Antigo porta-voz da RENAMO intensifica contestação à liderança de Ossufo Momade e defende que o partido não pode chegar a Novembro mergulhado na actual indefinição. António Muchanga quer a convocação urgente do Conselho Nacional e um congresso extraordinário para eleger uma nova liderança.
A crise interna na RENAMO ganhou um novo capítulo, desta vez a partir de Vilankulo, na província de Inhambane, onde António Muchanga voltou a subir o tom contra Ossufo Momade e defendeu mudanças urgentes na direcção do partido, considerando que a maior força da oposição durante décadas está a perder espaço político e, nas suas palavras, a “morrer aos poucos”. O antigo porta-voz da RENAMO quer que o partido convoque o Conselho Nacional e avance para um congresso extraordinário que permita eleger uma nova liderança, colocando Novembro como limite político para a resolução da actual crise e argumentando que qualquer adiamento poderá comprometer a preparação da formação para o próximo ciclo eleitoral.
A passagem por Vilankulo integra uma movimentação que Muchanga diz estar a realizar por diferentes pontos da província de Inhambane para mobilizar membros em torno da necessidade de reformas internas, depois de ter passado por Zavala, Morrumbene e Massinga. Em Vilankulo, município actualmente governado pela RENAMO, o antigo deputado procurou usar os resultados eleitorais alcançados pelo partido em diferentes autarquias como argumento para sustentar que existe uma distância entre aquilo que considera ser a força eleitoral da organização e o estado actual da sua liderança, afirmando que a RENAMO conquistou municípios onde acabou por não assumir a governação e que esse percurso não pode ser ignorado quando se discute o futuro da formação política.
“Viemos despertar os colegas sobre a necessidade de haver reformas que vão culminar com a realização do congresso extraordinário, onde vamos eleger nova liderança do partido”, afirmou Muchanga, defendendo que a RENAMO precisa primeiro de colocar os seus órgãos internos a funcionar regularmente e, depois, resolver a disputa em torno da liderança através dos mecanismos estatutários. Segundo o político, o Conselho Nacional deveria reunir com maior regularidade e a ausência desses encontros está a contribuir para prolongar uma crise que, no seu entendimento, já começa a afectar a capacidade do partido de se posicionar perante os principais assuntos nacionais.
A pressão de António Muchanga sobre Ossufo Momade não começou em Inhambane. O antigo deputado tem sido uma das vozes mais críticas da actual direcção e, nos últimos meses, intensificou a exigência de saída do presidente da RENAMO, acusando-o de ser responsável pelo enfraquecimento da formação. Em Maio, Muchanga voltou publicamente a defender a retirada de Momade da liderança, enquanto em Julho anunciou que pretendia recorrer à Justiça para viabilizar a realização de um congresso, acusando a direcção de atrasar o funcionamento dos órgãos internos. A disputa chegou igualmente aos tribunais depois de Muchanga ter sido suspenso pelo partido, decisão que viria a ser anulada judicialmente.
Em Vilankulo, Muchanga acrescentou agora um elemento novo à pressão política: o calendário. Na sua leitura, a RENAMO não pode entrar em Novembro sem uma definição sobre quem conduzirá o partido, porque precisa de tempo para reorganizar as estruturas e preparar-se para as próximas eleições autárquicas. O político invocou os prazos eleitorais para justificar a urgência e sustenta que prolongar a disputa interna reduzirá a margem disponível para uma nova liderança reconstruir o partido e preparar a máquina eleitoral.
É neste contexto que Muchanga dirige uma das mensagens mais duras a Ossufo Momade, defendendo que o presidente deve reconhecer que perdeu apoio dentro da organização e facilitar uma transição antes que a crise se agrave. O antigo porta-voz chegou a pedir aos membros da RENAMO em Inhambane que “orem” para que Momade reconheça aquilo que considera serem erros cometidos durante a sua liderança e aceite uma reconciliação interna, mas deixa claro que, na sua perspectiva, essa reconciliação deve passar necessariamente pela mudança no topo do partido.
