O Ministério da Educação e Cultura admite que pode haver livro de distribuição gratuita à venda nas livrarias e papelarias por eventuais erros das editoras de livros. Sobre a falta de manuais escolares para a nona classe, o ministério diz que já disponibilizou conteúdo em formato digital.
Através deste despacho de sete de Maio de 2026, o Ministério da Educação e Cultura orientou as direcções provinciais de educação e as respectivas representações nos distritos, a recolher imediatamente todos os livros de distribuição gratuita encontrados em estabelecimentos de ensino particular.
O despacho cujo conteúdo não é novo, agitou pais e encarregados de educação com filhos no ensino particular, e pelo menos na cidade de Maputo, muitos acorrem às livrarias para a substituição dos livros.
“Nas províncias nós sabemos que há muitos desafios. Nas livrarias, compram não sei de onde, mas nós compramos também livros que vêm escritos de distribuição gratuita”, denunciou Constantino Jr, encarregado de Educação que tem um filho a frequentar ensino primário em uma escola particular na cidade de Chimoio.
O Ministério da Educação reagiu à denúncia em uma entrevista, admite que pode haver livro de distribuição gratuita à venda nas livrarias, mas tal eventualidade resulta de erros das editoras.
“Penso na eventualidade de distração por parte das reprografias dessas livrarias, que imprimiram o livro com a etiqueta de venda proibida e distribuição gratuita. Pode ser que tenha havido este lapso de imprimirem a capa com esta etiqueta”, argumentou Silvestre Dava, porta-voz do MEC.
Entretanto, nas escolas privadas, a recolha dos manuais de distribuição gratuita já começou como forma de desincentivar a circulação do livro gratuito nos mercados paralelos, justificou o ministério.
Enquanto decorre a recolha dos manuais, há outro problema que preocupa gestores escolares, encarregados de educação e livrarias. A meio do ano lectivo, as escolas, públicas e privadas continuam sem o manual físico no ensino secundário, particularmente da sétima classe.
“Em termos de material didático, recebemos o mínimo possível para iniciar o arranque. Livro disponível ainda não há, mas sempre a Direcção Distrital nos disponibilizou de forma digital os manuais que nós devemos utilizar no ensino secundário. Só que não temos manuais para os alunos utilizarem, mas temos manuais para o professor utilizar neste momento ainda não há venda para o aluno”, explicou Hortência Cossa, Directora do Instituto Fundhane.
A situação está a obrigar professores e alunos a recorrerem a apontamentos, fotocópias e conteúdos improvisados para manter as aulas. Gestores escolares temem que os arranjos impactem os resultado.
“Essa questão do manual escolar da sétima classe, principalmente no início do ano lectivo, foi um dilema, mas tem sido nesses últimos anos também, porque faz falta aos alunos terem o manual disponível, aquele manual tradicional que podem encontrar em qualquer papelaria. Encontrou-se uma solução, tem as tais fichas que são impressas, encadernadas, que funcionam como manual, mas é completamente diferente”, lamentou Isara Mussagi, do Lápis Mágico
Nas papelarias, a preocupação também é a mesma: o livro esperado desde 2023, nunca chegou.
“Nós aqui nas livrarias nunca vendemos o livro, o que apareceu foram fichas que lá tratam como brochuras. Mas de lá para cá, isso foi há dois anos atrás, nunca mais tivemos acesso, porque o ministério proibiu”, revelou uma uma fonte ligada à Papelaria Maputo.
Sem reconhecer a falta, o porta-voz do Ministério da Educação e Cultura disse ter dado orientação às escolas sobre o procedimento com a sétima classe.
“As escolas foram orientadas a ceder ou a instruírem os alunos a ceder os materiais pedagógicos no site do IEDA, o nosso Instituto de Educação Aberta e à Distância. Temos lá todos os materiais para todas as classes, para que os alunos e professores possam utilizar”, concluiu Silvestre Dava.
Entre livros retirados e livros que nunca chegaram ao mercado, o segundo trimestre segue para o fim e pais, alunos e escolas aguardam pela disponibilização dos manuais.
Um incidente ocorrido esta segunda-feira, quando um protesto anti-imigração se tornou violento na cidade costeira de KuGompo, na província do Cabo Oriental, culminou com o alegado esfaqueamento de um sul-africano, por parte de um estrangeiro, e degenerou em ataques contra negócios geridos por migrantes e no incêndio de vários veículos.
