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Um automobilista morreu carbonizado na madrugada deste sábado, na sequência de uma colisão entre uma viatura ligeira e um camião, na Estrada Nacional Número Um (EN1), no Distrito Municipal da Katembe, Cidade de Maputo. O acidente provocou ainda dois feridos.

O sinistro ocorreu nas primeiras horas da manhã e destruiu completamente a viatura ligeira, que se incendiou após o embate, impossibilitando o condutor de escapar às chamas.

No camião seguiam duas pessoas. Uma sofreu ferimentos graves e a outra contraiu ferimentos ligeiros. Ambas foram socorridas e transportadas para uma unidade hospitalar, onde recebem assistência médica.

O proprietário do camião afirmou que, de acordo com as informações que lhe foram transmitidas, o veículo seguia normalmente no seu percurso quando ocorreu a colisão.

As circunstâncias em que o acidente se deu continuam por esclarecer. Contudo, a Polícia de Trânsito admite, como hipótese preliminar, que o sinistro tenha resultado de uma alegada circulação em contramão por parte do condutor da viatura ligeira. As investigações prosseguem para o apuramento das causas do acidente.

Até ao fecho desta edição, as viaturas sinistradas permaneciam no local do embate, enquanto decorriam os trabalhos das autoridades competentes.

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Nesta quarta-feira, Albino Mahumana e Renaldo Siquisse vão inaugurar a exposição de pintura “Fora da Caixa”, às 18 horas, na Fundação Fernando Leite Couto. 

Para a organização da mostra, as obras de Albino Mahumana retratam o quotidiano e as vivências dos moçambicanos, essencialmente através de imagens de mulher e de crianças.

“Mulheres com fardos na cabeça, nos mercados locais, a regressarem das suas quintas ou da busca de água, a prepararem comida, a cuidarem dos filhos, etc., bem como crianças a brincar. A partir do trabalho de Mahumana pode se enxergar os laços e afectos, a luta e a resiliência das pessoas de vida simples e comum, dando-lhes, o artista, a visibilidade e a humanidade que por vezes as notícias do dia-a-dia não lhes atribuem”, avança o comunicado da Fundação Fernando Leite Couto.

Quanto à obra de Renaldo Siquisse, o poeta Álvaro Fausto Taruma, citado na nota de imprensa da Fundação Fernando Leite Couto, escreve: “A linguagem plástica de Siquisse é profundamente táctil: a matéria da tela é ferida, arranhada, quase arqueológica, como se revelasse um tempo subterrâneo, anterior à imagem. A paleta densa e terrosa contrasta com explosões de cor simbólica, o vermelho dos lábios ou da flor, o branco que cega ou ilumina. Nessa tensão entre contenção e excesso, o artista nos propõe uma travessia: olhar de dentro para fora, ou vice-versa”.

Para a Fundação Fernando Leite Couto, o encontro entre os dois artistas poderá conferir ao espectador uma experiência de vislumbre do belo, do imersivo, do grito e da ternura, para além de toda a diversidade humana e de sentimentos que tanto Mahumana como Siquisse, transformam em obras de arte.

Yolanda Couto é a curadoria da exposição colectiva. 

 

O candidato presidencial à Confederação das Associações Económicas de Moçambique Álvaro Massingue promete apoiar o sector público na aceleração de investimentos em infra-estruturas críticas. O presidente da Câmara de Comércio de Moçambique falava nesta segunda-feira, durante o lançamento da sua campanha e apresentação do manifesto eleitoral.

Álvaro Massingue manteve, nesta segunda-feira, um encontro com empresários e algumas associações-membros da Confederação das Associações Económicas de Moçambique, às quais apresentou o seu manifesto eleitoral composto por cinco principais pilares.

“O primeiro pilar lida com uma CTA forte, uma CTA representativa e descentralizada. Propomos, neste pilar, uma CTA com presença efectiva em todas as províncias, com impacto real nas províncias e nos distritos. Uma confederação que escute, que represente e defenda os interesses dos seus membros de forma eficaz, inclusiva e equitativa, assegurando que nenhuma voz empresarial seja ignorada nas suas acções”, prometeu.

Massingue promete uma CTA mais eficiente caso vença as eleições. “Promover uma revisão profunda dos estatutos e regulamentos da CTA, com ampla consulta e envolvimento de todos os membros, uma vez que o actual quadro estatutário já não responde adequadamente às suas necessidades”, disse Massingue.