“Não podemos chegar a Novembro com esta situação de indefinição dentro do partido”, advertiu Muchanga, acrescentando que é Ossufo Momade quem deve assumir responsabilidades pelo actual ambiente interno. A posição representa mais um endurecimento de uma contestação que vem sendo protagonizada por diferentes sectores da RENAMO e que já envolveu antigos guerrilheiros, quadros seniores e estruturas locais. Em Fevereiro, Muchanga e Alfredo Magumisse já tinham exigido publicamente a renúncia de Momade, acusando a liderança de estar a hipotecar o futuro da organização.
Para sustentar a necessidade de mudança, António Muchanga não limita as críticas à organização interna e acusa Ossufo Momade de manter silêncio perante alguns dos principais problemas que afectam o país. No discurso feito em Vilankulo, enumerou a violência terrorista em Cabo Delgado, a situação de moçambicanos na África do Sul, o custo de vida e o descontentamento manifestado por diferentes grupos profissionais, entre professores, profissionais de saúde e magistrados, para questionar a capacidade do actual presidente da RENAMO de se afirmar como voz da oposição.
Na avaliação de Muchanga, um partido que durante décadas ocupou o lugar de principal força de oposição precisa de ter posições claras sobre os grandes debates nacionais e o silêncio que atribui a Ossufo Momade está a contribuir para aquilo que descreve como perda de relevância política. “O nosso chefe tornou-se mudo, tornou-se surdo”, disparou o antigo porta-voz, depois de questionar a ausência de pronunciamentos públicos do líder sobre vários assuntos que considera determinantes para a vida dos moçambicanos.
A crítica ganha peso num momento particularmente delicado para a RENAMO. Depois das eleições gerais de 2024, o partido perdeu o estatuto de principal força da oposição parlamentar, mudança que aprofundou o debate interno sobre liderança, estratégia e futuro político da organização. A contestação a Momade cresceu desde então e passou a envolver manifestações de antigos combatentes e ocupações de instalações partidárias, enquanto Muchanga se consolidou como uma das figuras mais visíveis da frente que exige mudanças.
Em Inhambane, a contestação já conheceu episódios de maior tensão, com membros do partido a protagonizarem acções contra a liderança e a exigirem a saída de Ossufo Momade. É neste ambiente que Muchanga percorre a província procurando apoio para uma agenda que pretende transformar a insatisfação dispersa numa pressão organizada pela convocação dos órgãos partidários e, posteriormente, de um congresso extraordinário.
Ossufo Momade lidera a RENAMO desde a morte de Afonso Dhlakama, em Maio de 2018, tendo sido eleito presidente do partido no congresso realizado em Janeiro de 2019. Desde então, conduziu a formação em dois ciclos de eleições gerais e esteve à frente do partido durante a implementação do processo de paz e desarmamento que se seguiu ao acordo assinado com o Governo em 2019.
É precisamente o legado político da RENAMO que Muchanga coloca agora no centro da disputa. O antigo porta-voz entende que a organização corre o risco de continuar a perder influência se não renovar rapidamente a liderança, enquanto os seus pronunciamentos mostram que a contestação deixou de estar concentrada apenas na exigência de saída de Ossufo Momade e passou a apresentar uma proposta concreta de transição: Conselho Nacional, reformas internas e congresso extraordinário para escolher quem deverá conduzir o partido.
A batalha que se desenha dentro da RENAMO será, por isso, tanto sobre Ossufo Momade quanto sobre o modelo de partido que emergirá da actual crise. Muchanga quer uma decisão antes de Novembro e percorre estruturas partidárias à procura de apoio para forçar essa mudança, enquanto o calendário político continua a avançar e reduz o tempo disponível para a reorganização pretendida pelos contestatários.
Em Vilankulo, a mensagem foi inequívoca: para António Muchanga, a RENAMO já não tem tempo apenas para discutir a crise, precisa de decidir quem a vai liderar para sair dela.
A Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, participou, no último sábado, na cerimónia tradicional Kulamba Kubwalo, na Zâmbia, em representação do Presidente da República Filipe Nyusi.
A cerimónia que juntou Moçambique, Zâmbia e Malawi presta tributo ao Rei Kalonga Gawa Undi, líder máximo das comunidades chewas de Moçambique, Malawi e Zâmbia.