O Governo da África do Sul condenou esta quinta-feira a violência desencadeada esta semana durante um protesto contra a imigração, mas salientou que é necessário lembrar aos migrantes nigerianos que “são visitantes no país”.
“É profundamente preocupante que as queixas legítimas sobre este assunto tenham dado origem a actos de violência e criminalidade. O Conselho de Ministros recorda aos sul-africanos que o direito à manifestação acarreta uma responsabilidade: deve ser exercido de forma pacífica e dentro dos limites da lei”, afirmou a ministra da Presidência, Khumbudzo Ntshavheni.
Ntshavheni referiu-se, numa conferência de imprensa em Pretória, ao incidente ocorrido esta segunda-feira, quando um protesto anti-imigração se tornou violento na cidade costeira de KuGompo (anteriormente chamada East London), na província do Cabo Oriental (este).
A marcha, convocada por diferentes organizações e partidos políticos, começou de forma pacífica, mas, depois de um dos manifestantes alegar ter sido esfaqueado por um estrangeiro, degenerou em ataques contra negócios geridos por migrantes e no incêndio de vários veículos.
A manifestação foi motivada pela tensão desencadeada após a recente nomeação de um chefe tradicional pela comunidade imigrante nigeriana local, com um título que pode ser traduzido como “rei do povo igbo em East London”.
Alguns sul-africanos residentes na zona viram este acto como uma tentativa de controlar o poder político num país onde as autoridades tradicionais locais gozam de reconhecimento oficial por parte do Estado.
“O Conselho de Ministros manifestou a sua indignação pela alegada coroação de um cidadão nigeriano como suposto chefe na cidade de KuGompo (…) e salientou que se trata de uma mera palhaçada infantil que carece de qualquer efeito legal”, afirmou Ntshavheni.
O Governo continuará a dialogar com a Embaixada da Nigéria em Pretória, referiu a ministra, “sobre a conduta inaceitável dos nigerianos na África do Sul, que não é própria de visitantes”.
“E devemos lembrá-los de que são visitantes”, repetiu.
Por seu lado, a Embaixada nigeriana pediu prudência aos seus cidadãos e instou-os a tomar medidas de segurança, como limitar os seus movimentos ou “suspender qualquer tipo de actividades socioculturais”.
A missão diplomática também enviou uma carta de desculpas às autoridades sul-africanas.
Segundo relataram à imprensa os vizinhos igbos da zona, a nomeação desta figura tradicional é uma prática habitual entre os nigerianos na diáspora, mas trata-se de um título tradicional sem poder político real.
As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul e, frequentemente, têm resultado em ondas de protestos violentos e distúrbios, especialmente nos bairros mais vulneráveis.
Os incidentes mais graves dos últimos tempos ocorreram no final de 2019, com 18 estrangeiros mortos, segundo dados da organização Human Rights Watch (HRW).
Inúmeras comunidades de imigrantes foram então repatriadas pelos seus próprios países, como Moçambique ou a Nigéria, e a África do Sul foi alvo de duras críticas internacionais por xenofobia.
Cidadãos estrangeiros vivem em situações de falta de higiene e com saúde precária na 23.ª Esquadra. Enquanto o SENAMI fala em “condições mínimas”, a Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) considera o cenário grave e admite avançar para o Ministério Público.
A 23.ª Esquadra de Chiango, na capital do País, está no centro de uma polémica, após a divulgação de vídeos que expõem o quotidiano degradante de 27 imigrantes retidos. Os registos mostram um cenário de imundície, onde cidadãos de várias nacionalidades, alguns sob custódia há mais de 30 dias, clamam por assistência médica, água e dignidade.
Entre os relatos mais chocantes está o de um imigrante angolano que, com a saúde visivelmente debilitada, descreveu o local como “criminoso”. Segundo o seu testemunho, os detentos chegaram a ficar sete dias consecutivos sem água para a higiene pessoal, dependendo apenas de água mineral para beber.
“O meu corpo começou a transformar-se, a sair coisas. Fiquei mesmo doente, grave”, relatou o cidadão, que utilizou as redes sociais como último recurso para pedir socorro, sentindo-se abandonado pela sua própria embaixada.
Confrontado com as imagens, o Serviço Nacional de Migração (SENAMI) apresentou uma versão oposta. Segundo o porta-voz da instituição, Luca Bata, a transferência dos 27 imigrantes para a 23.ª Esquadra foi temporária e estratégica, visando a reabilitação do edifício principal de acolhimento.
