A Corporação Financeira Internacional (IFC), instituição do Grupo Banco Mundial dedicada ao desenvolvimento do sector privado, manifestou interesse em aprofundar a cooperação com Moçambique para mobilizar financiamento e investimento em agricultura, energia, infra-estruturas logísticas, turismo, transformação digital e desenvolvimento empresarial, com particular atenção aos pequenos produtores agrícolas e às micro, pequenas e médias empresas.
O interesse foi manifestado durante um encontro entre o Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, e o Vice-Presidente Regional da IFC para África, Ethiopis Tafara, realizado à margem do Fórum de Investimento da África Lusófona, que decorreu nos dias 26 e 27 de Outubro, na Ilha do Sal, em Cabo Verde. Uma das principais novidades das conversações foi a proposta da IFC de avaliar a introdução, em Moçambique, da Global AgriConnect Platform, uma iniciativa que combina tecnologia digital, instituições financeiras, empresas de fornecimento de insumos e operadores comerciais para melhorar a produtividade e integrar pequenos agricultores nas cadeias de valor.
O modelo poderá constituir uma oportunidade para responder às dificuldades de acesso ao financiamento, tecnologia e mercados enfrentadas por cerca de 5,2 milhões de pequenos produtores agrícolas moçambicanos, identificados pelo Ministro Salim Valá como uma das prioridades da estratégia de transformação económica do País.
Segundo a IFC, experiências desenvolvidas noutros países africanos alcançaram aproximadamente quatro milhões de produtores na Etiópia e cerca de um milhão na Nigéria, além de abrangerem 250 mil hectares em Marrocos. Em determinadas iniciativas, foram registados ganhos de produtividade entre 30% e 50%, resultados apresentados como referências para avaliar a adaptação do modelo à realidade moçambicana.
A plataforma utiliza informação geoespacial, inteligência artificial e ferramentas de tecnologia agrícola para identificar produtores, avaliar necessidades de sementes, fertilizantes e mecanização, facilitar o acesso a serviços financeiros e estabelecer ligações com compradores. A IFC revelou ter identificado 15 empresas africanas de tecnologia agrícola com potencial para colaborar no desenvolvimento de iniciativas desta natureza, devendo ser avaliadas as possibilidades de participação de algumas destas empresas em Moçambique.
Durante o encontro, Salim Valá destacou a necessidade de associar a modernização agrícola ao desenvolvimento dos corredores económicos e à expansão da indústria de processamento, melhorando as condições de escoamento da produção e a ligação dos agricultores aos mercados. Mphanda Nkuwa e Corredor da Beira Entre as Prioridades no sector energético, a IFC manifestou interesse em continuar a apoiar os compromissos de Moçambique no âmbito da iniciativa Mission 300, orientada para acelerar o acesso à electricidade em África através da mobilização de capital privado.
PROJECTO DE MPHANDA NKUWA
Ethiopis Tafara destacou o projecto hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa, salientando a importância de aprofundar o diálogo entre os promotores para avaliar as condições de uma eventual participação da IFC no desenvolvimento do empreendimento. No domínio das infra-estruturas, a instituição propôs avaliar oportunidades de cooperação no Corredor da Beira, tendo em conta o seu potencial para facilitar o transporte e escoamento de mercadorias de Moçambique e dos países do interior da região, particularmente a Zâmbia e o Zimbabwe.
A abordagem poderá abranger o porto e as infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias associadas ao corredor, numa perspectiva de melhoria da competitividade logística e de integração económica regional. As partes destacaram igualmente a importância da ligação Norte–Sul para a circulação de pessoas e mercadorias, a dinamização da actividade produtiva e a integração territorial.
IFC Admite Avaliar Garantias Bancárias Para Facilitar Crédito às MPME O financiamento às micro, pequenas e médias empresas constituiu outro dos principais assuntos abordados. A IFC manifestou disponibilidade para estudar, em articulação com instituições financeiras nacionais, mecanismos de garantias bancárias, soluções de tecnologia financeira (FinTech) e instrumentos de financiamento das cadeias de fornecimento, visando facilitar o acesso ao crédito por empresas que enfrentam limitações na apresentação das garantias normalmente exigidas pela banca comercial.
