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As Organizações Sem Fins Lucrativos negam que estejam envolvidas em crimes de branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo. Por isso, exigem um tratamento diferenciado diante dos bancos comerciais e das autoridades públicas ligadas à matéria.

Por constarem da lista dos suspeitos de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo há cerca de dois anos, nesta quinta-feira decidiram sentar-se à mesma mesa com o Governo e os bancos comerciais para limpar o seu nome e exigir também um tratamento menos asfixiante.

Num evento que contou com a participação da secretária permanente do Ministério das Finanças, as organizações queixaram-se de estar a enfrentar problemas sérios para abrir contas bancárias e para receber dinheiro de doadores externos para os seus projectos.

“O doador manda o recurso e o banco informa, às vezes depois de duas a três semanas, que recebeu uma transferência e começa a pedir uma série de documentos. Muitas vezes, esses documentos já foram entregues, às vezes não é um contrato novo. É uma transferência para implementar imediatamente. O tempo demora tanto, às vezes dois a três meses. Em alguns casos, há organizações que reportaram que não conseguem receber esse dinheiro e acabam perdendo o recurso. Por exemplo, se é uma resposta a uma emergência, como cheias ou outra coisa, depois de três a quatro meses torna-se irrelevante”, defende a activista social Paula Monjane, representante do Movimento para a Liberdade de Associação.

Diante das constatações, as organizações consideram inaceitável que cumpram os requisitos exigidos pelos bancos para gerir uma conta bancária e que, mesmo assim, os seus processos não corram. Acusam os bancos de ignorar as recomendações das autoridades oficiais.

“As nossas recomendações são: primeiro, que a avaliação sectorial de risco seja uma ferramenta de uso dos bancos e do sistema financeiro para definir as medidas proporcionais. Segundo, que as boas práticas do GAFI também sejam consideradas no processo de definição de medidas baseadas no risco. Terceiro, que haja um diálogo permanente entre o Governo, o sector financeiro e a sociedade civil. Quarto, que as medidas sejam proporcionais, de tal forma que não levem as organizações a abandonar o sistema financeiro formal para começarem a usar um sistema informal, no qual não vai ser possível encontrar e controlar operações suspeitas”, detalha a activista social Quitéria Guirengane.

Contudo, as organizações sem fins lucrativos exigem um tratamento tendo em conta o risco de cada uma delas. “O que nós exigimos como sociedade civil, sobretudo como CESC, é que essa lista das organizações que supostamente foram detectadas na avaliação fosse entregue aos bancos, no sentido de que, na altura das transacções financeiras, fosse a esse tipo de organizações que se devia demandar mais documentação. Não faz sentido, por exemplo, uma organização pequena, ao nível de Cabo Delgado, que precisa de receber fundos para poder implementar os seus pequenos projectos de desenvolvimento para alavancar o desenvolvimento local, não ter acesso a fundos porque, supostamente, as organizações da sociedade civil são susceptíveis de abuso, mesmo que não haja evidências sobre isso”, considera Domingos do Rosário, gestor do CESC, uma organização da sociedade civil.

Por sua vez, os bancos comerciais dizem estar a trabalhar com listas oficiais de suspeitos e com base na legislação, motivo pelo qual exigem melhor organização aos queixosos.

“Temos um sistema de identificação de entidades nacionais relacionadas com o financiamento do terrorismo, e isso consta de umas listas que são publicadas também ao nível nacional e enviadas aos bancos para que adoptem medidas proporcionais ou medidas de mitigação relativamente a essas entidades. Agora, identificar casos em concreto não seria o momento para trazer aqui. O que se pretende mesmo é que as instituições estejam preparadas para evitar que estes riscos de facto se concretizem e que haja de facto este uso do sector para o financiamento do terrorismo”, explicou aos jornalistas Edgar Fortes, da área de anti-branqueamento de capitais do Banco de Moçambique.

Por seu turno, Samir Zacarias, representante da Associação Moçambicana de Bancos (AMB), explica que os bancos têm métricas específicas para medir os riscos das organizações. “Tendo em conta o resultado, a documentação que é solicitada pode divergir em alguns pontos. Quando nós calculamos o nível de risco de uma associação, há associações que operam em áreas de alto risco. Vou dar um exemplo de Cabo Delgado, que é uma área assolada pelo terrorismo. Há outras que não operam numa área de alto risco. Evidentemente, o resultado do nível de risco dessas duas associações pode ser diferente”, explicou.

