As comunidades reassentadas devido à exploração mineira acusam a empresa Dinsheng de incumprir as promessas feitas aquando da sua instalação, exigindo a conclusão do processo de reassentamento e o regresso às suas terras de origem.
Segundo os residentes, a empresa comprometeu-se a criar postos de trabalho, construir infra-estruturas sociais, como escolas e estradas, e melhorar as condições de vida das populações. Contudo, afirmam que nenhuma destas promessas foi concretizada.
Os moradores denunciam ainda as precárias condições das habitações construídas para o reassentamento, alegando que as casas apresentam graves problemas estruturais e não oferecem protecção durante a época chuvosa.
Além das dificuldades habitacionais, as comunidades queixam-se da perda das suas machambas e dos meios de subsistência, situação que, segundo afirmam, agravou as condições de vida de centenas de famílias. Entre as principais preocupações destacam-se a falta de alimentos, o desemprego e as dificuldades enfrentadas por idosos e crianças.
Em resposta às reivindicações, o administrador distrital explicou que o Governo está a trabalhar em conjunto com a empresa Dinsheng e com os representantes das comunidades para concluir o processo de reassentamento e de compensações.
Segundo a mesma fonte, parte das indemnizações acordadas já foi paga, embora persistam divergências que continuam a atrasar a conclusão do processo. O dirigente revelou que decorrem negociações entre o Governo e a empresa para responder às exigências da população e garantir a defesa dos seus interesses.
Por seu turno, o Governador da Província de Zambézia defendeu que a exploração dos recursos minerais não deve prejudicar as populações afectadas, sublinhando que estas têm direito a uma compensação justa pelas terras e árvores de que foram privadas para dar lugar à actividade mineira.
O governante explicou que, após analisar o contrato mineiro celebrado entre o Estado e a empresa, constatou que a Dinsheng está obrigada a investir cerca de 15 milhões de dólares norte-americanos, ao longo de dez anos, em projectos de desenvolvimento comunitário.
Face ao incumprimento desta cláusula, o Governo provincial afirma ter trabalhado com a empresa na definição de um plano de desenvolvimento destinado a promover a criação de emprego, reforçar os meios de subsistência das comunidades e financiar projectos de capacitação local.
Segundo o Governador, apesar de alguns constrangimentos registados durante o processo, as iniciativas deverão arrancar brevemente, uma vez que a empresa manifestou disponibilidade para cumprir os compromissos assumidos.
As autoridades acreditam que a implementação destes projectos poderá contribuir para reduzir o clima de tensão que se verifica entre a empresa mineira e as comunidades afectadas pelo reassentamento.
Uganda suspendeu oficialmente toda a cooperação militar com a Alemanha, acusando o embaixador alemão Matthias Schauer de se envolver em “actividades subversivas” e apoiar grupos antigovernamentais.
As Forças de Defesa Popular de Uganda fizeram o anúncio após relatórios de inteligência, marcando uma forte escalada nas tensões diplomáticas.
A UPDF alega que o Embaixador Schauer estava envolvido com os chamados elementos “negativos e traidores” em Uganda, alegações que decorrem de uma reunião privada com o irmão do Presidente Museveni. Durante essa reunião, Schauer teria criticado o comportamento online do General Muhoozi Kainerugaba, filho de Museveni e chefe do exército.
A Alemanha, que ainda não se pronunciou publicamente, há muito tempo apoia Uganda com logística militar e assistência técnica. O comércio bilateral entre os dois países atingiu mais de 335 milhões de dólares em 2023.
Essa repercussão repentina ameaça uma parceria de décadas e ressalta o crescente desconforto internacional com o ambiente político de Uganda antes das eleições presidenciais de 2026. A medida também reflete a resistência mais ampla de Uganda à suposta interferência estrangeira em assuntos internos.
O município da Beira em coordenação com os vendedores do Mercado do Goto já criaram a comissão AD HOC, que vai substituir a comissão eleita pelos vendedores. A mesma tem trinta dias para encontrar as melhores plataformas de cobranças de taxas de limpeza, que gerou polêmica quando houve um aumento de três para cinco meticais.