IMPACTO DO FDEL
O Ministro Salim Valá apresentou as iniciativas do Governo destinadas a ampliar o financiamento à actividade económica, com destaque para o Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), o Fundo para a Promoção Económica da Mulher, o Fundo de Garantias Mutuárias e o Banco de Desenvolvimento.
As conversações incidiram ainda sobre oportunidades de cooperação no turismo, particularmente na identificação de destinos prioritários com potencial de atracção de investimento privado, bem como na transformação digital, área em que a IFC manifestou disponibilidade para aprofundar o diálogo técnico. Governo e IFC Vão Aprofundar Identificação de Projectos Prioritários Como resultado do encontro, foi proposta a designação de pontos focais para assegurar a articulação entre as equipas do Governo e da IFC, com vista à identificação de projectos prioritários, potenciais parceiros e instrumentos de financiamento.
O trabalho de seguimento deverá concentrar-se na avaliação da plataforma AgriConnect, no desenvolvimento de oportunidades associadas ao Corredor da Beira e à ligação Norte–Sul, no aprofundamento do diálogo sobre Mphanda Nkuwa e na definição de mecanismos de apoio financeiro às pequenas e médias empresas. As iniciativas encontram-se ainda numa fase de avaliação e preparação técnica, não tendo sido anunciados novos compromissos financeiros.
O encontro permitiu identificar possibilidades de cooperação orientadas para a mobilização de capital privado, a modernização da agricultura, o desenvolvimento de infra-estruturas económicas e o fortalecimento do tecido empresarial nacional, em alinhamento com as prioridades de transformação económica e desenvolvimento inclusivo e sustentável de Moçambique.
A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) recebeu, esta quinta-feira, o Gerente de Desenvolvimento para Moçambique da ExxonMobil, Anthony Pryde, num encontro destinado a discutir oportunidades de participação de empresas nacionais no Projecto Rovuma LNG.
O encontro teve lugar uma semana depois de uma delegação empresarial moçambicana, liderada pela CTA, ter visitado o campus da ExxonMobil, em Houston, nos Estados Unidos da América, onde manteve contactos com a multinacional sobre as perspectivas de desenvolvimento do projecto.
A ExxonMobil lidera o consórcio do Rovuma LNG, na Área 4 da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, projecto cujo investimento estimado na fase de desenvolvimento ronda os 30 mil milhões de dólares.
Durante o encontro, a multinacional reiterou o seu compromisso de criar oportunidades para empresas moçambicanas, através do fortalecimento das capacidades nacionais e da integração do empresariado local na cadeia de fornecimento do projecto.
“Isso decorre de uma reunião que tivemos na semana passada em Houston, quando a sua equipa se juntou a nós. Tivemos uma conversa muito produtiva. Naturalmente, nós, na ExxonMobil, estamos ansiosos por dar continuidade ao nosso projecto e tomar a Decisão Final de Investimento (FID) ainda este ano. Estamos muito empenhados e determinados em trabalhar com empresas locais e organizações como a CTA para garantir que podemos maximizar as oportunidades para que as empresas e os trabalhadores contribuam para o sucesso do projecto. Por isso, mais uma vez, gostaria de agradecer o tempo dedicado e esperamos trabalhar muito mais juntos”, afirmou Anthony Pryde.
Na ocasião, a CTA apresentou o Gabinete de Conteúdo Local, concebido para apoiar as empresas na identificação de oportunidades, na partilha de conhecimento e na facilitação do acesso às cadeias de fornecimento.
No âmbito do conteúdo local, a Fase 1 do Rovuma LNG poderá gerar cerca de quatro mil milhões de dólares em oportunidades para empresas nacionais, reforçando as perspectivas de participação do sector privado moçambicano no megaprojecto de gás natural liquefeito.
No final do encontro, a CTA e a ExxonMobil reafirmaram o compromisso de manter um diálogo permanente, com vista à materialização do projecto e à maximização das oportunidades para empresas e trabalhadores moçambicanos.
O presidente do Partido ANAMOLA, Venâncio Mondlane, denuncia uma alegada onda de insegurança que, segundo afirma, está a afectar membros da sua formação política em diferentes regiões do país.