Na última avaliação, as confissões religiosas apareciam com maior risco. Mas há trabalhos em curso para melhorar a situação e, em breve, haverá uma nova avaliação.

“68% das confissões religiosas foram apontadas com algum nível de risco. Elas estão identificadas na avaliação nacional de risco. Nós temos dados que apontam para as confissões religiosas, é preciso que se retenha o que se está a dizer. E quais são esses riscos? Não há contas bancárias, (…) há uma série de elementos que contrariam a Lei 14 do Branqueamento de Capitais”, destaca Luís Cezerilo, coordenador nacional de políticas de prevenção ao branqueamento de capitais, financiamento ao terrorismo e proliferação de armas.

Espera-se que a reunião que teve lugar ontem em Maputo produza consensos entre os bancos, as organizações sem fins lucrativos e as autoridades do Governo, sem prejuízo das partes.

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Atravessar a EN7 continua a representar um risco para muitos peões na cidade de Tete, apesar da existência de pontes pedonais construídas para facilitar a travessia em segurança. Nas proximidades dos mercados Cambinde e Canongola, vários munícipes continuam a atravessar directamente a estrada, expondo-se ao risco de atropelamentos.

A situação preocupa igualmente os automobilistas, que são frequentemente obrigados a reduzir a velocidade ou a travar bruscamente para permitir a passagem de peões, aumentando o risco de acidentes.

As pontes pedonais foram construídas para garantir uma travessia segura e contribuir para a redução dos acidentes de viação ao longo da EN7, uma das estradas com maior circulação na cidade de Tete.

Contudo, no dia-a-dia, muitos peões continuam a ignorar estas infra-estruturas. Nos mercados Cambinde e Canongola, a nossa reportagem constatou a travessia directa da EN7 por vários munícipes, mesmo com viaturas a circularem nos dois sentidos.

Entre os motivos apontados pelos utentes estão a pressa e o esquecimento. Alguns munícipes apontam também a actuação de cobradores de transporte semicolectivo, que, segundo relatam, por vezes chamam passageiros em pontos próximos da estrada, contribuindo para que estes atravessem directamente a via.

As pontes pedonais foram instaladas pelo Conselho Municipal de Tete entre 2023 e 2025, como parte das medidas destinadas a melhorar a segurança rodoviária na cidade.

 

As divergências internas na Renamo continuam a subir de tom. O chefe nacional de mobilização do partido, Geraldo Carvalho, acusa António Muchanga de estar a contribuir para a destruição da organização e de agir em benefício de interesses externos. Em resposta, Muchanga desvaloriza as acusações e considera Carvalho “insignificante” e “irrelevante”.

Carvalho reagia aos pronunciamentos de Muchanga contra a liderança da Renamo, numa altura em que o antigo deputado exige mudanças na condução do partido e a realização de um congresso extraordinário.

Segundo Geraldo Carvalho, Muchanga estará a aproveitar-se das oportunidades que lhe foram dadas pela Renamo para promover uma agenda que, na sua leitura, acaba por beneficiar a Frelimo.

“Ele está a tentar aproveitar-se das oportunidades que foram dadas pela Renamo. Ele tem objectivos a atingir que só beneficiam a Frelimo.”

Carvalho considera ainda que Muchanga não tem legitimidade para decidir sobre quem deve ou não dirigir o partido, tendo classificado o antigo deputado como alguém que está a actuar contra a Renamo.

O chefe nacional de Mobilização minimiza as críticas de Muchanga e afirma que continuará a trabalhar nas bases do partido, incluindo nas províncias da Zambézia e Manica.

 

AMEAÇA DE RETALIAÇÃO

 

A questão do encerramento de delegações da Renamo também mereceu fortes críticas de Geraldo Carvalho. O dirigente deixou um aviso aos responsáveis pelas acções, afirmando que o partido poderá responder na mesma medida. “Quem vier com pau vai ser recebido com pau. Quem vier com respeito vai ser recebido com respeito.”

Carvalho rejeita aquilo que considera uma tentativa de alguns membros de agir à margem das estruturas do partido e questiona a legitimidade de grupos que dizem falar em nome dos desmobilizados.

Por sua vez, o porta-voz da Renamo, Marcial Macome, reconhece a existência de divergências internas, mas defende o respeito pela ordem institucional e pelos estatutos do partido.

Macome considera que a contestação à liderança não deve servir de fundamento para quebrar as regras internas, alertando para o risco de se criar um precedente que possa comprometer o funcionamento das instituições partidárias.

