Antigo porta-voz da RENAMO intensifica contestação à liderança de Ossufo Momade e defende que o partido não pode chegar a Novembro mergulhado na actual indefinição. António Muchanga quer a convocação urgente do Conselho Nacional e um congresso extraordinário para eleger uma nova liderança.
A crise interna na RENAMO ganhou um novo capítulo, desta vez a partir de Vilankulo, na província de Inhambane, onde António Muchanga voltou a subir o tom contra Ossufo Momade e defendeu mudanças urgentes na direcção do partido, considerando que a maior força da oposição durante décadas está a perder espaço político e, nas suas palavras, a “morrer aos poucos”. O antigo porta-voz da RENAMO quer que o partido convoque o Conselho Nacional e avance para um congresso extraordinário que permita eleger uma nova liderança, colocando Novembro como limite político para a resolução da actual crise e argumentando que qualquer adiamento poderá comprometer a preparação da formação para o próximo ciclo eleitoral.
A passagem por Vilankulo integra uma movimentação que Muchanga diz estar a realizar por diferentes pontos da província de Inhambane para mobilizar membros em torno da necessidade de reformas internas, depois de ter passado por Zavala, Morrumbene e Massinga. Em Vilankulo, município actualmente governado pela RENAMO, o antigo deputado procurou usar os resultados eleitorais alcançados pelo partido em diferentes autarquias como argumento para sustentar que existe uma distância entre aquilo que considera ser a força eleitoral da organização e o estado actual da sua liderança, afirmando que a RENAMO conquistou municípios onde acabou por não assumir a governação e que esse percurso não pode ser ignorado quando se discute o futuro da formação política.
“Viemos despertar os colegas sobre a necessidade de haver reformas que vão culminar com a realização do congresso extraordinário, onde vamos eleger nova liderança do partido”, afirmou Muchanga, defendendo que a RENAMO precisa primeiro de colocar os seus órgãos internos a funcionar regularmente e, depois, resolver a disputa em torno da liderança através dos mecanismos estatutários. Segundo o político, o Conselho Nacional deveria reunir com maior regularidade e a ausência desses encontros está a contribuir para prolongar uma crise que, no seu entendimento, já começa a afectar a capacidade do partido de se posicionar perante os principais assuntos nacionais.
A pressão de António Muchanga sobre Ossufo Momade não começou em Inhambane. O antigo deputado tem sido uma das vozes mais críticas da actual direcção e, nos últimos meses, intensificou a exigência de saída do presidente da RENAMO, acusando-o de ser responsável pelo enfraquecimento da formação. Em Maio, Muchanga voltou publicamente a defender a retirada de Momade da liderança, enquanto em Julho anunciou que pretendia recorrer à Justiça para viabilizar a realização de um congresso, acusando a direcção de atrasar o funcionamento dos órgãos internos. A disputa chegou igualmente aos tribunais depois de Muchanga ter sido suspenso pelo partido, decisão que viria a ser anulada judicialmente.
Em Vilankulo, Muchanga acrescentou agora um elemento novo à pressão política: o calendário. Na sua leitura, a RENAMO não pode entrar em Novembro sem uma definição sobre quem conduzirá o partido, porque precisa de tempo para reorganizar as estruturas e preparar-se para as próximas eleições autárquicas. O político invocou os prazos eleitorais para justificar a urgência e sustenta que prolongar a disputa interna reduzirá a margem disponível para uma nova liderança reconstruir o partido e preparar a máquina eleitoral.
É neste contexto que Muchanga dirige uma das mensagens mais duras a Ossufo Momade, defendendo que o presidente deve reconhecer que perdeu apoio dentro da organização e facilitar uma transição antes que a crise se agrave. O antigo porta-voz chegou a pedir aos membros da RENAMO em Inhambane que “orem” para que Momade reconheça aquilo que considera serem erros cometidos durante a sua liderança e aceite uma reconciliação interna, mas deixa claro que, na sua perspectiva, essa reconciliação deve passar necessariamente pela mudança no topo do partido.
