Uma agente prisional e outra mulher estão detidas na cidade de Xai-Xai, acusadas de maus-tratos contra os próprios filhos.
Uma delas terá agredido sistematicamente o filho menor de 12 anos, e outra é suspeita de agredir e tentar obrigar uma criança de sete anos de idade a ingerir fezes. Os casos já instaurados foram denunciados à Polícia da República de Moçambique (PRM) pela comunidade.
Entre as indiciadas está uma agente do Serviço Nacional Penitenciário, de 38 anos de idade, acusada de agredir de forma recorrente o próprio filho. A denúncia partiu da vizinhança, e os relatos foram posteriormente confirmados pelos restantes filhos da indiciada.
O chefe das Relações Públicas da PRM em Gaza, Carlos Macuácua, diz que a intervenção policial ocorreu depois das denúncias.
“A polícia tratou de averiguar. Encontradas as evidências, elas foram levadas para a subunidade, lavrados os autos e entregues às outras instituições para poderem ser responsabilizadas”, explicou Carlos Macuácua.
A Polícia da República de Moçambique assegura que a condição profissional da indiciada não altera o tratamento do processo, embora reconheça a particularidade de se tratar de uma agente de autoridade.
“Olhamos a situação preocupados quando é agente de autoridade envolvida. Mas o tratamento é normal de agente indiciado a um crime: lavrar o processo e entregar a outras instituições para sua responsabilização”, esclareceu Macuácua.
Na Segunda Esquadra da PRM em Xai-Xai, está também detida uma mulher de 39 anos, doméstica, suspeita de maus-tratos contra o filho, de sete anos. Neste caso, a mulher é acusada de agressões físicas e de tentar obrigar o menor a ingerir fezes.
A indiciada nega ter obrigado a criança a ingerir as próprias fezes. Diz estar arrependida e afirma que recorria a agressões depois de chamar a atenção do menor várias vezes.
Entretanto, a PRM enquadra o caso entre práticas de tratamento cruel contra a criança. “Uma é tortura, a outra é indiciada de alimentar a menor com excrementos humanos, entre outras situações de tratamento cruel a um humano”, afirmou Carlos Macuácua.
Segundo a PRM, os dois processos foram instruídos e deverão ser encaminhados às instituições competentes para a responsabilização das indiciadas.
O Marrocos empatou com o Brasil a uma bola em jogo da primeira jornada do grupo C do Mundial de futebol que decorre nos Estados Unidos, México e Canadá. Qatar e Suíça também empataram a um golo e Austrália e Escócia vencerem os seus jogos.
Marrocos tornou-se na segunda equipa africana a estrear-se no Mundial 2026, depois da África do Sul, no jogo inaugural da competição. E o adversário dos magrebinos não podia ser outra, a justificar a quarta posição alcançada em 2022: o Brasil.
A selecção africana até teve o melhor arranque na partida, ao marcar primeiro, através de Ismael Saibari, aos 21 minutos, num magistral chapéu a Álisson, já fora dos postes.
Marrocos até podia ter feito o 2-0 ainda antes da meia hora do jogo, quando Hakimi galgou terreno e à entrada da área rematou ao lado.
O Brasil, penta-campeão mundial, não desfaleceu e acordou do sono, com Vinícius Júnior a carregar a escrete para o empate, num remate cruzado, aos 32 minutos, após jogada individual.
Paquetá também testou os reflexos de Bounou, mas o guardião marroquino esteve mais atento.
O Brasil queria a todo custo sair com a vitória, mas Bounou mostrou-se seguro nos postes e nem mesmo Raphinha conseguiu acertar nas redes.
A Escócia torna-se assim o líder do grupo C, após vencer o Haiti no outro jogo, graças ao golo apontado por John McGinn, aos 28 minutos.
Pelo grupo B, Qatar e Suíça empataram a um golo na noite deste sábado. Breel Emboló abriu o marcador para os europeus, de grande penalidade, aos 17 minutos, mas os asiáticos empataram ao apagar das luzes, graças ao golo de Miro, de cabeça, aos 90+4 minutos.