Sobre a exigência de um congresso extraordinário, Marcial Macome afirma que existem procedimentos estatutários para a convocação deste órgão e que os membros que conhecem as regras do partido devem segui-los. “Estatutariamente, existe um procedimento para se convocar o congresso.”

MUCHANGA RESPONDE

Reagindo às declarações de Geraldo Carvalho, António Muchanga desvaloriza o seu colega, considerando-o “insignificante” e “irrelevante”.

Muchanga recupera episódios da trajectória política de Carvalho, incluindo a sua passagem pelo MDM, e acusa-o de estar novamente a preparar uma saída da Renamo.

O antigo deputado vai mais longe e critica a forma como Carvalho tem conduzido a sua intervenção política, recorrendo a uma comparação para descrever a sua actuação.

Muchanga afirma ainda que Ossufo Momade é o principal responsável pelos problemas que enfrenta actualmente a Renamo, acusando o presidente do partido de não convocar reuniões estatutárias e de permitir práticas que, segundo afirma, prejudicam a organização.

O antigo deputado garante, por outro lado, que a sua intervenção política não visa proteger interesses individuais, mas defender aquilo que considera ser o interesse do povo e o futuro da Renamo.  As trocas de acusações entre os dois dirigentes expõem, assim, as profundas clivagens internas que marcam actualmente o principal partido da oposição em Moçambique, com a liderança de Ossufo Momade sob forte contestação de sectores descontentes.

Um camião que transportava carvão vegetal tombou, na madrugada deste domingo, na Estrada Nacional Número 1 (EN1), na zona de Katembe, cidade de Maputo, concretamente na rotunda do distrito municipal da Catembe.

De acordo com informações preliminares recolhidas no local, o acidente ocorreu por volta das 3 horas da madrugada, quando o motorista, que seguia da Marinha em direcção a Pires, terá perdido o controlo do camião ao efectuar uma subida em direcção à Pires.

Na sequência do incidente, o camião tombou e permaneceu no local durante várias horas. Por volta das 9 horas da manhã, as equipas de intervenção ainda trabalhavam na remoção do carvão vegetal que era transportado, numa operação destinada a facilitar a retirada da viatura.

Segundo as autoridades presentes no local, não houve vítimas mortais, tendo-se registado apenas danos materiais, cujo valor ainda não foi determinado. O acidente não chegou a interromper a circulação rodoviária na EN1.

Agentes da Polícia da República de Moçambique, Polícia Municipal e outras entidades estiveram no local a prestar assistência e a acompanhar os trabalhos de remoção do camião. Também estiveram presentes agentes ligados ao controlo da qualidade ambiental, devido ao transporte de carvão vegetal.

As autoridades explicaram que, após a retirada do camião, será elaborado o respectivo auto pela entidade policial competente em Katembe, que posteriormente deverá remeter as informações à estrutura responsável na cidade de Maputo para partilha com a comunicação social.

O incidente levanta, entretanto, questões sobre o tempo necessário para a remoção de viaturas acidentadas numa estrada concessionada, uma vez que, várias horas depois da ocorrência, o camião continuava no local.

O membro da Frelimo, Domingos Tivane, lançou, neste sábado, duras críticas ao funcionamento interno do partido, denunciando a existência de corrupção, arrogância e falta de coragem entre os quadros para apontar erros e responsabilizar dirigentes.

Falando durante a Reunião Nacional de Quadros da Frelimo, que decorre com grupos de trabalho constituídos para a discussão de diferentes matérias, Tivane considerou que os problemas internos do partido estão a contribuir para o prolongamento dos debates.

“Se no nosso partido não houvesse corrupção, esta reunião teria terminado há muito tempo. Se não houvesse arrogância, esta reunião também teria terminado há muito tempo”, afirmou.

Tivane lamentou igualmente a falta de coragem dos membros do partido para denunciar comportamentos que considera desviantes, recordando que, no passado, os quadros reuniam-se para expor publicamente casos de corrupção, arrogância e outras condutas consideradas incompatíveis com as responsabilidades partidárias.

Segundo o membro da Frelimo, quando um dirigente demonstra incompetência ou incorre em comportamentos considerados inadequados, deve ser afastado, mas as razões da decisão devem ser comunicadas de forma clara à sociedade.

“Vamos informar ao povo porque tiramos este dirigente. Se for o caso e houver evidências, nada mais”, defendeu.