“Não podemos chegar a Novembro com esta situação de indefinição dentro do partido”, advertiu Muchanga, acrescentando que é Ossufo Momade quem deve assumir responsabilidades pelo actual ambiente interno. A posição representa mais um endurecimento de uma contestação que vem sendo protagonizada por diferentes sectores da RENAMO e que já envolveu antigos guerrilheiros, quadros seniores e estruturas locais. Em Fevereiro, Muchanga e Alfredo Magumisse já tinham exigido publicamente a renúncia de Momade, acusando a liderança de estar a hipotecar o futuro da organização.
Para sustentar a necessidade de mudança, António Muchanga não limita as críticas à organização interna e acusa Ossufo Momade de manter silêncio perante alguns dos principais problemas que afectam o país. No discurso feito em Vilankulo, enumerou a violência terrorista em Cabo Delgado, a situação de moçambicanos na África do Sul, o custo de vida e o descontentamento manifestado por diferentes grupos profissionais, entre professores, profissionais de saúde e magistrados, para questionar a capacidade do actual presidente da RENAMO de se afirmar como voz da oposição.
Na avaliação de Muchanga, um partido que durante décadas ocupou o lugar de principal força de oposição precisa de ter posições claras sobre os grandes debates nacionais e o silêncio que atribui a Ossufo Momade está a contribuir para aquilo que descreve como perda de relevância política. “O nosso chefe tornou-se mudo, tornou-se surdo”, disparou o antigo porta-voz, depois de questionar a ausência de pronunciamentos públicos do líder sobre vários assuntos que considera determinantes para a vida dos moçambicanos.
A crítica ganha peso num momento particularmente delicado para a RENAMO. Depois das eleições gerais de 2024, o partido perdeu o estatuto de principal força da oposição parlamentar, mudança que aprofundou o debate interno sobre liderança, estratégia e futuro político da organização. A contestação a Momade cresceu desde então e passou a envolver manifestações de antigos combatentes e ocupações de instalações partidárias, enquanto Muchanga se consolidou como uma das figuras mais visíveis da frente que exige mudanças.
Em Inhambane, a contestação já conheceu episódios de maior tensão, com membros do partido a protagonizarem acções contra a liderança e a exigirem a saída de Ossufo Momade. É neste ambiente que Muchanga percorre a província procurando apoio para uma agenda que pretende transformar a insatisfação dispersa numa pressão organizada pela convocação dos órgãos partidários e, posteriormente, de um congresso extraordinário.
Ossufo Momade lidera a RENAMO desde a morte de Afonso Dhlakama, em Maio de 2018, tendo sido eleito presidente do partido no congresso realizado em Janeiro de 2019. Desde então, conduziu a formação em dois ciclos de eleições gerais e esteve à frente do partido durante a implementação do processo de paz e desarmamento que se seguiu ao acordo assinado com o Governo em 2019.
É precisamente o legado político da RENAMO que Muchanga coloca agora no centro da disputa. O antigo porta-voz entende que a organização corre o risco de continuar a perder influência se não renovar rapidamente a liderança, enquanto os seus pronunciamentos mostram que a contestação deixou de estar concentrada apenas na exigência de saída de Ossufo Momade e passou a apresentar uma proposta concreta de transição: Conselho Nacional, reformas internas e congresso extraordinário para escolher quem deverá conduzir o partido.
A batalha que se desenha dentro da RENAMO será, por isso, tanto sobre Ossufo Momade quanto sobre o modelo de partido que emergirá da actual crise. Muchanga quer uma decisão antes de Novembro e percorre estruturas partidárias à procura de apoio para forçar essa mudança, enquanto o calendário político continua a avançar e reduz o tempo disponível para a reorganização pretendida pelos contestatários.
Em Vilankulo, a mensagem foi inequívoca: para António Muchanga, a RENAMO já não tem tempo apenas para discutir a crise, precisa de decidir quem a vai liderar para sair dela.
Ossufo Momade, presidente da Renamo, o maior partido da oposição em Moçambique, desafia os cidadãos a apostarem de forma mais séria e responsável na agricultura para acabar com a fome no país.
