estado a trabalhar agora num projecto de interoperabilidade entre o sistema de janela única e o Sistafe. É um projecto muito interessante que vai permitir que estas duas plataformas, tanto de pagamento público, assim como de coleta de impostos, possam estar integrados e poder haver um valor agregado que possa ser passado para várias outras instituições públicas. Em relação à banca, como nós sabemos, a nível da regulamentação bancária, é muito exigente. Cada dia que passa, há novas necessidades de se conformar, e, nesse sentido, também nós temos estado a trabalhar, tanto com todos os bancos comerciais, como com o banco central, no sentido de melhorar e trazer cada vez melhores experiências nessas instituições.
Também vai perceber que, da mesma forma como a JUE, como plataforma, vai actualizando as versões anualmente, os bancos também têm essa necessidade. Trabalhamos com o Ministério da Saúde, com o Ministério da Agricultura, Ministério da Indústria do Comércio, Ministério das Pescas, nós trabalhamos com a maior a parte dos nossos ministérios e estamos a trabalhar, dia após dia, para que cada vez mais instituições públicas possam estar integradas e possam beneficiar-se desta forma.
Num contexto em que economia do país e global está em recuperação, que leitura faz do ambiente de negócios, as oportunidades e barreiras que se oferecem hoje?
As oportunidades são imensas para Moçambique. Se nós olharmos para o acordo do mercado livre na zona africana, há todo o potencial de Moçambique servir ou fornecer a todos esses países. E se levarmos em conta aquilo que é o nosso posicionamento do ponto de vista geográfico e o acesso que nós temos aos grandes mercados, tanto a nível da Ásia como da Europa, permite que Moçambique tenha um papel diferente dentro deste mercado enorme. E para isso tem de se posicionar de uma forma estratégica. Somos uma Power Pul. Portanto, temos tudo para dar certo em relação à produção e distribuição de energia, mas a África também está a transformar-se. A voz é de que os recursos minerais devem ser transformados localmente, tem de haver uma adição de valor. Moçambique pode desempenhar um papel muito importante. Um dos factores para a transformação da matéria-prima ou dos produtos primários é a energia eléctrica. Portanto, nós achamos que existe um enormíssimo potencial para que Moçambique seja um hub industrial que possa servir a todos os países interland e só se tem de identificar quais são os nichos de mercado, porque também não vamos querer fazer tudo.
Mas o que isso significa, do ponto de vista de acções concretas?
Significa que as técnicas de informação têm de prover as informações necessárias para tomar a decisão. Portanto, a análise analítica dos investimentos precisa de ser feita, assim como a partilha das informações a nível desta zona de comércio livre africano. É por isso que o MCnet está a posicionar-se como um player a nível da região, para atrair todos os investidores que também têm interesse ao longo deste mercado, tanto na provisão de cloud services, assim como a procura da janela única. Por isso, a nossa janela única, olhando para o futuro, nós estamos a olhar para uma plataforma online a que se pode aceder globalmente, tanto no nosso nível de África, assim como em todos os outros locais geográficos no mundo, para que os empresários possam tomar decisões assertivas e fazer os investimentos necessários.
O antigo chefe de Estado, Joaquim Chissano, diz que os conflitos em África são resultado do legado deixado pelos colonos. Chissano falava ontem, na Conferência Científica sobre a Construção do Estado em África. Já a ministra da Administração Estatal, Ana Comoana, defende que a academia deve procurar soluções aos desafios do continente.
A Cidade de Maputo acolhe, desde ontem até hoje, uma série de debates sobre a construção do Estado em África, no âmbito do Dia de África, efeméride que se assinala a 25 de Maio. O evento acontece no contexto em que o continente se debate com conflitos em vários países. Para Chissano, a causa é bem clara.
“As potências europeias dividiram o continente em territórios arbitrários sem levar em consideração as fronteiras étnicas, culturais ou históricas existentes. Este legado colonial deixou profundas cicatrizes, fragmentando comunidades, desencadeando conflitos e deixando para trás estruturas de governação frágeis e, não raras vezes, opressivas”, disse Chissano.
