As Organizações Sem Fins Lucrativos negam que estejam envolvidas em crimes de branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo. Por isso, exigem um tratamento diferenciado diante dos bancos comerciais e das autoridades públicas ligadas à matéria.
Por constarem da lista dos suspeitos de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo há cerca de dois anos, nesta quinta-feira decidiram sentar-se à mesma mesa com o Governo e os bancos comerciais para limpar o seu nome e exigir também um tratamento menos asfixiante.
Num evento que contou com a participação da secretária permanente do Ministério das Finanças, as organizações queixaram-se de estar a enfrentar problemas sérios para abrir contas bancárias e para receber dinheiro de doadores externos para os seus projectos.
“O doador manda o recurso e o banco informa, às vezes depois de duas a três semanas, que recebeu uma transferência e começa a pedir uma série de documentos. Muitas vezes, esses documentos já foram entregues, às vezes não é um contrato novo. É uma transferência para implementar imediatamente. O tempo demora tanto, às vezes dois a três meses. Em alguns casos, há organizações que reportaram que não conseguem receber esse dinheiro e acabam perdendo o recurso. Por exemplo, se é uma resposta a uma emergência, como cheias ou outra coisa, depois de três a quatro meses torna-se irrelevante”, defende a activista social Paula Monjane, representante do Movimento para a Liberdade de Associação.
Diante das constatações, as organizações consideram inaceitável que cumpram os requisitos exigidos pelos bancos para gerir uma conta bancária e que, mesmo assim, os seus processos não corram. Acusam os bancos de ignorar as recomendações das autoridades oficiais.
“As nossas recomendações são: primeiro, que a avaliação sectorial de risco seja uma ferramenta de uso dos bancos e do sistema financeiro para definir as medidas proporcionais. Segundo, que as boas práticas do GAFI também sejam consideradas no processo de definição de medidas baseadas no risco. Terceiro, que haja um diálogo permanente entre o Governo, o sector financeiro e a sociedade civil. Quarto, que as medidas sejam proporcionais, de tal forma que não levem as organizações a abandonar o sistema financeiro formal para começarem a usar um sistema informal, no qual não vai ser possível encontrar e controlar operações suspeitas”, detalha a activista social Quitéria Guirengane.
Contudo, as organizações sem fins lucrativos exigem um tratamento tendo em conta o risco de cada uma delas. “O que nós exigimos como sociedade civil, sobretudo como CESC, é que essa lista das organizações que supostamente foram detectadas na avaliação fosse entregue aos bancos, no sentido de que, na altura das transacções financeiras, fosse a esse tipo de organizações que se devia demandar mais documentação. Não faz sentido, por exemplo, uma organização pequena, ao nível de Cabo Delgado, que precisa de receber fundos para poder implementar os seus pequenos projectos de desenvolvimento para alavancar o desenvolvimento local, não ter acesso a fundos porque, supostamente, as organizações da sociedade civil são susceptíveis de abuso, mesmo que não haja evidências sobre isso”, considera Domingos do Rosário, gestor do CESC, uma organização da sociedade civil.
Por sua vez, os bancos comerciais dizem estar a trabalhar com listas oficiais de suspeitos e com base na legislação, motivo pelo qual exigem melhor organização aos queixosos.
“Temos um sistema de identificação de entidades nacionais relacionadas com o financiamento do terrorismo, e isso consta de umas listas que são publicadas também ao nível nacional e enviadas aos bancos para que adoptem medidas proporcionais ou medidas de mitigação relativamente a essas entidades. Agora, identificar casos em concreto não seria o momento para trazer aqui. O que se pretende mesmo é que as instituições estejam preparadas para evitar que estes riscos de facto se concretizem e que haja de facto este uso do sector para o financiamento do terrorismo”, explicou aos jornalistas Edgar Fortes, da área de anti-branqueamento de capitais do Banco de Moçambique.
