O Ministério da Educação e Cultura admite que pode haver livro de distribuição gratuita à venda nas livrarias e papelarias por eventuais erros das editoras de livros. Sobre a falta de manuais escolares para a nona classe, o ministério diz que já disponibilizou conteúdo em formato digital.
Através deste despacho de sete de Maio de 2026, o Ministério da Educação e Cultura orientou as direcções provinciais de educação e as respectivas representações nos distritos, a recolher imediatamente todos os livros de distribuição gratuita encontrados em estabelecimentos de ensino particular.
O despacho cujo conteúdo não é novo, agitou pais e encarregados de educação com filhos no ensino particular, e pelo menos na cidade de Maputo, muitos acorrem às livrarias para a substituição dos livros.
“Nas províncias nós sabemos que há muitos desafios. Nas livrarias, compram não sei de onde, mas nós compramos também livros que vêm escritos de distribuição gratuita”, denunciou Constantino Jr, encarregado de Educação que tem um filho a frequentar ensino primário em uma escola particular na cidade de Chimoio.
O Ministério da Educação reagiu à denúncia em uma entrevista, admite que pode haver livro de distribuição gratuita à venda nas livrarias, mas tal eventualidade resulta de erros das editoras.
“Penso na eventualidade de distração por parte das reprografias dessas livrarias, que imprimiram o livro com a etiqueta de venda proibida e distribuição gratuita. Pode ser que tenha havido este lapso de imprimirem a capa com esta etiqueta”, argumentou Silvestre Dava, porta-voz do MEC.
Entretanto, nas escolas privadas, a recolha dos manuais de distribuição gratuita já começou como forma de desincentivar a circulação do livro gratuito nos mercados paralelos, justificou o ministério.
Enquanto decorre a recolha dos manuais, há outro problema que preocupa gestores escolares, encarregados de educação e livrarias. A meio do ano lectivo, as escolas, públicas e privadas continuam sem o manual físico no ensino secundário, particularmente da sétima classe.
“Em termos de material didático, recebemos o mínimo possível para iniciar o arranque. Livro disponível ainda não há, mas sempre a Direcção Distrital nos disponibilizou de forma digital os manuais que nós devemos utilizar no ensino secundário. Só que não temos manuais para os alunos utilizarem, mas temos manuais para o professor utilizar neste momento ainda não há venda para o aluno”, explicou Hortência Cossa, Directora do Instituto Fundhane.
A situação está a obrigar professores e alunos a recorrerem a apontamentos, fotocópias e conteúdos improvisados para manter as aulas. Gestores escolares temem que os arranjos impactem os resultado.
“Essa questão do manual escolar da sétima classe, principalmente no início do ano lectivo, foi um dilema, mas tem sido nesses últimos anos também, porque faz falta aos alunos terem o manual disponível, aquele manual tradicional que podem encontrar em qualquer papelaria. Encontrou-se uma solução, tem as tais fichas que são impressas, encadernadas, que funcionam como manual, mas é completamente diferente”, lamentou Isara Mussagi, do Lápis Mágico
Nas papelarias, a preocupação também é a mesma: o livro esperado desde 2023, nunca chegou.
“Nós aqui nas livrarias nunca vendemos o livro, o que apareceu foram fichas que lá tratam como brochuras. Mas de lá para cá, isso foi há dois anos atrás, nunca mais tivemos acesso, porque o ministério proibiu”, revelou uma uma fonte ligada à Papelaria Maputo.
Sem reconhecer a falta, o porta-voz do Ministério da Educação e Cultura disse ter dado orientação às escolas sobre o procedimento com a sétima classe.
“As escolas foram orientadas a ceder ou a instruírem os alunos a ceder os materiais pedagógicos no site do IEDA, o nosso Instituto de Educação Aberta e à Distância. Temos lá todos os materiais para todas as classes, para que os alunos e professores possam utilizar”, concluiu Silvestre Dava.
Entre livros retirados e livros que nunca chegaram ao mercado, o segundo trimestre segue para o fim e pais, alunos e escolas aguardam pela disponibilização dos manuais.
Os países do Golfo intensificaram a pressão diplomática junto da Organização das Nações Unidas para uma intervenção no estreito de Ormuz, após alegações de que o Irão está a impedir a livre circulação de navios comerciais e petroleiros.
