Um automobilista morreu carbonizado na madrugada deste sábado, na sequência de uma colisão entre uma viatura ligeira e um camião, na Estrada Nacional Número Um (EN1), no Distrito Municipal da Katembe, Cidade de Maputo. O acidente provocou ainda dois feridos.
O sinistro ocorreu nas primeiras horas da manhã e destruiu completamente a viatura ligeira, que se incendiou após o embate, impossibilitando o condutor de escapar às chamas.
No camião seguiam duas pessoas. Uma sofreu ferimentos graves e a outra contraiu ferimentos ligeiros. Ambas foram socorridas e transportadas para uma unidade hospitalar, onde recebem assistência médica.
O proprietário do camião afirmou que, de acordo com as informações que lhe foram transmitidas, o veículo seguia normalmente no seu percurso quando ocorreu a colisão.
As circunstâncias em que o acidente se deu continuam por esclarecer. Contudo, a Polícia de Trânsito admite, como hipótese preliminar, que o sinistro tenha resultado de uma alegada circulação em contramão por parte do condutor da viatura ligeira. As investigações prosseguem para o apuramento das causas do acidente.
Até ao fecho desta edição, as viaturas sinistradas permaneciam no local do embate, enquanto decorriam os trabalhos das autoridades competentes.
A fase piloto da quimioprofilaxia da malária em Inhambane está a mostrar resultados animadores, com uma redução significativa dos casos da doença na província, em cerca de 37%, segundo apresentados pelo Director Provincial de Saúde
A província de Inhambane, localizada no sul de Moçambique, tem sido historicamente uma das regiões mais impactadas pela malária, uma doença endêmica que afeta milhões de moçambicanos anualmente. Caracterizada por condições climáticas favoráveis à proliferação do mosquito vetor *Anopheles* Inhambane enfrentava, até recentemente, desafios significativos no controlo da doença. No entanto, os esforços concentrados nos últimos anos estão a trazer resultados positivos.
De acordo com a Director Provincial de Saúde, Carlos Estêvão, em 2023 foram registados cerca de 925 mil casos de malária na província, o que representava uma alta taxa de incidência em relação à população. Nesse mesmo ano, 15 pessoas perderam a vida devido à doença. Já em 2024, o cenário apresentou uma melhoria considerável: os casos caíram para 613 mil, com apenas 6 óbitos reportados. Este avanço, que representa uma redução de quase 37% no número de diagnósticos e uma diminuição acentuada na mortalidade, é fruto de um conjunto de estratégias integradas de prevenção, diagnóstico e tratamento, além da cooperação ativa das comunidades locais.
Apesar dos progressos, as autoridades sublinham que a malária continua a ser uma ameaça e que o objetivo final permanece ambicioso: a eliminação total da doença. “Ainda não podemos descansar. Nosso objetivo é atingir o marco de ‘malária zero’, e isso exige um esforço contínuo e integrado”, afirmou Carlos Estêvão, Diretor Provincial de Saúde de Inhambane.
Entre as estratégias mais eficazes no combate à malária, destaca-se o uso de redes mosquiteiras impregnadas com inseticida. Desde 2022, o governo, em parceria com organizações internacionais, distribuiu milhares de redes para famílias em comunidades urbanas e rurais.
As redes, impregnadas com inseticidas de longa duração, funcionam como uma barreira física e química contra os mosquitos transmissores da doença, especialmente durante a noite, quando o risco de picadas é maior. Estudos realizados nas comunidades beneficiadas indicam que o uso regular das redes reduz a exposição ao mosquito vetor em até 70%. Contudo, para alcançar esses resultados, é fundamental que as famílias sejam sensibilizadas sobre o uso adequado. “Houve um esforço significativo de comunicação social para educar as famílias sobre como e por que usar as redes”, explicou Estêvão.
Além das redes, a pulverização intradomiciliar é uma medida complementar que tem mostrado resultados consistentes. Esta técnica, que consiste na aplicação de inseticidas nas paredes internas das habitações, interrompe o ciclo de vida do mosquito, reduzindo sua população dentro e ao redor das casas. Iniciada em 2021 como parte de uma estratégia de longo prazo, a campanha de pulverização tem metas ambiciosas: cobrir pelo menos 90% das habitações até 2030.