Por seu turno, Samir Zacarias, representante da Associação Moçambicana de Bancos (AMB), explica que os bancos têm métricas específicas para medir os riscos das organizações. “Tendo em conta o resultado, a documentação que é solicitada pode divergir em alguns pontos. Quando nós calculamos o nível de risco de uma associação, há associações que operam em áreas de alto risco. Vou dar um exemplo de Cabo Delgado, que é uma área assolada pelo terrorismo. Há outras que não operam numa área de alto risco. Evidentemente, o resultado do nível de risco dessas duas associações pode ser diferente”, explicou.
Na última avaliação, as confissões religiosas apareciam com maior risco. Mas há trabalhos em curso para melhorar a situação e, em breve, haverá uma nova avaliação.
“68% das confissões religiosas foram apontadas com algum nível de risco. Elas estão identificadas na avaliação nacional de risco. Nós temos dados que apontam para as confissões religiosas, é preciso que se retenha o que se está a dizer. E quais são esses riscos? Não há contas bancárias, (…) há uma série de elementos que contrariam a Lei 14 do Branqueamento de Capitais”, destaca Luís Cezerilo, coordenador nacional de políticas de prevenção ao branqueamento de capitais, financiamento ao terrorismo e proliferação de armas.
Espera-se que a reunião que teve lugar ontem em Maputo produza consensos entre os bancos, as organizações sem fins lucrativos e as autoridades do Governo, sem prejuízo das partes.
O United Bank for Africa (UBA) reforçou o interesse em apoiar o investimento e o desenvolvimento económico de Moçambique durante a 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.
O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, reuniu-se à margem do evento com o Director Executivo do Grupo UBA, Oliver Alawuba, num encontro que abordou oportunidades de investimento, financiamento e desenvolvimento económico.
A reunião acontece num momento em que Moçambique procura mobilizar mais capital para sectores estratégicos, entre os quais energia, agricultura, turismo, infra-estruturas, logística e economia digital. O UBA considera a articulação entre governos, instituições financeiras e investidores essencial para transformar prioridades de desenvolvimento em projectos concretos.
Além de Moçambique, a agenda do banco na Assembleia Geral esteve centrada na mobilização de capital para África. Alawuba reuniu-se também com o Presidente do Grupo Banco Mundial, Ajay Banga, para discutir financiamento de projectos em áreas como infra-estruturas, energia, agronegócio, pequenas e médias empresas e comércio regional.
O UBA reiterou ainda o compromisso de disponibilizar seis mil milhões de dólares para financiar pequenas e médias empresas, com o objectivo de ampliar o acesso ao capital, apoiar a expansão empresarial e contribuir para a criação de emprego.
Com presença em 20 países africanos, o grupo bancário procura posicionar-se como uma plataforma de ligação entre empresas africanas, investidores, governos e parceiros internacionais.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros do Sudão, Mohieldin Salim Ahmed Ibrahim, criticou os Estados Unidos por não terem concedido visto ao chefe do Exército sudanês, general Abdel-Fattah Burhan, para participar na Assembleia Geral das Nações Unidas.
Durante uma intervenção na Assembleia Geral, Ibrahim acusou o país anfitrião de impedir a participação de Burhan no segmento de alto nível do encontro, ao não emitir o visto necessário. “o país anfitrião impediu isso ao não emitir o visto apropriado para que Sua Excelência participasse do segmento de alto nível”, afirmou o governante.
Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, os Estados Unidos terão retido o visto de Burhan na sequência de divergências relacionadas com uma proposta de cessar-fogo destinada a pôr termo à guerra entre o Exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar envolvido no conflito.
Na mesma intervenção, o Ministro dos Negócios Estrangeiros sudanês apelou ao fim do fornecimento de armas, munições e combatentes estrangeiros às partes envolvidas no conflito. Ibrahim defendeu ainda que as armas devem permanecer exclusivamente sob controlo do Estado.
“A solução justa no Sudão, que garanta que o conflito não reacenda, exige a interrupção das contínuas intervenções estrangeiras”, afirmou.
O governante defendeu igualmente o desarmamento das forças paramilitares, considerando necessário garantir que o armamento permaneça sob controlo estatal.