Mondlane, que falava esta sexta-feira em Quelimane, disse que 56 membros do ANAMOLA foram assassinados, apontando ainda para casos de incêndio e destruição de residências, bem como outras formas de violência contra membros do partido.
“Temos desafios e um deles, neste momento, é o problema da segurança que o país enfrenta. Nunca houve nenhum partido neste país que foi tão perseguido como o ANAMOLA está a ser. Em menos de um ano, o ANAMOLA perdeu 56 quadros do partido por via de assassinatos, incluindo alguns casos macabros que constituem crimes contra a humanidade.”
Segundo Venâncio Mondlane, só no distrito de Macanga, na província de Tete, concretamente no posto administrativo de Furancungo, oito membros do partido terão sido assassinados e colocados numa vala comum.
O líder do ANAMOLA afirmou ainda que, na província de Inhambane, um membro do partido teria sido violentamente agredido e sofrido mutilação dos órgãos genitais.
Na Zambézia, Mondlane diz que foram contabilizados cerca de 200 casos de casas de membros do ANAMOLA incendiadas ou destruídas. “Nós temos, ao todo, no ANAMOLA, 450 casos de violência extrema contra os nossos membros.”
O líder do ANAMOLA chegou esta sexta-feira a Quelimane para participar, este sábado, nas celebrações do primeiro aniversário da formação política.
A chegada de Venâncio Mondlane à capital da Zambézia foi marcada por um forte aparato policial no Aeroporto de Quelimane. Um contingente da Polícia foi destacado para diferentes pontos do recinto, tendo o acesso ao aeroporto ficado condicionado durante alguns minutos.
Mondlane apontou igualmente para casos de detenções que considera ilegais e arbitrárias.“Temos uma perseguição incrível. Detenções ilegais e arbitrárias acontecem todas as semanas e este é o nosso grande desafio, porque estamos a passar por isso e temos que fazer face a isso.”
O presidente do ANAMOLA disse ainda que o partido promoveu uma campanha internacional denominada “Quem Mandou Matar Anselmo?”, explicando que a iniciativa pretende chamar atenção não apenas para a morte de Anselmo, mas também para outros casos de violência política.
“Esta frase não é por causa do Anselmo, mas por todos eles: Elvino Dias, Arlindo Chissale e tantos outros membros mortos e outros sobreviventes. Alguns dos sobreviventes estão na Zambézia, como João Amaral e Xadreque Francisco, baleados e sobreviventes, e muitos outros que deram a sua vida por esta causa.”
O primeiro aniversário do ANAMOLA será assinalado este sábado, em Quelimane, reunindo membros e simpatizantes da formação política.
A província de Tete registou, nos últimos seis meses, cerca de 600 casos de conflitos entre o homem e a fauna bravia, que resultaram na morte de 62 pessoas.
O fenómeno preocupa o Governo Provincial, sobretudo devido ao aumento de ataques envolvendo crocodilos e elefantes, espécies que, para além de ameaçarem vidas humanas, têm causado prejuízos às comunidades através da destruição de culturas agrícolas.
Os dados foram divulgados esta quinta-feira pelo Governador da Província de Tete, Domingos Viola, durante uma sessão de governação aberta realizada no distrito de Marara.
O governante manifestou preocupação com o agravamento dos conflitos entre as comunidades e os animais bravios, destacando os crocodilos e elefantes como as espécies que mais têm estado na origem dos incidentes registados na província.
Face ao cenário, o Governo Provincial prevê a criação de um comité que terá a missão de identificar e propor medidas para reduzir os conflitos e reforçar a protecção das comunidades que vivem em zonas consideradas de maior risco.
Ainda no âmbito da governação aberta, Domingos Viola procedeu à entrega de duas ambulâncias, destinadas aos distritos de Marara e Cahora Bassa.
Os meios deverão reforçar a capacidade de resposta dos serviços de saúde, particularmente no transporte de pacientes e no atendimento às comunidades que enfrentam dificuldades de acesso às unidades sanitárias.