Um dos desafios enfrentados é garantir que as comunidades permitam o acesso dos técnicos às suas casas. Para isso, foram implementados programas de sensibilização liderados por ativistas de saúde, que explicam os benefícios da pulverização e desfazem mitos sobre os possíveis riscos dos inseticidas. “A aceitação da pulverização melhorou muito nos últimos dois anos, e isso foi crucial para a redução dos casos de malária que observamos agora”, destacou o diretor provincial.
Outro destaque nas estratégias de combate à malária em Inhambane é a quimioprofilaxia sazonal, uma intervenção inovadora que foi introduzida em 2023 no distrito de Massinga. Este programa piloto, realizado em colaboração com o Centro de Investigação de Saúde de Manhiça, visa proteger crianças, um dos grupos mais vulneráveis à malária.
A quimioprofilaxia consiste na administração de medicamentos antimaláricos de forma preventiva, geralmente durante os meses de maior transmissão da doença. Em Massinga, foram selecionadas crianças com idades entre 6 meses e 5 anos para participar da iniciativa. Os resultados preliminares são promissores: as comunidades envolvidas registaram uma redução de até 70% nos casos de malária entre as crianças.
Devido ao impacto positivo da intervenção, uma proposta foi submetida ao Ministério da Saúde para incluir a quimioprofilaxia no Calendário Nacional de Vacinação. A expectativa é de que, se aprovada, a medida seja ampliada para outras regiões do país. “Estamos confiantes de que esta abordagem terá um impacto profundo na saúde infantil, especialmente em áreas endémicas como Inhambane”, afirmou Estêvão.
Os medicamentos utilizados no programa são altamente eficazes e têm sido aprovados pela OMS para uso em programas de prevenção da malária. Contudo, a logística para a implementação em larga escala envolve desafios, como garantir o abastecimento contínuo de medicamentos, treinar profissionais de saúde e monitorar possíveis efeitos adversos.
Além disso, a colaboração das famílias é essencial para o sucesso da quimioprofilaxia. “É importante que os cuidadores levem as crianças para as unidades de saúde nos momentos indicados e sigam as orientações dos profissionais”, explicou o diretor.
Os impactos das estratégias implementadas em Inhambane são amplamente visíveis e trazem novas esperanças na luta contra a malária. A redução de quase 37% nos casos da doença e de mais de 60% nas mortes em apenas um ano é um indicador claro de que as medidas preventivas, quando bem executadas e combinadas, podem transformar significativamente a realidade de uma população afetada por doenças endémicas.
Além dos números, os avanços refletem uma melhoria na qualidade de vida das comunidades. A malária, sendo uma das principais causas de absentismo escolar e laboral, prejudica diretamente o desenvolvimento socioeconómico das famílias e da província como um todo. A redução dos casos permite que mais crianças frequentem a escola regularmente e que os adultos mantenham suas atividades produtivas, criando um ciclo positivo para o crescimento económico e social da região.
Contudo, os desafios persistem. Inhambane ainda ocupa uma posição preocupante. É a que regista o maior número de casos na região Sul de Moçambique e está também entre as províncias mais afetadas pela malária no país, ficando atrás de Nampula, Zambézia e Sofala, províncias que enfrentam contextos semelhantes devido à elevada densidade populacional e às condições climáticas favoráveis à proliferação do mosquito *Anopheles*. Para alcançar o objetivo de “malária zero”, será necessário intensificar e diversificar as ações existentes, ao mesmo tempo que se enfrentam barreiras logísticas e culturais.
Entre as prioridades estabelecidas pelas autoridades de saúde está a expansão das campanhas de pulverização intradomiciliar para áreas que ainda não foram abrangidas. Para isso, serão necessários investimentos adicionais em recursos humanos, materiais e logística. Além disso, pretende-se reforçar as ações de monitorização e avaliação para garantir que os inseticidas utilizados mantenham sua eficácia ao longo do tempo.
Mais de 100 criadores amotinaram-se, esta quinta-feira, defronte ao comando distrital da Polícia, para exigir da detenção dos autores dos roubos de gado e assassinatos, em Chongoene. Além de mais 2000 mil cabeças gados saqueadas, o suposto líder do grupo tem feito ameaças recorrentes às vítimas em Nhacutse.