O Sudão está mergulhado numa guerra entre o Exército e as Forças de Apoio Rápido desde Abril de 2023. O conflito provocou uma grave crise humanitária e obrigou milhões de pessoas a abandonar as suas casas.
Uma investigação apoiada pelas Nações Unidas, realizada este mês, concluiu que redes de apoio estrangeiras têm fornecido combatentes, armas e tecnologia militar, contribuindo para a continuidade do conflito.
A Polícia de Trânsito apreendeu, nesta segunda-feira, mais de 150 motorizadas na cidade da Beira, numa operação de endurecimento das medidas contra os moto-taxistas, face ao elevado índice de acidentes de viação.
Segundo a corporação, as apreensões resultam de diversas irregularidades, nomeadamente a condução sem capacete de protecção e sem colete, excesso de lotação, com casos de três a cinco ocupantes numa motorizada concebida apenas para dois, para além de motas sem documentos e sem matrícula.
A medida surge numa altura crítica, em que a sinistralidade causada por moto-táxis constitui uma das principais causas de procura de cuidados médicos no Hospital Central da Beira, cuja ortopedia se encontra superlotada. A polícia diz estar preocupada com as vidas que se perdem nas estradas.
A corporação refere ainda que grande parte dos moto-taxistas não passou por nenhuma formação nem frequentou escola de condução, desconhecendo por isso as regras básicas de trânsito.
Para além da fiscalização punitiva, a polícia realizou uma acção pedagógica, com a distribuição simbólica de equipamentos de protecção aos condutores que já cumpriam as regras, para consciencializar que a segurança na via pública é responsabilidade tanto do condutor como do passageiro.
A Polícia de Trânsito avisa que as operações vão continuar e serão mais duras nos próximos dias, até ao final do ano, sublinhando que o objectivo não é apenas apreender motas, mas reduzir os acidentes e salvar vidas nas estradas da Beira.
Populares de quatro comunidades de Nguluzane, no distrito de Xai-Xai, província de Gaza, voltam a denunciar alegados esquemas de desvio e exclusão na distribuição de alimentos, envolvendo secretários dos bairros. A população diz que mais de 150 famílias carenciadas ficaram de fora entre Junho e Setembro. A administradora de Xai-Xai, Avelina Nhanzimo rejeita a existência de desvio de ajuda humanitária, mas admite má conduta de responsáveis locais e promete medidas caso as denúncias sejam comprovadas.
Populares de quatro comunidades de Nguluzane, no distrito de Xai-Xai, na província de Gaza, acusaram, esta segunda-feira, líderes locais de envolvimento em alegados esquemas de desvio de produtos alimentares destinados às populações carenciadas.
“A luta continua. Os líderes já não têm espaço nas suas casas devido à quantidade de produtos que recebem. São recipientes abarrotados. Nada lhes falta, enquanto a população morre de fome”, denuncia Lídia, residente de Chilaulene, em Nguluzane.
A denúncia é corroborada por Domingos Boca, líder em Nguluzane, que acusa responsáveis locais de beneficiarem de produtos alegadamente desviados.
“Toda a zona de Chilaulene sofre por causa disto. A comida foi desviada e, nos registos, houve roubo. Todos os dias há roubo aqui em Chilaulene. O camião foi desviado, os líderes sabem disso e beneficiaram-se”, afirma.
População de Nguluzane fala de exclusão
Segundo os residentes, a alegada irregularidade começa nas listas de beneficiários, onde secretários dos bairros terão incluído familiares e outras pessoas que, de acordo com a população, não residem nas comunidades abrangidas.
Sara, chefe de quarteirão em Nguluzane, descreve os produtos recebidos por algumas famílias.
“Receberam 25 quilos de arroz, 25 quilos de farinha, dois litros de óleo, feijão e três quilos de açúcar.”
Nora, residente do Bairro 3 de Nguluzane, questiona igualmente o processo de registo dos beneficiários.
