A província de Cabo Delgado regista, em média, cinquenta casos de corrupção por ano, envolvendo, sobretudo, funcionários dos sectores da saúde e da educação. Entre os crimes mais frequentes destacam-se o desvio de fundos públicos, o suborno e outras práticas ilícitas relacionadas com a administração do Estado.
Apesar do elevado número de denúncias recebidas, a Procuradoria Provincial de Cabo Delgado revela que uma parte significativa dos processos acaba por ser arquivada, devido à insuficiência de provas que permitam sustentar a acusação em tribunal.
Os funcionários públicos continuam a liderar a lista dos arguidos, sendo os sectores da saúde e da educação apontados como os mais vulneráveis à prática de actos de corrupção.
Segundo a Procuradoria, o suborno para obtenção de serviços públicos ou de benefícios estatais de forma ilegal figura entre as modalidades de corrupção mais recorrentes na província.
Com o objectivo de aproximar a justiça dos cidadãos e incentivar a denúncia de práticas ilícitas, a Procuradoria Provincial tem vindo a promover campanhas denominadas “Tendas da Justiça”, uma iniciativa que permite recolher preocupações e denúncias da população fora do ambiente formal das instituições judiciais, reforçando a participação dos cidadãos no combate à corrupção.
A relação entre a República de Moçambique e a União Europeia é abrangente, profunda e dinâmica, de acordo com a Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidade Moçambicana, Maria de Fátima Manso.
Neste contexto, a Secretária de Estado classificou a União Europeia como o maior parceiro de cooperação de Moçambique, na prossecução da paz, segurança e desenvolvimento, bem como nas áreas de comércio, investimento e ajuda humanitária.
Essa “parceria continua a ser um farol de cooperação e progresso”, defendeu a Secretária de Estado, ao discursar no debate ocorrido na tarde desta quinta-feira, na Fundação Fernando Couto, em Maputo, por ocasião da celebração do aniversário de 25 anos de cooperação entre a União Africana e a União Europeia.
Manifestou também a esperança de que esta celebração seja “uma oportunidade para a consolidação do alinhamento estratégico da parceria UA-UE, em torno de quatro pilares centrais da Visão Conjunta 2030, adoptada pelos líderes africanos e europeus na última cimeira realizada em Bruxelas, Reino da Bélgica, em Fevereiro de 2022”.
Participaram ao debate da celebração dos 25 anos da parceria UA-UE, representante da Assembleia da República, representantes da União Europeia na União Africana e em Moçambique, académicos e sociedade civil.
Tudo É uma Questão de Enquadramento
Por Clemente Clementina
Há relatos de que a língua portuguesa poderá ter nascido num lugar que hoje não faz parte do território físico de Portugal. Segundo uma publicação no site executivedigest.sapo.pt, às 17:08 do dia 23 de Agosto de 2024, o lugar fora de Portugal onde a língua portuguesa terá nascido foi o então Reino da Galiza; um lugar que hoje corresponde à Galiza, na Espanha. Mas apesar desta génese, a língua portuguesa não deixa de ser considerada língua de Camões – poeta português – e, consequentemente, língua de Portugal e dos portugueses.
Portanto, a origem de seja o que for não impede que tal coisa vá ganhando novas formas e novos “possuidores” no tempo e no espaço. E mais uma vez a língua camoniana comprovou a veracidade dessa conclusão na sua expansão ao longo do tempo e para os lugares fora de Portugal onde a língua chegou até ao nível de língua oficial, reconhecendo-se a sua importância nestes mesmos lugares. Entretanto, se esta expansão foi por imposição ou não, isto é outra discussão.
