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O partido PODEMOS pretende reforçar a sua implantação em todo o território nacional até 2027, com a criação e consolidação de estruturas em todos os distritos, postos administrativos e bairros do País. O objectivo foi reiterado durante uma sessão do Conselho Político, considerada pela direcção como decisiva para a definição das prioridades do partido para os próximos seis meses.

Na abertura dos trabalhos, a liderança do PODEMOS defendeu que o fortalecimento da organização interna constitui um requisito essencial para que o partido possa responder às expectativas dos moçambicanos e concretizar os objectivos políticos a que se propõe.

Segundo o dirigente, a sessão irá aprovar o plano de actividades para o segundo semestre do ano, definindo as linhas de actuação dos órgãos centrais, provinciais e distritais, bem como os mecanismos de coordenação e monitoria das acções do partido.

A direcção explicou que a planificação semestral permite avaliar a execução das actividades, corrigir eventuais falhas e ajustar as estratégias em função dos resultados alcançados. Neste contexto, considerou positiva a avaliação do plano anterior e defendeu a necessidade de aprofundar o processo de capacitação das estruturas distritais para assegurar uma maior presença do partido junto das comunidades.

O PODEMOS reafirmou igualmente a intenção de consolidar a sua organização de base, sustentando que a implementação das orientações políticas depende da existência de estruturas activas em todos os níveis da administração territorial.

Durante a intervenção, a liderança saudou o desempenho da bancada parlamentar, destacando o trabalho de fiscalização desenvolvido na Assembleia da República, e enalteceu igualmente o papel das estruturas distritais na interpretação e resposta aos desafios políticos.

Reconhecendo tratar-se de um partido ainda jovem, a direcção admitiu a existência de dificuldades próprias do processo de crescimento, mas defendeu que os desafios enfrentados devem servir de aprendizagem e contribuir para o amadurecimento da organização.

A liderança manifestou confiança de que o PODEMOS continuará a consolidar-se como uma das principais forças políticas do País, apelando aos membros para manterem o espírito de unidade, reforçarem os mecanismos internos de trabalho e prosseguirem o processo de implantação das estruturas em todo o território nacional.

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Um homem foi indiciado por matar a sua esposa e, depois, alegar suicídio, em Sussundenga, na província de Manica. O acusado nega as acusações e afirma que a mulher se enforcou, porque estava nervosa.

Acredita-se que seja mais um caso de crime passional, mas o acusado é veemente: “Eu não a matei. Ela ficou nervosa e enforcou-se”.

No entanto, a polícia tem uma visão diferente e acredita que as declarações do homem são apenas para enganar as autoridades.

“A polícia deteve este indivíduo de 25 anos de idade, no dia 15 do mês em curso, em virtude de este, através da força física, ter retirado a vida da própria esposa. Como forma de apagar os vestígios do crime, o mesmo, após perpetrar este acto macabro, levou o corpo da finada, por sinal sua esposa, até uma árvore, próxima da residência do casal e amarrou com uma corda para simular um suicídio”, explicou Eunice Faustino, porta-voz da PRM em Manica.

A prisão do indivíduo já foi legalizada e, agora, aguarda julgamento.

A passagem da Black Bulls para a fase de grupos da Taça CAF vai trazer um impacto positivo ao nível financeiro para o clube. Os Touros vão receber 400 mil dólares americanos, que equivalem a pouco mais de 25 milhões de Meticais.

A entidade máxima do futebol africano anunciou o aumento dos prémios monetários para os clubes que cheguem à fase de grupos das Afrotaças. A Associação Black Bulls que eliminou o AS Otohô do Congo vai rechear os seus cofres com 400 mil dólares, pouco mais de 25 milhões de Meticais.

A este valor adicionam-se os 50 mil dólares, cerca de 3 milhões de Meticais, recebidos pela qualificação para o play-off de acesso à fase de grupos da Taça CAF

Mas há mais, caso passe da fase de grupos. A CAF vai premiar o vencedor da competição com dois milhões de dólares, o que equivale a 120 milhões de Meticais, enquanto o finalista vencido vai receber um milhão de dólares, perto de 60 milhões de Meticais.

