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Um automobilista morreu carbonizado na madrugada deste sábado, na sequência de uma colisão entre uma viatura ligeira e um camião, na Estrada Nacional Número Um (EN1), no Distrito Municipal da Katembe, Cidade de Maputo. O acidente provocou ainda dois feridos.

O sinistro ocorreu nas primeiras horas da manhã e destruiu completamente a viatura ligeira, que se incendiou após o embate, impossibilitando o condutor de escapar às chamas.

No camião seguiam duas pessoas. Uma sofreu ferimentos graves e a outra contraiu ferimentos ligeiros. Ambas foram socorridas e transportadas para uma unidade hospitalar, onde recebem assistência médica.

O proprietário do camião afirmou que, de acordo com as informações que lhe foram transmitidas, o veículo seguia normalmente no seu percurso quando ocorreu a colisão.

As circunstâncias em que o acidente se deu continuam por esclarecer. Contudo, a Polícia de Trânsito admite, como hipótese preliminar, que o sinistro tenha resultado de uma alegada circulação em contramão por parte do condutor da viatura ligeira. As investigações prosseguem para o apuramento das causas do acidente.

Até ao fecho desta edição, as viaturas sinistradas permaneciam no local do embate, enquanto decorriam os trabalhos das autoridades competentes.

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Nos dias 26 e 27 de abril de 2025, a cidade de Maputo foi palco de um dos momentos mais marcantes do calendário desportivo nacional, com a realização do 3.º Campeonato Nacional Regional Sul, organizado pela Federação Moçambicana de Karate (FMK). O evento decorreu no histórico Pavilhão do Estrela Vermelha, local que se encheu de energia, dedicação e espírito marcial, refletindo o crescimento sólido da modalidade no país.

Mais de 75 atletas subiram aos tatamis, representando não só escolas como a EDM, Katembe, Malhazine, Nikki HA, Estrela Vermelha, Clube Ferroviário, Primeiro de Maio e Zanshi, mas também outras escolas e núcleos que, juntos, enriqueceram ainda mais a diversidade e a competitividade do torneio. Desde os escalões de infantis iniciados até aos seniores, entre meninas, raparigas, mulheres, meninos, rapazes e homens, todos demonstraram não apenas a sua técnica, mas também a disciplina e o verdadeiro espírito do karate-do.

Ao longo dos dois dias de intensa competição, os atletas mostraram estar plenamente aptos para competir com atletas das regiões Centro e Norte, exibindo um nível técnico e tático que já alcança padrões internacionais comprovados. A qualidade das apresentações, tanto em Kumite individual e por equipas, como em Kata individual e de equipas, evidenciou o trabalho sério que vem sendo realizado nos dojos, consolidando o karate nacional numa trajetória ascendente.

Para que todos pudessem apreciar plenamente o talento demonstrado, o campeonato contou com a utilização de dois tatamis simultâneos, o que permitiu uma fluidez contínua dos combates e das exibições, mantendo o público envolvido e garantindo uma experiência intensa e ininterrupta a todos os presentes.

Não menos importante foi a atuação da equipa de juízes, que se destacou pelo elevado nível de compromisso, competência técnica e imparcialidade nas suas decisões. A qualidade da arbitragem foi um reflexo direto dos esforços contínuos da FMK, em particular através do trabalho da Comissão Nacional de Arbitragem de Karate (CNAK), no que diz respeito à formação, capacitação e atualização dos seus quadros técnicos. Este investimento estratégico na excelência dos árbitros tem permitido elevar, de forma inequívoca, o nível das competições organizadas sob a égide da FMK, fortalecendo a credibilidade e a justiça desportiva em cada evento.

Durante o campeonato, foram ainda atribuídos prémios de reconhecimento aos atletas que, pela sua entrega, desempenho e postura ética, se distinguiram ao longo da prova. Destaque especial para a atribuição dos troféus de Melhor Atleta do Campeonato, Atleta Revelação e Prémio Fair Play, este último sublinhando a essência do karate, onde o respeito pelo adversário e a preservação da integridade física estão acima de qualquer resultado.

A realização deste campeonato não só confirmou a força do karate na região Sul, mas também reforçou a confiança de que Moçambique está cada vez mais preparado para se afirmar no panorama internacional da modalidade. A FMK agradece a todos os atletas, treinadores, árbitros, escolas, pais, parceiros e autoridades presentes, reafirmando o seu compromisso em continuar a construir um karate forte, inclusivo e de excelência.