O grupo especializado no roubo de gado semeia terror em oito comunidades da localidade de Nhacutse, distrito de Chongoene, em Gaza. Supostamente armados, actuam no silêncio da noite, arrastando o gado da zona residencial para as machambas.
Mas vamos por partes. Comecemos pela última operação dos malfeitores. Há quatro semanas, o grupo entrou em cena e deixou de rasto, pelo menos, sete criadores, dos bairros 4 e 5. Entretanto, o prejuízo maior recaiu sobre Marcos Paulo, criador de 47 anos de idade, que, numa só noite, perdeu o esforço de toda vida.
“Afinal o que está a acontecer, estamos a ser mortos um por um. Mas o ladrão continua livre e bem. Contabilizando, chegam a sete residências. Roubaram-me cerca de 50 cabeças, sucede que atualmente está pior, já não roubam quatro cabeças, mas, de uma só vez, levam 10”, disse.
Na lista das vítimas segue Constantino Simbine, de 56 anos de idade, que, de uma só vez, perdeu mais de 20 cabeças de gado.
“Neutralizamos os malfeitores e os entregamos à Polícia. O trabalho da polícia em Nhancutse não se faz sentir. Continuam os roubos. Recentemente, roubaram 23 cabeças de gado, mas a Polícia ainda não deteve os ladrões, o que revela que em Nhacutse não temos autoridades”, reclamou.
Contas feitas, em menos de cinco meses, o grupo já roubou quase duas mil cabeças, mas a cada dia somam-se mais casos e vítimas, refere a população, questionando o posicionamento das autoridades distritais.
Em conexão com os crimes, a população deteve um indivíduo de 52 anos de idade, a quem acusam de ser o líder do grupo que ali actua. Sucede que tal indivíduo foi restituído à liberdade, causando, desta forma, agitação e revolta no seio da comunidade.
“Neutralizamos um ladrão e o entregamos à polícia, mas para a nossa surpresa, ele está de regresso a comunidade de Nhacutse. O gado é morto, por exemplo, na zona de Mahiganheta e só apanhamos os restos”, conclui um morador de Nhacutse.
A população dirigiu-se esta quinta-feira ao comando distrital da PRM em Chongoene para exigir esclarecimentos em torno do assunto. Os criadores exigem que os autores dos crimes sejam detidos com urgência, para desencorajar o crime frequente naquelas comunidades.
“Eles roubam em todos currais, mais de 26 habitantes aterrorizados por uma só pessoa. Queremos activar a vigilância comunitária em todos os sete bairros”.
O governo do distrito diz ter conhecimento do assunto, mas remete esclarecimentos às autoridades da Polícia, que também promete reação em momento oportuno.
A Organização dos Trabalhadores de Mocambique, Central Sindical delegação de Cabo Delgado, denunciou suposto impedimento de criação de sindicatos nas empresas de capital estrangeiro, que operam na província.
“Condenamos atitudes antissindicais de algumas entidades empregadores, que impedem o livre exercício da actividade do diálogo social. Algumas empresas, especialmente as de capitais estrangeiro, continuam a impedir a criação de estruturas sindicais de base e ignoram o diálogo social”, denunciou André Zacarias, Delegado da OTM-CS em Cabo Delgado.
Outra preocupação da organização está relacionada com o despedimento massivo de trabalhadores supostamente sem justa causa. “No período de Maio de 2024 até este ano 2025, dois mil duzentos e trinta e oito trabalhadores viram seus contratos rescindidos, sem justa causa, e sem indemnizações devidas, com argumento de estarem a fazer reestruturação das empresas, para se adequar aos actuais desafios económicos que o país enfrenta”, revelou André Zacarias.
As denúncias da OTM-CS em Cabo Delgado foram feitas durante as comemorações de 1 de Maio, Dia internacional dos Trabalhadores, que foram marcadas por uma deposição de coroa de flores, marcha pelas ruas da cidade e terminaram com um comício.
O executivo provincial de Inhambane e a Câmara do Comércio Moçambique-Grécia assinaram um Memorando de Entendimento, nesta quarta-feira, em Maputo, que marca o início de um esforço conjunto para transformar a província num destino turístico de excelência.