As obras de manutenção da Estrada Nacional Número 1 (EN1), no troço entre Nicoadala e Chimuara, na província da Zambézia, estão em curso numa extensão de cerca de 165 quilómetros. As intervenções têm como objectivo melhorar as condições de transitabilidade e garantir maior fluidez do tráfego rodoviário.
Ao longo do troço, três empreitadas estão envolvidas nos trabalhos de manutenção da via. Apesar das intervenções em curso, persistem pontos que exigem atenção, sobretudo devido ao estado de degradação de algumas secções e aos constrangimentos enfrentados pelos empreiteiros no terreno.
Segundo o delegado da Administração Nacional de Estradas (ANE) na Zambézia, Roberto Tonissai, decorrem trabalhos de manutenção periódica em diferentes pontos do traçado.
“Fundamentalmente, neste momento, decorrem ao longo do traçado trabalhos de manutenção periódica. Há secções degradadas onde os empreiteiros estão a fazer corte, escarificação, preparação da base e posterior revestimento. Noutras secções, estamos a tapar buracos e a colocar revestimento com argamassa asfáltica. Temos ainda intervenções nas bermas não revestidas”, explicou Tonissai.
Em termos orçamentais, estão previstos cerca de 400 milhões de meticais para o troço Nicoadala–Lua-Lua, 162 milhões de meticais para Lua-Lua–Zero e aproximadamente 400 milhões de meticais para o segmento Zero–Chimuara, totalizando cerca de mil milhões de meticais.
As obras enfrentam, entretanto, constrangimentos relacionados com a escassez de combustível, factor que tem condicionado a mobilização de maquinaria pesada e o ritmo de execução dos trabalhos.
“Neste momento, o constrangimento que estamos a enfrentar está exactamente ligado à escassez de combustível. Estamos a movimentar equipamento pesado, que consome muito combustível e que, na praça, está difícil de encontrar. Os empreiteiros fazem esforços junto das bombas para conseguirem combustível e, por outro lado, através dos Serviços de Infra-Estruturas da Província, são emitidas credenciais para o transporte de determinadas quantidades. Diante de todas estas adversidades, estamos a trabalhar”, precisou o delegado da ANE.
Para os automobilistas que percorrem a EN1, sobretudo os que realizam viagens de longo curso, as condições de circulação continuam a constituir uma preocupação. O percurso entre Inchope e Caia é apontado como um dos segmentos mais difíceis, não apenas pelas condições da estrada, mas também pelos riscos de segurança associados ao transporte de mercadorias.
Pedro Elias, motorista de longo curso, afirma que os transportadores enfrentam situações de insegurança, sobretudo nas zonas onde a circulação se torna mais lenta.
“Como sabem, nos troços que estamos a referir não há segurança. Jovens mal-intencionados aproveitam-se desta situação para saquear mercadorias. Muitas vezes, munidos de objectos cortantes, rasgam as lonas dos camiões e retiram produtos. Este facto preocupa-nos sobremaneira e esperamos que quem de direito veja esta triste realidade”, relatou.
Apesar dos constrangimentos, a circulação tende a apresentar maior fluidez no segmento entre o rio Zambeze e Nicoadala. Os utentes da via defendem, contudo, a necessidade de acelerar as intervenções nos pontos que continuam degradados.
A manutenção deste corredor rodoviário é considerada estratégica para a circulação de pessoas e mercadorias, tendo em conta o seu papel na ligação entre diferentes regiões do país e no transporte de carga de longo curso
O governador do Banco de Moçambique desafia filiais a assumirem papel estratégico na modernização do sistema financeiro nacional. Rogério Zandamela quer eficiência na gestão do numerário e expansão segura dos pagamentos digitais.
O distrito de Metangula, na província de Niassa, sediou, nesta quarta-feira, a sétima reunião do Banco de Moçambique com as respectivas filiais de todo o País. Na reunião que pode ser uma das últimas do actual governador, Rogério Zandamela, que, durante o seu mandato, impulsionou as representações do banco nas províncias, foi reforçado o papel das filiais na articulação com os serviços da sede.
“As filiais não são apenas unidades de representação territorial. São extensões estratégicas do Banco de Moçambique, essenciais para assegurar a presença institucional, a gestão de numerário, a recolha de informação económica e financeira, e a implementação, no terreno, das orientações do Conselho de Administração”, sublinhou Zandamela.