No discurso de abertura da conferência, a ministra da Administração Estatal e Função Pública, Ana Comoana, desafiou a academia a contribuir com soluções para travar o que retarda o desenvolvimento do continente.
“Falamos das mudanças climáticas, conflitos armados, terrorismo, entre outros, que retardam o desenvolvimento e bem-estar dos povos deste berço da humanidade, que é o nosso continente. A resposta a estes desafios passa, inevitavelmente, pelo debate de ideias que, mesmo provindo de diferentes sensibilidades, requerem a sua orientação estruturada e científica para uma compreensão mais informada sobre o passado, presente e o futuro do continente”, defendeu a governante.
A conferência junta académicos nacionais e estrangeiros, tendo como objectivos a apresentação e discussão de resultados de pesquisa científica sobre a construção do Estado em África, divulgar resultados de investigação científica sobre a construção do Estado em África, promover a investigação entre pesquisadores nacionais e estrangeiros no domínio das ciências sociais e políticas.
Por outro lado, o evento pretende estimular o diálogo entre investigadores, organizações da sociedade civil e tomadores de decisão.
Além dos objectivos já mencionados, a conferência serve para lançar e dar a conhecer a existência da Universidade de Ciência e Tecnologia Joaquim Alberto Chissano, UJAC.
No fim da conferência, poderá ser emitida uma declaração resultante dos debates.
Empresários chineses pretendem investir mais nas áreas de mineração, agricultura e indústria automóvel no país, no âmbito do fortalecimento das relações bilaterais entre Moçambique e China. Para o efeito, representantes de várias empresas chinesas foram recebidos, esta quinta-feira, pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA).
Para debater sobre os negócios, um grupo de empresários chineses dispostos a investir em sectores-chave para alavancar a economia do país foi recebido, esta quinta-feira, na sede da CTA.
Na ocasião, o representante da CTA, Fernando Couto, realçou que “os investimentos devem ser mais focados nas zonas pouco desenvolvidas, onde o potencial agrícola é mais promissor, podendo melhorar a capacidade de produção interna e reduzir importações”, disse.
A China quer investir em projectos em que ambos os países saem a ganhar, e o bom ambiente de negócios em Moçambique oferece confiança.
“Trazemos cá um leque de empresas que têm interesse nas áreas de mineração, transporte, agricultura e que querem fazer negócios com empresas moçambicanas”, afirmou Cuizhi, representante da delegação chinesa.
Os empresários apelam à sua contraparte moçambicana para adoptar as moedas dos dois países nas trocas comerciais.
“Com este ambiente de negócios, abrimos um campo para que possamos usar moedas da China e de Moçambique em ambos os territórios, para trocas directas nos negócios”, finalizou.
A China tem-se firmado, nos últimos anos, com um dos mais importantes parceiros comerciais de Moçambique.
Os embaixadores da Espanha e Portugal em Moçambique, Teresa Orjane e António Costa Moura, respectivamente, defendem que o país tem a oportunidade de não repetir os erros cometidos pelos europeus na protecção costeira. Os diplomatas entendem que, para o crescimento sustentável do turismo, Moçambique deve evitar todo o tipo de construções que perturbam o ambiente ao longo da orla.
Moçambique tem mais de 2700 quilómetros de costa, sendo que o sector do turismo contribui com quase 9% do Produto Interno Bruto (PIB).
Grande parte do turismo praticado em Moçambique é de sol e praia, uma prática muito apreciada mundialmente. Para que o país continue como um dos melhores destinos turísticos, a embaixadora da Espanha em Moçambique, Teresa Orjane, diz que o país deve evitar os erros cometidos pelos europeus.
“Olhando para aquilo que foi o turismo na Espanha, nos anos 60, nós estamos agora constantemente a corrigir. Quero dizer que a costa tem de ser preservada. Nós só fizemos tarde a protecção da costa, a protecção das dunas, a protecção dos mangais. Tem de ser um projecto bem feito, porque os parceiros europeus vão querer saber qual é o futuro da costa”, elucidou Teresa Orjane.