Falando durante o comício que orientou ontem, no posto administrativo de Dombe, distrito de Sussundenga, província central de Manica, Momade, citado pela Agência de Informação de Moçambique, assegurou que vai acabar com a agricultura de cabo curto em todos os distritos do país e fomentar um sector mecanizado e moderno.
O líder da Renamo efectua desde meados de Julho último num périplo da pré-campanha eleitoral que antecede o início, a 26 do mês corrente, da campanha propriamente dita, cujo lançamento vai ser a 24.
“A primeira coisa que nós queremos fazer em Moçambique é construir um Moçambique sem fome. Queremos um Moçambique rico, desenvolvido, através da agricultura”, disse.
Momade disse que, para o efeito, caso ganhe as eleições vai distribuir tractores aos camponeses como forma de fomentar uma agricultura mecanizada e, com isso, refinanciar um ciclo de produção e produtividade.
O presidente da Renamo deplora o estado do mercado de Dombe, que necessita de uma transformação profunda para se apresentar com o devido saneamento.
Diariamente, os vendedores pagam taxas de ocupação de espaços, mas Momade disse que o dinheiro não é destinado a criar melhorias para o mercado.
“Vocês diariamente são obrigados a pagar taxas aqui pelo Governo. E o que é que fizeram? Falta cimentar aqui. Cada comerciante fez a sua barraca. A função do Governo é só cobrar e meter dinheiro no bolso?”, questionou.
Momade concorre para as eleições presidenciais, apoiado pela Renamo. As eleições, incluindo as legislativas e de governadores, estão marcadas para 09 de Outubro próximo.
Mais uma trabalhadora de sexo foi assassinada, na cidade da Beira, totalizando seis desde Janeiro a esta parte, contra sete em igual período do ano passado. O suposto autor do crime foi detido e é um indivíduo com histórico de violência contra menores e mulheres.
Nem mesmo os intensos movimentos feministas e accões conjuntas dos vários órgãos ligados à justiça, em Sofala, conseguem travar o assassinato de mulheres naquele ponto do país.
Na madrugada do passado domingo, mais uma trabalhadora do sexo desapareceu depois de ter estado com um cliente. A mesma foi encontrada morta, terça-feira.
A amiga da vítima, igualmente trabalhadora de sexo, contou que a malograda saiu na companhia do indivíduo agora detido e que, pouco tempo depois, ela recorreu ao telefone do indiciado para falar com ela.
A mesma diz ainda que Tina, assassinada, e o jovem ora detido passariam a noite na sua residência.
Outrossim, diz que os números da amiga e do indiciado estavam desligados e que, dois dias depois, na terça-feira, ficou a saber que a amiga foi encontrada morta e decidiu colaborar com a polícia. O jovem foi detido por fortes suspeitas de ser o autor do crime, mas nega as acusações.
As cicatrizes que o indiciado tem no pescoço aumentam as suspeitas que levaram à sua detenção.
No decurso das diligências em torno deste crime, o SERNIC na Beira descobriu que corre um outro processo contra o detido, que andava fugitivo, indiciado de ter violado uma menor de dois anos de idade no distrito de Dondo.
Aliás, consta que estava na cadeia desde princípios do ano passado e que saiu em liberdade há menos de um mês por ter sido encontrado na posse de um telefone que pertencia a uma trabalhadora de sexo que sofreu violência sexual e foi assassinada no distrito de Dondo.
Uma plataforma lançada pelo mudanças climáticas na saúde(INS) de Moçambique vai avaliar o impacto das mudanças climáticas na saúde no Centro do país, e respectivas respostas sanitárias, foi anunciado hoje.
“O investimento em sistemas de saúde resilientes às mudanças climáticas não é uma escolha, mas sim um imperativo”, afirmou Cecília Chamutota, secretária de Estado em Sofala, após o lançamento, na Beira, na terça-feira, da Plataforma de Monitoria do Impacto das Mudanças Climáticas na Saúde.
A plataforma vai ser implementada inicialmente nos distritos de Dondo, Búzi e Nhamatanda, para ajudar o Ministério de Saúde a assegurar a prestação de cuidados em função das necessidades específicas e localizadas, numa região assolada por vários ciclones nos últimos anos.
