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O partido PODEMOS pretende reforçar a sua implantação em todo o território nacional até 2027, com a criação e consolidação de estruturas em todos os distritos, postos administrativos e bairros do País. O objectivo foi reiterado durante uma sessão do Conselho Político, considerada pela direcção como decisiva para a definição das prioridades do partido para os próximos seis meses.

Na abertura dos trabalhos, a liderança do PODEMOS defendeu que o fortalecimento da organização interna constitui um requisito essencial para que o partido possa responder às expectativas dos moçambicanos e concretizar os objectivos políticos a que se propõe.

Segundo o dirigente, a sessão irá aprovar o plano de actividades para o segundo semestre do ano, definindo as linhas de actuação dos órgãos centrais, provinciais e distritais, bem como os mecanismos de coordenação e monitoria das acções do partido.

A direcção explicou que a planificação semestral permite avaliar a execução das actividades, corrigir eventuais falhas e ajustar as estratégias em função dos resultados alcançados. Neste contexto, considerou positiva a avaliação do plano anterior e defendeu a necessidade de aprofundar o processo de capacitação das estruturas distritais para assegurar uma maior presença do partido junto das comunidades.

O PODEMOS reafirmou igualmente a intenção de consolidar a sua organização de base, sustentando que a implementação das orientações políticas depende da existência de estruturas activas em todos os níveis da administração territorial.

Durante a intervenção, a liderança saudou o desempenho da bancada parlamentar, destacando o trabalho de fiscalização desenvolvido na Assembleia da República, e enalteceu igualmente o papel das estruturas distritais na interpretação e resposta aos desafios políticos.

Reconhecendo tratar-se de um partido ainda jovem, a direcção admitiu a existência de dificuldades próprias do processo de crescimento, mas defendeu que os desafios enfrentados devem servir de aprendizagem e contribuir para o amadurecimento da organização.

A liderança manifestou confiança de que o PODEMOS continuará a consolidar-se como uma das principais forças políticas do País, apelando aos membros para manterem o espírito de unidade, reforçarem os mecanismos internos de trabalho e prosseguirem o processo de implantação das estruturas em todo o território nacional.

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O Governo do Japão anunciou a doação de cerca de 3.7 milhões de Meticais para a expansão da sala de cuidados da Mãe Canguru, no Departamento de Neonatologia do Hospital Provincial de Tete. O projecto, que deverá durar um ano, será implementado pela Médicos com África.

A partir de 2026, o sector neonatal do Hospital Provincial de Tete passará a contar com mais camas e equipamentos para acolher crianças prematuras.

Para o efeito, a embaixada do Japão assinou, na manhã desta sexta-feira, um contrato de doação de mais de três milhões de meticais, uma iniciativa a ser implementada pela associação Médicos com África.

A iniciativa vai beneficiar, na primeira fase, 1800 mães gestantes.

A cólera matou 29 pessoas nos últimos três meses na província de Nampula. A vandalização dos centros de tratamento de doenças diarreicas está a comprometer a testagem e o tratamento da doença. Sobre o Marburg, o Ministério da Saúde garante que o país continua livre da doença.  

O Ministério da Saúde chamou a imprensa, esta sexta-feira, para explicar que os casos de cólera continuam preocupantes no país,  com o decurso da época chuvosa. 

Os números registados em Nampula são dos mais preocupantes, onde houve, desde a eclosão da doença,  pelo menos 29 mortos. 

A província de Nampula  é, igualmente, a única que continua com casos activos do Sarampo, outra preocupação de saúde pública.

Sobre a Febre Hemorrágica,  denominada Marburg, que já afecta países de África, como Tanzânia, o MISAU diz não haver casos suspeitos no país.  

O sector da saúde garante ter capacidade de testagem da doença, mas apela ao reforço das medidas de prevenção. O Marburg é um vírus que mata. Causa febre hemorrágica que se transmite através do contacto com objectos ou pessoas infectadas. 

Na Vila de Homoine, em Inhambane, a falta de uma casa de espera para mulheres gestantes complica a vida de quem procura dar à luz numa unidade sanitária.