“O registo é clandestino. Só vemos pessoas a receber alimentos.”
A população afirma que a alegada prática terá contribuído para a exclusão de mais de 100 famílias carenciadas nos últimos dois meses.
“A maioria da população não foi contemplada na distribuição”, diz Maria Jovete, residente do Bairro 3 de Nguluzane.
Governo de Xai-Xai admite irregularidades
Contactada pelo jornal O País, a administradora de Xai-Xai, Avelina Nhanzimo, rejeitou a existência de desvio de ajuda humanitária e explicou que a distribuição abrangia 620 famílias.
“E nos dias 16 e 17 houve a distribuição da comida, não houve confusão. São 620 famílias, cada família recebeu 25 quilos de arroz, recebeu 25 quilos de farinha, recebeu três quilos de feijão, três quilos de açúcar e dois litros de óleo, cada família. Lamentavelmente, tomamos conhecimento hoje, através de vozes e silêncios, que houve confusão.”
Apesar de afastar a hipótese de desvio de ajuda humanitária, Nhanzimo admite a possibilidade de má conduta por parte dos secretários dos bairros apontados pela população.
“Porque aqui não estamos a tratar de desvio, estamos a tratar de perceber que os chefes, os secretários dos bairros, não são tão honestos como nós podemos pensar. Como se comportam? Acabam beneficiando algumas pessoas que nem sequer deviam estar naquelas listas.”
A administradora diz que a situação deverá ser apurada para determinar quem recebeu os produtos e em que circunstâncias.
“O chefe da secretaria, com mais tempo, poderá apurar o que aconteceu, quem são as famílias que receberam, mas, no meio disso, para ver aquela insurgência por parte daquelas populações, alguma coisa aconteceu”, sublinhou.
Perante as denúncias, a população exige a intervenção das autoridades do Governo do distrito de Xai-Xai e o esclarecimento do processo de inscrição das famílias beneficiárias.
“Pedimos aos líderes que trabalham em conjunto que venham aqui para acabar com o esquema de fazer inscrições durante a noite. Afinal, onde irão comer aqueles que foram excluídos?”, questiona a população.
Assistência para 14 mil famílias continua incerta
Questionada sobre a dimensão das necessidades e a capacidade de resposta às populações de Nguluzane, Nhanzimo reconheceu limitações na assistência alimentar e apontou o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) como parceiro.
“Mas, como Governo, não podemos assumir que vamos conseguir. O INGD é o nosso parceiro, sim, está fazendo a sua parte, mas neste preciso momento também não garante esta assistência, porque fizemos há pouco tempo uma cobertura total do custo administrativo. Se não me falha a memória, foi no mês de Maio que fizemos a cobertura.”
Sem avançar uma data, a administradora de Xai-Xai garantiu que irá deslocar-se ao terreno para aferir a situação e prometeu medidas caso seja comprovado o envolvimento dos secretários dos bairros nas alegadas irregularidades.
O Presidente da República, Daniel Chapo, destacou, no Botsuana, o apoio prestado por aquele país a Moçambique em áreas como o combate ao terrorismo, resposta às cheias, electrificação, segurança e desenvolvimento económico, defendendo o aprofundamento da cooperação bilateral.
Falando no âmbito da sua visita de Estado ao Botsuana, Chapo começou por agradecer ao Governo e ao povo daquele país pelo apoio prestado a Moçambique durante o período em que a Força Conjunta da SADC esteve envolvida no combate ao terrorismo em Cabo Delgado.
O Chefe do Estado moçambicano destacou igualmente a solidariedade do Botsuana durante as cheias e inundações que afectaram Moçambique, bem como o apoio ao processo de diálogo nacional actualmente em curso no país.
Daniel Chapo manifestou ainda o interesse de Moçambique em continuar a trabalhar com o Botsuana no sector da electrificação e na troca de experiências em áreas como turismo, agricultura, pecuária e saúde animal.
O Presidente salientou a importância da cooperação no domínio da produção e sanidade animal, incluindo a partilha de experiências e o fornecimento de vacinas destinadas ao controlo de doenças que afectam o gado.