O encontro decorre numa altura em que se aproxima o término do mandato de Rogério Zandamela à frente do Banco de Moçambique, e essas ocasiões têm sido usadas para o balanço dos progressos do seu mandato.
A consolidação da SIMOrede, a interoperabilidade entre sistemas e o lançamento do METIX, são para Zandamela parte de ganhos da sua vigência, porém reconhece que nem todas as pessoas estão na moeda electrónica, por isso “o nosso objectivo é assegurar que as notas e moedas de boa qualidade cheguem a todos os pontos do País com segurança, eficiência e regularidade”, disse.
Como quem se despede dos seus, Zandamela desafiou os directores a assumirem a transformação do sistema financeiro com estratégias “ajustadas à realidade local e a converter os investimentos realizados em ganhos efectivos de eficiência, segurança, inclusão e qualidade dos serviços prestados à sociedade”, concluiu.
Sem ajuda da indústria do gás natural, a economia nacional praticamente ficará desamparada nos próximos três anos. Por exemplo, vai crescer apenas 3,7% em 2029. No entanto, com o gás, o crescimento poderá atingir 9,5%, mais do que o dobro.
Enquanto isso, as contas públicas vão continuar pressionadas por despesas obrigatórias como dos salários e da dívida do Estado. Por isso, o Governo vai tomar uma série de medidas nos próximos anos para contornar a situação.
Uma das medidas a serem implementadas pelo Executivo é limitar novas admissões de pessoas para trabalhar no aparelho do Estado, embora com certas excepções pontuais, segundo o Cenário Fiscal de Médio Prazo 2027-2029.
De acordo com o documento, o Governo vai também reduzir pela metade o abono de diuturnidade civil que é dado aos funcionários públicos com base no tempo de serviço efectivo prestado ao Estado ou carreira na função pública.
Segundo o artigo 14 do decreto nr. 31/2022 de 13 de Julho, “na data em que se perfazem 24 e 30 anos de serviço efectivo, o funcionário ou agente do Estado recebe diuturnidade correspondente a 10% do vencimento do seu nível salarial”.
Tal diuturnidade está incorporada no salário do funcionário previsto na Tabela Salarial Única (TSU). Contudo, o Executivo promete, neste período, retomar os actos administrativos para a regularização das novas carreiras criadas pela TSU.
O Executivo pretende ainda reforçar as auditorias no aparelho de Estado e a prova de vida dos funcionários públicos, para reduzir o peso da massa salarial de 12% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano de 2027 para 10,7% em 2029.
Sem quantificar, o documento aprovado pelo Conselho de Ministros prevê ainda rever os critérios de atribuição dos subsídios de localização pagos a todos os funcionários do Estado quando colocados em áreas territoriais para o efeito.
Essas alterações vão ocorrer, segundo o documento, num contexto em que o mercado de trabalho moçambicano é dominado pelo emprego informal e pela elevada concentração da mão-de-obra em actividades de baixa produtividade.
São mudanças que acontecem também num ambiente limitado de criação de emprego formal, como consequência de constrangimentos estruturais da economia e o reduzido nível de industrialização do País e reduzida capacidade de absorção de mão-de-obra pelo sector empresarial formal.
“Persistem desafios associados aos baixos níveis de qualificação da força de trabalho, à reduzida produtividade laboral e ao desfasamento entre as competências disponíveis e as necessidades do mercado”, refere o documento.
De acordo com o Cenário Fiscal de Médio Prazo 2027-2029, são esperados três cenários no período: optimista, prudente e adverso ou pessimista. O optimista prevê um crescimento da economia nacional mais favorável ao crescimento.
“Continuidade da produção da Coral Sul, entrada da Coral Norte e da Total (Área 1) em 2028 [no gás]. Desenvolvimento das cadeias de valor caracterizado por maior desempenho dos sectores primário, secundário e tercearios”, aponta.
No cenário prudente, espera uma recuperação mais moderada da actividade económica, embora condicionada por tensões geopolíticas e atrasos na implementação de grandes projectos, com destaque para Coral Norte, em 2029.