A Austrália, que venceu a Turquia por 2-0 na madrugada deste domingo, lidera o grupo com três pontos.
Dezenas de pessoas com albinismo marcharam, neste sábado, pelas ruas da cidade de Maputo, para exigir maior inclusão social, igualdade de oportunidades e acesso ao protector solar, um produto considerado essencial para a prevenção do cancro da pele.
A iniciativa enquadra-se nas celebrações do Dia Internacional de Consciencialização sobre o Albinismo, assinalado anualmente a 13 de Junho, e visou chamar a atenção para os desafios que continuam a afectar esta camada da população.
Munidos de cartazes e palavras de ordem, os participantes percorreram várias artérias da capital moçambicana para denunciar o estigma social, a discriminação e as dificuldades de acesso ao emprego que ainda enfrentam.
Entre as principais reivindicações dos manifestantes destacou-se o acesso ao protector solar, cuja utilização regular é fundamental para proteger a pele dos efeitos nocivos da exposição ao sol. Segundo os participantes, o elevado custo do produto continua a impedir que muitas pessoas com albinismo tenham acesso a este meio indispensável de prevenção.
As celebrações do Dia Internacional de Consciencialização sobre o Albinismo contaram igualmente com a participação de pessoas com diferentes tipos de deficiência, numa demonstração de solidariedade e defesa conjunta da inclusão social.
A efeméride culminou com a realização de um workshop subordinado ao lema “Na Minha Pele”, durante o qual foram debatidos os desafios, as conquistas e as perspectivas para a promoção dos direitos das pessoas com albinismo em Moçambique.
Os participantes defenderam a adopção de medidas concretas para garantir o acesso à saúde, à educação, ao emprego e à protecção social, reiterando o apelo para que as pessoas com albinismo sejam reconhecidas e tratadas com dignidade e respeito.
A população de Chilembene, no distrito de Chókwè, província de Gaza, interceptou na madrugada deste sábado um camião que transportava 175 sacos de adubo, alegadamente desviados dos armazéns do distrito de Chibuto. O caso eleva para quatro o número de ocorrências do género, registadas em menos de dois meses, envolvendo insumos destinados às vítimas das recentes cheias.
O material era transportado por um camião de seis toneladas da marca Hino, surpreendido quando tentava descarregar a carga num alegado armazém clandestino, localizado em Chiduachine, no Posto Administrativo de Chilembene.
Segundo o chefe do Posto Administrativo de Chilembene, Noé Vasco, há fortes indícios de que parte dos fertilizantes tenha sido desviada dos armazéns de Chibuto, onde estavam armazenados insumos destinados à assistência e recuperação dos agricultores afectados pelas inundações.
De acordo com a mesma fonte, outra parcela do adubo poderá ter sido adquirida de forma irregular junto de agricultores da localidade de Macavelane.
A descoberta ocorre numa altura em que milhares de camponeses continuam a enfrentar dificuldades para recuperar das perdas provocadas pelas cheias, que afectaram a província de Gaza nos últimos meses. Os insumos agrícolas, distribuídos por parceiros e pelo Governo para apoiar a retoma da produção, têm sido alvo de sucessivos casos de alegado desvio.
Com este novo episódio, sobe para quatro o número de casos de apreensão ou denúncia de desvio de sementes e fertilizantes registados em menos de dois meses na região.
Entretanto, o Governo distrital de Chibuto ainda não se pronunciou sobre a sucessão destes casos. Por sua vez, a Polícia da República de Moçambique (PRM) informou que deverá apresentar um posicionamento oficial sobre a ocorrência na próxima segunda-feira.
As autoridades prosseguem com as investigações para determinar a origem da carga e identificar os responsáveis pelo alegado esquema de desvio de insumos agrícolas destinados às populações afectadas pelas calamidades naturais.