A mesma posição é defendida pelo embaixador de Portugal em Moçambique, que cita como exemplo o investimento errado feito no Algarve.
“Temos de evitar a repetição dos erros. Não há necessidade nenhuma de estarmos a estragar as dunas, derrubar o ambiente, perturbar o ecossistema, estragar a natureza, quando isso é que é o verdadeiro atractivo que traz os turistas. Os turistas vão a um sítio porque ali existe uma coisa única. E, muitas vezes, essa coisa única que é procurada pelos turistas é a paz, a ausência do betão, de perturbação da paisagem, silêncio, paz interior e sossego para poder ler um livro em paz, por exemplo. Isso vale ouro”, notou António Costa Moura.
O diplomata diz, ainda, que o país deve encontrar um equilíbrio entre o desenvolvimento e a protecção do ambiente.
“Nós não podemos ser fundamentalistas do ambiente ao ponto de colocar em causa o desenvolvimento económico, mas também não podemos ser tão ambiciosos desmesuradamente, ao ponto de querer ganhar e estragar aquilo que nos pode dar sustentabilidade a longo prazo. É este justo equilíbrio e este bom senso que se dirige a quem manda e toma opções.”
Os diplomatas falavam na cidade de Inhambane, onde participam no fórum de negócios e no diálogo de parceria entre Moçambique e Europa.
Falta de informação e limitações no acesso à educação barram a participação dos jovens na tomada de decisões importantes nos processos eleitorais. A constatação é do Instituto para Democracia Multipartidária, que fala da necessidade do empoderamento político dos jovens.
A participação dos jovens na vida política, sobretudo na tomada de decisões relativas aos processos eleitorais, continua aquém do desejado, de acordo com o Instituto para Democracia Multipartidária.
A organização fala da existência de barreiras que dificultam o empoderamento político deste grupo social.
“Além de desafios políticos que têm a ver com a questão de intolerância e violência política nas eleições, temos igualmente desafios económicos, porque, muitas das vezes, os jovens, no sector informal, por exemplo, estão preocupados com o seu ganha-pão diário e não participam de forma activa na política, e existem também desafios sociais”, explicou Victor Fazenda, representante do Instituto para Democracia Multipartidária.
Com as eleições gerais daqui a cerca de quatro meses, o IMD defendeu, na ocasião, que há que buscar estratégias urgentes de envolvimento de mais jovens nos processos políticos.
“É importante que os órgãos eleitorais e os partidos políticos reforcem a integridade eleitoral, para que os jovens possam confiar plenamente nos processos eleitorais e, assim, participar activamente na vida política.”
Por sua vez, o presidente da Comissão Nacional de Eleições entende que a preocupação deste grupo social é legítima. Carlos Matsinhe refere que só com a inclusão é possível garantir a integridade dos processos eleitorais.
“Os órgãos eleitorais reconhecem o valor da participação dos jovens na construção de uma sociedade desenvolvida, sustentável, inclusiva e mais justa para todos os moçambicanos, para o exercício de uma cidadania responsável, por ser a força motriz da sociedade. Pelo que encorajamos esta camada a continuar com os esforços no sentido de buscar mais engajamento como actores-chave, não só de processos eleitorais, mas também na dinâmica deste país”, disse Matsinhe.
Os intervenientes falavam durante um encontro de busca de soluções para a fraca participação dos jovens na política. O evento contou com a participação de mais de 100 jovens representantes de ligas juvenis de partidos políticos, órgãos eleitorais, sociedade civil e missões diplomáticas.
O Conselho Constitucional passa, a partir de hoje, a articular directamente com os tribunais judiciais distritais, em matérias do contencioso eleitoral. A decisão resulta da revisão da lei orgânica do Conselho Constitucional, aprovada na Assembleia da República.
