Moçambique passou a contar, oficialmente, com a sua primeira Escola de Saúde Pública, uma infra-estrutura criada para reforçar a formação de profissionais, promover a investigação científica e impulsionar a inovação no sector da saúde. A cerimónia de inauguração, realizada em Maputo, foi dirigida pela Primeira-Ministra, Maria Benvinda Levy, e reuniu representantes do Governo moçambicano, do Governo brasileiro, organismos internacionais e parceiros de cooperação.
Na ocasião, a Primeira-Ministra afirmou que a criação da Escola de Saúde Pública constitui um testemunho do compromisso do Governo com o desenvolvimento, a coesão social e o bem-estar da população. Destacou ainda que a requalificação do edifício onde funciona a instituição permitiu recuperar uma infra-estrutura anteriormente devoluta, transformando-a num espaço dedicado à formação e ao conhecimento.
Maria Benvinda Levy sublinhou que a escolha da cidade de Maputo para acolher a escola se justifica por concentrar os maiores desafios da saúde pública no País, bem como um elevado número de investigadores e instituições ligadas ao sector.
Segundo a governante, a criação da escola enquadra-se nos compromissos assumidos por Moçambique no âmbito da cooperação em saúde da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), bem como no reconhecimento recente do Instituto Nacional de Saúde como Centro de Excelência dos Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (África CDC) para a formação em saúde pública nos PALOP.
A nova instituição tem como principal missão reforçar o Sistema Nacional de Saúde através da formação de quadros altamente qualificados, capazes de responder aos desafios contemporâneos da saúde pública.
Durante a cerimónia foi igualmente apresentado um vídeo institucional que destacou a cooperação entre Moçambique e Brasil, considerada uma das mais sólidas e duradouras no domínio da saúde.
Segundo o documentário, a parceria entre o Instituto Nacional de Saúde (INS) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), iniciada em 2008, assenta em três pilares fundamentais: investigação científica conjunta, transferência de tecnologia e formação de recursos humanos, com especial enfoque na preparação de mestres e doutores.
A experiência acumulada ao longo dos últimos dezoito anos permitiu criar condições para o lançamento da primeira Escola de Saúde Pública de Moçambique, considerada um marco para o fortalecimento das capacidades nacionais de investigação, ensino e gestão em saúde.
Representantes da Fiocruz defenderam que a nova instituição deverá transformar-se num centro de referência para os países africanos de língua oficial portuguesa, promovendo uma formação de excelência e aprofundando a cooperação Sul-Sul.
No mesmo sentido, o vídeo do Director-Geral do África CDC, John Kaseya, classificou a criação da escola como uma demonstração de liderança política e de visão estratégica por parte de Moçambique, considerando que o projecto poderá contribuir para o desenvolvimento de um centro regional de excelência em saúde pública para os países africanos de língua portuguesa.
O responsável enalteceu igualmente o papel desempenhado pelo Instituto Nacional de Saúde na consolidação das capacidades científicas do País e reafirmou o apoio do África CDC ao desenvolvimento da instituição.
A cerimónia ficou igualmente marcada pela assinatura de vários memorandos de entendimento destinados a reforçar a cooperação em saúde digital.
Os acordos foram celebrados entre o Instituto Nacional de Saúde e o Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC), a Agência de Transformação Digital e Inovação, a Universidade do Novo México e a Universidade das Nações Unidas, incidindo sobre formação, inovação e desenvolvimento tecnológico em saúde digital.
Os parceiros consideram que estas iniciativas permitirão integrar tecnologias digitais, inteligência artificial e novas plataformas de ensino na formação de profissionais de saúde, ampliando o acesso ao conhecimento e melhorando a resposta do Sistema Nacional de Saúde aos desafios do presente e do futuro.
Para os intervenientes, a inauguração da Escola de Saúde Pública representa um passo histórico para Moçambique, reforçando a capacidade nacional de formação especializada, investigação científica e cooperação internacional, com potencial para beneficiar não apenas o País, mas também toda a região africana de língua portuguesa.