Moçambique e os seis países de língua portuguesa querem alinhar estratégias do futuro e retomar os jogos da lusofonia a partir de 2026, segundo deliberação saída do encontro dos presidentes dos Comités Olímpicos nacionais, realizada recentemente em Cabo Verde

Cabo Verde acolheu, entre os dias 24 e 25 de Abril corrente, o 4º Congresso Olímpico da Lusofonia, que tinha como objectivo reforçar os laços de cooperação, promover o desenvolvimento desportivo e alinhar acções estratégicas para o futuro da organização.

Os países lusófonos querem reforçar a união e retomar jogos da lusofonia em 2026, disse a presidente da Associação dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa (ACOLOP), Filomena Fortes.

“Nós queremos reactivar os jogos da lusofonia (…) no próximo ano. Nós queremos fortalecer a cooperação e criar sinergias positivas entre todos os membros da ACOLOP”, defendeu Filomena Fortes.

Na abertura do IV Congresso Olímpico da Lusofonia, que decorreu até Sexta-feira, na cidade da Praia, Cabo Verde, Filomena Fortes, referiu que o encontro pretende unir os membros da ACOLOP em torno de metas comuns, com base na agenda olímpica 2020+5.

“Queremos melhorar infraestruturas e condições de base em todos os países e implementar programas em consórcios internacionais com acesso a financiamento”, afirmou a dirigente.

De acordo com a Lusa, esta competição foi realizada pela última vez em 2014, em Goa, Índia. Antes disso, houve edições em Lisboa (2009) e Macau (2006).

O ministro da Juventude e Desporto de Cabo Verde, Carlos Monteiro, que presidiu à abertura, defendeu a criação de mais competições entre os países lusófonos, sobretudo para os jovens.

“Quanto mais oportunidades de competição dermos aos nossos jovens, melhor. Cabo Verde tem estado na linha da frente nesta matéria e vai levar este tema à conferência de ministros do Desporto da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa], em Junho, em Timor-Leste”, referiu.

Moçambique esteve presente no 4.º Congresso Olímpico da Lusofonia, que teve lugar em Cabo Verde e organizado pela Associação de Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa (ACOLOP).

O país esteve representado no evento ao mais alto nível pelo presidente do Comité Olímpico de Moçambique (COM), Aníbal Manave, e pelo seu vice-presidente, Francisco Mabjaia.

O congresso, inserido na Agenda Olímpica 2020+5 do Comité Olímpico Internacional (COI), tinha também o objectivo de reforçar os laços de cooperação, promover o desenvolvimento desportivo e alinhar acções estratégicas para o futuro da organização.

Participaram no evento delegados dos Comités Olímpicos membros da ACOLOP e de organizações parceiras.

O 4º Congresso realizou-se de 24 a 25 de Abril corrente.

O Ministério da Saúde do Uganda anunciou o fim do surto do ébola, após 42 dias sem nenhum caso da doença.

“Durante este surto, foram notificados 14 casos, 12 confirmados e dois não confirmados por testes laboratoriais (prováveis)”, informou a Organização Mundial de Saúde, num comunicado citado pela Africanews.

No total, ocorreram “quatro mortes, duas confirmadas e duas prováveis. Dez pessoas se recuperaram da infecção”, acrescenta o documento.

Segunda a mesma fonte, o surto foi confirmado na capital de Uganda, Kampala, após a morte de um enfermeiro.

A doença atribuída à cepa Sudan não tem vacina licenciada para essa variante, mas as autoridades locais autorizaram um ensaio clínico para uma vacina em desenvolvimento, que será administrada a profissionais de saúde e contactos de casos.

Foi a nona vez que Uganda detectou casos de ébola. 

A maioria dos surtos foi rapidamente controlada.

A epidemia matou mais de 11 300 pessoas na África Ocidental entre 2013 e 2016, pode ler-se na publicação.

Alguns cidadãos que vivem em Cabo Delgado pedem ao Governo a reintrodução de escoltas para a zona norte da província, devido ao clima de insegurança provocado pelo grupo armado.

“A situação de segurança nas estradas para o norte da província está complicada e exige uma escolta das Forças de Defesa e Segurança”, reclamou Nuro Amade, um residente do distrito de Mocímboa da Praia.