Há cerca de 10 dias a comissão de gestão do maior mercado informal da cidade da Beira, o mercado de Goto, decidiu de forma unilateral, sem comunicar aos vendedores e nem o Conselho municipal da Beira, aumentar a taxa de recolha de limpeza de três para cinco meticais.
O facto irritou os cerca de dois mil vendedores que lá trabalham e estes decidiram afastar a comissão e nomear uma outra, liderada por um antigo vendedor.
A comissão demitida ficou zangada e gerou uma polêmica, que terminou no gabinete do edil da Beira, que para solucionar o problema, sugeriu a criação de uma comissão AD HOC.
A Comissão já foi criada e é composta por cinco membros, escolhidos pelos vendedores, que fazem parte das duas comissões em desavença.
A principal missão dos membros da comissão AD HOC é encontrar solução para actualizar a taxa de limpeza, que actualmente é de três meticais.
A comissão irá de banca em banca fazer o levantamento dos problemas ligados à limpeza no mercado e ao mesmo tempo ouvir possíveis soluções, elaborar propostas que depois serão discutidas com vereação de mercados e feiras.
Cresce cada vez mais a circulação de sementes falsas na província de Manica, o que tem afectado negativamente a produtividade agrícola. Maior parte de sementes que são vendidas são de origem duvidosa, muitas vezes falsificadas por comerciantes que as pintam para enganar os agricultores
A presente campanha agrária fracassou para maior parte dos produtores na província de Manica, o que pode comprometer a segurança alimentar. É que estes adquiriram sementes nos mercados, sem saber que eram falsas.
As empresas provedoras de sementes dizem estar a somar prejuízos com esta prática. “Acaba também afastando e quebrando a confiança com os agricultores (…) Há uma quebra de confiança extremamente alta, fora a perda de receitas da empresa e do próprio Estado, o que compromete também a subsistência do próprio Estado”, disse Aly Baraza Júnior, Director da Seed-Co.
E porque a falsificação de sementes tem contornos criminais, o caso já está a caminho do Tribunal. Pelo menos duas empresas flagradas a comercializar semente falsa deverão ser ouvidas nos próximos dias.
O Laboratório Regional de Sementes baseado em Manica reconhece haver o problema e diz que já está a trabalhar para desmantelar a rede.
Estudos disponíveis indicam que 90% das sementes comercializadas nas províncias de Manica, Sofala e Tete são falsas.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau garantiu, hoje, que todos os preparativos estão em curso para receber a XV Cimeira da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) a 18 de Julho.
O país é o anfitrião do evento que culmina com a reunião dos chefes de Estado, a 01 de Julho, mas que arranca a 13 de Julho com reuniões de várias entidades e outras iniciativas, e que será também o momento da passagem da presidência da CPLP para a Guiné-Bissau.
Durante uma semana, entre as várias reuniões programadas constam o habitual conselho dos ministros dos Negócios Estrangeiros da CPLP, escreve Notícias ao Minuto.
A Guiné-Bissau assumirá nesta cimeira a presidência rotativa da CPLP por dois anos, sucedendo São Tomé e Príncipe.
A última cimeira decorreu em Agosto de 2023 em São Tomé e Príncipe, país que sucedeu a Angola na presidência da organização.
Além da Guiné-Bissau, são Estados-membros da CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
O Presidente da República, Daniel Chapo, inicia hoje uma visita de trabalho de três dias à província de Gaza. A visita abrange a cidade de Xai-Xai e os distritos de Chongoene, Chókwè, Guijá e Bilene.
Durante a sua estadia, o Chefe do Estado vai visitar o sistema de regadio, orientar a Sessão Ordinária do Conselho de Ministros e participar na Sessão Extraordinária do Conselho Executivo Provincial, alargada ao Conselho dos Serviços de Representação do Estado, Administradores Distritais e Presidentes dos Conselhos Autárquicos.
Estão igualmente previstas reuniões com órgãos locais do Estado, com jovens, produtores, agentes económicos e agricultores, bem como a realização de comícios populares.
Pelo menos 46 pessoas morreram, na Faixa de Gaza, 31 das quais numa escola que foi transformada em abrigo, no bairro de Al Daraj, no leste do território, segundo informaram hoje as autoridades de saúde.
