A Ministra das Finanças, Carla Louveira, manteve hoje, 22 de Junho, um encontro de trabalho com Thomas Revial, Chefe do Departamento dos Assuntos Multilaterais e Desenvolvimento e Co-Presidente do Clube de Paris, durante o qual passaram em revista a situação da economia moçambicana e as perspectivas de recuperação económica do país.
Na sua apresentação, a Ministra das Finanças destacou que a economia nacional registou sinais positivos de recuperação nos primeiros trimestres de 2023, após os sucessivos choques que afectaram o país, nomeadamente a pandemia da COVID-19 e diversos eventos climáticos extremos. Esta resiliência traduziu-se num crescimento económico de 5,5%, impulsionado, em parte, pelo início da produção de gás natural liquefeito (GNL) na Área 4, através do projecto Coral Sul.
Contudo, segundo Carla Louveira, no último trimestre de 2024 o país enfrentou uma crise política na sequência das eleições presidenciais de 9 de Outubro, marcada por manifestações que resultaram na paralisação parcial da actividade económica, destruição de infra-estruturas públicas e privadas, saques, vandalização de estabelecimentos comerciais e constrangimentos à circulação de pessoas e bens nas vias públicas e corredores de desenvolvimento.
Como consequência, o Produto Interno Bruto (PIB) registou uma contracção de 4,9% no quarto trimestre de 2024, tendo o crescimento anual fixado-se em 2,15%.
Já em 2025, a economia voltou a apresentar sinais de recuperação ao longo dos vários trimestres, culminando com um crescimento de cerca de 5,1% no quarto trimestre. Esta recuperação foi impulsionada, sobretudo, pelo sector primário, com destaque para as actividades de mineração, pesca e agricultura, que funcionaram como âncoras da economia nacional.
Relativamente ao sector fiscal, as projecções constantes do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) para 2026 apontam para um crescimento moderado do PIB na ordem de 2,8%, sustentado pela estabilidade cambial, inflação controlada em torno de 3,7% e Reservas Internacionais Líquidas estimadas em 3.234 milhões de dólares norte-americanos, equivalentes a cerca de 4,4 meses de cobertura das importações.
A Ministra destacou igualmente os avanços alcançados pelo Governo no âmbito das reformas económicas e financeiras, nomeadamente a saída de Moçambique da Lista Cinzenta, a operacionalização do Fundo Soberano, que prevê a afectação de 60% dos recursos para o financiamento do PESOE e 40% para investimentos em mercados externos, a aprovação do Banco de Desenvolvimento de Moçambique (BDM) e a implementação do Plano Operacional da Estratégia da Dívida Pública 2025-2029.
Por sua vez, Thomas Revial manifestou confiança na estabilização da economia moçambicana, considerando que, além das reformas em curso, as receitas provenientes da exploração do gás da Bacia do Rovuma poderão contribuir significativamente para o crescimento económico do país nos próximos anos.
Apesar dos sinais positivos, o Governo reconhece que a execução do PESOE 2026 continua sujeita a diversos riscos fiscais e macroeconómicos, tanto internos como externos, que poderão afectar a concretização das metas previstas e comprometer o processo de ajustamento fiscal em curso.