PORTOS E CORREDORES LOGÍSTICOS EM DESTAQUE
No domínio das infra-estruturas, Chapo apontou como prioridade a concretização de projectos destinados a reforçar os corredores de transporte que ligam Moçambique ao interior da África Austral.
O Presidente referiu-se particularmente ao projecto de desenvolvimento do porto de Techobanine, envolvendo Moçambique, Botsuana e Zimbabwe, que deverá contribuir para aumentar a capacidade do corredor de Maputo e facilitar o acesso do Botsuana ao mar.
“Temos que continuar a trabalhar juntos para ver como materializar este projecto”, afirmou Daniel Chapo.
O Chefe do Estado mencionou igualmente os investimentos em curso para aumentar a capacidade do porto da Beira, mas sublinhou a importância estratégica do porto de Maputo e dos depósitos de combustíveis existentes na Matola para o abastecimento e a economia do Botsuana.
Segundo Chapo, a actual conjuntura internacional, marcada entre outros factores pelo conflito no Médio Oriente, reforça a importância das infra-estruturas de armazenamento e dos corredores logísticos para a segurança económica e energética dos países da região.
MOÇAMBIQUE QUER APRENDER COM EXPERIÊNCIA DO BOTSUANA NA MINERAÇÃO
Na área dos recursos minerais, o Presidente da República disse que Moçambique está a actualizar a sua legislação e pretende aproveitar a experiência do Botsuana no sector.
A intenção, segundo Chapo, é aumentar a capacidade de produção e exportação, mas também promover a industrialização e acrescentar valor aos recursos minerais explorados no país.
O Presidente defendeu ainda o reforço da cooperação nos sectores do turismo e da cultura, bem como nas áreas da segurança e defesa, com vista ao aumento da capacidade dos dois países para responder aos desafios comuns.
COMISSÃO MISTA DEVERÁ ACELERAR ACORDOS
Daniel Chapo destacou também a importância da Comissão Mista de Cooperação entre os dois países, defendendo que os trabalhos devem permitir a conclusão e assinatura de acordos e, posteriormente, a criação de equipas responsáveis pela sua implementação.
O Presidente da República manifestou satisfação pelo convite do seu homólogo tswana para participar nas celebrações relacionadas com os diamantes no Botsuana, considerando a ocasião uma oportunidade para aprofundar os laços entre os dois países.
“Estamos aqui como um país irmão para continuarmos a trabalhar juntos”, afirmou Daniel Chapo, reiterando o compromisso de Moçambique em preservar e aprofundar as relações históricas de amizade e cooperação com o Botsuana.
O Níger está a procurar revitalizar a sua indústria de urânio e atrair novos investimentos, depois de aumentar a participação do Estado no projecto de exploração de Madaouela, localizado no norte do país.
Ao abrigo de um novo acordo de mineração, assinado na semana passada, o Estado nigerino passa a deter 40 por cento do projecto, enquanto a empresa australiana Atomic Eagle mantém os restantes 60 por cento.
O acordo surge numa altura em que as autoridades do Níger procuram assegurar uma maior participação nas receitas provenientes dos seus recursos minerais e, simultaneamente, diversificar os parceiros internacionais no sector extractivo.
Para Hoskins Philip Ross, Director-Geral da Mamico, a entrada de novos investidores constitui um sinal positivo para o futuro da indústria de urânio do país.
“É um sinal encorajador que mostra que as principais instituições internacionais continuam a avaliar as oportunidades de investimento no sector de urânio do Níger”, afirmou Ross, acrescentando que a Atomic Eagle deverá procurar investimento e financiamento internacional para o desenvolvimento do projecto de Madaouela.
A empresa australiana pretende agora acelerar os preparativos para a implementação do projecto e mobilizar o financiamento necessário para a construção. A expectativa é de que Madaouela atinja o nível de preparação para a fase de construção dentro de aproximadamente dois anos.