Segundo os cidadãos que fazem viagens frequentes para o norte de Cabo Delgado, o grupo armado continua com emboscadas ao longo da EN380.

“Nós continuamos a viajar apenas por falta de alternativas de sobrevivência, e algumas pessoas não chegam ao destino porque são capturadas pelo grupo armado”, descreveu Saide Juma, um motorista de camiões que faz viagens frequentes de camião para reabastecer a zona norte de Cabo Delgado.

As autoridades do governo não se mostraram disponíveis para responder ao pedido de reintrodução de escoltas, apesar de várias tentativas feitas pela nossa equipa de reportagem.

As escoltas foram introduzidas em 2021, após a reabertura EN380, que ficou fechada por quase um ano, devido à ocupação da vila de Mocímboa da Praia, e foi interrompida em meados do ano passado, pouco depois de as Forças Armadas do Ruanda terem instalado um quartel no distrito de Macomia.

Na tarde desta segunda-feira, o presidente da República, Daniel Francisco Chapo, apresentou o balanço dos seus primeiros 100 dias de governação. Adélia Macucule, primeira secretária da Frelimo na província de Inhambane, reagiu ao discurso destacando as principais realizações deste período e reafirmando o compromisso do partido em apoiar a agenda governativa.

Segundo Macucule, os 100 dias de governação marcam o início de uma transformação necessária para enfrentar os desafios do país. “O camarada presidente Daniel Francisco Chapo assumiu o país num momento desafiante, mas tem demonstrado uma orientação clara para resultados,” afirmou. Ela destacou que o governo tem procurado fazer as coisas de forma diferente para obter resultados concretos.

Entre os principais avanços, Adélia Macucule destacou o pagamento do 13.º salário e das horas extraordinárias aos funcionários dos setores da educação e da saúde. Também mencionou o pagamento do subsídio social do idoso como uma medida importante para apoiar os mais vulneráveis. Estas iniciativas foram descritas como parte do compromisso do governo em melhorar as condições de vida da população.

A primeira secretária também ressaltou os esforços para aproximar os serviços básicos às comunidades, incluindo o fornecimento de água potável, energia elétrica, saúde e educação. Segundo ela, estas medidas são fundamentais para o desenvolvimento sustentável e refletem uma resposta concreta às necessidades das comunidades.

Outro ponto mencionado foi o reforço da presença do Estado em zonas rurais e remotas, através da melhoria das infraestruturas e de iniciativas destinadas a aumentar o acesso da população aos serviços essenciais. Adélia Macucule sublinhou que essas ações, embora ainda em fase inicial, já começam a ter impacto positivo na vida das pessoas.

Adélia Macucule enfatizou a importância da consolidação da paz e da unidade nacional, que classificou como pilares essenciais para o progresso do país. Ela destacou que o presidente Chapo tem trabalhado para promover a coesão social e o diálogo como ferramentas fundamentais para superar os desafios atuais. Segundo ela, o fortalecimento dessas bases é vital para a estabilidade e cria um ambiente propício para o desenvolvimento.

A primeira secretária apontou também que as acções do governo têm refletido uma preocupação em integrar diferentes setores da sociedade no processo de desenvolvimento. “Temos visto um esforço claro para ouvir os cidadãos e responder às suas demandas de forma mais prática e eficaz”, afirmou.

Durante o seu pronunciamento, Macucule reafirmou o compromisso da Frelimo em mobilizar as suas estruturas, desde o nível provincial até às bases, para apoiar as iniciativas do governo. Segundo ela, a participação ativa do partido é essencial para garantir a implementação da agenda de desenvolvimento.

“A Frelimo está determinada em continuar a ser um parceiro estratégico do governo, contribuindo para que os resultados sejam alcançados de forma eficaz,” disse. Ela também apelou à população da província de Inhambane para que se mantenha unida em torno desta agenda.

Macucule destacou ainda que o partido tem intensificado a mobilização e o engajamento das comunidades para que todos possam participar no processo de desenvolvimento. “A inclusão social é fundamental para que o progresso seja sentido por todos, independentemente da sua localização ou condição socioeconómica”, afirmou.

Macucule reconheceu que, apesar dos avanços alcançados, há ainda muitos desafios a serem enfrentados, incluindo o desemprego, a pobreza e as desigualdades. Contudo, mostrou-se confiante na capacidade do governo de continuar a implementar soluções que beneficiem toda a população.