Olhemos para Moçambique e vejamos o cenário de uma criança que desde o seu nascimento não lhe foi incutida outra língua senão a portuguesa. Qual diria esta criança ser a sua língua, se é a portuguesa que tão-somente ou que mais domina?! Ademais, é verdade que, se a criança fala a língua originalmente local, é tida como rude ou vil; e isto parte de casa. Porém, em contrapartida, a criança de ontem hoje, sendo um adulto, é acometida pela sociedade, dizendo-se que se apegou ao que é dos outros; que se esqueceu das suas origens; entre outros ultrajes desta espécie. Mas a pergunta que coloco é: quais origens, se estas, outrora, lhe foram negadas?!
Tudo é uma questão de enquadramento. E a Globalização é um grande exemplo disso. Quando bem enquadrada, a Globalização não subjuga culturas locais, mas convive em harmonia com estas culturas e chega até a fazer parte das mesmas culturas. Isso é o que sucede com as línguas e, em particular, com a língua portuguesa em Moçambique, onde esta língua tem características próprias, exclusivas: refiro-me, a título de exemplo, a palavras típicas e pronúncias também típicas. Assim, e concluindo, penso que neste enquadramento deve residir o orgulho dos moçambicanos em ter como sua a língua portuguesa, a qual, não deixando de ser camoniana, é também moçambicana.
05/05/2025
Por: Luís Cezerilo
A história se passa em uma companhia militar em Tambara, um cenário que simboliza a tensão constante entre o domínio colonial e a resistência moçambicana.
A escolha desse espaço não é aleatória: Tambara, como diversas outras regiões de Moçambique, foi palco de confrontos directos e indirectos entre o exército português e os guerrilheiros da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo).
A obra, insere-se no género da narrativa histórica, abordando um dos períodos mais marcantes da História de Moçambique: a colonização portuguesa e a luta de libertação nacional.
O eu lírico, constrói uma narrativa que transcende o relato histórico convencional, oferecendo uma reflexão profunda sobre a guerra colonial em Moçambique e os seus impactos psicológicos e emocionais nos soldados que a vivenciaram.
Ao centrar a sua história no ambiente de Tambara, humaniza o conflito, afastando-se das grandes batalhas e discursos ideológicos para explorar a experiência subjectiva dos soldados – as suas angústias, os seus medos, as suas saudades e sobretudo o desejo contraditório de lutar e fugir ao mesmo tempo.
O livro mostra como a ocupação portuguesa não apenas impôs uma estrutura de dominação política e económica, mas também gerou divisões internas entre os próprios soldados, muitos dos quais questionam o real propósito da guerra que travam.
A obra destaca, assim, o esgotamento moral do colonialismo, expondo as suas contradições e o inevitável colapso desse sistema opressor.
Um dos pontos marcantes é a complexidade emocional dos personagens. O medo do desconhecido, a nostalgia da vida deixada para trás e a incerteza sobre o futuro formam um mosaico de sentimentos contraditórios.
Os soldados portugueses estão imersos em um ambiente onde a violência não é apenas física, mas também psicológica. O medo da morte, a paranóia da traição, a incerteza sobre o próprio futuro criam um labirinto mental do qual poucos conseguem escapar.
A guerra aqui não é heróica, nem gloriosa. Pelo contrário, é retractada como uma experiência de dissolução da identidade, onde os soldados oscilam entre a brutalidade necessária para sobreviver, a nostalgia da vida que deixaram para trás e o sonho de um futuro incerto.
É um olhar que dialoga com as reflexões de Paul Fussell na sua obra, The Great War and Modern Memory (1975), quando afirma que: a guerra, mais do que um confronto entre exércitos, é um estado de espírito que reconfigura a percepção do tempo, do espaço e da própria humanidade. Fussell (1975) Outrossim, a obra evidencia a fragilidade das relações humanas em tempos de guerra. A desconfiança mútua entre os soldados mostra que o inimigo nem sempre está apenas do outro lado do combate, mas também dentro do próprio grupo. Esse clima reflecte a instabilidade emocional dos combatentes, que vivem sob o espectro constante da violência e da morte.
Mesmo em meio à brutalidade da guerra, o livro resgata elementos essenciais da humanidade: o amor e a saudade.