Além de prometer a instalação de escritórios nos conselhos províncias, Álvaro Massingue diz que vai continuar a lutar incansavelmente contra as barreiras que minam o investimento em Moçambique.

“É a promoção de um ambiente de negócios competitivo e de um clima de investimento justo. Defendemos a simplificação dos processos administrativos, a previsibilidade e estabilidade fiscal, bem como a justiça regulatória. Trabalharemos em parceria com o Governo e demais stakeholders para eliminar barreiras ao investimento, suprir práticas que elevem os custos e prazos para iniciar, operar e expandir negócios”, garantiu o candidato.

Álvaro Massingue promete ainda colaborar com o Governo com vista ao melhoramento de infra-estruturas públicas, por isso diz que “propomos uma abordagem colaborativa com o sector público para acelerar investimentos em infra-estruturas críticas, colocando-as no centro das nossas estratégias de desenvolvimento. Será criado um pelouro dedicado a infra-estruturas e serviços para que, em directa coordenação com o Governo, seja possível engajar o Governo na planificação integrada de infra-estruturas e serviços essenciais”, frisou.

Álvaro Massingue promete ainda impulsionar o desenvolvimento das micro, pequenas e médias empresas através  do acesso ao financiamento e apoio técnico.

O UNOCHA alertou para a necessidade de fornecer ajuda alimentar imediata e cuidados de saúde essenciais a dois milhões de pessoas, incluindo 600 mil crianças, nos estados de Borno, Adamawa e Yobe.

A Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou, nesta segunda-feira, que precisa de cerca de 140 milhões de euros para fornecer ajuda a milhões de pessoas no nordeste da Nigéria, onde existe uma dupla crise, alimentar e de segurança.

“Não consigo descrever o quão desesperada é a situação. É a pior que vi nos últimos cinco anos”, declarou Trond Jensen, que dirige o Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários das Nações Unidas (UNOCHA) na Nigéria, numa conferência de imprensa, em Abuja, capital do país, afirmando que se trata de uma emergência.

O nordeste da Nigéria é assolado há 16 anos por uma insurreição jihadista que já causou mais de 40 mil mortos e mais de dois milhões de deslocados, sendo que os combates destruíram explorações agrícolas e dificultaram o acesso aos terrenos e aos mercados, provocando uma grave crise alimentar.

“Precisamos de ajuda agora, não na próxima semana, não no próximo mês”, insistiu, juntamente com os responsáveis de outras agências da ONU, nomeadamente do Programa Alimentar Mundial (PAM), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF, na sigla em inglês) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês).

O UNOCHA alertou ainda para a necessidade de fornecer ajuda alimentar imediata e cuidados de saúde essenciais a dois milhões de pessoas na Nigéria, incluindo 600 mil crianças, nos estados de Borno, Adamawa e Yobe.

A situação poderá agravar-se em caso de epidemia ou de catástrofe natural, como inundações, à medida que se aproxima a estação das chuvas.

Em Outubro de 2024, o Banco Mundial informou que mais de metade da população da Nigéria, o país mais populoso do continente africano, vivia abaixo do limiar de pobreza, ou seja, 129 milhões de pessoas.

Os cortes da ajuda proveniente dos Estados Unidos (EUA) tiveram um impacto considerável na capacidade de prestar serviços essenciais à população da região, sublinhou Jensen.

Em meados de Abril, o Fundo Monetário Internacional (FMI) declarou que os níveis de pobreza e de insegurança alimentar na Nigéria continuam elevados, dois anos após o lançamento das reformas pelo Governo do Presidente, Bola Ahmed Tinubu.

O Chefe de Estado da Nigéria, após ter tomado posse em Maio de 2023, iniciou reformas estruturais, como o fim dos subsídios à gasolina e a liberalização da moeda nacional para atrair investimento estrangeiro, sendo que os efeitos imediatos foram uma inflação superior a 30% em 2024 e o colapso da naira, moeda desta nação africana, mergulhando o país na sua pior crise económica das últimas três décadas.

A poucos dias das eleições na Confederação das Associações Económicas de Moçambique, CTA, o jovem empresário Lineu Candieiro, candidato à presidência desta agremiação, prometeu, através do seu representante, na cidade da Beira, melhorar as relações entre o sector privado e o governo. Segundo Candieiro, a desarticulação entre os “patrões” e o executivo minam o ambiente de negócios e, consequentemente, o desenvolvimento económico.