No evento, a expressão artística mais alta é o Nyau-Gule Wamkulu, património oral e imaterial da humanidade, uma das manifestações que transporta uma rica tradição histórica e sócio-cultural dos povos africanos.
Kulamba Kubwalo, dos povos chewa, é uma celebração conjunta que surge pelo facto dos três países partilharem a herança histórica e cultural reflectida nas línguas e tradições interligadas dos três países. A participação de Moçambique na cerimónia reforça os laços de cooperação e amizade que unem as comunidades bantu, em particular os povos chewa.
Para Eldevina Materula, apesar da imposição das fronteiras geográficas, os povos de Moçambique, Zâmbia e Malawi continuam uno e indivísivel.
Materula disse, no seu discurso, que o Governo de Moçambique continua empenhado em expandir as acções do Estado para cada comunidade, reconhecendo a importância crucial dos líderes comunitários, e sua importância na promoção do conhecimento local, na consolidação da paz e da unidade nacional, na luta contra a pobreza e mudanças climáticas, incentivando o aumento da produção, produtividade e no bem-estar social de todos os moçambicanos.
A cerimónia é organizada pelo Estado zambiano em coordenação com a família Real Undi da Zâmbia, que realiza anualmente um ritual tradicional praticado exclusivamente pela etnia chewa, achipetas e azimbas dos três países vizinhos, como símbolo de exaltação e prestação de tributo aos ancestrais dos seus povos de Moçambique, Malawi e Zâmbia, sob liderança do Rei Kalonga Gawa Undi.
Este evento foi, igualmente, uma oportunidade excepcional para os artistas trocarem experiências, ampliarem os seus horizontes e divulgar as suas criações artísticas.
De igual modo, a cerimónia tradicional Kulamba contribui para despertar o aprimoramento dos processos de execução de Nyau-Gule Wamkulu e garantir a preservação e a manutenção dos valores culturais dos povos de etnia chewa.
Materula vincou ainda que é compromisso de todas as forças prosseguir com este legado, respeitando a herança cultural e construindo uma sociedade onde a cultura é um factor de inclusão, que permite manifestar a identidade africana, nutrir a consciência patriótica, fortalecer a unidade na diversidade, como ferramenta estratégica para a promoção do desenvolvimento e preservação da história dum povo.
Milhares de pessoas marcaram presença na mais alta cerimónia de elevação da tradição do povos chewas, que contou com a presença de diversas individualidades com destaque o Presidente da Zâmbia, Hakainde Hichilema, da Embaixadora de Moçambique na Zâmbia, Mónica Mussa, e do Governador de Tete, Domingos Viola.
O Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INTRATO) está sem sistema para emissão de cartas e matrículas, devido à ruptura da Fibra Óptica da TMcel, instituição pública que garante a funcionalidade dos serviços deste instituto.
A informação foi tornada pública, esta segunda-feira, através de um comunicado que “O PAÍS” teve acesso.
O INATRO não avançou com nenhuma previsão sobre a retoma dos serviços, muito menos medidas a serem tomadas para minimizar os impactos para os utentes, entretanto, pede desculpas pelos transtornos causados.
Proposta de clube da Arábia Saudita rejeitada pelos leões que, antes, já tinha dito não a 12 milhões propostos pelo Valência. A SAD leonina não fala por menos de 25 milhões, mais de 1.7 mil milhões de meticais.
Segundo escreve o jornal A Bola na edição desta segunda-feira, um clube da Arábia Saudita, no presente defeso, mostrou-se disponível para avançar com 15 milhões de euros para adquirir os direitos económicos de Geny Catamo, mas a administração da SAD liderada por Frederico Varandas rejeitou a oferta, fixando a fasquia nos 25 milhões para trespassar o passe do ala moçambicano, sendo que ainda teria de chegar a acordo com o Amora e com a Associação Black Bulls para efectivar o negócio.
Antes, os espanhóis do Valência tinham feito chegar aos escritórios de Alvalade uma abordagem por valores um pouco mais baixos, na ordem dos 12 milhões que obteve a mesma resposta. Valores consideráveis se tivermos em conta que há um ano o passe de Geny, segundo a plataforma e especializada Transfermarkt, estava avaliado em 600 mil euros após empréstimos não muito bem sucedidos a Vitória de Guimarães e Marítimo.