Entre os desafios destacados, está a necessidade de reforçar os investimentos em setores-chave como a agricultura, que continua a ser a principal fonte de rendimento para muitas famílias, e a indústria, que pode gerar mais postos de trabalho e impulsionar o crescimento económico. Segundo ela, o governo tem demonstrado intenção de implementar políticas que promovam esses setores.

Outro ponto levantado foi a melhoria da gestão dos recursos públicos, garantindo que os fundos destinados a projetos de desenvolvimento sejam aplicados de forma transparente e eficiente. Adélia Macucule sublinhou a importância da responsabilização como um dos fatores para o sucesso da agenda governativa.

Encerrando a sua declaração, Adélia Macucule dirigiu-se diretamente ao presidente da República em nome dos militantes e simpatizantes da Frelimo na província de Inhambane, parabenizando-o pelos 100 dias de trabalho e reafirmando o apoio do partido. “Estamos consigo, camarada presidente. Este é apenas o começo de uma jornada que trará progresso ao nosso país,” concluiu.

A primeira secretária também destacou que o sucesso do país depende do compromisso coletivo e da colaboração entre o governo, o partido e a sociedade civil. Ela reforçou a necessidade de todos se manterem unidos e focados nos objetivos comuns para superar as adversidades e construir um Moçambique mais próspero.

Moçambique atravessa um momento crítico na sua trajectória económica. As estruturas que deveriam sustentar o crescimento e garantir o bem-estar da população estão fragilizadas por uma série de problemas estruturais, desde a informalidade que domina o sector produtivo até à escassez de mão-de-obra qualificada. Esses desafios, longe de serem intransponíveis, exigem uma resposta urgente e coordenada entre os sectores público e privado, aliados a um papel estratégico da academia.

Foi durante a aula inaugural na Universidade do Save, que Hélder Muteia, antigo Ministro da Agricultura e Coordenador Sub-regional da FAO para a África Central, fez um diagnóstico claro e directo sobre os maiores obstáculos que Moçambique enfrenta no seu percurso de desenvolvimento económico. Ao longo de sua intervenção, Muteia não poupou palavras para sublinhar a necessidade de uma mudança de paradigma, apontando tanto as fraquezas estruturais como as oportunidades que, se bem aproveitadas, poderiam transformar a economia moçambicana.

Hélder Muteia iniciou sua análise destacando o impacto negativo da informalidade que predomina no tecido empresarial de Moçambique. Segundo ele, o empresariado nacional ainda se encontra numa fase muito inicial e vulnerável, exacerbada pela natureza informal de muitas unidades produtivas. “A informalidade impede a integração das unidades produtivas nos processos fiscais e financeiros do país, o que, por sua vez, torna impossível a formulação de políticas públicas eficazes para o sector”, afirmou.

Os números são alarmantes: 80% dos operadores económicos do país actuam no sector informal, e quase metade do Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique provém desta área. A informalidade limita a capacidade de inovação, dificulta o acesso a crédito e promove uma concorrência desleal, onde o capital humano e o acesso a mercados ficam comprometidos. A falta de regulamentação e de políticas públicas que integrem estas unidades no sistema económico formal é uma das maiores barreiras ao crescimento sustentável.

Para Muteia, a solução não é a marginalização da informalidade, mas a sua gradual formalização. Ele defende que é necessário criar mecanismos que incentivem os pequenos empresários a dar o passo para a formalização, através de incentivos fiscais, capacitação e suporte à gestão empresarial. “A economia não pode continuar a ser sustentada por unidades produtivas que não cumprem com as normas fiscais e financeiras. Precisamos de um sistema económico que seja inclusivo, mas que também seja justo e eficaz”, sublinhou.

Outro tema central abordado por Muteia foi a questão dos elevados custos de transação, um problema estrutural que penaliza fortemente a competitividade da economia moçambicana. Ele exemplificou o caso do feijão, um dos produtos agrícolas mais consumidos no país. “Num distrito como Sanga, uma lata de feijão que custa 600 meticais pode chegar a 1.200 meticais na Cidade de Lichinga, após percorrer apenas 100 quilómetros. Este aumento de preço não é devido à transformação do produto, mas sim ao peso dos custos de transação”, explicou Muteia.