A posição foi defendida pelo Conselho de Cooperação do Golfo, que acusa Teerão de condicionar a passagem marítima, colocando em risco uma das rotas mais estratégicas do comércio internacional.
A proposta, liderada pelo Bahrein e apoiada pelos Estados Unidos, prevê a possibilidade de uso da força para garantir a reabertura da via marítima. O documento está em discussão no Conselho de Segurança e já passou por várias revisões, numa tentativa de alcançar consenso entre os membros com poder de veto, num contexto de forte tensão geopolítica.
Apesar dos ajustes, a iniciativa enfrenta resistência de países como a China e a Rússia, que alertam para o risco de escalada militar. As duas potências defendem que a autorização do uso da força pode agravar o conflito e comprometer ainda mais a estabilidade na região. Também o Presidente da França manifestou reservas quanto à viabilidade de uma operação militar neste cenário.
A versão mais recente da resolução introduz a possibilidade de acções de carácter “defensivo” para proteger a navegação, numa tentativa de suavizar posições divergentes.
Dezoito anos após a sua criação, a Autogas continua a enfrentar dificuldades para firmar um contrato com o Governo para a alocação de gás natural veicular (GNV) destinado ao abastecimento do mercado, situação que contribui para o elevado custo do produto. O Executivo promete flexibilizar o vínculo, mas ainda não avançou prazos concretos.
Com cerca de 4.000 a 4.500 autocarros movidos a gás no país, a maioria concentrada na região da Grande Maputo, a Autogas pretende expandir a sua presença no mercado nacional, mas as dificuldades persistem. Desde a sua criação, a empresa tem vindo a adquirir gás junto de operadores privados, enfrentando constrangimentos para aceder directamente ao produto fornecido pela Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH).
“Estamos há quase 10 a 15 anos a tentar assinar contrato de aquisição de gás com a empresa do Estado que comercializa este produto, neste caso a ENH, mas tem sido difícil. Não sabemos quais os constrangimentos, mas continuamos a crer que um dia vamos chegar a um consenso”, lamentou Octávio Mutemba, PCA da Autogas.
A ausência de um contrato oficial também dificulta o processo de expansão dos postos de abastecimento, actualmente limitados aos municípios de Maputo, Matola e Marracuene. “Os consumidores querem o gás disponível mais próximo e maior capacidade de abastecimento. Um posto de GNV custa aproximadamente 1 milhão de dólares. Para massificar o uso do gás, é preciso investir na expansão da rede de postos e na sua capacidade. Cada novo posto deve ser acompanhado por um aumento de consumidores um novo posto não garante automaticamente mais utilizadores. Além disso, a conversão de viaturas custa, em média, cerca de 1.000 dólares”, explicou o dirigente.
Em resposta às preocupações, o Governo prometeu intervir, sem indicar datas concretas. “A infraestrutura existente será aproveitada, e o gás veicular é bastante importante, podendo suprir as necessidades de consumo local. Esta alternativa contribui também para reduzir a dependência de combustível importado, incluindo a diminuição de custos associados. É uma solução que deve ser encarada com seriedade, pois precisamos de utilizar os recursos disponíveis no país”, afirmou Estevão Pale, Ministro dos Recursos Minerais e Energia.
O governante acrescentou que a redução do custo de conversão dos veículos depende da importação de equipamentos e acessórios, sendo necessário encontrar alternativas mais económicas e envolver novos parceiros que facilitem a transição para o uso generalizado do gás veicular.
Apesar das limitações, acredita-se que a Autogas está no caminho certo. Segundo o Ministério dos Transportes, estão previstos, ainda este ano, cerca de 100 novos autocarros a gás, o que deverá impulsionar a utilização do combustível e melhorar a situação do contrato. Depois de Maputo e Marracuene, a província de Gaza será a próxima a receber um posto de abastecimento de gás natural veicular.
Gás veicular apontado como alternativa aos combustíveis
Empresários, operadores de transporte e parceiros defendem que o país deve acelerar o processo de conversão e regulamentação do uso de gás veicular, de modo a facilitar a transição no mercado, numa altura em que a Agência Metropolitana de Transportes anuncia a chegada de 190 novos autocarros movidos a gás.