O chefe do serviço de emergência da Defesa Civil de Gaza adiantou que a escola foi atingida três vezes enquanto as pessoas dormiam. As equipas de socorro conseguiram controlar o fogo resultante dos ataques israelitas à escola Fahmi Al Jarjawi, no bairro de Al Daraj.
Os militares israelitas disseram que atacaram um centro de comando e controlo militante dentro da escola que o Hamas e a Jihad Islâmica usavam para recolher informações para os ataques.
Israel culpa o Hamas pelas mortes de civis porque a organização opera em zonas residenciais.
No domingo, o Comité Internacional da Cruz Vermelha (ICRC, na sigla em inglês) em Khan Younis, sul da Faixa de Gaza, indicou que Israel matou dois trabalhadores da organização.
O chefe do Estado-Maior israelita, Eyal Zamir, afirmou no domingo, durante uma visita às tropas destacadas na Faixa de Gaza, que o exército está a intensificar os ataques no enclave, onde, segundo as autoridades de Saúde de Gaza, já foram mortas cerca de 53.900 pessoas, no âmbito da nova ofensiva lançada a 17 de maio para assumir o controlo daquele território.
O Presidente da República, Daniel Chapo, dirige, hoje, a cerimónia de abertura do III Seminário Nacional do Protocolo do Estado, na cidade de Maputo. Realizado sob o lema “Por um Protocolo do Estado Padronizado e Dinâmico”.
O Seminário constitui uma plataforma de diálogo, reflexão e partilha de experiências entre profissionais do Protocolo do Estado e outras entidades, com o objectivo de promover as melhores práticas no domínio do protocolo institucional.
A cidade de Inhambane, conhecida pela tranquilidade das suas praias e pelo calor humano da sua gente, esconde, por detrás de paisagens idílicas, um drama que afeta milhares de famílias: a diabetes. Uma doença silenciosa que não apenas altera vidas, mas também transforma o quotidiano de comunidades inteiras. Entre os rostos que dão vida a esta estatística está Eduardo Lichucha, um homem que, aos 44 anos, carrega na voz uma história de luta, dor e resiliência, que começou há cinco anos, quando ouviu pela primeira vez o diagnóstico que mudou para sempre a sua forma de viver.
Era um dia comum em 2020, e Eduardo, então com 39 anos, estava a gerir um pequeno bar em Inhambane. A sua vida parecia normal, mas os sinais já se faziam sentir: sede excessiva, fome constante e pernas inchadas. Contudo, como ele próprio confessa, a negligência falou mais alto. “Eu achava que era normal. Talvez por causa de uma bebedeira da noite anterior ou por estar a trabalhar muito.” Mas foi numa conversa inusitada com um cliente habitual, um médico atento aos detalhes, que Eduardo começou a entender que algo estava errado.
“Aquele cliente olhava para mim sempre que vinha ao bar. Um dia, chamou-me de lado e disse que precisávamos de conversar. Não ali, mas no hospital. Senti um frio na barriga, mas decidi ir.” Na segunda-feira, Eduardo dirigiu-se ao Hospital Provincial de Inhambane. Ao ser examinado, o diagnóstico foi devastador: estava numa fase crítica de diabetes, com uma glicemia de 27 mmol/L. O choque foi tão grande que ele mal conseguia processar as palavras do médico. “Foi como se o chão tivesse desaparecido debaixo dos meus pés.”
Os meses seguintes foram um turbilhão. Eduardo, que pesava 98 quilos na altura do diagnóstico, viu o seu corpo definhar. Em menos de três meses, perdeu quase metade do peso, chegando aos 53 quilos. “Todos olhavam para mim com espanto. As pessoas perguntavam o que se passava, mas eu não tinha forças para explicar. Sentia-me um fardo para a minha família.”
A rotina de internações tornou-se constante. Em 2021, Eduardo esteve internado 11 vezes no Hospital Provincial, lutando contra complicações que pareciam não ter fim. “Os diabéticos não podem ter feridas, mas eu tinha abscessos seguidos. Mal uma ferida fechava, outra abria. Era como um ciclo interminável. Bastava uma pequena infeção para a glicemia disparar.”