Lineu defendeu, na ocasião, não fazer sentido que, 50 anos depois do alcance da independência nacional, o nosso país dependa ainda de importação de produtos básicos para a sua subsistência.

O candidato à presidência da CTA assegurou que, caso seja eleito, irá mobilizar recursos para que desenvolva um pólo de desenvolvimento nos países do interland.

Por sua vez, Alcides Cintura, presidente do Conselho Empresarial de Manica, agremiação que suporta a candidatura de Lineu Candiero, disse que o Estado não pode ser maior empregador que o sector privado. Aliás, disse que esta candidatura pretende reverter o actual cenário, garantido um melhor ambiente de negócios no país.

Na o Presidente da Federação Moçambicana de Comércio e Serviços, Yassin Amugy, defendeu que a candidatura de Lineu Candiero salvaguarda, também, os interesses da juventude, camada social importante para o desenvolvimento do país. Lineu não se fez presente ao facto de apresentação da sua candidatura pelo facto do seu voo ter sido adiado. Uma situação que tem acontecido recorrentemente nos últimos dias com os voos da LAM.

Já se encontra detido, no Chimoio, o jovem indiciado de assassinar uma colega de trabalho, uma empregada doméstica de 18 anos, alegadamente por esta o ter acusado de roubo na residência onde ambos trabalhavam.

Na semana passada, uma jovem que trabalhava numa residência, como empregada doméstica, foi morta, supostamente pelo seu colega. Já a contas com as autoridades, o indiciado confessou que matou a jovem por ela o acusar, com frequência, de furtar caril na casa da patroa. Alegou ainda estar movido por “maus espíritos” no momento do acto.

Paulo Candeeiro, porta-voz do SERNIC em Manica, disse que o crime foi cometido com recurso a instrumentos contundentes, o que resultou na morte imediata da vítima.

Os restos mortais da jovem já foram a enterrar, enquanto o suspeito deverá ser apresentado ao juiz de instrução criminal ainda esta semana, para o primeiro interrogatório judicial.

 

Na sexta-feira passada, a cidade de Inhambane enfrentou um caos inesperado no transporte de passageiros. Uma paralisação promovida pelos transportadores levou centenas de pessoas a andarem a pé, gerando um dia de transtornos e debates acalorados. A situação expôs as tensões entre operadores de transporte e o Conselho Municipal, que exige o cumprimento rigoroso das normas legais. Em resposta à pressão exercida, o município decidiu dar uma trégua temporária na fiscalização, permitindo que os transportadores tenham uma semana para regularizar as viaturas.

Este cenário reflecte um problema mais profundo: a difícil convivência entre as autoridades e os transportadores, num contexto em que a precariedade dos serviços de transporte é evidente.

Novais Abubacar, vereador dos Transportes no município de Inhambane, falou em exclusivo ao jornal O País para esclarecer as decisões tomadas e os passos futuros. O vereador começou por enfatizar que a decisão de conceder mais uma semana para a regularização não deve ser interpretada como um recuo ou acordo formal. Segundo ele, trata-se de uma medida ponderada para permitir que os transportadores organizem a documentação necessária e adequem as condições das viaturas.

“Depois do que aconteceu na sexta-feira, ponderámos os pedidos apresentados pelos transportadores. Não se trata exatamente de um acordo, mas de uma trégua. Decidimos dar mais alguns dias para que eles possam organizar as questões documentais e proceder ao licenciamento das viaturas”, explicou Abubacar, sublinhando que o prazo concedido se estende até à próxima segunda-feira.

O vereador foi além e destacou que a questão não se resume à obtenção da licença de operação. As condições das viaturas serão, igualmente, avaliadas como critério indispensável para o licenciamento. “Não basta obter o documento. As viaturas precisam de estar em condições mínimas para operar. Estamos a falar de questões mecânicas, pneus em bom estado e bancos adequados para garantir o conforto e a segurança dos passageiros”, afirmou.

Embora a trégua tenha aliviado temporariamente a tensão, muitos transportadores manifestam preocupação com o cumprimento do prazo. Para alguns, a regularização dentro de uma semana é um desafio quase impossível, considerando os custos elevados e as dificuldades económicas enfrentadas pelo sector.