Num contexto em que o mundo enfrenta dificuldades no acesso aos combustíveis, devido às tensões no Médio Oriente, agentes económicos e autoridades do sector dos transportes apontam o gás como uma alternativa viável.
Aliado a este cenário, a região da Grande Maputo prepara-se para receber uma frota de mais de 190 autocarros movidos a gás, número que poderá aumentar até 2029.
“Para o quinquénio 2025-2029, está prevista a aquisição de 1.145 autocarros para o transporte público de passageiros ao nível do país, dos quais 190 unidades serão alocadas à Área Metropolitana de Maputo e a gás (GNV). O restante será distribuído para o resto do país, movido a combustíveis fósseis (diesel)”, anunciou Armando Bembele, em representação da Agência Metropolitana de Transportes.
Enquanto Maputo avança com a implementação, o Município da Manhiça manifesta interesse em adquirir autocarros movidos a gás, mas enfrenta limitações devido à inexistência de postos de abastecimento.
Reunidos em Maputo, os intervenientes da cadeia de valor dos transportes, com destaque para a Autogas, debateram, esta quinta-feira, soluções para dinamizar o mercado, considerado uma alternativa aos combustíveis fósseis.
A Autogas tem em carteira projectos de expansão de postos de abastecimento, sendo a província de Gaza apontada como o próximo destino, mas condiciona o avanço à existência de garantias e à harmonização do quadro legal.
“A Autogas tem em carteira projectos de expansão de postos de abastecimento, sendo a província de Gaza apontada como o próximo destino. Contudo, o avanço depende da existência de garantias e da harmonização do quadro legal, para que possamos dinamizar o mercado de forma sustentável”, explicou João Neves, Director-Geral da Autogas.
Para os parceiros da empresa, Moçambique reúne condições para se afirmar como alternativa energética, sobretudo face às tensões no Médio Oriente.
“Precisamos aumentar esta utilização do gás natural, especialmente pelo que está a acontecer à volta do mundo, com o aumento dos preços do petróleo e combustíveis líquidos. Por isso, é hora de utilizar o gás natural. A boa notícia é que, por exemplo, nós viemos do Egipto, onde temos grande experiência na utilização do gás natural nas viaturas e no sector dos transportes”, explicou um representante da TAQA Arabia.
O Governo, representado pelo MIREME, acompanhou o debate e manifestou abertura para apoiar o sector, destacando os progressos na construção de infra-estruturas de transporte de gás.
Sob o lema “Aproximando os intervenientes para a massificação do uso do gás natural”, o seminário anual serviu também para reforçar compromissos do sector com vista à expansão do uso desta fonte de energia no país
A Associação Moçambicana de Bancos anunciou uma nova redução da taxa de juro de referência para o crédito no País, fixando-a em 15,50% a partir do mês de Abril. O corte de 10 pontos base representa o terceiro ajustamento em baixa desde o início de 2026.
Desde Janeiro de 2024, a taxa de referência tem vindo a recuar de forma consistente, depois de ter permanecido durante cerca de seis meses no pico de 24,1%, reflectindo um período anterior de forte aperto monetário para conter pressões inflacionárias.
Ao longo de 2026, o comportamento da taxa tem sido marcado por ajustamentos cautelosos. Em Janeiro, a prime rate foi fixada em 15,70%, mantendo-se em Fevereiro, apesar de alterações na taxa directora. Em Março, registou uma nova descida para 15,60%, seguindo-se, agora, o corte para 15,50% em Abril.
Apesar desta tendência descendente na taxa de referência praticada pelos bancos comerciais, o banco central decidiu manter a taxa MIMO em 9,25% na última reunião do Comité de Política Monetária (CPMO). A decisão interrompeu um ciclo de cortes sucessivos iniciado em 2024 e reflecte uma postura mais prudente face ao agravamento dos riscos macroeconómicos.
O Banco de Moçambique justificou a decisão ao afirmar que “esta decisão decorre da materialização e do agravamento substancial de alguns riscos e incertezas associados às projecções da inflação, com destaque para a inclusão do conflito no Médio Oriente e os seus impactos na cadeia logística, bem como na oferta e nos preços dos produtos energéticos e alimentares, que influenciaram a revisão em alta das perspectivas da inflação”.