As mulheres chegam a dormir dentro da sala de parto ou até a pedir um lugar para passar a noite nas casas vizinhas do hospital.

A sala que deveria ser apenas para o parto, acaba sendo o abrigo de mulheres que, vivendo longe, esperam pela sua vez para trazer ao mundo uma nova vida.

Por ser um espaço minúsculo e desconfortável, algumas gestantes partilham pequenos compartimentos onde vive o pessoal técnico ou pede socorro em casas vizinhas do hospital.

O Conselho Municipal de Homoine reconhece o problema, mas diz que vai construir, nos próximos meses, um edifício onde vai funcionar a casa mãe espera.

Segundo a edil de Homoine, o edifício será construído e apetrechado com fundos da edilidade.

O Centro de Saúde de Marengo fica a 5 quilômetros do centro da vila de Homoine, e atende, por mês, entre 40 a 45 mulheres grávidas. 

Uma pessoa morreu supostamente por linchamento em Inhamizua, na cidade da Beira. Os moradores negam ter praticado o acto, mas  alegam que o malogrado integrava uma quadrilha de assaltantes. 

O bairro de Inhamizua, na cidade da Beira, província de Sofala, acordou, quinta-feira, no meio de gritos. Eram gritos de socorro. Quando as pessoas se aproximaram do local, lá estava um indivíduo estatelado e queimado.

“Eu estava a dormir, então ouvi um barulho de pessoas a gritarem (…) saí de casa e a pessoa estava alí a arder”, contou Vasco Inácio. 

Não se sabe ao certo o que terá acontecido, mas suspeita-se que se trate de linchamento. O secretário do bairro acredita que o malogrado seja integrante de um grupo de assaltantes.  

“Ele se encontrava com um meio de transporte, numa alta hora (…) A hora que ele foi encontrado, é uma hora que não é permitido andar de qualquer maneira. Não é possível carregar cliente aquela hora”, disse Salevo, secretário do bairro.   

Até ao fecho da nossa reportagem, o corpo da vítima continuava neste naquele espaço. 

A Junta Militar de Myanmar prolongou por seis meses o estado de emergência que deveria expirar à meia-noite de hoje, adiando mais uma vez as eleições prometidas desde o golpe de Estado de 2021.

O Conselho de Defesa, presidido pelo líder da junta Militar de Myanmar, tomou a decisão  de  prolongar por seis meses o estado de emergência que deveria expirar à meia-noite desta sexta-feira.

A Constituição de 2008 de Myanmar, redigida pelo Exército e que a Junta Militar mantém em vigor, exige que as autoridades organizem eleições no prazo de seis meses após o levantamento do estado de emergência, o que faz com que o prolongamento do Estado de emergência leva a mais demora na realização do escrutínio, prometido desde o golpe de Estado de 2021, após os generais terem tomado o poder sob o pretexto de fraude nas eleições legislativas de 2020, que o partido da dirigente Aung San Suu Kyi diz ter vencido.

A decisão de extensão do Estado de Emergência foi tomada num contexto de conflito civil em várias regiões do país, que segundo  as Nações Unidas já provocou mais de 3,5 milhões de deslocados.

O país vive conflitos armados que têm sido, em geral, de base étnica, com vários grupos armados étnicos lutando contra as forças armadas.

Populares de Nhampfunhine paralisaram obras do terminal portuário em Chongoene, em Gaza, em contestação ao incumprimento do acordo de responsabilidade social, por parte da empresa que lidera o projecto. 

Um grupo de pessoas decidiu, na tarde de quinta-feira, paralisar por completo as obras de construção da terminal portuária, enquadradas na exploração das areias pesadas de Chibuto, em contestação ao incumprimento da promessa feita pela empresa chinesa de construir infraestruturas sociais. 

Na semana passada, as autoridades governamentais tentaram controlar as contendas, mas a população de Nhampfunhine ameaçou desencadear uma incursão, caso a mineradora não cumpra com urgência as promessas.