Tivane criticou ainda a prática de anunciar simplesmente que determinado dirigente “renunciou”, sem esclarecer as circunstâncias que levaram à sua saída. Para ele, o partido deve assumir maior responsabilidade e transparência na comunicação das suas decisões.

Na mesma intervenção, o político defendeu uma renovação geracional na liderança da Frelimo, apelando à maior inclusão de jovens nos órgãos de decisão.

“A Comissão Política já está cansada. Vamos colocar jovens”, declarou.

Apesar da defesa da renovação, Tivane sublinhou a importância da experiência dos dirigentes mais antigos, considerando que os jovens devem trabalhar com os quadros que possuem conhecimento acumulado sobre a história e o funcionamento do partido.

A intervenção de Domingos Tivane ocorre no âmbito da Reunião Nacional de Quadros da Frelimo, onde foram criados grupos de trabalho para aprofundar diferentes questões relacionadas com a vida interna e os desafios do partido.

Pelo menos 30 pessoas morreram na sequência do desabamento de uma enorme pilha de lixo no aterro sanitário de Dar Es Salam, o maior de Conacri, capital da Guiné.

O acidente ocorreu na madrugada de domingo, depois de fortes chuvas registadas durante a noite terem provocado um deslizamento de terras no local.

Testemunhas relataram que moradores correram para o aterro na tentativa de resgatar possíveis sobreviventes. No entanto, enquanto as operações de socorro decorriam, uma segunda parte da estrutura de resíduos desabou em sucessivas vagas, atingindo várias pessoas que se encontravam no local.

Segundo as autoridades, além das vítimas mortais, pelo menos seis pessoas ficaram gravemente feridas. Várias casas situadas nas proximidades do aterro foram igualmente destruídas pelo desabamento.

As equipas de emergência iniciaram uma operação de busca e salvamento, vasculhando as enormes quantidades de lixo acumuladas no aterro na tentativa de localizar sobreviventes.

O aterro de Dar Es Salam tinha encerramento previsto para domingo, estando os moradores das zonas circundantes previamente orientados a abandonar o local. Contudo, várias pessoas continuavam a viver nas proximidades quando ocorreu o desabamento.

O acidente expõe, uma vez mais, os riscos associados à permanência de comunidades junto de um aterro que há anos enfrentava problemas relacionados com a gestão e acumulação de resíduos.

 

Domingos Tivane denuncia corrupção, arrogância e falta de coragem dentro da Frelimo. Na Reunião Nacional de Quadros, o membro do partido defendeu que dirigentes incompetentes ou envolvidos em práticas irregulares devem ser afastados e que as suas saídas sejam explicadas publicamente ao povo.

Falando este sábado, num encontro de grupos de trabalho constituídos para discutir diferentes matérias, no âmbito da Conferência Nacional de Quadros da Frelimo, Domingos Tivane considerou que a corrupção e a arrogância no seio do partido estão entre os factores que prolongam os debates internos.

O membro da Frelimo diz que, no passado, os quadros tinham maior coragem para apontar publicamente comportamentos considerados desviantes e defender o afastamento de dirigentes quando existissem evidências.

Na sua intervenção, Domingos Tivane apelou igualmente para a renovação geracional, defendendo maior espaço para os jovens na liderança da Frelimo, com destaque para a composição da Comissão Política do partido.

Apesar do apelo para a renovação, Tivane defende que os jovens devem beneficiar da experiência dos quadros mais antigos, que considera fundamentais para a transmissão do conhecimento e da experiência acumulada no partido.

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, Mohsen Rezaei, alerta que qualquer país que participar da guerra económica dos EUA contra o Irão será considerado um “inimigo” por Teerão

Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, fez essas declarações em uma entrevista à emissora estatal de TV, IRIB.

Começou por afirmar que o Irão iria, primeiro, negociar com tais países aliados dos EUA na guerra económica e pediria que se mantivessem fora do conflito, mas alertou que, se eles se recusassem, Teerã atacaria seus interesses.

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã sublinhou ainda que o Irã aprendeu a contornar as sanções dos EUA ao longo dos anos e continuou a vender petróleo, apesar de meses de bloqueio naval americano.

Rezaei também reiterou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado a menos que os Estados Unidos cumpram seus compromissos previstos no memorando de entendimento de paz entre Irã e EUA, assinado em Junho.