Um incêndio de grandes proporções destruiu, na noite de quinta-feira, o supermercado Spar, localizado na cidade da Matola, provocando avultados prejuízos materiais e deixando em choque clientes e trabalhadores do estabelecimento.
O fogo deflagrou por volta das 21 horas e consumiu praticamente toda a infra-estrutura, incluindo o armazém e os produtos armazenados. Na manhã seguinte ao sinistro, equipas do Serviço Nacional de Salvação Pública continuavam a trabalhar para debelar os últimos focos de incêndio ainda activos no interior do edifício.
No local, o governador da província de Maputo, Simão Tule, afirmou que os trabalhos de rescaldo prosseguiam e que ainda era prematuro avançar com conclusões sobre as causas do incêndio.
“Neste momento ainda decorrem os trabalhos para debelar o fogo, porque ainda há focos de incêndio no interior. Os bombeiros estão aqui desde ontem a fazer este trabalho”, declarou.
Segundo o governador, somente após a conclusão das operações será possível avaliar a extensão dos prejuízos e iniciar o processo de apuramento das causas do sinistro.
“Assim que terminar o trabalho dos bombeiros, poder-se-á fazer a avaliação do que aconteceu e procurar saber das causas que estarão na origem deste incêndio”, referiu.
Simão Tule lamentou a destruição do estabelecimento, destacando a importância do supermercado para os residentes da Matola e zonas circunvizinhas.
“É com muita pena que assistimos a esta situação. Muitas pessoas tinham este supermercado como local habitual para fazer as suas compras. Infelizmente, ficou completamente destruído”, afirmou.
Apesar da dimensão dos danos, o governador revelou que o estabelecimento possui cobertura de seguro, o que poderá facilitar o processo de recuperação.
“Felizmente, o supermercado está assegurado. Depois da avaliação dos prejuízos, poder-se-á decidir os próximos passos e avançar para uma possível reabilitação e retoma das actividades”, explicou.
Questionado sobre as possíveis causas do incêndio, Simão Tule recusou-se a avançar qualquer hipótese, sublinhando que ainda decorrem avaliações técnicas no local.
“É difícil prever o que aconteceu. Neste momento não é possível dizer quais são as causas ou o que está por detrás deste incêndio. Depois da avaliação, a informação será divulgada”, declarou.
Até ao momento, não há registo de vítimas. As autoridades continuam concentradas na conclusão das operações de rescaldo e no apuramento das circunstâncias que estiveram na origem do incêndio.
O Papa Leão XVI nomeou novos administradores apostólicos para as arquidioceses da Beira e de Quelimane.
Trata-se de Dom António Manuel Bogaio Constantino, bispo de Caia, que passa a liderar a administração apostólica da Beira, enquanto Dom Estêvão Ângelo Fernando, bispo de Alto Molócuè, assume a Diocese de Quelimane.
As nomeações foram divulgados através de um comunicado da Conferência Episcopal de Moçambique, dias após o assassinato de Dom Osório Citorra, entao bispo da diocese de Quelimane e administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira.
As decisões enquadram-se no processo de reorganização pastoral das duas circunscrições eclesiásticas.
Os administradores apostólicos terão a missão de assegurar a continuidade pastoral e administrativa até à eventual nomeação dos respetivos titulares pelo Santo Padre.
O Município de Maputo vai interditar a venda de mariscos na praça 25 de Junho, nas imediações do Porto de Maputo, a partir do próximo domingo, 14 de Junho. A medida não está a ser bem acolhida pelos informais que operam no local.
Mariscos expostos ao ar livre, garrafas de bebidas alcoólicas jogadas no chão e viaturas estacionadas longe de qualquer organização, é o actual retrato das imediações da praça 25 de Junho e a emblemática fortaleza e o Porto de Maputo. Mas há uma nova ordem para o local de busca de subsistência dos vendedores informais.
O conselho municipal de Maputo quer organizar o local
A medida ressurge em um contexto de requalificação da praça após longos anos de enceramento. A eventual reabertura, vai obrigar realocação dos comerciantes nos mercados formais.