Já o cenário pessimista considera a materialização de choques externos adversos, maior volatilidade cambial, aceleração inflacionária e nenhum registo da operacionalização de grandes projectos no sector da energia e extrativo.
Nos próximos três anos, destacam-se ainda riscos ligados à segurança em Cabo Delgado e à ocorrência de choques climáticos recorrentes (ciclones, cheias e secas), com grande impacto sobre a actividade económica e a despesa pública.
REDUZIR DÍVIDA PÚBLICA ENTRE PRIORIDADES
Espera-se que o rácio do serviço da dívida e receitas fiscais se estabilize em torno de 31% a 32% no período 2027-2029, embora persistam riscos associados à dívida, o que reforça a necessidade de uma gestão prudente da dívida pública.
“O serviço da dívida constitui uma restrição central à política fiscal, ainda que em trajectória de normalização, reduzindo-se de 130,3% das receitas em 2025 para cerca de 31-32% no período 2027-2029”, lê-se na previsão do Governo.
O rácio da dívida pública aumentou de 72,2% do Produto Interno Bruto em 2024 para 74,43% em 2025. O rácio continua acima do recomendado em termos de sustentabilidade (60% do PIB) para economias de baixo rendimento.
Mesmo assim, a dívida pública apresenta uma trajectória de estabilização e redução gradual no médio prazo, e espera-se que atinja 67,1% em 2029, suportada pelo crescimento económico e contenção do endividamento líquido.
O cenário é assistido num contexto em que a dívida interna tende a aumentar e equivale a 31,43% do PIB. Enquanto isso, o custo médio da dívida reduziu de 5,0% para 4,2%, o que reflecte condições de financiamento mais favoráveis ao País.
O Cenário Fiscal de Médio Prazo 2027-2029 constitui o principal instrumento de programação macrofiscal do Estado. Define os limites globais de despesa, tendo em conta a trajectória das receitas, o financiamento e a dívida pública.
O objectivo macrofiscal para o período 2027-2029 consiste em assegurar a estabilidade macroeconómica, a sustentabilidade da dívida pública e a criação de espaço fiscal para o financiamento das prioridades de desenvolvimento.
Um mês depois da última revolta, cerca de 400 famílias de quatro comunidades de Chibuto voltaram a manifestar-se e ameaçam ocupar a área de exploração de areias pesadas, caso o Governo e a empresa chinesa Dingsheng Minerals não encontrem uma solução para as compensações e outras reivindicações que se arrastam desde 2016.Um mês depois da última revolta, a tensão voltou a tomar conta do distrito de Chibuto. Desde o fim da tarde de terça-feira, famílias de quatro comunidades desencadearam uma nova onda de protestos, que chegou à sede do Governo distrital, exigindo respostas concretas sobre o pagamento das compensações decorrentes da instalação do projecto de exploração de areias pesadas.
As famílias dizem que continuam sem receber, na totalidade, os valores referentes às árvores cortadas nas áreas ocupadas pelo projecto, além de denunciarem o incumprimento de responsabilidades sociais assumidas no processo de reassentamento.
“Queremos o nosso dinheiro, que foi cortado pela empresa chinesa, no valor de 6.800 meticais por árvore”, reclamam os manifestantes.
A administradora de Chibuto, Cacilda Banze, confirma ter recebido o novo caderno reivindicativo apresentado pelos reassentados, mas diz haver elementos estranhos ao movimento, o que, na sua leitura, dificulta a resolução do conflito.
“Confirmo ter recebido o documento, mas há infiltrados que apresentam novas reivindicações e, assim, fica difícil resolver o problema”, afirma Cacilda Banze, administradora de Chibuto.
A revolta, entretanto, já não se limita aos valores que as famílias dizem estar por receber. Os reassentados acusam o Governo de não pressionar a empresa de capitais chineses responsável pelo projecto a cumprir as responsabilidades sociais assumidas no âmbito do reassentamento.
“Não recebemos todo o dinheiro por cada árvore. Governo, pedimos o nosso dinheiro. Se a empresa chinesa recebeu, que seja orientada a pagar o que é nosso e a cuidar das populações”, exige Litosl, residente em Mutsikuane.