Participaram da cerimónia figuras como Francisco Pagula, governador de Inhambane e Gerry Marketos, Cônsul Geral Honorário da Grécia em Moçambique. Na ocasião, Pagula destacou a importância da parceria para atrair investimentos, capacitar recursos humanos e criar empregos.
Segundo o governador, a província de Inhambane apresenta condições favoráveis ao desenvolvimento do turismo, com potencial para gerar benefícios económicos e sociais significativos.
“Acreditamos que esta parceria pode transformar a realidade de Inhambane, tornando-a num exemplo de sucesso no setor turístico”, afirmou Pagula, para depois sublinhar que o memorando prevê investimento estrangeiro e também o fortalecimento da infra-estrutura e a valorização dos recursos humanos locais.
Gerry Marketos, representante da Câmara do Comércio Moçambique-Grécia, reforçou o compromisso dos investidores gregos com o desenvolvimento sustentável da província.
“Inhambane tem um potencial turístico único, que pode atrair investimentos de grande escala. A nossa experiência no setor do turismo será utilizada para criar um modelo adaptado às necessidades locais”, explicou. Para si, a iniciativa inclui acções voltadas para a promoção de intercâmbios culturais e económicos.
Uma das prioridades do Memorando é a formação profissional, especialmente para jovens, preparando-os para integrar o mercado de trabalho no setor do turismo. O governador provincial detalhou que estão previstos programas de capacitação para guias turísticos, gestores e pequenos empreendedores.
“A formação é o alicerce para garantir que os benefícios do turismo sejam duradouros e inclusivos”, acrescentou Pagula.
Por outro lado, Marketos salientou que a inclusão das comunidades locais é um dos pilares do projecto. “Queremos garantir que todos, desde os artesãos locais até os grandes operadores turísticos, possam tirar proveito deste desenvolvimento”, afirmou. A ideia é criar um ecossistema turístico que envolve diferentes actores sócio-económicos, promovendo a sustentabilidade.
Apesar do optimismo, o governador reconheceu que ainda existem desafios significativos a serem enfrentados, como a melhoria das infra-estruturas e o aumento da acessibilidade às principais áreas turísticas. Apontou ainda que a construção e reabilitação de estradas, a expansão da rede eléctrica e a melhoria dos serviços de saúde e segurança serão cruciais para atrair investidores.
Para Marketos, a experiência da Grécia em superar desafios semelhantes poderá contribuir significativamente. Diz que os investidores gregos já estão preparados para trabalhar em projectos que combinam inovação e responsabilidade social, garantindo que as soluções propostas tenham um impacto positivo e duradouro.
Inhambane é amplamente conhecida pelas suas praias como Tofo, Barra e Vilankulo, que atraem turistas de várias partes do mundo. Além disso, a província possui património histórico e cultural rico, com forte influência árabe e portuguesa, que pode ser explorado para diversificar a oferta turística. A iniciativa visa posicionar a província como um destino de referência não apenas para turismo de lazer, mas também para ecoturismo e turismo cultural.
Segundo Pagula, “o objetivo é transformar Inhambane numa referência no mercado internacional, destacando não apenas as suas belezas naturais, mas também a hospitalidade e a cultura das suas comunidades”. Para isso, estão previstas campanhas de promoção em mercados internacionais e a criação de parcerias com operadores turísticos globais.
O Memorando de Entendimento pretende também gerar impactos significativos na economia local, com a criação de centenas de empregos directos e indiretos. Estima-se que, com a implementação dos projectos previstos, o setor do turismo em Inhambane poderá dobrar a sua contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB) da província nos próximos cinco anos.
Além disso, a parceria busca aumentar o número de visitantes estrangeiros, diversificar a oferta de serviços turísticos e promover práticas sustentáveis que respeitem o meio ambiente e as comunidades locais. A expectativa é que, com a consolidação das acções previstas, Inhambane se torne um exemplo de desenvolvimento integrado, capaz de inspirar outras regiões de Moçambique.
O referido Memorando é tido como um compromisso conjunto para transformar o sector do turismo em Inhambane, como forma de melhorar a qualidade de vida das comunidades locais e fortalecer a economia regional.