Os custos de transação incluem desde o transporte, que é encarecido pela má qualidade das estradas, até os obstáculos impostos pela burocracia e pela insegurança ao longo das rotas comerciais. Muteia afirmou que o sistema de transporte e a regulação do mercado em Moçambique são extremamente ineficazes, tornando as trocas comerciais mais caras e, consequentemente, elevando o custo de vida para os cidadãos.

Além da informalidade e dos custos de transação, a falta de mão-de-obra especializada também se destaca como um dos principais desafios que o país enfrenta. Hélder Muteia foi enfático ao afirmar que o sistema educativo de Moçambique ainda não consegue formar profissionais adequados para os desafios do mercado. “Os jovens saem das universidades com diplomas, mas sem as competências práticas necessárias para o desenvolvimento do sector produtivo. Isso limita não apenas a competitividade das empresas, mas também o desenvolvimento económico do país”, alertou.

Muitos dos recém-formados são incapazes de se integrar eficientemente no mercado de trabalho, pois não possuem as habilidades técnicas exigidas pelas empresas. O empresariado, por sua vez, sente a falta de uma mão-de-obra qualificada para impulsionar a produtividade e a inovação. A solução, segundo Muteia, passa por uma maior articulação entre o sistema educativo e as necessidades do mercado, com um enfoque na formação técnica e vocacional, para que os jovens possam ter uma formação prática e uma inserção rápida no mercado de trabalho.

Para Muteia, a chave para a resolução desses problemas está na colaboração entre a academia e o sector empresarial. Ele defende que as universidades devem assumir um papel mais activo na formação de profissionais qualificados, capazes de inovar e contribuir directamente para o desenvolvimento económico do país. “Os grandes avanços da humanidade sempre foram possíveis graças à colaboração entre academia e empresas. Moçambique precisa de um modelo semelhante, onde as universidades formem pessoas com competências práticas, e as empresas forneçam os recursos e a experiência necessária”, afirmou Muteia.

Além disso, a academia deve também ser parceira na criação de soluções inovadoras para os problemas estruturais que o país enfrenta. “A academia pode ajudar a desenvolver soluções que melhorem a gestão da economia, a eficiência dos processos produtivos e a competitividade das empresas”, concluiu.

Um dos pontos mais controversos abordados por Muteia foi a exploração de gás e petróleo. Para o ex-ministro, a dependência excessiva dos recursos naturais pode ser perigosa para a economia de Moçambique. “A exploração de gás pode ser um presente envenenado se não for gerida com responsabilidade. Embora os recursos naturais possam gerar riqueza, é preciso ter políticas públicas que assegurem uma distribuição justa e sustentável desses benefícios”, disse.

Muteia alertou para o facto de que a exploração de hidrocarbonetos tende a gerar uma distribuição desigual da riqueza, concentrando os benefícios nas elites e deixando a grande maioria da população de fora. “É fundamental que os rendimentos provenientes da exploração dos recursos naturais sejam canalizados para um fundo soberano que permita investir em sectores cruciais como a educação, agricultura, a saúde e a infra-estrutura”, defendeu.

Para ele, o desenvolvimento económico não pode depender apenas da exploração de recursos naturais, mas deve ser sustentado por uma base industrial sólida e por políticas públicas que promovam o crescimento inclusivo e a diversificação da economia.

Hélder Muteia concluiu sua intervenção com uma mensagem de esperança e desafio. Para ele, Moçambique tem tudo o que precisa para se tornar uma economia próspera e inclusiva, mas é necessário um esforço conjunto entre o governo, a academia e o sector privado. “Os desafios económicos podem ser transformados em oportunidades, mas precisamos agir com determinação, inovação e responsabilidade”, concluiu.

Uma grande falha no fornecimento de energia atingiu Portugal e Espanha nesta segunda-feira, deixando milhões de pessoas sem electricidade. Os relatórios indicam problemas na rede eléctrica europeia.

Portugal e Espanha foram atingidos por um corte de energia generalizado nesta segunda-feira, deixando milhões de pessoas sem electricidade, de acordo com as autoridades locais.

Em Portugal, fontes oficiais afirmaram aos meios de comunicação social nacionais que o corte de energia foi de âmbito nacional, enquanto em Espanha há relatos semelhantes.

O aeroporto internacional de Barajas, em Madrid, ficou sem electricidade e as telecomunicações também foram afectadas. Entretanto, outros aeroportos da região ficaram paralisados.