Embora o Município garanta haver mercados preparados para receber os vendedores, os informais recusam abandonar o local onde dizem conseguir sobreviver
Os municípios de Xai-Xai, Inhambane e Chimoio informaram ao Governo que não vão aderir ao subsídio de transporte, tendo preferido agravar as tarifas. O Ministério dos Transportes e Logística diz que o processo de verificação dos transportadores licenciados e pagamento do subsídio é acompanhado por uma auditoria e se não houver conformidade, poderá haver responsabilização.
O Ministério dos Transportes assegura ter feito o pagamento do primeiro mês de subsídio ao transportador, depois da verificação do número de transportadores licenciados e após agravar-se o preço dos combustíveis a 7 de Maio. Mas, neste processo, houve quem rejeitou o subsídio.
O processo de verificação dos transportadores licenciados é acompanhado por uma auditoria e terá de ser refeita a verificação nos próximos pagamentos. Enquanto isso, vários municípios ainda não deram informação sobre adesão ao subsídio.
Depois dos três meses de pagamento de subsídio, será instalado um sistema nos transportes para melhor controlo das despesas relativamento ao combustível.
A Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários, por sua vez, confirma ter sido feito o pagamento do primeiro mês do subsídio e explicou as razões do subsídio não abranger o transporte interdistrital e interprovincial.
Enquanto isso, o Executivo diz ter recebido da FEMATRO uma proposta sobre tarifas interprovinciais ainda não homologadas. As informações foram avançadas em conferência de imprensa convocada pelo Ministério dos Transportes para dar o ponto de situação do pagamento de subsísio ao transporte.
Maputo acolheu, nos dias 11 e 12 de Junho, a quinta edição da Conferência Empresarial Renováveis em Moçambique (RENMOZ 2026), evento que reuniu representantes do Governo, sector privado, investidores, instituições financeiras e parceiros de desenvolvimento para debater o futuro da transição energética no país.
A conferência destacou a necessidade de mobilizar mais investimento, reforçar o papel do sector privado e transformar oportunidades em projectos concretos para acelerar o acesso universal à energia e expandir a capacidade de geração e transmissão eléctrica.
Com mais de 500 participantes de 18 nacionalidades, a RENMOZ 2026 confirmou o crescente interesse pelo sector das energias renováveis em Moçambique. Do total dos participantes, 45 por cento representavam empresas, 39 por cento instituições governamentais e públicas moçambicanas, e 10 por cento instituições financeiras.
Na sessão de abertura, o Ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estevão Pale, destacou que o alcance das metas nacionais de acesso à energia, industrialização, criação de emprego e aumento da competitividade económica exige elevados investimentos, apontando o sector privado como um parceiro central nesse processo.
Por sua vez, o Embaixador da Alemanha em Moçambique, Ronald Münch, defendeu o reforço das parcerias para acelerar a implementação de projectos energéticos, enquanto os representantes da Associação Moçambicana de Energias Renováveis (AMER) e da Associação Lusófona de Energias Renováveis (ALER) sublinharam a importância da conferência como espaço de diálogo, confiança e promoção de investimentos.
Entre os principais anúncios realizados durante o evento destacam-se a apresentação do PROMIR-MZ, o lançamento previsto de um concurso para mini-redes no segundo semestre de 2026, a assinatura do acordo Subsidiary Agreement – PURE, os avanços do programa PROLER e a assinatura de um acordo de financiamento entre a ElectriFI e a Source Energia para apoiar projectos de energias renováveis no país.
A conferência serviu igualmente de palco para a apresentação da quinta edição da publicação “Resumo: Renováveis em Moçambique”, que aponta para uma taxa de electrificação de 66,4 por cento em 2025 e reafirma a meta nacional de alcançar o acesso universal à energia até 2030.