O SENAMI assegura que todos os retidos têm acompanhamento médico e que quatro cidadãos foram encaminhados para o hospital psiquiátrico devido a enfermidades.
A instituição desmentiu a Comissão Nacional dos Direitos Humanos sobre a duração de uma das detenções, embora tenha admitido que um cidadão de Madagáscar está sob custódia “há um bom tempo”, desde 2022.
“É uma esquadra para detentos… existem lá melhores condições. Tem lá detentos que nunca reclamaram”, afirmou o porta-voz, minimizando as denúncias de insalubridade.
A Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) não ficou convencida com as explicações oficiais. Após analisar as imagens, o presidente da Comissão, Albachir Macassar, considerou as alegações de “particular gravidade” e sublinhou que a lei deve ser cumprida independentemente da situação migratória.
“Vimos graves problemas sanitários e falta de cuidados médicos adequados. Se encontrarmos matéria que deve ser submetida à Procuradoria, vamos fazê-lo e instar a instauração de um processo”, garantiu Macassar.
Desde a última segunda-feira, os imigrantes foram transferidos de volta para o local original, cujas obras de requalificação estariam concluídas. O SENAMI informou que está agora a preparar o processo de deportação dos cidadãos.
O caso, contudo, deixa feridas abertas na imagem da gestão migratória em Moçambique, levantando questões sobre a linha ténue entre a “fiscalização migratória normal” e a violação dos direitos fundamentais garantidos pela Constituição.
A presidente da Assembleia da República, Margarida Adamugi Talapa, discursou, nesta quarta-feira, 1 de Abril, no Conselho da Federação da Assembleia Federal da Rússia, momento mais alto da visita oficial que efectua àquele país do leste europeu. Na ocasião, a presidente do Parlamento moçambicano agradeceu o povo russo pelo apoio multiforme face às cheias que recentemente assolaram o nosso País.
Margarida Talapa encontra-se na Rússia para uma visita de trabalho a convite da presidente do Conselho da Federação da Assembleia Federal da Rússia, Valentina Matvienko, para o estreitamento das relações de amizade e cooperação entre os dois parlamentos e países.
Nesta quarta-feira, no momento mais alto da visita, a presidente da Assembleia da República discursou na Assembleia Federal da Rússia, a câmara mais alta do Conselho da Federação Russa.
O Conselho da Federação representa as entidades constitutivas da Federação Russa, composto por dois representantes de cada região, focando-se em questões territoriais, segurança e aprovações constitucionais, funcionando como senado.
No discurso de cerca de quinze minutos, a presidente do Parlamento moçambicano destacou as excelentes relações que unem os dois países, desde os primórdios da luta de libertação de Moçambique.
Margarida Talapa sublinhou que guerrilheiros do movimento de libertação de Moçambique receberam treinamento militar e armamento da antiga União Soviética, meios que sustentaram a revolução moçambicana.
A presidente do Parlamento moçambicano agradeceu o povo russo pelo apoio multiforme face às cheias que recentemente assolaram o nosso País, com destaque para a zona Sul, a mais afectadas, nomeadamente as províncias de Maputo, Gaza e Inhambane.
Na ocasião, Talapa sublinhou a importância do reforço da cooperação interparlamentar, sobretudo num contexto internacional conturbado e instável, devido aos vários conflitos no mundo.
Foi neste contexto que reafirmou o compromisso do Parlamento moçambicano em promover o fortalecimento da cooperação interparlamentar entre a República de Moçambique e a Federação da Rússia.
A cooperação entre os dois países transcende o domínio parlamentar, sendo a educação, saúde, defesa e segurança as mais tradicionais. Moçambique e Rússia estão empenhados na diplomacia económica, com interesse mútuo nos sectores de energia, ciência e tecnologia, agricultura e indústria extractiva.
Margarida Talapa anotou que o papel dos dois parlamentos é crucial na viabilização de projectos acordados ou a serem estabelecidos pelos governos moçambicano e russo.
O Reino Unido investiu, desde 2009, 79,9 milhões de dólares (5,1 mil milhões de meticais) em sistemas de abastecimento no País, levando água a 1,8 milhões de pessoas nas zonas rurais.
“Mais de 1,8 milhões de pessoas nas zonas rurais de Moçambique têm agora acesso à água potável segura”, avançou o Reino Unido, em comunicado divulgado nesta quarta-feira.