O Irão terá como alvo qualquer movimentação dos EUA ao longo da rota de navegação sul no Estreito de Ormuz e atacará quaisquer reuniões que envolvam os Estados Unidos e grupos anti-Irã na região, disse Rezaei.

Donald Trumpdisse, na quarta-feira, que os Estados Unidos lançariam “a operação económica mais devastadora de todos os tempos” contra o Irã, através de uma “guerra económica e um isolamento em uma escala sem precedentes”.

El Niño atrasa as chuvas e reduz os níveis do Nilo, agravando a crise alimentar num país já devastado pela guerra e pelo aumento dos custos de produção

Ao longo das margens ressequidas do Nilo, no Sudão, agricultores lutam para levar água às suas plantações, enquanto outros recorrem a orações para pedir chuva sobre uma terra marcada por profundas fendas.

Em todo o país, vastas áreas agrícolas que poderiam contribuir para alimentar milhões de pessoas permanecem abandonadas. A guerra, a escassez de combustível e fertilizantes e, agora, a falta de chuva estão a empurrar os agricultores para uma das épocas agrícolas mais difíceis de que há memória.

O Sudão enfrenta desde Abril de 2023 uma guerra entre o exército e as Forças de Apoio Rápido, conflito que provocou centenas de milhares de mortos e deixou milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar.

A crise agravou-se com o aumento dos preços dos combustíveis e fertilizantes, num contexto de perturbações no abastecimento internacional. Agora, o fenómeno climático El Niño veio acrescentar uma nova ameaça, atrasando as chuvas e contribuindo para a redução dos níveis de água do Nilo.

Ao sul de Cartum, o agricultor Al-Tigani Fadlallah aponta para uma ilha de areia que normalmente estaria coberta pelas águas do rio nesta época do ano.

“Normalmente, a água cobre tudo em Julho, mas já é possível ver agora”, afirmou Fadlallah, citado pela AFP, considerando o aparecimento do banco de areia um mau presságio para as suas culturas.

De norte a sul, agricultores relatam dificuldades semelhantes. A água não chega em quantidade suficiente através do rio e as chuvas, essenciais para as culturas de sequeiro, tardam em aparecer.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) alerta que a actual campanha agrícola decorre sob elevado risco climático, associado às condições do El Niño, caracterizadas por chuvas tardias e abaixo da média, bem como períodos prolongados e frequentes de seca.

O cientista climático e hidrólogo Elfatih Eltahir, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, que há três décadas estuda a relação entre o El Niño e o Nilo, considera que existe uma forte ligação entre o fenómeno climático e a redução do caudal do rio.

Segundo a sua investigação, quando o El Niño se manifesta no final da Primavera, aumenta a probabilidade de ocorrência de seca no sudeste do Sudão e no noroeste da Etiópia, região onde nasce o Nilo Azul.

Dados da Universidade de Tübingen, na Alemanha, indicam que os níveis de água no reservatório da Grande Barragem da Renascença Etíope, no Nilo Azul, estavam, em Julho, cerca de seis metros abaixo dos registados no mesmo período do ano passado.

Eltahir defende, por isso, maior transparência e cooperação entre a Etiópia, o Egipto e o Sudão na gestão dos recursos hídricos do Nilo, sobretudo num contexto de alterações climáticas que favorecem fenómenos extremos, como secas e cheias mais intensas.

No Estado de Gedaref, junto à fronteira com a Etiópia e uma das principais regiões produtoras de sorgo e sésamo do Sudão, os efeitos da seca já são visíveis.

Com a chegada de Agosto, campos que habitualmente apresentam uma paisagem verde permaneciam castanhos e secos. Agricultores reuniram-se junto de líderes religiosos para rezar por chuva.

“Precisamos destas chuvas para as nossas plantações e para o nosso gado, e elas estão atrasadas”, afirmou o agricultor Abdelmajid Hussein, depois de uma oração.

A ministra da Agricultura, Ismat Qurashi, disse que os agricultores estão a ser aconselhados a optar por culturas mais resistentes à seca e a adiar o período de plantio.

Moussa Yaacoub, de 75 anos, cultiva sésamo há décadas e já enfrentou três campanhas agrícolas durante a guerra. Cada uma, segundo relata, foi mais difícil do que a anterior.

Com a terra novamente rachada pela seca, o agricultor teme não conseguir suportar os custos da próxima campanha, que, segundo afirma, estão quatro vezes mais elevados.

“Não consigo ter um momento de paz”, lamenta.