O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, está a criar uma comissão judicial de inquérito, para determinar se houve tentativas de impedir a investigação ou o julgamento de crimes, que ocorreram durante o apartheid.
A informação é avançada pela revista Reuters. A medida é resultado de discussões sobre um acordo em um processo judicial movido por famílias de vítimas de assassinatos e desaparecimentos político,s ocorridos há décadas, que dizem que os governos pós-apartheid nunca investigaram adequadamente esses crimes.
“Alegações de influência indevida no atraso ou na obstrução da investigação e do processo de crimes da era do apartheid persistem em governos anteriores”, disse a presidência em um comunicado, citado por Reuters.
“Por meio desta comissão, o Presidente Ramaphosa está determinado a que os fatos verdadeiros sejam apurados e o assunto levado a uma conclusão”, lê-se.
Após o fim do apartheid em 1994, a África do Sul criou uma Comissão da Verdade e Reconciliação (TRC), para ajudar a descobrir violações de direitos humanos perpetradas pelo governo da minoria branca. No entanto, segundo a Reuters muitos dos casos não foram resolvidos.
Os 25 familiares e sobreviventes que entraram com o caso em um tribunal de Pretória em Janeiro buscam também por cerca de 167 milhões de rands do Estado, devido a todos os danos.
O Governo vai solicitar a suspensão do pedido até as conclusões da comissão, informou a presidência. Não foi definido um prazo.
A Fundação para os Direitos Humanos, uma ONG que apoia as famílias, disse que recebeu com satisfação a criação de uma comissão de inquérito, mas se opôs à decisão do presidente de adiar a decisão sobre o pedido de indenização.
O Gabão está de volta à comunidade de estados africanos depois de quase dois anos afastado. A União Africana (UA) disse, na quarta-feira, que as sanções contra Libreville foram suspensas, reintegrando o país da África Central ao bloco.
O conselho de paz e segurança da UA disse em uma declaração no X que estava convencido da transição política do Gabão.
O Gabão foi suspenso quando o general Brice Oligui Nguema assumiu o poder, após derrubar o presidente Ali Bongo em Agosto de 2023.
Em Abril, Oligui venceu com ampla maioria uma eleição presidencial na qual praticamente não teve concorrentes.
O levantamento das sanções ocorre poucos dias antes da posse de Oligui como presidente. O Ministério das Relações Exteriores do Gabão comemorou o fim das sanções.
Guiné, Mali, Burkina Faso e Níger permanecem suspensos pela União Africana por não terem revertido o regime civil. Os países ainda são governados por juntas militares.
O crescimento urbano, na cidade de Inhambane, está a trazer à tona um problema antigo, mas que ganha contornos alarmantes: o aumento do transporte de passageiros ilegal. Viaturas não licenciadas, algumas com condições precárias, circulam pelas ruas, colocando em risco a segurança dos passageiros e desafiando a autoridade.
As autoridades locais estão cientes do problema e prometem endurecer as medidas contra os infractores. O vereador dos Transportes no Município de Inhambane, Novais Abubacar, reconhece o desafio que este fenómeno representa, mas sublinha que não haverá espaço para tolerância. “Vamos continuar com mão dura. Em alguns casos, teremos de apreender viaturas até que estejam em condições de operar de forma legal”, afirmou, numa entrevista marcada pelo tom directo e pela preocupação com o bem-estar da população.
Segundo Abubacar, a suspensão temporária das fiscalizações no contexto de manifestações recentes foi suficiente para revelar a dimensão do problema. “Durante esse período, verificámos um aumento drástico no número de operadores ilegais. Num espaço de apenas três horas de fiscalização, inspeccionámos 57 viaturas, das quais 9 estavam ilegais e 6 tinham licenças caducadas”, revelou o vereador.
Essa pausa nas fiscalizações também levou à paralisação dos transportadores ilegais assim que perceberam a presença das autoridades. “Constatámos que muitos operadores ilegais simplesmente pararam de transportar passageiros ao notar a nossa presença. Isso mostra o quanto o problema está enraizado. Há muitas viaturas a operar fora da lei, incluindo carrinhas fechadas e caixas abertas, conhecidas como Mupapas, que aproveitam as horas de ponta para recolher passageiros. Esses operadores acabam por roubar clientes aos transportadores licenciados”, explicou.