Numa época tudo mudou, com a adaptação com êxito à ala do meio-campo com funções mais defensivas – era extremo de raiz – com a participação em 41 jogos em 2023/2024, seis golos marcados (dois deles fundamentais diante do eterno rival Benfica) e cinco assistências realizadas.
Na temporada já em curso, titularidade absoluta nos quatro encontros realizados até ao momento, com a nuance de, face à lesão de Nuno Santos e à ascensão do menino Geovany Quenda, ter mudado de faixa, passando da direita para a esquerda, ele que é canhoto de raiz.
Estes números fizeram com que a avaliação do passe de Geny, de 24 anos de idade, subisse em flecha para os 10 milhões, mas tendo em conta que na renovação de contrato ocorrida em Dezembro de 2023 a validade do vínculo passou para Junho de 2028 e o valor da cláusula de rescisão subiu até aos 60 milhões de euros, os valores propostos ainda estão bem abaixo do mencionado, num jogador que é aposta firme de Rúben Amorim.
Daqui em diante se verá como será, face à chegada de Maxi Araújo para a faixa esquerda e à recuperação de Nuno Santos, que esteve um mês parado devido a problema ligamentar.
À ESPERA DO “JACKPOT”
O Amora e a Associação Black Bulls são partes interessadas num eventual negócio da venda do passe de Geny Catamo, uma vez que a SAD do clube da margem sul do Tejo continua deter 75 por cento do passe do jogador e, por sua vez, num negócio sui generis, os moçambicanos detém 85 por cento dos 75 por cento dos direitos do Amora.
Poder-se-ia pensar que seria mais fácil a potenciais interessados chegarem a acordo com estas duas entidades, mas assim não é porque quem pode trespassar os passes de jogadores são os detentores dos direitos desportivos dos mesmos – essenciais para a sua inscrição – e esses estão na posse do Sporting.
Tanto Amora como Black Bulls esperam um “jackpot” para as suas contas quando venderem as partes do passe de Geny Catamo mas, até ao momento, o processo não sofreu grandes evoluções, o que apenas deverá acontecer quando o Sporting receber propostas que entenda como interessantes para a venda dos direitos económicos do camisola 21.
O Amora coloca a fasquia na ordem dos três milhões de euros a receber e desse montante teria de entregar 75 por cento (2, 55 milhões) à já citada Black Bulls.
Depois da validação da victória de Nicolás Maduro , as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) declararam “absoluta lealdade e subordinação” ao Presidente.
Através de uma mensagem partilhada na rede social Instagram pelo comandante operacional estratégico da instituição militar, Domingo Hernández Lárez, as Forças Armadas declararam: “Hoje ratificamos a nossa absoluta lealdade e subordinação ao comandante-chefe da FANB e ao Presidente Nicolás Maduro, bem como ao processo revolucionário bolivariano legitimamente constituído”, afirma uma mensagem partilhada no Instagram pelo comandante operacional estratégico da instituição militar, Domingo Hernández Lárez”.
A Constituição, no seu artigo 328.º, refere que as FANB são uma “instituição essencialmente profissional, sem militância política”, que está “ao serviço exclusivo da nação e em caso algum ao serviço de qualquer pessoa ou partido político”.
De acordo com a mensagem publicada por Hernández Lárez, as Forças Armadas “cumprem absoluta e categoricamente” a decisão da Câmara Eleitoral do Supremo Tribunal de Justiça que confirma os resultados anunciados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), atribuindo a vitória, nas eleições realizadas em 28 de julho, a Maduro para um terceiro mandato consecutivo.
A oposição instou ainda as FANB a “fazer cumprir a soberania popular” expressa nas eleições presidenciais.b
Há famílias que vivem muito perto do Cemitério de Lhanguene, na Cidade Maputo. Devido à proximidade e precariedade das valas comuns, enfrentam o mau cheiro e ossadas humanas em seus quintais.
Trata-se do cemitério de Lhanguene, localizado na Cidade de Maputo. O lugar de descanso para alguns acaba por ser de perturbação para outros.