A lembrança da mulher amada, os ecos de uma vida distante, funcionam como âncoras emocionais tornando-se um refúgio emocional para os soldados, funcionando como um elo com a vida antes do conflito e como um fio de esperança para o futuro.
Esse contraste entre o horror da guerra e a ternura do amor confere profundidade à narrativa, humanizando os personagens e tornando os seus dilemas ainda mais tocantes.
Essa dualidade entre o amor e a destruição reforça a tese de que, em cenários de violência extrema, os laços afectivos são não apenas refúgios, mas também formas de resistência e superação.
Socorro-me das ideias de Svetlana Alexievich, na sua obra A Guerra Não Tem Rosto de Mulher (1985), para sustentar a afirmação do paragrafo anterior, onde a autora argumenta que, nos relatos de guerra, as emoções e as memórias pessoais são tão cruciais quanto os acontecimentos militares.
Panguana, segue essa linha ao mostrar que, para muitos soldados, a verdadeira luta não era contra os “turras”, mas contra o esquecimento e a desumanização que a guerra lhes impunha.
Concomitantemente, a Hora Maconde, expõe as contradições morais da guerra colonial, onde alguns soldados não acreditam no conflito, veem-se como peões de um império decadente, lutando contra um inimigo que, em muitos aspectos, parece ter mais legitimidade do que eles próprios.
O desejo de fuga, tanto física quanto emocional, permeia a narrativa, mostrando que, para muitos, a sobrevivência significava mais do que escapar das balas – significava também preservar a sanidade e a humanidade.
Esse dilema lembra-me as reflexões de Erich Maria Remarque, na sua obra: Nada de Novo no Front (2023), onde os soldados, mesmo armados e treinados para matar, são apresentados como vítimas de um sistema que os engoliu sem que tivessem escolha.
Marcelo Panguana insere essa perspectiva no contexto colonial, expondo a fragilidade da narrativa heróica construída pelo regime português sobre a “guerra justa”.
Notemos, a Hora Maconde não é apenas um romance sobre a guerra em Moçambique – é um estudo sobre a condição humana diante da violência, da perda, da esperança e da incerteza.
Ao evitar maniqueísmos e discursos rígidos, o autor constrói uma obra que se insere na tradição das grandes narrativas de guerra, mas com um olhar profundamente nacional, entenda-se, moçambicano.
O seu texto é ao mesmo tempo lírico e brutal, reflexivo e implacável, uma obra que nos lembra que, na guerra, a maior batalha talvez seja contra o esquecimento e a transformação do homem em máquina.
Com uma narrativa densa e envolvente, Hora Maconde consegue capturar a complexidade da guerra de libertação moçambicana, indo além da simples oposição entre colonizadores e colonizados. O livro mergulha na psique dos personagens, explorando medos, esperanças e contradições que tornam a história ainda mais realista e impactante.
Ao mesclar o horror da guerra com a delicadeza do amor e da saudade, a obra não apenas documenta um período histórico crucial, mas também questiona os efeitos profundos da colonização e da guerra na vida daqueles que nela estiveram envolvidos.
Bem hajas Marcelo.
O Presidente da República, Daniel Chapo, expressou o seu profundo pesar pelo falecimento do antigo Primeiro-Ministro da Tanzânia, Cleopa David Msuya, ocorrido nesta Quarta-feira.
Na mensagem endereçada à Presidente da Tanzânia, Samia Suluhu Hassan, o Chefe do Estado transmitiu, em nome do povo moçambicano, do Governo e em seu nome pessoal, as mais sentidas condolências ao povo irmão da Tanzânia.
“A Tanzânia perdeu um dos seus mais notáveis servidores públicos, cuja vida foi inteiramente dedicada à construção de uma nação forte, estável e próspera”, sublinhou Chapo, destacando o legado de integridade, liderança e compromisso com os ideais da liberdade e do desenvolvimento deixados por Cleopa Msuya – valores partilhados no seio da irmandade histórica entre Moçambique e a Tanzânia.