O movimento ocorre na sequência de um acordo separado entre a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos e a Global Atomic, que prevê financiamento até 414,2 milhões de dólares para o desenvolvimento do projecto de urânio de Dasa, também localizado no Níger.
O Governo nigerino considera que o reforço da participação estatal integra uma estratégia mais ampla destinada a garantir que uma parcela maior das receitas provenientes da exploração mineira permaneça no país.
Contudo, o economista Issoufou Boubacar Kado considera prematuro falar em plena soberania económica. Segundo o analista, o actual cenário representa sobretudo um reforço do controlo nacional sobre as matérias-primas e uma maior liberdade na escolha dos parceiros.
“Não acho que possamos falar em soberania económica neste momento. O que podemos discutir é o controlo sobre as matérias-primas. Isso significa que devemos decidir com quem trabalhamos. Antes, não era assim. O Níger não podia ter um parceiro no sector de urânio ou em qualquer outro sector que não fosse a França”, afirmou.
O sector do urânio tornou-se, assim, num dos principais testes da nova abordagem do Níger à exploração dos seus recursos minerais, num contexto em que o país procura conciliar um maior controlo estatal sobre recursos estratégicos com a necessidade de capital, tecnologia e conhecimento estrangeiro para desenvolver a indústria.
A extinção dos serviços provinciais, no âmbito da reorganização da Administração Local do Estado, implica a redistribuição das funções actualmente desempenhadas por estas estruturas, segundo explicou a Directora Nacional de Administração Local, Cândida Moiane.
De acordo com a responsável, a medida representa uma mudança considerada positiva, mas coloca o desafio de garantir que as funções anteriormente asseguradas pelos serviços provinciais continuem a ser realizadas, sobretudo no atendimento às necessidades dos cidadãos.
Cândida Moiane explicou que, com a extinção destas estruturas, será necessário definir onde e de que forma passarão a ser exercidas as respectivas funções.
“Há uma mudança salutar, que é a extinção dos serviços provinciais que deixam de existir. Então, extinguindo os serviços provinciais, é um conjunto de funções que esses serviços realizavam, desempenhavam em prol do serviço ao cidadão”, explicou.
A Directora Nacional de Administração Local acrescentou que parte dessas funções deverá ser assumida por outras estruturas da Administração Pública, no quadro do novo modelo de organização administrativa.
A reorganização pretende, assim, assegurar a continuidade dos serviços prestados à população, evitando que a extinção dos serviços provinciais resulte em constrangimentos no atendimento ao cidadão.
Pelo menos 27 pessoas morreram e outras 26 ficaram feridas em dois tiroteios em massa registados, num intervalo de poucas horas, nos arredores de Joanesburgo e da Cidade do Cabo, na África do Sul. Os ataques ocorreram entre a noite de sábado e a madrugada de domingo e ainda não resultaram em detenções.
O primeiro ataque ocorreu na noite de sábado, no município de Wedela, no sudoeste de Joanesburgo. Segundo o Serviço de Polícia da África do Sul, oito homens armados com espingardas AK-47 e pistolas abriram fogo contra frequentadores de um bar, por volta das 21h30.
Os atacantes dispararam inicialmente contra pessoas que se encontravam no exterior do estabelecimento e, posteriormente, entraram no bar, onde continuaram a disparar.
Dezanove pessoas foram atingidas. 17 morreram no local ou posteriormente, entre elas 13 homens e quatro mulheres, enquanto outras 15 ficaram feridas.
Depois do ataque, os suspeitos revistaram alguns dos frequentadores, apoderaram-se dos seus telemóveis e fugiram em dois veículos.
Cerca de quatro horas mais tarde, já na madrugada de domingo, outro tiroteio ocorreu no município de Lwandle, nas proximidades da Cidade do Cabo.
De acordo com a Polícia sul-africana, 10 pessoas morreram e outras 11 ficaram feridas depois de vários homens terem aberto fogo numa loja, pouco depois da 1h00. As autoridades iniciaram uma operação para localizar os suspeitos, mas, até ao momento, não foram divulgadas detenções relacionadas com os dois ataques.