As equipas que chegarem às meias-finais vão receber de premiação 750 mil dólares, sendo reservados 550 mil dólares, quase 33 milhões de Meticais, para as equipas que passarem da fase de grupos.

 

Black Bulls pode estar no Pote 4 do sorteio

Agora que venha a fase de grupos, em que os “touros” poderão estar no pote 4 do sorteio da Taça CAF, juntamente com o Desportivo Lunda Sul de Angola, Orapa United do Botswana e o Stellenbosch da África do Sul.

Os adversários dos “touros” podem ser algumas das seguintes equipas dos possíveis restantes potes:

Pote 1 com Zamalek do Egipto, RS Berkane do Marrocos, Simba da Tanzânia, e USMA da Argélia, no pote 2 com ASEC Mimosas da Costa do Marfim, Al Marsy do Egipto, Stade Malien do Mali e CS Sfaxien da Tunisia e ainda o pote 3, onde podem estar Enyimba da Nigéria, ASC Jaraaf do Senegal, CS Constantine da Argélia e Bravos Maquis de Angola.

O sorteio está marcado para 7 de Outubro próximo.

Desportivo da Matola e Clube de Chibuto, pela Zona Sul, é o jogo de cartaz da primeira jornada da Série A da poule de apuramento para o Moçambola 2025, segundo ditou o sorteio realizado, hoje, na sede da Federação Moçambicana de Futebol (FMF).

O Maxaquene, campeão da Cidade de Maputo, é o grande ausente da fase qualificativa. O clube não concluiu o processo de licenciamento.
Sem o histórico e centenário Maxaquene, mais de 20 equipas, nas três zonas dos país, vão lutar para garantir uma vaga no Moçambola 2025, numa maratona que se espera que seja electrizante. O arranque da “poule” está agendado para o próximo sábado.

Ainda na zona Sul do país, desta feita pela Série B, o Incomáti de Xinavane vai medir forças com o campeão da província de Gaza, Águias Especiais, equipa que participa pela primeira vez na fase de apuramento para o Moçambola.

Pela zona Centro, o sorteio ditou o cruzamento entre as formações de Matchedje de Mocuba e Ferroviário de Moatize, pela série A e Trans SK Company e Liga Desportiva de Sofala, pela Série B. Nesta zona, o destaque vai para a formação do Trans Sk, que vai lutar por uma vaga na maior prova futebolística nacional pela primeira vez.

Das oito equipas que vão disputar o acesso ao Moçambola 2025, o Matchedje de Mocuba é a única formação que já marcou presença na elite do futebol moçambicano ao nível de clubes, sendo que as restantes ainda estão à procura de um lugar ao sol.

Já a zona Norte, o sorteio ditou que a Associação Desportiva de Pemba, formação orientada pelo experiente treinador Mussá Osmas, técnico responsável pelo único título nacional do Ferroviário de Nampula em 2004, vai começar a maratona defrontando a turma das Águias Especiais de Lichinga, emblema que nos últimos anos tem espreitado a “poule” de apuramento.

As quatros equipas estão inseridas na Série A da prova. Pela Série B, o Desportivo de Pemba vai enfrentar a Universidade Pedagógica de Niassa, equipa que, curiosamente, já marcou presença na maior festa do futebol moçambicano.

As formações do Sporting de Nampula e Ferroviário de Nacala vão ficar de fora na primeira jornada devido ao número ímpar de equipas.

 

CLUBES CONFIANTES NA QUALIFICAÇÃO

Os clubes estão confiantes quanto à qualificação para o Moçambola 2025, embora antevejam muitas dificuldades. O representante da Associação desportiva de Pemba, Tomé Bartolomeu, garante que há muito trabalho que está a ser feito pelo clube, tendo em vista materializar os objectivos traçados para a presente temporada.

“O nosso treinador, Mussá Osman, juntamente com o nosso presidente, têm estado a fazer um bom trabalho. São pessoas muito dedicadas ao trabalho. Fora disso, temos um grupo de jogadores jovens que pretendem fazer história qualificando a equipa para o Moçambola”, garante o dirigente.

A mesma convicção é manifestada pelo representante do Matchedje de Mocuba, clube que quer regressar ao convívio dos grandes do futebol moçambicano.