Os cidadãos de Andorra e de partes da França, que fazem fronteira com Espanha, também foram afectados pelo apagão. De acordo com as últimas informações, foram registados outros cortes de energia até à Bélgica.

As causas ainda não são claras. Os meios de comunicação social nacionais dão conta de problemas na rede eléctrica europeia, que, no entanto, afectaram as redes nacionais na Península Ibérica. Um incêndio no sudoeste de França, na montanha Alaric, que danificou uma linha eléctrica de muito alta tensão entre Perpignan e Narbonne oriental, foi também apontado como uma possível causa.

Apagão não teve origem em Portugal

Luís Montenegro adianta que o apagão não teve origem em Portugal. “Foi completamente inesperado”, diz o líder do Executivo português, após um Conselho de Ministros que se prolonga há mais de duas horas.

O Conselho de Ministros vai manter-se, mas o primeiro-ministro vai deslocar-se ao centro de operações da REN.

O Centro Nacional de Cibersegurança diz que, para já, não há indícios de ciberataque.

O Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) garantiu, na tarde desta segunda-feira, que “não foram identificados até ao momento indícios que apontem para um ciberataque” a justificar a falha generalizada na rede eléctrica.

Em comunicado, o CNCS explica que foi informado às 11h30 de uma falha na rede elétrica nacional”. “Contactadas as entidades incumbentes, apurou-se que se trata de uma falha que afetou alguns países europeus. Estamos em contacto com as nossas congéneres nesses países e com as entidades relevantes nacionais”, pode ler-se no comunicado.

Von der Leyen garante apoio da UE para repor electricidade

A presidente da Comissão Europeia disse, nesta segunda-feira, que Bruxelas vai “coordenar esforços” para ajudar na reposição rápida do fornecimento de eletricidade. “Conversei com Pedro Sánchez sobre o corte de energia na Península Ibérica. Reafirmei-lhe o apoio da Comissão Europeia na monitorização da situação com as autoridades nacionais e europeias, e com o nosso Grupo de Coordenação da Eletricidade”, escreveu von der Leyen na rede social X.

Espanha investiga possível ataque hacker

Vários países da Europa acordaram no meio de um apagão geral nesta segunda-feira (28). Entre eles, está a Espanha , cujo Instituto Nacional de Segurança Cibernética (INCIBE) investiga a possibilidade de um ataque hacker, segundo informações do jornal El País.

O apagão, que começou por volta do meio-dia (7h30 no horário de Brasília), também afectou Portugal. Quando questionado sobre a chance de ser um ataque cibernético, o ministro Manuel Castro Almeida disse que “há essa possibilidade, mas não está confirmada”.

“Sei que abrange vários países da Europa – Portugal, Espanha, França e Alemanha e creio que também Marrocos. (…) Coisa em grande escala que, pela dimensão que tem, é compatível com um ciberataque. Mas é uma informação não confirmada”, disse à “RTP”.

As autoridades portuguesas também investigam a causa do apagão. Até o momento, só indicaram que o problema parece não ter se originado no país.

“Não há provas de ciberataque no corte maciço de energia”

Vice-presidente executiva da Comissão Europeia disse que não há provas de ciberataque no corte maciço de energia na Península Ibérica, falando porém numa “das maiores falhas no sistema” na União Europeia (UE).

“Esta foi uma das maiores falhas no sistema eléctrico ocorridas nos últimos anos” na UE, declarou a responsável no executivo comunitário pela pasta de Transição Limpa, Justa e Competitiva, Teresa Ribera, à imprensa em Bruxelas.

“Não estamos a descartar nada de momento, mas não há provas de qualquer tipo de problema de cibersegurança. Estamos atentos a tudo, e a principal prioridade é, obviamente, restaurar o sistema elétrico e avaliar e compreender o que aconteceu”, acrescentou.

Teresa Ribera disse estar a “acompanhar o que está a acontecer” e em “estreito contacto com as autoridades espanholas e portuguesas, bem como com os diferentes serviços da Comissão”, numa situação que, segundo disse, só afecta a Península Ibérica e, talvez por arrasto, talvez uma pequena parte do sul de França.

“Por enquanto, o que posso dizer é que temos de ser prudentes e pacientes para que o sistema possa ser restabelecido o mais rapidamente possível”, apelou.

Comissão vai acompanhar a situação

“A Comissão continuará a acompanhar a situação e a certificar-se de que a troca de informações entre todas as partes relevantes se processa sem problemas”, adiantou a mesma fonte oficial.