Determinado a mudar a sua realidade, Eduardo virou-se para a internet. “Comecei a pesquisar sobre diabetes, alimentação e cuidados. Foi aí que percebi que a ignorância era a minha maior inimiga.” Contudo, as mudanças não foram imediatas. Ele enfrentou erros e acertos no percurso. Uma das situações mais marcantes aconteceu quando descobriu que os alimentos integrais, que consumia religiosamente, estavam a piorar o seu estado. “Foi uma senhora que encontrei na fila do ATM que me abriu os olhos. Disse-me para pesquisar melhor sobre a alimentação para diabéticos. Quando experimentei parar com os integrais, a minha glicemia estabilizou.”
A adaptação não foi fácil, especialmente para a família. Eduardo recorda com emoção o apoio incondicional que recebeu. “Os meus filhos e a minha esposa sacrificaram os seus próprios hábitos para me apoiar. Em casa, as refeições mudaram. Foi difícil, mas necessário. Hoje, não comemos nada sem saladas e evitamos óleo comum. Foram mudanças bruscas, mas salvaram-me a vida.”
Hoje, cinco anos depois, Eduardo olha para trás com uma mistura de arrependimento e gratidão. Ele reconhece que ignorar os sinais foi um erro, mas também valoriza as lições aprendidas. “A diabetes ensinou-me a valorizar a vida e a saúde. Não espero mais até que algo piore para procurar ajuda. Aprendi que a prevenção é o melhor remédio.”
A sua história é um reflexo do desafio enfrentado por milhares de moçambicanos que vivem com diabetes. Em Inhambane, onde o apoio médico e a informação ainda são escassos, casos como o de Eduardo são uma janela para a urgência de ações concretas. A luta contra esta doença silenciosa vai além do indivíduo, exigindo o envolvimento de toda a sociedade.
Enquanto a paisagem de Inhambane continua a encantar turistas e moradores, histórias como a de Eduardo são um lembrete de que há batalhas sendo travadas longe dos olhares. A diabetes não é apenas uma condição médica; é um desafio social que demanda atenção e cuidado. Para Eduardo, a sua luta diária é um testemunho de que, mesmo diante das adversidades, é possível encontrar esperança e superação. “Hoje, sou uma pessoa diferente. Valorizo cada dia e agradeço por estar aqui para contar a minha história.”
Maria Helena: Uma luta de amor, perda e resiliência Contra a diabetes

Na pacata província de Inhambane, entre paisagens de coqueiros e o murmúrio constante do mar, a história de Maria Helena emerge como um retrato vivo das lutas que milhares de moçambicanos enfrentam diariamente contra um inimigo silencioso: a diabetes. Em 2023, Maria Helena perdeu o marido, vítima de complicações da doença, após nove anos de uma batalha intensa e extenuante que envolveu toda a família.
Maria Helena, uma mulher de voz doce e firme, relembra com olhos marejados os momentos que marcaram essa jornada. “Foi difícil para nós encararmos essa doença, porque tivemos que mudar completamente a nossa maneira de viver. Todos os hábitos que tínhamos, passamos a ter uma vida de alimentação integral, a medicação diária… Todos em casa tínhamos que estar comprometidos a isso, ajudando-o a controlar a doença”, conta, enquanto segura uma fotografia do marido, o sorriso dele agora apenas uma memória.
Durante quase uma década, a rotina da família girou em torno da saúde do marido. As viagens em busca de cuidados médicos tornaram-se frequentes, por vezes levando-os até Maputo e, em outras ocasiões, até à África do Sul. “As maiores dificuldades foram os tratamentos, porque, primeiro, não havia medicamentos no hospital. Tínhamos que fazer arranjos, às vezes encomendar medicamentos de fora”, explica Maria Helena, descrevendo o esforço conjunto que a família fazia para garantir que nada faltasse. Até mesmo o arroz integral, ausente nas prateleiras locais, precisava ser encomendado.