“O nosso clube já está bem preparado para poder voltar à ribalta do futebol nacional. Falhámos esse objectivo no ano passado no jogo contra a Liga Desportiva de Sofala que, muitos devem lembrar-se, foi de muita confusão. Passado é passado, pelo que o importante agora é focarmo-nos na maratona que já vai começar, pensando desde já no jogo contra o Ferroviário de Moatize”, anotou Alberto Dongue.

Por sua vez, o secretário-geral da Associação Provincial de Futebol de Gaza, Tomás Machava, acredita que, com ou sem dificuldades, uma das equipas da sua província poderá qualificar-se para o Moçambola.

“Temos certeza de que vamos conseguir alcançar o nosso objectivo. O sorteio é muito acessível para qualquer umas das nossas equipas. Agora resta trabalho e foco quanto àquilo que pretendemos”, disse o dirigente.

Na semana passada, o Centro Cultural Português na Beira recebeu dois painéis de debates subordinados aos temas “Relação entre Literatura, Direito e Religião” e “Inventário da Memória”, orientados por José dos Remédios, jornalista e ensaísta, e pelos docentes universitários Martins Mapera, Fernando Chicumule, Nelson Moda, Cremilde de Andrade e Nídia Chamussora. As duas conversas foram moderadas pelas também docentes universitárias Carla Karagianis e Cidália Alberto.

Sobre o primeiro painel – “Relação entre Literatura, Direito e Religião” –, os oradores afirmaram que, tanto o Direito quanto a Religião abordam temas sobre valores e princípios que a sociedade deve seguir para o seu bem-estar em diferentes áreas. Entretanto, nem sempre essa relação é saudável, uma vez que, segundo os intervenientes, o que o Direito, às vezes defende, não encontra concordância com a religião, havendo, por essa razão, discordância entre os dois ramos.

No evento, falou-se da literatura como sendo o campo mais aberto e aglutinador, dado que nela são vistos o Direito e a Religião de uma determinada sociedade, através dos textos que abordam os diferentes comportamentos.

Quanto à segunda mesa – “Inventário da Memória” –, que também é o título do livro composto por um conjunto de artigos organizados pelo ensaísta e jornalista José dos Remédios, em comemoração aos 60 anos da obra “Nós Matamos Cão Tinhoso”, de Luís Bernardo Honwana, os painelistas sublinharam que não se deve observar a memória como um instrumento usado somente para buscar o passado. Pelo contrário, segundo os oradores, a memória servirá como um instrumento para observar o modo pelo qual a sociedade caminha, evitando, assim, repetir os erros do passado.

A este propósito, “Nós Matamos Cão Tinhoso”, de acordo com os painelistas, denuncia as diversas faces do comportamento colonial em Moçambique, de forma particular, e em África, em geral. Assim, entendem que, com o livro, é possível ter a imagem da dominação em variados contextos.

A equipa técnica, os jogadores e a direcção da Black Bulls, dizem que a qualificação da equipa para a fase de grupos da Taça CAF foi fruto de muito trabalho e que foi um objectivo alcançado. Os “touros” querem continuar a fazer história em África, procurando chegar o mais longe possível.

Faz-se festa em todos os cantos do país, pela conquista no futebol moçambicano! É um marco na vida da Black Bulls, que, seis anos depois da sua criação, começa a escrever seu nome no futebol africano.

Qualificou-se pela primeira vez para a fase de grupos de uma competição africana, na sua segunda experiência pelo futebol africano, depois de ter sido eliminado em 2022 na primeira eliminatória por uma equipa angolana.

Desta vez, foi uma equipa do Congo, com um saldo de 2-2 no conjunto das duas mãos, mas principalmente depois de uma derrota agridoce em Brazzaville, que ditou a qualificação para a fase de grupos, uma qualificação que coroa a união, esforço e dedicação de todos, dentro da estrutura dos “touros”.

Hélder Duarte já previa dificuldades nesta deslocação a Brazzaville, e tinha de preparar a equipa para um jogo que podia ser de glória, tal como foi. “Sabíamos que seria um jogo difícil num campo de relva sintética, que sempre nos cria dificuldades também num ambiente difícil. O golo de penálti não existe, mas prontos, descontrolou-nos um bocadinho. Não precisamos de passar por estas dificuldades, visto que eles não tinham criado nada até aí”, disse Duarte.