“Temos essa inquietação. Afinal, porque trazem os mortos para enterrar próximo às nossas residências e não lá longe?”, questionou, aparentemente agastada, Reinilda Mazive, residente do bairro Luís Cabral.
O grito de socorro é de quem há décadas reside a escassos metros de uma vala comum e enfrenta moscas e cheiro nauseabundo provocado pelos corpos decompostos, principalmente na hora das refeições.
“Não passo nenhuma refeição quando o cheiro começa a fazer-se sentir. Abrem covas pequenas e metem pouca areia sobre os corpos”, denunciou a dona Reinalda.
Uma viatura branca com contentor na bagageira é usada pela edilidade de Maputo para levar os corpos abandonados nas morgues dos hospitais central e geral para as valas comuns. O trabalho é feito à luz do dia e, às vezes, com pouco cuidado.
“Todos os dias, de manhã e de tarde, quando este carro chega sentimos o mau cheiro. Quando passa, deixa manchas de sangue e, quando chamamos atenção, eles ignoram-nos”, contou um munícipe.
Ana Judite reside neste bairro há mais de 30 anos e agora teme pelo bem estar das suas crianças.
“Estamos expostos. O carro entra à luz do dia enquanto as nossas crianças estão aqui, na rua. Elas crescem a ver o carro da vala comum todos os dias. Isso nos preocupa”, expressou a sua preocupação Ana Judite.
Enquanto a mudança não ocorre, pelo menos um muro mais comprido podia aliviar o coração desta mãe. “Quando amanhece, nós vamos atrás do sustento e as crianças ficam em casa. Elas entram no cemitério e talvez façam trabalhos lá dentro, como vender água, mas nós não temos como controlar. Isso nos preocupa bastante e por isso pedimos uma solução de um muro mais alto, pelo menos por enquanto”, apelou.
Custódio da Ravuga é chefe do quarteirão 43 e reside na célula “J” desde a década de 1990. Hoje, lembra-se dos cenários assustadores que testemunhou.
“Assistimos a cenários críticos. Cães entravam na vala comum e puxavam ossos de mortos. Uma vez encontrámos um braço de uma criança no quintal da nossa vizinha”, lembrou Custódio da Ravuga, chefe do quarteirão 43 no bairro Luís Cabral.
Por sua vez, a edilidade acusa os residentes de invadirem o cemitério.
“Nós não podemos deslocar o cemitério, ele está lá antes daquelas famílias e a área reservada para vala comum está dentro deste perímetro do cemitério. O que deve haver é um diálogo com as famílias, de modo a que elas entendam que não podem ultrapassar a estrada e saltar para dentro do cemitério, mas também concordamos que é preciso, sim, colocar um muro mais comprido”, explicou Helder Muando, director de Morgues e Cemitérios.
O cenário pode ficar ainda pior, porque o número de corpos tende a aumentar nas morgues.
“No início, fazíamos vala uma vez por semana, mas, actualmente, somos obrigados a fazer três a quatro valas, o que totaliza cerca de 40 corpos em sete dias”, disse Hélder Muando.
Este cemitério até pode ser calvário para alguns, mas é um lar para outros. Por aqui, a morte deixou de ser temida.
No local, é possível ver famílias a visitarem as campas dos seus entes queridos ou a realizarem funerais, mas não muito longe, vê-se também outros grupos de jovens e crianças a divertirem-se com a bola.
É assim todos os dias. Quando uns enterram um ente querido, há quem, a partir do seu quintal, contempla o cenário e pensa em ter uma vida melhor.
“Nós já estamos acostumados. Ouvimos a cantar ou a chorarem, mas estamos aqui, não temos para onde ir”, lamentou uma residente do bairro dentro do cemitério.
A coragem dos residentes só é superada por ladrões que sempre usam o escuro do cemitério para se esconder das suas vítimas.
“Nós não temos medo, porque não há fantasmas. Só temos medo de ladrões, porque roubam e se escondem nas campas”, explicou outra moradora.
Devido ao medo, há mulheres neste bairro a quem é negado o casamento.