O Presidente da República reiterou que Moçambique se associa à dor do povo tanzaniano e presta homenagem a uma figura incontornável da história política da região e do continente africano.
Cleopa Msuya iniciou a sua carreira no serviço público como Secretário Permanente em diversos ministérios, tendo posteriormente servido como Ministro das Finanças no governo do Presidente Julius Nyerere.
Ao longo da sua trajectória, exerceu ainda as funções de Ministro da Indústria, Ministro das Finanças e Planeamento Económico, Ministro da Indústria e Comércio, bem como Primeiro Vice-Presidente, cargos nos quais se destacou pelo seu compromisso com o desenvolvimento económico e institucional da Tanzânia.
Moçambique e Tanzânia reafirmaram, hoje, em Dar es Salaam, o compromisso com o aprofundamento das suas relações históricas, através da assinatura de cinco instrumentos jurídicos que abrangem áreas estratégicas como comércio, educação, cultura, saúde, comunicação e segurança.
A cerimónia ocorreu no segundo dia da Visita de Estado do Presidente moçambicano, Daniel Chapo, à República Unida da Tanzânia, a primeira desde a sua eleição, e foi antecedida por um encontro tête-
à-tête entre os dois Chefes de Estado, seguido de conversações oficiais entre as delegações dos dois países.
Na sua intervenção em declarações à imprensa, o Presidente Chapo destacou o simbolismo da sua primeira Visita de Estado, ao afirmar: “Passámos por aqui como candidato. Foi o primeiro país que visitámos, porque é aqui onde nascemos como movimento de libertação para conquistar a independência de Moçambique“. Recordou ainda o papel da Tanzânia na génese da independência nacional moçambicana e aproveitou a ocasião para agradecer a recepção do povo tanzaniano, reafirmando os laços de irmandade que unem os dois países.
De recordar que esta visita insere-se no quadro do estreitamento das relações bilaterais, com especial ênfase para a vertente económica e comercial, que os dois Chefes de Estado assumiram como prioridade. “Concluímos haver a necessidade de reforçar as nossas relações bilaterais na vertente económica e comercial. Como sabem, na vertente política, as relações entre Tanzânia e Moçambique são excelentes e extraordinárias,” sublinhou o Chefe do Estado.
Durante o encontro, os dois governantes testemunharam a assinatura de acordos e memorandos de entendimento. Os acordos dizem respeito à criação do Posto Fronteiriço de Paragem Única entre Negomano (em Moçambique) e Mtambaswala (na Tanzânia), e à troca de prisioneiros entre os dois países. Já os memorandos abrangem a troca de estudantes ao nível do ensino superior, a cooperação cultural, o controlo da qualidade de medicamentos e a colaboração entre as rádios públicas de Moçambique e da Tanzânia.
A Presidente Samia Suluhu Hassan agradeceu ao Presidente Chapo por ter aceite o convite para a visita e felicitou-o pela sua eleição e pelos esforços na promoção da paz e reconciliação em Moçambique. Reiterou o compromisso da Tanzânia com o progresso do país vizinho, afirmando que os dois Estados não são apenas vizinhos, mas irmãos unidos por uma história de luta conjunta pela independência e por mais de quinze reuniões da Comissão Mista de Cooperação.
Entre os compromissos assumidos, destacam-se a criação de uma Comissão Económica Conjunta, a extensão do Corredor de Desenvolvimento de Mtwara, o fortalecimento do comércio transfronteiriço, o estabelecimento de parcerias no transporte aéreo e marítimo, bem como a partilha de experiências nas Zonas Económicas Especiais, turismo e Economia Azul. “A riqueza da Tanzânia é riqueza de Moçambique e vice-versa, porque somos todos irmãos, e achamos que a troca de experiência é muito importante entre países irmãos,” disse o Chefe do Estado moçambicano.