O banco central sublinha ainda que, “neste contexto, o CPMO interrompeu o ciclo de redução iniciado em Janeiro de 2024, condicionando as futuras decisões à evolução e materialização dos riscos e incertezas internos e externos. Os riscos e incertezas associados às projeções da inflação agravaram-se significativamente”.
Entre os principais factores de pressão externa, destaca-se a instabilidade no Médio Oriente, com impacto directo nas cadeias de abastecimento globais, sobretudo no sector energético. A volatilidade dos preços dos combustíveis e dos produtos alimentares continua a influenciar o custo de vida e a estrutura de preços na economia moçambicana.
A nível interno, persistem desafios associados às cheias e inundações registadas durante a época chuvosa, que afectam a produção agrícola e a logística de distribuição. Estes factores têm potencial para pressionar os preços dos bens essenciais, sobretudo nas zonas mais vulneráveis, contribuindo para a incerteza nas projecções de inflação.
Dados recentes indicam que a inflação anual atingiu 3,2% em Fevereiro de 2026, após 3% em Janeiro, apontando para uma tendência de ligeira aceleração no curto prazo.
No plano financeiro, a redução da prime rate poderá traduzir-se num alívio gradual no custo do crédito, com impacto directo no financiamento das empresas e das famílias. Taxas mais baixas tendem a estimular o investimento privado, facilitar o acesso ao crédito e impulsionar o consumo, factores essenciais para a recuperação económica.
O Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou, em Maputo, que o país deve concentrar esforços na transição definitiva do crescimento económico para o desenvolvimento inclusivo, através de reformas estruturantes e de um diálogo nacional abrangente.
Intervindo, nesta quinta-feira, no lançamento da obra “Repensar o Desenvolvimento Económico e o Papel do Estado”, da autoria do Ministro de Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, o Chefe do Estado sublinhou que a mudança exige decisões arrojadas e um novo “mindset” focado no empreendedorismo, garantindo que o Governo está empenhado em transformar ideias académicas em políticas públicas que beneficiem as futuras gerações.
Durante a cerimónia, o Estadista destacou o valor teórico e prático da nova obra, considerando que a mesma “é um livro que traz uma contribuição extremamente importante para o nosso processo de desenvolvimento”.
Por conseguinte, enalteceu a abordagem do autor ao distinguir os conceitos de progresso económico, notando que “o professor Salim Valá faz questão de colocar uma grande diferença entre o crescimento e o desenvolvimento”, uma premissa que considera fundamental para a actual fase de governação do país.
Analisando o percurso histórico de Moçambique, Chapo reconheceu que, embora tenham existido avanços quantitativos, o foco deve ser agora qualitativo e social. Para o governante, o autor “mostra de forma clara e inequívoca durante o livro que ao longo dos nossos 50 anos de independência fomos registando alguns sinais de crescimento, mas o que nós temos que nos concentrar é, sem margem de dúvidas, o desenvolvimento, porque nem sempre o crescimento significa desenvolvimento”.
O Chefe do Estado reiterou a importância da inclusão no processo de transformação nacional, defendendo que o debate público é o motor da mudança. Fez menção ao Diálogo Nacional Inclusivo em curso, que envolve todos os estratos sociais, incluindo partidos políticos, sociedade civil e lideranças religiosas e tradicionais, sublinhando que “o debate é extremamente importante para o processo de mudanças; e nós, quando dissemos e temos dito sempre que temos que fazer coisas de forma diferente para obter resultados diferentes de forma positiva, é mesmo no sentido em que o professor Salim Valá tem feito referência neste livro”.
Para operacionalizar estas transformações, o Presidente da República referiu-se à criação do Gabinete de Reformas e Projectos Estratégicos na Presidência, uma estrutura desenhada para acolher e amadurecer contributos da academia. Segundo explicou, esta iniciativa visagarantir que o Estado possa implementar soluções inovadoras “para que realmente a mudança possa se registar”, frisando que o objectivo final é garantir um legado de estabilidade e prosperidade para os filhos, netos e bisnetos dos moçambicanos.