“Quando uma família vem para uma cerimónia de apresentação, é obrigada a atravessar pelo cemitério e saltar campas. O cenário expulsa prováveis maridos e a família chega a dizer que o nosso filho foi casar-se no cemitério. As pessoas pensam que, pelo facto de estarmos a viver no cemitério, também, estamos mortos”, explicou um jovem do mesmo local.
Mais uma vez, Hélder Muando reitera que estes escolheram viver num local proibido.
“Aquele é um exemplo clássico de famílias que foram ao cemitério, e, mesmo assim, reunimos com a comunidade para explicar o nosso projecto de muro, definimos o perímetro de onde iria circular o muro e perímetro pelo qual passaria uma rua que separaria as famílias do cemitério, mas eles invadiram. Nós não podemos falar de reassentamento, porque estamos dentro da nossa área”, disse o director de Morgues e Cemitérios.
Reclamações à parte, os jovens de Luís Cabral superaram o drama de viver entre os mortos e acharam uma oportunidade de emprego. Os jovens ocupam-se com a construção e pintura de campas, e chegam a ganhar até cinco mil Meticais por mês.
Não é de hoje que as pessoas ganham a vida no cemitério. Há um ancião que trabalha neste cemitério há 46 anos.
“Quando decidi abraçar este trabalho a minha própria família não gostou da ideia, mas como foi Deus que me incumbiu a missão, não recuei. Houve várias reuniões com a família para tentar sensibilizar-se de forma a deixar, mas questionei-os sobre a razão. Não me arranjaram um emprego melhor quando estava desempregado”, explicou o ancião que de tanto conviver com os mortos, nada mais o espanta.
Devido à escassez de espaço, o Cemitério de Lhanguene foi encerrado para novos funerais e aberto o de Michafutene, em Marracuene, que também já se ressente da pressão, realizando, por vezes, mais de dez enterros num só dia.
Mais de 3 mil pessoas dentre nacionais e estrangeiros participaram neste domingo da sexta edição da Corrida Azul, organizada pelo Standard Bank. O evento encerrou-se nas cerimónias de celebração dos 130 anos do Banco.
Pela sexta edição a Cidade de Maputo voltou a acolher a Corrida Azul, maratona de atletismo organizada pelo Standard Bank, que desta vez contou com a participação de mais de três mil atletas, dentre nacionais e estrangeiros.
Correram a 10 de Novembro, atletas das categorias de 30, 21, 12 e 7 quilómetros, entre funcionários, populares, e veteranos, onde a inclusão da pessoa portadora de deficiência foi notória.
O centenário Standard Bank diz que a preparação do evento foi a altura do evento. “O facto de nós termos tido pessoas que usam cadeiras de rodas, que usam triciclos é uma nova imagem que Standard Bank quer mostrar, a inclusão social. Mas também aumentamos o número de quilómetros e estamos satisfeitos em saber que há pessoas que conseguem correr 30 quilómetros”, disse Esselina Macome- PCA do Standard Bank.
O banco diz estar com um projecto definido para o apoio ao desporto no país. “Já apoiamos a universidade Eduardo Mondlane para participar nos jogos em que ela estava nos países vizinhos, mas temos de uma forma estruturada dado o nosso apoio ao desporto”, fez saber a dirigente.
Além de acompanhar de perto a evolução da Corrida Azul, o governo quer fazer desta maratona uma atração turística. O Secretário do Estado do Desporto Gilberto Mendes, avançou que “Acho que está muito positivo, está cada vez melhor, estão de parabéns ao voltar a realizar o certame”, reiterou.
Um pai e seus dois filhos estão detidos desde a última sexta-feira acusados de matar um homem e abandonar o corpo da vítima numa lixeira, no município da Matola, província de Maputo.
O caso se deu no passado dia 9, quando, segundo os indiciados, durante a madrugada, aparceberam-se de um movimento estranho no interior da sua residência, e após despertarem, aperceberam que se tratava de um ladrão.
“Eu já havia sofrido um roubo uma semana antes. Então, já dormia atento. Quando vi que se tratava de um ladrão, chamei os meus filhos e os vizinhos. Dei algumas chapadas, mas leves, só para fazê-lo confessar o crime”, relatou o pai.