Nos locais de reassentamento, as famílias denunciam condições precárias de habitação e falta de infra-estruturas básicas. Dizem que, apesar das sucessivas reivindicações, continuam sem respostas concretas e, por isso, ameaçam regressar às antigas terras, actualmente ocupadas pela actividade mineira.
“Queremos que saiam. Queremos voltar para as nossas terras”, afirma Anal, representante do grupo de reassentados.
Perante a pressão das comunidades, a administradora diz que existem processos em curso para tentar resolver um problema que se arrasta há cerca de uma década. Segundo Cacilda Banze, seriam necessários três milhões de dólares para responder às reivindicações apresentadas.
“São necessários três milhões de dólares para resolver o problema todo. E exigimos o cumprimento da responsabilidade social”, explica Banze.
As organizações da sociedade civil consideram urgente corrigir as falhas no processo de reassentamento iniciado em 2016 e alertam que a tensão poderá agravar-se enquanto as obrigações sociais e as reivindicações das comunidades não forem efectivamente atendidas.
“É urgente resolver as falhas graves que existem no processo de reassentamento. Enquanto as comunidades continuarem sem respostas, a tensão vai continuar”, alerta Gisela Zunguze, da sociedade civil em Chibuto.
E, desta vez, as famílias dizem estar dispostas a prolongar os protestos. Ameaçam permanecer nas ruas durante os próximos 30 dias e admitem avançar para a ocupação da área de exploração mineira, caso não sejam encontradas soluções para o conflito.
O Governo diz que se deve sempre garantir clareza e interesse público na informação difundida pelas instituições. O posicionamento foi defendido durante o primeiro Fórum Nacional dos Comunicadores do Governo. Enquanto isso, pesquisadores e organizações desafiam o Governo a promover uma comunicação clara, inclusiva e isenta de manipulação.
O Governo reuniu, nesta quinta-feira, em Maputo, mais de 120 gestores de comunicação institucional Estatal, para a identificação dos desafios do sector e suas soluções.
O primeiro diagnóstico do executivo é a clareza da informação difundida e fraco interesse público.
“O comunicador de Governo deve compreender que cada informação que transmite representa uma instituição pública e, em última análise, o próprio Estado. A comunicação pública deve, por isso, ser orientada pelo interesse público e pelo compromisso com a verdade e com a responsabilidade institucional. Por isso, a comunicação do Governo deve ser articulada, coerente e harmonizada. Precisamos fortalecer mecanismos de coordenação e de partilha de informação entre comunicadores dos diferentes sectores do Governo e este Fórum é um espaço privilegiado para esse efeito”, referiu Inocêncio Impissa, ministro da Administração Estatal e Funcao Público, durante a sessão de abertura do fórum.
Impissa, que representava a Primeira-ministra na cerimónia, apontou ainda a necessidade de domínio das novas tecnologias, para fazer face à onda de desinformação.
“Perante este cenário e para evitar reiterados desmentidos através de comunicados, briefings e sessões de esclarecimento, cabe aos comunicadores se transfigurarem e se adaptarem às novas realidades, devendo utilizar as novas plataformas como a inteligência artificial e responsabilidade, para além de se antecipar a alguns fatos, fatores ou fenómenos. Devem dominar as redes sociais, adaptar conteúdos às novas abordagens e às novas tecnologias e plataformas, facilitando a inclusão digital e transformando a comunicação institucional em um diálogo aberto com a sociedade”.
Subordinada ao tema “Fortalecendo a governação através de uma comunicação eficiente e inovadora”, o evento é tido como uma plataforma essencial para melhorar a actuação dos comunicadores do Governo.
Quem o diz é Luis Canhemba, Director do Gabinete de Informação do Governo, Gabinfo.
“Estão na lista assessores, adidos de imprensa, chefes dos gabinetes de comunicação, que para nós termos uma voz única para encontrarmos uma plataforma de comunicar bem e quase que de forma uníssona em relação àquilo que o Governo tem feito. Vamos, neste fórum, perceber o que de errado temos estado a fazer e como é que podemos melhorar. E, para isso, convidamos alguns oradores portugueses e outros moçambicanos para entendermos quais são as melhores práticas internacionais e percebermos como é que nós podemos melhorar e como é que podemos, de forma antecipada, transmitir informação útil até o lugar mais recôndito do nosso país”, disse.