Este balanço é trazido numa altura em que é assinado o encerramento do programa de Transformação da Provisão de serviços de Água, Saneamento e Higiene (T-WASH), que durou uma década.
Segundo o comunicado, só com o programa T-WASH, implementado entre 2015 e 2026, o Reino Unido apoiou a Estratégia Nacional de Água e Saneamento Rural de Moçambique financiando mais de 200 sistemas de água e cerca de 2000 furos em comunidades rurais, tendo reforçado os sistemas de planeamento, prestação e manutenção dos serviços de água e saneamento.
O T-WASH decorreu com os seus respectivos fundos entregues em duas fases, tendo melhorado o saneamento para 3,3 milhões de pessoas, com o Reino Unido a apoiar a Estratégia Nacional de Água e Saneamento Rural de Moçambique (PRONASAR) desde 2009.
O programa foi implementado em parceria com a Direcção Nacional de Abastecimento de Água e Saneamento (DNAAS), conforme escreve o organismo no comunicado.
Com o fim do programa de acesso à água implementado em 10 anos, o Reino Unido promete, agora, apostar na mobilização de fundos para o financiamento climático e do investimento privado, reduzindo a dependência do financiamento tradicional da ajuda e garantindo a sustentabilidade a longo prazo das infraestruturas já construídas.
Em Outubro passado, o Governo avançou que Moçambique precisa de cerca de 4,1 mil milhões de dólares (262,2 mil milhões de meticais) para acelerar a expansão dos sistemas de abastecimento de água e de saneamento sustentáveis no País.
O Gabinete da Juventude Parlamentar (GJP) efectuou uma visita ao antigo estadista moçambicano, Armando Emílio Guebuza, um encontro marcado pelo diálogo e pela partilha de experiências.
Durante a conversa, Armando Guebuza destacou a importância da Assembleia da República, sublinhando que “o Parlamento tem uma história que é muito rica, construída com muito esforço ao longo dos anos”.
Guebuza enfatizou ainda que, acima das diferenças partidárias, prevalece a identidade nacional, uma vez que “não importa o partido, todos nós somos moçambicanos. Moçambique é nosso”.
O antigo estadista reforçou a importância da inclusão e da igualdade, afirmando que todos têm direitos, independentemente da idade ou da raça, e que o foco deve estar no desenvolvimento do País.
Segundo afirmou, mesmo com opiniões diferentes, é essencial que todos estejam unidos por um objectivo comum: “cada um pensa o que pensa, fala o que fala, mas todos devemos estar movidos por um Moçambique melhor”.
No encontro, também se reconheceu a diversidade como um elemento natural da sociedade, sendo as diferentes organizações uma expressão dessa pluralidade. Ainda assim, destacou-se a necessidade de união, até porque “somos diferentes, por isso temos organizações diferentes, mas devemos nos abraçar para criar um futuro melhor”.
Houve igualmente espaço para reflectir sobre os desafios actuais, incluindo preocupações em torno do estado da democracia. Armando Guebuza recordou que muitas das conquistas nacionais foram alcançadas com grande dificuldade, referindo-se às instituições como vitórias que devem ser preservadas.
“Aquela casa foi conquistada com muita dificuldade, mas foi conquistada”, disse o antigo estadista moçambicano que já foi deputado de 1994 a 2002.
Por fim, deixou uma mensagem centrada no papel do povo, afirmando que, independentemente de quem ganha ou perde, o mais importante é que o povo nunca saia prejudicado: “se o povo ganha, vale a pena, e quem julga os valores é a história. O povo tem de ficar para a história”, disse.
A presidente da Assembleia da República, Margarida Talapa, manteve encontro com a presidente do Conselho de Federação da Assembleia Federal da Rússia, Valentina Matvienko.
As duas delegações parlamentares enalteceram o estágio de cooperação existente entre os órgãos legislativos, expressando total disponibilidade para aprofundar e alargar as excelentes relações.
O parlamento moçambicano está interessado em acolher a longa experiência do Conselho Federal da Rússia nos domínios da digitalização dos processos legislativos. Neste âmbito, Margarida Talapa colocou a possibilidade de troca de delegações a diferentes níveis, assistência técnica às comissões, capacitação de funcionários parlamentares e dinamização das Ligas de Amizade existentes entre os dois parlamentos.