Ciente de que as reformas estruturais podem enfrentar resistência inicial, o Chefe do Executivo pediu compreensão à sociedade, reconhecendo o hiato entre a implementação de medidas e a percepção dos seus benefícios. “Estamos vindo a tomar decisões arrojadas com consciência que as pessoas não nos vão perceber agora, porque no momento em que as pessoas tomam decisões para imprimir mudanças e colocam reformas que possam imprimir mudanças, dificilmente são entendidas”, admitiu, assegurando que o tempo validará a eficácia destas acções. Outro ponto fulcral da intervenção foi a necessidade de reformar o sistema educativo para fomentar a criação de riqueza. Para oPresidente Chapo, a educação não deve estar essencialmente direccionada para a formação de funcionários, apelando a uma mudança de mentalidade na juventude.
“A nossa educação está virada principalmente para ensinar-nos a sermos empregados e não a sermos empreendedores, não a sermos patrões, como se diz, para podermos gerar renda, criar emprego e também podermos desenvolver a economia moçambicana”, pontuou.
Neste âmbito, o estadista assegurou que o Governo está a rever quadros legais e fiscais para facilitar a vida às Pequenas e Médias Empresas (PME), evitando que jovens empreendedores enfrentem a mesma carga tributária que grandes corporações.
A fechar a sua intervenção, o Presidente da República apelou à unidade nacional e à participação activa de todos os cidadãos na produção intelectual e no debate público, independentemente de origens ou filiações. “Todos nós temos que continuar a escrever, a ler, a debater, a falar sobre o desenvolvimento do nosso país”, concluiu, reforçando que a construção de um Moçambique próspero depende do contributo individual de cada cidadão em prol do colectivo.
Cerca de 2,6 quilómetros de estradas começam a ser reabilitados a partir desta quinta-feira, na cidade de Nampula, numa iniciativa que visa melhorar a mobilidade urbana e as condições de circulação rodoviária.
As obras incidem sobre a Avenida 25 de Setembro, uma das principais vias da cidade, e estão avaliadas em mais de 150 milhões de meticais, financiados pelo orçamento municipal.
Apesar de a estrada ser da responsabilidade da Administração Nacional de Estradas (ANE), o município decidiu avançar com a intervenção, alegando a necessidade urgente de melhorar o estado da via.
O edil de Nampula, Luís Giquira, justificou a medida como sendo essencial para responder às preocupações dos munícipes e garantir melhores condições de transitabilidade.
Entretanto, a iniciativa é recebida com expectativas, mas também com reservas por parte dos residentes, que exigem maior qualidade na execução das obras.
“Queremos que, desta vez, o trabalho seja bem feito, porque muitas estradas que foram reabilitadas anteriormente não duraram”, referiram alguns munícipes.
Para além da Avenida 25 de Setembro, os cidadãos apontam a via que dá acesso ao bairro de Muahivire como uma das mais degradadas da cidade, questionando os critérios utilizados na selecção das estradas a beneficiar de intervenções.
“Existem outras vias em estado crítico, como a de Muahivire, que também precisam urgentemente de reabilitação”, acrescentaram.
Com esta empreitada, as autoridades municipais esperam melhorar a fluidez do tráfego e reduzir os constrangimentos enfrentados diariamente pelos automobilistas e peões, numa das cidades mais movimentadas do Norte do país.
Um total de 184 famílias camponesas do distrito do Búzi, na província de Sofala, começou a receber equipamentos de irrigação, sementes e fertilizantes, numa iniciativa destinada a apoiar a recuperação da produção agrícola após as inundações que destruíram culturas no mês de Fevereiro.
A actual campanha agrária decorre sob fortes desafios impostos pelas mudanças climáticas, que, desde finais do ano passado, têm provocado cheias e inundações em várias regiões da província. Em Búzi, a situação resultou na perda significativa de culturas, comprometendo o sustento de centenas de famílias.
Para mitigar os impactos, o Governo, em coordenação com parceiros nacionais e internacionais, implementou um programa de apoio focado no desenvolvimento de cadeias de valor estratégicas em cinco distritos de Sofala.
A iniciativa visa promover meios de subsistência mais resilientes, produtivos e rentáveis para os pequenos produtores.
No âmbito deste programa, que conta com o envolvimento da Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze e outros parceiros, os beneficiários receberam insumos agrícolas após participarem em sessões de capacitação voltadas para a melhoria da produção de culturas como milho, arroz, amendoim, couve, alface, tomate e cebola.