Aliás, o técnico vai mais longe e considera que é um objectivo alcançado. “Conseguimos passar para a fase seguinte. Esse era o objectivo e está conseguido. Estamos felizes pelo objectivo cumprido, pelo dever cumprido, mas não na totalidade, porque estes jogadores não mereciam sair derrotados por tudo o que fizeram no jogo”, considerou Duarte.

Entretanto, “agora é pensar no próximo jogo com o Ferroviário de Maputo”, disse o treinador, mostrando-se preocupado com a condição física dos jogadores que terão de enfrentar mais de 12 horas de voo para chegar a Maputo no início da tarde desta terça-feira.

Nené também está satisfeito com a qualificação, apesar das dificuldades enfrentadas. “Todos nos ressentíamos do cansaço causado pela viagem, mas também por causa do calor que se faz sentir. Só foi pena termos baixado as linhas muito cedo e acabamos por permitir aqueles dois golos, mas o importante era marcar primeiro e conseguimos isso e, depois, gerimos o jogo, conseguimos controlar e atingimos o nosso objectivo de qualificação”, disse.

Com o objectivo de chegar à fase de grupos alcançado, agora é tempo de virar as atenções para as provas internas. “Agora é nos focarmos no campeonato, nos jogos que temos, para tentarmos vencer a prova, e também na Taça de Moçambique, para encerrarmos aquilo que nos propusemos a fazer nesta época”, terminou, confiante numa época de sonhos.

 

“Vamos lutar para passarmos para a outra fase”, diz Lalgy

Os dirigentes da Black Bulls falam das dificuldades que a colectividade teve de enfrentar para conseguir a passagem para a fase de grupos da Taça CAF e consideram que é um prémio adicional.

Dino Dulá, director-desportivo, diz mesmo que não tem sido fácil gerir todas as provas em que a equipa está envolvida. “Não tem sido fácil jogar em África, ainda mais quando temos de gerir as provas internas, nomeadamente, o Moçambola e a Taça de Moçambique, principalmente quando temos um plantel curto como o nosso, mas nós mesmos nos desafiamos a fazer nossa história no continente e conseguimos, agora, alcançar o nosso objectivo”, disse Dino Dulá.

Alcançado o objectivo da fase de grupos, já se sonha com altos voos em África, onde o objectivo é chegar o mais longe possível. Junaid Lalgy, presidente da colectividade, era um homem feliz com o feito.

“É mais um objectivo traçado para esta época que foi alcançado e, obviamente, estamos todos felizes, mas mais do que isso foi o facto de, quando fomos eliminados em Luanda, ter passado a mensagem de que estamos em África para ficar”, recordou Lalgy, realçando que foi um desafio que motivou todos a trabalharem por esse objectivo.

Lalgy fala de responsabilidades acrescidas, uma vez que “temos de preparar a equipa para a fase de grupos e, ao mesmo tempo, para todas as competições em que estamos inseridos”.

Porém, o sonho é sempre alcançar mais voos. “O objectivo da fase de grupos está alcançado, mas não podemos ficar por aí. Queremos mais.

Vamos lutar para ver se nos qualificamos para a fase seguinte, mas, se não conseguirmos, pelo menos teremos cumprido os objectivos da época. Mas vamos lutar, porque estamos sempre na luta”, acrescentou Junaid Lalgy.

Black Bulls coloca o país novamente na alta roda do futebol africano de clubes, sete anos depois

Por: Vitor Gonçalves

 