“Não estamos a dizer que não queremos cumprir, mas o tempo é curto. Regularizar documentos, inspeccionar as viaturas e fazer reparações mecânicas exige recursos que muitos de nós não temos”, lamentou um transportador, que preferiu não ser identificado.

Apesar dessas dificuldades, a decisão do Conselho Municipal tem sido amplamente apoiada pelos passageiros, que valorizam a ideia de maior segurança e conforto no transporte público. “É importante que as autoridades sejam rigorosas. Nós, passageiros, merecemos viajar com segurança, e os transportadores devem cumprir as normas”, comentou Maria Francisco, usuária habitual dos transportes públicos.

Abubacar deixou claro que o fim do prazo marcará o retorno das fiscalizações intensivas. “Findo este período, as nossas campanhas de fiscalização serão retomadas. Quem for encontrado a operar de forma ilegal será sancionado e penalizado de acordo com a lei”, garantiu o vereador.

A fiscalização, segundo ele, não se limitará à documentação. “Estamos atentos às condições gerais das viaturas. É inadmissível que veículos em estado deplorável continuem a circular, colocando vidas em risco. A prioridade é a segurança dos passageiros”, reiterou.

O vereador também destacou que as autoridades têm intensificado os esforços para dialogar com os transportadores e garantir que todos estejam cientes das exigências legais. “Queremos que todos os operadores estejam devidamente regularizados, mas isso não pode ser feito de forma improvisada. Estamos a fiscalizar não apenas para punir, mas para criar um sistema de transporte mais seguro e eficiente”, acrescentou.

A cidade de Inhambane, que conta com cerca de 60 transportadores rodoviários a operar diariamente, depende fortemente deste serviço para a mobilidade dos seus habitantes. Durante a paralisação, trabalhadores, estudantes e comerciantes enfrentaram dificuldades significativas para se deslocar.

A retomada temporária dos serviços trouxe alívio, mas a incerteza permanece. “Estamos a viver um momento complicado. Por um lado, queremos que os transportadores cumpram as regras. Por outro, não podemos ficar sem transporte”, comentou Joaquim Mondlane, funcionário público que utiliza transporte público diariamente.

A iniciativa do Conselho Municipal de endurecer as fiscalizações surge num contexto de crescente insatisfação com a qualidade dos serviços de transporte na cidade. Viaturas com pneus carecas, assentos em mau estado e problemas mecânicos frequentes são algumas das queixas mais comuns entre os passageiros.

O vereador Novais Abubacar reconheceu que a fiscalização tem sido um desafio, mas assegurou que a medida visa o bem-estar geral da população. “Não estamos contra os transportadores. O que queremos é garantir que todos possam viajar com segurança e dignidade. Isso é um direito de cada cidadão”, concluiu.

O prazo de uma semana concedido pelo município é visto como uma oportunidade para os transportadores regularizarem a situação e evitarem sanções futuras. No entanto, será suficiente para resolver problemas que, em muitos casos, são estruturais?

Enquanto a cidade aguarda o desfecho, as autoridades continuam a monitorizar de perto o processo de licenciamento e a reforçar o apelo para o cumprimento das normas. Os próximos dias serão decisivos para determinar o futuro do transporte urbano em Inhambane, numa encruzilhada entre o rigor legal e as necessidades práticas do dia-a-dia.

Seja qual for o resultado, uma coisa é certa: a cidade de Inhambane precisa de um sistema de transporte que seja seguro, eficiente e acessível a todos. E, para isso, o diálogo entre autoridades, transportadores e a sociedade será indispensável.

 

Perpétua Gonçalves, Gilberto Matusse, Virgília Ferrão, Eduardo Quive e Mélio Tinga reuniram-se, nesta segunda-feira, no simpósio “A Língua Portuguesa de Moçambique nos Estudos Linguísticos e Literários”, organizado pelo Centro de Língua Portuguesa – Camões/UEM. O evento serviu para assinalar o Dia Mundial da Língua Portuguesa, com alusão às pesquisas produzidas na área em questão e ao processo criativo dos escritores convidados.

 

O Anfiteatro 1502 é um dos espaços importantes na promoção de debate de ideias. Concebido para reunir a comunidade académica e todos os interessados pela partilha do saber, na manhã desta segunda-feira, 5 de Maio, de facto, a sala da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane funcionou como uma espécie de acrópole. Os professores universitários, pesquisadores e escritores, tendo como pretexto o Dia Mundial da Língua Portuguesa, aproveitaram a ocasião para pensar Moçambique nestes 50 anos de independência.