Nos últimos dias de vida do marido, a intensidade dos cuidados aumentou. A transição para a insulina trouxe novas responsabilidades para a família. “Ele tinha que tomar insulina duas vezes ao dia, e era injetada. Tínhamos que estar sempre ao lado dele para ajudar”, relembra Maria Helena, a voz carregada de dor. “Mesmo com todos os esforços, a perda dele deixou um vazio enorme na nossa vida. Até hoje, ainda não conseguimos nos adaptar.”
No Hospital, nem sempre há tempo para vencer

A realidade enfrentada por Maria Helena é partilhada por muitos pacientes e famílias que procuram assistência no Hospital Provincial de Inhambane. Ali, a diabetes é mais do que uma estatística; é uma batalha diária. Médicos e enfermeiros lutam contra o tempo para salvar vidas, muitas vezes diante de pacientes que chegam em estágios avançados da doença.
David Maposa, médico internista no hospital, descreve a complexidade do cenário. “A grande maioria dos pacientes vem com complicações crônicas, como problemas de visão, coração, rins e sistema nervoso. Muitos só procuram ajuda quando a situação já é crítica”, lamenta. Para ele, um dos grandes desafios é a falta de diagnósticos precoces.
A diabetes não controlada afecta os vasos sanguíneos, comprometendo a circulação e danificando órgãos vitais. “Os pacientes entram com neuropatia, insuficiência renal e, muitas vezes, já dependem de tratamentos mais complexos. O diagnóstico precoce poderia evitar essas complicações”, reforça Maposa. Ele destaca ainda a crescente prevalência de diabetes entre jovens e crianças. “A diabetes tipo 1, associada à falta total de insulina, está a manifestar-se cada vez mais cedo. Já a tipo 2, frequentemente relacionada com obesidade e resistência à insulina, também é um problema crescente.”
Em 2024, Moçambique registou 16.644 novos casos de diabetes. Zambézia, Tete e Sofala lideram em número de diagnósticos, mas a realidade de Inhambane não é menos alarmante. Foram contabilizados 950 novos casos, somando-se a mais de 3.334 pacientes já em seguimento.
No entanto, o verdadeiro desafio está no subdiagnóstico. Segundo o *Relatório Nacional de Prevalência e Fatores de Risco para Doenças Crônicas, 92,9% da população inquirida nunca fez um teste de glicemia. “Ainda há muitos diabéticos que não sabem que têm a doença. Quanto mais expandimos o rastreio, mais casos descobrimos, mas isso não significa que sejam novos casos. São pessoas que já viviam com a doença sem saber”, explica Maposa.
A alimentação desempenha um papel crucial na prevenção e no controlo da diabetes, mas em Moçambique, a falta de informação leva a escolhas alimentares prejudiciais. “Temos alimentos locais que podem fazer a diferença, mas falta conscientização. Muitas vezes, as pessoas optam por alimentos processados ou ricos em açúcar, sem perceberem os danos que podem causar”, alerta um nutricionista do hospital, que preferiu não ser identificado.
Maria Helena confirma essa realidade. Durante os nove anos em que cuidou do marido, foi necessário ajustar drasticamente os hábitos alimentares da família. “Tivemos que aprender a cozinhar de forma diferente, a escolher os alimentos certos. Foi uma mudança para todos nós”, relata.
Para o médico internista, a mensagem é clara: prevenir é sempre melhor do que remediar. Ele encoraja todos, especialmente aqueles com histórico familiar de diabetes ou fatores de risco como obesidade e hipertensão, a fazerem check-ups regulares. “O diagnóstico precoce pode salvar vidas. E para quem já tem a doença, é fundamental seguir o tratamento e as orientações médicas”, sublinha Maposa.
Enquanto isso, Maria Helena continua a lutar para encontrar sentido na nova realidade da sua família. “A vida nunca mais foi a mesma, mas eu quero que a nossa história sirva de exemplo. A diabetes não é uma sentença de morte, mas exige cuidado, união e muita força”, conclui, com a voz embargada pela emoção.
A história de Maria Helena e de tantas outras famílias moçambicanas reflete a necessidade urgente de maior acesso a diagnósticos, medicamentos e informação. A diabetes não é apenas uma batalha pessoal; é um desafio de saúde pública que demanda atenção e ação imediata. Em Moçambique, onde tantas vidas estão em jogo, cada esforço conta.