Abubacar reconheceu que o uso de viaturas de carga para transporte de passageiros não é novo, mas atribui a sua recente proliferação às dificuldades enfrentadas nas zonas de expansão da cidade. “Temos áreas de habitação que chamamos zonas de expansão, onde as condições das estradas ainda não permitem a circulação de viaturas convencionais. Nessas zonas, o transporte por “My Loves” acaba por ser a única solução para ajudar a população a deslocar-se. No entanto, isto não pode justificar o transporte ilegal em outras rotas”, frisou.
Para o vereador, embora estas práticas sejam um “mal necessário” em algumas áreas, a prioridade é garantir que todas as operações sejam realizadas dentro da lei. “Primeiro, os operadores devem legalizar-se. Em segundo lugar, precisamos de criar condições para melhorar o conforto e a segurança dos passageiros. Não podemos comprometer a dignidade e a segurança das pessoas que dependem deste serviço”, declarou.
As autoridades municipais de Inhambane asseguram que a fiscalização será intensificada, com penalizações severas para os infractores. “Vamos continuar a actuar de forma incisiva. Os operadores ilegais serão penalizados, e as viaturas que não cumprirem as normas poderão ser apreendidas até que se regularizem. Não estamos apenas a falar de legalidade, mas também de condições. Não podemos permitir que as pessoas sejam transportadas em viaturas que não oferecem o mínimo de segurança e conforto”, garantiu Abubacar.
A resposta das autoridades vem num momento em que a população exige soluções mais eficazes para o transporte urbano. Apesar do crescimento da cidade, as infra-estruturas ainda não acompanham o ritmo da expansão, criando lacunas que os operadores ilegais têm aproveitado.
A aposta no reforço da fiscalização é apenas parte da solução. Abubacar salientou a necessidade de investir em infra-estruturas de transporte para acompanhar o crescimento urbano. “Precisamos de melhorar as condições das estradas nas zonas de expansão e criar rotas que permitam a circulação de viaturas licenciadas. Além disso, é essencial que os transportadores sigam as regras e garantam condições dignas para os passageiros”, disse.
Por outro lado, o vereador sublinhou a importância de sensibilizar a população sobre os riscos de utilizar transportes ilegais. “O cidadão também precisa de entender que, ao optar por um transporte não licenciado, está a colocar a sua segurança em risco e a contribuir para o desrespeito à lei. É um esforço colectivo que precisa de ser feito”, apelou.
O transporte ilegal é um fenómeno que reflecte tanto as lacunas estruturais como a necessidade de soluções imediatas para as populações em expansão. Contudo, as autoridades de Inhambane parecem decididas a enfrentar o problema de frente.
“Este é um desafio que não pode ser ignorado. Vamos continuar a trabalhar para garantir que o transporte na nossa cidade seja seguro, legal e digno para todos”, concluiu Novais Abubacar.
Com as fiscalizações em curso e o compromisso de endurecer as medidas contra os operadores ilegais, a cidade de Inhambane pode estar a dar os primeiros passos para restaurar a ordem no transporte público e assegurar o bem-estar dos seus cidadãos.
O Presidente da República, Daniel Chapo, reafirmou, nesta quarta-feira, em Maputo, o compromisso de Moçambique com a consolidação das relações com os Estados Unidos da América, durante a audiência concedida ao embaixador Peter Hendrick Vrooman, que se despede do país após cumprir o seu mandato diplomático. Também nesta quarta-feira, Chapo recebeu cumprimentos de despedida do embaixador da China em Moçambique.
Em dois momentos distintos, o Presidente da República, Daniel Chapo, recebeu em audiência dois embaixadores que foram despedir-se, depois de terminados os seus mandatos em Moçambique.
Trata-se dos embaixadores dos Estados Unidos da América, Peter Hendrick Vrooman, e da República Popular da China, Wang Hejun, que regressam aos seus países.
Em declarações à imprensa, Peter Hendrick Vrooman destacou a solidez da parceria entre os dois países, as novas oportunidades no sector privado e os investimentos norte-americanos em áreas estratégicas como o gás, a saúde e as infra-estruturas.