Essencialmente, o simpósio “A Língua Portuguesa de Moçambique nos Estudos Linguísticos e Literários” teve dois momentos. No primeiro, houve duas apresentações. A Professora Catedrática Perpétua Gonçalves desenvolveu o tema “50 anos de pesquisa sobre o Português de Moçambique”, ora numa perspectiva historiográfica, ora referindo-se às principais áreas de pesquisa. Segundo disse, existem cerca de 600 títulos sobre estudos inerentes ao português de Moçambique e que, actualmente, o grande projecto sobre o tema é o que está a ser desenvolvido pela professora universitária Inês Machungo, que é um dicionário sobre o português de Moçambique.

Para Perpétua Gonçalves, quando se fala de pesquisas sobre o português de Moçambique, os dados variam, até porque os moçambicanos estão expostos ao português europeu, em contextos formais, e ao de Moçambique, em contextos informais. Ambos os casos, na verdade, revelam que “O português de Moçambique está em formação”, pois, acrescentou a pesquisadora, alguns aspectos ainda não estão efectivamente consolidados.

Na sua intervenção, Perpétua Gonçalves afirmou ainda que o facto de os moçambicanos, muitas vezes, serem bilingues deve ser visto como uma vantagem, pois “Isso só nos valoriza. Não é um problema”.

Ainda na parte inaugural do simpósio, a segunda apresentação foi feita pelo professor universitário e crítico literário, Gilberto Matusse. Partindo de uma premissa aproximada à da Professora Catedrática Perpétua Gonçalves, Matusse esclareceu que os 50 anos de independência são dominados por uma vertente genérica em relação ao estudo da literatura moçambicana, com tentativas de se traçarem periodizações. Nesse sentido, o crítico referiu-se aos autores e aos estudos que foram marcando a arte literária no país, como é o caso de Fátima Mendonça. 

O professor universitário disse que a grande expansão de estudos sobre literatura moçambicana começa nos anos 90, resultado das formações naquela área. O facto de a UEM ter introduzido o curso de Linguística, em 1989, com a componente na área de estudos literários, favoreceu a área, pois muitos estudantes fizeram a culminação do curso em literatura moçambicana. Aliado a isso, as universidades portuguesas e, principalmente, as brasileiras, reforçou, têm vindo a consolidar a promoção das obras de escritores moçambicanos.

De acordo com Gilberto Matusse, os graduados da UP-Maputo e, sobretudo, da UEM são os que mais contribuem para o repertório de estudos sobre literatura moçambicana. Entretanto, a escassez de estudos sobre literatura, no país, deve-se ao facto de as pessoas, em geral, não lerem obras literárias. Paralelamente, o crítico sublinhou que a maior parte dos estudantes produzem estudos sobre literatura moçambicana porque são obrigados, quer dizer, objectivando a obtenção do nível académico. Logo, o que se deve fazer é desenvolver projectos que coloquem as pessoas a ler, porque, assim, as inquietações resultantes da leitura podem proporcionar ensaios.

Se no princípio a maior parte dos estudos sobre literatura moçambicana se dedicava a questões genéricas, como identidade e periodizações, para Matusse, agora começa a haver estudos sobre autores específicos. E o professor universitário deu exemplo de “Geração XXI”, de Lucílio Manjate.

Outro registo captado por Matusse tem a ver com o entendimento de que a literatura deve ter o compromisso com o real, com a abordagem à representatividade do espaço social e à configuração da imagem da mulher.

Entre os autores mais estudados no país, Matusse mencionou, tendo em conta a lista da Cátedra de Português, Mia Couto, Paulina Chiziane, José Craveirinha, Ungulani ba ka Khosa, Luís Bernardo Honwana e Aldino Muianga.

A concluir, Gilberto Matusse também disse que a crítica literária em Moçambique é deficitária e que a publicação de um estudo sobre a história da literatura moçambicana seria oportuna, porque funcionaria como um guia para os professores e estudantes de literatura moçambicana.

Quanto à segunda parte do simpósio, teve como principais protagonistas três escritores, nomeadamente, Mélio Tinga, Virgília Ferrão e Eduardo Quive. Na mesa redonda “A oficina da língua: processos e possibilidades”, os autores mencionaram alguns aspectos decisivos na produção literária.