Talapa abordou, igualmente, com a homóloga russa, questões relativas à segurança em alguns distritos da província de Cabo Delgado e o gesto solidário demonstrado pelo povo russo, que consistiu no envio de bens alimentares para as vítimas das cheias.
Margarida Talapa agradeceu, em nome do Estado moçambicano, o governo russo por ter duplicado o número de bolsas de estudos para a formação superior de estudantes moçambicanos.
Na sua locução, no encontro, a presidente do Conselho da Federação da Rússia, Valentina Matvienko, disse que Moçambique é um parceiro estratégico confiante. Matvienko assegurou a implementação integral dos termos do Acordo Interparlamentar existente, ao mesmo tempo que demonstrou abertura para responder às necessidades do Parlamento moçambicano.
Margarida Talapa renovou o convite formulado em Maio do ano passado, à Presidente do Conselho Federal da Rússia para visitar Moçambique.
Moçambique e Rússia assinam programas de cooperação
A Assembleia da República de Moçambique e o Conselho Federal da Rússia assinaram um novo instrumento de cooperação, culminando as conversações oficiais havidas entre a presidente da Assembleia da República, Margarida Adamugi Talapa, e a presidente do Conselho Federal da Rússia, Valentina Matvienko, presenciadas pelas delegações dos respectivos parlamentos.
Trata-se do Programa de Cooperação Parlamentar 2026-2027, cujas acções incidirão sobre os secretariados gerais dos dois parlamentos.
Do lado moçambicano assinou o Programa de Cooperação, António Mahumane, secretário-geral da Assembleia da República e da contraparte russa pelo secretário-geral do Conselho Federal da Rússia, Gennady Golov.
O programa, ora assinado, prevê o fortalecimento das relações interparlamentares por meio de troca de delegações e uma cooperação mais estreita entre os deputados, comissões e órgãos da administração dos dois parlamentos.
No domínio político, as acções incidirão sobre visitas recíprocas, ao nível de Presidentes de Parlamento, troca de delegações, com enfoque para as comissões que lidam com assuntos de Relações Internacionais, Defesa, Actividades Económicas e Ciência e Tecnologia.
No domínio da Administração, a cooperação incidirá em acções de capacitação, estágios on the job, nas áreas de processo legislativo, informática, administração parlamentar, relações internacionais, recursos humanos, estudos e formação parlamentar, documentação parlamentar e digitalização do acervo parlamentar.
O ministro da Saúde admite que sente vergonha quando é questionado sobre roubo de medicamentos nos hospitais. Ussene Isse acusa profissionais da área que dirige de tratarem os pacientes sem o devido humanismo.
Ussene Isse, Ministro da Saúde foi convidado para a aula de abertura do Instituto Superior das Ciências de Saúde. A aula transcendeu os limites da academia, abordou questões de actualidade no sector, admitiu haver maus tratos no sector que dirige, e revelou-se envergonhado com os caso.
“Eu fico muito envergonhado quando somos questionados pela população. Sr. Ministro, aqui no seu hospital, cobram, cobranças ilícitas, cobram. Aqui no seu hospital, nos maltratam. Aqui no seu hospital, roubam medicamentos. E aí? Como é que vou ficar feliz ao ouvir essas coisas?” Questionou-se Ussene Isse. O governante mostrou preocupação com a falta de humanismo nos hospitais citando o exemplo das maternidades que classificou como “piores”
“O maior problema de cobranças ilícitas é na maternidade. Dizem que, as senhoras já sabem, até amarram na ponta da capulana.Já sabem, basta abrir a capulana, basta desamarrar a capulana, já sabem que ali tem, tem o quê? Tem dinheiro “, descreveu o ministro pedindo mudanças nas atitudes.
Aos profissionais que participam das manifestações, Isse manda um recado.
“Um bom profissional de saúde, Não coabita em ambientes de agitação. Infelizmente, infelizmente, infelizmente….Analisem o que eu iria dizer, não vou dizer agora.” Terminou o discurso.
Ussene Isse pediu aos gestores hospitalares a analisarem os indicadores de satisfação dos utentes e às escolas a ensinarem mais a ética e deontologia.
O Serviço Nacional de Migração prevê um movimento de pessoas acima do normal a partir de hoje, nas fronteiras do país devido à Páscoa. Até o dia dez, cerca de 370 mil viajantes poderão atravessar os postos fronteiriços.