A plataforma permitirá ainda a partilha de experiências na resposta a emergências sanitárias, entre outros aspetos que visam melhorar a prestação de saúde em períodos de emergência.
O director nacional do INS disse que a implementação da ferramenta se justifica pela vulnerabilidade de Moçambique, por conta da localização geográfica do país.
Eduardo Samo Gudo garantiu que o sector da saúde tem vindo a trabalhar para responder aos novos desafios impostos pelas mudanças climáticas e o seu impacto na saúde.
“O Ministério da Saúde de Moçambique tem vindo a implementar diversas acções para edificar um sistema de saúde resiliente às mudanças climáticas”, afirmou.
Eduardo Samo Gudo disse acreditar no sucesso da plataforma e no possível futuro alargamento a outras províncias do país.
A coordenadora da área de saúde e ambiente do INS, Tatiana Marufo, disse que o novo sistema vai ajudar a identificar e garantir a devida assistência de saúde às comunidades em caso de calamidades naturais.
“Nós temos uma expectativa enorme em relação a esta plataforma, visto que pretendemos trabalhar com as comunidades mais vulneráveis para tentar perceber porque é que temos subsequentemente interrupção de prestação de cuidados de saúde. E assim nós vamos desenhar as melhores intervenções adaptadas ao contexto de cada distrito, para que tenhamos resiliência”, concluiu.
Moçambique é considerado um dos países mais severamente afectados pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente secas, cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre Outubro e Abril.
O Governo japonês desembolsou dois milhões de dólares ao Programa Alimentar Mundial (PAM), para fornecer ajuda alimentar a 48 mil deslocados internos na província de Cabo Delgado, Norte de Moçambique.
“Esta oportuna contribuição permitirá apoiar as populações mais vulneráveis do país com a distribuição de arroz e conservas do Japão a cerca de 48 mil deslocados internos na província de Cabo Delgado durante um período de seis meses”, lê-se num comunicado do PAM, que refere que o memorando de entendimento para este apoio será assinado em Maputo, na quinta-feira, segundo escreve a Lusa.
A província de Cabo Delgado enfrenta há mais de seis anos ataques terroristas por grupos associados ao Estado Islâmico, os quais provocaram mais de 1,2 milhões de deslocados, segundo dados oficiais, mas também efeitos das alterações climáticas, como cheias.
Também o Governo da Noruega desembolsou, em Julho, 3,3 milhões de euros ao PAM, neste caso para o reforço dos sistemas alimentares adaptados às mudanças climáticas e a expansão dos programas de alimentação escolar no sul de Moçambique, projeto a implementar em seis distritos das províncias de Gaza e Inhambane.
No final de Setembro, o Presidente da República, Filipe Nyusi, apelou à preparação da população e das entidades para os previsíveis efeitos do fenómeno El Niño no país nos meses seguintes, com previsões de chuvas acima do normal e focos de seca, em todo o país.
Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas globais, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril.
O primeiro que falou ao jornal O País em reacção ao último Informe do Chefe do Estado foi o presidente do Município de Maputo, Rasaque Manhique, que fez menção à questão da paz como um dos ganhos que o país teve na presidência de Filipe Nyusi.
Quem partilha do mesmo pensamento é o provedor de Justiça, Isaque Chande, que disse que, dentre os vários ganhos da governação de Filipe Nyusi, devem ser destacadas a paz e a reconciliação nacional.
Já Ana Comoana, ministra da Administração Estatal, disse estar bastante satisfeita com tudo o que ouviu. “O Presidente deu a conhecer tudo o que fez, obviamente que foi um percurso com vários desafios, mas ele justificou a razão dos desafios e disse o que esperávamos ouvir”.
Celso Correia, por sua vez, disse apenas que foi um desafio “fazer uma radiografia de cinco anos de governação”, mas que Filipe Nyusi o fez e trouxe uma retrospectiva de tudo o que foi feito.
A poestisa e activista social Énia Lipanga vai participar, neste Agosto e em Setembro, em várias actividades artísticas no Brasil. A autora de Ensaios da partida espera promover a sua obra e a arte moçambicana naquele país.