Os dois líderes abordaram ainda a necessidade de aprofundar a cooperação agrícola e os investimentos comuns nos sectores dos recursos minerais e energéticos. O Presidente partilhou a experiência de Moçambique na exploração do gás natural, sublinhando o potencial de parceria nesta área, enquanto Samia Suluhu Hassan referiu a importância de coordenar os esforços na utilização dos recursos marítimos e agrícolas.
No domínio da Defesa e Segurança Pública, ambos os países assinalaram progressos, sobretudo no campo da formação, onde a Tanzânia tem apoiado Moçambique, incluindo a sua contribuição na criação do Serviço Cívico. Chapo destacou ainda a
importância de reuniões periódicas de boa vizinhança entre as províncias fronteiriças, como Cabo Delgado e Niassa, do lado moçambicano, e Rovuma e Mtwara, do lado tanzaniano.
No fim, Daniel Chapo evocou o espírito da luta de libertação e os 50 anos da independência de Moçambique que se celebram este ano.
“No dia 25 de Junho de 2025 vamos comemorar 50 anos da nossa independência (…). Queremos terminar endereçando, mais uma vez, os nossos agradecimentos pela honra e o privilégio que nos foram dados para realizar a primeira Visita de Estado depois da nossa eleição, na República Unida da Tanzânia, o berço da nossa independência nacional“.
Segundo o estadista moçambicano, a celebração dos 50 anos da Independência Nacional culminará com a chegada da Chama da Unidade Nacional a Maputo, simbolizando a consolidação da paz e unidade nacional, com a participação da Presidente da Tanzânia como convidada de honra.
A chaminé da Capela Sistina libertou fumo negro mais uma vez, após a segunda votação da manhã, revelando que ainda não foi eleito o novo papa.
A ‘fumata’ que comunica o resultado da eleição começou a sair pelas 11h50 do horário de Roma e foi visível durante vários minutos.
A segunda reunião à porta fechada, na Capela Sistina, incluiu dois sufrágios durante a manhã, que foram insuficientes para que qualquer nome chegasse à maioria de dois terços dos votos.
O conclave para eleger o novo papa da Igreja Católica chega ao segundo dia de votações nesta quinta-feira (8), ainda sem um nome definido. Assim, prosseguem hoje as votações, até que os religiosos cheguem a um entendimento.
Hoje terão lugar quatro votações, duas de manhã e duas à tarde. O primeiro sinal de fumo pode ser por volta do meio-dia, a menos que seja escolhido um novo Papa na primeira votação do dia. Se assim for, o fumo branco sairá da chaminé por volta das 10h30, hora local.
A Federação Moçambicana de Futebol informou, através de um comunicado, a aprovação de onze campos para os jogos do campeonato nacional e da Taça de Moçambique ZAP, a partir dos quartos-de-final, para provas deste ano. Dois campos foram reprovados por não reunirem condições para acolher jogos.
Ao todo, são onze os campos aprovados pela Federação Moçambicana de Futebol para jogos oficiais deste ano. Segundo nota da Casa do Futebol, a aprovação foi “após rigorosas inspecções técnicas”, o que acabou por permitir a provação dos campos que irão acolher os jogos do Moçambola 2025 e da Taça de Moçambique ZAP.
Assim, foram aprovados os campos dos cinco representantes da zona Sul do país no Moçambola 2025, nomeadamente o Lalgy Arena, que vai acolher jogos da Associação Black Bulls, o Campo do Costa do Sol para jogos dos “canarinhos”, o Campo do Afrin, onde o Ferroviário de Maputo vai acolher seus jogos enquanto o Estádio da Machava não fica pronto, o Campo da Liga Desportiva de Maputo, a ser utilizado pelo Desportivo da Matola, e o Estádio Municipal Valdemar Oliveira, na Maxixe, para jogos da Associação Desportiva de Vilankulo.