Comecei a ler, aqui no NASCER DO SOL, o manifesto anti – Mia, do João Vasco Rodrigues (JVR), convencido que a coisa era sobre literatura.
Engano – percebi logo na segunda linha.
Afinal, é uma nova receita de bacalhau.
Abóbora! Afinal também não o é – entendi logo a seguir: é antes um ataque cerrado aos serviços gerais de empacotamento avulso. Mas, não percebi bem qual a dimensão do pacote em causa, nem o destinatário do envio.
Mas que texto tão ricamente embrulhado, que magnífico labirinto de metáforas; a que vastos e profundos becos somos conduzidos, pela galharda prosápia do autor.
É notável, como dispara – linha, após linha, após linha – múltiplas e absolutamente desnecessárias descobertas sobre tantos, tão diversos e complexos assuntos.
Um verdadeiro paladino de verdades gerais.
E, mesmo quando – modestamente – nos inclui nas suas geniais descobertas geográficas: – “Todos sabemos como África permanece um continente vastíssimo e ainda desconhecido.” – não deixa de vincar o carácter inovador e mesmo disruptivo do seu pensamento.
Como nunca tinha eu pensado nisto?
De facto, ele tem toda a razão: a África não tem encolhido quase nada, permanece um continente vasto, como sagazmente conclui.
Por que será?
Arguto, o autor responde fingindo que não sabe, mas sabendo, como não podia deixar de saber, porque o escreve.
É claro que é por causa daquilo que ele afinal conhece, mas finge – só para nos entusiasmar – não conhecer:
“Conhecemos apenas os seus desastres: as secas, as chuvas intensas, os ciclones, a fome severa…”. Brilhantemente original.
Registe-se o inteligente uso das reticências nesta frase, deixando-nos, poeticamente, vogar pela tal vastidão do Continente, de desgraça em desgraça. Honesta e definitiva a confissão.
Quem bom, que ele nos alerte para o facto.
E sim, desconhecido, como conclui.
Magnífica, a forma incansável como, palavra a palavra, JVG nos dá um cabal testemunho dessa tão comum ignorância. Notável, como cada uma das suas declarações comprova o seu axioma.
Que se cale de Pangloss toda a redonda retórica, Cândido tem novo mestre.

Só me atrevo, um quase nada, a perturbar a clarividência do autor para reclamar pela irritante e contumaz falta do artigo em África. Que diabo, pobres seremos, mas isto de sermos o único Continente que nem artigo pode ter já me cansa.
Em Moçambique não temos posses para ter quatro estações por ano.
Temos duas e a muito custo.
Ao menos deixem-nos um artigo bem definido.

Imparável, JVG, passa da ignorância assumida sobre o Continente, para a ignotícia sobre o Mia Couto.
E, numa hodierna reinterpretação do Mapa cor-de-rosa – na qual nos revela o seu profundo conhecimento de alguns arcanos e misteriosos sortilégios africanos – empacota o Mia e o Agualusa na tal literatura africana e, com aquela audácia que só a profunda ignorância permite, declara-os …”(…)dois vendedores de banha da cobra,(…) dois capatazes dissimulados de uma literatura africana(…).
Que inteligência, que argumento subtil. Vejam como ele metaforiza bem, como domina a antropologia e a História, como sintetiza – a África, as cobras e os capatazes numa polida frase.
Navega, de metáfora em metáfora, com a delicada elegância do hipopótamo, para nos atermos à fauna local.

“Talvez tenha chegado o momento de nos atravessarmos. E foi assim que por estes dias nos atirámos à leitura de “Compêndio para Desenterrar Nuvens”.
Esta é que me deixou de rastos.
Confesso, agora estou entusiasmado!
Isto vai aquecer, o plural majestático não nos permite duvidar.
Ele atirou-se – e sem rede como se percebe – à leitura de um livro. E teve a generosidade de o ler todo!
É sobre-humano, como num ápice, ele alcança uma compreensão tão profunda e genuinamente ignorante da obra do Mia.
Como, num relance, percebe que todos os que ao longo das últimas décadas admiraram a sua escrita estão errados.
Com que coragem denuncia a enormidade da conspiração intercontinental, que levou dezenas de incautos a, um pouco por todo o mundo, atribuírem os mais conceituados prémios da literatura a tal homem.
Ora, lá está outra vez o tal mistério africano que parece atormentar JVG.
Mas, como é que faz para conseguir ser o único a marchar com o passo certo nesta multidão de coxos?
E os adjectivos, já mediram bem o trabalho que dá atingir aquele nível de vulgaridade? É obra.
Os mais incautos de entre nós ainda poderiam vislumbrar, por entre as palavras assanhadas, um verde assomo de inveja por tantos e tão prestigiados prémios, por tão longa e profícua carreira.
Os mais distraídos, talvez pudessem pensar que tanto azedume não passa de uma tentativa serôdia e disparatada de, ao se confrontar com algo que não pode emular, sublinhar publicamente a sua incapacidade.
Uma espécie de Salieri caseiro, um pequeno Iago.
Mas não consigo acreditar que tão dramático objectivo habite em tão irreflectida prosa.
Nem percebi bem a metáfora culinária do bacalhau, ou a da banha.