Segundo os camponeses, o acesso aos equipamentos de irrigação representa uma mudança significativa nas suas condições de trabalho.
“Na verdade, o nosso trabalho era muito difícil, porque fazíamos regas à mão, e isso fazia com que algumas culturas secassem. Muitas vezes, éramos obrigados a pedir emprestado uma motobomba”, relatou José Tambara, camponês de Búzi.
“Estou muito feliz por ter esta motobomba, porque antes nada fazíamos sem ela. Dependíamos da água da chuva, mas agora já não vou depender”, afirmou Albertina João, também beneficiária.
A Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze destacou que a irrigação continuará a ser uma das principais apostas para dinamizar o sector agrário e aumentar a renda dos produtores.
“Os pequenos produtores que receberam os kits de irrigação terão assistência técnica garantida pela equipa do programa Mangwana, nomeadamente na montagem dos sistemas de rega, para assegurar o bom funcionamento dos equipamentos”, garantiu o director-geral da instituição, Celso da Cunha.
Por sua vez, o governador da província de Sofala, Lourenço Bulha, sublinhou o impacto mais amplo da iniciativa, indicando que a região passa a contar com cerca de dois mil beneficiários directos e 14 micro, pequenas e médias empresas apoiadas com insumos e equipamentos agrícolas.
“A partir de hoje, os produtores carregam uma grande responsabilidade: contribuir para a segurança alimentar e o fortalecimento da nutrição nas comunidades, bem como tornar a agricultura mais rentável, resiliente e sustentável, criando mais postos de trabalho ao longo das cadeias de valor”, afirmou.
Os beneficiários comparticiparam com cerca de 5% do custo dos meios de produção, adquiridos junto de fornecedores locais. A iniciativa está avaliada em mais de 10 milhões de meticais e é financiada pelo Reino dos Países Baixos.
A província de Inhambane tornou-se palco de um momento decisivo para o futuro da juventude moçambicana, com a abertura oficial do Seminário Regional do CIADAJ, zona Sul, dirigida pelo ministro da Juventude e Desporto, Caifadine Manasse.
O evento reúne administradores distritais, membros do Governo, parceiros de cooperação e representantes da sociedade civil, num esforço conjunto para alinhar estratégias e acelerar respostas aos desafios que afectam adolescentes e jovens no País.
Na sua intervenção, Manasse foi peremptório ao afirmar que o Governo liderado por Daniel Chapo quer que a juventude esteja no centro da acção governativa, desafiando os líderes locais a transformarem políticas públicas em resultados concretos e mensuráveis ao nível dos distritos.
A abertura do seminário marca o reforço do Comité Intersectorial de Apoio ao Desenvolvimento de Adolescentes e Jovens (CIADAJ) como um instrumento-chave de coordenação multissectorial, capaz de garantir uma abordagem integrada nas áreas de emprego, educação, inclusão social e empoderamento juvenil.
Num contexto em que milhares de jovens entram anualmente no mercado de trabalho, o governante alertou para a necessidade de acelerar soluções inovadoras, apostando na formação, no empreendedorismo e na economia digital como caminhos para transformar desafios em oportunidades.
O encontro, que decorre sob o lema da acção coordenada e orientada para resultados, representa um passo firme rumo à construção de um Moçambique mais inclusivo, dinâmico e centrado na sua juventude.
Acompanhado pela secretária de Estado da Juventude, Emília Chambalo Araújo, e do secretário permanente, Júlio Mendes, o dirigente participa no Seminário Regional Sul do CIADAJ, um espaço de alto nível que reúne administradores distritais para debater soluções concretas e sustentáveis para os desafios que afectam adolescentes e jovens em Moçambique.
O evento destaca temas estruturantes como a implementação da Política da Juventude 2024–2033, o emprego jovem, o associativismo juvenil e o aproveitamento do dividendo demográfico, apontados como pilares essenciais para acelerar o desenvolvimento inclusivo.
Para além do seminário, a agenda do ministro inclui encontros com o Governo Provincial, bem como acções de monitoria e avaliação de programas de empoderamento juvenil, reforçando a necessidade de resultados concretos e impacto directo na vida dos jovens.