Devido a agitação instalada na comunidade abrangida pelo projecto portuário, o Governo reuniu-se recentemente com as partes, tendo sido fixado um acordo de construção faseada dos serviços sociais. Entretanto, a população alerta que a retoma das obras está condicionada à execução até metade do acordo. 

A paralisação das actividades no terminal portuário de Chongoene, na sequência da revolta popular, pode comprometer os prazos de entrega da obra, agendado para Fevereiro próximo. 

Um indivíduo de 25 anos de idade,  está detido suspeito de matar a esposa de 18 anos na cidade de Tete. Presume-se que o crime tenha sido por razões passionais.

O crime ocorreu após uma discussão entre o casal, alegadamente porque a vítima estava a consumir bebidas alcoólicas numa barraca, com um suposto amante. Segundo consta depois de ter assassinado a esposa, o suspeito teria permanecido com o corpo da vítima  no interior da casa por dois dias.

O indiciado confessa o crime e diz estar arrependido. “Um amigo saudou-me  e perguntou se eu sabia onde estava a minha esposa, mas eu disse que não sabia. Ele disse-me que a viu com um homem numa barraca a consumir bebidas alcoólicas e levou-me até ao local, mas, quando lá cheguei, o homem com quem ela estava fugiu. De seguida, arrastei-a até à nossa casa e comecei a bater-lhe”.

De acordo com  a porta-voz do SERNIC, Celina Roque,  o casal vivia constantemente em discussões e, no dia do crime, o indiciado usou um cinto para asfixiar a esposa até a morte.

Ainda, nesta quinta-feira, o Serviço Nacional de Investigação Criminal, apresentou dois jovens indiciados de agressão física na via pública, também motivados por ciúmes.

 

Situada em 435,6 mil milhões de Meticais, um aumento de 20,1 mil milhões face a Dezembro do ano passado, O Banco de Moçambique alerta que a dívida pública está, neste momento, num nível muito elevado e precisa de ser controlada, sob risco de se agravar e atingir uma fasquia insustentável. Porém, as reservas internacionais mantêm-se em níveis confortáveis. 

Segundo o governador da instituição, Rogério Zandamela, a quitação da dívida que o país tem no exterior vai depender do comportamento da actividade económica, neste momento descrita como de incertezas, devido aos protestos pós-eleitorais eleitorais que se registam no país há três meses, responsáveis pela devastação de bens públicos e privados.

Zandamela afirma que a retoma da normalidade só pode ser possível “se a economia crescer de uma maneira razoável, aumentado receitas, com uma certa forma de controlo da situação fiscal”, não obstante a necessidade de adequação de políticas cruciais para o impulsionamento da economia.

“Estamos a falar da necessidade de reformas profundas na área do ambiente de negócios, investimentos, de toda uma série de entraves que impedem a economia de arrancar e crescer ao seu potencial. Com certeza, quando essas coisas acontecerem, podemos, com uma certa segurança, afirmar que a economia vai começar a crescer e acelerar”, afirmou Rogério Zandamela.

Para o alcance deste desiderato, o trabalho deve ser multisectorial e abrangente, afirma o dirigente, que aponta o Governo como o guia. Para este, “o controlo da economia é uma agenda ampla, complexa e difícil. Por isso, não só depende do Banco de Moçambique”.

Sobre o impacto dos protestos pós-eleitorais na economia nacional, o Banco de Moçambique não apresenta números, uma vez que a avaliação dos impactos ainda está em curso em várias instituições, mas afirma que o sector em particular foi muito castigado. Os bancos comerciais tentam, neste momento, reerguer-se após a destruição das infra-estruturas.

“É difícil para qualquer um de nós saber como é que vamos sair disso. O que posso dizer é que tudo depende de nós, colectivamente, e, de forma colegial, devemos trabalhar para que essa seja uma realidade do passado. Essas coisas não se resolvem também de um dia ou outro,  porque são, pela sua natureza, de diálogo, de entendimento”, explica Zandamela.

Como resultado das destruições e vandalização de empresas, o banco central não tem dúvidas de que vários bancos irão sofrer devido a créditos mal parados, originados pelo facto de que muitas empresas fecharam as portas e dispensaram boa parte da sua massa laboral.