Da sessão de abertura, seguiu-se um painel de debate.
O Pesquisador e Director executivo do Misa Moçambique desafia o Governo a promover uma comunicação clara, inclusiva e isenta de manipulação.
“Temos de sair da ideia de que podemos controlar a opinião pública, que muito marca o nosso pensamento político, que é objectivamente contrário ao princípio da comunicação política. Porque a comunicação política define-se como o uso de técnicas diversificadas para influenciar a opinião pública. Ora, meus caros, há dois conceitos que eu introduzi aqui.
O controlo e a influência. São duas coisas totalmente diferentes. E uma das grandes críticas que temos vindo a receber como Governo é a nossa baixa capacidade de sermos proativos na comunicação. Temos uma comunicação reactiva e muitas vezes incipiente na própria tentativa de reagir”.
A consequência directa desta manipulação, de acordo com o orador, é o descrédito dos órgãos tradicionais.
“Sejam eles controlados por entes privados, sejam eles controlados pelo Estado, muito pelo facto de as pessoas terem ganhado consciência de que o jornalismo tradicional passou muito tempo na lavagem de que é objectivo, é verdadeiro, para tal esconder muita propaganda. Por quê? Porque esses órgãos são detidos por pessoas que têm interesses comerciais e políticos. Esses órgãos são detidos, nos nossos contextos, pelo Estado, que tem partidos dominantes. Então as pessoas já estão a se dar contas disto. Estão a desacreditar. Então, se não nos confiarmos em passar a nossa mensagem só na imprensa tradicional, corremos sérios riscos de falhar. ”
Já Fernando Ribeiro, especialista em propaganda, defende que o executivo deve separar claramente a comunicação pública e propaganda partidária. E diz mais: reconhece que o papel dos comunicadores do Governo é promover a boa imagem do seu Governo, mas isso deve ser acompanhado por “boa Governação”, para que a sua comunicação seja baseada na verdade.
Ribeiro diz que a mentira, embora usada por políticos, não deve ser base para a comunicação.
Um aluno da Escola Secundária do ISCTEM agrediu fisicamente o colega, dentro da sala de aulas, na cidade de Maputo. Ainda são desconhecidos o motivo da violência. O ISCTEM está a averiguar o caso.
Imagens que circulam nas redes sociais e mostram mais um caso de violência entre alunos no recinto escolar, chocaram o país. O referido vídeo denuncia um adolescente que agride o colega com duas fortes bofetadas. O caso aconteceu na presença de outros estudantes, que assistiram o episódio sem acudir, além de filmar.
Um outro vídeo dos mesmos alunos está a viralizar nas redes sociais, a suceder o primeiro, mas neste segundo a vítima que sofreu bofetadas é que dá um carolho ao seu suposto agressor, à saída da escola.
“O País” aproximou-se à escola para entender os contornos do caso, entretanto a chegada constatou que a segurança foi reforçada para impedir o acesso ao recinto escolar, além de que os alunos foram instruídos a não falar com a imprensa.
A direcção da Escola Secundária do ISCTEM emitiu um comunicado, nesta quarta-feira, no qual anuncia o início da investigação interna do caso.
“Foi constituída uma Comissão de Averiguação, incumbida de apurar as circunstâncias em que a ocorrência teve lugar, ouvir os intervenientes e outras pessoas que possam contribuir para o esclarecimento dos factos.”, lê-se no comunicado.
A comissão de averiguação deverá igualmente “analisar os elementos relevantes para a determinação de eventuais responsabilidades, assegurando que o processo seja conduzido com responsabilidade, imparcialidade e respeito pelos procedimentos aplicáveis.”
Com mais de 20 anos de carreira, o psicólogo Camilo Ussene, professor universitário, alerta para a necessidade de medidas pedagógicas para o bem dos próprios alunos. Sobre o consumo de álcool por menores nas escolas, Ussene aponta problemas nas famílias e educação das crianças.
Até ontem (quinta-feira), o caso de agressão no ISCTEM ainda não havia sido apresentado à Polícia da República de Moçambique (PRM).