Há alguns anos que Énia Lipanga alimenta esse desejo de levar o seu trabalho ao Brasil. Nada por acaso. O país de Machado, Caetano e Senna… o país de Elis, Bethânia e Rebeca sempre acolheu a arte da poetisa moçambicana com entusiasmo. “Com a chegada das redes sociais, comecei a perceber um aumento significativo no consumo dos meus escritos por leitores brasileiros. Recebi diversos convites ao longo do tempo, mas sempre quis fazer uma viagem completa, onde pudesse interagir de forma mais profunda com partes do Brasil, onde já sinto que tenho raízes”, Gracejou.
Com naturalidade, surgiu o convite da Secretaria de Cultura, Artes e Esportes da Universidade Federal de Santa Catarina, como que um impulso que, afinal, a poetisa precisava. “Alinhado à minha vontade e à disponibilidade de tempo, decidi aceitar este convite e aproveitá-lo para unificar outros convites que já tinha recebido anteriormente”.
Com efeito, neste mês de Agosto e em Setembro, Énia Lipanga vai, finalmente, realizar a sua primeira digressão internacional no Brasil, designadamente, em São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Santa Maria e Boa Vista. O pretesto, para o efeito, é “Composta de Ti(s)”, que é o conceito da digressão que pretende levar uma série de eventos que misturam poesia, activismo e trocas culturais.
No Brasil, começando por São Paulo, Énia Lipanga será recebida por poetisas feministas numa sessão que inclui roda de conversa com a União de Mulheres de São Paulo, abordando o tema “Arte que salva” e o sarau cultural “Palavras são palavras, já conhecido em Maputo”.
No Rio de Janeiro, a marca GDarkestampas apresentará uma amostra da colecção de roupas “Sou África”, criada em homenagem à escritora em 2018. E não se ficará por aí. A activista também vai apresentar, em Niterói, uma edição especial do sarau “E quando me tornei corpo?” e participar numa conversa na Universidade Federal Fluminense. “Um dos destaques desta viagem poderá ser o encontro à porta fechada com a renomada escritora Conceição Evaristo, onde ambas partilharão as suas experiências e perspectivas sobre literatura e activismo”, lê-se na nota de imprensa sobre a digressão.
Em Florianópolis, Énia Lipanga tem agendados eventos na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), vai ministrar uma palestra sobre as vozes femininas moçambicanas e, numa nova sessão de “E quando me tornei corpo?”, o sarau da poetisa vai contar com a participação especial da escritora Eliane Debus.
Por fim, na Boa Vista, Énia Lipanga fará uma conversa sobre os seus livros e sobre o que julga ser moçambicanidade. Nesse caso, a artista pretende proporcionar uma oportunidade de os brasileiros conhecerem mais a sua obra e as perspectivas culturais nacionais.
A propósito de se dar a conhecer no Brasil, Énia Lipanga afirma o seguinte: “Espero ampliar a minha voz num país onde Moçambique ainda é pouco conhecido. Desejo que esta digressão sirva como uma ponte cultural, onde possa partilhar a riqueza da poesia moçambicana e, ao mesmo tempo, aprender e interagir com os poetas e escritores brasileiros. Já colaborei com alguns deles em antologias e outros projectos, mas esta será a primeira vez que teremos a oportunidade de nos encontrar pessoalmente e trocar experiências de forma mais directa”.
De igual modo, Énia Lipanga espera que a viagem reforce a importância da literatura como ferramenta de activismo social, especialmente em questões de género e direitos humanos. A artista quer que o público brasileiro conheça mais sobre as lutas e conquistas das mulheres moçambicanas e como a poesia pode ser um meio poderoso de resistência e transformação. E garante: “Levo comigo a minha poesia livre, erótica e de intervenção social. Levo a minha africanidade e moçambicanidade. Estou ansiosa para partilhar a beleza e a profundidade da nossa cultura através dos meus escritos e das performances que farei”.
Énia Lipanga tem a ideia de implantar o sarau cultural “Palavras são palavras” no Brasil. Por isso mesmo, quer tratar de explorar essa possibilidade.