“Com as danificações da infra-estrutura, não só da actividade, os bancos sofreram muito, é preciso dizer isso. Balcões danificados, ATM que foram severamente danificados, em alguns casos, até algumas viaturas deles foram danificadas, não foram poupadas dessa tensão pós-eleitoral. Então, a crise pode ser muito mais abrangente do que nós pensamos. O crédito malparado vai começar a indicar que há problemas, empresas, famílias, que normalmente pagavam o seu crédito e já não estão em condições de honrar esses compromissos.  Alguns, até conhecemos, têm cara, são coisas abstractas”, concretizou a fonte, afirmando que a inflação pode disparar nos próximos dias.

Rogério Zandamela falava na segunda-feira, em Maputo, durante o evento de anúncio da redução da taxa de juros da Política Monetária, onde o Banco de Moçambique decidiu reduzir a taxa MIMO de 12,75% para 12,25%, uma redução de 0,50% do custo de dinheiro nos bancos comerciais para empresas e famílias.

De acordo com o banco, “a decisão decorre da manutenção das perspectivas da inflação em um dígito, no médio prazo, não obstante o aumento dos riscos e incertezas associados às projecções, com destaque para os decorrentes da tensão pós-eleitoral, o risco fiscal e os choques climáticos.”

Para além desta medida, o Comité de Política Monetária decidiu reduzir os coeficientes de reservas obrigatórias para os passivos em moedas nacionais, de 39% para 29%, uma redução de 10 pontos percentuais. Em moeda estrangeira, a redução foi de 39,50%  para 29,50%. As mexidas vão possibilitar a facilitação e a disponibilidade de mais liquidez para apoiar a economia na reposição da capacidade produtiva e da oferta de bens e serviços.

No encontro, que contou com a presença de quadros do bancos e representantes dos bancos comerciais, o Governo deu a conhecer os níveis de inflação. “As perspectivas da inflação mantêm-se em um dígito no médio prazo. Em Dezembro de 2024, a inflação anual aumentou para 4,15%, depois de 2,84% em Novembro, a reflectir a redução da oferta de bens e serviços decorrente da tensão pós-eleitoral.”

Entretanto, as incertezas associadas às projecções da inflação aumentaram. De acordo com o banco “destacam-se, como factores de aumento da inflação, no médio prazo, os impactos da tensão pós-eleitoral, dos choques climáticos e do agravamento da pressão sobre a despesa pública, num contexto de reduzida capacidade de financiamento”. A instituição explica que o ritmo e a magnitude continuarão a depender das perspectivas da inflação, bem como da avaliação dos riscos e incertezas subjacentes às projecções do médio prazo.

“Patrões” felizes com reduções, mas apontam pecados

Em relação às mexidas da taxa MIMO e reservas obrigatórias em moeda nacional e estrangeira, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique, CTA, diz que as medidas vão facilitar o acesso a empréstimos pelo empresariado. Os “patrões” dizem, entretanto, que o banco central deveria obrigar a banca a estender o prazo para cobrar juros de mora devido ao contexto de crise pós-eleitoral.

Falando em conferência de imprensa, os “patrões” afirmam que a medida é acertada, porém deve ser acompanhada por várias acções e medidas. “Apesar de se tratar de uma medida positiva, que vem trazer algum alívio ao mercado e recuperar, paulatinamente, a confiança, ela peca por ser bastante conservadora, diferentemente da postura assumida no momento da subida da mesma, onde duplicou, e atendendo ao fundamento do Banco de Moçambique para manter as taxas directoras altas, segundo o qual existe um elevado nível de liquidez no mercado”, disse Paulo Oliveira, do pelouro da informação na CTA.

O sector privado, que afirma que esta foi a única medida por enquanto atendida no universo do quadro proposto ao Governo em Novembro passado, acusa o banco central de nada ter feito para melhorar a economia. Segundo o sector privado, “o Banco de Moçambique sugou moeda externa do mercado através das reservas obrigatórias estimadas em 1,8 milhões de dólares. Adicionalmente, o banco central sugou cerca de 286 milhões de dólares através de compras diversas de divisas no mercado.”