O homem contou que, de seguida, porque já havia amanhecido e estava na sua hora de ir trabalhar, mandou os seus filhos levarem o homem à esquadra, que dista a cerca de 400 metros da sua residência e, depois disso, não sabe mais o que terá acontecido.
Já o seu filho, explicou que, de facto, cumpriu com a ordem dada pelo seu pai, mas, quando levava o “ladrão” para esquadra, perceberam que o mesmo já não estava bem e decidiu desviar a rota para o hospital. Entretanto, durante o percurso, viram que o jovem já não estava a respirar e, por medo, decidiu abandonar o corpo na lixeira.
Segundo o Serviço Nacional de Investigação Criminal, na Matola, o corpo foi identificado horas depois por populares, escondido dentro do lixo.
“Naquela zona, há casas e empresas com câmaras de segurança e nas nossas investigações. Conseguimos localizar o carro que transportou o corpo e identificar a matrícula do mesmo, assim chegamos até ao proprietário e indicou-nos estes cidadãos, cujas referências batem com o ocorrido”, explicou o porta-voz.
A família da vítima reconheceu que o finado era, de facto, um ladrão e que esteve preso durante oito anos por conta das suas práticas, mas que estava solto há cerca de três meses.
A cada dia, aumenta o número de vendedores informais nas ruas e passeios da cidade de Maxixe, em Inhambane, e acusam a polícia municipal de arrancar os seus productos.
O edil da Maxixe diz que essa não é a função da polícia municipal e promete organizar o comércio informal naquela cidade.
Basta circular um pouco por algumas artérias da cidade da Maxixe, para encontrar bancas montadas nos passeios e vendedores nas ruas. A chamada capital económica da Maxixe transforma-se aos poucos num mercado a céu aberto e os vendedores alegam falta de espaços nos mercados.
Por outro lado, os mesmos queixam-se da actuação da polícia municipal, que, segundo eles, arranca os seus produtos. Os vendedores dizem que há agentes que não querem dialogar com os mesmos, limitando-se a levar os bens. No entanto, há quem veja razões para a actuação da polícia municipal e reconheça haver excessos por parte de quem vende na rua.
O edil de Maxixe diz que essa não é função da polícia municipal e promete trabalhar com os seus agentes. Issufo Francisco reconhece que a presença de vendedores nas ruas da Maxixe é um assunto complexo e promete que vai organizar melhor o comércio informal.
Nas ruas, há quem venda produtos frescos, como hortícolas e vegetais perto de águas paradas, que foram descartadas depois de usadas para diversos fins.
O Município de Chimoio adquiriu uma nova viatura funerária, destinada a melhorar a prestação de serviços à população local em momentos de infortúnio. O novo veículo, descrito como moderno e equipado com tecnologia avançada, vem substituir a viatura anterior, que já apresentava avarias frequentes, comprometendo a qualidade do serviço.
Falando na cerimónia de apresentação da viatura, o edil de Chimoio, João Ferreira destacou a importância desta aquisição para a cidade.
“Nós, há cinco ou seis anos, reabilitamos por completo a casa mortuária. Adaptámos também por forma a ter um novo sistema de frio e, neste momento, podemos melhorar a assistência aos nossos ente-queridos quando acontece uma fatalidade”, disse Ferreira.
Ferreira avançou que a aquisição da viatura é um passo significativo na missão do Município, que é de prestar um serviço digno e eficiente aos munícipes, especialmente em momentos difíceis como os funerais.
A viatura funerária será disponibilizada para uso pelos munícipes que necessitem do apoio da edilidade durante os funerais, permitindo que a comunidade tenha acesso a serviços de transporte fúnebre de qualidade, independentemente da sua condição financeira.
A substituição do antigo veículo funerário por um modelo mais moderno faz parte de um conjunto de acções que o Município de Chimoio tem empreendido para melhorar a infraestrutura e os serviços públicos da cidade.
O edil ressaltou que, além deste investimento, a edilidade está comprometida em continuar a implementar melhorias em várias áreas que impactam directamente a vida dos cidadãos.
A nova viatura funerária já está em operação e disponível para atender às necessidades dos munícipes.