E, confesso, que não fui suficientemente perspicaz para entender JVG, quando, magnânimo, declara:
Se, por um lado, nos vem oferecido diariamente como uma espécie de herói da literatura africana,  por outro, talvez nos bastasse o dia em que deixasse de escrever e de interferir na dinâmica da edição de livros, para que pudéssemos então começar a ouvir falar daquilo que nos oferecem grandes escritores como Maryse Condé, Aimé Césaire, Luís Bernardo Honwana ou Achille Mbembe.
Fiquei confuso.
Será uma intrincada citação de Camões – “Cesse tudo o que Musa antiga canta”?
Por momentos, debati-me com a complexidade da proposta.
Depois percebi a meridiana clareza da ideia: para promover a literatura, é preciso que um escritor deixe de escrever.
Não sendo Camões, será Goebbels?
Ultrapassa-me.

“Herói da literatura africana”, não sei bem se o Mia o será, mas se JVG diz que o é, lá terá as suas razões.
Mas acreditar que o seu heróico super-poder lhe permite estender a sua influência maléfica pelo espaço, do Índico às Caraíbas, para silenciar Maryse Condé; e pelo tempo – para calar Césaire e atirar Honwana aos cães; e convencer os Camarões e a Sorbonne que fazem mal em ler o Mbembe, porque ele está mesmo aqui à mão… isto não sei se o Mia o conseguirá.
Mesmo com o recurso aos tais mistérios africanos já listados.
Mas JVG diz que sim. E ele lá saberá o que diz.

Indomável, não hesita em discorrer sobre o que ignora.
E passa ao ataque!
Então não é que o Mia, em vez de aplicar o dinheiro em vacinas e nessas coisas a que os africanos se devem dedicar, teve a coragem de participar na criação de uma Fundação dedicada à literatura e à arte?
Mas que raio?
Que sentido é que faz um escritor querer promover a literatura – e o incentivo a jovens escritores; e a reflexão sobre a cultura moçambicana; e o teatro e as centenas e centenas de eventos com que, desde a sua criação, a Fundação Fernando Leite Couto tem marcado a vida cultural da capital moçambicana?
Pois claro, vê-se logo que JVG talvez saiba do que não fala e se mantém consistentemente desinformado sobre o que se passa em Maputo.

Faltava o golpe de mestre. O argumento derradeiro e imbatível.
Então não é – denuncia, garboso, o articulista – que não satisfeito com tanto êxito, o Mia ainda teve o dislate de promover a venda de livros a preços acessíveis ao comum dos cidadãos moçambicanos?
Mas então?
Então, tem algum sentido que um escritor, em vez de se preocupar com as leis do mercado – que JVG tão lustrosamente quer defender – se dedique, ao contrário, a tentar levar os seus livros ao maior número de pessoas possíveis, ao mais reduzido preço que consegue?
E que, não contente com o dislate, este escritor moçambicano, tente que os seus títulos sejam publicados em Moçambique, por uma instituição moçambicana?
Blasfémia!

E, finalmente, com o espírito de indómito cruzado que anima toda a sua catilinária, João Vasco Rodrigues termina com um apelo directo a deus.

Estou certo que será ouvido.
Ou não fosse dos simples o reino dos céus.

 

 

 

 

 

 

 

Uma jovem sequestrada escapou do cativeiro após estar fora do convívio familiar durante um dia. A vítima conta que, após conseguir escapar, levou a polícia para o local, mas nada foi feito. As autoridades continuam a investigar. A jovem vive em KaTembe, onde ocorreu o crime.