O laureado escritor na quarta edição do Prémio INCM/Eugénio Lisboa, Mélio Tinga, autor de “Névoa na sala”, “Marizza” ou “A engenharia da morte”, revelou o interesse em garantir, durante a escrita, uma relação entre a sua intuição criativa e o contexto. Para o escritor, que recentemente publicou um livro em Portugal, “Arder no gelo”, a língua, a língua portuguesa em particular, tanto é uma ponte para apreender determinadas realidades como também para gerar realidades sugeridas.

A condizer com Tinga, Eduardo Quive acrescentou que o som e o ritmo também são elementos que o ajudam a escrever. Em muitos casos, disse, a língua, como instrumento de trabalho, se conecta com uma memória de infância, na qual as histórias lhe eram contadas pela avó que não falava português, língua materna do escritor, mas changana. A imagem da avó, de forma categórica, sustenta a preocupação do autor de “Para onde foram os vivos” por temas ligados à mulher, e o livro “Mutiladas”, resultado da participação do escritor numa residência literária em Lisboa, há três anos, comprova tal constatação.

No caso de Virgília Ferrão, a autora de “Os nossos feitiços”, vencedora do Prémio Literário TDM 2019, e que também organiza antologias de contos com autores africanos, o espaço urbano revela-se inspirador. Por isso mesmo, as suas personagens não deixam de personificar hábitos e costumes de uma classe média ou alta com uma percepção mais actual sobre as coisas. Ainda assim, confessou a escritora, questões como espiritualidade e “miscigenação” linguística, sobretudo com a língua inglesa, não lhe são indiferentes.

Numa sessão concorrida, com intervenções presenciais e virtuais, via Zoom Meeting, Virgília Ferrão, Mélio Tinga e Eduardo Quive concordam que, num contexto em que os estudos literários ainda são deficitários, segundo disse o professor universitário Gilberto Matusse, serem criticados e/ou serem editados no estrangeiro tem sido importante porque os escritores também se constroem com a opinião dos outros: editores, ensaístas ou mesmo leitores comuns.

 

A SESSÃO DE ABERTURA   

O simpósio “A Língua Portuguesa de Moçambique nos Estudos Linguísticos e Literários” foi declarado aberto pelo director da Faculdade de Letras e Ciências Socias (FLCS) da UEM. No seu discurso, Samuel Quive disse que a língua portuguesa, na FLCS, é um factor de ensino e de formação: “Como parte da UEM, queremos manifestar a nossa satisfação sobre a celebração desta data [Dia Mundial da Língua Portuguesa]. Que o dia sirva para os estudantes entenderem o que, depois de uma formação em língua portuguesa, podem fazer. Usem a língua portuguesa para tudo e nunca esqueçam que a nossa cultura se pode manifestar com esta língua. Que o simpósio seja uma contribuição enorme para as pesquisas”, sugeriu aos estudantes de vários cursos que lotaram o Anfiteatro 1502.

De seguida, interveio o embaixador de Portugal em Moçambique. António Costa Moura lembrou que a proximidade linguística favorece a aproximação entre os países. “É o que acontece entre Moçambique e Portugal”.

Igualmente, o embaixador de Portugal em Moçambique lembrou que o português é uma das línguas mundiais de maior peso, em parte, graças ao Brasil e aos estados africanos. Frisou António Costa Moura, ao referir-se à relevância do Dia Mundial da Língua Portuguesa: “Português é língua franca, usada na diplomacia e no comércio internacional”, acrescentou ainda, “e com uma das maiores taxas de crescimento”.  

Por ser um património comum, que todos foram construindo, dispor do português, língua de unidade nacional e de dimensão internacional, consolida a identidade dos moçambicanos, que a escolheram por iniciativa própria como língua oficial. Portanto, “A comunidade falante tem responsabilidades na sua preservação e divulgação”. Conforme se realçou durante o simpósio, a arte literária cumpre um papel muito importante nesse processo.

A Associação Kulemba vai realizar, no próximo dia 22, na Cidade da Beira, uma gala beneficente.  A inicitiva enquadra-se na celebração dos 10 anos de existência daquela entidade. 