De acordo com a CTA, o banco central, em coordenação com o Governo, deve, de forma urgente, arranjar mecanismo de facilitação de pagamentos das dívidas que muitas empresas têm para com os bancos centrais, à margem da queda do ambiente normal dos negócios no país.

“Actualmente no mercado, temos muitas empresas com facturas de importação não pagas há mais de 9 meses e com os respectivos termos de compromisso em aberto. Estes constrangimentos de liquidez em moeda estrangeira poderão afectar o processo de importação de equipamentos e acessórios das empresas afectadas pelas manifestações pós-eleitorais, atrasando, assim, a retoma das actividades produtivas pelas mesmas”, explicou Oliveira. 

Sobre a suspensão de projectos financiados pelos Estados Unidos da América, a CTA e o Banco de Moçambique divergem em observações. Enquanto o sector privado afirma categoricamente que a medida vai penalizar o ambiente de negócios durante o primeiro trimestre do presente ano, o banco central diz ser prematuro fazer tais projecções, uma vez que a notificação dos EUA não contém detalhes suficientes.

Para o director-executivo da CTA, Eduardo Sengo, “sem dúvidas, as actuais medidas decretadas pelos EUA vão afectar a entrada de divisas via projectos paralisados que estavam em curso e que tinham financiamento directo do país hoje liderado por Donald Trump. Reconhecemos que estes projectos também faziam parte da fonte de entrada de divisas e que alimentam as reservas nacionais.”

Tal como o Banco de Moçambique, a CTA tem dificuldades em fazer projecções do crescimento económico a curto e longo prazo devido às incertezas face à onda de protestos no país, porém são unânimes na visão de que as decisões do actual Governo liderado por Daniel Chapo visam implementar políticas urgentes para o aprimoramento da economia bastante lesada pelos protestos-pós eleitorais.

O economista Edgar Chuzi diz que o Banco de Moçambique apareceu no momento certo para reduzir a taxa de juro de política monetária (taxa MIMO) e as reservas obrigatórias dos bancos comerciais, dado que milhares de empresas do sector privado já se encontravam de rastos e a precisar de recuperação após saques e vandalização no âmbito dos protestos pós-eleitorais, mas também algumas sequelas deixadas pela COVID-19.

O banco central anunciou, no passado dia 27, mais uma redução da taxa MIMO, tendo desta vez saído dos anteriores 12,75% para 12,25%, a primeira do ano 2025 após ter feito três reduções graduais no ano passado (2024), mas também anunciou a redução do coeficiente de reservas obrigatórias, de 39% para 29%, a primeira desde Setembro do ano 2023, medidas que aparecem como lufada de oxigénio na economia nacional, bastante fragilizada pelos adventos da situação sociopolítica do país e pelas mudanças climáticas.

Em entrevista exclusiva ao “O País Económico”, o economista Edgar Chuzi saudou a decisão anunciada pelo governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, por entender que se abre espaço para aliviar o serviço da dívida pública e maior circulação da moeda.

“Ora, temos aqui a redução das reservas obrigatórias numa percentagem que eu acho que, numa primeira fase, é aceitável. Isto cria a disponibilidade de recursos financeiros na banca para poder se ceder a terceiros. Ou seja, estas duas medidas não podiam ter sido tomadas num momento melhor que este, altura em que o sector empresarial está a necessitar de recuperação face, primeiro, àquilo que são as vandalizações que conhecemos nos últimos meses, dos protestos pós-eleitorais, mas também sem nos esquecermos que o sector empresarial ainda não se tinha refeito da crise da pandemia da COVID-19, que levou anos sem fim para que pudéssemos conhecer uma recuperação económica propriamente dita”, disse Edgar Chuzi. 

Defende ainda que o banco central tomou a medida certa em relação aos pontos percentuais reduzidos, tendo em vista os riscos oferecidos pelo ambiente político do país.  