Não menos importante, a poetisa e activista pretende, com a digressão no Brasil, trazer de volta uma bagagem repleta de novas experiências, conhecimentos e amizades. Quer aprender com os poetas e escritores brasileiros, absorver a diversidade cultural do Brasil e trazer essas influências para o seu trabalho. “Acredito que esta troca enriquecerá a minha perspectiva e a minha arte, proporcionando-me novas inspirações e ideias para futuros projectos. Espero também fortalecer os laços entre os movimentos de poesia e de mulheres dos dois países, criando uma rede de apoio e colaboração que possa perdurar para além desta digressão”.
É o fim do último informe à nação. O primeiro a reagir ao jornal O País foi o Presidente do Município de Maputo, Rasaque Manhique, que fez menção à questão da paz como um dos ganhos que o país teve na presidência de Filipe Nyusi.
Quem partilha do mesmo pensamento é o Provedor de Justiça, Isaque Chande, que disse que dentre os vários ganhos da governação de Filipe Nyusi, devem ser destacadas a paz e a reconciliação nacional.
Já Ana Comoana, Ministra da Administração Estatal, disse estar bastente satisfeita com tudo o que ouviu. “O presidente deu a conhecer tudo o que fez, obviamente que foi um percurso com vários desafios, mas ele justificou a razão dos desafios e disse o que esperávamos ouvir”.
Celso Correia, por sua vez, disse apenas que foi um desafio “fazer uma radiografia de cinco anos de governação”, mas que Filipe Nyusi o fez e trouxe uma retrospectiva de tudo o que foi feito.
O Presidente da República apresentou, esta quarta-feira, na Assembleia da República, em Maputo, o seu último informe. Falando do Estado da Nação, Filipe Nyusi disse que “o país cresce economicamente e a nação caminha resiliente rumo ao desenvolvimento sustentável”. Na mesma ocasião, Nyusi mencionou conquistas em áreas como saúde, educação, energia, infra-estruturas, recursos minerais e diplomacia.
No seu entendimento, a paz é uma das suas maiores conquistas. Por isso mesmo, o Presidente da República revelou que o Governo pretende construir um Memorial da Paz na Serra de Gorongosa, como forma de inspirar novas gerações. Nyusi abordou ainda o problema dos raptos, revelando, igualmente, que o país accionou a Interpol para deter o mandate que se encontra no estrangeiro.
O Presidente da República entende que “o país cresce economicamente e a nação caminha resiliente rumo ao desenvolvimento sustentável”. Ao defender a ideia, durante o seu último informe à nação, Filipe Nyusi reforçou que o crescimento do país é mensurável através de aspectos concretos, não obstante tantas tempestades e convulsões enfrentadas.
“Em 2015, quando tomei posse pela primeira vez, disse que, de mãos dadas, iríamos construir um Moçambique melhor, e convidei os partidos da oposição a fiscalizar os ciclos governativos para o bem do desenvolvimento nacional. Ao longo dos anos, fomos sendo escrutinados. Queremos manifestar a nossa gratidão, inclusive pelas críticas”, disse Nyusi.
No seu derradeiro informe, o Presidente da República destacou as realizações no campo da diplomacia, na região, no continente e no mundo. Filipe Nyusi reforçou que a sua governação se concentrou na política económica, na consolidação e no aprofundamento dos laços entre os povos, no engajamento com moçambicanos dentro e fora país e no impulsionamento de parcerias económicas. Por exemplo, com a União Aduaneira da África Austral.
Nyusi enalteceu a presidência rotativa de Moçambique da SADC, a candidatura do país a membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, por unanimidade, um acto que considera um marco para a diplomacia moçambicana. No Conselho de Segurança da ONU, Moçambique liderou debates e propôs resoluções sobre paz, conflitos, com visitas de Estado de Filipe Nyusi para promover boa imagem do país no estrangeiro. Ainda na questão da diplomacia, Nyusi destacou acordos que criaram oportunidades de invenstimento e apoio para combate ao terrorismo.
Outra realização tem a ver com a retoma do diálogo político entre o Governo e a União Europeia. “A nossa liderança na região e no continente foi marcante ao assumirmos presidências da SADC, sem limite de presença formal. Quisemos promover agenda da paz e desenvolvimento económico”. Logo, actualmente, “há confiança internacional na nossa governação”.