Segundo a organização, com a gala que deverá juntar autoridades governamentais, artistas, filantropos e empresários, a Associação Kulemba pretende, entre outros objectivos, angariar fundos para patrocinar cursos profissionalizantes para as raparigas que se destacaram nos concursos literários promovidos pela agremiação e adquirir livros para apetrechamento da biblioteca da Escola Básica do Aeroporto, na Cidade da Beira.

Assim, o evento terá três momentos distintos, designadamente, apresentação da Kulemba e das suas conquistas ao longo de uma década, a distinção dos seus fiéis patrocinadores e um leilão de obras de artes plásticas.

O leilão, adianta um comunicado de imprensa, conta com o apoio dos artistas Naguib, Silva Dunduro, Walter Zand e Alexandre Dunduro, que cederam as suas obras, devendo o valor das vendas reverter-se a favor das causas da Associação Kulemba.

A Associação Kulemba foi fundada em 2015, com o objectivo de promover essencialmente a literatura em ascensão, bem como desenvolver a produção literária no seio da comunidade infanto-juvenil. 

Em Maio de 2024, a agremiação foi distinguida, pelo Governo da Província de Sofala, como a melhor instituição literária local.

Actualmente, a Associação Kulemba encabeça algumas das mais importantes iniciativas literárias do país, designadamente, o Prémio Literário Mia Couto, o Festival do Livro Infanto-Juvenil (FLIK), o Prémio Nacional de Literatura Infanto-Juvenil, a Revista Soletras e a Feira do Livro da Beira (FLIB).

 

O Governo prevê arrecadar cerca de 386 mil milhões de Meticais para execução das actividades previstas para 2025. Para cobrir o défice orçamental, de cerca de 127 mil milhões de meticais, o Executivo vai contar com créditos interno e externo, donativos externos, mas também das receitas provenientes da exploração mineira e petrolífera.

A 48 horas do debate em plenária da proposta de lei do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado para 2025, as sete comissões de trabalho da Assembleia da República reuniram-se nesta segunda-feira para apreciar o instrumento.

O PESOE 2025 refere-se a uma planificação feita num contexto de recuperação econômica, porém com metas ambiciosas, com o objectivo de controlar a massa salarial, reduzir a dívida interna e aumentar a satisfação social.

Em 2025,  as despesas do executivo de Daniel Chapo vão registar um incremento, em relação ao ano passado. 

É que em 2024 o Estado gastou 507 mil milhões de meticais, contra 512 mil milhões para este ano, tendo as despesas com pessoal e salários e remunerações como os mais dispendiosos.

As despesas com o Pessoal estão fixadas em 210.7 mil milhões de meticais, contra 208.9 mil milhões, do ano anterior.

As rubricas de salários e remunerações custarão 205.5 mil milhões de meticais, contra 202.8 mil milhões.

O mesmo documento prevê a contratação, neste ano de Funcionários e agentes do estado apenas nos sectores da Educação, Saúde,  Agricultura, Ambiente e Pesca e órgãos de administração da Justiça, sendo que nos restantes sectores, o executivo vai privilegiar a mobilidade de quadros, como medida para contenção do crescimento da massa salarial.

Para execução do plano, nos sete meses restantes, o Governo prevê arrecadar cerca de 386 mil milhões de Meticais, num cenário em que tem como despesas previstas, pouco mais de 512 mil milhões de meticais, perfazendo um défice de cerca de 127 mil milhões de meticais. 

Para cobrir o défice orçamental, o Executivo compromete-se a mobilizar recursos, sobretudo, externos, tendo em conta o nível de dívida interna. Assim, o reforço orçamental será feito através de: 

Crédito interno -estimado em 35.1 mil milhões de meticais, crédito externo: projectado em 29.9 mil milhões correspondente a 1.9% do PIB e donativos externos, no montante de 58.2 mil milhões de meticais, o correspondente a 3.8% do PIB.

Outros elementos que poderão financiar o orçamento do Estado são: receitas provenientes do Fundo Soberano, estimadas em mais de 3 mil milhões de meticais,  receitas provenientes de GNL do projecto Coral Sul, na bacia do Rovuma, cerca de 5 mil milhões de meticais e receitas provenientes prestacao de servicos publicos – 20.9 mil milhões de meticais 

Com o debate marcado para a próxima quarta-feira, os deputados da Comissão de Plano e Orçamento dão nota positiva ao instrumento.

A Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade diz que o documento está de acordo com a lei.  O instrumento foi igualmente apreciado pelas outras cinco comissões de trabalho da Assembleia da República. 

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