Ao nível da zona Centro, foram aprovados apenas três campos, nomeadamente o Estádio 27 de Novembro, onde a União Desportiva de Songo vai acolher seus jogos, o Campo do Ferroviário da Beira, também conhecido como “caldeirão” do Chiveve, para jogos dos “locomotivas” locais, e o campo da Soalpo, onde o Textáfrica do Chimoio vai receber seus adversários.
No Norte do país, onde existem cinco representantes no Moçambola, a Federação Moçambicana de Futebol aprovou quatro campos. Assim, o Ferroviário de Nampula vai acolher seus jogos no Estádio 25 de Junho, em Nampula, o Ferroviário e o Desportivo, ambos de Nacala, terão como casa o Campo do Ferroviário de Nacala, também conhecido como “Pedreira”, e o Baía de Pemba vai receber seus adversários no Estádio Municipal de Pemba.
Por outro lado, dois campos foram reprovados para jogos do Moçambola e da Taça de Moçambique ZAP, nomeadamente o Estádio Municipal 1º de Maio de Lichinga, casa do Ferroviário de Lichinga, e o Campo Municipal 25 de Setembro, em Moatize, que seria para acolher jogos do Chingale de Tete.
Ou seja, os “locomotivas” de Lichinga e os “canarinhos” de Tete devem procurar um campo alternativo para seus jogos, ou melhorarem o mais rápido possível as anomalias identificadas pela comissão que inspeccionou os campos, no caso concreto a Comissão de Licenciamento de Clubes.
Dias depois do anúncio de um novo prazo para a regularização das viaturas, a Associação dos Transportadores Rodoviários de Inhambane veio a público expressar o seu descontentamento.
Rodrigues Guese, presidente da associação, não poupou críticas às autoridades municipais, afirmando que os transportadores se sentem desrespeitados e injustamente tratados, pelo facto de alguns associados estarem a operar com licenças expiradas.
“Nos sentimos a nos ferirem quando dizem que são ilegais. O ilegal, para nós, era de se considerar mesmo aqueles que apenas compraram uma viatura e estão a exercer a actividade, sem que tenham observado nem uma e nem outra coisa que é necessário se juntar para o exercício desta actividade”, disse Rodrigues Guese.
Por isso, segundo Guese, “foi uma das razões também que nos levou a esta situação, porque fomos vistos como ilegais, mas não somos, não somos ilegais”.
Para Guese, há uma longa história de denúncias feitas pela ASTROI sobre a presença de operadores ilegais no sector, que nunca foram levadas a sério pelas autoridades. Guese considera que o foco excessivo nas licenças expiradas dos associados ignora um problema maior e mais grave.
“Temos estado a reclamar desta situação dos ilegais, porque hoje aparecemos nós como os ilegais, mas, se formos à prática, esta cidade tem muitos ilegais, que temos estado a reclamar sempre destes ilegais, mas ninguém já saiu às ruas atrás destes ilegais”, prosseguiu.
O presidente da ASTROI defende os associados, explicando que a situação de irregularidade não é voluntária. Segundo disse, os desafios económicos actuais tornam difícil cumprir com todas as exigências, sem, contudo, significar que os transportadores estejam a operar de má-fé.
“Renovar a licença, nós estamos a dizer que é o custo que é tão alto, são os requisitos todos necessários para que este possa renovar a partir da sua viatura, tem de apresentar em mínimas condições e outros derivados, como é o caso dos seguros e tudo mais”, explica Guese, acrescentado que, “juntando esses requisitos todos, o transportador acaba por não ter possibilidade suficiente para conseguir responder”.
Rodrigues Guese diz ainda que foi essa a situação que levou a que se levasse mais tempo, uma vez que “esta parte não estava a ser observada”.
Ainda assim, Guedes reconhece que o novo prazo estabelecido pelo município pode ser uma oportunidade para corrigir algumas irregularidades. No entanto, alerta que a situação exige mais sensibilidade por parte das autoridades, considerando as dificuldades económicas que o país atravessa.

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