TERCEIRO ATAQUE EM CINCO DIAS
Os dois episódios ocorreram apenas cinco dias depois de outro tiroteio em massa no país. Na noite de terça-feira, 22 de Setembro, 11 pessoas, incluindo uma mulher grávida, foram mortas durante um ataque perpetrado por vários homens armados numa residência em KwaMakhutha, a sul de Durban.
Também neste caso, a Polícia não confirmou, até ao momento, qualquer detenção. A sequência de ataques reacendeu a preocupação em torno dos elevados níveis de criminalidade violenta na África do Sul, país que há anos enfrenta uma elevada taxa de homicídios.
Embora os homicídios afectem sobretudo comunidades mais pobres, as autoridades policiais associam parte dos casos à actuação de gangues criminosas. Especialistas em segurança apontam igualmente para a circulação de armas de fogo ilegais como um dos principais factores que contribuem para a violência.
Dados oficiais da Polícia indicam que 5.427 homicídios foram registados entre Abril e Junho, o período mais recente para o qual foram divulgadas estatísticas, o equivalente a uma média de quase 60 assassinatos por dia.
Face aos elevados níveis de criminalidade, o Presidente Cyril Ramaphosa autorizou, em Março, o envio de militares para algumas das zonas mais afectadas, numa operação prevista para durar um ano. A medida abrange áreas com elevados índices de criminalidade nos arredores de Joanesburgo e da Cidade do Cabo, entre outras regiões.
Ao anunciar a operação, Ramaphosa classificou a actuação de gangues organizadas como uma das principais ameaças à democracia e ao desenvolvimento económico da África do Sul. Os recentes ataques voltaram a colocar no centro do debate a capacidade das autoridades para travar a violência armada e combater a circulação ilegal de armas no país.
Os eleitores de São Tomé e Príncipe esperam que o próximo Governo adopte medidas concretas para enfrentar as dificuldades económicas e criar mais oportunidades de emprego no país, numa altura em que a saída de jovens para o estrangeiro tem vindo a aumentar.
Durante as eleições gerais realizadas no domingo, vários eleitores defenderam que os novos governantes devem concentrar-se nas necessidades da população, com destaque para a criação de postos de trabalho e a melhoria das condições de vida.
Maria Nascimento, vendedora de mercado, espera que o próximo Governo dê maior atenção às pessoas que vivem do comércio informal e a outros grupos com baixos rendimentos.
“Espero que, nos próximos anos, eles pensem mais em pessoas como nós, pessoas da base, vendedores de mercado”, afirmou.
Para outros eleitores, a expectativa passa por uma intervenção mais firme do novo Governo na resolução dos principais problemas do país.
Aidolander Francisco, fabricante de blocos, defende que os futuros governantes devem identificar as áreas que necessitam de intervenção e adoptar medidas para melhorar a situação do país.
“Espero que, quando estiverem no poder, prestem atenção ao que está errado, para ver se conseguem ajudar o país”, disse.
Entre os jovens, uma das principais expectativas é que as promessas feitas durante a campanha eleitoral sejam transformadas em acções concretas.
Carla Vaz, estudante, espera que o próximo Governo cumpra os compromissos assumidos durante a campanha e consiga melhorar as condições de vida da população.
“Minha expectativa é que quem conseguir formar o Governo cumpra as promessas feitas durante as eleições e melhore a situação do país”, afirmou.
O desemprego e a falta de oportunidades têm contribuído para o aumento da emigração, sobretudo entre os jovens. Um relatório do Banco Mundial, divulgado em 2025, estima que cerca de 40 mil são-tomenses, correspondentes a aproximadamente 18 por cento da população, vivem actualmente no estrangeiro.
Perante este cenário, a criação de emprego e de novas oportunidades económicas constitui um dos principais desafios para o próximo Governo, que terá de responder às expectativas de uma população que procura melhores condições de vida e, particularmente entre os jovens, alternativas à emigração.