O poder de escolhas que salvam vidas

No mercado central de Inhambane, entre o som dos mercados repletos de vida e as vozes das mães que negociam preços para o sustento diário, encontramos Artemisa Mazevila, uma experiente nutricionista, que abriu o coração e partilha as suas observações sobre esta batalha contra a diabetes. “As pessoas, infelizmente, estão a consumir cada vez mais alimentos processados e ricos em gorduras. Frituras,salsichas, embutidos… Tudo isso tem contribuído para o aumento dos casos de diabetes,” explica, com a voz firme, mas carregada de preocupação.
Mazevila, que já acompanhou centenas de pacientes, enfatiza que, muitas vezes, os moçambicanos escolhem alimentos processados acreditando que são mais práticos ou, paradoxalmente, mais saudáveis. “Alguns até pensam que alimentos caros são sinónimo de saúde. Mas é possível escolher opções simples, como batata-doce, mandioca e milho, que não só são acessíveis como também mais saudáveis,” destaca, gesticulando com intensidade enquanto fala.
Num dos bairros periféricos de Inhambane, onde o aroma das frituras invade as ruas estreitas, é comum encontrar pequenos estabelecimentos que vendem bolinhos de mandioca e batata frita, opções que, embora deliciosas, são um convite ao excesso de gordura. Para muitas famílias, alimentos frescos e locais, como a mandioca ou o inhame, são vistos como desatualizados, enquanto o pão integral e os cereais processados ganham espaço nas mesas, mesmo que a preços elevados.
“Existe este mito de que comer saudável é caro,” afirma Mazevila, abanando a cabeça com um sorriso quase triste. “Mas, se olharmos bem, alimentos como banana, batata-doce e mandioca, que são produzidos localmente, são mais baratos e muito mais acessíveis do que os industrializados. A questão é reeducar as pessoas para valorizarem o que têm à sua disposição.”
A nutricionista partilha ainda um dado surpreendente: muitos casos de diabetes poderiam ser prevenidos ou controlados apenas com mudanças nos hábitos alimentares. “Em casos de diagnóstico precoce, é possível controlar a diabetes sem medicamentos. Uma alimentação equilibrada e uma rotina estruturada, com refeições a cada três horas, fazem toda a diferença,” explica.
A manhã de um diabético não precisa ser um desafio. Mazevila pinta um cenário otimista ao descrever como um pequeno-almoço saudável pode ser a base para o controle da doença. “Em vez de um chá com açúcar, o paciente pode optar por chá verde ou folhas de limão. Acompanhar com carboidratos integrais, como batata-doce ou inhame, e adicionar uma salada ou verduras para equilibrar. É simples, mas transformador.”
O mesmo princípio aplica-se ao lanche. Frutas locais, batata-doce e uma dose de criatividade podem ser a combinação perfeita para manter os níveis de glicemia estáveis. Mazevila destaca ainda que a combinação de alimentos é essencial. “Não adianta comer apenas batata-doce por ser saudável. É preciso juntar verduras para criar um equilíbrio e assegurar que o açúcar no sangue se mantenha controlado,” reforça.
O apelo da nutricionista vai além dos diabéticos. Para ela, a educação alimentar deve começar cedo e incluir toda a comunidade. “Com ou sem diabetes, é importante procurar um nutricionista. Não se trata apenas de tratar doenças, mas de prevenir. A alimentação saudável é um investimento para o futuro, e não deve ser encarada como um luxo, mas sim como uma necessidade básica,” afirma com convicção.
Enquanto Artemisa Mazevila fala, é impossível não imaginar o impacto que estas mudanças poderiam ter. Em Moçambique, onde a saúde pública enfrenta desafios diários, a prevenção da diabetes não é apenas uma questão de saúde individual, mas de economia e sustentabilidade social.
À medida que os casos de diabetes continuam a crescer, a mensagem de Artemisa ecoa com urgência. A luta contra esta doença não precisa ser solitária, e pequenas mudanças podem salvar vidas. “A diabetes não é o fim. Com diagnóstico precoce, escolhas alimentares conscientes e apoio adequado, é possível viver uma vida plena,” conclui, com um brilho de esperança no olhar.