Mais abaixo, no Estado de Al-Jazira, outra importante região agrícola e produtora de cereais, Hassan Ahmed observa a propriedade da família, cultivada há cerca de um século.

Depois de regressar à exploração no ano passado, na sequência da recuperação da região pelo exército, Ahmed encontrou a propriedade saqueada e as árvores debilitadas pelo calor.

Juntamente com os filhos, começou a recuperar a fazenda, mas este ano voltou a enfrentar dificuldades devido à falta de água.

“Tenho 63 anos e nunca vi o Nilo tão baixo em Agosto”, afirmou. Segundo Ahmed, nesta altura do ano a água deveria ter encharcado o solo a vários metros de profundidade, permitindo a utilização das bombas de irrigação.

A combinação entre a escassez de água, o aumento dos custos de produção e um mercado profundamente fragilizado está a levar muitos agricultores a abandonar as suas terras.

Cerca de 65 por cento das extensas terras aráveis do Sudão são consideradas inutilizáveis, agravando uma crise alimentar que já afecta milhões de pessoas.

Alguns agricultores chegaram a iniciar o cultivo, mas acabaram por abandonar as plantações quando perceberam que a colheita não compensaria os custos.

“Plantaram as suas culturas, mas depois deixaram-nas morrer porque simplesmente não valia a pena fazer a colheita”, afirmou o jovem agricultor Mohamed al-Tijani, citado pela AFP, nas proximidades de Cartum.

O Sudão depende da importação de combustível e de grande parte dos fertilizantes utilizados na agricultura. Os custos destes produtos terão aumentado até cinco vezes este ano, agravando as dificuldades provocadas pela guerra e pela crise económica.

Para muitos agricultores, o risco é perder não apenas a colheita, mas também o investimento realizado.

Ainda assim, alguns insistem em continuar a trabalhar.

O agricultor veterano Ahmed Othman sabe que poderá não recuperar o dinheiro investido na campanha, num mercado debilitado e com grande parte da população sem emprego.

“Mas pelo menos posso dizer que estou a trabalhar”, afirmou, mantendo-se nos campos apesar das condições adversas.

Entre a guerra, a seca e a crise económica, os agricultores sudaneses enfrentam uma realidade em que produzir alimentos se tornou cada vez mais difícil, justamente quando o país mais precisa da sua agricultura para combater a fome.

A República Democrática do Congo (RDC) recebeu, na noite de sexta-feira, um carregamento contendo mais de 16 mil doses da vacina Ervebo. A chegada do fármaco ao aeroporto de Kinshasa representa um passo crucial no combate ao 17.º surto de Ébola da história do país, numa altura em que as autoridades sanitárias alertam para uma progressão exponencial da doença.

O lote, composto especificamente por 16 250 doses, foi recepcionado sob a vigilância das autoridades locais, num cenário de crise humanitária complexa. Declarado oficialmente a 15 de Maio, este surto de Ébola  que já terá causado 2 516 mortes entre os 5 290 casos confirmados tem-se revelado um desafio de difícil gestão para as equipas de saúde.

A precariedade das infraestruturas médicas e a persistente instabilidade provocada por grupos armados nas regiões do norte e do leste do país constituem obstáculos significativos ao controlo da epidemia.

A vacina Ervebo, produzida na Alemanha e desenvolvida pela empresa farmacêutica Merck, é actualmente a única aprovada contra o Ébola. Contudo, a sua aplicação neste surto particular levanta questões científicas importantes: o fármaco é eficaz contra a estirpe Zaire, mas não existe confirmação absoluta da sua protecção contra a estirpe Bundibugyo, que é a que circula presentemente na RDC.

Samuel Roger Kamba, ministro da Saúde da RDC, sublinhou a importância do recurso a este medicamento, referindo que o mesmo “já foi usado diversas vezes”, nomeadamente durante o surto de 2018-2020. A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem, contudo, uma estratégia cautelosa. De um total de 70 000 doses destinadas ao país, 20 000 foram alocadas para a realização de ensaios clínicos, enquanto as restantes 50 000 serão direccionadas para os profissionais de saúde e equipas que se encontram na linha da frente.

Os especialistas esperam que os dados, até ao momento derivados principalmente de ensaios em animais, se traduzam numa protecção cruzada eficaz em humanos. “Está a crescer exponencialmente”, alertou Julien Harneis, coordenador sénior da ONU para o Ébola, sublinhando a gravidade do panorama actual.

 

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