A primeira comissão da Assembleia da República de Assuntos Constitucionais, Direitos humanos e de Legalidade propôs a revisão pontual da lei orgânica do Conselho Constitucional, com vista a permitir a comunicação entre aquele órgão jurisdicional e os tribunais judiciais dos distritos, em matérias de contencioso eleitoral.
António Boene fundamenta que o decurso e a dinâmica dos processos eleitorais têm mostrado a necessidade de clarificação de veículo de comunicação entre o Conselho Constitucional e os Tribunais Judiciais de Distrito. Por outro lado, a escassez de pessoal no quadro da assistência técnica aos venerandos juízes e conselheiros, dita a imperatividade de contratação sazonal de técnicos para fazer face ao volume processual.
“A Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e Legalidade elaborou o presente projeto de lei de revisão pontual da Lei nº 2, barra 2022 de 2 de janeiro, Lei Orgânica do Conselho Constitucional, e que muito apreciamos que seja aprovada positivamente por este plenário”, referiu.
A deputada Lucília Hama entende tratar-se de um instrumento essencial para a resposta rápida aos processos durante as eleições.
“No quadro da presente lei, o Conselho Constitucional passará a articular diretamente com os Tribunais Judiciais de Distrito no que diz respeito à matéria do contencioso eleitoral. Outro aspecto importante é o volume processual acentuado nos períodos eleitorais, desde o recenseamento até a validação e proclamação dos resultados, mostrando-se deste modo negativo. É necessário consagrar na lei a prerrogativa do Conselho Constitucional fazer contratação sazonal de pessoal qualificado, não devendo exceder a seis meses não renováveis, por concurso público, para apoiar e assistir tecnicamente a este órgao”.
No debate houve consensos, porém não faltaram apelos dirigidos ao Conselho Constitucional.
António Muchanga apela ao CC a rever a sua postura e diz que “é nossa esperança que o próximo pleito eleitoral não tenha o mesmo percurso que assistimos no ano passado, onde o Conselho Constitucional de forma deliberada anulou as decisões dos tribunais do distrito que tinham decidido que devia-se realizar a recontagem de votos, por terem constatado que houve irregularidades graves no aproveitamento distrital”.
Fernando Bismarques não fez diferente. Desafiou o CC a se conformar com a lei, deixando que os tribunais de distrito façam o seu trabalho e não sejam tratados como “correia de transmissão das vontades inconfessáveis” daquele órgão jurisdicional.
O instrumento foi aprovado, em definitivo e por consenso.
Quatro pessoas morreram, este ano, no Parque Nacional de Mágoè, em Tete, vítimas de ataques por elefantes. A administradora daquela área de conservação, Júlia Mwito, diz que o desafio é sensibilizar as 27 comunidades que vivem no interior do parque a procurarem outros locais de abrigo.
Por sua vez, Pedro Muagura, administrador do Parque Nacional da Gorongosa, defendeu a união de forças para acabar com o mal.
A Biofund investiu dois milhões de dólares na conservação da biodiversidade, sobretudo na componente de formação, tendo beneficiado pouco mais de 300 jovens.
Estes dados foram partilhados no quadro da celebração de 22 de Maio, Dia Internacional de Conservação da Biodiversidade, evento que juntou na Unizambeze, em Chimoio, diversos actores.
O Parque Nacional de Mágoè é rico em biodiversidade, mas, porque o homem e o animal procuram partilhar o mesmo espaço naquela área de conservação, há registo de “conflitos”.
Os Estados Unidos da América entendem que a inclusão de técnicos e agentes de trânsito reformados na definição de políticas e construção de estradas pode garantir maior qualidade das vias e reduzir acidentes, dada a experiência que possuem. São ideias partilhadas na Conferência Africana sobre Tecnologias dos Transportes, que decorre na Cidade de Maputo.
Responsáveis das áreas de estradas e transporte de Moçambique, África do Sul e Estados Unidos da América estiveram num frente-a-frente, na Conferência Africana sobre Transferência de Tecnologias dos Transportes, a debater soluções para a qualidade de vias de acesso e redução de acidentes de viação.