São relatos de quem viveu dias nas mãos de um grupo de sequestradores na cidade de Maputo. Matilde é nome fictício que passamos a atribuir à jovem residente no bairro Nkasane, no distrito municipal KaTembe, sequestrada há dias, na avenida Guerra Popular, no centro da cidade.

A vítima conta que pretendia chegar, pela primeira vez, ao bairro Intaka. Em busca de um transporte, chegou primeiro uma “boleia paga”. Já ao longo da viagem, Matilde descobriu que não era a única vítima que havia caído nas mãos de malfeitores.

“Eu pretendia chegar ao bairro de Intaka, saindo da baixa da cidade. Uma vez que não consegui uma chapa directo, apanhei uma boleia de um senhor que disse que ia até Boquisso. Subi juntamente com uma moça que disse que me iria mostrar. Entrámos no carro e seguimos em direcção a Mavalane. De repente, a moça que já estava no carro começou a reclamar alegando que a direcção que levávamos não era a certa. Ela começou a reclamar, mas o carro não parou, ele (o condutor) negou. Nós começámos a gritar e um deles, aquele que estava atrás, tirou arma e disse que tínhamos de fechar as bocas”, relata a jovem em prantos.

Após ficar clara a intenção dos sequestradores, Matilde conta que perdeu a consciência e só acordou no interior de uma residência, onde os malfeitores obrigaram os jovens a mandarem mensagens aos familiares para enviarem valores de resgate. A família de Matilde não teve disponibilidade imediata dos valores e a jovem conta que viu algumas jovens a serem soltas à medida que os familiares enviavam os 45 mil Meticais ou metade do valor.

Matilde relata, ainda, que “as famílias de duas moças mandaram metade do valor e foram soltas e, naquela noite, só ouvimos os senhores a dizerem que tinham de sair, porque haviam encontrado mais duas moças e tinham de sair para ir buscá-las. Então, entraram no carro junto com eles, aquelas duas que já haviam mandado o valor. Taparam-lhes com um pano preto e, do nada, caíram. Quanto a mim, a minha família disse que continuava à procura dos valores”.

A mãe de Matilde só recebeu a informação após algumas horas. Segundo ela, a família tratou de participar o caso à polícia local, que prometeu dar seguimento, mas Matilde viria a escapar das mãos dos malfeitores, graças à sua esperteza no momento em que teve oportunidade de sair para um ATM, a fim de tirar dinheiro para pagar pelo seu resgate.

“Consegui mentir para eles dizendo que o dinheiro que pretendiam estava comigo, no cartão, e que só eu devia levantar no ATM. Quando saímos de lá, um deles disse-me que devia agir como se fosse sua namorada. Durante a caminhada, consegui despistá-lo e correr e pedir socorro”, conta a jovem.

Matilde é um dos vários casos que têm vindo a ganhar espaço no distrito de KaTembe e não só, e a população questiona a ausência de quem deve garantir ordem e segurança.

“Temos vizinhos que foram raptados, crianças, tantos adultos… recentemente, um senhor foi vítima deste grupo, foi raptado e, quando a família disse que não tinha valores, eles tiraram-lhe a vida. Aqui, em KaTembe, estamos numa situação muito chata e caótica. Precisamos da polícia, que eles nos apoiem. Esses bandidos andam com pistolas. Quem são eles até conseguirem pistolas?”, questiona a tia da vítima.
Para o criminalista Paulo Sousa, o actual fenómeno que faz vítimas crianças e jovens e com valores insignificantes para o resgate, pode ser fruto da ausência dos elementos de segurança.

Segundo Sousa, “esta classe, mais mínima, mais razoável, entendeu a insegurança, entendeu essa fragilidade. Portanto, por haver essa exposição da vítima, aproveitam-se. Dentro da teoria da propriedade social, integram-se estes factores: a exposição da vítima, a ausência de políticas efectivas de reacção à segurança, que se sente que eles estão embalados, aspecto relativo à ausência de postos de trabalho ou desemprego na camada juvenil”.

Outro aspecto levantado pelo criminalista tem a ver com o facto de a polícia não estar a conseguir contrapor as acções dos criminosos, ao mesmo tempo que afirma que a polícia deve tomar posição e procurar antecipar-se perante as acções dos criminosos, não o contrário do que vem acontecendo.