“É preciso ver o lado do risco associado. Se a redução fosse muito acentuada, por exemplo, de 2, 3 ou 4 pontos percentuais, havia de existir uma demanda acelerada na busca de créditos que não seriam apenas para revitalizar a actividade económica como em si, mas para pagar outros serviços de dívidas ou despesas ou dívidas internas com trabalhadores, fornecedores, com o risco de não gerar fluxos financeiros para poder cumprir com o serviço da dívida. Não digo que foi apenas esta a razão que ditou esta redução um pouco mais baixa em relação à última redução que nós conhecemos, mas é preciso precaver-se de algumas situações”, explicou o economista.

Edgar Chuze avança ainda que os próximos dias podem ser de bonança para os empreendedores.

“É um ambiente muito positivo para o sector privado, mesmo para as micro, pequenas e médias empresas, porque o custo do dinheiro estará relativamente baixo, e a disponibilidade do mesmo será elevada dentro das instituições financeiras”, avançou.

Uma outra boa nova, segundo o economista, é que, apesar de elevada a dívida pública interna, com maior disponibilidade de dinheiro no sector financeiro, poderão ser concedidos mais créditos ao Estado, para dinamizar as despesas públicas.

“Neste momento, com maior disponibilidade, eu penso que há condições de ceder a ambos os sectores, seja o público, seja o sector privado”, apontou.

Em relação às empresas destruídas no âmbito dos protestos pós-eleitorais e que provavelmente tenham créditos parados, Chuzi entende que a banca e os seus clientes devem renegociar as dívidas e ponderar a possibilidade de ajudar esses empresários a revitalizarem os seus negócios, para que a posterior possam conseguir pagar as suas obrigações, pois, se os empreendimentos não voltarem a fluir, não haverá outra forma de saldar as contas a não ser penhorar as garantias mutuárias.

Apesar de haver maior disponibilidade de dinheiro nos bancos, Edgar Chuzi alerta que as famílias e as empresas devem ter cautela ao contrair créditos, sobretudo os de consumo e explica: “Devemos, sim, demandar fluxos financeiros ou crédito bancário, com projectos bem estruturados, que sabemos que vão gerar fluxos na sua implementação, vão gerar fluxos financeiros para o retorno de alguma actividade. Não aconselharia muito ao crédito de consumo, porque, como vimos, muitas famílias ficaram fora dos seus empregos e têm problemas para poder fazer face às suas obrigações. Uma oportunidade é uma oportunidade. Se eu vir que há uma oportunidade de ter dinheiro a um custo barato e o dinheiro está disponível, é de demandar, mas preciso de reflectir primeiro se terei condições de cumprir com o serviço da dívida, antes de ter a apetência de demandar este crédito”, aconselhou.

Por outro lado, Edgar Chizi recomenda ao governo liderado por Daniel Chapo que olhe para todos os sectores da economia de igual forma, no âmbito da revitalização, mas sem esquecer quais é que foram mais afectados pela vandalização, pilhagem, e ausência de turistas, no caso das estâncias turísticas.

De olhos lançados ao futuro, o analista pauta por uma ideia de diversificação.

“Nós temos de começar desde a agricultura, mas não a agricultura de subsistência. Uma agricultura industrial, um agronegócio que seja sustentável. É um sector que nós sabemos que temos condições climáticas e terras aráveis, mas também temos o sector da indústria, todos esses precisam de ser alavancados para que deixemos de depender pura e simplesmente, ou na maior parte, da questão de extracção mineira. Nós temos de primeiro potenciar o nosso sector privado para que possa concorrer em pé de igualdade com essas grandes economias que fez referência, a China, a América, entre outros”, sugeriu e acrescentou que “o sector privado deve ser um sector robusto, que terá capacidade de gerar rendimentos e pagar o justo imposto, só assim estaremos aí para aquele resultado final que o presidente da república referiu na sua investidura, a independência económica e financeira.”

Refira-se que esta medida do banco central já foi saudada pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), apesar de considerar que é conservadora, especialmente quando comparada com a postura mais arrojada adoptada aquando do aumento da taxa.

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