Com esta visita, Inhambane afirma-se como um polo estratégico de reflexão e acção, onde ideias ganham força e se traduzem em políticas capazes de moldar um futuro mais promissor para a juventude moçambicana.
Os beneficiários do Fundo de Desenvolvimento Local (FDEL) no município de Chimoio, em Manica, afirmam que os valores disponibilizados para os seus projectos são inferiores aos solicitados, embora reconheçam que o financiamento, ainda que reduzido, representa uma oportunidade para iniciar ou expandir os seus negócios.
No total, o município de Chimoio aprovou 246 projectos de geração de renda, maioritariamente submetidos por jovens que pretendem investir nos sectores da agricultura, pesca, pecuária e comércio. Para o efeito, estão disponíveis cerca de sete milhões de meticais.
Entre os beneficiários está Diana Silva, que apresentou um projecto de criação de frangos. Apesar de ter solicitado um financiamento de 100 mil meticais, recebeu apenas 30 mil meticais.
Ainda assim, Diana Silva mostra-se optimista quanto ao arranque da iniciativa, assim que o valor estiver na sua conta, até porque vai permitir ultrapassar desafios do empreendedorismo.
“Já é uma ponte de saída, já é algo para começar e acredito que haverão desafios no sentido de reajuste naquilo que tive, tentar se adequar ao valor disponível”, afirmou.
Também Carlitos Joaquim vê no fundo uma oportunidade para investir na piscicultura, explorando as águas do rio Tembwe. O seu projecto previa um investimento de 76 mil meticais, mas deverá receber cerca de 25 mil, o que o obriga a redimensionar o plano inicial.
“Queria fazer um projecto um pouco maior, mas segundo o valor que vou ter, vou me esforçar em fazer o projecto de acordo com o valor disponível”, explicou.
A edilidade de Chimoio justifica a redução dos montantes com a necessidade de abranger um maior número de beneficiários, assegurando, ao mesmo tempo, que os projectos aprovados sejam efectivamente implementados. Para tal, os mutuários estão a receber formação em gestão de projectos.
As autoridades municipais alertam ainda para a necessidade de responsabilidade na utilização dos fundos. Segundo João Ferreira, os beneficiários que não procederem ao reembolso poderão ser excluídos de futuras oportunidades de financiamento.
“A pessoa que falhar não vai nunca mais concorrer para mais alguma coisa, quer seja do FDEL ou de outros programas. Também vamos controlar de perto para ver o que foi feito”, advertiu.
O município refere que pretende financiar todos os projectos submetidos, sendo que aqueles que não avançaram nesta fase poderão ser reavaliados em futuras edições do programa.
O Presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, enviou uma carta a homólogos de 20 países africanos costeiros a propor o reforço da cooperação bilateral e regional para enfrentar os desafios marinhos, sobretudo o lixo proveniente da pesca industrial.
“Ciente de que o lixo marinho, nomeadamente o plástico, não é um desafio isolado de Cabo Verde, mas um problema transfronteiriço que afecta a saúde dos oceanos e a sustentabilidade das economias azuis, proponho o reforço da cooperação bilateral e regional”, lê-se num comunicado da Presidência da República.
As cartas foram dirigidas a homólogos de países com costa atlântica, incluindo Angola, Senegal, Nigéria e África do Sul.
O objectivo passa pela harmonização de políticas de gestão de resíduos, incentivo ao uso de materiais de pesca mais biodegradáveis e integração de cláusulas de responsabilidade ambiental em acordos de pesca, visando reduzir a poluição marinha.
A proposta inclui ainda uma posição conjunta em fóruns internacionais, como conferências sobre o oceano, para defender soluções globais e financiamento para mitigar os impactos de resíduos transfronteiriços.
Segundo o mesmo comunicado, cerca de 75% do lixo acumulado nas costas do país – incluindo redes, cordas e boias – terá origem na pesca industrial, afectando a fauna endémica e zonas de nidificação de espécies marinhas, como as tartarugas.
A iniciativa surge na sequência da recente visita do chefe de Estado à reserva natural integral de Santa Luzia, a ilha desabitada do norte do arquipélago, 10 quilómetros a leste de São Vicente.
José Maria Neves defende ainda que a cooperação entre os países africanos pode transformar esta ameaça ambiental numa oportunidade para reforçar a protecção e valorização do património marinho.

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