Bruxelas lembrou ainda existirem “protocolos para restabelecer o funcionamento do sistema”, como previsto na legislação comunitária referente às redes de emergência e restabelecimento. Estão também a ser activados planos de restabelecimento por etapas do fornecimento de energia.

Iniciou-se, nesta segunda-feira, a construção de uma unidade neonatal no Hospital Central de Maputo, que terá pouco mais de 100 camas, berçários, laboratórios e salas de parto. Trata-se de um investimento de cerca de 20 milhões de dólares.

O financiamento para a construção da unidade neonatal no Hospital Central de Maputo é da Agência Japonesa de Cooperação Internacional. Coube ao ministro da Saúde, Hussene Isse, lançar a primeira pedra da infra-estrutura que vai prestar serviços de saúde essenciais às mães e aos bebés, num contexto em que 28 a cada mil crianças morrem logo após o nascimento.

“Cada um de nós tem de fazer o seu melhor. Nós, como governados, temos de fazer o nosso melhor para garantir condições apropriadas para que o povo moçambicano seja atendido correctamente nos hospitais e possamos salvar mais vidas”, disse na ocasião Hussene Isse.

A infra-estrutura vai responder às necessidades do sector, numa altura em que, de acordo com o sector da saúde, 24 recém-nascidos morrem em cada mil nascimentos, devido a complicações de saúde, associadas, também, à falta de tratamento adequado nos hospitais moçambicanos.

Por isso, a unidade neonatal a ser erguida no Hospital Central de Maputo, terá equipamento de última geração. “Como dizia a Sua Excelência o embaixador, será equipado com a última tecnologia de ponta do mundo em Moçambique. Isto nos orgulha”, disse Hussene Isse.

Assim, com mais esta construção, aumenta a capacidade de camas no maior hospital do país para internamentos de recém-nascidos e das suas mães.

“O Hospital Central de Maputo, que contará com a capacidade de 105 camas, divididas em duas enfermarias, que compreenderão os cuidados intensivos e cuidados intermediários”, explicou o director do HCM, Mouzinho Saíde.

Por sua vez, o representante da JICA, Otsuka Kazuki disse, na ocasião, que, com o projecto, a organização pretende responder ao desafio da falta de infra-estruturas e equipamentos adequados que proporcionem um ambiente hospitalar harmonioso para as mulheres grávidas e recém-nascidos durante o processo de diagnóstico e tratamento atempado de qualquer anomalia.

Ademais, trata-se de uma infra-estrutura que vai responder aos serviços necessários para reduzir as mortes neonatais no país, no geral, e em Maputo, em particular.

“Será composto por berçários, sala de parto, sala de cirurgia, sala de cuidados intensivos, laboratórios, entre outros serviços essenciais para a saúde da mãe e do bebê, cujo custo está orçado em mais ou menos 20 milhões de dólares americanos, aproximadamente um bilião e duzentos e cinquenta milhões Meticais ao câmbio do dia”, disse Otsuka Kazuki.

Já o embaixador do Japão, Iwasaki Taira, sublinhou que, sendo Moçambique um dos países do mundo com elevadas taxas de mortalidade materno-infantil e com muitos desafios, como a deterioração de infra-estruturas de saúde e escassez de profissionais, está convicto que, com a construção desta unidade de neonatologia, muitas vidas serão salvas e será lançada a base para que as famílias possam viver com alegria e em segurança.

“A saúde pública é a base para uma governança nacional sustentável, sendo o primeiro passo na construção do futuro de um país”, frisou Iwasaki Taira. 

A nova unidade de neonatologia, vai dotar a maior unidade sanitária do país de infra-estruturas modernas e adequadas para o atendimento especializado dos recém-nascidos em estado crítico, promovendo intervenções mais eficazes e humanizadas.

A execução da obra estará a cargo da empresa Japonesa Dai Nippon Construction (DNC) e sob fiscalização do consórcio entre a Yachio Engineering, Azusa Sekkei e Binko Internacional, responsáveis pela elaboração do projecto arquitectónico e infra-estrutura.

A construção da unidade neonatal tem a previsão do seu término em Janeiro de 2027.

Ainda na saúde, uma empresa sul-coreana apresentou, nesta segunda-feira, na Cidade de Maputo, neste seminário, um equipamento de diagnóstico do HIV e da tuberculose, com capacidade para apurar a resistência que a pessoa diagnosticada tem a determinados medicamentos.