Após escapulir das mãos dos malfeitores, Matilde dirigiu-se à décima oitava esquadra, onde se prontificou a mostrar o local em que foi mantida em cativeiro. A polícia conheceu o local, mas até agora diz continuar com as investigações.

Com o moçambicano Shaquille Nagy  no 11 inicial, o Sagrada Esperança de Angola venceu o Enugu da Nigéria por  3-1,  e está na fase de grupos da Liga dos campeões africanos  

O Sporting, líder do campeonato português , entrou a todo o gás. O jovem dinamarquês Conrad Harder e, para não variar, Gyokeres fizeram os golos do jogo.  Geny  Catamo entrou na segunda parte, trazendo, como sempre, segurança e jogadas importantes.

Na segunda divisão turca, mais um tropeço para os dois jogadores moçambicanos. O Igdir Fk de Guima perdeu por 2-0 e caiu para o quinto lugar . O jogador moçambicano foi titular e substituído aos 46 minutos de jogo. Por outro lado, o Bandirmaspor de Mexer empatou 0-0 com o Istanbulspor e caiu para o décimo segundo lugar 

Na segunda liga espanhola, o  Almería de Bruno Langa empatou 2-2 com o Eibar . O jogador moçambicano entrou aos 66 minutos e foi protagonista de um remate de longa distância que embateu violentamente no poste e que poderia ter mudado o rumo do jogo. A equipe está num preocupante décimo sétimo lugar 

Ainda em Espanha, com Reinildo Mandava a  fazer os 90 minutos , o Atlético de Madrid empatou  1-1 com o Rayo Vallecano. Perde, deste modo, terreno para o Barcelona que venceu o Villarreal por expressivos 5-1 e ainda viu-se ultrapassado pelo Real Madrid que venceu o Espanhol por 4-1

Em Portugal, a Académica de Coimbra  de Gildo Vilankulos foi eliminada da Taça de Portugal ao perder por 1-0 com o Torrense . O jogador moçambicano foi titular e substituído aos 64 minutos 

As actividades desenvolvidas pela Associação Kulemba, em prol da literatura em Moçambique, marcam a grande diferença, em termos práticos, na valorização da literatura moçambicana. Essa posição foi defendida pela actriz Ana Magaia, depois do encerramento da quarta edição da Feira do Livro da Beira (FLIB 2024), que decorreu entre os dias 18 e 20 de Setembro.

Para Ana Magaia, a Kulemba está a fazer o que devia ter sido feito há muito tempo. A actriz acrescentou que a associação está a dar aulas a grandes gerações ao proporcionar eventos como a FLIB, que permitem discutir vários aspectos da literatura moçambicana.

Na FLIB 2024, Ana Magaia participou no sarau de encerramento do evento, no qual fez uma leitura encenada do conto “Rosita, até morrer”, da autoria Luís Bernardo Honwana, escritor homenageado na quarta edição da FLIB.

Em relação ao trabalho apresentado, a actriz sublinhou que encenar qualquer peça sobre a obra de Honwana é motivacional e inspirador, uma vez que faz recordar vários episódios da sua juventude nos diferentes palcos do país, pois ela estreiou esta peça, pela primeira vez, nos anos 80.

Palestras, conversas, debates, sarau cultural e feira de livros foram as actividades programadas para a quarta edição, que decorreu no Instituto de Formação de Professores de Inhamízua, Livraria Fundza, Universidade Licungo, Centro Cultural Português na Beira e Casa do Artista. Nessas actividades, houve participação de diferentes públicos que celebraram a grande festa do livro.

No seu discurso de encerramento, Dany Wambire, presidente da Associação Kulemba, sublinhou que esta edição é uma continuação da celebração dos 60 anos de “Nós Matámos o Cão-Tinhoso, uma vez que, ainda neste ano, houve, em Maputo, actividades iniciais, como o simpósio e a publicação do livro “O inventário da memória”, organizado por José dos Remédios.

Depois destes quatro dias de intensas actividades, Dany Wambire afirmou que Associação Kulemba conseguiu cumprir, com sucesso, os objectivos traçados para a festa de seis décadas da obra emblemática que marcou várias gerações em Moçambique e no estrangeiro.

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