Segundo os dados apresentados, a capacidade instalada de geração eléctrica deverá aumentar de cerca de 2,9 gigawatts em 2025 para aproximadamente 9,5 gigawatts em 2032, mantendo as energias renováveis como principal fonte de geração.
Apesar do potencial do sector, a mobilização de financiamento continua a ser um dos principais desafios. A Estratégia de Transição Energética prevê necessidades de investimento de 18,6 mil milhões de dólares até 2030 e superiores a 80 mil milhões de dólares até 2050. Entre 2013 e 2024, Moçambique recebeu 755 milhões de dólares em investimentos em energias renováveis, dos quais apenas 20 por cento tiveram origem no sector privado.
Durante as sessões de negócio foram apresentadas diversas oportunidades de investimento em geração, transmissão, mini-redes, usos produtivos de energia e cozinha limpa. A Electricidade de Moçambique (EDM) anunciou 16 projectos de geração e 11 de transmissão avaliados em mais de 4,6 mil milhões de dólares. Já a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) apresentou projectos avaliados em mais de 3,1 mil milhões de dólares, incluindo a Nova Central Norte, uma central solar e a modernização da Central Sul.
No domínio das mini-redes, foram identificadas oportunidades associadas a sete pré-clusters, 100 locais e nove potenciais usos produtivos de energia, reforçando a aposta em soluções fora da rede para acelerar a electrificação das zonas rurais.
O segundo dia do evento ficou marcado por debates sobre o desbloqueio de investimento para um crescimento energético inclusivo, cooperação regional no espaço da CPLP e pela realização do Seminário Nacional de Biocombustíveis 2026, que discutiu mecanismos para impulsionar o mercado, atrair financiamento e fortalecer a cadeia de valor dos biocombustíveis.
Organizada pela AMER e pela ALER, em parceria com o programa europeu GET.invest, a RENMOZ 2026 reafirmou o seu papel como plataforma de ligação entre visão estratégica, financiamento e implementação, num momento em que Moçambique procura consolidar-se como um mercado estratégico e um polo regional de energia renovável.
A necessidade de mais investimento, novas parcerias e acesso a mercados internacionais dominou os debates da terceira edição do Fórum Cultural e Criativo Cultiv’arte, que reuniu em Maputo artistas, gestores culturais e representantes do Governo para discutir estratégias de fortalecimento das indústrias culturais e criativas no país.
Realizado ao longo de dois dias, o encontro serviu de plataforma para a partilha de experiências, apresentação de oportunidades de cooperação e reflexão sobre os principais desafios que continuam a limitar o desenvolvimento do sector cultural em Moçambique. Num contexto em que a cultura procura afirmar-se como um instrumento de desenvolvimento económico e social, os participantes defenderam a necessidade de criar condições para transformar o potencial criativo existente no país em oportunidades concretas de negócio, emprego e geração de rendimento.
O fórum reuniu profissionais de diferentes áreas das artes e da cultura, desde gestores de projectos culturais, produtores, artistas e empreendedores criativos até representantes de instituições nacionais e parceiros internacionais. Entre os temas que dominaram as discussões estiveram a capacitação dos agentes culturais, o acesso ao financiamento, a criação de redes de colaboração e a internacionalização dos projectos culturais moçambicanos.
Para o coordenador do Projecto Cultiv’arte, Mattieu Gardon, esta edição procurou responder às preocupações dos profissionais que já se encontram inseridos no sector e procuram consolidar as suas iniciativas num mercado cada vez mais competitivo.
“Esta terceira edição está mais focada no meu projecto. Já tenho uma actividade, já estou trabalhando, mas como posso crescer? Como posso criar novas parcerias, principalmente públicas ou privadas? Como vou desenvolver meu mercado? Como posso me internacionalizar?”, afirmou.
Segundo Gardon, um dos objectivos centrais do fórum foi aproximar os fazedores de cultura nacionais de experiências e oportunidades internacionais que lhes permitam expandir os seus horizontes profissionais e comerciais. Para isso, o evento contou com a participação de representantes de festivais internacionais, programas regionais de cooperação e instituições ligadas ao desenvolvimento das indústrias culturais e criativas.