Os resultados alcançados, segundo Nyusi, não podem ser objecto de retórica. As conquistas do seu Governo reflectem-se na vida do cidadão, que tem mais água, energia, saúde, escolas e infra-estruturas. O Presidente da República sublinhou que as realizações em causa foram alcançadas quando em todo o mundo se vive um clima de tensão, crise e agravamento de vida das pessoas. “Reconhecemos que há muito trabalho a ser feito, mas os progressos alcançados dão confiança para implementarmos um programa que visa melhorar a vida de todos os moçambicanos”.
Por ser o seu último informe, Filipe Nyusi desejou uma campanha pacífica rumo às eleições de 9 de Outubro e adesão massiva aos locais de votação, num ambiente de civismo e respeito pelos adversários políticos.
O Presidente da República defende que o problema dos raptos no país não pode ser resolvido com simples comentários. Filipe Nyusi exige uma profunda reflexão, assim como medidas enérgicas para a resolução da situação.
O fenómeno, que eclodiu em 2011, tendo como alvos maioritariamente cidadãos de origem asiática, cria, segundo o Presidente da República, um sentimento de insegurança no seio da sociedade moçambicana.
Para Filipe Nyusi o problema dos raptos constitui um desafio para todos os moçambicanos, de tal maneira que é preciso que cada um faça a sua parte, de modo a contribuir para a sua erradicação.
“É um problema que ainda está longe de ser resolvido”, assume o Chefe do Estado, que diz, ainda assim, que é preciso não vergar perante as adversidades. Nesse sentido, segundo explicou no seu Informe sobre o Estado Geral da Nação, o Governo tem tomado medidas enérgicas na perspectiva de, pelo menos, reduzir o fluxo de casos.
“Estamos cientes de que ainda não estamos a conseguir resolver o fenómeno dos raptos no país, mas estamos a combater esse tipo de crime”, garante Nyusi.
Uma das medidas implementadas pelo Executivo moçambicano é a criação de unidades especiais e de inteligência, havendo um número considerável de agentes que está ainda em treinamento.
Apesar da potenciação dos diversos agentes ligados ao combate desse tipo de crime, persiste o desafio de dotar os sectores de investigação de equipamento de ponta, de modo a permitir mais eficácia no esclarecimento dos casos, desde o seu planeamento até à execução.
REVELADO MANDANTE DE RAPTOS
De Janeiro de 2023, ao presente mês, o país registou um total de 22 casos de raptos, tendo como vítimas cidadãos de origem asiática. Desse número, oito casos foram frustrados e 11 esclarecidos pelas autoridades, havendo a destacar que foram detidas 57 pessoas em conexão com esses crimes. As autoridades policiais desmantelaram, nesse período, quatro cativeiros.
Segundo explicou o Presidente da República, nas últimas três semanas, a polícia deteve três indivíduos envolvidos nos últimos raptos na Cidade de Maputo. Das investigações feitas, os mesmos revelaram o nome de um dos mandantes do crime, que, segundo Nyusi, é um empresário bem conhecido.
“Esse empresário não está em Moçambique. Já accionamos a INTERPOL para nos ajudar a identificar e deter o indivíduo. É preciso trazê-lo ao país para responder pelos seus crimes”, revela Filipe Nyusi.
Apesar desse esforço, o Chefe do Estado entende que persistem muitos desafios no que diz respeito à colaboração das vítimas, quando são resgatadas. Explicou que as mesmas têm mostrado alguma relutância para fornecer dados às autoridades por alegadamente terem medo de sofrer represálias.
“Temos de estudar esse fenómeno para vermos o que é que, de facto, está a acontecer. As vítimas falam de medo. Como é que vamos resolver o problema sem a colaboração deles? É preciso que haja maior sensibilidade, pois esse problema é de todos”, lamenta Nyusi.
Ainda no seu informe, Filipe Nyusi disse que, recentemente, foi depositada, na Assembleia da República, uma proposta de revisão da Lei Polícia da República de Moçambique, instrumento que tem em vista dotar a corporação de plenos poderes para a flexibilização e aprimoramento dos métodos de investigação.