Na partilha da sua experiência, a Administração de Estradas Federais dos EUA disse estar a usar conhecimentos do passado para resolver problemas actuais, envolvendo técnicos e agentes reguladores de trânsito reformados.
“Incluímos regularmente a força policial. Além disso, contratei um agente da Polícia reformado para trabalhar comigo e com a minha equipa durante muitos anos. O que fizemos, com o tempo, foi percorrer os Estados Unidos, reunindo-nos com polícias de todo o país e ensinando-lhes as contramedidas de engenharia”, conta Patrick Hasson, quadro da Administração de Estradas Federais Norte-Americanas.
Além da preservação das vias, segundo Patrick Hasson, do Centro Norte-Americano de Recursos de Administração Federal de Estradas, com a adopção desta medida, reduzem-se também os acidentes de viação.
“Com ou sem dados sobre acidentes, podemos olhar para as nossas estradas e compreender como foram executadas, porque temos hoje um conhecimento tão grande em comparação com há 25 anos. Sabemos muito mais sobre as infra-estruturas rodoviárias e a forma como contribuem para os acidentes, pelo que podemos ir para as estradas, analisar essas características, compreender onde os riscos são elevados e resolver o problema”, adverte o representante americano.
Já da África do Sul, Simphiwe Nene, do Departamento de Transporte em Kwazulu-Natal, disse que o seu país tem reservado cinco por cento do orçamento anual para a segurança rodoviária. “A proposta vem acompanhada de uma condição que diz que temos de reservar 5% dos orçamentos para tratar apenas de questões de segurança rodoviária. Depois, temos de fazer uma avaliação e apreciação da segurança rodoviária.”
A IX Conferência Africana de Transferência de Tecnologia dos Transportes junta dirigentes e técnicos na área. O evento termina esta sexta-feira.
Vinte e seis estudantes bolseiros estão a cursar medicina na Cidade da Beira, financiados pela edilidade, no âmbito da iniciativa um bairro um médico.
Durante a campanha eleitoral das eleições autárquicas do ano passado, o edil da Beira, Albano Carige, prometeu financiar bolsas de estudo na área de medicina para atender as necessidades de saúde ao nível dos 26 bairros da urbe.
O projecto, denominado “um bairro, um médico”, tem como objectivo garantir atendimento em primeiros socorros de qualidade aos munícipes nos seus bairros antes de se dirigirem às unidades sanitárias.
O município da Beira revelou que os primeiros 26 bolseiros, com idades entre os 18 e os 23 anos, já estão em formação na Universidade Católica de Moçambique.
“Daqui a sete anos, temos 26 médicos para igual número de bairros. Ainda este mês, pagámos todo o ano”, disse Albano Carige, edil da Beira.
Os beneficiários, visivelmente emocionados, enaltecem o Conselho Municipal da Beira e garantem aplicar-se nos estudos.
“Queremos agradecer, do fundo do coração, pela iniciativa. E esperamos que o presidente possa ter mais iniciativas do genéro que beneficiem a população”, maniestou Antónia Castigo, uma das beneficiárias.
Carige falava à imprensa no âmbito dos primeiros cem dias de governação. Na ocasião, lembrou que o concurso para a construção do muro de protecção costeira, uma das suas promessas, já foi lançado.
“Isto significa que, ainda este ano, se tudo der certo as obras de protecção costeira vão arrancar na nossa cidade.”
Em relação as valas de drenagem, o edil da Beira garantiu que a segunda fase é uma realidade, pois, já foi encontrado o empreiteiro, que é um grupo de engenheiros chineses.
” Este empreeteiro vai executar as obras de reabilitação, requalificação e construção da segunda bacia de retenção. Estas obras vão decorrer nas Palmeiras 2, Macúti, Matacuane, Macurungo, Chota e Estoril”, precisou Albano Carige.
O edil da Beira falou, igualmente, da construção da praça da saúde e do início do pagamento das indeminizações aos antigos trabalhadores da extinta empresa dos Transportes Públicos da Beira.