“Teremos participantes estrangeiros, de festivais internacionais como o Bushfire, de outras áreas geográficas, como o projecto que temos no Oceano Índico, que traz oportunidades para moçambicanos, coisas pouco conhecidas. Também teremos um retorno da experiência continental, através do Instituto em Paris, que implementa grandes programas em outras regiões”, explicou.
O responsável considera que a criação de pontes entre os profissionais moçambicanos e os mercados externos pode representar uma oportunidade para aumentar a circulação de produtos culturais nacionais e abrir novas perspectivas para o sector.
“Nossa expectativa é que isso gere mais conexões. Os projectos que serão apresentados contam com a participação de profissionais do sector cultural e criativo nacional. Há também participantes que estão começando agora. Portanto, esse ecossistema deve favorecer ambos os lados”, acrescentou.
Além da internacionalização, o fortalecimento institucional foi apontado como um dos pilares fundamentais para o crescimento sustentável das indústrias culturais e criativas. A Secretária de Estado das Artes e Cultura, Matilde Muocha, destacou os resultados alcançados pelo projecto ao longo dos últimos anos e sublinhou a importância da capacitação dos diferentes intervenientes do sector.
“Este é um projecto que tem um pilar muito importante: o fortalecimento institucional, ou seja, o fortalecimento do sector cultural e criativo do Ministério. Isso significa o desenvolvimento de competências para que esse sector possa impulsionar melhor o sector público”, afirmou.
De acordo com Muocha, a iniciativa tem contribuído para o desenvolvimento de capacidades técnicas, para a promoção de espaços de diálogo e para a criação de instrumentos que possam apoiar a implementação de políticas públicas voltadas para o sector cultural.
“Um dos elementos é a formação de diferentes actores do sector para que possam desenvolver as suas capacidades. Outro aspecto é o desenvolvimento de políticas e instrumentos”, acrescentou.
Apesar dos avanços registados, os participantes reconheceram que a questão do financiamento continua a representar um dos maiores obstáculos ao crescimento das indústrias culturais e criativas. Muitos profissionais consideram que o talento e a criatividade existentes no país nem sempre encontram o suporte financeiro necessário para garantir a sustentabilidade dos projectos.
Para o assistente da iniciativa, Mélio Tinga, a consolidação do sector depende da existência de investimentos regulares e de longo prazo que permitam aos artistas desenvolver o seu trabalho com estabilidade.
“O sector artístico tem a sorte de contar com esse investimento e acredito que precisa de ainda mais investimentos, porque a própria arte, sem um investimento sério, sem um investimento regular e recorrente, acaba fracassando de alguma forma”, afirmou.
Tinga considera que programas de mobilidade, intercâmbios e fóruns de partilha de experiências desempenham um papel importante na valorização dos profissionais da cultura e na expansão das suas oportunidades de trabalho.
“Acho que o trabalho que a Cultiv’arte realiza em diferentes programas, em fóruns como este, em programas de mobilidade, por exemplo, que conectam artistas com outros espaços, com outras pessoas, é de grande valor, no sentido de ser uma ferramenta que permite expandir a sua rede de contactos e, a partir daí, podem surgir parcerias que tornem o seu trabalho ainda mais conhecido”, explicou.
Ao longo do encontro, os participantes defenderam igualmente a necessidade de encarar a cultura não apenas como uma expressão artística, mas também como um sector económico capaz de gerar riqueza, emprego e inclusão social. O entendimento partilhado foi de que o fortalecimento das indústrias culturais e criativas exige uma acção coordenada entre Governo, parceiros de cooperação, sector privado e profissionais da cultura.
A terceira edição do Fórum Cultural e Criativo Cultiv’arte terminou com o desafio de transformar as reflexões produzidas durante os dois dias em acções concretas que contribuam para a sustentabilidade do sector.