De acordo com o Instituto Nacional de Saúde, o equipamento está ainda em verificação, e só depois serão avaliados os custos e benefícios associados para a sua implementação no país.

Trata-se de um equipamento que chega ao país num contexto em que o diagnóstico do HIV é tido como essencial para eliminar o vírus como problema de saúde pública no país.

A Associação Comercial da Beira distanciou-se, nesta segunda-feira, da polémica em torno dos preparativos para as eleições na Confederação das Associações Económicas, CTA, e disse que esta agremiação foi tomada por um cartel de lobistas  e corruptos, e que não irá participar nas eleições porque o modelo actual das eleições abre espaço para a compra de votos.

Os empresários da província de Sofala, através da sua associação, a Associação Comercial da Beira, que é membro fundador da CTA, dizem que sentem vergonha da polémica  em torno dos preparativos para o processo eleitoral.

A agremiação que estava reunida recentemente em assembleia extraordinária, para discutir a situação eleitoral na CTA, começou por dizer que não entende como a sua  agremiação de carácter nacional, que tem a responsabilidade de orientar o Governo sobre o que deve ser feito para tornar a economia forte, mostra incapacidade para liderar um simples processo eleitoral interno.

Félix Machado, presidente da Associação Comercial da Beira, disse que os empresários de Sofala, como forma de ajudar a pôr fim à polémica, escreveram uma carta à CTA, mas dirigida a todos os membros, sugerindo a realização de uma assembleia geral extraordinária.

“Pela nossa surpresa, apenas algumas associações da zona centro escreveram e concordaram com a realização desta reunião, mas, como é necessário um terço para que a direcção organize, não conseguimos realizar”, esclareceu Machado.

A Associação Comercial da Beira entende que o modelo actual para a eleição do presidente da CTA é imperfeito e abre espaço para a corrupção. “O modelo actual não é representativo. Não é por acaso que muitos consideram a CTA a incubadora de bandidos, porque é um cartel que quer controlar aquilo. Não pode ser assim”, justificou.

O modelo actual da eleição do presidente da CTA exige antecipadamente cartas de suporte de candidaturas. Mas, segundo Félix Machado, obrigar que todos os membros que votam sejam portadores de uma lista de deliberação “é errado”, ou seja, esta medida levou muitos membros a fazerem o pagamento de cotas de forma rápida. “Os que têm dinheiro começaram a pagar as cotas das associações para regularizar e para ganhar essa carta. Significa que, por si só, já é um voto antecipado”, esclareceu.

Face aos factos apresentados, os empresários de Sofala deliberaram o seguinte: que “a ACB não vai participar nessas eleições, nem como candidato, nem apoiar algum candidato que apareça aí e nem votar. Vai-se distanciar totalmente deste processo eleitoral, porque não é justo, não é correcto e é vergonhoso”, disse Machado, lamentando ainda a existência de empresários que apoiam o processo.

Na sessão extraordinária da ACB, esta agremiação deliberou a criação da Federação provincial de Sofala do sector privado, como forma de “trazer um organismo forte na província”, mas também, de acordo com Félix Machado, “iremos também conversar com os nossos colegas empresários de Manica, Tete e Zambézia, para que façam o mesmo, criem as Federações Provinciais e que num futuro breve possamos criar uma Confederação Regional Centro”, como base da actual CTA.

Félix Machado disse que ainda há tempo para a CTA sair da vergonha onde está mergulhada e que não há mais ninguém que possa corrigir a CTA se não forem os associados.

Na mesma conferência de imprensa, o presidente da Associação Comercial da Beira falou dos problemas da falta de divisas no país. Machado disse que não sabe se as medidas tomadas pelo banco central são efectivamente macroeconómicas que ajudam a desenvolver o país.

“Eu nunca acreditei nas medidas do banco central. Já falei isso várias vezes. Eram medidas mais populistas, que não têm um impacto real na economia. Falou-se tantas vezes, e o banco central disse que tinha divisa. E pode ter. De que adianta a divisa estar no banco se não podemos pagar o combustível a tempo?”, questionou.

O presidente da Associação Comercial da Beira falava nesta segunda-feira, numa conferência de imprensa que tinha como principal objectivo partilhar o posicionamento da agremiação em relação à polémica na CTA.

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