Segundo Vrooman, a audiência com o Chefe do Estado foi uma oportunidade, não só para revisitar o passado da relação bilateral, mas também para olhar com entusiasmo para o futuro.
Durante o encontro, o diplomata norte-americano destacou “a importância do investimento de quase cinco mil milhões de dólares norte-americanos na área de gás”, sublinhando o papel crescente do sector energético na dinamização da economia moçambicana.
Entretanto, segundo disse Vrooman, a cooperação entre os dois países vai além do sector energético, abrangendo igualmente áreas sociais e humanitárias.
Vrooman deu especial ênfase ao Programa de Emergência do Presidente dos EUA para o Alívio do Sida (PEPFAR), classificando-o como “um programa que salva vidas de muitas pessoas no país”. A continuidade desta iniciativa foi assegurada como parte do compromisso dos EUA com o bem-estar dos moçambicanos.
O embaixador manifestou apreço pelo espírito de resiliência e esperança que encontrou em Moçambique, elogiando a visão optimista do Presidente Chapo. “Eu penso que o seu optimismo é muito importante. É como menciona o Hino Nacional, ‘pedra a pedra construindo o novo dia’. E esta ideia, eu penso que vamos trabalhar neste sentido, e estamos juntos”, disse.
Questionado sobre o futuro das relações bilaterais, Vrooman foi claro: “Eu penso que sim. E, mesmo quando eu termino a minha missão, nós vamos continuar”.
Por fim, Vrooman sublinhou a importância de investimentos em infra-estrutura como base para o crescimento económico sustentável.
A Residência Oficial da Noruega, na Cidade de Maputo, acolheu, esta terça-feira, a cerimónia de assinatura de um novo acordo de cooperação entre a Embaixada do Reino da Noruega e a Associação Kulungwana, reforçando uma parceria de longa data, iniciada em 2008, e que se tem revelado fundamental para o fortalecimento do sector artístico e cultural no país.
O novo acordo, no valor de cerca de 15 milhões de meticais, para uma duração de um ano e meio, adianta um comunicado de imprensa, consolida os avanços alcançados ao longo dos últimos anos e reforça o compromisso conjunto com o desenvolvimento das artes e da cultura em Moçambique, com particular enfoque na juventude e na inclusão social.
Na cerimónia, a Directora-Executiva da Kulungwana, Henny Matos, expressou a sua satisfação e sentido de responsabilidade por mais esta etapa na colaboração institucional, sublinhando o impacto do apoio da Noruega na valorização do talento artístico nacional, na promoção da inclusão e na criação de oportunidades para jovens artistas, especialmente nas áreas da música e das artes visuais.
“Acreditamos que a cultura é um elo poderoso entre os povos, um motor de criatividade, identidade e transformação social”, afirmou, segundo a nota de imprensa da Kulungwana.
Ainda de acordo com a nota de imprensa, o novo apoio permitirá que cerca de duas mil crianças e jovens, dos 6 aos 35 anos, em Maputo, Nampula, Cabo Delgado e Niassa, receberão ao longo dos anos formação em música e artes visuais, com impacto comprovado na inclusão social e acesso ao mercado cultural.
O Embaixador da Noruega destacou que o apoio à Kulungwana se insere numa visão mais ampla da cooperação bilateral, especialmente no ano em que se assinalam 50 anos de relações entre Moçambique e a Noruega.
O diplomata realçou o orgulho da Noruega em ser o principal patrocinador da Kulungwana, sublinhando que, com um apoio básico previsível e não condicionado, o chamado core support, foi possível contribuir para o fortalecimento institucional da organização, oferecendo-lhe a flexibilidade necessária para inovar e crescer de forma sustentável.
“Testemunhar como a Kulungwana se tornou numa marca querida no panorama cultural moçambicano é motivo de grande orgulho para a nossa embaixada”, disse.
A cerimónia foi ainda marcada por um momento cultural, intitulado “Entre Notas e Laços”, apresentado pela Orquestra e Coro Xiquitsi, simbolizando a ligação profunda entre arte, cooperação e transformação social.
Este novo acordo reafirma o compromisso mútuo de continuar a trabalhar lado a lado na promoção das artes, na capacitação da juventude e no fortalecimento da sociedade civil moçambicana, através da cultura.

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