Esta é a história de milhares de moçambicanos que, todos os dias, enfrentam desafios entre o prato e a saúde. É um convite à reflexão, à ação e à solidariedade. Porque, no fim, a luta contra a diabetes é uma luta de todos nós.
A cantora Lenna Bahule lança o novo álbum intitulado “Kumlango”, uma experiência sensorial que a liga às raízes, memórias e recorda a rica herança cultural africana.
O novo disco, que estará disponível a partir do dia 30, nas principais plataformas digitais, significa “portal”, em jaua, língua de um dos principais grupos étnicos e linguísticos da província moçambicana do Niassa, também língua materna da mãe de Lenna Bahule.
“Kumlango” é uma trilogia intercultural, marcada por sons tradicionais de Moçambique e de outras culturas afro, cantados em diferentes línguas como jaua, xitswa, chope, tswa-hlengwe e crioulo da Ilha da Reunião. Mas há também interpretações na língua nómada, autêntica, fruto da criatividade de Lenna para inventar palavras musicais. Baseando-se na música e cultura tradicionais.
O disco ainda explora diferentes texturas sonoras orgânicas e electrónicas para criar uma paisagem de ritmos enraizada no passado, mas olhando para o futuro.
Na sua nova proposta, Lenna Bahule inspira-se na experiência humana universal dos ciclos da vida que repetidamente convidam a passar do mundano e material ao místico, seguindo a vocação. “Portanto, o álbum é uma ode à procura de respostas, ao trabalho árduo e às sincronicidades necessárias para processar e, eventualmente, ao momento de atravessar o portal para um estado de êxtase, euforia e realização”, adianta uma nota de imprensa.
Dividido em três EPs, o disco celebra uma jornada da alma, da ignorância à iluminação, do mundano ao místico. Uma viagem que liga o passado ao presente reconhecendo a herança ancestral, lidando com as questões levantadas e o trabalho envolvido na busca pela realização e, finalmente, atravessando o portal para a alegria da transcendência.
A primeira parte do projecto intitulado Kwisa, saiu em Junho 2024 e representa, claro, o início de uma jornada, a inocência no começo de um ciclo de vida, de uma busca por significado e a reunião para a invocação dos ancestrais, encontrando conexão e orientação através do processo de introspecção e devoção, fortalecendo a alma para a jornada ao desconhecido.
Em Outubro de 2024, a artista lançou o segundo capítulo desta trilogia musical, Nadawi, no qual se encontra meio ao processo de lidar com as questões e respostas que foram levantadas anteriormente. “É uma fase confusa e catártica dos ciclos da vida, quando você sente que não consegue ver o fim do túnel. Até que o façamos. Este é o tempo necessário para processar, rezar, curar e realizar o trabalho interno e externo que nos permite estabelecer uma conexão profunda com nós mesmos e com a nossa ancestralidade. É um momento precioso para nos recolhermos à introspecção, buscando compreender nossas próprias jornadas. É através deste processo de autorreflexão e cura que fortalecemos os nossos laços com a nossa essência mais profunda e com a sabedoria transmitida de geração em geração. É uma jornada de autodescoberta e reconexão, essencial para nutrir nosso crescimento pessoal e espiritual”, adianta ainda a nota de imprensa.
O último EP, Mate, que chegou às plataformas em Março 2025, resume a euforia de finalmente descobrir a felicidade plena, onde as respostas se alinham sem esforço. “É uma sensação semelhante a voar alto, onde as preocupações se dissipam e reina uma paz suprema. Imagine rituais de colheita, onde a abundância da terra é celebrada com reverência e as bênçãos da chuva são recebidas com gratidão. Neste estado de euforia, cada respiração soa como uma sinfonia e cada batimento cardíaco ressoa com o ritmo do universo. É um momento de alegria pura e desenfreada, onde as fronteiras entre o mundano e o extraordinário se confundem, deixando apenas um profundo sentimento de admiração e encantamento”.
Neste momento, Lenna Bahule prepara um concerto para 14 de Junho, em Maputo.

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