Com a Páscoa a bater à porta, as fronteiras nacionais começam a partir desta quarta-feira a registar movimentos acima do normal de pessoas. O pico, segundo o Serviço Nacional de Migração, será assistido dentro de cinco dias.
“Para a presente operação perspectiva-se um movimento migratório de 372,053 viajantes, contra 356,672 da Operação Páscoa 2025, o que representa um aumento de 17 mil viajantes. A previsão do aumento justifica-se pelo facto da situação sociopolítica do país ser calma e ordeira, contra o período anterior”, explicou Juca Bata, porta-voz do SENAMI.
Este ano, espera-se que mais pessoas entrem e saiam do país para celebrar a morte e ressurreição de Cristo ou até para lazer. Da parte moçambicana, as autoridades garantem condições para reduzir o tempo de espera nas fronteiras, entre as quais, “diminuir o tempo de espera no desembaraço aduaneiro de pessoas e bens; garantir o controlo do contrabando de mercadorias e pessoas nos postos de travessia; reforçar medidas de controlo migratório e inspeção documental”, entre outras.
Devido ao aumento do fluxo, os horários das fronteiras serão estendidos.
“Nos postos de travessia de Ponta D’Ouro e Mandimba o horário passará a ser das 06 até as 18 horas, contra 07 às 18 horas, tendo em conta o acordo alcançado com a República da África do Sul, para a extensão dos horários de funcionamento”
Lançada a 27 de Março último, a Operação Páscoa registou nos primeiros quatro dias o movimento fronteiriço de 71 mil viajantes.
O filósofo e pesquisador José Castiano diz que as desigualdades sociais em Moçambique, onde há poucos ricos e muitos pobres, são o maior perigo para a democracia, por isso propõe a adopção do que chamou de democracia reconciliadora.
Castiano falava durante a aula de sapiência orientada para estudantes de Filosofia da Universidade Eduardo Mondlane, sobre vida e obra de Luísa Diogo.
A Faculdade de Filosofia da Universidade Eduardo Mondlane convidou, nesta terça-feira, o pesquisador e vice-reitor da Universidade Pedagógico de Maputo, José Castiano para orientar uma aula de sapiência, em homenagem à vida e obra de Luísa Diogo.
Durante mais de uma hora e meia, Castiano defendeu a tese de que Diogo morreu defendendo que a reestruturação económica não pode ignorar a justiça social.
“Ela defendeu com todas as energias a questão da igualdade social, a questão do acesso à saúde, a questão do acesso à educação e aos outros benefícios. Para quem lê a “Sopa de Madrugada”, para quem lê e ouve as suas intervenções, vai certamente notar a insistência que fazia para resistir à destruição dessas conquistas da fase socialista”, defendeu o filósofo.
O pesquisador recorda, triste, que Luísa Diogo conseguiu o perdão de uma dívida pública, em 2005, no âmbito da iniciativa Países Pobres Muito Endividados, cujo esforço parece não ter valido a pena.
“Uma pessoa que conseguiu libertar-nos da dívida externa, para depois ver, ainda em vida, o processo de reendividamento, escandaloso. O grande desafio que nós temos, como Moçambique, é lidar com o problema da dívida externa, porque ela, em vez de nos ajudar, está nos empobrecendo cada vez mais. O exemplo da Luisa foi um, mas há outros exemplos. Mas o mais importante é olharmos para nós nas condições de hoje”.
Outro desafio apontado como de urgente resolução é a Soberania Alimentar.
“Nenhum país vive feliz quando come o que não produz e não produz o que come. Soberania alimentar significa comer o que você produz e produzir o que você quer comer. Não estou a dizer que não possa comer queijo, só porque não produz. o deve ser feito é produzir dinheiro suficiente para ter capacidade para comprar os produtos”, disse.
A solução, diz o filósofo, é a adopção do que chamou de democracia reconciliadora.
“Eu estou convencido que a maior divisão que Moçambique tem entre o rico e o pobre, esta é que vai minar a nossa unidade nacional. Quando esta divisão começar a crescer, hoje 20% comem 80% da população, 20% dos nossos ricos comem 80% do que produzimos, e os 80% comem apenas 20%. Esta é uma desigualdade extrema. Então uma democracia não pode sobreviver nessas condições. Temos que encontrar formas de uma democracia reconciliatória no seu sentido social do tempo”, concluiu.
O evento contou com a presença do viúvo, filhos e familiares de Luísa Diogo, que agradeceram o reconhecimento das obras da finada.

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